terça-feira, 29 de setembro de 2009

Escatologia da tese furada

Se você lia um livro de escatologia na década de 1980, logo você estava acreditando na tese de que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) dominariam o mundo e o anticristo teria o seu triunfo. Graças ao bom Deus, o muro de Berlim caiu em 1989 e o comunismo soviético também. Tese então furada.


Se você lia um livro de escatologia na década de 1990, você logo acreditava que a globalização conduzida pelos Estados Unidos da América seria a porta para a manifestação do anticristo. A história mostra que a globalização é só um fenômeno financeiro, e não geopolítico. Mais uma tese furada.


Agora, alguns escatólogos defendem que o anticristo virá e dominará pela China. Será então mais uma tese furada? Tudo indica que sim.


O fim vem, vem o fim, como dizia o profeta, mas não devemos brincar de adivinhar o futuro. Lendo as Escrituras sabemos que o juízo virá, mas é impossível determinar as posições de nações e como a humanidade se comportará. Sejamos prudentes, para não pregarmos besteiras. Maranata, Ora Vem Senhor Jesus!

domingo, 27 de setembro de 2009

Por que os protestantes tradicionais contribuem mais que os pentecostais?

Ainda novo convertido, visitei uma Igreja Batista tradicional que alguns dos meus parentes frequentavam. Conversa vai, conversa vem, o meu tio, que na época era cooperador na igreja, disse para mim, que a oferta era arrecada somente nos cultos dominicais. Fiquei admirado, e logo perguntei como uma igreja poderia se sustentar somente com uma oferta por semana. Ele então me disse que as finanças da igreja iam muito bem.


Tempos depois visitei uma Igreja Presbiteriana Independente, que um amigo é membro. Lá, no dia houve um momento de oferta e a igreja arrecadou muito dinheiro. Então, admirado, perguntei: - “É sempre assim, com essa grande arrecadação?” Ele então me respondeu: - “Sim, mas aqui só temos um dia por ano em que os irmãos ofertam”. Eu, mas admirado ainda, perguntei: - “Mas como? Um único dia de oferta? Como essa igreja se mantém?” Ele então respondeu: - “Somente com dízimos. Mas os irmãos se preparam o ano todo para a oferta desse único dia”.


Esses dois fatos me levaram a conclusão que os protestantes tradicionais contribuem mais que os pentecostais. E detalhe: os tradicionais dedicam pouquíssimo tempo para falar em dízimos e ofertas, e não prometem bênçãos mediante “pagamento” e nem fazem terrorismo usando um tal de “devorador”, baseado em um interpretação duvidosa de Malaquias.


Agora, a minha conclusão tem bases científicas. Segundo pesquisa nacional, realizada pelo Instituto Análise, os protestantes tradicionais contribuem com uma média mensal de 36 reais, enquanto os pentecostais doam 31 reais. Alguém pode dizer que os tradicionais, normalmente, pertencem a classes sociais melhores que os pentecostais. Mas somente isso não explica a diferença. Segundo os organismos de pesquisa, os católicos praticantes pertencem a classes melhores que os protestantes tradicionais, mas mesmo assim, os católicos só contribuem com 14 reais em média. A classe social não explica tudo, senão os católicos praticantes seriam os maiores contribuintes.


Fato é que os protestantes tradicionais mostram que contribuem mais por convicção, do que pressão. Contribuem porque querem, porque acham importante, porque enxergam sua doação como uma forma de ajudar a sua igreja em sua missão. Enquanto isso, muitos pentecostais contribuem em busca de bênçãos, ou por medo de uma suposta maldição. Então, entre contribuir voluntariamente e contribuir por pressão, as ofertas voluntárias ganham em valor e qualidade, além de embasamento bíblico.


Muitas vezes vi em reuniões evangelísticas aquele momento longo de petição de ofertas. Sinceramente, sempre fiquei constrangido. Como nós, podemos sem nenhum pudor pedir ofertas para descrentes? Mas os pentecostais não perdem a mania em qualquer culto de pedir ofertas. Por que não ensinar uma contribuição bíblica, voluntária, liberal? Sem pressões, sem práticas abusivas e antibíblicas!


Certa vez preguei que dízimos e ofertas era uma atitude voluntária e não pressão para bênçãos ou um meio de evitar presságios. Então, ouvi de um líder evangélico, me repreendendo: - “Se você continuar pregando assim, as pessoas deixam de contribuir”. Ora, muito pelo contrário, quanto mais ensinamos a voluntariedade bíblica, mas o povo contribuirá com amor. Assim os tradicionais nos ensinam na prática, e a Bíblia nos ensina no papel.

Obras recentes do mercado que recomendo ou não recomendo

Caro amigos, segue uma pequena lista de livros recentemente lançados que recomendo ou não recomendo. É só um conselho de amigo, e não uma “opinião dogmática”.


Bíblia de Estudo Dake (CPAD e Editora Atos)


Não gostei do lançamento da Bíblia de Estudo Dake. Ora, Finis Jennings Dake influenciou bastante o “Movimento da Fé”. Alguém que certamente contribui para o maior mal da igreja evangélica no final do século XX, não é um tanto recomendável. Apesar de suprimida as opiniões heréticas de Dake, a publicação é desnecessária. As nossas editoras pentecostais passaram toda a década de 80 e 90, publicando material dispensacionalista, com opiniões que se mostraram falsas no decorrer dos anos. Até parecia que os editores tinham acabado com essa tendência de publicação dispensacionalista, que tenta adivinhar os pormenores do futuro, mas infelizmente isso ainda não acabou.


Além disso, A Bíblia de Estudo Dake abre um precedente perigoso. Não é recomendável publicar obras com conteúdo herético, mesmo que esses sejam retirados. Sabemos que a editora tomou o cuidado de editar a obra e retirar os pontos conflitantes, mas mesmo assim a imagem de Dake está intimamente ligada ao “Movimento da Fé”. Jimmy Swaggart, por exemplo, declarou certa vez que devia a sua educação teológica a Finis Dake. Ora, Swaggart não é exemplo de aluno que refletiu boas ideias do professor, mas sim o contrário. Mais do que avanço, a publicação é um retrocesso. Essa eu não recomendo!


Bíblia de Estudo Scofield (Editora Bom Pastor)


A editora Bom Pastor lançou recentemente a famosíssima Bíblia de Estudo Scofield. Apesar da importância histórica dessa obra, Scofield era um fundamentalista exagerado, que levava toda discordância para o campo da “heresia”. Ou seja, se alguém não concordava com ele em algum ponto secundário, esse logo era um herege. Ora, isso é um problema de todo fundamentalista, como mais recentemente o John MacArthur Jr expressa muito bem essa turma. Além disso, a obra é fundamentalmente antipentecostal. Essa eu não recomendo!


A Mensagem do Novo Testamento (CPAD)


O livro-comentário de Mark Dever é certamente recomendável. Essa obra incentiva a busca pelo aprofundamento exegético e pela aplicação prática das Sagradas Escrituras. Dever é pastor batista em Washington (EUA) e pauta seu ministério pela construção de uma igreja baseada em princípios bíblicos. Não só “A Mensagem do Novo Testamento” é recomendável, mas também “A Mensagem do Antigo Testamento”, do mesmo autor. Se você é pregador, essa obra será muito útil. Essa eu recomendo!


Como Deus Alcança e Usa Pessoas Imperfeitas (Editora Cultura Cristã e CPAD)


Esse livro de James I. Packer, o mesmo autor de Conhecimento de Deus (Editora Mundo Cristão) é altamente recomendável. Packer escreve com profundidade teológica e com um toque devocional muito forte. A obra Como Deus Alcança e Usa Pessoas Imperfeitas foi publicada em 2002 pela editora presbiteriana Cultura Cristã e agora será relançada pela CPAD. Essa eu recomendo!


O Livro Mais Mal-Humorado da Bíblia (Editora Mundo Cristão)


Ed René Kivitz faz uma leitura interessante do livro de Eclesiastes. O ponto bom da obra é a aplicabilidade no dia-a-dia do cristão do escrito de Salomão. Como é do gênero de Kivitz e seus amigos, alguns pontos são confusos, pois você não sabe muito bem a opinião do autor. Mas no geral, a obra é boa. Essa eu recomendo!


A Fé em Tempos Pós-Modernos (Editora Vida)


Charles Colson representa bem um apologista diante dos avanços secularistas. Nessa obra, juntamente com o romancista Harold Fickett, ele mostra com um cristão deve agir diante dos desafios do século XXI. O engraçado é que o livro foi recomendado por Bill Hybels. Isso pelo menos mostra que Hybels não agiu como um fundamentalista ao avesso, que rechaça os livros conservadores. Essa eu recomendo!


Ora, no geral acredito que cada um de vocês têm uma maturidade suficiente de ler e analisar cada obra, mesmo aquelas que eu não recomendei nesse post. Sabemos que devemos cultivar esse discernimento, para que não fiquemos dependes da opinião dos outros.

sábado, 26 de setembro de 2009

Lição 13 - A Segurança em Cristo

Subsídio preparado pela Equipe de Eucação CPAD
1 João 5.13-21


O propósito de João de escrever essa epístola foi expresso de forma muito simples: para que saibais que tendes a vida eterna. O evangelho, então, foi escrito para que as pessoas pudessem ter vida e a epístola para que elas soubessem que possuem essa vida. As palavras-chave da epístola são assegurar, confiança, saber e crer, bem como vida, amor e fé.


No versículo 14, João escreve: E esta é a confiança que temos nele. Em três oportunidades, João falou da confiança (parresia): duas vezes em conexão com o Dia do Juízo (2.28; 4.17) e uma vez em conexão com oração (3.21). “Assim mais duas ideias chave da epístola podem ser encontradas nessa recapitulação: ousadia para com Deus e amor fraternal; porque é o amor aos irmãos que nos leva a orar por eles”.


Essa confiança ou “ousadia” que vem do conhecimento de possuir a vida eterna resulta em uma confiança em relação à oração pelos irmãos. Se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. Alguma coisa não se refere a todos os pedidos que fazemos, independentemente de quão apropriados possam ser; esse termo se refere, primeiramente, a qualquer coisa referente à salvação de um irmão (16). Temos aqui a oração intercessora e insistente. Encontramos duas limitações nesse texto: primeiro a oração deve ser segundo a sua vontade. Ela é uma “identificação ativa com a vontade divina, um elevar da nossa vontade ao nível do desejo de Deus, não uma tentativa de persuadir Deus para satisfazer os nossos desejos”. Mas nem sempre é possível conhecer exatamente qual é a vontade de Deus. Nas palavras de Paulo: “não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). Contudo, em geral sabemos que é da vontade de Deus que todos gozem da vida eterna e tornem-se filhos de Deus.


Em segundo lugar, nossas orações são limitadas por aqueles por quem oramos – os irmãos. Os versículos 15-17 provavelmente se referem basicamente a alguém que pecou inadvertidamente (2.1-2) e por alguma razão persiste nesse pecado. Esse alguém continua sendo chamado de irmão e significa alguém que pertence à comunidade de crentes, mas que ao mesmo tempo, vive na iniquidade(v 17).


João faz uma distinção entre os tipos de pecados – alguns são para morte e outros não são. O pecado para a morte não é um pecado em particular, mas um pecar habitual. Devemos nos desfazer da ideia [...] de que “pecado para a morte” é um pecado que pode ser reconhecido por àqueles que estão próximos daquele que comete esse pecado [...] Ele sugere que alguns pecados podem ser reconhecidos como não sendo pecados “para a morte”: ele não diz nem sugere que todo ‘pecado para morte’ pode ser conhecido como tal.


Cometer o pecado [...] para morte é pecar voluntariamente e se “alguém persiste em pecar, isso acabará levando-o a um afastamento definitivo da vida divina. Há também um pecar que não é para morte. A diferença está na motivação da alma. Isso pode ser ilustrado por um homem em uma escada. Uma pessoa não pode determinar a sua verdadeira condição até que descubra se está indo para cima ou para baixo. Algumas pessoas em pecado estão lutando para sair enquanto que outras permitem afundar-se cada vez mais no pecado. Deus conhece a diferença, e somos assegurados de que Ele dará a vida àqueles que não pecarem para morte (16).


Não há aqui nenhuma sugestão ou implicação de um pecado ou um hábito de pecar que Deus não vá perdoar. João diz que um homem pode afastar-se de Deus e continuar se afastando até que não consiga mais ouvir a Deus; ele pode andar na escuridão até que esteja fora do alcance da luz.


Mas o tópico principal do apóstolo aqui é a oração, a oração intercessora, um corolário próximo do amor fraternal.

Orar assim é orar com fé, pedindo qualquer coisa, tudo pelos irmãos, mas deixando os resultados à vontade de Deus, que sabe o que está acontecendo. E para que não se pense que a incerteza por parte da pessoa que está orando pareça lançar dúvida sobre o fato do pecado ou pareça tratá-lo levianamente, ele diz que toda iniquidade é pecado (17). O pecado também “é iniquidade” (3.4). É melhor que não saibamos o que está acontecendo no coração de um irmão; acabaríamos sendo severos demais ou moles demais com ele. Não cabe a nós conhecer ou julgar. A nós cabe orar. Deus fará o restante.


A fórmula de João para a oração intercessora é ótima: 1) Ore pelos irmãos; 2)Orem em fé; 3)Ore sabendo que Deus ouve você; 4)Ore sabendo que Deus responderá de acordo com a vontade dEle.


Por meio dessa epístola, João continua falando a nós hoje, porque ele anuncia a Palavra viva de Deus. Seu êxito nessa tarefa depende de quão bem ouvimos e de quão bem, sob a orientação de Deus, tornamos a história atual. Amém!



Extraído:

TAYLOR. Ricahrd S. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Profetas do caos versus “profetas” da paz

“Hoje existem os profetas do caos, que dizem sobre uma crise na igreja evangélica. Ora, não existe crise”


Sim, essas foram às palavras de alguns pastores reunidos na Bahia para uma grande cruzada. Eles, que apoiam campanhas escandalosas de arrecadação, eles que apoiam movimentos heréticos, eles que apoiam modismos doutrinários, não conseguem enxergar nenhuma crise no cenário evangélico. Estão cegos... Acham que tudo está bem. Lembram os falsos profetas da época que Jeremias: “E curam a ferida da filha do meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz; quando não há paz” (Jr 6. 14)


Mas eu também acho que não existe crise no ambiente gospel. Ora, esses “pastores” nunca ganharam tanto dinheiro, nunca tiveram tantos patrocinadores. Sim, financeiramente não há crise. Agora, eticamente e doutrinariamente no pode ser dito o mesmo.


Portanto, é melhor ser um profeta do caos, e encarar a triste realidade da crise doutrinária e ética, do que pregar paz quando não existe essa paz.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"O cristão e o desenvolvimento científico" na visão de C. S. Lewis

Respostas dadas por Lewis a questões formuladas por empregados da Electric and Musical Industries Ltd., Heyes, Middlesex, Inglaterra, em 18 de abril de 1944.


Pergunta: A aplicação dos princípios cristãos daria um fim ou reduziria enormemente o progresso material e científico? Em outras palavras, é errado para um cristão ser ambicioso e lutar por progresso material?


Lewis: É mais fácil pensar num exemplo mais simples. Como a aplicação dos princípios cristãos afetaria alguém numa ilha deserta? Seria menos provável que esse cristão isolado construísse uma cabana? A resposta é “Não”. Pode chegar um momento em que o Cristianismo o diga para se preocupar menos com a cabana, isto é, se ele estiver a ponto de considerar a cabana a coisa mais importante do universo. Mas, não há nenhuma evidência de que o Cristianismo o impediria de construir um abrigo.


Ambição! Devemos ter cuidado sobre o que queremos dizer com essa palavra. Se for desejo de passar à frente de outras pessoas – que é o que eu penso que quer dizer – então, ela é uma coisa má. Se significar apenas desejo de fazer bem uma coisa, então é boa. Não é errado para um ator querer atuar tão bem quanto possível, mas desejar ter seu nome escrito com uma letra maior do que a de outros atores, isso sim é errado.


Tradução: Antônio Araújo

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mark Dever no Brasil




No dia 04 de outubro, às 17h30, na Igreja Batista das Nações Unidas, teremos a presença do pastor norte-americano Mark Dever. Para quem conhece a obra de Dever, já sabe o valor que esse pastor dá a pregação expositiva.

Para quem não conhece a obra de Dever, recomendo dois livros:

- A Mensagem do Antigo Testamento (CPAD)
- Nove Marcas de uma Igreja Saudável (Editora FIEL)

Em breve a CPAD lançará “A Mensagem no Novo Testamento”.

Estando na cidade de São Paulo, não perca esse evento.

As celebrações da Igreja Batista Nações Unidas acontecem no Centro de Convenções do World Trade Center – WTC Piso C (Acesso pelo Elevador Azul) Av. das Nações Unidas, 12.551 São Paulo, SP

domingo, 20 de setembro de 2009

Chega de clichês pseudopentecostais! Parte 03

A missão continua. São muitos os clichês que enchem os nossos púlpitos todo santo domingo. Na verdade, os nossos diálogos são sempre recheados de clichês e lugares-comuns, mas o problema é que o meio evangélico se especializou em usar do experiente com elementos antibíblicos. Precisamos dar um basta nessas frases de efeito...
Quem sentiu a presença de Deus nessa noite levante a mão!
O que é sentir a presença de Deus? É um arrepio ou frio na barriga? Na Bíblia há algo incentivo para sentir a presença de Deus fisicamente? Antes de procurar uma experiência sensorial o crente deve lembrar que se aceita a presença de Deus pela fé naquilo que está escrito nas Sagradas Escrituras: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20). Você não precisa sentir nada para saber que Jesus está ao seu lado no culto, basta acreditar nas palavras do Senhor registrada por Mateus.
A oração move o braço de Deus!
Esse clichê é horrível. Quer dizer que Deus é um boneco estático que se move conforme um pedido? Quer dizer que Deus é um bonequinho movido pelo homem? Quer dizer que Deus resiste em nos abençoar, mas que a oração pode quebrar essa resistência? Além de uma distorção da visão de Deus, essa frase mostra que para boa parte dos evangélicos a oração tornou-se mero momento de petição, e não de comunhão aprofundada com Deus.
Liga-se no Manto
Esse clichê significa o quê? É alguma liquidação de panos para cobertor?

Quem não paga o dízimo, gasta na farmácia
Essa frase é no mínimo uma aberração. Dízimo é nessa visão um amuleto de proteção contra os infortúnios da vida. Quer dizer que quem paga dízimo não fica doente? É possível fazer barganha com Deus?

Eu profetizo que Deus tem uma grande obra em sua vida
Essa é a obviedade da obviedade. Não existe um cristão pentecostal que ainda não tenha ouvido isso de algum “profeta”. A salvação é já a grande obra na vida de qualquer cristão, pois não está somente restrita para a vida eterna, mas tem efeitos direitos no nosso dia-a-dia.
Vamos ficar de pé para receber o pregador dessa noite
Essa é a pior. Reverência tola. Hoje em dia as igrejas não se colocam de pé nem para ler a Palavra ou para cantar com mais espontaneidade, mas fazem essa cerimônia toda para receber um pregador. Ainda por tudo dão a justificativa de “quem honra, honra”.

E a missão continua...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Testemunho Interior do Crente

Subsídio produzido pela Equipe de Educação da CPAD


Professor, converse com seus alunos explicando que João inicia o capítulo cinco fazendo uma recapitulação da sua mensagem. Quem crer que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus. Sabemos que estamos entre os renascidos quando amamos os filhos de Deus, amamos a Deus e obedecemos às Suas ordens. Somente um novo nascimento pode fornecer automaticamente esse tipo de vitória sobre o mundo (5.1-5). João fala de tríplice testemunho: Espírito, água e sangue, que autenticam o testemunho interior de Cristo como Filho de Deus (vv. 6-10). Este testemunho confirma o fato de que temos a vida eterna (vv. 11,12). Neste sentido, João escreve que agora sabemos que temos a vida eterna e podemos nos aproximar de Deus com a certeza de que Ele nos ouve (vv. 13-15).


I. Nascidos de Deus


“Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos” (1 Jo 5.2).
João ensina que a verdadeira fé em Jesus expressa-se em nossas vidas. Desde o momento em que vivenciamos amor aos outros e a Deus. E decidimos por nós mesmos obedecer aos seus mandamentos, passamos a entender o que é verdadeiramente nascer de novo.


II. Os Filhos de Deus e o Amor


João, anteriormente, disse que é uma característica do filho de Deus amar, uma vez que Deus é amor (4.7,8). Agora ele demonstra de igual modo que é uma característica do filho de Deus ser amado por aqueles que também são membros da família de Deus.
Todos acreditam que o amor é importante, mas o amor é normalmente considerado como um sentimento. Na verdade, é uma escolha e uma ação, como 1 Coríntios 13.4-7 demonstra. Deus é a fonte de nosso amor: Ele nos amou o suficiente para sacrificar seu Filho por nós. Jesus é nosso exemplo do que significa amar; todas as coisas que Ele fez em sua vida e morte deve ser considerada supremas demonstrações de amor. O Espírito Santo nos dá o poder de amar (Rm 5.5). Ele vive em nosso coração e nos torna cada vez mais parecidos com Cristo. O amor de Deus sempre envolve uma escolha e uma ação e nosso amor deve ser como o dEle. Como você demonstra seu amor a Deus em suas escolhas e atitudes?
João diz, “Deus é amor” e não “o amor é Deus”. Nosso mundo, com sua visão superficial e egoísta do amor, distorceu estas palavras e contaminou a nossa compreensão em relação ao amor. O mundo pensa que o amor é o que faz uma pessoa se sentir bem e que não há problema em sacrificar os princípios morais e os direitos dos outros a fim de obter tal “amor”. Mas este não é o verdadeiro amor; é exatamente o oposto — o egoísmo. E Deus não é este tipo de “amor”. O verdadeiro amor é como Deus, que é Santo, Justo, e Perfeito. Se verdadeiramente conhecermos a Deus, amaremos como Ele ama.


III. Os Filhos de Deus e a Obediência


O amor separado da obediência aos mandamentos de Deus não é amor. Assim, João imediatamente passa do amor para a questão dos mandamentos de Deus, dizendo “porque esta é a caridade de Deus, que aguardemos os seus mandamentos”. Com frequência os cristãos tentam transformar o amor por Deus numa experiência meramente emocional, mas João não permite isso; o amor pelo próximo significa o amor que se expressa “por obra e em verdade” (3.18). De igual modo, o amor por Deus significa um amor que se expressa na obediência aos seus mandamentos.


IV. O Tríplice Testemunho


A melhor explicação para o tríplice testemunho (5.6,7) é a apresentada por Tertuliano, no século segundo. “O Espírito é o Espírito Santo. A água é o batismo de Jesus pelo qual ele afirma a sua identidade conosco enquanto seres humanos. O sangue foi o vertido na cruz, através do qual ele aperfeiçoou a nossa salvação.
Os três testemunhos acima são objetivos. O Espírito realizou milagres através de Jesus. O Pai confirmou sua identidade no batismo e o Filho morreu, de fato, sobre a cruz, acontecimento este testemunhado por dezenas de pessoas. Quando alguém testemunha externamente de Jesus, Deus o Pai nos dá um testemunho no coração. A fé atua como o próprio testemunho. Ao crermos, de alguma forma sabemos que a história de Jesus é verdadeira. E nossa certeza é confirmada pela forma como Deus passa a atuar em nossas vidas.


Conclusão


Quem crê no Filho de Deus tem a vida eterna. Ele é tudo o que você precisa. Você não necessita esperar pela vida eterna, porque ele começa no momento em que você crê. Você não precisa trabalhar por ela, porque já é sua. Você não precisa se preocupar, porque recebeu a vida eterna do próprio Deus — e está garantida. Apenas mantenha-se fiel ao Senhor.


Extraído de:
RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2005. p. 896.
BOICE, James Montgomery. 1. ed. As Epístolas de João. Rio de Janeiro, CPAD, 2006. pp. 150,151.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro, CPAD, pp. 1786,1788.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Terroristas do púlpito!


Ontem sintonizei o meu celular em uma rádio FM de uma determinada igreja evangélica. Lá pelas quantas, o famoso fundador da denominação toma o testemunho de uma mulher supostamente curada de um câncer. Essa mulher estava em uma outra denominação, mas antes fora da igreja desse missionário. Ele então adverte:



Vocês não acreditam em mim, mas saibam que Deus fala comigo! Aquele que sair da nossa igreja sofrerá as consequências. Essa irmã saiu da nossa igreja para ir à outra igreja sem doutrina. Veja o que aconteceu. Na desobediência ela sofreu com um câncer. Ela passou pelo chicote de Deus e voltou... Voltou para a nossa igreja. 


Nesse momento uma multidão frenética grita “glórias a Deus” e “aleluia”. E o missionário continuou:


Deus falou para ela buscar a nossa igreja. Por que não mandou na outra? Sabe a razão? Lá não tem doutrina, lá tem televisão, tem vaidade, mas não tem doutrina. Precisamos temer a Deus e sua sã doutrina. 


E mais uma vez a sua fala, interpretada em espanhol, é interrompida por gritarias, como em um estádio de futebol.


Nesse momento, a mulher que contava o “testemunho” diz:


Eu voltei para essa igreja, pois onde eu estava não tinha cura...


Vozes da multidão dizem:


 Misericórdia, misericórdia! 


E o missionário interrompe e diz:


Lá não tinha cura porque não tem doutrina. 


Depois de ouvir toda essa palhaçada, fiquei imaginando como uma igreja dita evangélica usa do terrorismo psicológico para manter as pessoas em seus bancos e receber delas os seus dízimos. Ao ouvir essa coisa toda, logo lembrei desse versículo:


Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. (Mt 7. 21-23)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Entrevista com o Pastor James I. Packer

Leia a ótima entrevista publicada na extinta Revista Resposta Fiel, em junho/2005.



James Packer, pregador, conferencista, articulista frequente em periódicos teológicos e editor-executivo da revista evangélica Christianity Today.


James Iaann Packer foi considerado pela revista norte-americana Times, em edição de janeiro, um dos 25 evangélicos mais influentes nos Estados Unidos. Packer é notadamente um dos maiores teólogos da atualidade. Ele é autor do best seller teológico O Conhecimento de Deus e da obra O Plano de Deus para você, um dos grandes lançamentos da CPAD em 2005.


Packer nasceu em Gloucestershire, Inglaterra, em 1926, e estudou na Universidade de Oxford, onde formou-se em Teologia em 1952 e doutorou-se em Filosofia em 1954.


Em 1952, foi ordenado ministro, servindo como ministro-assistente da Igreja de Saint John, na Inglaterra, em Harborne, Birmingham, até que em 1954 foi convidado para ser professor sênior do Tyndale Hall, um seminário anglicano em Bristol, onde lecionou de 1955 a 1961. De 1961 a 1970, foi diretor do Latimer House, um centro anglicano de estudos evangélicos em Oxford.

Em 1970, retornou a Bristol para ser reitor do Tyndale Hall. Quando este fundiu-se em janeiro de 1972 com dois outros seminários evangélicos para se tornar o Trinity College, Packer assumiu a função de reitor associado da nova instituição.

Em 1979, tornou-se professor de Teologia Histórica e Sistemática do Regent College, em Vancouver, Canadá. Desde 1996, é presidente da mesa de professores de Teologia do Regent College. Casado e pai de três filhos, ele tem pregado e conferenciado em toda Grã Bretanha e América do Norte, e é um articulista freqüente em periódicos teológicos. É ainda editor-executivo da mais famosa revista evangélica do mundo, a Christianity Today, e foi editor-chefe da versão English Standard da Bíblia, publicada em 2001. Mesmo em meio a muitas atividades, professor Packer cedeu entrevista a Resposta Fiel, abordando o ecumenismo e o ensino do “esvaziamento” de Cristo.


RF O senhor escreveu um livro sobre o plano de Deus para o homem, publicado pela CPAD este ano. Qual é o propósito e a mensagem desta obra?


JI O livro foi publicado em inglês em 2001 e é uma espécie de suplemento para meu mais conhecido livro, O Conhecimento de Deus. Seus capítulos cobrem alguns aspectos do relacionamento com Deus, como alegria, autoconhecimento, santidade, transformação conforme a imagem de Cristo, comportamento diante da má saúde e das más situações, e como ganhar sabedoria e enfrentar a morte. Mas o principal alvo é mostrar que a graça de Deus em Cristo é adequada para levar-nos ao enriquecimento espiritual e a vitórias em todas as situações.



RF Diversas religiões apresentam sua crença sobre qual é o plano de Deus para a vida das pessoas. Como o senhor sintetiza o plano de Deus para a vida à luz das Sagradas Escrituras?


JI O compreensível plano de Deus para nós, pecadores salvos através de Cristo, é que aprendamos a glorificá-lo e a alegrar-se Nele, a amá-lo, adorá-lo e servi-lo com todo o nosso coração. Isso requer regeneração, novo nascimento, transformação do caráter através da renúncia à impiedade e a determinados comportamentos, e do desenvolvimento de hábitos cristãos em seu lugar, do Fruto do Espírito em nós, conforme Gálatas 5.22-23. Devemos guerrear espiritualmente contra o mundo, a carne e o Diabo, que procuram obstruir e espoliar a obra de Deus em nós. Precisamos ainda cultivar a companhia de Cristo, e termos cuidado para não o desonrarmos por meio da pobre qualidade do nosso discipulado. São também importantes responder ao ministério íntimo do Espírito Santo quando ele toca nossa consciência para a humildade e a santidade, e tomar cuidado para não ofendê-lo com pensamentos orgulhosos, palavras ásperas ou ações vergonhosas; deixar Deus reestruturar nosso desordenado coração, para que possamos dar amor a Ele e aos outros, e mantermo-nos assim todos os dias da nossa vida; e, finalmente, sermos humildes e transparentes em nosso relacionamento com os outros, ativos no trabalho e testemunhas do Senhor em meio a este mundo de escuridão espiritual que nos rodeia. Muito disso pode ser encontrado em meus livros O plano de Deus para você e Rediscovering Holiness (Re-descobrindo a santidade), que lancei em 1992.

RF Qual é a principal heresia de nossos dias?

JI A heresia que ameaça todas as formas de cristianismo hoje é o pluralismo religioso, a idéia de que todas as religiões estão escalando, na verdade, uma mesma montanha, mas de pontos iniciais diferentes, e reunir-se-ão quando chegarem ao topo, onde Deus, segundo os hereges dizem, é completamente conhecido. O islã tem o propósito de conquistar o mundo, como as missões cristãs um século atrás, e rejeitam o pluralismo.


A maior parte das religiões do mundo faz o mesmo, mas alguns pensa-dores cristãos estão influenciados pelo sonho de todas as religiões do mundo virem a abraçar-se proporcionando alguma forma de complementação do conhecimento de Deus. Essa heresia implica a negação da singularidade de Cristo como Salvador do mundo, o único e suficiente caminho para o singular Deus Pai, que perdoa nossos singulares pecados pelo sangue singular de Cristo derramado no Calvário e recebe-nos singularmente como filhos adotivos em sua família, na qual o Senhor Jesus, nosso singular Mediador e Salvador, é também o singular irmão mais velho. Todos os outros erros modernos são insignificantes se comparados com este.

RF Além do ecumenismo, a Teologia da Prosperidade ainda é um grande problema?


JI A Teologia da Prosperidade é o ensinamento de alguns televangelistas e cristãos neopentecostais, e foi popular na América do Norte há vinte anos, mas é raramente escutada hoje por aqui. Não sei se ela ainda tem esse vigor todo na África, Ásia e América do Sul, mas teve alguma repercussão também nesses continentes. Esse ensino repousa sobre os seguintes princípios: 1) Deus é fiel cumpridor de suas promessas – o que é verdade; 2) reivindicar promessas é uma maneira de orar – o que também não deixa de ser verdade; 3) as promessas de prosperidade no Velho Testamento como um sinal do favor divino aplicam-se inalteravelmente em o Novo Concerto – o que é mais falso do que verdadeiro, pois ainda que Deus encarregue-se de suprir diariamente o pão durante nossa vida neste mundo até o fim, as promessas de saúde-e-prosperidade para Israel tipificam o enriquecimento espiritual aqui e a plenitude de abundância depois daqui, no Céu; 4) e pedir a Deus brava e audaciosamente em oração, compelindo-o a responder nossas solicitações exatamente nos termos em que nós as fizemos, em vez de preferir que Ele responda-nos fazendo o melhor conforme a nossa necessidade. Isso é falso, pois choca-se com o que nos ensinam textos como 2 Coríntios 12.7-10.


RF Recentemente, alguns teólogos evangélicos liberais começaram a ressuscitar a teoria de que o Inferno não é uma realidade. Até um famoso teólogo evangélico inglês, conhecido no mundo todo pela sua ortodoxia, chegou inicialmente a simpatizar com a teoria. O senhor foi um dos que combateram esse movimento. Quais os perigos dessa heresia?


JI O Inferno é o estado final de separação do amor de Deus e de todas as coisas boas que ele concede diariamente nesta vida. Ele é tão eterno quanto eterna é a vida; se a última é interminável, então esse é o padrão (Mt 25.46; Rm 2.5-12 e Ap 14.9-11, 20.12-15, 21.8). As Escrituras descartam a salvação universal e a aniquilação do mau pela morte ou após o último julgamento. Tudo isso foi muito debatido recentemente e em detalhes em todo o mundo teológico de fala inglesa. O que tenho dito até aqui parece ser a visão geral agora, quando esse debate começou a morrer. Claramente, é improvável que os que não acreditam em um inferno eterno sintam a urgência do evangelismo fortemente como os que crêem nisso.

RF O senhor escreveu em seu best seller “Conhecimento de Deus” sobre o sentido do termo grego kenosis, usado em Filipenses 2.7 e traduzido em algumas versões como “aniquilamento” ou “esvaziamen to”. Como o senhor explica kenosis e, conseqüentemente, a doutrina do “esvaziamento” de Cristo em sua encarnação?


JI Kenosis é uma palavra grega que significa “esvaziamento”. A teoria de kenosis, como é conhecida, é a suposição – e não mais do que isso, porque não há suporte para ela nas Escrituras – de que na disposição de entrar plenamente na experiência humana de limitação, o Filho de Deus entregou, suspendeu e abandonou o exercício dos poderes de onipotência e onisciência que eram seus antes. Isso significa que, durante a vida encarnada de Jesus na Terra, o Pai, o Filho e o Espírito não eram co-iguais. Tal teoria levanta o seguinte dilema: O Filho, depois de glorificado, recuperou esses poderes (neste caso, apoiando a teoria, sua vida hoje glorificada não seria plenamente humana) ou ele não os recuperou (neste caso, a co-igualdade com o Pai e o Espírito nunca serão dele novamente)? Cristãos sensatos julgarão acertadamente que, de um jeito ou de outro, essa teoria se autodestrói. As limitações humanas de conhecimento de Jesus em Marcos 5.30-32 e 13.32, e de energia em Marcos 4.38, devem ser explicadas em dois termos. Primeiro, por causa do desejo do Pai de que o Filho não usasse seus poderes divinos para transcender os limites da experiência humana. A onisciência só se manifestava em ocasiões de conhecimento à distância e do futuro, capacidades concedidas também aos profetas. Vemos isso em passagens como Mateus 17.17 e 21.2, Lucas 18.31- 34 e 22.10-13, e João 1.48. E, em segundo lugar, devido à satisfação do Filho em relação ao desejo do Pai nessa matéria, de que, por alguns instantes, não usasse seu poder para prever aquilo que Ele sabia que seu Pai não desejava que previsse. Filipenses 2.6 e 2 Coríntios 8.9 afirmam um abandono temporário da nobreza e da glória divinas, mas não dos poderes divinos. Isso está claro no contexto dessas passagens.

RF Quais são suas principais recomendações para os estudantes da Bíblia?

JI Leiam a Bíblia regularmente e toda ela pelo menos uma vez por ano. Tenham um esquema de leitura diária da Bíblia com meditação. E quando voltarem-se para a Bíblia, seja para uma leitura mais demorada ou para ler apenas pequenas porções, orem para que o Espírito Santo vos conceda entendimento. Perguntem sempre a si mesmos, em relação a tudo que foi lido: O que isso revela sobre Deus, a vida humana sob Deus e a minha própria vida neste dia? Releiam muitas vezes os quatro Evangelhos, que têm sido chamados os mais preciosos livros do mundo, pois lá vocês podem ver seu Senhor e ter contato direto com as suas palavras. Aprendam a doutrina cristã, que está implícita em todos os lugares das Escrituras, então verão mais claramente o que está nas Escrituras, assim como uma pessoa que conhece arte vê mais em um quadro em uma galeria do que alguém que apenas o admira. E sempre pergunte ao Senhor como o que foi lido se aplica para orientar e reformar a sua vida.


Entrevista cedida a Revista RESPOSTA FIEL Ano 4- nº 16 jun-ago 2005, pg.10-12.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Os pregadores megalomaníacos


Cansei de ver na dita mídia evangélica os pregadores megalomaníacos. Como a humildade passa longe dessa gente, eles não possuem bom senso para descobrir que a megalomania é ridícula. Benny Hinn é um clássico exemplo. Com aquela roupa branca e sua posse de astronauta de asfalto, ele soa um tanto patético. Os discípulos de Hinn no Brasil seguem o mesmo caminho, mas a preferência está em um terno vermelho.

Mas o senso do ridículo não fica somente nas roupas especialmente produzidas para os seus shows. Vocês já viram os cartazes dessa gente? Eles não dispensam um título pomposo como “conferencista internacional” ou até mesmo como “o maior pregador de cura divina do mundo”. Eu diria que eles são até modestos, pois nenhum, pelo menos ainda, colocou o nome para si de “deus”.

Em uma rádio paulista há sempre a aclamação de um tal “apóstolo da fé”. Nessa mesma emissora, outros se apresentam como os “maiores avivalistas”, “maiores pregadores”, “maiores homens de Deus”. De quem mesmo? Pois é, mas não cansados com a autoproclamação, esses sujeitos sempre encontram uma dúzia de bajuladores, que fazem à função de mostrar os dotes de seus mestres.

Na televisão, tem um pastor que sempre coloca a sua foto como de um beato, com as mãos cruzadas e olhando para o céu. Dá até para se emocionar. Esse mesmo pastor se apresenta como “reverendo” e “doutor”. Ora, certa vez ele mesmo disse que só era formado em direito. Então, ele nunca foi doutor. Nem mesmo reverendo, pois esse é um título dispensado para líderes religiosos que seguem uma vida acadêmica. Mas a megalomania não dispensa títulos, nem que eles sejam inventados ou até mesmo comprados.


E os pregadores cantores? Não sabem nem cantar e muito menos pregar. Agora, o que sabem muito bem é vender Cds. Vendem Cds com músicas de autoajuda fajuta, clichês do evangeliquês, triunfalismo, ufanismo... Louvar a Deus? É mais fácil você achar um político honesto em Brasília ou uma agulha no deserto do Saara.

Ora, e os megalomaníacos metidos a espirituais? Relevam mais do que a KODAK, portam-se como curandeiros ou ainda como aqueles que resolvem todos os problemas. Quem sofre é um bobão que ainda não pagou a oferta para esses “profetas”. Os “espirituais” fazem cada careta que dá até medo. Mechem-se mais do que liquidificador. E ainda atribuem o espetáculo a Deus. Certamente nunca leram que o culto ao Senhor é racional, mesmo quando há manifestação dos dons espirituais.

Exorciza um megalomaníaco da sua igreja. Pode ser doença ou quem sabe algo pior.

domingo, 13 de setembro de 2009

As rixas assembleianas

Há uma música oficial da denominação Assembleia de Deus que diz: “Muitos ministérios Assembleia tem, mas um só Espírito apascentando vem”. Aí vem a minha indagação: Será? Alguém tem visto essa união no Espírito durante a história assembleiana?

A Assembleia de Deus é formada por diversos “ministérios”, que normalmente não dialogam entre si. Entre esses “ministérios” normalmente não há diferenças doutrinárias. Aliás, normalmente quando surge um ministério novo não é por causa de uma diferença ou divergência teológica, mas simplesmente pela disputa de poder. A questão não é: “Quem está com a interpretação bíblica correta?” Mas sim: “Quem que manda aqui?”. Há exceções, é claro, mas são ressalvas que só confirmam essa regra.

Fruto dessa “mundanização” eclesiástica, muitos ministérios que pertencem a uma mesma convenção não comungam uma com a outra. Em muitas regiões do país, o “ministério Missão” não considera o “ministério Madureira”, aliás, usar a expressão “não considera” é um verdadeiro eufemismo. Para muitos existe um clima de completa rivalidade. Ministérios de uma mesma convenção (CGADB), como no estado de Pernambuco, não comungam entre si. O “ministério de Recife” não se aproxima do “ministério de Abreu e Lima”, por exemplo.

Certa vez um irmão de Pernambuco me disse: “Se algum membro da minha igreja fosse visitar o outro ministério sem autorização do pastor local, essa pessoa poderia sofrer uma disciplina”. Eu logo respondi: “Isso é um completo absurdo”.

A minha pergunta é simples: Como considerar cristianismo esse tipo de divisão? Primeiro que os “ministérios” surgem como disputa de poder, depois estes começam a digladiar entre si e logo até disciplinam os “rebeldes” que visitam “aquela outra igreja”. Um abismo chama outro abismo. Uma “mundanização” chama outra “mundanização”. Como falar em santidade no meio desse clima de rixa? Engraçado que são justamente essas igrejas que se consideram “o paladino da moralidade”. Ledo engano desses coitados!

Graças ao bom Deus que essa não é uma realidade presente em toda a Assembleia de Deus no Brasil, mas infelizmente esses vícios malditos persistem em algumas regiões desse país.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Lição 11- O amor a Deus e ao próximo (Subsídio 02)

Caro professor,

Cabem algumas perguntas nessa aula de domingo na Escola Dominical. Como o tema é sobre o amor, você pode levantar as seguintes questões, propostas pelo teólogo francês Jean- Yves Lacoste:

Se Deus se revela ao homem como amor, ágape (I Jo 4.8), isso implica que ele se faz conhecer pelo amor: conhece-se a Deus amando-o e amando seu próximo. Porém o homem também tem uma experiência de amor independente do amor de Deus: ama-se a si mesmo, buscando sua felicidade, ama o outro por inclinação, desejo ou paixão. Trata-se de duas espécies de amor radicalmente distintas e incompatíveis? Ou, então, o amor de Deus pressupõe, para se compreendido pelo homem, o amor propriamente humano? O amor inspirado pela graça- caridade- é a transformação do amor natural, ou exige a ruptura completa com ele? Para responder a essas questões, é preciso saber o que é o amor em si mesmo: busca da satisfação de si pela posse do outro, ou, ao contrário, espoliação de si, êxtase? [1]

Portanto, pesquise junto com seus alunos e construa as respostas com eles.


Referência Bibliográfica:

LACOSTE, Jean Yves. Dicionário Crítico de Teologia. São Paulo: Edições Loyola e Paulinas, 2004. p 109.

Um Crente Verdadeiro Pode Crer no Evangelho da Prosperidade?

Lição 11 - O Amor a Deus e ao Próximo

Subsídio produzido pela Equipe de Educação da CPAD

Leitura Bíblica em Classe - 1 Jo 4.7-16


Introdução

João começa com uma exortação apaixonada aos seus leitores de “amar-nos uns aos outros”, uma frase que é repetida três vezes, nos versículos 7,11 e 12. Essa é sua maior preocupação, e as razões para essa preocupação são demonstradas em conexão com essa repetição tripla. A primeira razão é que o amor está na natureza de Deus; assim, os cristãos devem “amar uns aos outros”. A segunda razão refere-se ao presente de Deus em Cristo; assim, os cristãos devem “amar uns aos outros”. A terceira razão refere-se à atividade presente de Deus em e por meio do seu povo; por esse motivo, também os cristãos devem “amar uns aos outros”. Até este momento, o amor foi visto principalmente como um dever estabelecido entre os crentes. Agora ele é visto como de fato é, uma disposição que parte da natureza divina e que, pela graça de Deus, agora também está em cada cristão.

Amemo-nos uns aos outros

Amar uns aos outros é mais do que uma exortação. Ela flui naturalmente da afirmação de que a caridade (amor) é de Deus. Se um homem tem comunhão com Deus, é nascido de Deus e caminha na luz, invariavelmente amará os outros porque a caridade é de Deus.

Embora João provavelmente esteja se referindo ao amor pela comunidade cristã, o amor pelas pessoas em geral não pode ser excluído. O amor, então, torna-se um teste do nosso relacionamento com Deus. O apóstolo não diz que todo aquele que é nascido de Deus manifesta amor, mas que qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Com isto, “ele certamente não quer dizer que em cada pessoa que sente uma onda repentina de amor emotivo – homem por mulher, mãe por filho – haja um sinal do amor divino, indicando uma vida dada por Deus. Pode haver alguns elos entre as formas mais elementares de amor [...] e o amor divino, mas não é o que o nosso autor está procurando transmitir”. Uma distinção deve ser observada entre o que chamamos de amor natural e amor cristão, embora a diferença nem sempre possa ser prontamente discernida.


Conheci um homem, um incrédulo confesso, que demonstrou ao longo dos anos um amor e devoção à sua esposa doente e inválida que eu nunca vi ser superados no meio cristão. A única resposta para o dilema que essa observação levanta é que esse amor não foi manifesto em nenhuma outra área da sua vida.

Amor Divino

João afirmou diversas vezes que o relacionamento com Deus é um relacionamento de conhecimento (2.4,13,14;3.6;4.7). Em sua afirmação Deus é caridade (amor), ele fala de um verdadeiro conhecimento de Deus, da própria natureza de Deus e não de um conhecimento acerca de Deus. Essa natureza foi manifesta em Jesus Cristo. Ela se manifesta especialmente para conosco (v.9) porque nós a recebemos. Onde não há recepção não há revelação. Aqueles que andam na luz são capacitados a saber que Deus é amor.

O versículo 9 nos mostra que o amor de Deus em Cristo tinha um objetivo. Cristo era o seu instrumento enquanto homem era o seu objeto de contato com o mundo. “Deus amou de tal maneira que enviou seu filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos”. Em Cristo, vemos o amor de Deus. Por meio de Cristo experimentamos esse amor. Somente quando o Cristo por nós é realmente o Cristo em nós, exaurimos o significado de Deus (Deus é amor).

O amor de Deus pelo homem não é uma reação ao nosso amor. A resposta é nossa. Nosso amor depende do seu amor e é o resultado desse amor. Em Cristo, Deus amou a estranha criatura pecaminosa chamada homem e reconciliou-se com ele. Na encarnação, Deus não se tornou favoravelmente inclinado ao homem. Isso podia ser alcançado por meios muito mais fáceis e é amplamente demonstrado no Antigo Testamento. Mas ao tornar-se homem, Deus reconciliou o homem consigo mesmo – Ele fez o que o homem não podia fazer.

"Ninguém jamais viu a Deus” (v.12). Isso parece, num primeiro momento, ser uma intrusão na sequência de ideias. O autor está provavelmente advertindo seus leitores a não tentarem conhecer a Deus de nenhuma outra forma exceto de forma que ele está descrevendo. Muitas pessoas têm procurado encontrar a Deus e muitos têm afirmado conhecer a Deus de uma perspectiva mais clara do que na Igreja Cristã. João está dizendo que todas essas tentativas falharam. Podemos aprender algumas coisas a respeito de Deus por intermédio da pesquisa, mas o Pai não pode realmente ser conhecido exceto por intermédio da sua auto-revelação como amor em Jesus Cristo.

Conclusão

Visto que Deus é perfeito e o amor é a sua natureza, em que sentido deve o seu amor se tornar perfeito em nós? A resposta deve ser entendida em relação ao propósito para qual esse amor foi dado. Deus não derrama seu amor em nós para ser consumido por nós. O amor voltado para si mesmo é autodestrutivo. Deus nos ama para que possamos amar os outros. Seu amor em nós é aperfeiçoado quando se torna fraternal (2.5;4.12). Poucas vezes o apóstolo fala do nosso amor por Deus e quando o faz, isso ocorre de maneira indireta (4.10,19,20). Para João, os três aspectos do amor são os seguintes: 1) Deus nos ama; 2) seu amor habita em nós; 3) e amamos os irmãos.

Extraído de:
 TAYLOR. Ricahrd S. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 319 - 320.

BOICE, James Montgomery. As Epístolas de João. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 135-136.