domingo, 31 de maio de 2009

A relação produtiva entre os protestantes e a música clássica

As igrejas evangélicas brasileiras mantém viva a tradição da música clássica entre as congregações de periferia e suas catedrais. 


Júlio César, ainda pré-adolescente, sentiu o desejo de tocar na orquestra de sua igreja, mas nada sabia de música clássica, quando por incentivo da mãe, que comprou um violino, ele iniciou seus estudos em diversas escolas de música, pública e privada, para entender o ofício dos acordes eruditos. Hoje, Júlio César é professor de música e segundo maestro na Assembléia de Deus do Parque Cocaia, Zona Sul de São Paulo, onde um grupo de jovens participam de uma orquestra e coral para os cultos dominicais. 

“Além da participação na igreja e em orquestras, o músico formado na igreja tem um leque de opções na sua trajetória profissional” 

Júlio César Guedes Rosa, 22, reclama da falta de incentivo dos pais daqueles jovens que se dedicam à música, sendo que ele recebeu incentivo de sua mãe: “Falta investimentos da parte dos pais, pois há projetos do governo de graça que onde os pais não levam os seus filhos”. Júlio César tem como inspiração musical o compositor alemão Johann Sebastian Bach, mas não aprecia Ludwig van Beethoven por causa de sua melancolia. A flautista Vanessa Melo de Menezes, 26, da igreja no Parque Cocaia, relata gosta de música desde criança e por incentivo de seus familiares, membros da igreja, começou estudar música clássica ainda adolescente e hoje diz que o fato de ser evangélica contribuiu para o seu ingresso na música erudita. Vanessa diz: “Por incentivo dos meus avós e tios eu comecei a estudar música na igreja”. 
São personagens como Júlio e Vanessa, que por uma influência da igreja ou parentes músicos, lotam as orquestras nas congregações evangélicas espalhadas pelo Brasil. 
O maestro Júlio César Guedes Rosa diz: "Precisa haver maior incentivo dos pais". Em uma pequena igreja da periferia ou em uma grande catedral, há um grupo de crianças, jovens e adultos tocando instrumentos clássicos como violino, trompete, flauta, trombone, piano, trompa, percussão e os demais órgãos que compõem uma orquestra. No acompanhamento da orquestra há um coral, que canta de hinos tradicionais a músicas com ritmos modernos. Esse cenário é comum em diversas igrejas protestantes na cidade de São Paulo, onde denominações históricas como Igreja Presbiteriana, Batista, Metodista e Assembléia de Deus cultivam uma liturgia mais clássica com investimento em orquestras e corais. 
O Protestantismo sempre esteve ligado à música clássica, onde compositores como o alemão e luterano Johann Sebastian Bach (1685-1750) compôs vários hinos sacros. Felix Mendelssohn, autor da Marcha Nupcial, também era protestante e é exemplo de influência dos músicos protestantes na vida ocidental. Hoje, a música evangélica mescla com diversos ritmos, mas continua dando valor à música clássica, exemplo disso são os cantores pop-gospel André Valadão e o grupo musical Diante do Trono, da Igreja Batista de Belo Horizonte, que misturam guitarras com violoncelo e bateria com contra-baixo. Os grupos evangélicos costumam usar orquestra para a gravação de seus CD´s, pois ainda cultivam o hábito de cantar hinos tradicionais em seu repertório. 
A Igreja Assembléia de Deus mantém, no bairro do Belém em São Paulo, a Orquestra Filarmônica Evangélica Jahn Sorheim, que é composta de 80 músicos e desenvolve um repertório sacro-erudito. Essa orquestra forma diversos músicos que desenvolvem seus aprendizados em igrejas da periferia. Os músicos das igrejas protestantes não ficam presos a músicas religiosas, mas aprendem em suas escolas peças do repertório erudito de Johann Christian Bach (1735-1782), George Frideric Haendel (1685-1759) e Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791). 
A tradição de orquestra e música clássica é tão forte no meio evangélico, que muitos músicos se profissionalizam, como o maestro Roberto Minczuk, que hoje é um dos mais respeitados músicos do país e dirigente da Orquestra Sinfônica Brasileira. Minczuk foi criado como membro da igreja Assembléia de Deus de São Paulo e teve o primeiro contato com a música ainda criança em sua igreja. Na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), a mais respeitada do país, o número de protestantes brasileiros representa 35% dos músicos. 
O jornalista, historiador, escritor e teólogo Silas Daniel, autor do livro “História da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil” lembra que: “A Assembléia de Deus é a igreja que mais forma instrumentistas. São escolas, muitas vezes, com pouca estrutura física, mas com baixo custo e ótima qualidade, que preparam profissionais para o mercado de trabalho”. Em relação ao mercado Silas Daniel diz: “Além da participação na igreja e em orquestras, o músico formado na igreja tem um leque de opções na sua trajetória profissional. São instrumentistas, maestros, arranjadores, produtores, entre outros”. Daniel complementa: “Um ambiente onde também é comum encontrar músicos evangélicos é o das bandas sinfônicas das Forças Armadas”. 
Não são todos os grupos evangélicos que investem em música clássica, pois as igrejas neopentecostais, cuja ênfase está na contextualização com a cultura moderna e normalmente apresentam uma liturgia “anti-litúrgica”, ou seja, sem regras e aparatos especiais; preferem músicas com rock & rollfunk,reggaehip-hop, samba etc. Por essas e outras características, o neopentecostalismo é uma segmentação do Protestantismo que apresenta características conflituosas com os seguidores de Lutero. 
A cultura da música clássica no Brasil ainda é muito tímida, mas os protestantes brasileiros mostram o seu interesse por esse segmento musical apreciado nos acompanhamentos dos hinos e na suas liturgias formais. Diferente do Catolicismo Romano, com a valorização do canto gregoriano, o protestantes preferem o canto congregacional que se encaixa perfeitamente à suas orquestras. 

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A importância da Santa Ceia

Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD)- I Coríntios- Os problemas da Igreja e suas soluções

Ordenança ou sacramento, Santa ceia ou ceia do Senhor?

A primeira observação sobre esse assunto parte dos diversos termos criados para descrever a Ceia do Senhor. Comumente no meio pentecostal, esse rito é chamado de Santa Ceia, dando um caráter mais sacramentalista para o cerimonial. Mesmo que os pentecostais insistam na tese verdadeira de que a Ceia é somente uma ordenança simbólica, os mesmos não perdem o hábito de sacralização do conceito. Portanto, não deixa de ser uma contradição defender o conceito de ordenança em detrimento de sacramento, enquanto se usa a expressão Santa Ceia em lugar de Ceia do Senhor.

A terminologia foi mudando no decorrer dos séculos. O termo usado por Paulo é kyriakon deipnon, isto é, Ceia do Senhor (I Co 11.20). Posteriormente no Didaqué  (9.1.5) a expressão “eucaristia” foi incorporada. Em Diogneto 12.9, a Ceia ficou conhecida como a pascha (páscoa cristã). Séculos depois originou-se o conceito de missa, ou seja, um “sacrifício contínuo de Cristo”.

Os sacramentalistas radicais, que estão presente na teologia católica, por exemplo, defendem que a Ceia do Senhor transmite uma “graça interior e espiritual”. O que seria isso? Para muitos, a Ceia transmite a graça salvadora ou libertadora. No meio pentecostal, esse equivoco também é presente, quanto muitos atribuem a Santa Ceia (sic) a transmissão de uma unção especial ou até mesmo poder de cura.  Portanto, entre os pentecostais há muitos sacramentalistas radicais.

Não importa se os protestantes usam o termo “ordenança” ou “sacramento”, o mais importante é que cada um entenda que a Ceia do Senhor não transmite graça salvadora. A graça é graça, que vem pela fé em Cristo Jesus, e não em um ritual cúltico, por mais importante que ele seja.

Nós assembleianos herdamos muito da eclesiologia batista, por isso não adotamos nem batismo infantil, nem o termo sacramento. Isso mais por tradição, do que convicção irrestritamente bíblica (processo natural em questões que envolvem o denominacionalismo). Mesmo assim, cabe aqui reproduzir um texto da Confissão de Fé Batista de 1689, que descreve bem um resumo sobre a Ceia nos moldes assembleianos e naturalmente batistas:

Trecho do capítulo 28 da Confissão de Fé Batista de Londres de 1689

A ceia do Senhor Jesus foi instituída por Ele, na mesma noite em que foi traído, para ser observada nas igrejas até o fim do mundo; a fim de lembrar perpetuamente e ser um testemunho do sacrifício de sua morte;  para confirmar os crentes na fé e em todos os benefícios dela decorrentes; para promover a nutrição espiritual e o crescimento deles, em Cristo; para encorajar o maior engajamento deles em todos os seus deveres para com Cristo; e para ser um elo e um penhor da comunhão com Ele e de uns com os outros. (...)

Nesta ordenança Cristo não é oferecido ao Pai, nem qualquer sacrifício real é feito, para remissão do pecado dos vivos ou dos mortos. A ceia é apenas um memorial do sacrifício único que Cristo fez de si mesmo, sobre a cruz e de uma vez por todas;  é também uma oferta espiritual, de todo o louvor que é possível oferecer a Deus em reconhecimento ao sacrifício feito por Cristo. O sacrifício católico-romano da missa (como é chamado) é totalmente abominável e uma injúria ao sacrifício pessoal de Cristo, que é a propiciação única por todos os pecados dos eleitos (...)

No cumprimento desta ordenança, o Senhor Jesus determinou que seus ministros orem e abençoem os elementos, pão e vinho, separando-os do seu uso comum para uso sagrado. Os ministros devem tomar e partir o pão; tomar o cálice e, participando eles mesmos desses elementos, dá-los também, ambos, aos demais comungantes (...)

Negar o cálice ao povo; adorar os elementos; levantar ou carregá-los perante o público, para adoração; e guardar os elementos para qualquer outra finalidade supostamente religiosa: tudo isso contradiz a natureza desta ordenança, bem como a intenção de Cristo ao instituí-la (...)

Os elementos exteriores desta ordenança, devidamente consagrados para os usos que Cristo ordenou, possuem uma correlação com Cristo crucificado. De fato, embora os termos sejam apenas usados figuradamente, às vezes eles são chamados pelo nome das coisas que representam, isto é, o corpo e o sangue de Jesus Cristo, 7 se bem que, em substância e em natureza, continuem sendo apenas pão e vinho, como eram antes (...)

A doutrina que ensina uma mudança de substância no pão e no vinho (que supostamente se transformam na substância do corpo e do sangue de Cristo pela consagração por um sacerdote, ou por qualquer outro modo), comumente chamada de doutrina da transubstanciação, não somente é repugnante à Escritura,mas também ao senso comum e à razão. Ela subverte a natureza desta ordenança, tendo sido, e é, a causa de muitas superstições e de grosseiras idolatrias (...)

De fato e em verdade, os que recebem exteriormente os elementos desta ordenança, desde que comungando dignamente, - pela fé, não de maneira carnal ou corporal, mas espiritual - recebem a Cristo crucificado e dEle se alimentam, bem como todos os benefício de sua morte. (...)

As pessoas ignorantes e ímpias, visto não estarem propriamente adequadas para desfrutar da comunhão com Cristo, são, portanto, indignas da mesa do Senhor, e não podem tomar parte nestes santos mistérios, nem a ele serem admitidas 12 sem que cometam um grande pecado contra Cristo. Qualquer que comer do pão ou beber do cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor, comendo e bebendo juízo para si (...).

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Noite Selvagem

Poema de G. K Chesterton

Ensinar a terra cinzenta como uma criança,
Chamar os céus a se arrependerem,
Eu só pergunto para o destino o presente
De um homem bem contente.  

Eu acho que ele vai: embora quando não sei
Eu procuro em festa e praças,
As desvanescentes flores da liberdade,
As máscaras pintadas da arte.  

Eu só o encontro como o último,
Em uma velha colina onde mora
A Trindade horrível do Gólgota -
Três pessoas e um Deus.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Rede Globo e os evangélicos

Músicos assembleianos que ensinam crianças na arte de tocar em orquestras. Missionários presbiterianos que formularam uma gramática em língua indígena, ajudando inclusive uma tribo com assistência médica e educacional.  Esses são belos trabalhos sociais promovidos por protestantes, sendo um exemplo de benefícios à sociedade brasileira. Agora, qual é a novidade? Ambos foram noticiados!

Sim, esses dois fatos foram notícia no Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão, apresentado com um largo sorriso de Fátima Bernardes e William Bonner, nessa terça-feira. Essa primeira reportagem é fruto de uma série, que será apresentada no decorrer dessa semana. Nessa quarta-feira, o telejornal apresentará a obra social dos metodistas que ajudam mendigos na capital paulista.

Desde a década de 1980, o Jornal Nacional é o programa de notícias mais assistido do país, com uma média de 30 pontos na audiência. O mesmo dedicou mais de sete minutos com a primeira reportagem da série.  A reportagem foi impecável. Cumpriu sua pauta, que era mostra obras sociais dos protestantes. Também evitou ao máximo apresentar o grupo com estereótipos, além de passar informações históricas de maneira simples e verdadeira.

Mudanças?

Entre os evangélicos existem ainda alguns mitos, muito divulgado por pessoas com mania de perseguição, por exemplo.  Primeiro; muitos pensam que há um complô da mídia para desmoralizar os evangélicos. Seria mais ou menos, como pensar em uma reunião entre os principais empresários de comunicação do país traçando estratégias para derrubar o evangelicalismo. Além de ser uma tese ingênua, tal percepção é fruto de uma paranóia de perseguição ridícula e ilógica.

Segundo. Muitos funcionários das Organizações Globo sempre negaram que havia uma orientação para sujar a imagem dos evangélicos. Se tal orientação existe em aberto, todos saberiam, principalmente nessa era de informações. Esse é mais um mito que muitos defendem.

Terceiro. É claro que a Rede Globo mostrou muitas matérias negativas sobre os “evangélicos”. Mas vamos pensar um pouco! Tais notícias eram relacionadas principalmente a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Essa denominação não pode ser chamada de protestante, pois isso é um insulto a memória dos reformadores. A IURD realmente cometeu muitas barbaridades com o dinheiro dos dizimistas. Isso todos deveriam denunciar. Além disso, a IURD é dona da Rede Record de Televisão, concorrente direta da emissora dos Marinhos.

Em outros episódios a Rede Globo vacilou com os evangélicos, principalmente na dramaturgia, coma a mini-série Decadência (1995) e a novela Duas Caras (2008). Em ambas as histórias os evangélicos eram representados com os piores estereótipos, tais como a intolerância, ignorância, bandidagem e hipocrisia.

Nova orientação

Segundo o jornalista da revista Veja, Lauro Jardim, na sua coluna eletrônica "Radar On-line" de 20 de junho de 2008, anunciou o que seria uma nova orientação da cúpula da Rede Globo em relação aos evangélicos:

Há uma recente instrução geral (não escrita) na Globo sobre como tratar os evangélicos, vinda diretamente da família Marinho: adversária é só a Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo - e não todas as igrejas evangélicas. Em sua programação, a emissora deve deixar claro que não discrimina os outros evangélicos. Essa demarcação terá que ficar nítida...A avaliação é que a Universal aproveita bem o embate com a Globo para unir todos os evangélicos contra a emissora - e que a Globo nunca conseguiu explicitar de modo patente que a sua guerra é com igreja de Macedo, a qual chama de seita. Na verdade, a Globo nunca se preocupara com isso, que, afinal, parece meio óbvio, e botavam todos no mesmo saco. Resultado: há entre boa parte dos evangélicos o sentimento de que são discriminados pela emissora. Agora, tenta recuperar o tempo e a audiência perdidas.

Os tempos realmente mudaram

A revista Época (Editora Globo) dessa semana traça um especial sobre previsões em relação ao Brasil em 2020, principalmente em questões econômicas, políticas, ambientais e do meio ambiente. Os repórteres da revista ouviram especialistas em Ciências da Religião e apontaram que o Brasil talvez possa alcançar uma maioria evangélica nesse período. Interessante a abordagem, pois esse periódico pouco publicou sobre em boom do crescimento evangélico, em comparação com a Revista Veja (Editora Abril), que é sua principal concorrente.

Essa série de reportagens no Jornal Nacional (lembre-se, de longe o principal programa da de notícias da emissora carioca) talvez mostre novos tempos entre os evangélicos e a Rede Globo. O legal é que essa emissora já entendeu a diferença entre os protestantes (ou evangélicos) e os pseudo-evangélicos como a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e outras igrejas pseudopentecostais.

A pergunta que não quer calar: Quando é que todos os evangélicos vão também entender as diferenças entre protestantismo e IURD. Pois a denominação do bispo Macedo não é, parafraseando Robinson Cavalcanti, nem evangélica e nem protestante. Graças a Deus os Marinhos já entenderam isso!

Veja o vídeo:


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Os dons espirituais estão restritos somente para os batizados no Espírito Santo?

Esse é o tema do primeiro debate promovido por alguns blogueiros assembleianos. Ouça logo abaixo essa rica discussão em torno do tema. Nessa oportunidade, focalizamos nesse importante assunto, que será o primeiro programa de debates itinerante entre os blogs participantes. Veja a relação dos debatedores:

Anchieta Campos, editor do Blog do Anchieta.
Gutierres Siqueira, editor do Blog Teologia Pentecostal.
João Paulo Mendes, editor do Blog do JP.
Victor Leonardo Barbosa, um dos editores do Blog Geração Que Lamba.


PS: Por problemas técnicos (ou seja, falta de um microfone, rsrs), o blogueiro Anchieta Campos não pôde participar do programa.




Para download:

debate2.mp3

domingo, 24 de maio de 2009

A ignorância mata

A ignorância mata.

Devagar e minuciosamente.

A ignorância mata.

Por meio de sermões vazios como pão podre.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Coisas Sacrificadas aos Ídolos

Subsídios extras para a lição I Coríntios - Os problemas da Igreja e suas soluções- 2º trimestre/2009

Mas tenham cuidado para que essa liberdade de vocês não faça com que os fracos na fé caiam em pecado. (I Co 8.9 NTLH)

O que fazer quando congrego em uma igreja que proíbe aquilo que a Bíblia permite? Onde fica minha liberdade cristã? Sou refém do pensamento alheio? Diante dessas perguntas importantes, a resposta está na maior das virtudes. O amor requer renúncia. Renúncia demanda escolhas e perdas. O amor leva inclusive um cristão maduro a abdicar da preciosa liberdade cristã. Esse é um princípio bíblico exposto por Paulo aos coríntios: Não busquem sempre sua liberdade e os seus direitos!

Os cristãos que congregam em igrejas legalistas devem expor a Palavra de Deus para que essa realidade mude, mas enquanto isso é preciso tomar o máximo de cuidado para não ofender a consciência dos cristãos mais fracos. Portanto, necessário se faz que esse cristão mais forte se porte sem revoluções e quebras de paradigmas de forma violenta. Não devemos nos portar para provocar escândalos, mesmo tendo plena consciência de nossa liberdade em Cristo; sendo também uma liberdade que se apóia nas Sagradas Escrituras.

Não adianta se gabar que não é legalista ou que possui um conhecimento suficiente das Escrituras para não se prender a essas coisas, enquanto despreza o amor ao irmão neoconverso ou imaturo. O conhecimento sem amor é estéril e antipático (I Co 13.2). Portanto, acima de tudo o cuidado deve ser tomado diante daqueles que ainda não possuem uma estruturação bíblica.

Uma pessoa que não cultiva o amor na mesma intensidade de sua dedicação ao conhecimento poderá simplesmente manifestar seus egoísmos sob o disfarce das suas convicções. Tal atitude divide o corpo de Cristo e leva as desnecessárias divisões existentes em muitas igrejas.

Mesmo dessa exposição principal de Paulo, muito ficam com dúvida na questão menor: Podemos comer carnes sacrificadas aos ídolos? Ora, o ídolo não é. Mas essa resposta depende da consciência de cada um. Paulo não proíbe e nem apóia tal atitude:

Não é esta ou aquela comida que vai fazer com que Deus nos aceite. Nós não perderemos nada se não comermos e não ganharemos nada se comermos desse alimento. (v. 8)

Agora, se a consciência acusa e mantém o crente incomodado, é melhor a distância da tal prática. Consciência ferida é pior. “Mas quem tem dúvidas a respeito do que come é condenado por Deus quando come, pois aquilo que ele faz não se baseia na fé. E o que não se baseia na fé é pecado” (Rm 14.23).

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Precisa falar mais alguma coisa?


(Clique para ampliar)

No artigo "As Sutilezas do Discurso Pseudopentecostal" já comentei sobre a mania "grandiloquente" nas propagandas quase circenses que encontramos em algumas igrejas ditas evangélicas. 

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Pedi a Deus

Estamos mergulhados em um discurso ufanista, triunfalista e irrealista, isso em boa parte das pregações que são feitas para agradar os ouvidos humanos. Mediante essa avalanche de equívocos, podemos refletir muito com aqueles que compreenderam a realidade do que é vida cristã. 

Pedi a Deus

(Carta anônima a Ann Landers)

Eu pedi a Deus forças para poder realizar.

Fui feito fraco para poder aprender a obedecer.

Eu pedi a Deus saúde para poder fazer coisas maiores.

Recebi enfermidades para poder fazer coisas melhores.

 

Eu pedi riquezas para poder ser feliz.

Recebi pobreza para poder ser sábio.

Eu pedi poder para poder ter o louvor dos homens.

Recebi fraqueza para poder sentir a necessidade de Deus.

 

Eu pedi tudo para poder desfrutar a vida.

Recebi vida para poder desfrutar tudo.

 

Não obtive nada que pedi, mas tudo o que eu esperava.

Quase apesar de mim mesmo, minhas orações não pronunciadas foram respondidas.

Dentre todos os homens, sou o mais ricamente abençoado.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

As sutilezas do discurso pseudopentecostal

Uma análise atenta dos discursos de alguns pregadores dentro do pentecostalismo, ou melhor, do pseudopentecostalismo contemporâneo, mostra um quadro preocupante. Algumas técnicas usadas nas preleções são distantes do cristianismo historio que adoecem o entendimento correto da kerigma. Vejamos algumas dessas técnicas:

- Entonação emotiva na voz

Esse aspecto é largamente usado. Tais pregadores querem conquistar suas platéias pelo despertar das emoções em detrimento da razão. Não existe nada de errado no exercício da emoção durante um culto, mas o uso excessivo desse aspecto humano esconde muitas irracionalidades propagadas por meio dos microfones.

Para uma boa comunicação é necessário voz melosa e emotiva, ou gritos estridentes? É claro que não. O que é essencial para a comunicação, certamente está na clareza, simplicidade, profundidade e transparência do discurso.

- Uso de propagandas populistas

Muitas vezes dá até nojo ouvir alguns programas evangélicos nas rádios paulistanas. A propaganda em cima “do grande homem de Deus” chega ao ridículo da bajulação barata e idólatra. Algumas expressões são comuns, tais como “apóstolo da fé”, “o homem que Deus ouve suas orações”, “ o grande missionário”, “o maior pregador de cura desse país” , “o pregador das multidões”, “o profeta que Deus atende” etc. Certamente são propagandas de si mesmo, sendo uma total autopromoção.

- Maniqueísmo

Sempre esses pregadores dividem o mundo entre o Bem e o Mal. Eles, como agentes do Bem estão prontos para enfrentar o Mal em qualquer situação, como macumbas, maldições, feitiçarias e se colocam como “libertadores” desses males. Nada mais longe das Escrituras, já que não existe em toda a Bíblia uma batalha equivalente em forças entre Deus e o diabo.

- O uso excessivo de clichês e palavras de ordem

Como parte de um apelo populesco e emotivo, os pregadores usam e abusas de palavras de ordem e clichês. Imagine o tempo desperdiçado com tais coisas, enquanto a exposição das Escrituras fica em quinto ou sexto plano.

É necessário rever essas questões. Pentecostalismo não pode ser confundido com esse discurso tão distante das Escrituras, com uma metodologia no mínimo duvidosa.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Considerações Acerca do Casamento

Subsídios para as Lições Bíblicas da CPAD: I Coríntios- Os problemas da Igreja e suas soluções

Questões que envolviam o casamento despertaram muitas dúvidas entre os coríntios. Como hoje, os cristãos daquela época puderam receber o esclarecimento por parte de Deus na inspiração da sua Palavra.

Casamento ou Celibato

Casar? Continuar solteiro? Optar pelo celibato? Divorciar-se do cônjuge ímpio? Eis algumas questões levantadas pelos coríntios quando ao espinhoso assunto do matrimônio. No capítulo sete dessa epístola paulina acima citada, fica claro que cabe a cada um a sua opção entre o casamento ou o celibato. Isso é de fórum intimo e não deve ser dogmatizado. Erra a Igreja Católica Apostólica Romana que obriga todos os seus presbíteros ao celibato, assim como as igrejas protestantes que não ordenam um homem solteiro, mesmo existindo uma necessidade em determinado campo. Ninguém pode se sentir obrigado ao celibato ou ao casamento.

Os rabinos viam com uma obrigação moral que o homem judeu se casasse, mas Paulo mostra a necessidade de uma análise da citação vigente. Ele até recomenda que os jovens solteiros de Corinto não se cassassem, isso devido às condições adversativas que essa comunidade passaria. Assim deveria pensar cada jovem cristão que ainda está solteiro: As condições atuais permitem um casamento estruturado e feliz? Se sim, então casarei. Se não, então não casarei. Tudo na vida deve ser bem planejado.

A Necessidade do Casamento

A prática sexual dentro do casamento não visa somente à procriação, ou seja, fazer filhos. O sexo também serve para o prazer mútuo do casal. A mulher precisa ser satisfeita. O homem precisa ser satisfeito. Talvez esteja na desobediência desse princípio bíblico o início de muitos divórcios. Muito interessante que esse princípio de satisfação mútua não privilegia o homem, alimentando o machismo, e nem a mulher, alimentando o feminismo. A Bíblia, sempre equilibrada, não apóia o machismo e nem o feminismo. Quem enxerga essas questões nas Escrituras certamente está fazendo uma péssima exegese.

O sexo é tão importante para o casal cristão, que Paulo recomenda uma abstinência temporária, mas nunca prolongada. Caso o casal em comum acordo queria dedicar algumas noites para vigílias, então isso pode ser feito, porém não deve prolongar de modo demasiado. Existe caso de divórcios provocados por maridos que viviam de vigília em vigília, dedicando-se muito a oração, porém esquecendo-se das necessidades de sua esposa. O maligno tomou conta e o divórcio aconteceu.

O Solteiro (vv. 7-9)

Alguns solteiros possuem o dom do celibato. Ou seja, são pessoas que permanecem sem o casamento e os seus prazeres de modo satisfeito e feliz, além de possuir completa temperança. Como dom, poucos possuem. Mas quem assim quer viver, deve ser respeitado pela sua opção baseada no celibato. Jesus é um exemplo de celibatário.

O solteiro que ainda deseja casar pode adiar esse sonho tanto para trabalhar de modo mais eficiente na obra do Senhor, como também se preparar para os desafios do mercado, dedicando-se aos estudos e trabalho. Nessa condição, o solteiro deve primar pelo domínio próprio e fugir de desejos lascivos.

Compromissos Cristãos no Casamento (vv. 10,11)

O divórcio sempre será uma tragédia, independente se existe ou não motivos justos para a separação. Muitos corintos queriam o divórcio, pois suas esposas ou maridos não se convertiam. Paulo desaconselhou tal prática. O cristão deve se manter casado com o cônjuge ímpio enquanto esse ímpio quiser manter o casamento. A fé cristã não deve ser motivo de divórcio entre casais. Se essa prática virasse uma rotina, o cristianismo seria conhecido com a religião que causa divórcios, contrariando totalmente a vontade de Deus.

Alguns cuidados devem ser tomados pelos líderes ao falarem sobre divórcio. Hoje, o mundo banalizou o divórcio, sendo que por qualquer motivo um casal se separa. Muitas vezes uma briga por causa de uma escova de dente ou uma toalha molhada, leva casais mesquinhos e egoístas ao divórcio, pois não sabem desenvolver a paciência e tolerância mínima. Agora, muitos cristãos para demonstrarem conservadorismo, condenam até aquelas mulheres que pedem divórcio por apanharem do marido. Isso simplesmente é um absurdo. Nesse caso não só o divórcio deve ser pedido, mas também umas ligações para a Delegacia da Mulher precisam ser feitas.

Conclusão

O casamento é uma bênção, um presente de Deus para a humanidade. Agora, antes do casamento é importante planejamento e análise do dom de cada um. O casamento não é um sacramento, ou seja, um meio de Graça Divina, mas deve sim ser uma bênção mútua para o casal cristão.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Anjos e Demônios: Sucesso com a desmoralização alheia!

Depois do sucesso "O Código Da Vinci" (2006) de Ronald William Howard e do documentário “The Lost Tomb of Jesus” (2007) de James Cameron, que naufragou em crítica, mas fez um certo barulho na mídia, Hollywood descobriu um nicho de mercado bem promissor: falar mal da cristandade.

Ambos causaram um desconforto diante de milhares de cristão e um especial repúdio da Igreja Católica. Justamente os protestos de alguns católicos, ortodoxos e protestantes deram uma maior visibilidade para os livros e respectivamente para os filmes. As filmagens baseadas em livros de Brown foram impedidas de serem realizadas na cidade do Vaticano.

O sucesso do momento é o longa-metragem “Anjos e Demônios”(2009), com a direção de Howard, mas baseado no livro homônimo de Dan Brown, escrito um pouco antes do best-seller “O Código Da Vinci”. Dessa vez o professor Robert Langdon (Tom Hanks) tem a missão de salvar quatro cardeais ameaçados de morte pelos Illuminati, uma seita com origens no Iluminismo que buscam uma vingança contra as atrocidades do catolicismo no passado. Além do planejamento da morte desses cardeais, que são candidatos a Papa, os Illuminati pretendem destruir o Vaticano com uma bomba.

O filme “Anjos e Demônios” mostra a tentativa de salvar a igreja pelo professor Langdon, mas não deixa de alfinetar os podres da Igreja, como o terrível massacre contra os Illuminati e ainda alimenta a velha dicotomia fé versus ciência, que não contribui para um debate sério sobre a convergência entre esses dois tipos de conhecimento. Os produtores sabem que esse tipo de história atraí um público cada vez mais frenético por polêmicas no entretenimento, mas que não buscarão um aprofundamento de pesquisas.

A superficialidade na mistura de ficção com história traz para as telas um enredo fraco. O grande perigo aqueles vários telespectadores que nada entendem de história e ainda assim insistem em aprendê-la por meio de Dan Brown. Não sabem discernir ficção barata de realidade séria.

Jeremy Riddle - Sweetly Broken

quarta-feira, 13 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Chega de clichês pseudopentecostais! Parte 02

Vamos continuando na nossa missão de desmascarar clichês surrados que enchem os nossos púlpitos, especialmente das igrejas pentecostais. Algumas dessas frases são também colaborações dos amados irmãos que inseriram comentários no último post, quando eles lembraram aquilo que já ouviram por aí.

Se liga no mistério!

Pois é, toda vez que falam em mistério nas igrejas ditas pentecostais eu sinceramente não entendo. Isso é um mistério tão misterioso, que ninguém sabe explicar. O engraçado é que o Mistério de Deus já foi revelado: Jesus Cristo, e esse crucificado, a esperança da glória! (Cl 1.26-27).

Tá ligado!

Onde? Na tomada? Ah, sim! Entendi. Alguns pensam que Mateus 18.18 indica que mandamos no céu. Não é isso? Porém estão totalmente enganados, pois quem liga primeiro é o céu e não a terra. Leia atentamente esse versículo na Nova Versão Internacional (NVI): "Digo-lhes a verdade: Tudo o que vocês ligarem na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra terá sido desligado no céu”. Para quem sabe a língua de Camões, a expressão “terá sido” indica uma ação totalmente concluída, mesmo aplicando-se ao futuro próximo. Portanto, tudo que ligares na terra, já foi ligado no céu. Uma igreja verdadeiramente cristã, em sintonia com a vontade de Deus, somente liga aquilo que já estava determinado no céu.  Nunca se esqueça da hierarquia, rapaz!

Se Deus não fizer isso, eu rasgo a minha Bíblia

Prepotência, arrogância, soberba, idiotice... Quais outros adjetivos poderíamos empregar nessa situação? Uma das frases mais esquecidas da Bíblia (que coitada, pode ser rasgada a qualquer momento por um pregador sensacionalista) é aquela proferida por Jesus a Deus Pai: “não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lc 22.42).

Vamos fazer o inferno tremer

Terremoto no inferno? O porquê disso? Sensacionalismo puro para ludibriar incautos e tomar o tempo da Palavra de Deus com fanfarrices.

Tá fraco! Mais alto. Você é pentecostal!

Ora, ser pentecostal é sinal para tumultuar cultos com barulhos ensurdecedores?  Onde fica o culto racional (Rm 12.1-2). Será que é preciso rasgar também I Co 14 das Bíblias? Ora, porque esse texto paulino condena qualquer conduta de culto humano que atrapalhe a edificação mútua da igreja. Antes de pentecostais, devemos ser bíblicos. Vocês não acham?

Minha teologia é joelho no chão

Sempre no final tem que aparecer aquele cara chato, com ponta de espiritual (mas vai conviver pelo menos um dia com o sujeito). Quer dizer então que a sua teologia é joelho no chão? Bacana, hein. Isso significa que quando você ajoelhar sobre milhos já terá um Phd em joelhologia? Meu amigo vai estudar a Bíblia para não falar besteira e nem para expressar uma pseudo-espiritualidade arrogante! Ah, também não se esqueça de orar direcionado para Deus, e não para si próprio!

domingo, 10 de maio de 2009

Chega de clichês pseudopentecostais!

Clichê é “uma frase frequentemente rebuscada que se banaliza por ser muito repetida, transformando-se em unidade lingüística estereotipada, de fácil emprego pelo emissor e fácil compreensão pelo receptor; lugar-comum, chavão”, conforme definida pelo Dicionário Houaiss. Essas frases se espalham mais facilmente do que a gripe suína A(H1N1)... Uma verdadeira praga! Portanto, vejamos algumas dessas expressões repetidas e sem nexo com as Escrituras, que são utilizadas todos os domingos em milhares de igrejas por esse país:

É foooooooooooogo irmão...

Então, pelo amor aos irmãos chamem logo os bombeiros. Não existe nas Escrituras Sagradas algum texto que mostre um fogo misterioso caindo sobre os cristãos em todos os cultos. Alguém já leu isso? Se leu, não foi na Bíblia, mas talvez em algum livro do Benny Hinn.

Amém irmão?

Chega de tanto amém! As pessoas falam, falam, falam e nem sabem o significado do que realmente estão falando. Chega de falar como papagaio aquilo que nunca aprendeu o significado. Améééééééém?

O diabo criou um laço para sua vida, ele quer lhe destruir!

Então acabamos de descobrir a roda! Não sabia que o diabo andava querendo o meu mal!  Por que as pessoas citam essa frase com aquela cara de espanto? Por que quando falam esse clichê usam aquele ar de mistério?Será que pensam que estão contando alguma novidade? Oh, povo exagerado, hein!?

Para não ficar somente nas minhas palavras, vou ler um texto!

Então, se era para tomar toda a pregação com suas palavras, nem precisava criar uma desculpa lendo um versículo. O povo fala muito, mas Palavra de Deus que é bom...

O irmão é um “canela de fogo”!

O que isso significa? Será um novo super-herói norte-americano? Será um novo sabor extravagante daquelas balinhas de canela? Oh céus, mais um clichê sem pé, sem cabeça, mas com canela!

Irrrrrrrrrrrmãoooooos, a Bíblia diz que quando a glória da igreja sobe, a glória do céu desce!

Onde está escrito esse versículo? Qual a base para tão afirmação? O desejo real é a Glória de Deus ou barulheira para pregadores sensacionalistas? São perguntas que não querem calar.

Nessa noite estamos recebendo a visita do arcanjo Miguel...

Engraçado que a Bíblia apresenta Miguel como guardião de Israel (Dn 12.1), mas ele vive visitando umas igrejas em São Paulo, na Bahia, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais... Esse guardião está passeando muito por aí! Vocês não acham?

Vamos agora para a hora mais importante do culto. A hora da Palavra...

Isso depois de duas horas de “culto”, dando somente quinze minutos para o pregador!

Irmãoooos, eu tinha preparado uma outra mensagem, mas quando cheguei nesse púlpito ungido, Deus me direcionou para outra pregação.

O engraçado é que Deus nunca deixa esse camarada pregar a mensagem que ele supostamente tinha preparado!

Exija seus direitos!

Olha, vou dar um conselho: eu acho que não é uma boa idéia exigir o que tínhamos de direito perante Deus! Vai que Ele responde! Sabe o que era tínhamos de total direito? O inferno! Então, Senhor, eu não quero meus direitos! Eu não tomo posse...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Demandas Judiciais entre os irmãos

Subsídios extras para a lição I Coríntios - Os problemas da Igreja e suas soluções – 2° trimestre/2009

Caro professor de Escola Bíblica Dominical, reflita com seus alunos algumas questões importantíssimas para a lição de domingo.

Pode o cristão usar recorrer à justiça quando se sentir prejudicado me questões triviais?

Dentro de uma comunidade cristã, todas as pendências por causa de brigas e desavenças deveriam ser resolvidas entre os próprios irmãos.  O mesmo Deus que quer julgar anjos e homens por meio da Igreja no fim dos tempos espera que essa mesma igreja julgue suas questões aqui na terra, cultivando o amor e renúncia.

Nem sempre devemos recorrer aos nossos direitos. Muitas vezes é melhor a renúncia do que a perda da comunhão entre irmãos. Cultivando o amor e a compaixão de os irmãos, evitando toda sorte de litígio. Muitas vezes é melhor ficar no prejuízo do que desmoralizar uma comunidade por completo por causa da atitude equivocada de um dos seus membros.

Isso quer dizer que um injustiçado nunca recorrerá à justiça?

Não. Uma mulher cristã que apanha do esposo, deve denunciá-lo imediatamente para a polícia e outras autoridades competentes. Um cristão roubando por um pseudocristão deve imediatamente recorrer à justiça, pois não está lidando com um irmão e sim com um ímpio. Um cristão deve buscar a justiça em questões graves. Paulo ao trata com os coríntios fala de pequenas brigas, que eram levadas tão a sério, que acabavam em tribunais seculares quando podiam ser resolvidos na igreja. Portanto, não há nenhuma proibição bíblica em recorrer à justiça em questões sérias.

O versículo dois do capítulo seis de primeira coríntios deixa bem claro que Paulo trata do julgamento na igreja em pequenas coisas, especialmente brigas por questões que envolvem dinheiro. Quando necessário, o cristão deve recorrer à justiça, para reparo dos danos causados a família e ao próprio indivíduo. A igreja também não pode tolerar os injustos, que devem ser disciplinados caso façam parte da comunidade.

Ouça o podcast nesse sábado sobre as Lições Bíblicas.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Teologia Pentecostal e os seus intérpretes

O pentecostalismo tem teologia. Infelizmente pouco conhecida entre os próprios pentecostais e totalmente ignorada nos círculos reformados. Agora, para que você conheça o desenvolvimento da teologia pentecostal, precisa então adentrar nas obras de alguns pioneiros do academicismo carismático, sendo eles Donald Gee, Nels Nelson, Robert Louis Brandt, Donald Stamps e Myer Pearlman. Eles já morreram, mas deixaram obras importantes, que inclusive é possível encontra em língua portuguesa.

No âmbito internacional, os teólogos Stanley M. Horton, William W. Menzies, Anthony D. Palma, French L. Arrington, Roger Stronstad e o brasileiro Antonio Gilberto são formuladores de obras acadêmicas importantes para o pentecostalismo mundial. Esses seis teólogos ainda vivos militam há muito tempo na erudição da pneumatologia. Ainda Gordon Fee pode ser mencionado como grande contribuidor teológico, principalmente por meio da sua crítica ao próprio pentecostalismo que ele sempre fez parte.

Na atualidade alguns nomes despontam na continuação dessa tradição rica em pneumatologia. Robert P. Menzies, Wilf Hildebrandt e Rick Nañez são parte dessa nova geração de teólogos pentecostais que contribuem para um saudável debate em pneumatologia. A boa notícia é que já existe em português livros dessa nova geração.

Além desses nomes, podem-se mencionar dois teólogos não pentecostais, mas que muito contribuem para uma reflexão teológica acerca do continuísmo (doutrina que apregoa a continuação dos dons espirituais após a era apostólica). São eles o teólogo reformado Wayne Grudem e Jack Deere, o ex-professor do tradicionalíssimo Seminário Teológico de Dallas. Ainda não defesa do continuísmo encontra-se o calvinista Vincent Cheung.

É necessário reconhecer que a contribuição desses teólogos se restringe a pneumatologia. Os pentecostais ainda não produziram obras singulares sobre outros assuntos e mesmo em pneumatologia, as obras acadêmicas poderiam ser mais robustas e profundas. Na ânsia da simplicidade e na fome editorial de alcançar todos os públicos, muitos desses estudiosos deixaram de usar seus talentos em livros profundos, que seriam certamente aproveitáveis para todos os estudiosos de Bíblia.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Contribuir. Pra quê?

Ora, quanto à assistência a favor dos santos, é desnecessário escrever-vos. Paulo (II Co 9.1).

Lendo as autobiografias dos pioneiros pentecostais, vejo um forte incentivo na contribuição financeira. Hoje, assistindo alguns programas de pregadores ditos pentecostais, também vejo uma ênfase e apelo pela contribuição. Porém há uma diferença abissal. Nos primeiros, o dinheiro era destinado aos irmãos necessitados da comunidade, no segundo caso o dinheiro é usado em sua maioria para extravagâncias da vaidade humana.
O bispo pseudopentecostal [1] Edir Macedo recentemente pediu uma contribuição de R$ 107.622,00, para a manutenção de rede web pertencente à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Ora, esse dinheiro não paga nem alguns salários dos atores globais contratados pela Rede Record, considerados por muitos como a maior emissora evangélica do país, sendo um título no mínimo ridículo.
As contribuições cristãs não são para luxos e vaidades dos líderes eclesiásticos. Além da manutenção básica das atividades nas igrejas, a contribuição serve principalmente para ajudar aqueles que estão em dificuldades e contribuir na melhoria das vidas que rodam as igrejas.

Nota:

[1] Me recuso usar o termo “neopentecostal”, pois o mesmo transmite uma idéia errada de renovação positiva do pentecostalismo. O termo “pseudopentecostalismo” foi cunhado pelo anglicano Washington Franco em sua dissertação de mestrado. Tal designação melhor expressa o fenômeno religioso dirigido pelo senhor Edir Macedo.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Não existe teologia perfeita!

O nosso sistema doutrinário deve permanecer sempre aberto a uma volta, a um reestudo das Escrituras. O nosso sistema doutrinário, por melhor que seja – e eu estou convencido de que é – não pode ser mais rico do que a Palavra de Deus, como bem observou Berkouwer: "Porventura a Escritura não é mais rica do que qualquer pronunciamento eclesiástico, por mais excelente e atento ao Verbo divino que este possa ser?" Por isso o critério último de análise será sempre "O Espírito Santo falando na Escritura" (CW, 1.10). [1]

Essa importante frase não é de algum teólogo que flerta com a modernidade doutrinária advinda do iluminismo europeu, e nem é um adepto das novas tendências quânticas da pós-modernidade relativista. Quem nos lembra dessa verdade de que não existe teologia perfeita é o doutor Hermisten M. P. Costa, um dos estudiosos mais conservadores nas terras tupiniquins. Infelizmente poucos são os conservadores nesse país que reconhecem isso.

Aqueles que acreditam que sua teologia é fruto de uma revelação divina, que compactua em tudo com as Sagradas Escrituras, certamente estarão casados com um fundamentalismo inflexível e anti-bíblico. Os fundamentalistas são totalmente fechados em questões secundárias para a fé cristã, condenando tudo e todos, daqueles que não fazem parte de sua rede. O mesmo acontece com muitos pentecostais, que se enxergam como parte de o último avivamento promovido por Deus nessa terra. Tudo isso por ser resumido em uma palavra: arrogância.

Referência Bibliográfica:

[1] COSTA, Hermisten M. P. A Inspiração e Inerrância das Escrituras: Uma Perspectiva Reformada. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1998. pp. 141-142.

domingo, 3 de maio de 2009

Vacina “espiritual” contra a gripe suína?

A gripe suína chegou. Não, não estou dizendo que chegou ao Brasil, pois até essa presente data o Ministério da Saúde não confirmou nenhum caso nas terras tupiniquins.  Agora, a influenza A já chegou aos discursos de alguns pastores sensacionalistas. Hoje, esse infeliz blogueiro ouviu no púlpito de uma igreja evangélica um pastor orando por uma “vacina espiritual” contra a gripe!

Ora, quanto oportunismo e falta de bom senso. Deus nos livre de uma epidemia em nosso solo. Porém, se isso acontecer, os membros dessa igreja estarão livres do vírus H1N1? É claro que não. Não seria esse pregador uma espécie de “rezador gospel”. No interior do país ainda é comum pais supersticiosos recorrerem aos rezadores, para protegerem seus filhos dos possíveis “quebrantes”. Então, preventivamente, esse pregador já aplicou uma “vacina espiritual” contra essa pandemia.

Uma liderança desprovida de Bíblia apresenta uma habilidade acentuada para tirar partido de circunstâncias ou fatos para a obtenção de algo (seja dinheiro, pseudoprestígio e poder). Não só com a gripe suína isso acontecerá, mas com tudo aquilo que provoca medo e insegurança na população mundial.

Soluções Mágicas

É incrível a capacidade dos evangélicos em criarem soluções mágicas e pragmáticas para todos os problemas que surgem no decorrer dos anos. Nessa crise financeira existem vários cartazes de igrejas apresentando soluções instantâneas. É sensacional, também, a capacidade com que muitos crentes ingênuos ainda caem nesse canto da sereia.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A Imoralidade em Corinto

Subsídio das Lições Bíblicas (CPAD)- I Coríntios – Os problemas da Igreja e suas soluções

A imoralidade tolerada por uma comunidade eclesiástica rói a estrutura da mesma. Sendo esse o problema que existia na igreja de Corinto, cabe aos cristãos do século XXI refletir sobre as conseqüências do pecado no âmbito evangélico mediante a ausência de disciplina. O pecado sempre será sério e precisamente necessário a expurgação do mesmo, por meio de sangue de Cristo e da santidade pela Graça do Senhor.

1.       Escândalo na Igreja

Um jovem pertencente à comunidade de Corinto mantinha relações sexuais com a sua madrasta (I Co 5.1) [1]. Esse tipo de relacionamento é chocante em qualquer cultura, com um potencial de escândalo enorme. Porém, esse caso era tolerado pelos membros e liderança da igreja de

 Corinto. Todos estavam fazendo “vista grossa” ao caso. Onde uma igreja leniente com o pecado pode parar? Se não na vergonhosa humilhação e no pavoroso escândalo.  Aonde os pecadores arrependidos recorrerão quando buscarem um lugar diferente do seu antigo mundo, e não acharem? Certamente se sentirão imóveis, como quem nunca saiu do mesmo lugar.

Mesmo diante desse quadro mal pintado, os coríntios estavam orgulhosos de alguma coisa ( I Co 5.2). Cegos pela arrogância, não enxergavam o fruto podre entre eles, que contaminava toda a fruteira.  Assim vive a igreja brasileira, pois mediante tantos escândalos e modismos doutrinários, boa parte dessa comunidade comemora em vão um suposto avivamento, que está longe de existir. Ufanistas da última hora, não conseguem ver a realidade, enganando a si mesmos na sua própria ignorância.

Quando, então, alguns líderes evangélicos comentem crimes, os membros de suas respectivas igrejas logo acusam a mídia pela dita “perseguição”. Deveriam então ser repreendidos (II Tm 5.20), porém são aclamados ou colocados na posição de “mártir”. Alguns caem em adultérios e roubos e voltam “mais ungidos” na “restauração” de seus ministérios. Sendo que nesses casos é evidente a falta de prudência na real recuperação de um desviado.

2.       Ação Pastoral Disciplinar na Igreja (vv. 9-11)

A disciplina eclesiástica [2] é o tema central desse capítulo. Paulo, mesmo ausente fisicamente, ordena que o rapaz incestuoso seja “entregue a Satanás” (I Co 5.5), ou seja, banido da comunhão e atraído pela ira de Deus, sofrendo corporalmente [3]. Disciplinar é um dever eclesiástico, sempre aplicado a quem quebra princípios morais e éticos fundamentalmente baseados nas Sagradas Escrituras.

Ninguém pode ser disciplinado simplesmente por desobedecer a costumes e tradições de uma determinada denominação, mas infelizmente isso acontece no meio evangélico brasileiro. Algumas mulheres ainda são submetidas à disciplina por cotarem os seus cabelos ou até mesmo pelas “chapinhas” artificiais. Isso soa ridículo, pois nenhuma dessas pessoas feriu princípios baseados exclusivamente na Bíblia, a regra de fé e prática dos cristãos.

Disciplina aplicada

É curioso que nas igrejas pentecostais as pessoas só são disciplinadas por pecados sexuais, como adultério, fornicação ou prostituição. No máximo algumas disciplinam jovem que mantém laços de namoro com não-cristãos. Pronto, não passa disso. Disciplina não descrimina pecado, pelo contrário, a mesma tem por objetivo pedagógico corrigir qualquer pecador, de qualquer tipo. Como pode igrejas não disciplinar os fofoqueiros, os caloteiros, os mentirosos etc.?  Raramente um pregador de modismos doutrinários é disciplinado nas igrejas brasileiras. Então, todos podem ver a conseqüência dessa negligência.

Tipos de disciplina

Conforme textos como Mt 18. 15-17 e I Co 5, pode-se concluir que a disciplina é progressiva. Portanto, algumas pessoas devem receber advertência, porém quando permanecem rebeldes em seu pecado, devem ser excluídas da comunhão.

Disciplina como um ator de amor

Disciplina não é autoritarismo de um líder des

pótico. Nem deve ser usado para humilhar alguém. Disciplina serve com o propósito de correção, educação e resgate daquele que peca. Deve ser usado com cuidado, discernimento e muita base bíblica, correndo o risco de abusos e práticas antibíblicas.

Notas:

[1] “Nos tempos judaicos, a expressão esposa de seu pai significava madrasta”. In KISTEMAKER, Simon. I Coríntios. 1 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p 222.

[2] “Deve ser observado que toda a assembléia seria envolvida nesta ação disciplinar, a qual devia ser corretiva e não judiciosa”. 

In HORTON, Stanley M. I e II Coríntios, Os Problemas da Igreja e Suas Soluções. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 57. Diferente de condenar alguém à prisão, a disciplina eclesiástica não quer punir simplesmente e muito menos se vingar, mas somente corrigir o infrator.

[3] “Ninguém pode se arrogar o direito de infligir a outros a ‘ruína da carne’”. Por isso Paulo insiste no ‘poder de nosso Senhor Jesus’ (v.4) como agente último da ‘entrega a Satanás’, o que limita a autoridade e o arbítrio da comunidade. É necessário, sim, afastar que ultrajou a santidade da comunhão cristã. Não obstante, o julgamento último sobre a pessoa é privilégio divino.” In BRAKEMEIER, Gottfried. A Primeira Carta do Apóstolo Paulo à Comunidade de Corinto- Um comentário exegético-teológico. São Leopoldo: Sinodal/EST, 2008. p 69.