sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sudan National Day of Prayer

Caros leitores e amigos do blog,

Nesse sábado (01/08/2009) acontecerá em todo o mundo uma corrente de oração pelos irmãos do Sudão. Anuncie em sua igreja e ore por esses irmãos tão sofridos.

Os irmãos do Sudão estarão orando em favor de um avivamento. Eles estão denominando esse evento de Dia Nacional de Oração. Vamos unir forças nesse sentido. Vamos pedir um avivamento no Sudão, assim também como pelo norte do continente africano.

Segue abaixo uma descrição do Sudão feita pela organização Missões Portas Abertas:

Sudão: Na 30° posição dos países que mais perseguem os cristãos

O Sudão é o maior país da África e localiza-se no centro-leste do continente. Seu território divide-se em duas regiões bem distintas: uma área desértica ao norte e uma área de savanas e florestas tropicais ao sul.

O islã predomina no Norte, enquanto tradições tribais (animismo) e o cristianismo prevalecem no Sul.

História

Conflitos entre o Egito, o Sudão, a Etiópia e a Grã-Bretanha deram origem a um domínio anglo-egípcio na região em 1899. Tal domínio sobreviveu às duas Guerras Mundiais e adentrou na década de 50, quando o crescente sentimento nacionalista levou o Sudão à sua completa independência em 1956.

Após obter sua autonomia, o país foi devastado por uma guerra civil que começou em 1983 e dura, de certa forma, até hoje. O estopim foi a introdução da sharia (lei islâmica) em todo o território sudanês.

Isso desagradou o sul do país, habitado por cristãos e animistas, que se revoltou contra o norte, de maioria muçulmana, e procura a separação do restante do país.

O governo, localizado no norte, não aceita a separação, uma vez que as riquezas naturais do país, como o petróleo, se encontram no sul do Sudão.

O conflito entre o norte e o sul já causou a morte de 1,5 milhão de pessoas.

Diálogos entre os rebeldes e o governo levaram a um acordo de paz em janeiro de 2005. O acordo dava ao sul do Sudão uma autonomia de seis anos. Terminado esse prazo, será realizado um referendo sobre a independência da região (em 2010 ou 2011).

Darfur

A dinâmica do conflito em Darfur, oeste do país, se tornou mais complexo durante 2007, quando facções militares e rebeldes proliferaram. Diálogos de paz, realizados na Líbia, foram embaraçados por grupos chaves, que se recusavam a participar. Segundo a ONU, essa é a pior crise do mundo.

Pobreza

O Sudão é um dos países mais pobres do mundo e os cristãos são os que se encontram em pior situação. Os combatentes desalojam a população civil, roubam os rebanhos e incendeiam vilarejos. Além disso, terras férteis estão improdutivas em função da constante movimentação da população que foge das áreas de conflito.

Apesar dos esforços realizados pelo Programa de Alimentação Mundial das Nações Unidas, pouca ajuda chega aos refugiados famintos. Tal situação é explicada em parte pela atitude constante do governo de Cartum de reter as remessas humanitárias como retaliação aos ataques das forças rebeldes. Além disso, muitas tropas rebeldes acabam distribuindo os alimentos para seus próprios soldados, contribuindo para o desvio dos alimentos.

A Igreja

Missionários cristãos converteram todo o Sudão por volta do século VI, mas forças islâmicas subjugaram completamente os reinos cristãos nos séculos XIII e XIV.

Atualmente, o país é lar de oito milhões de cristãos, mais de 20% da população. A existência da Igreja no sul tem sido ameaçada pela influência do governo islâmico de Cartum. No sul, onde estão 5,5 milhões de cristãos, as religiões tradicionais africanas - em especial a bruxaria - também ameaçam o cristianismo.

Apesar da intensa perseguição, os cristãos sudaneses têm sido capazes de realizar ministérios significativos e de crescer em meio ao sofrimento. Católicos, episcopais, e a Igreja de Cristo no Sudão viram pessoas significativas se voltando a Cristo. Cruzadas evangelísticas têm sido realizadas na capital, e as igrejas têm se multiplicado rapidamente no sul. Apesar do risco substancial, diversas organizações estrangeiras oferecem ajuda humanitária, literatura e treinamento para a Igreja sudanesa.

A perseguição

A Igreja tem sido perseguida durante os últimos 50 anos, especialmente nos Montes Nuba, onde reside a maior parte dos cristãos.

Apesar do acordo de paz, o governo islâmico influencia a população, que se volta contra a evangelização e conversão de muçulmanos.

No sul, onde vive boa parte dos cristãos sudaneses, o que preocupa a Igreja é um movimento rebelde da Uganda, chamado de Exército de Resistência do Senhor. Esse grupo costuma atacar vilas no sul do país, onde fica a fronteira entre os dois países.

No entanto, nos últimos sete anos, tem se notado que os incidentes de violência contra cristãos têm diminuído.

Agnes, uma cristã de 32 anos, lembra-se de como os dias eram mais difíceis durante o auge da guerra civil.

A guerra civil alcançou a vila de Agnes em 1993. Naquele tempo, ela estava grávida. Sem opção, seu marido e ela fugiram para a floresta. Lá, construíram uma cabana de palha e barro, preparando-se para a chegada do bebê.

Mas os dias de paz não duraram muito. O conflito adentrou a floresta e levou o casal a fugir mais uma vez. Eles se dirigiram às montanhas e viveram lá durante seis anos.

Foi só em 1999 que Agnes e o marido voltaram para a vila que habitavam antes da guerra. Tanto a casa deles como a igreja haviam sido queimadas. Mais uma vez, o casal construiu sua casa.

Atualmente, Agnes tem dois filhos, um garoto de 14 anos e uma menina de quatro anos. Ela é presidente do grupo de mulheres da igreja de seu marido, liderando 12 cristãs.

Motivos de oração

1. A fome e as doenças dificultam o trabalho dos líderes cristãos sudaneses. Se a ajuda internacional fosse totalmente restaurada e os envios alcançassem a Igreja, sua capacidade de evangelizar e conseguir novos convertidos aumentaria substancialmente. Ore para que a Igreja sudanesa obtenha maior ajuda humanitária.

2. A Igreja é atingida pelo conflito militar. Com exceção de uma intervenção militar, parece não haver muita coisa que os outros países possam fazer para interromper a guerra civil no Sudão. Ore e peça que Deus intervenha no país a fim de tornar realidade a paz que a comunidade internacional é incapaz de alcançar.

3. Há falta de líderes preparados na Igreja. Devido à guerra civil e à rápida expansão do cristianismo, a Igreja sudanesa tem carência de líderes treinados e de recursos para o treinamento teológico. Ore para que mais treinamentos possam ser oferecidos a fim de preparar a Igreja para o futuro crescimento.

4. Em julho de 2009 acontecerão as primeiras eleições no país desde a promulgação do acordo de paz, em 2005. Ore para que esse evento raro e de extrema importância transcorra de forma pacífica. Interceda pelo resultado das eleições, que traga liberdade à Igreja sudanesa.

AVISO: GPP nesse sábado!

Acontecerá nesse sábado (01/08/2009) mais um GPP (Grupo de Pastores Pentecostais), o também conhecido como Café Pentecostal. Esse evento é aberto para todos os interessados. Compare amigo leitor, para que possamos tomar um café juntos e refletirmos sobre temas teológicos que envolvem o campo religioso brasileiro.

Coordenação: Dr. Paulo Romeiro

Realização: AGIR - Agência de Informações Religiosas

Data: 1º de Agosto 2009

Horário: 8:30 às 9:30 - café, 9:30 às 12:00 - reunião.

Local: Igreja Cristã da Trindade

Av. Jabaquara, 2461 - Junto a estação do Metrô São Judas

Mirandópolis - São Paulo - SP

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Como ser um pregador “pentecostal” de sucesso

Chegou o manual que ensina como vencer sem muito esforço, com simples passos para iniciantes na arte de gritar. Esqueça os esquemas fracassados de mensagem expositiva. Esqueça aquelas mensagens que reflete profundamente em um texto da Bíblia, isso é coisa de quem ainda não participou do reteté

- Grite o mais alto que você puder. Diga que gosta é de ver caixas de som estourando!

- Critique quem ouse não gritar como você. Critique aqueles que não fazem o papel de papagaio das suas apresentações. Chame essas pessoas de “boca de ferro”, “lábios de aço”, “garganta de chumbo”.

- Não prepare sermão. Nada de ler a Bíblia e estudá-la. Chegue ao local para pregar e diga que não gosta de esboços e prefere ser “guiado por Deus”. Faça até melhor: Diga que preparou uma mensagem, mas que está sendo guiado para outra mais inspirada.

- Assista todos os DVDs daquele congresso inspirador que acontece em um balneário de Santa Catarina. Nesse congresso vão sempre os “supra-sumos” da pregação gritaral. Procure imitar cada passo que você vê nesses pregadores dos DVDs.

- Compre um CD com aquelas músicas que tocam ao fundo das pregações daquele congresso acima citado. Você verá como vai ficar bem parecido com seus ídolos.

- Aliás, não deixe de gravar DVDs e coloque na capa o título nada modesto de “conferencista internacional”. Lembre, que aquela viagem com os muambeiros paraguaios já faz com que você torne-se uma estrela internacionalmente conhecida.

- Assista desenhos animados japoneses, pois aqueles personagens ensinam alguns golpes que você pode imitar no púlpito. Mas não pronuncie aquelas palavras japonesas, diga que é “poder de Deus”.

- Não leia a Bíblia e nem estude as Sagradas Escrituras, pois você já sabe que a “letra mata”, mas apesar disso, compre um diploma de doutor em divindade por dois mil reais nessas faculdades fajutas que anunciam na internet. Nada de perde quatro anos em um seminário!

- Cite a Bíblia nas suas pregações, mas não precisa se preocupar com correta interpretação. Espiritualize todas as suas interpretações que você inventará na hora.

- Conte muitos testemunhos e tristemunhos. Conte aqueles milagres espetaculares que aconteceram no seu ministério, quando você pregou do outro lado do país. Tome todo o tempo com essas histórias impactantes e comoventes. Aliás, sempre fale com muita emoção na voz.

O “Ministério da Palavra” adverte: Esse manual causa problemas na vida de um pregador que queira ser fiel ao chamado de Deus. Portanto, faça tudo ao contrário dessas regras. Persistindo os sintomas, mergulhe na Bíblia mais próxima de você e busque auxílio na próxima Escola Dominical.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Profecias óbvias

“Deus me revelou que Jesus está voltando” (sic)! Em algumas reuniões pentecostais é possível ouvir esse tipo de “profecia”. Ora, parte do Novo Testamento já testemunha que a Vinda de Cristo é iminente! Por que, então, existe a necessidade de uma profecia para afirmar aquilo que as Escrituras já alertam em abundância? Não seria uma espécie de redundância? Esses tipos de profecias já não são muito óbvias?

Outra expressão comum em muitas profecias é “Deus tem uma grande obra em sua vida”. Ora, essa frase é tão genérica que acaba não comunicando nada. Deus não tem uma grande obra na vida de todos nós? As frases relativas que podem ser aplicadas a qualquer um, já servem como tática antiga de esotéricos e astrólogos, mas que infelizmente atinge alguns pseudopentecostais.

Dizer numa igreja locada que Deus revelou alguém com dor de cabeça é muito fácil. Ora, se passar como carismático não sendo é uma tarefa que não demanda muitos talentos. Tome cuidado então com aquilo que é óbvio demais. Aliás, também tomo cuidado com aquilo que é extravagante e inovador demais. Nem oito, nem oitenta!

Portanto, cabe a cada um não desprezar as profecias, mas também julgá-las antes de qualquer aceitação.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Os cristãos são guiados pela Palavra

Existem graves problemas sendo levantados pelo hábito de dar e receber "mensagens" pessoais de orientação por meio dos dons do Espírito [...] A Bíblia dá lugar para tal direção vinda do Espírito Santo [...] Tudo isso, porém, deve ser mantido na devida proporção. O exame das Escrituras mostrará que, de fato, os primeiros cristãos não recebiam continuamente tais vozes do céu. Na maioria dos casos, eles tomavam suas decisões pelo uso do que normalmente chamamos "sendo comum santificado" e viviam normalmente. Muitos de nossos erros na área dos dons espirituais surgem quando queremos que o extraordinário e o excepcional sejam transformados no frequente e no habitual. Que todos os que desenvolvem desejo excessivo pelas "mensagens" possam aprender com os enormes desastres de gerações passadas e com nossos contemporâneos [...] As Sagradas Escrituras é que são a lâmpada nossos passos e a luz que clareia o nosso caminho. [1]

Essas são palavras do teólogo Donald Gee, um dos pioneiros na teologia pentecostal. Palavras essas que demonstram uma preocupação que deveria estar presente nos dias atuais. Fato é que muitos ainda se guiam não pelos princípios da Palavra, mas sim por supostas manifestações espirituais. Esse texto de Donald Gee ainda faz barulho na contemporaneidade!

Referência Bibliográfica:

[1] GEE, Donald. Spiritual gifts in the work of ministry today. Springfield: Gospel Publishing House, 1963. p 51.

domingo, 26 de julho de 2009

O que é coronelismo evangélico?

Os evangélicos sempre prezaram pelo discurso de “separação do mundo”, ou seja, os cuidados com as práticas mundanas e ímpias, já que somos novas criaturas. Esse discurso é verdadeiro, mas infelizmente pouco praticado. Quando leio as notícias e escândalos envolvendo o nome do senador José Sarney (PMDB-AP) lembro imediatamente de muitos líderes evangélicos que se comportam como coronéis, da mesma forma que o oligarca do Maranhão. Mas o que é coronelismo evangélico e quais as suas características? Quais as características dos coronéis seculares e eclesiásticos?

O que é coronelismo?

Coronelismo (também conhecido como caciquismo, caudilhismo e chefismo) segundo o Dicionário Michaelis é um “tipo social do grande proprietário rural de comportamento despótico e patriarcal que, por força do consenso geral de um sistema de obrigações e favores, confunde em sua pessoa atribuições de caráter privativo e público”. O Dicionário Houaiss define historicamente como uma “prática de cunho político-social, própria do meio rural e das pequenas cidades do interior, que floresceu durante a Primeira República (1889-1930) e que configura uma forma de mandonismo em que uma elite, encarnada emblematicamente pelo proprietário rural, controla os meios de produção, detendo o poder econômico, social e político local”.

Traduzindo, o coronel é uma pessoa influente, que exerce um poder maior do que as instituições que ele representa. Esse tipo de líder normalmente encontra amplo apoio pelas suas práticas “populistas”. Ele fala como o povo, age como o povo, mas na verdade exerce um poder despótico contra o povo. O coronel está acima da instituição, quando deveria ser o contrário.

O coronelismo evangélico é exercido em grandes denominações de todas as vertentes evangélicas, mas principalmente no meio pentecostal (o clássico, inclusive) e neopentecostal. Infelizmente são pessoas que esqueceram que o modelo de liderança de Jesus é o servir e não ser servido: “E ele (Jesus), assentando-se, chamou os doze e lhes disse: Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos” (Mc 9.35). Coronelismo evangélico é um mundanismo eclesiástico!

Quais as características do coronelismo?

As características do coronelismo são arcaicas, mundanas, símbolo do atraso e da falta de ética. Vejamos:

- Clientelismo

O clientelismo, segundo o Dicionário Houaiss, pode ser definido como uma “prática eleitoreira de certos políticos que consiste em privilegiar uma clientela ('conjunto de indivíduos dependentes') em troca de seus votos; troca de favores entre quem detém o poder e quem vota”. Isso é comum entre políticos ímpios. Agora, verificar isso entre pastores e pastores, ou, entre pastores e políticos... É vergonhoso, asqueroso e perverso. Infelizmente isso existe. O que não podemos é agir com complacência e tolerância diante dessas coisas mundanas. Infelizmente não é dessa forma que alguns grandes cargos eclesiásticos são negociados?

- Nepotismo

Os coronéis sempre querem a perpetuação do poder. Então, o que é melhor do que filhos e netos no mesmo cargo ou em cargos de confiança? Será que todos esses filhos nasceram vocacionadas para tais funções? Coincidência, não é? É claro que um filho de pastor pode ter vocação pastoral, mas então por que essa pessoa assume as melhores funções dentro da jurisdição eclesiástica? Infelizmente o nepotismo nasceu na antiga Igreja Católica medieval e renasce hoje no ambiente evangélico!

- Fisiologismo

Os coronéis confundem o privado com o particular. Não é a toa que os nobres deputados e senadores usam do dinheiro público para fins particulares, como o pagamento de um jantar para a namorada. O fisiologismo é isso, uma “conduta ou prática de certos representantes e servidores públicos que visa à satisfação de interesses ou vantagens pessoais ou partidários, em detrimento do bem comum” (Dicionário Houaiss). Muitas igrejas insistem em representantes políticos da denominação. Agora vem a pergunta: Por que esses representantes vêm da parentela de importantes líderes? Será que não existe vocacionado político entre pessoas sem parentesco com os líderes-mor?

- Carisma

Os coronéis normalmente são carismáticos (carisma aqui no sentido sociológico e não teológico). Normalmente agem e gostam de destacar que são autoridades constituídas por Deus, cabendo então o máximo de respeito e reverência... O pior, mesmo diante dos erros e equívocos. Muitos usam o bordão “não toqueis nos meus ungidos” e usam tal versículo inadequadamente como uma forma de proteção contra críticas. Os coronéis são necessariamente papistas, pois o que falam apresenta um valor da infalibilidade. Como carismáticos, também espiritualizam sua função, fazendo com que qualquer crítica torna-se demoníaca!

- Populismo

O coronelismo é casado com o populismo. O líder coronel fala o que o povo gosta de ouvir. Não se engane, muitas vezes até um discurso duro e conservador é usado estrategicamente para agradar certos ouvidos. Agora, o coronel na versão gospel não deixará de falar em bênçãos e usar bordões triunfalistas. O coronel é “o cara”, aliás, ele mesmo se acha “o cara”, o salvador da pátria ou da denominação!

- Midiático

Os coronéis gostam muito da mídia. Mas eles gostam desde que essa mídia seja chapa branca, sem esforço de investigação e denúncia. Na verdade, os coronéis gostam de controlar uma ou mais mídias. Todo coronel que se preze precisa de uma mídia ao seu favor. Na versão gospel não é diferente...

Essas e outras características rodam o universo coronelista. Infelizmente essa praga está no nosso meio. Isso é o famoso mundanismo que muitos denunciam, mas esquecem de suas faces variadas. Uma das faces do mundanismo é o coronelismo eclesiástico.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Jesus, o Redentor e Perdoador


Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD) I João- Os fundamentos da fé cristã e a perfeita comunhão com o Pai

Quando a pregação da graça de Deus é exposta em uma igreja, normalmente essa mensagem causa um incômodo. Ora, que história é essa que nada podemos fazer pela nossa salvação, já que Jesus fez tudo? Ora, que história é essa que Cristo perdoa os nossos pecados, independente de sua gravidade? Ora, que história é essa que a salvação é uma dádiva, e não fruto de esforço e boas obras? Essa é a mensagem de salvação, que não soa bem aos ouvidos daqueles que só pensam na base de causa e efeito.

Talvez, a maior confusão de quem ouve que Cristo perdoa pecados, é confundir isso como uma licença para mais pecado. Ora, não se trata disso. Cristo sempre faz um serviço completo. O SENHOR não somente perdoa pecados, o Senhor limpa as mãos do pecador e purifica o seu coração. Portanto, isso é a maravilha do Evangelho: a oportunidade de uma nova vida, que esta bem expressa nas palavras de Jesus à pecadora: “E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais” (Jo 8.10-11).

Infelizmente alguns poucos confundem a graça de Deus como licença para o pecado e misturam liberdade com libertinagem. Judas já tinha alertado sobre isso: “Porque certos homens se infiltraram entre vós sem que fossem notados; desde há muito tempo eles estavam destinados para o juízo. São homens ímpios, que mudam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo”. (Jd v. 4 ASXXI) Paulo também falou sobre isso: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm 6.1-2)

Portanto, vemos que a Palavra de Deus é bem clara sobre o assunto: a graça de Deus é uma obra completa, que perdoa pecados e atinge a raiz do problema, mudando o caráter do pecador. O cristão pecará enquanto estiver preso nessa vida com a natureza decaída, mas um verdadeiro cristão nunca viverá no pecado. Por exemplo, ele pode até mentir, mas nunca será um mentiroso, vivendo a falar inverdades.

Lidando com o pecado de modo equilibrado

Como lembra o teólogo anglicano John Stott, há duas atitudes erradas ao lidar com o pecado: Sendo severo demais, sendo um complacente demasiado. Stott escreve:

É possível ser demasiado indulgente e demasiado severo para como o pecado. Indulgência demasiado grande seria quase encorajar o pecado no cristão salientando a provisão de Deus para o pecador. Uma severidade exagerada, por outro lado, seria, ou negar a possibilidade de um cristão pecar, ou recusar-lhe perdão e restauração, se ele cai. Ambas as posições extremas são contestadas por João. [1]

O erudito A. T. Robertson escreveu: “João não tem paciência com perfeccionistas profissionais (1. 8-10), e menos ainda com quem vive de forma complacente, como alguns gnósticos que praticavam toda sorte de excessos sema menor vergonha”[2].

Portanto, como sempre a Bíblia expressa como viver equilibradamente. Nunca devemos incentivar o pecado, mas também não é possível negar a realidade dessa miséria em nossas vidas. As Sagradas Escrituras demonstram a realidade do pecado, mesmo na vida daqueles que experimentaram o novo nascimento. Agora, ao mesmo tempo a Palavra apresenta a solução.

Cristo, o nosso advogado

A palavra grega parakletos está traduzida no português como advogado. Como substantivo, a palavra aparece somente nos escritos joaninos. Normalmente, parakletos traz a ideia de consolador, como se o substantivo estivesse no ativo. Não, o substantivo é apresentado no passivo, portanto sendo mais bem traduzido como “chamado para o lado” [3]. Mas então, Jesus é chamado por quem para nos ajudar? Certamente Deus pai chamou Cristo para nos defender, morrendo em nosso lugar. Além disso, nós mesmos podemos chamar a Cristo em nossa defesa mediante o arrependimento e contrição pelo pecado, isso por meio da oração. O que não podemos nunca é nos conformamos no pecado e dispensar a misericórdia de Deus.

Cristo, que advoga, não apresenta diante do juízo a nossa inocência pelos méritos que possuímos, pelo contrário; Ele nos apresenta como inocentes assumindo a nossa culpa. Jesus que é o Justo (v. 1). Glória a Deus pelo tamanho da Sua misericórdia! Cristo ainda trabalha por nós, como lembrou William Barclay: “Não devemos pensar sobre Ele como alguém que passou sua vida na Terra, morreu na cruz e então não tem mais nada a ver com a humanidade... Ele ainda carrega a nossa preocupação com a humanidade dentro de seu coração” [4]

Falando em juízo, muitos que alimentam a ideia de um Deus carrancudo e mal humorado, associam que o advogado Jesus tenta apaziguar a Ira de Deus. Nenhuma pessoa da Trindade está apaziguando a ira da outra pessoa. Esse pensamento é falso e antibíblico. A salvação é um trabalho conjunto das três pessoas da Trindade. O teólogo assembleiano Robert Berg escreveu sobre esse ponto:

Devemos rejeitar a ideia de que Jesus tenha que persuadir a um Deus nada simpático, que reluta em nos deixar impunes. O juiz que é Deus o Pai, que nos amou e enviou seu Filho (Jo 3.16; I Jo 4. 9,10), que tem gerado filhos (Jo 1.12, 13; I Jo 3.9; 5.4) e que é fiel para nos perdoar e purificar ( I Jo 1.9).[5]

Portanto, Jesus é ao mesmo tempo advogado e “a propiciação pelos nossos pecados” (v. 2). Isso significa que Ele voluntariamente e amorosamente morreu no seu e no meu lugar.

Referências Bibliográficas:

[1] STOTT, John R. W. I, II e III João: Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1982. p 69.

[2] LOPES, Augustus Nicodemus. Interpretando o Novo Testamento: Primeira Carta de João. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2005. p 46.

[3] STOTT, idem. p 70.

[4] BARCLAY, William. The Letters of John and Jude. Filadélfia: Westminster Press, 1958. p 45. In BOICE, James Montgomery. As Epístolas de João. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 44.

[5] ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 1767.

Religião e felicidade

No dia 18 de abril de 1944, C. S. Lewis respondeu as perguntas de alguns funcionários da empresa inglesa Electric and Musical Industries Ltd. Lewis era muito bom ao lidar com perguntas sobre o cristianismo. Então, um daqueles empregados indagou:

Pergunta: Qual das religiões do mundo confere a seus seguidores maior felicidade?

Lewis respondeu: Qual das religiões do mundo confere a seus seguidores maior felicidade? Enquanto dura, a religião da auto-adoração é a melhor.
Tenho um velho conhecido já com seus 80 anos de idade, que vive uma vida de inquebrantável egoísmo e auto-adoração e é, mais ou menos, lamento dizer, um dos homens mais felizes que conheço. Do ponto de vista moral, é muito difícil. Eu não estou abordando o assunto segundo esse ponto de vista. Como vocês talvez saibam, não fui sempre cristão. Não me tornei religioso em busca da felicidade. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do Porto me daria isso. Se você quiser uma religião que te faça feliz, eu não recomendo o cristianismo. Tenho certeza que deve haver algum produto americano no mercado que lhe será de maior utilidade, mas não tenho como lhe ajudar nisso[1].

Simplesmente fantástica a resposta do escritor inglês. A cristandade contemporânea, que vende uma espécie de baú da felicidade, esqueceu do Evangelho de Cristo, cujo foco está na cruz. Cristianismo não ensina conquista, mas renúncia; não ensina triunfalismo, mas "pé no chão"; não ensina apego aos milagres, mas amor ao próximo e a Deus. A mensagem de Cristo é diferente do que o mundo oferece! Quem já ofereceu tudo de mão beijada foi o diabo (cf. Mt 4. 8-10).

Referência Bibliográfica:

[1] LEWIS, Clive Staples. C. S. Lewis sobre o cristianismo. Trad: Antônio Emílio Angueth de Araújo. Belo Horizonte: Blog do Angueth, 2006. Disponível em:http://angueth.blogspot.com/2006/08/c-s-lewis-sobre-o-cristianismo-parte-i.html> Acesso em: 24 jul. 2009.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Dízimos sem ameaça!

O pregador diz em uma mensagem voltada para uma igreja: "Meus irmãos, vamos contribuir com dízimos e ofertas baseados na liberalidade de um coração amoroso, e não sob coesão, como medo de ameaças supostamente baseadas na Palavra". Então o líder da igreja repreende o pregador e diz: "Meu irmão, esse tipo de pregação leva a perda de dinheiro". O pregador replica: "Não estou desestimulando o ato de ofertar, mas sim ensinando com se oferta com alegria e não com medo ou esperando uma recompensa". O líder continua a insistir que esse tipo de pregação prejudica a balança financeira da igreja e cita inúmeros versículos do Antigo Testamento para mostrar a "maldição de Deus".

Essa conversa fictícia é baseada em fatos acontecidos em uma congregação pentecostal. É lamentável ver que hoje muitos líderes preferem pregar dízimos e ofertas na base da ameaça. Supostamente baseados na Bíblia, falam em um demônio chamado "o devorador". Exegese furada. São pessoas que não sabem distinguir a forma como Deus se direcionou a Israel e hoje para a igreja.

Devemos contribuir com dízimos e ofertas por sermos mordomos dos nossos bens, fazendo isso com alegria e desprendimento. Nada disso pode ser feito com medo e pavor, ou querendo barganhar com Deus.

Leia o ótimo texto do pastor assembleiano Altair Germano sobre o assunto:

Por quais razões Malaquias cap. 3 vers. 10 não deve ser aplicado à Igreja?

Por Altair Germano

O texto de Malaquias 3.10 deve servir de base para a prática do dízimo na igreja? Entendo que não. Segue abaixo, de forma bastante objetiva as devidas razões:


1. O livro do profeta Malaquias foi escrito especificamente para o povo de Israel. Sua mensagem profética tem a sua razão e o seu lugar próprio no tempo, e no espaço

"Sentença pronunciada pelo Senhor contra Israel, por intermédio de Malaquias." (Ml 1.1)

"Assentar-se-á como derretedor e purificador de prata; purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; eles trarão ao Senhor justas ofertas. Então, a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao SENHOR, como nos dias antigos e como nos primeiros anos." (Ml 3.3)

"Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos." (Ml 3.6)

Afirmar que as profecias e as orientações específicas de Malaquias se aplicam "literalmente" à Igreja, é uma atitude que implica na quebra de princípios básicos, sérios e confiáveis que norteiam uma interpretação gramático-histórica da Bíblia;

"[...] os princípios do sistema gramático-histórico de interpretação, que surgiram em antioquia pela primeira vez como princípios pensados e conscientes, representam o modelo de interpretação que mais bem corresponde aos pressupostos do Cristianismo histórico quanto à natureza das Escrituras" (Nicodemus, 2004, p. 256)

Bentho (2003, p. 69-71) diz que a função da hermenêutica e exegese bíblica, dentre outras, é compreender o sentido do texto dentro de seu ambiente histórico-cultural e léxico-sintático. Qualquer interpretação que tenta forçar o texto a dizer o que não diz, seja de forma voluntária ou involuntária, com base em pressupostos ou premissas previamente estabelecidos pelo intérprete, que ignora o contexto sob pretexto ideológico, que ignora a mensagem e o propósito principal do livro e que não analisa o texto à luz de outros, não deve ser confiável.

2. A mensagem de Malaquias está fundamentada na necessidade de se observar o cumprimento da Lei do Senhor, prescrita para o povo de Israel

"Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo, a qual lhe prescrevi em Horebe para todo o Israel, a saber, Estatutos e juízos." (Ml 4.4)

Não vivemos sob a Lei de Moisés:"Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo". (Gl 2.19)

"Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar seus preceitos por eles viverá" (Gl 3.12)

"Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão" (Gl 5.1)

3. Os que se utilizam de Ml 3.10, acabam por incorrer na alegorese, ou seja, no abuso de uma interpretação fundamentada na escola alegórica.

"Quem alegoriza fala ou escreve sobre alguma coisa por intermédio de outra, procurando desvendar sentidos simbólicos, espirituais ou ocultos. [...] De acordo com o método alegórico, o sentido literal e histórico das Escrituras é completamente desprezado, e cada palavra e acontecimento são transformados em alegoria de algum tipo, a fim de escapar de dificuldades teológicas ou para sustentar certas crenças estranhas e alheias ao texto bíblico. Assim, não interpreta o texto bíblico, mas perverte o verdadeiro sentido deles, embora sob o pretexto de buscar um sentido mais profundo ou mais espiritual" (Idem, 2003, p. 124)

O uso claro de alegorese em Ml 3.10, é afirmar que a "casa do tesouro" e a "minha casa", citadas no texto se aplicam aos templos cristãos. É equivocado também declarar, que as maldições ali citadas, virão também sobre os crentes. Vale lembrar as palavras de Paulo em Atos 17.24 "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas."

Muitos se utilizam do texto de Ml 3.7-11, tirando-o do seu contexto, para colocar a "faca no pescoço dos simples", amedrontando-os com maldições ou acusando-os de ladrões, no que diz respeito a prática do dízimo. Volto a declarar que a Bíblia não deve ser interpretada segundo as nossas conveniências.

Compreendo ainda pela Palavra, que na Igreja, o dízimo não deve ter a sua prática incentivada a partir de Malaquias, mas sim, a partir de Abraão (Gn 14.18-20) e Jacó (28.18-22) que contribuíram voluntariamente, livre de qualquer preceito legal, sem medo de qualquer punição ou castigo, sendo unicamente movidos por pura adoração em reconhecimento àquele que provê todas as coisas.

As bases motivadoras e punitivas que norteiam as contribuições financeiras na Igreja, estão prescritas em 2 Co 9.6-15

"E isto afirmo: aquele que semeia pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus. Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus, visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos, enquanto oram eles a vosso favor, com grande afeto, em virtude da superabundante graça de Deus que há em vós. Graças a Deus pelo seu dom inefável!"

Dizimar e contribuir com outras ofertas, não pode ser encarado por cristãos como um fardo ou jugo da lei. Deve sim, ser percebido como um privilégio e como um ato livre e amoroso que reconhece em Deus o sustentator, provedor e criador de todas as coisas.

Bibliografia

BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica fácil e descomplicada: como interpretar a Bíblia de maneira prática e eficaz. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e seus intérpretes: uma breve história da interpretação. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

SCHOLZ, Vilson. Princípios de interpretação Bíblica: introdução à hermenêutica com ênfase em gêneros literários. Canoas-RS: Ulbra, 2006.

STUART, Douglas; FEE, Gordon D. Manual de exegese bíblica: Antigo e novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2008.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A síndrome do microfone no pentecostalismo autóctone


Em setembro de 2006, o historiador Chris Armstrong escreveu um artigo para a revista evangélica Christianity Today (Cristianismo Hoje) sob o título Embrace Your Inner Pentecostal (Abrace o pentecostal que há em você). Nesse texto Armstrong destaca:

O pastor da igreja da Rua Azuza William J. Seymour, representou um novo tipo de líder de igreja. Ele encorajava os adoradores a exercitarem seus dons durante os cultos, provendo o que o professor Cecil M. Robeck chamou de “um fórum para os diversos membros de sua congregação demonstrarem seus dons no contexto da comunidade de adoração, sem medo de recriminação”. Quando em meio à adoração alguém ia além dos limites aceitos de ordem, Seymour corrigia-o de uma maneira “graciosa e afável” [1].

Muitos estudiosos, sejam teólogos ou sociólogos, reconhecem que o pentecostalismo levou a sério o princípio do sacerdócio universal de todos os crentes, assim como afirmavam os reformadores. Dentro desse aspecto, o pentecostalismo (pelo menos o pioneiro) acabou com a inadequada divisão entre clérigos e leigos. Portanto, esse é um ganho para o cristianismo de maneira geral, vindo dos pentecostais.

Agora, tudo tem limites. O próprio texto de Chris Armstrong mostra que o pioneiro pentecostal William J. Seymour reconhecia excessos e os corrigia. Hoje, nas igrejas pentecostais brasileiras, todos pensam que são cantores ou pregadores. Há um verdadeiro incentivo para a síndrome de microfone. As pessoas se viciam em “oportunidades”. Alguns líderes dizem que precisam descobrir os “novos talentos” (sic).

A igreja, como um todo, envolvendo líderes e liderados, precisam reconhecer as pessoas verdadeiramente vocacionadas em suas comunidades. Portanto, que foi chamado para ensinar que ensine; quem tem capacidade para dirigir o louvor, que dirija; quem foi chamado para o diaconato, que sirva; quem foi chamado para pregar, que pregue, etc. O que não dá é ver igrejas desorganizadas, onde qualquer um faz qualquer coisa. Cada vocacionado em seu canto.

Referências Bibliográficas:

[1] ARMSTRONG, Chris. Embrace Your Inner Pentecostal- Holy Spirit religion is quietly infiltrating the church, revitalizing us all. Christianity Today. Set 2006. Publicado em português: Abrace o Pentecostal que há em você. Mensageiro da Paz. Tradução: DANIEL, Silas. Nov 2006, p 18.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Como é bonito

Nem só de coisa feia vive a igreja evangélica contemporânea. Ainda temos traços muito bonitos. São pessoas e fatos que mostram um ponto de esperança para o nosso futuro.

- Como é bonito ver irmãos e irmãs relatando a conversão de seus parentes. Pessoas que mostram um grande amor pelos seus e se preocupam com a eternidade dos objetos do seu amor.

- Como é bonito ver pessoas que fazem grupos de oração e estudo bíblico. Reúnem-se para edificação de suas almas. E depois se reúnem para evangelizar, tendo como objetivo conquistar pessoas para o Reino de Deus.

- Como é bonito ver adolescentes e jovens interessados no estudo das Escrituras, que se retiram para um seminário e dedicam anos para aquele fim.

- Como é bonito ver a paixão de missionários pela obra de Deus. Pessoas que largam uma vida confortável nas grandes cidades para evangelizar índios, vilarejos e muitas nações hostis ao Evangelho.

- Como é bonito ver linguistas cristão dedicarem anos de suas vidas para a tradução de Bíblias a dialetos e línguas sem versões do Santo Livro.

- Como é bonito ver orquestras cheias de músicos dedicados e que louvam a Deus pela música clássica.

- Como é bonito ver pessoas que foram rejeitados pela sociedade, mediante a exclusão social na incompetência das políticas de Estado, que quando chegam numa pequena igreja acham a dignidade.

Felizmente há outros exemplos bonitos que assim poderiam ser mencionados.

domingo, 19 de julho de 2009

Não se engane com as aparências

Quando falamos em pregação genuinamente bíblica muitos confundem as coisas. Uma questão é a pregação bíblica, expositiva, que deixa as Escrituras falar por si. Outra questão totalmente diferente é alguém citar a Bíblia. Citação de passagens bíblicas não é garantia de pregações saudáveis. Muitas pregações desastradas - ou por que não dizer heréticas? -estão cheias de citações bíblicas. O que dizer de pregadores que leem a história de um personagem bíblico e depois fazem um teatro com a passagem? Estão eles pregando as Escrituras ou alimentando espetáculos pessoais?

Mais importante do que citar várias passagens bíblicas, é fazer uma correta interpretação e aplicação das Escrituras. Mais importante do que ler um longo texto ou citar vários personagens da história bíblica, é fazer uma leitura adequada desses trechos. Portanto, não se engane. Avalie corretamente uma pregação pela qualidade da interpretação e aplicação, não pelos inúmeros versículos lidos por alguém. Ora, quantos estão lendo uma passagem, entendendo esses trechos de modo errado, e ainda assim ensinam para a congregação falsos conceitos?

Os "testemunhas de Jeová" citam muitos textos para ensinar as "verdades" inventadas pelo seu fundador, mas são um bom exemplo de um entendimento errado da Bíblia. Infelizmente quantos pregadores evangélicos estão no mesmo caminho!

sábado, 18 de julho de 2009

Religião e Alienação

A Editora Reflexão lançará no mês de agosto o novo livro do Pr. Paulo Romeiro, em co-autoria com professor Yon Morato. Certamente um novo livro que contribuirá no exercício da apologética

Como é o processo de doutrinamento em movimentos sectários? Como as seitas “manipulam” a visão de mundo de um adolescente, fazendo dele uma pessoa acrítica e passível de aceitação de qualquer “verdade” exposta pela organização? Como um jovem, contestador por natureza, se deixa alienar?

Essas são algumas perguntas que serão respondidas na nova obra do Pr. Paulo Romeiro, em co-autoria com o professor Yon Morato. O novo livro como o título provisório Religião e Alienação será lançado oficialmente no dia 15 de agosto de 2009, na Igreja Cristã da Trindade, que fica localizada ao lado da estação São Judas do metrô. O evento será as 19h30. Já marque na sua agenda. Será um momento especial para entender melhor sobre o processo de alienação efetuada pelas seitas.

Descrição dos autores:

Paulo Romeiro é pastor de uma igreja pentecostal, localizada no bairro de São Judas, na capital paulista. Romeiro foi ordenado na Assembleia de Deus, no distrito da Califórnia (EUA). Bacharel em jornalismo. Cursou a Escola de Ministério, sob o patrocínio do World Evangelism. Realizou sua Pós-Graduação de Mestrado em Teologia pela Melodyland School of Theology (MST). Também cursou o Gordon-Conwell Theological Seminary em Boston. É doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Hoje leciona no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Autor dos livros Super Crentes (1993), Evangélicos em Crise (1995) e Decepcionados com a Graça (2005) pela editora Mundo Cristão. Escreveu também Desmascarando as Seitas (1996), publicado pela CPAD, em co-autoria com o apologista Natanael Rinaldi.

Yon Morato é pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil. Mestre em Ciências da Religião, Teólogo e formado em Letras e Tradutor Intérprete. Professor de Ensino Religioso e Ética no Colégio Presbiteriano Mackenzie. Professor e Conferencista pela Missão Brasileira Messiânica. Palestrante há mais de 15 anos, alertando e ensinando sobre seitas e heresias, evangelismo aos Judeus, além de um trabalho profícuo entre jovens e adolescentes. Defendeu a dissertação de mestrado como o tema "Religião e Alienação- uma análise crítica do adolescente na Torre da Vigia"

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Jesus, a Luz do Crente

Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD) do 3º trimestre de 2009- I João: Os fundamentos da fé cristã e a perfeita comunhão com o Pai

Um aspecto importante da vida cristã é o testemunho. Viver expressando o caráter de Cristo perante tudo e todos deve ser uma meta para o cristão. Ser luz e sal dessa terra. O cristão é como a lua, ele em si não possui luz, mas reflete a luz da estrela maior. Assim como João, o batista, “não era a luz, mas veio para que testificasse da luz” (Jo 1.8), assim são todos os cristãos. Jesus é a Luz, que ilumina e guia as nossas vidas. A luz serve para iluminar pontos estratégicos. Portanto o cristão deve ser alguém relevante nesse mundo, conforme o seu exemplo.

Os cristãos quando nascem de novo, isto é, quando são regenerados pelo Espírito Santo, passam a compartilhar da natureza divina, como aspectos mais íntegros de caráter e santidade. Portanto, o verdadeiro cristão é alguém que cresce dia após dia em santidade, que reflete em todos os aspectos de sua vida. Um cristão que cresce mais em paciência, alegria, bondade, domínio próprio, paz e o amor. Isso é santidade, ou seja, um caráter mais parecido com Cristo. Santidade que manifesta a luz aos homens não é aquela legalista e intolerante, que valoriza mais o exterior e os aspectos tradicionais de uma religião. Legalismos são coisas de pagãos, uma verdadeira distorção do cristianismo. Em parte, Cristo foi morto por legalistas.

Deus é luz

Dizer que Deus é luz reflete uma figura de linguagem que retrata a santidade e perfeição de Deus. Portanto, Deus não é “a” ou “uma” luz, mas sim luz, sem o artigo definido ou indefinido, isso se deve ao fato de que Deus é um ser pessoal e relacional. O ser humano que está cego pelas densas trevas pode encontrar direção para sua vida através de Deus, e na pessoa de Jesus Cristo. Deus nos guia através de princípios e valores, que já estão expressos em sua Palavra. Deus não guia os seus servos por meio de profecias e sonhos e nem por meio de palavras proféticas proferida por pastores. O que Deus fala por meio dos dons espirituais não tem caráter de guia de vidas e nem de estabelecer novos princípios para os homens.

Deus que é um ser pessoal quer direcionar a vida de seus filhos não como robôs, que em tudo na vida fazem na base da obrigatoriedade irresistível. Deus expressa valores e cabe ao homem decidir se quer uma vida segundo esses valores, ou se quer seguir o seu caminho. Portanto, Deus não escolhe o noivo (a) de ninguém, essa escolha cabe ao homem e a mulher. Deus já expressou na sua Palavra quais devem ser os valores de uma família cristã. É repugnante ver pessoas que viajam ou se casam baseadas nos “evangélicos esotéricos e jogadores de cartas”, que usam falsas profecias e revelações para esse fim, são certamente pseudopentecostais.

Os cristãos sensatos se deixam guiarem pelos valores bíblicos, pois como disse o salmista: “Tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119. 105), ou como diz Salomão: “Pois o mandamento é uma lâmpada, e a instrução, uma luz” (Pv 6.23) e ainda Pedro disse: “Assim, temos ainda mais firme a palavra profética. E fazeis bem em estar atentos a ela, como a uma candeia que ilumina um lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vosso coração” (II Pe 1.19).

Efeitos da Luz na vida do cristão

Os crentes que vivem na luz, ou seja, o que apresentam comunhão com Deus certamente vivem na verdade e não se enganam. Um efeito claro da luz é a transparência, portanto, os cristãos que vivem em comunhão com Deus sabem que eles realmente são. Eles não se autoenganam. Reconhecem por verdade que são pecadores, não negam essa realidade, mas estão conscientes da necessidade de se buscar a Deus dia após dia.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Antigo acervo

Uma das edições mais antigas da Bíblia agora está digitalizada na internet. Gratuitamente todos podem ler as 800 páginas do manuscrito Codex Sinaiticus, que estão escritas em grego. Para quem quer conhecer o site, que está em inglês, basta visitar em www.codexsinaiticus.org

O Códice Sinaítico, como é conhecido em português, é datado de 340 d. C. Além de antigo, esse manuscrito é um dos mais completos, pois abrange todo o Novo Testamento e metade do Antigo Testamento. O tipo de texto do manuscrito é alexandrino, como leituras de estilo ocidental.

Mais uma vez a internet disponibiliza para todos aquilo que antes era restrito apenas aos eruditos e especialistas. Essa forma de democratização muito beneficia a igreja e os seus membros interessados no estudo das Sagradas Escrituras.

Publicado no blog da UBE (União dos Blogueiros Evangélicos)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Maravilha! O Senhor falou comigo!

Quando novo convertido, eu estava passando pelo início da adolescência, e naqueles dias destratei um sujeito que devia alguns reais no estabelecimento comercial que o meu pai era proprietário. Eu era o “cobrador” e fui bem estúpido com um devedor que não se esforçava para quitar sua dívida. Passando algumas horas, já no final da noite, entrei no meu quarto e sentei na minha cama. Naquele momento o Senhor falou profundamente comigo. O Senhor me repreendeu pela atitude estúpida. Ele, o próprio Cristo estava comigo naquele quarto, e Ele me ensinava como um cristão deve agir como educação, paciência e respeito, mesmo para aqueles que não merecem. Naquela noite, maravilha, o Senhor falou comigo! E as minhas atitudes mudaram no tratamento aos devedores.

Que maravilha, o Senhor falou comigo! No quarto, próximo a meia-noite, Ele se dirigiu a mim. Quando sentei naquela cama, eu estava lendo os profetas maiores (Isaías, Jeremias e Ezequiel). Então, enquanto lia esses livros, o Senhor ia falando pelas Sagradas Escrituras. Não, meu amigo, no primeiro parágrafo talvez alguns pensaram que eu ouvi alguma voz audível, ou então, que o Senhor tinha manifestado extraordinariamente para me repreender. Nada disso. Eu estava em uma leitura devocional das Sagradas Escrituras, que já vinha seguindo durante muitos dias. Sim, o Senhor falou comigo através da Bíblia. Donde vocês esperavam que o Senhor falasse com um cristão?

Nós pentecostais não devemos fazer de nossa fé um espetáculo. Ouvindo muitos pentecostais parece que Deus bate-papo com eles até no MSN ou troca torpedos! Demonstram uma intimidade surreal. Certa vez ouvi um pregador que parou umas cinco vezes durante sua pregação, e quando parava ele olhava para o teto do templo e dizia como cara de espanto: “Deus, é isso mesmo que o Senhor quer que eu fale?”. O sujeito era sensacionalista beirando ao ridículo. Já tive notícias de pregadores que atendem o celular no meio da pregação. E adivinhem que está no outro lado da linha? Sim, o próprio Deus passando uma revelação. Seria cômico se não fosse trágico!

Antes que me chamem injustamente de antipentecostal, pois sou muito feliz por ser pentecostal, creio que Deus fala por meio de profecias, visões, sonhos e línguas interpretadas. Agora, o Senhor da paz não faz desses eventos um espetáculo circense e nem usa desses recursos para sobrepor a revelação escrita, que são as Sagradas Escrituras. Todas as profecias, sonhos, visões e revelações estão sujeitas à Palavra de Deus. Agora, melhor do que uma profecia, nada é melhor do que o Senhor falar diretamente como você na leitura devocional das Escrituras Sagradas.

Sola Scriptura!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Eis a necessidade: mais investimentos em educação!

O ano de 2010 está chegando e todos verão a impressionante manobra de esforços efetuados pelas denominações evangélicas para eleger seus “representantes”. As grandes igrejas fazem comissões, investem em divulgação, promovem viagens e até campanhas nos púlpitos. Essa politicagem já foi discutida algumas vezes no Blog Teologia Pentecostal, e o texto de hoje não tem esse foco. Mas nesse momento cabe uma discussão séria sobre as prioridades de uma organização evangélica.

O que é mais importante: altos investimentos em política ou altos investimentos em educação? Qual a melhor forma de expressar uma visão de mundo cristã, sendo um político ou um professor? É claro que a educação é mais importante. Sim, a política tem o seu valor, principalmente no que tange ao âmbito legislativo. Mas política não tem o mesmo impacto na sociedade do que a educação. Infelizmente as igrejas só pensam em política e esqueceram-se da educação.

Cadê as nossas escolas primárias e universidades? Cadê centro de pesquisa acadêmicos capazes de criar uma massa pensante e analítica no meio evangélico? Será que os evangélicos só pensam em criar vereadores e deputados, além do tão sonhado “presidente evangélico”? Será que se esquecem da poderosa ferramenta que é a educação sólida e bem aplicada?

Motivação errada

Afogada no pragmatismo imediatista, a igreja evangélica brasileira, especialmente a pentecostal, priorizou a política por motivos escusos, tais como obtenção de vantagens junto aos poderes da República. Os nobres deputados evangélicos estão realmente empenhados na construção de uma cosmovisão cristã? Se a resposta for um sim, infelizmente os fatos concretos desmentem.
Portanto, é impressionante verificar como a igreja evangélica brasileira é contaminada pela cultura desse país. Assim como os brasileiros não dão muito valor para a educação, os evangélicos agem pelo mesmo caminho. Precisamos agir como uma contracultura.

domingo, 12 de julho de 2009

Os dez pecados da igreja contemporânea

O leitor Felipe Huvos Ribas pediu uma análise sobre uma pregação do pastor batista calvinista Paul Washer. A pregação se refere as “Dez acusações contra a igreja moderna”. Os pontos estão logo abaixo e faço a análise logo depois da frase. Mas adianto que os pontos defendidos por Paul Washer são importantes e relevantes, além de verdadeiros.

- Primeira acusação: Uma negação prática da suficiência das Escrituras

Infelizmente esse pecado afeta diretamente os pentecostais. Muitos falam em suficiência das Escrituras, mas ao mesmo tempo apelam para profecias, revelações, sonhos e palavras pastorais com a mesma autoridade bíblica. Muitos se comportam como se os seus pastores fossem papas e tudo o que dizem vale como doutrina.

- Segunda acusação: Um desconhecimento de Deus

Outra acusação coerente com os nossos dias. Uns dizem em tom anti-intelectual que “Deus não é para ser entendido, mas para ser adorado”. Ora, há um real perigo em não buscar um conhecimento de Deus e sobre Deus. O grande perigo é a adoração de um falso deus. Precisamos buscar conhecimento sobre Deus na intimidade e intelectualmente.

- Terceira acusação: Uma falha ao falar da depravação do homem

Mais um ponto de deficiência. Vivemos em uma sociedade que os homens já não têm consciência de pecado. Nesse estado é preciso um resgate do conceito de “depravação humana”. Agora, levar tal doutrina ao extremo é perigoso. O homem, apesar de caído (ou depravado), ainda manifesta a imagem de Deus. Como lembra o teólogo e filósofo Francis Schaeffer:

Gostaria de acrescentar aqui que os evangélicos frequentemente têm caído no grave erro de destacar demasiadamente o fato de que o homem está perdido e debaixo da ira de Deus, sugerindo que ele é um nada- um zero à esquerda. Não é isso que a Bíblia diz. Há algo de grandioso no homem, e talvez tenhamos perdido nossa maior oportunidade de evangelização, em nossa geração, por não frisarmos que é a Bíblia que explica por que o homem é grandioso. Entretanto, o homem não é só nobre... Mas também é cruel... O segundo dilema é o contraste que existe entre a dignidade humana e sua crueldade. [1]

Portanto, precisamos pregar sobre a depravação do homem e também sobre a imagem e semelhança de Deus.

- Quarta acusação: Uma ignorância do Evangelho de Jesus Cristo

Isso nem se fala. Ignorância é o que não falta sobre o Evangelho de Jesus Cristo. Se prega falando sobre o Evangelho, mas na realidade está longe disso. Fala-se em evangelho pleno pregando um falso “evangelho da saúde e prosperidade”.

- Quinta acusação: Um desconhecimento da doutrina da regeneração

Esse é um fato grave. Um dos maiores pecados da Igreja Católica foi o esquecimento do “nascer de novo”. Infelizmente a igreja evangélica corre para a mesma derrocada. Quase mais não se prega sobre o “nascer de novo”, pois esse tema não encontra espaço dentre dos arraias triunfalistas. Não pregar o “nascer de novo” é deixar o básico da mensagem cristã.

- Sexta acusação: Um apelo não-bíblico.

Nossa consciência deveria focar que a salvação está em Cristo. Quem opera o arrependimento no homem é o Espírito Santo. Não adianta empregar técnicas de marketing, persuasão através do medo ou ainda a manipulação emocional. Fato é que esses métodos não produzem conversão genuína. Cabe a igreja convidar o homem ao arrependimento e apelar para o Espírito Santo, que convence o pecador da justiça e do juízo. O teólogo e psicoterapeuta Antônio Tadeu Ayres escreveu:

Não há dúvida de que, na época, o método (do apelo) deu resultado e que, também em nossos dias, conversões genuínas têm ocorrido através dele. Entretanto, não se pode negar que, em alguns casos, esta maneira de proceder tem sido ainda a causa de enfermidades emocionais, pois procura mostrar um Deus terrível e castigador ao invés de um Deus de bondade e justiça. [2]

- Sétima acusação: Uma ignorância sobre a natureza da Igreja.

Outro grave erro. A igreja é a comunidade de salvos, não grandes e luxuosos templos ou denominações burocráticas e politiqueiras. A igreja é o corpo místico de Cristo, que reúne gente de toda tribo, língua, povo e nação. Não é parede e nem cadeira, muito menos depende de um teto. Infelizmente a cultura “templista” no Brasil, de herança no catolicismo romano, leva muitos a esquecerem o real sentido de igreja, que é a comunidade de fiéis.

- Oitava acusação: Uma falta de disciplina eclesiástica amorosa e de compassiva.

Há dois extremos na igreja brasileira. Ou se disciplina por besteiras, principalmente em questões ligadas aos usos e costumes, como disciplina por usos de jóias ou corte de cabelo (acusações que só recai sobre as mulheres). Ou não se disciplina do modo algum. Muitas igrejas esqueceram a arte da disciplina, que não tem como propósito piorar a vida de um transgressor, mas levá-lo a recuperação. Disciplina é para tirar o pecado da congregação e não para humilhar alguém.

- Nona acusação: Um silêncio sobre santificação.

Santificação. Os legalistas distorcem com suas regras extrabíblicas, do tipo “não proves, não manuseeis, não toques”. Os libertinos distorcem pelo seu modo dissoluto de viver a vida. Portanto, uma igreja legalista (tudo é pecado) e uma igreja libertina (é proibido proibir) distorcem por completo a mensagem de santificação.

- Décima acusação: Uma substituição do que as Escrituras dizem a respeito da família pelo que psicologia e sociologia falam.

A psicologia e a sociologia têm grande valor. Ora, são ciências humanas importantes para o desenvolvimento social do Século XX e XXI. Agora, os valores bíblicos é que devem nortear a vida e a família cristã. Psicólogos e sociólogos comprometidos com valores mundanos usam sua ciência para ensinos perniciosos, que levam a permissividade abusiva. É preciso examinar tudo e reter o que é bom. Felizmente hoje em dia há muitos psicólogos cristãos que fazem uma autocrítica de sua atividade. Agora, até psicólogos não cristãos sérios e comprometidos com o método científico não ficam conformados com tudo o que Freud ou Jung falaram. São eternos pesquisadores.

Portanto, os pontos citados por Paul Washer são importantes para a atual geração. Diante disso lembramos que as pedras estão clamando!

Referências Bibliográficas:

[1] SCHAEFFER, Francis A. O Deus que se Revela. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002. p 41.

[2] AYRES, Antônio Tadeu. Apelo: convite ou ameaça? “Mensageiro da Paz” janeiro de 1998. In. MESQUITA, Antônio Pereira de (ed.). Artigos Históricos Mensageiro da Paz Vol. 3. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p 165.

sábado, 11 de julho de 2009

Mais Calvino

Leia na edição de domingo do jornal Folha de S. Paulo, um especial sobre João Calvino e sua obra. O textos saíram no caderno Mais.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Calvino: 500 anos!


É inegável. Calvino foi um dos maiores teólogos da história. Concordando ou não com suas premissas, não podemos esquecer da grande contribuição desse francês, nascido no dia 10 de Julho de 1509. Parabéns a todos os calvinistas, aos protestantes e aos cristãos, como um todo!

A Deus toda a Glória!
*Ilustração divulgada hoje no jornal “O Estado de S. Paulo”

Jesus, o Filho Eterno de Deus

Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD)- 1 João: Os fundamentos da fé cristã e a perfeita comunhão com o Pai

Nenhuma era sobre Ti poderá somar seus anos;
Deus amado! Tu és, Tu mesmo, a Tua própria eternidade.

Frederick W. Faber

O Deus que encarnou, ou seja, tomou a forma de carne e viveu entre os humanos, sem deixar nenhum dos seus atributos divinos, esse é Jesus Cristo, ao mesmo tempo plenamente Deus e plenamente homem. O apóstolo João lutou muito nessa epístola para passar a suas ovelhas as verdades eternas sobre a pessoa de Jesus Cristo, uma cristologia que condizia com o mestre que o escritor conviveu por mais de três anos, sendo um tempo suficiente para entender a eternidade de Cristo.

Quem é Jesus? O apóstolo João descreve muito bem no prefácio dessa carta, e especialmente na primeira frase.

O que era desde o princípio...

Nessa pequena frase João descreve que Jesus é eterno. A eternidade de Jesus Cristo indica que Ele nunca terá um fim, mas também indica que Cristo nunca teve um início. Ele já era no princípio, Ele não se tornou, Ele já era pleno. Assim como as demais pessoas da Trindade, o Filho, assim como o Pai e o Espírito Santo não tiveram início e nunca terão fim. Por quê?
Deus é um ser atemporal. Ou seja, Ele está fora do tempo. Não nasce, não cresce, não envelhece. Deus não tem relógio, não comemora passagem de ano e nem marca um X no calendário. O SENHOR é o criador do tempo, que é uma das primeiras criações, e é o homem que está “preso” no tempo. Portanto, é difícil para o homem temporal entender o atemporal. Racionalmente a humanidade está acostumada com relógios e calendários.

Agora, muita atenção deve ser dada ao referir-se a Deus como atemporal. Isso não significa que Deus não se envolva no tempo. Ele é naturalmente atemporal, mas ao mesmo tempo trabalha com o tempo que Ele mesmo criou. Deus, nas três pessoas, intervém na história, Deus age no tempo. Alguns exegetas até defendem que o melhor para definir a eternidade bíblica não é o “atemporal”, mas sim o “tempo indefinido”. O termo hebraico (´olam) e grego (aion) para “eternidade” pode significar “durações indefinidas e incalculáveis”.

O apóstolo Paulo mostra muito bem como Deus age no tempo. Em Gálatas 4.4 está escrito “Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho”. Portanto, o SENHOR não é alguém distante e que deixa o mundo seguir seu rumo. O SENHOR intervém na história, mas também não produz robôs, já que os homens ainda exercem certa liberdade. E a maior intervenção de Deus na história é a Encarnação de Jesus Cristo.

Atrelada a eternidade de Cristo, há o conceito de preexistência. O apóstolo João enfatiza muito a preexistência de Jesus no Evangelho e volta a destacar em sua carta (cf. Jo 1.15; 8.58; 17.5,24). Jesus, portanto sempre existiu, pois Ele é eterno. Isso é um aspecto de Sua divindade.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O que é ser cheio do Espírito Santo?

- Ser cheio do Espírito Santo não é adotar “usos e costumes” de uma denominação legalista.

- Ser cheio do Espírito Santo não é manifestar dons carismáticos no culto, tais como profecias, curas, revelações, milagres e línguas. A igreja de Corinto manifestava os dons e ao mesmo tempo a carnalidade.

- Ser cheio do Espírito Santo não é participar de liturgias estranhas e bizarras, tais como “unção do leão, da lagartixa, da gargalhada” etc.

- Ser cheio do Espírito Santo não é adotar o evangeliquês (idioma dos evangélicos), usando expressões como “varão”, “fogo”, “vaso”, “mistério”, “êita glória” etc.

- Ser cheio do Espírito Santo não é histeria e nem gritaria. Para mostrar a espiritualidade não é necessário partir para shows pessoais.

- Ser cheio do Espírito Santo não é nostalgia, ou seja, aqueles que só gostam de coisas do passado.

- Ser cheio do Espírito Santo não é o mesmo que ser pentecostal.

- Ser cheio do Espírito Santo não é adotar um eterno estado de tristeza e desprezo pela alegria.

- Ser cheio do Espírito Santo não é passar muito tempo como membro de uma igreja evangélica.

...

Então, o que é ser cheio do Espírito Santo?

É o manifestar do caráter de Jesus Cristo em nosso viver diário. Deixar o controle do Espírito Santo em nossas vidas. Manifestar o fruto do Espírito. Simples assim!

terça-feira, 7 de julho de 2009

E haja milagre para a clientela!

Muitos pentecostais ficam preocupados com a ausência de algum milagre nos cultos que participam. Agora, parecem que esquecem que a natureza do milagre é a raridade. Milagre não pode ser um evento ordinário, mas sim extraordinário. Portanto, milagre é exceção e não a regra. Quem se preocupa demasiadamente com milagres acaba abraçando equívocos.

Diante da pressão por milagres em igrejas pentecostais, muitos apelam para a “fabricação” de supostas situações de milagres. Fazem orações por “doenças” mais simples, como uma dor de cabeça ou uma dor na perna. Apresentam-se como especialistas em curas e libertações e acabam distorcendo o culto cristão para agradar a clientela que veio buscar essas manifestações.

Milagres existem para os crentes hodiernos, ninguém está colocando em dúvida disso, principalmente nesse espaço pentecostal. Todavia é um sinal de grave imaturidade e mundanidade numa igreja que foca seu ministério em sinais e prodígios. O foco da igreja é claro: evangelismo e discipulado. Milagres são apêndices!

Portanto é lamentável ver igrejas expondo cartazes do tipo “A noite dos milagres”, “O dia de sua bênção”, “A semana dos milagres impossíveis (sic)” etc. O que é isso senão propaganda barata e um sensacionalismo daqueles que esqueceram a simplicidade do Evangelho? Estão servindo a Deus pelo o que Ele é ou pelas possibilidades de bênçãos?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Deve uma denominação apoiar candidatos políticos?

As maiores igrejas evangélicas do país vão apoiar candidatos próprios para as eleições de 2010, principalmente denominações pentecostais e neopentecostais, à semelhança das demais campanhas eleitorais. Nesses apoios sempre o discurso é o mesmo: “Precisamos combater leis perversas e antibíblicas”. É caro leitor, não encare esse blogueiro como apolítico, pois a política é um assunto muito importante e essencial para a civilidade. Agora, algumas perguntas não podem calar:

Por que muitos dos “representantes” das igrejas são parentes de primeiro grau dos grandes “caciques” denominacionais?

Engraçado. A vocação política muitas vezes atinge somente os parentes dos líderes denominacionais, ou pessoas de extrema intimidade familiar. Estranho isso. Não que os parentes de pastores líderes não possam se candidatar, mas precisam que eles sejam os representantes oficiais de uma determinada igreja?

As denominações medem as consequências de uma aliança política?

Algumas cidades pequenas do interior nordestino e nortista encaram a política e grupos políticos com a mesma paixão futebolística. Muitas vezes beira ao fanatismo. Gerações familiares votam, muitas vezes, no mesmo grupo político. Maridos brigam com suas esposas e esposas com seus maridos, se o mesmo votar no grupo que o outro ou a outra odeia. Dificilmente existirá nessas cidades pessoas neutras, que votam conforme as propostas apresentadas. Esse problema é fruto do coronelismo político controlado pelas oligarquias familiares que dominam o cenário político dessas pequenas cidades, perpetuando a miséria e a corrupção.

Então, imagine nesse quadro de fanatismo uma igreja apoiando candidato A ou B. Pelo menos metade da cidade odiará aquela igreja pelo apoio dispensado para determinado candidato. Isso é horrível. Um quadro comum em muitas cidades pequenas, sendo fruto de alianças insensatas de pastores sem entendimento. Fora quando os próprios pastores não vendem os votos de suas ovelhas, sendo algo certamente diabólico!

Aliás, qual o motivo para uma denominação nomear representantes?

Quase todas as denominações nascerem com um ideal de propagar o Evangelho. Então, qual o motivo de envolvimento político-partidário? A missão primordial da existência dessas igrejas não seria a evangelização e discipulado? Onde a política entra na Grande Comissão? Estão abraçando uma visão de construção da cosmovisão cristã ou na verdade estão abraçando a “teologia” do domínio?

Alguns perguntam: Como podem surgir candidatos evangélicos sem o apoio das denominações? Simples! Todo aspirante político deve crescer sem padrinhos, sejam eles religiosos ou empresariais. Devem buscar um envolvimento nos partidos para o seu próprio crescimento, por propostas inteligentes e eficientes. Se receber patrocínios sem garantias em troca, tudo bem, mas o que não pode é fazer negociatas.

Alguém responde: “Deixa de ser ingênuo blogueiro... Ninguém ganha eleições sem apadrinhamento”. Realmente é difícil que isso ocorra, mas não é impossível. Aliás, o padrão de política dos evangélicos será a falcatrua dos ímpios? “Não ameis o mundo... não vos conformeis com esse mundo”... Assim não diz as Santas Escrituras? Se não ganhar é melhor do que se sujar!
Alguém poderia responder essas perguntas?

PS: A questão do exemplo de moralidade!

Os “representantes evangélicos” estão defendendo a moral nas instituições políticas?

Será que enquanto lutam legitimamente contra o aborto, alguns “irmãos” estão envolvidos em atos secretos do Senado ou nos “esquemas” da Câmara? Por que a Bancada Evangélica não assina um manifesto pelo afastamento do presidente do Senado José Sarney (PMDB- AP)? Por que a Bancada Evangélica como um todo não efetuou uma oposição aos escândalos nos casos Renan Calheiros (PMDB-AL) e Antônio Carlos Magalhães (antigo PFL-BA)? São eles também lenientes com a podridão? Os nobres deputados e senadores estão presos as imoralidades dos partidos que fazem parte? Por que a Bancada Evangélica não luta contra os atos secretos do Senado e no aumento de salário dos nobres deputados, defendida pelo baixo clero? Por que a Bancada Evangélica não se mobiliza para mostra à opinião pública que é um paladino da moralidade?


Os caros deputados evangélicos devem se preocupar com as leis a favor do aborto ou leis absurdas com a PL 122/2006, mas também deveriam ser exemplos da tentativa de moralização da Câmara e do Senado.

É necessário que essa Bancada Evangélica seja sal da terra dos três poderes, pois se não for, só prestará para ser “jogada fora” nas eleições de 2010.

domingo, 5 de julho de 2009

Como é horrível a arrogância “espiritual”

- Como são horríveis esses “profetas” que estão acima da crítica. Certamente são tão perfeitos que nada devem (?). São aqueles que dizem que só respondem a Jesus e não devem satisfação a ninguém. Horrível!

- Como são horríveis esses “profetas” que anunciam “grandes e tremendas revelações”, que dizendo eles, sacudiriam o Brasil e seriam estampadas nas primeiras páginas dos jornais. Bendita a Bíblia que não deixa espaço para “megamaníacos” evangélicos.

- Como são horríveis esses arrogantes “homens de Deus” que tentam diluir as críticas dizendo indiretamente que eles são “o cara”.

- Como são horríveis esses homens que tentam se igualar a Paulo e João. Portam-se como detentores de novas verdades. Pensam que para ser pentecostal precisam desses espetáculos que cheiram heresias, modismos e extravagâncias litúrgicas.

- Como são horríveis esses “profetas” que erram em suas “profecias” e depois tentam fazer uma leitura metafórica dessas mesmas palavras. Como seria bonito reconhecer o erro e esquecer esse equívoco!

- Como são horríveis aqueles que tentam justificar seus erros analisando o erro alheio. Jesus já tinha condenado isso...

Ah, lembrando que qualquer semelhança é mera coincidência!

sábado, 4 de julho de 2009

Os protestantes não mataram e nem salvaram o Brasil

Na década de 1980, surgiu no Brasil um livro polêmico do sociólogo Delcio Monteiro de Lima intitulado Os demônios descem do norte [1], nessa obra Lima defendeu a tese que os pastores são agentes da CIA (polícia secreta americana) para combate dos comunistas. O título do livro já mostrava a imagem “amigável” desse autor sobre os protestantes norte-americanos que evangelizavam o Brasil.

Não só Delcio Lima era um desconfiado. Outros estudiosos católicos disseram o mesmo. No México da década de 1920, Regis Planchet escreveu:

O protestantismo é uma forma do capitalismo norte-americano, elemento conquistador, amigo do capitalista e inimigo do trabalhador, que se tem proposto mediante suas escolas, seus templos e seus esportes a americanizar o povo.

Waldo Cesar, na década de 1960 escreveu:

O protestantismo latino-americano se estabeleceu aqui no “ventre” de uma intervenção estrangeira e leva as marcas do sectarismo e individualismo que a caracterizam. Resultou, pois, de uma aculturação que nada tem a ver com a nossa origem e formação histórica e num subproduto das conquistas políticas, econômicas e culturais dos séculos passados. [2]

Ainda, no passado colonial, já havia um temor diante do avanço protestante. O padre Antônio Vieira escreveu o famoso Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda, em que, muito preocupado, faz a seguinte oração:

Enfim, Senhor, despojados assim os templos, e derrubados os altares, acabar-se-á no Brasil a cristandade católica, acabar-se-á o culto divino, nascerá ervas nas igrejas como nos campos, não haverá quem entre nelas. Passará um dia de Natal, e não haverá memória de vosso nascimento; passará a Quaresma e a Semana Santa, e não se celebrarão os mistérios de vossa Paixão. Chorarão as pedras das ruas, como diz Jeremias que choravam as de Jerusalém destruída: “As ruas de Sião choram, porque não há quem venha às solenidades”. Ver-se-ão ermas e solitárias, e que as não pisa devoção dos fiéis, como costumava em semelhantes dias. Não haverá missas, nem altares, nem sacerdotes que as digam; morrerão os católicos sem confissão nem sacramentos; pregar-se-ão heresias nestes mesmos púlpitos, e, em lugar de São Jerônimo e Santo Agostinho, ouvir-se-ão e alegrar-se-ão neles os infames nomes de Calvino e Lutero; beberão a falsa doutrina os inocentes que ficarem, relíquias dos portugueses, e chegaremos a estado, que, se perguntarem aos filhos e netos dos que aqui estão: menino, de que seitas sois? Um responderá: eu sou calvinista. Outro: eu sou luterano. [3]

É claro, a visão apocalíptica de Vieira não aconteceu. Temos Natal, e as igrejas não foram tomadas de ervas. Também não existe uma ligação ideológica com o capitalismo americano de víeis liberal nas igrejas brasileiras, conforme do mexicano Regis Planchet acusava. Pelo contrário, mesmos os adeptos da Confissão Positiva, não assumem posição político-econômica alguma, senão suas crendices supersticiosas e antibíblicas [4]. O pentecostalismo e o neopentecostalismo brasileiro são bem brasileiros, com poucos resquícios europeus e americanos. Pelo menos, em nossos dias, os vícios e mazelas das igrejas refletem a nossa cultura do jeitinho e da aética. Somente no Brasil é possível a proliferação de um movimento bizarro (para falar o mínimo) denominado como “reteté” e que ainda atribuem a uma ação do Espírito Santo.

Portanto, o Brasil não acabou porque os protestantes avançaram. Logo, o dito protestantismo que aqui avanço longe está de suas raízes. Mas enquanto os protestarem não mataram o país, também não salvaram.

Nada mudou

O Brasil continua sincrético, místico, idólatra, supersticioso, corrupto etc. Em lugar das igrejas evangélicas colaborarem com a erradicação desses vícios e pecados, pelo contrário, tem alimentado essas misérias. É uma igreja que não influencia a cultura, mas é influenciada por ela. As igrejas rodam e alimentam esses vícios e ainda os “santificam”, o que é pior!

Quantos pastores pregam em rádios piratas e contam um testemunho de como escapou da polícia por não ter a carteira de motorista regularizada. Os evangélicos avançam pelos morros cariocas, e os traficantes conseguem conviver numa boa, nem um pingo incomodados pelos pregadores, e continuam com o seu tráfico e assassinatos.

O mal não começou somente com os carismáticos. Grande parte das igrejas tradicionais apoiaram a ditadura militar sob alegação de que as alternativas eram piores ( e realmente eram, pelos menos equivalentes, pois se resumiam em outras ditaduras). Mas isso não justifica. Então, por que não propuseram uma nova alternativa democrática? Entre a ditadura dos militares e a ditadura dos stalinistas, a igreja poderia ser aquela voz profética democrática, defendendo o Estado de Direito e a liberdade.

Infelizmente ainda falta um genuíno avivamento nas terras tupiniquins, para que essa sociedade possa mudar os seus valores, e assim agir de maneira mais humana. Um protestantismo como nome de “evangélicos”, que anda distante das Escrituras jamais poderá mudar essa terra.

Notas e Referências Bibliográficas:

[1] LIMA, Delcio M. Os demônios descem no norte. Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves, 1987. p 155. No seu mandado, o presidente venezuelano Hugo Chávez tem impedido o trabalho de missionários americanos nas tribos indígenas sob a mesma alegação ridícula. Leia um trecho da tese de Dércio: “Os movimentos autônomos de cunho religioso, notadamente os de cunho pentecostal e neopentecostal, surgidos nos EUA desde meados do século 19 até a atualidade, são sub-produtos de um capitalismo que necessitava de uma base ideológica para se sustentar em seus desatinos de exploração e criação de subsistemas, para retro alimentar os mecanismos de dominação ideológica e manutenção de poderes da matriz do grande capital- os EUA... Entra em cena a CIA e a facilitação da implantação das seitas eletrônicas americanas em terras latino americanas como uma reação ao “perigo” que representava a Teologia da Libertação e a organização popular que os padres e bispos que seguiam esse movimento teológico promoviam, através das CEBs., do sindicalismo e da organização dos trabalhadores rurais.”

[2] FERREIRA, João Cesário Leonel Ferreira (org.). Novas Perspectivas Sobre o Protestantismo Brasileiro. São Paulo: Fonte Editorial e Edições Paulinas, 2009. p 44.

[3] VIEIRA, Antônio. Sermões do Padre Vieira. Porto Alegre: L&PM, 2007. p 86-87.

[4] A intitulada “Teologia da Prosperidade” (TP) não é nem de longe um víeis econômico liberal. Enquanto os economistas liberais pregam uma prosperidade pelo livre mercado e por esforço do indivíduo empreendedor, a TP prega uma prosperidade espontânea e mística por intermédio de uma intervenção divina, fruto de um processo de trocas (sacrifícios que resultam em bênçãos). É claro que a TP também não é socialista ou social-democrata. Portanto, são ridículas essas analogias em que a TP é o liberalismo econômico na religião e a Teologia da Libertação (TL) é o socialismo na religião, e por isso rivalizam. Isso não faz sentido. A TP é mera construção teológica deturpada e mística, já que tem raízes na seita Ciência Cristã. Não é à toa que o maior propagador da TP, o senhor Edir Macedo, é um aliado político do governo Lula, mediante o seu partido. Já a TL é realmente de viés socialista e os seus ideólogos não escondem isso, e também estão com o governo Lula.