quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Retrospectiva: Década 00 (Parte 01)

Na meia-noite de hoje não acaba somente um ano, mas também a primeira década do século XXI, além dos primeiros anos do novo milênio. Para relembrar, o Blog Teologia Pentecostal escreve uma série com os fatos mais importantes do mundo evangélico/protestante.

É a nossa Retrospectiva Década 00. Acompanhe a primeira parte.

Diante do Trono, a renovação do louvor congregacional e os exageros místicos

O grupo de louvor da Igreja Batista da Lagoinha nasceu 1997, mas ganhou fama nacional no ano de 2001, com o CD Preciso de Ti. O grupo composto de orquestra, coral, vocalistas e com a carismática Ana Paula Valadão, trouxe uma renovação no louvor congregacional brasileiro, junto com grupos como a Vineyard Music Brasil. A igreja brasileira estava órfã de louvores mais focados na adoração comunitária, como foi abundante na década de 1980. Nesse cenário, o Diante do Trono fez grande sucesso na primeira década do século, com as conhecidas músicas de adoração.

Infelizmente, o Diante do Trono também ficou conhecido pelos exageros místicos, típicos de um pentecostalismo (ou neopentecostalismo) desorientado. Algumas músicas como Vitória na Cruz traziam elementos teológicos distorcidos, como a ideia de um Cristo que vai ao inferno. Ana Paula Valadão renovou práticas estranhas, como “cair no espírito” e uma denominada “unção do leão”. Valadão, com declarações na televisão e em congressos, também flertou com os católicos carismáticos, assim causando uma grande polêmica entre os evangélicos brasileiros.

Ouriel de Jesus, Geziel Gomes e a angeolatria expurgada da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil)

Os famosos pastores assembleianos Oriel de Jesus e Geziel Nunes Gomes dirigiam uma igreja pentecostal em Boston (EUA), filiada à CGADB. O megalomaníaco Ouriel de Jesus escreveu o livro Triunfo Eterno da Igreja, em que se apresentava quase como a quarta pessoa da Trindade. A arrogância de Ouriel de Jesus também se mostrava na liderança centralizadora, que tudo dirigia sob “direção divina”. A igreja aceitava passivamente todas as invencionices de Ouriel, como as várias “unções” e a idolatria em torno de anjos. Ouriel ainda foi acusado de irregularidades junto à imigração americana e de plágio por uma jornalista brasileira.

Em outubro de 2003, a CGADB tomou uma atitude histórica. Os pastores Esequias Soares, presidente da Comissão de Apologia, e Paulo Freire, presidente do Conselho de Doutrina, escreveram uma carta de repúdio no jornal Mensageiro da Paz, órgão oficial da CGADB, diante dos “modismos heréticos” da Igreja de Boston. Então, a World Revival Churc foi desligada da CGADB, e também do Concílio Geral das Assembleias de Deus nos Estados Unidos.

Geziel Gomes voltou ao Brasil, e hoje dirige a Igreja Evangélica Missionária Canaã, em Recife (PE). Gomes se denomina como apóstolo, não largando a mania de grandeza e arrogância “espiritual” desenvolvida em Boston. Hoje, também, prega em congressos promovidos pelo pastor Silas Malafaia e escreve algumas revistas e livros para a Editora Central Gospel. Ouriel de Jesus continua em Boston, com as mesmas convicções megalomaníacas, e com o título de apóstolo. Ainda continua o “pai” de alguns pregadores brasileiros, como Marco Feliciano e outros sempre presentes nos Gideões Missionários da Última Hora (GMUH).

Escândalos: Dinheiro na Bíblia, lavagem de dinheiro, sanguessugas, oração da propina e outras vergonhas

Os evangélicos decaíram ainda mais com várias acusações de líderes corruptos. No ano de 2002, a revista Época trouxe duas matérias acusando o casal Estevam Hernandez Filho e Sônia Hernandez de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Em janeiro de 2007, o casal ganhou ação na justiça contra a Editora Globo, pelas referidas matérias. No mesmo mês, os dois foram presos em Miami (EUA) com 56 mil dólares não declarados, escondidos inclusive em uma Bíblia. Diante da imagem arranhada, o teto da igreja sede desabou em janeiro de 2009, matando nove pessoas, e desestruturando várias casas vizinhas. Em julho de 2009, o jogador Kaká foi ordenado presbítero da igreja, como sua esposa, Caroline Celico, que no mesmo ano foi ordenada pastora pela Renascer.

Diante dos vários casos de corrupção envolvendo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os escândalos do caso Waldomiro, Mensalão e a Máfia dos Sanguessugas ganharam destaque na imprensa. Nos três casos havia deputados evangélicos envolvidos. Nas eleições de 2006, a bancada evangélica de deputados federais encolheu de 61 cadeiras para 30. Como fato positivo, os evangélicos não reelegeram os acusados de corrupção. O ex-bispo e ex-deputado federal Carlos Rodrigues, então articulador político da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) ficou como um símbolo dos nomes mais envolvidos nesses casos de corrupção. Rodrigues em 2002 disse: “Temos a obrigação de entrar de cabeça na campanha do Lula… Vote em quem tem ética. Vote no PT”. As coisas não foram bem assim!

Já em 2009, o escândalo do mensalão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, envolveu alguns nomes evangélicos. E envolveu de uma forma horrível, pois saiu uma gravação com a “oração da propina”, onde Deus era louvado e conclamado a vingar. O deputado Rubens César Brunelli, que é pastor e filho do Doriel de Oliveira, fundador da igreja Casa da Benção, e o deputado Leonardo Prudente, que é membro da Sara Nossa Terra, apareceram orando pela propina junto com Durval Barbosa, ex-secretario de Arruda.

Silas Malafaia: O novo pregador da Teologia da Prosperidade

Silas Malafaia, pastor da Assembleia de Deus no bairro da Penha no Rio de Janeiro (RJ), ficou conhecido na década de 1990, como uma voz contra modismos e heresias. Na época falava contra o nascente modismo do G12, contra a teologia da prosperidade, contra a angeolatria e contra muita coisa! Boa parte de suas pregações na televisão giravam em temas diversos, como eleição e predestinação, céu e inferno, vida cristã e vitória.

Muita coisa mudou nesse início de século. Malafaia intensificou suas alianças com grandes líderes neopentecostais, como o “paipóstolo” René Terra Nova. Pregou no Congresso de Missões dos GMUH, o catalisador dos modismos no pentecostalismo brasileiro. Trouxe para o Brasil nomes decadentes da Confissão Positiva dos Estados Unidos, como Mike Murdock (aliado de Benny Hinn) e Morris Cerullo.

Na área política, Silas Malafaia em 2002 foi um dos grandes apoiadores de Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro, que se candidatou a presidência da República. No primeiro mandato do presidente Lula, foi membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, pertencente à presidência da República. Na política eclesiástica, ganhou o cargo de vice-presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), no ano de 2009.

CGADB: A consolidação da política mundana

A “mundanização” tomou de conta da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). Tanto em 2007, como em 2009, as campanhas giraram em torno de acusações entre os “adversários políticos” José Wellington Bezerra da Costa e Samuel Câmara. A ideia de unidade da denominação foi para longe, e por pouco não houve mais um racha nas Assembleias de Deus.

Infelizmente, nenhum dos candidatos tinha uma plataforma de mudança positiva e real. Ainda persiste a visão coronelista, que é uma mistura de episcopado autoritário, sobrando nepotismo, perpetuação de poder, obras faraônicas e messianismo humano. Ou seja, uma igreja com todos os vícios e pecados do país. Santa? Não, muitíssima mundana!

A volta de Caio Fábio

Nessa década Caio Fábio voltou com tudo. Com uma metralhadora verbal giratória, nova mulher, passagem por várias igrejas e finalmente fundando o movimento não denominacional chamado “Caminho da Graça”. Acusou vários de roubo e adultério, além de recriminar vários modismos presentes na igreja evangélica brasileira. O interessante é que Caio Fábio se consolidou nessa década por meio da internet, com vídeos e textos no seu site.

Morreram...

Vários líderes evangélicos nacionais morreram nesses últimos dez anos. Entre eles:

Túlio Barros (1921- 2007), cinco vezes presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGABD).

Nilson do Amaral Fanini (1932-2009), primeiro brasileiro a presidir Aliança Batista Mundial.

Joanyr de Oliveira (1933- 2009), um dos primeiros intelectuais pertencentes à Assembleia de Deus.

Ruth Dorris Lemos (1925- 2009), pioneira no ensino teológico das Assembleias de Deus.

Jorge Rehder (1956- 2009), compositor de grande influência na MPB evangélica.

Dos líderes evangélicos mundiais morreram:

Ivar Vingren (1918-2006), missionário sueco e filho do fundador das Assembleias de Deus no Brasil, Gunnar Vingren.

Kenneth Hagin (1917- 2003), o norte-americano foi o principal pregador do Movimento da Fé, mas conhecido como Teologia da Prosperidade ou Confissão Positiva.

Oral Roberts (1918- 2009), um dos mais famosos pregadores de cura divina nos EUA, e era adepto da maléfica Confissão Positiva.

Jerry Falwell (1933- 2007), um dos principais pregadores fundamentalistas dos EUA.

D. James Kennedy (1930- 2007), tele-evangelista presbiteriano de grande influência política conservadora nos EUA.

James Montgomery Boice (1938- 2000), teólogo reformado e pastor presbiteriano na Filadélfia (EUA).

Ruth Graham (1920- 2007), a esposa do evangelista Billy Graham era escritora e poetisa.

Continua...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Por que é um erro publicar a “Bíblia de Estudo Dake”?

- Os erros de Finis Jennings Dake (1902-1987) não são meras questões secundárias, mas sim expressões de heresias perniciosas para o Corpo de Cristo. Aliás, a “Confissão Positiva” de Finis Dake é o maior mal da igreja evangélica no século XX.

- “Ah, existem muitas coisas boas nos escritos de Dake”. Podemos dizer o mesmo de Kenneth Hagin. Agora, vamos propagar Hagin? Jamais! Apesar das boas coisas, os modismos e heresias são perniciosos.

- As confusões de Dake com um assunto tão delicado como a Trindade, fez dela uma pessoa despreparada para escrever uma obra de ensino. Seus ensinos transparecem tantos enganos, que os toques de verdade acabam conduzindo para o erro. Assim como escreveu o teólogo pentecostal norte-americano Joseph Chambers:

A Bíblia de Estudo Dake é, sem dúvida, repleta de comentários questionáveis. Não é o material de leitura para jovens, novos convertidos ou ministros cristãos sem discernimento. Tem verdade apenas o suficiente para fazer o seu erro parece plausível e convincente. Ele certamente tem convencido uma série de pentecostais e neopentecostais contemporâneos. Ninguém diria que ele é singularmente responsável pela confusão teológica que estas igrejas estão cheias, mas nem ele deveria ser perdoado por sua parte. Muitas vezes, quando uma figura como Dake está morto, seu ensino se torna ainda mais poderoso e aceito. Homens e mulheres piedosos devem retornar para a simples Palavra de Deus de se desprender de figuras populares para fazer sua interpretação da verdade. A Bíblia irá interpretar a si mesmo se você: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. (II Timóteo 2.15).

- Uma obra fraca, cheia de erros doutrinários e de um simplismo absurdo... Ora, para que publicar tal Bíblia de Estudo quando existem tantos livros bons para serem publicados? Ora, posso indicar uma extensa lista de livros ótimos em inglês, de autores pentecostais, que ainda não foram publicados no Brasil, como The Charismatic Theology of St. Luke de Roger Stronstad. Por que perder tempo com essa péssima peça da literatura evangélica? Era melhor publicar Roger Stronstad, Gordon D. Fee, Donald Gee etc. Bons teólogos pentecostais que se adéquam e aperfeiçoam a teologia assembleiana.

- Finnis Dake era um especulador de primeira, fazendo conjecturas absurdas. Na versão original em inglês ele afirmou que Deus tem um corpo e mora no céu, que é um planeta físico: "A Bíblia declara que Deus tem um corpo, uma forma... e todas as outras coisas que constituem um ser ou uma pessoa como corpo, alma e espírito.. Heaven (em si é um planeta material com cidades, palácios, mobiliário, habitantes, condições de vida, etc.). " (Dake's Reference Bible: New Testament, 280). Ora, uma mente tão fértil como essa serve como um mestre da Palavra?

- Por último. A editora deveria tomar mais cuidado com parcerias. Ora, a CPAD com Editora Atos? A editora do pastor Gary Haynes é um exemplo de divulgadora de modismos nesse país, tais como “batalha espiritual” no estilo Neuza Itioka e a chamada “adoração extravagante”. Sugiro uma parceria com a Editora Vida Nova, pois essa ainda desfruta de credibilidade.

Algumas observações

Nesse texto não quero sugerir que exemplares da Bíblia de Estudo Dake sejam retiradas do mercado. Tudo isso não ajuda, mas alimenta ainda mais a confusão. O que quero discutir aqui nesse espaço o porquê do erro ao publicar uma obra como essa. E como lido acima, grande foi o equívoco de publicar a referida Bíblia de Estudo pela CPAD.

Ora, também não estou defendendo um Index Librorum Prohibitorum, ou seja, uma lista de livros proibidos. Creio que cada crente deve cultivar o discernimento, e ser capaz de ler qualquer coisa. Agora, o erro é uma editora dedicar tempo e dinheiro em uma obra tão desnecessária. Ninguém está proibido de ler Dake. Agora, não deveríamos recomendar Dake. A Bíblia de Estudo Dake só serve para a cabeceira da cama de Benny Hinn.

Nesse artigo não estou alimentando nenhuma “teoria da conspiração”, como se a editora publicasse uma obra herética com motivos escusos. Creio que foi um grande vacilo, mas com boas intenções. Agora, de boas intenções... A editora descuidou, e acabou publicando uma obra que não deveria. A melhor saída é parar com propagandas e não imprimir novas edições. Assim a CPAD manterá sua imagem de cuidadosa com a ortodoxia. E resgatando assim a imagem de uma editora que está a caminho de uma maior consolidação teológica. Em entrevista para o Blog Teologia Pentecostal, o Dr. Paulo Romeiro falou: “É bom lembrar que a CPAD tem publicado, nos últimos anos, excelentes obras por excelentes autores, respeitados também pelos irmãos de linha reformada. Creio que com isso, o pentecostalismo passa a contribuir para o fortalecimento do protestantismo no Brasil”. Que ela continue assim!

O arrebatamento do apóstolo Paulo e os arrebatamentos contemporâneos (Parte Final)

Leia a primeira parte desse artigo aqui.

Analisando o texto de II Co 12.1-10, é possível analisar o contexto de uma grande experiência espiritual vivida pelo apóstolo Paulo.

Qual a grande diferença entre os “arrebatamentos” contemporâneos e o arrebatamento de Paulo?

A resposta está no primeiro versículo desse texto: “Em verdade que não convém gloriar-me; mas passarei às visões e revelações do Senhor” (v.1). Fica claro que Paulo reconhecia a inutilidade de se gloriar com essa experiência. Ao relatar o “arrebatamento de sentidos”, o apóstolo está escrevendo um prefácio daquilo que ele considera mais importante, que é a alegria na fraqueza (v. 10). Paulo não era um megalomaníaco!

O que é um megalomaníaco? É simplesmente um orgulhoso com gosto excessivo pela grandeza. Muitos pregadores evangélicos, que falam constantemente em experiências de arrebatamento, demonstram essas tendências arrogantes. Até na escolha dos ternos, os pregadores megalomaníacos mostram a mania de ser grande. E o que dizer da oratória do espetáculo? Do emocionalismo em formato de show? O orgulho é o pecado chave para definir esses homens.

Para Paulo, a fraqueza é uma rica oportunidade da manifestação da Graça de Deus (v. 9). Já para os pregadores megalomaníacos, a fraqueza é um sinal de maldição que deve ser expurgada. Paulo não tinha medo de ser ou parecer fraco. Já os pregadores da grandeza morrem de medo da fragilidade, pois são ufanistas, triunfalistas e loucos pela constante demonstração de força. Não é à toa que eles constroem grandes catedrais, compram ternos extravagantes e usam o púlpito como um pequeno palco de uma peça teatral declamada por um único ator.

Os pregadores triunfalistas, os “caras” que tudo podem, não são uma invenção dos tempos modernos. Paulo já os enfrentava no primeiro século na cidade de Corinto. Eles desprezavam o apóstolo, pois era um homem de fraquezas. - “Como pode um apóstolo de Cristo viver doente?” - Assim indagavam os falsos apóstolos a respeito de Paulo. Eles se achavam grande, por esse motivo desprezam o pequeno apóstolo. Não consideravam a autoridade apostólica de Paulo, pois esse não tinha essa mania de propagar suas supostas virtudes.

Como lembra o teólogo pentecostal Gordon Fee, para Paulo “as revelações são um assunto particular da espiritualidade pessoal, e não um teste de autenticidade apostólica” [1]. O apóstolo tinha consciência disso: As visões e revelações são vãs para confirmar um ministro cristão como autêntico, assim como para a edificação da congregação. A edificação é estreitamente pessoal. Revelações são valiosas e edificantes, mas somente no campo da espiritualidade individual.

Outra diferença entre o arrebatamento de Paulo e os “arrebatamentos” contemporâneos é o teor de “novas revelações”

No texto Paulo escreve:

Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos (se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe), foi arrebatado até ao terceiro céu. E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, de que ao homem não é lícito falar. (vv. 2-4)

Ou seja, o apóstolo chegou do céu calado. Enquanto isso, os pregadores megalomaníacos chegam supostamente do céu ensinando “novas revelações”. Paulo se identifica na terceira pessoa, demonstrando mais uma vez como ele não dava tanta importância para essa experiência como os “grandes apóstolos” de Corinto valorizavam. Já os “conferencistas” de hoje falam e se gabam na primeira pessoa ao descreverem esses arrebatamentos. O apóstolo sequer sabia se esteve ou não fisicamente no céu (v. 2) e nem fala daquilo que viu, mas somente diz que “ouviu palavras inefáveis” que não poderia revelar pelo caráter particular da revelação. Mas os pregadores megalomaníacos falam em detalhes o que viram ou deixaram de ver lá no céu. Realmente são pessoas excepcionais!

É difícil definir as “palavras inefáveis” ouvidas por Paulo. Alguns interpretam como louvores indescritíveis ou como palavras incompreensíveis, outros como uma mensagem muito pessoal, e ainda é possível interpretar como verdades canônicas reveladoras a posteriori pelo apóstolo em outras cartas. A verdade é que Paulo evitou ao máximo a exposição dessa revelação [3].

Conclusão

A grande lição dessa passagem é que Paulo não tinha um delírio de grandeza. Era um homem humilde: “De tal coisa me gloriarei; não, porém, de mim mesmo, salvo nas minhas fraquezas” (v. 5 ARA). Ele poderia muito bem se orgulhar da grande experiência que tivera no arrebatamento, mas não o fez, pois preferia se gloriar na fraqueza. Ele reconhecia que o poder de Cristo vinha por meio de adversidades, como um espinho em sua carne (v. 7, 9). O poder de Cristo não é grandeza de experiências espirituais, mas sim o reconhecimento da Graça de Deus nos momentos de fraqueza.

Ora, como tal pensamento contraria o triunfalismo contemporâneo. Como escreveu Matthew Henry, falando do arrebatamento de Paulo: “É uma ótima coisa ter um espírito humilde no meio de elevados progressos” [2]. Paulo relutou em falar sobre esse assunto, e só se manifestou catorze anos depois do acontecido (v. 2). Hoje, quantos testemunhos proclamados para engrandecimento de pregadores. O apóstolo até lembrou que o espinho na carne era uma forma de aplacar a tentação da arrogância (v. 7) e reconhecer que era fraco e dependente de Deus (v. 10).

O mundo evangélico seria bem melhor sem a mentalidade de grandeza dos seus líderes, pregadores e cantores divorciados do modelo bíblico. O poder de Deus se manifesta na fraqueza; não nos grandes templos, nos ternos coloridos, nos gritos ensurdecedores, nos testemunhos grandiosos. Tudo isso é vaidade.

Referências Bibliográficas:

[1] FEE, Gordon. The First Epistle to the Corinthians. 8. ed. Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing, 1996. p 348.

[2] HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento Matthew Henry. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p 540.

[3] Leia mais sobre o assunto na primeira parte do artigo, cujo link está no início do texto. Além disso, o Blog Teologia Pentecostal já publicou um texto sobre o assunto em outubro de 2007, leia aqui. É interessante também ler o argumento do pastor Ricardo Gondim: “‘Arrebatamento’ não é um dom a ser buscado. Assim como andar sobre as águas, ou transfigurar-se não deve ser o objeto de fé. Ser arrebatado não acontece porque se busca, se acontecer é resultado da fé em Deus. A Bíblia não ensina e nem incentiva ninguém a ter experiência, qualquer que seja ela. Nas Escrituras somos encorajados a desejar ardentemente a Deus. Se nessa busca haverá manifestações de maravilhas, não compete a ninguém determinar qual e com que frequência. In RODRIGUES, Ricardo Gondim. O Evangelho da Nova Era. 2 ed. São Paulo: Abba Press, 1993. p 129.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Cristianismo avança na China

Leia a matéria (em azul) da repórter Cláudia Trevisan, do jornal “O Estado de S. Paulo”, na edição desse domingo. Comento no final.

Cristianismo avança na China

Dados extraoficiais mostram que número de praticantes já ultrapassa o de filiados ao Partido Comunista


Cláudia Trevisan

Todas as quintas-feiras, às 9 horas, a chinesa Cao Guan Lan recebe em seu apartamento em Pequim cerca de 60 pessoas munidas de Bíblias. Nas duas horas seguintes, elas escutam a pregação de um pastor ou outro fiel, cantam juntas e rezam orações pontuadas com fervorosas exclamações de "amém!". O grupo integra uma das milhares de "igrejas familiares" que surgiram na China nas últimas duas décadas e transformaram o protestantismo na religião de mais rápido crescimento no país governado pelo ateu Partido Comunista.

Só no bairro no noroeste de Pequim, onde Cao vive, há cerca de 50 igrejas familiares que contam com a chancela do governo para funcionar. Há um incontável número de "não-oficiais", cujos fiéis estão sujeitos à perseguição do Estado, que se intensificou nos últimos meses.

O caráter clandestino de muitos grupos torna difícil estimar o número de cristãos na China, mas entidades independentes apontam para uma cifra bem superior aos 10 milhões de protestantes e 4 milhões de católicos reconhecidos pelo governo. Segundo números oficiais, apenas 100 milhões do 1,3 bilhão de chineses professam alguma fé.

Pesquisa realizada em 2007 pela East China Normal University indicou que 31,4% da população têm religião - o que representa 400 milhões de pessoas. O protestantismo é seguido por 40 milhões e o catolicismo, 14 milhões, afirma o levantamento - o que dá um total de 54 milhões de cristãos. A entidade World Christian Database sustenta que o número é de 111 milhões, o que colocaria a nação comunista entre os países de maiores populações cristãs do mundo. O Brasil ocupa o segundo lugar, após os Estados Unidos, com 140 milhões. Se a cifra for precisa, significa que há mais cristãos na China do que membros do Partido Comunista, que tem 76 milhões de filiados.

O protestantismo é a vertente do cristianismo que mais floresce na China por causa de seu caráter não-hierárquico e popular - qualquer um pode pregar o Evangelho e vários chineses abraçaram essa possibilidade com fervor. A grande maioria dos protestantes não é vinculada a nenhuma das denominações tradicionais, como Batista ou Presbiteriana, e se integra a pequenos grupos que surgem de modo independente.

Na reunião na casa de Cao presenciada pela reportagem do Estado, Ding You Zhen, de 69 anos, falou durante uma hora sobre o amor de Deus e o envio de seu único filho à Terra para salvar os homens. Na pregação em mandarim, as poucas palavras reconhecíveis para um estrangeiro eram Iesu (pronúncia local de Jesus), Maria e amém. Ding é filha de cristãos, mas se distanciou da fé após chegada dos comunistas ao poder, em 1949, e mais ainda durante a Revolução Cultural (1966-1976). "Era um período vago. Eu sabia que havia um Deus, mas não ia mais à igreja", disse. Como muitos chineses, ela se batizou no período em que trabalhou nos EUA, em 1987, quando foi levada a um culto por seu ex-patrão. De volta à China, continuou a seguir o protestantismo e, dede 2001, vai a igrejas familiares.

Outro símbolo do rápido crescimento do protestantismo na China é a Igreja cristã de Haidian, o bairro universitário de Pequim. Todos os domingos, de 6 mil a 7 mil pessoas comparecem aos seis cultos realizados no local. Há oito anos, o número de fiéis não passava de 800 e havia apenas dois serviços, lembra o pastor Wu Weiqing, responsável pela congregação.

INTELECTUAIS

Segundo ele, 70% dos que participam dos cultos têm menos de 35 anos e muitos são intelectuais e estudantes. Também há chineses que se converteram enquanto estudavam no exterior e mantiveram o hábito de ir à igreja ao voltar para casa.

O pastor Wu observa que um dos fatores que torna o cristianismo atraente para os chineses é o fato de estar associado a países tecnológica e economicamente desenvolvidos, como EUA e Alemanha. A afirmação ecoa o título do clássico do sociólogo alemão Max Weber (1864-1920), A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, que associava os princípios dessa vertente do cristianismo ao desenvolvimento da economia de mercado, abraçada pela China há 30 anos.

Ex-integrante do Partido Comunista, o economista Zhao Xiao escreveu em 2002 um artigo defendendo a adoção do cristianismo pela China para o bom desenvolvimento da economia de mercado. Segundo ele, a grande diferença entre EUA e China não é a distância tecnológica ou a disparidade de renda, mas a existência de igrejas no país americano e a inexistência delas em sua terra natal.

Zhao sustentava que o crescimento econômico precisava de um fundamento moral que estimulasse o respeito a regras comuns e coibisse o comportamento predatório na busca do lucro.

Comentário:

É bom e esperançoso saber que o cristianismo avança pela China. Tal fato alimenta a esperança que a grande potência emergente do século XXI possa abrir-se para a democracia, e consequentemente respeite os direitos humanos. A ocidentalização da China somente ajudará os bilhões de chineses a uma vida melhor, e com a possibilidade de se abrirem para o Evangelho. O interessante que em Pequim, o protestantismo avança pela classe intelectual da cidade. Em um post do dia 11 de fevereiro desse ano, eu já discutia sobre o assunto. Leia aqui.

Leia reportagens complementares nos comentários.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Lição 13 - Davi o Homem Segundo o Coração de Deus

Texto preparado pela EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD



Texto Bíblico: 1 Samuel 13.13,14; 16.11,12; Salmos 89.20

A nossa cultura ocidental tem por hábito cultuar os seus heróis. Somos uma sociedade carente e dependente de heróis. Os heróis idealizados em nossos inconscientes são seres perfeitos e capazes de se manter imunes ao erro. Todavia, essa nossa forma de pensar sofre um duro contraste quando posta diante da cultura judaico-cristã. A Bíblia está cheia de histórias de grandes líderes, estadistas, guerreiros e príncipes, porém a forma como ela apresenta suas vidas e obras está bem longe daquele modelo que estamos habituados a ver. Isso fica bem claro quando analisamos a vida de Davi.

Davi, mais do que qualquer outro homem no Antigo Testamento, embora tenha desenvolvido as habilidades e qualidades de um herói, não pode ser identificado como tal. Davi possuía muitas virtudes como a própria Escritura deixa claro, mas, por outro lado, estava cercado da mesma forma de muitos erros. Davi acertava, mas também errava. Mas Davi é o único na Bíblia chamado de “o homem segundo o coração de Deus” (At 13.22). É no coração desse homem que jaz o seu grande segredo, Matthew Henry (1996, vol.2, p. 286) destaca: “Deus olha o que está no coração, Ele o conhece. Nós podemos dizer como os homens são vistos, mas Deus pode dizer como eles são. Os homens veem com os olhos (esse é o sentido da palavra original) e ficam contentes com o que aparece diante de si, mas Deus olha o coração e vê os pensamentos e intenções. Ele julga os homens por ele”. Por sua vez, o léxico grego de Kittel (2006, vol. 8.p. 482) sublinha que “como um testemunho de fé (Hb 11.32) Davi cantou louvores a Deus nos Salmos, e como um profeta ele predisse a salvação futura (Mc 12.36; At 1.16;13.35). O próprio Deus falou através de Davi (Hb 4.7). O Espírito Santo falou através de seus lábios (At 1.16; 4.25;13.35). Davi era inspirado pelo Espírito Santo (Mc 16.36).

Davi era um homem espiritual, mas humano. Um guerreiro forte, mas ao mesmo tempo um líder quebrantado (Sl 34.18). Um homem que sabia pensar e ao mesmo tempo chorar (2 Sm 12.22). Davi às vezes se mostra extremamente racional e em outras horas um homem altamente emocional.

Ele não era um anjo, ou um semideus ou ainda um dos heróis antigos, mas um homem que amava a Deus mesmo com todas as suas fragilidades.

Por sermos humano como Davi, devemos aprender com a sua história para não cometermos os mesmos erros dele.


Bibliografia:

GONÇALVES, José. et. al. Davi, As vitórias e as Derrotas de um Homem de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Noite de Paz- Feliz Natal a todos!

Feliz Natal a todos!

Coisa linda é comemorar o nascimento de Cristo. Cantar “Noite de Paz” e louvar a Deus pela Sua grande e infinita misericórdia. Infelizmente muitos lembram somente do consumismo e do Papai Noel, mas o equívoco de alguns não tira a beleza da maior festa ocidental.


Alguns que gostam de ver “chifre em cabeça de cavalo” buscam o tempo todo a “história secreta do Natal”, dizendo que a mesma tem origem pagã e os seus símbolos são idólatras. Ora, a origem pode até ter sido pagã, mas esses símbolos foram incorporados no decorrer do tempo pelos cristãos. Aliás, se eu deixar de comemorar pela “origem pagã”, deixo de comemorar aniversário com bolo ou casamento com jogada de arroz.


Infelizmente em muitas igrejas se comemora aniversário dos pastores, com todo aquele papo, mas não se comemora o Natal. O Natal é o momento de celebrar Cristo, de falar de Cristo, de repensar uma igreja mais e mais cristocêntrica. Não importa a data, bom é comemorar o nascimento do menino que nos nasceu.


Feliz Natal a todos os amigos e leitores do Blog Teologia Pentecostal.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Leonardo Boff, Frei Betto e o apoio assassino

Os teólogos Leonardo Boff e Frei Betto são admirados em muitos circuitos evangélicos. Muitos recebem os ensinos desses teólogos como a melhor versão da teologia cristã. Outros, nacionalistas de carteirinha, abraçam as ideias de Boff e Betto pelo simples fato de serem brasileiros. Ainda há aqueles que estão empenhados na “contestação” e revisão constante de suas verdades, portanto, admiram esses nomes como forma de subversão.


Ideias implicam em ações. Nesse sentido, Boff e Betto lutam em favor de suas convicções. Ambos defendem a visão marxista de mundo, e os governos que aplicam políticas de esquerda ou extrema esquerda. Convictos como são, esses teólogos não ficam somente no campo da retórica ou literatura, mas militam em favor desses ideais. Não raro, aparecem pela mídia desfilando cada ponto da agenda política que adotam.


No jornal O Globo, edição de 24 de novembro, página 2, na seção Panorama Político: “O frei Leonardo Boff escreve sobre o caso Battisti: ‘Sinto orgulho, como brasileiro, por uma pessoa da qualidade do ministro Tarso Genro. Sua argumentação é irrefutável e sempre respeitosa’”[1]. Nesse caso, Boff está elogiando o ministro da justiça, Tarso Genro, que defende a anistia para Cesare Battisti. Battisti é um terrorista italiano que integrou os Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). O terrorista é acusado de assassinatos e assaltos, praticados na década de 1970, quando a Itália já era um Estado Democrático de Direito.


Boff não é o único a defender assassinos que coadunem com a sua ideologia. Frei Betto já declarou em um periódico cubano que Che Guevara era uma espécie de santo: “No Evangelho, Jesus diz que ninguém tem mais amor do que aquele capaz de morrer pelo próximo. Nesse sentido, Che foi um santo”. Não é nem preciso afirmar que Che era um dos assassinos mais cruéis do regime ditatorial cubano [2]. Aliás, ambos admiram Fidel Castro e seu regime, que matou quase 100 mil cubanos, segundo consta nos dados da ONG Anistia Internacional. Betto, por exemplo, ajudou a escrever a constituição de Cuba.


Apoiar assassinos não condiz com o cristianismo


Um fato curioso é que os apoiadores de terroristas sanguinários são os mesmos que vivem falando de “justiça social”, “amor”, “encontro com o divino” etc. Como lembra o filósofo Luiz Felipe Pondé, esses “progressistas” amam a humanidade, mas detestam o indivíduo [3]. Usando uma linguagem suave, escondem tendências totalitárias. Frei Betto, por exemplo, afirma que a blogueira cubana Yoni Sanchéz é uma “agente do imperialismo” que tenta derrubar o governo do povo. Sanchéz está sendo sistematicamente perseguida pelo regime por suas “ações antirrevolucionárias”. Essas ações constituem em escrever um blog apontando os problemas de Cuba.


Os evangélicos admiradores desses teólogos logo argumentarão: “Os cristãos fundamentalistas norte-americanos apoiaram a Guerra do Iraque”. Ou seja, nessa moral tentam justificar o erro pessoal apontando o erro alheio. Diferente de Cuba, os Estados Unidos desfrutam de uma democracia, que internamente faz uma constante revisão de suas ações. Os americanos acharam que o governo Bush foi mal, então elegeram Obama. Se Obama não agir bem na visão dos seus eleitores, certamente não ganhará a reeleição. Isso acontece em um país que respeita as instituições democráticas e a própria democracia.


Conselho


Caro estudante de teologia. Não busque parecer cult ou politicamente correto. Use o seminário para estudar as Sagradas Escrituras, e não para alimentar ideologias com o Evangelho. Não queira parecer inteligente só porque sabe citar Boff ou Betto, pois isso não é necessariamente um sinal de inteligência!


É claro que para os progressistas fundamentalistas, o simples ato de contestar os ícones são sinais de “imperialismo, conservadorismo, direitismo, reacionarismo, fidelização do capitalismo e alinhamento com o capeta”. Tal pensamento acontece em mentes estreitas e definhadas por ideias mortas do século retrasado.


Referências Bibliográficas:


[1] DANIEL, Silas. Leonardo Boff continua admirando terroristas. Rio de Janeiro: Verba volant scripta manent, 2008. Disponível em: < http://silasdaniel.blogspot.com/2009/12/1-mentiras-escondidas-de-voce-2.html> Acesso em: 21 dez. 2009.

[2] Leia reportagem da revista Veja, Edição 2028 de 3 de outubro de 2007. http://veja.abril.com.br/031007/p_082.shtml

[3] PONDÉ, Luiz Felipe. Pequeno Ensaio sobre a Devastação. Dicta & Contradicta. São Paulo, n. 4, p 92- 97. Dez. 2009.

sábado, 19 de dezembro de 2009

O nojento apoio do governo brasileiro aos países totalitários

Leia reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, na edição desse sábado. Comento no final.

Brasil se abstém de votar contra Irã e Coreia

Adriana Carranca

A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou ontem duas resoluções contra a violação de direitos humanos no Irã e na Coreia do Norte. Em ambas, o Brasil se absteve, sob o argumento de dar prioridade ao diálogo e cooperação à pressão sobre os países. Com projeção cada vez maior no exterior e prestes a assumir, em 2010, uma vaga rotativa no Conselho de Segurança da ONU, o Brasil está na mira dos países democráticos e entidades internacionais.

Eles exigem uma posição mais firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a tortura, prisões arbitrárias, execuções extrajudiciais e a falta de liberdade e Justiça da qual Irã e Coreia do Norte são acusados. "As abstenções são inaceitáveis. Mostram a tendência cada vez mais clara de que o Brasil não quer se posicionar sobre a violação dos direitos humanos em países específicos", diz a coordenadora de relações internacionais da organização Conectas Direitos Humanos, Lucia Nader.

No discurso, o Brasil reconhece as violações, mas prefere levar o debate para o Conselho de Direitos Humanos (CDH). "Temos privilegiado a revisão periódica dos países no CDH", disse ao Estado um a fonte do Itamaraty em Brasília. Esse ano, porém, o Brasil também se absteve de votar em uma resolução do CDH sobre violações na Coreia do Norte.

As acusações contra o Irã referem-se, principalmente, ao período após as eleições presidenciais, em junho, em que o presidente Mahmoud Ahmadinejad conseguiu um segundo mandato. Partidários do reformista Mir-Hossein Mousavi foram às ruas protestar contra possíveis fraudes. O governo respondeu com prisões sem julgamento, perseguição aos meios de comunicação e detenção de funcionários de embaixadas, segundo o texto da resolução a ONU.

O documento cita a condenação de menores de 18 anos à pena de morte e a perseguição de ativistas, jornalistas e advogados como violações permanentes no Irã e refere-se à minoria Baha"i, que teve sete líderes presos entre março e maio de 2008. "Aceitamos a soberania dos países, mas os direitos humanos não podem ser relativizados", diz Flávio Rassekh, representante da fé Baha"i em São Paulo.

A votação de uma terceira resolução, contra Mianmar (ex-Birmânia), prevista para ontem foi adiada. A tendência é a de que o Brasil se abstenha de novo, mantendo seu voto na comissão da ONU onde as resoluções foram aprovadas antes de levadas à Assembleia-Geral. A polêmica política de abstenção do Brasil deu-se em votações anteriores sobre violações de direitos humanos na Bielo-Rússia, Chechênia, China, Congo, Sri Lanka e Sudão.

Comentário:

Fico com nojo da política externa brasileira. Lembro para vocês que em todos esses países milhares de cristãos têm sido mortos. O Brasil, nas figuras diplomáticas do governo, apoia por meio do silêncio essas nações que massacram o próprio povo. Caros cristãos, que vocês possam levar em conta esses fatos nas eleições no próximo ano!

Lição 12 - Davi e o seu Sucessor

Subsídio preparado pela Equipe de Educação da CPAD


Um dos momentos-chave para o entendimento da Aliança Davídica é o do biênio em que ocorreu a “corregência” de Salomão no reinado davídico (1 Cr 23.1). Antes mesmo de esse filho de Davi nascer, Deus falou por intermédio do profeta Natã — que momentos antes havia incentivado Davi a dar consecução a um projeto de construir o Templo (1 Sm 7.1-3), mas precisou voltar com o anúncio de um oráculo totalmente distinto de sua opinião pessoal[i]: “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha benignidade se não apartará dele, como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti” (2 Sm 7.12-15).


Se a mensagem veio a Davi em forma de consolação por Deus o haver tolhido de consolidar o seu projeto, ela acabou sendo considerada uma verdadeira revolução em termos de Aliança do Eterno com a humanidade, pois, como poderá ser visto adiante, novamente o homem se depara com a possibilidade real de que o futuro será melhor que hoje.


Até pouco antes de assumir a corregência de Israel, Salomão não sabia nada acerca de tal assunto até que Davi o revelou em 1 Crônicas 22.9,10: “Eis que o filho que te nascer será homem de repouso; porque repouso lhe hei de dar de todos os seus inimigos em redor; portanto, Salomão [que é paz] será o seu nome, e paz e descanso darei a Israel nos seus dias. Este edificará casa ao meu nome; ele me será por filho, e eu a ele por pai; e confirmarei o trono de seu reino sobre Israel para sempre”. É oportuno notar que a mensagem original não continha o anúncio explícito de que seria Salomão, mas é preciso entender que Davi agora já tinha diante de si o “quadro geral” da revelação de Deus, algo muito diferente do que ouvira há aproximadamente vinte anos. Portanto, não se trata de acréscimo ou adição ao oráculo divino, mas interpretação lógica de Davi acerca do que Deus havia falado por intermédio de Natã em duas ocasiões (2 Sm 7.12-15 e 12.24,25), bastando apenas vê-las juntas.


Analisando a questão do ponto de vista político — pois se antes Israel “exigiu” de Deus um rei, por essa época a dinastia já não era mais vista com bons olhos por muitos israelitas[ii] —, Eugene Merril afirma que para “garantir que Israel obedeceria e aceitaria seu filho, Davi fez dele um co-regente em seu reino (1 Cr 23.1). Juntos, designaram os sacerdotes e levitas que serviriam no templo como cantores, porteiros e tesoureiros”.[iii] Em nota, o mesmo autor acrescenta que é importante ver 1 Reis 1.32-40 para uma descrição da unção de Salomão. A narrativa de 1 Reis 1 indica que a conspiração de Adonias para impedir a ascensão de Salomão ao trono (vv. 5-10) chegou ao clímax exatamente antes da cerimônia de coroação. Isso foi cerca de dois anos depois que Salomão tinha sido nomeado co-regente (1 Cr 23.1). Existem vários fatores que corroboram nossa teoria dos acontecimentos, que incluem um período de co-regência e uma clara ligação entre 1 Crônicas 29.22b com 1 Reis 1.32-40: (1) quando Salomão foi ungido, foi reconhecido como rei “pela segunda vez” (1 Cr 29.22b); (2) A unção de Salomão é mencionada apenas em 1 Crônicas 29.22b e 1 Reis 1.39, uma referência que surge exatamente depois da rebelião de Adonias; (3) ambos os relatos da coroação mencionam Zadoque.


Embora não estivesse ligado a qualquer uma das cerimônias de unção, o próprio sacerdote Zadoque é ungido na ocasião quando Salomão foi ungido (1 Cr 29.22b). De fato, 1 Reis descreve que Zadoque se torna o chefe dos sacerdotes segundo o mandato de Salomão, depois da morte de Davi (2.35).[iv]


Acerca de alegações que visam negar a existência de um intervalo de tempo entre 1 Crônicas 29.22b, é imprescindível lembrar-se, como já foi abordado no capítulo 4, que a intenção de tais textos não é oferecer uma cronologia dos fatos, antes a questão teológica é o que pesa muito mais, e que jamais podemos ver os textos escriturísticos assim como as prosas modernas e lineares que conhecemos atualmente. A importância desse saber é que dele depende a correta interpretação e exegese bíblicas.


NOTAS

[i] Isso atesta e comprova mais uma vez a verdade escrita em 1 Pedro 1.19-21, de que muitas vezes a própria opinião do profeta ou hagiógrafo era até mesmo contrária à mensagem que Deus colocava em sua boca ou pena.

[ii] Ibid., p. 304. Eugene Merril afirma que a “impressão comunicada pelo cronista é que a transferência de poder de Davi para Salomão ocorreu tranquilamente e sem qualquer oposição. Mas este não foi o caso, como o escritor de 1 Reis esclarece. O cronista normalmente estava interessado em resultados básicos, não nas circunstâncias ou ações pelos quais se concretizavam. Isso é verdadeiro especialmente em relação à área política, pois o cronista preocupava-se primariamente com as questões do templo e do culto” (p. 296).

[iii] Ibid., p. 261.

[iv] Ibid., p. 261, 262.

CARVALHO, César Moisés. Davi. As vitórias e as derrotas de um homem de Deus. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp.212-14.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Você já pensou em quantas pregações já ouviu?

Você já pensou em quantas pregações já ouviu?

Quais foram os resultados no seu dia a dia de tantos sermões ouvidos todos os domingos?

Talvez você tenha dificuldade de responder a segunda pergunta. Eu também tenho. É claro que muitos sermões me marcaram. Outros colocaram tijolos nos muros de sustentação da minha vida. Alguns sermões não esqueço. Agora, a maioria eu já esqueci. Por quê?

Já reparou como nós, principalmente pentecostais, ouvimos tantas amenidades? Ouvimos histórias e mais histórias, testemunhos e mais testemunhos, autoajuda e mais autoajuda, piadas e mais piadas, gritarias e mais gritarias, palavras de ordem e mais palavras de ordem. Tudo isso é tempo jogado fora diante da principal função do pregador, que é pregar a Palavra de Deus com todo o cuidado e carinho, respeitando o texto e fazendo uma boa interpretação, assim também como uma boa aplicação.

A questão não é se a pregação usa uma metodologia expositiva ou textual, mas sim se o pregador se preocupa com a mensagem original do texto bíblico. Poucos se preocupam com esse aspecto. Preferem ler livros idiotas, como aqueles de “divina revelação”, do que mergulhar nos capítulos e versículos de sua Bíblia empoeirada.

Tristes trópicos, tristes tempos. Aliás, como diz o amigo Vinícius Pimentel: “Triste tempo em que os reformados precisam de renovo, e os renovados precisam de reforma”.

(No próximo post teremos a segunda parte do artigo sobre o arrebatamento de Paulo)

I Encontro de Editores e Leitores de Blogs Apologéticos

O evento se realizará nos dias 12, 13 e 14 de Março de 2010.

Mais informações sobre a inscrição:

http://www.editoresapologeticos.com/

A hospedagem e os fóruns acontecerão no Hotel Estanplaza International, na zona sul de São Paulo (SP). Tudo acontecerá nos três dias de evento, que visam edificação por meio de palestras, além da comunhão entre blogueiros e leitores de todo o Brasil.

Para outras informações acesse o blog do pastor Newton Carpintero, da Assembleia de Deus nos Estados Unidos, que é o organizador do evento.

http://www.pastornewton.com/