quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Nunca teremos uma igreja ideal

No primeiro trimestre de 2011, nós assembleianos, estudaremos o livro de Atos dos Apóstolos na Escola Bíblica Dominical. Será uma rica oportunidade da aprender uma verdade essencial: Nunca teremos uma igreja ideal nesta terra. Leia Atos atentamente e verá que a avivada igreja dos primeiros dias da Era Cristã tinha problemas sérios, como uma briga por causa de cestas básicas. A igreja de Atos era boa, aliás, era ótima, mas nunca foi perfeita.

Alguns que acreditam em perfeição na vida presente acabam decepcionados com as igrejas e abandonam as instituições eclesiásticas ou criam novas comunidades religiosas com o nobre propósito de revolucionar o mundo. Só que depois eles repetem os mesmos vícios da instituições que tanto condenavam. E assim o processo é cíclico: A instituição viciada gera um movimento contrário e inovador que depois se institucionaliza e se vicia.

A igreja é constituída de homens. Como pode ser perfeita? Você que lê este texto está cheio de defeitos. O autor deste blog é uma pessoa com defeitos espantosos. Como encontraremos uma ambiente de perfeição? Somos anjos? Não, somos gente! Não minta para você mesmo. O caminho da salvação começa no reconhecimento da imperfeição. Os sãos, disse Jesus, não precisam de médicos. Mas os doentes, todos nós, precisamos de uma UTI urgente.

Você e eu, eu e você, nós todos, temos mais vícios do que virtudes. Admiramos os místicos da Idade Média, mas jamais vamos largar nosso conforto dos tempos modernos para aquelas vidas rudes. Estamos lendo Teresa de Ávila em um Reader e a Bíblia nos smartphones e não vamos largar essas maquininhas pensadas por Steve Jobs. Não disso é errado. A tecnologia é dádiva divina. Mas cito esses exemplos para falar que renúncia do conforto é uma ideia ausente do nosso vocabulário vivido e sempre presente no nosso falatório. E ainda estamos exigindo uma igreja perfeita...

E será que muitos desses do Movimento dos Sem-Igreja (MSI), na verdade, não estão com uma desculpa para justificar o abandono da fé cristã?

Mas uma observação é importante. Nenhuma igreja é perfeita, mas temos igrejas melhores e piores. Há igrejas (?) que são verdadeiras maldições e é melhor sair delas. Mas mesmo não sendo possível a plenitude nesta terra, é a nossa missão trabalhar pelo avanço de uma igreja mais saudável. Mas avivamento não é coletividade. Avivamento começa no indivíduo. Deus olha homens e não multidões. Se quisermos uma igreja avivada precisamos deixar Deus operar em nossas vidas.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Jeitinho Evangélico Brasileiro!

Leia (em itálico) a reprodução do interessante post escrito pelo pastor Altair Germano. Comento no final.

Contradições Evangélicas

Uma igreja bastante radical e exigente com seus membros aqui em Pernambuco, inseriu em sua programação musical da TV vários clipes com irmãos em Cristo totalmente fora dos "padrões" estabelecidos pela denominação.

A mensagem silenciosa deste ato é a seguinte:

- Amados, vocês podem assisti-los, podem cantar o que eles cantam e adorar como eles adoram. Vocês só não podem usar o que eles usam, e se vestir como eles se vestem. Afinal, eles são primos, e nós não temos tal costumes, não aprendemos assim.

Detesto este tipo de hipocrisia, este jeitinho evangélico brasileiro de lidar com aquilo que não se sustenta à luz da Bíblia.

http://www.altairgermano.net/2010/12/contradicoes-evangelicas.html

Comento:

Achei muito interessante a expressão “jeitinho evangélico brasileiro”, pois expressa uma realidade que mostra como a nossa cultura decaída está presente nas igrejas evangélicas. Igrejas legalistas nunca foram coerentes com seus “princípios” hipócritas e antibíblicos. O legalismo é um mal que infelizmente muito consideram como um “mal menor”.

Igrejas legalistas costumam cultivar outros “jeitinhos”:

  • Uso de terrenos irregulares para construção de templos;

  • uso de rádios piratas com “hora da profecia”;

  • rejeição dos direitos trabalhistas para aqueles que são funcionários dos templos;

  • abuso de autoridade;

  • venda de votos dos membros da igreja;

  • briga do poder político e eclesiástico (vide CGADB);

  • caciquismo;

  • nepotismo;

  • etc.

Todos esses mundanismos são tolerados e praticados por igrejas “santas” (aquelas que condenam brincos e brigam por cargos).

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal para todos!

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz! (Isaías 9.6)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cristianismo na Alemanha

Amigos,

A Editora Fiel mantém um blog no seu site que é editado pelo teólogo Franklin Ferreira. Convido vocês a lerem o texto do meu amigo e leitor Matias Heidmann sobre a situação do cristianismo na Alemanha, que está publicado na página online da editora reformada. Tenho uma breve participação no artigo, mas Heidmann nos traz informações importantes sobre facetas da cristandade em uma terra que nos deu a Reforma Protestante com Martinho Lutero.

Leia aqui:http://blogfiel.com.br/2010/12/cristianismo-na-alemanha-desilusao-ou-esperanca.html

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pregação expositiva não pode ser confundida com descrição de termos gregos no PowerPoint!

Caros amigos,

Leiam com atenção o trecho abaixo do livro A Espiral Hermenêutica: Uma Nova Abordagem à Interpretação Bíblica (Edições Vida Nova), do teólogo Grant R. Osborne.

Volto no final.


Pregação Expositiva

Defendo com unhas e dentes a ideia de que o alvo da hermenêutica não é a teologia sistemática, mas o sermão. O verdadeiro propósito das Escrituras não é explicação, mas exposição, não é descrição, mas proclamação. A Palavra de Deus fala a cada geração, e a relação entre significado e significação resume a tarefa da hermenêutica. Não basta recriar o significado original pretendido de determinada passagem. Precisamos elucidar sua significação para os nossos dias. Exposição significa uma mensagem baseada na Bíblia, em geral uma série que conduz a igreja através de um livro como Isaías ou Romanos. Um sermão temático pode ser expositivo, contanto que ele faça a pergunta “o que a Bíblia diz sobre este assunto?”, e em seguida conduza a congregação através do que a Palavra de Deus revela sobre o assunto em questão.

Walter Liefeld afirma que uma mensagem expositiva tem integridade hermenêutica (reproduz o texto com fidelidade), coesão (sentido do todo), movimento e direção (observa o propósito ou objetivo de uma passagem) e aplicação (observa a relevância da passagem para hoje). Sem cada uma dessas qualidades, um sermão não é verdadeiramente expositivo. Algumas pessoas revelam um falso conceito de exposição como se fosse uma simples explicação do significado de uma passagem. Tais sermões se destacam pela presença de retroprojetores com transparências difíceis de entender e detalhes sobre grego e hebraico. Infelizmente, embora as pessoas saiam impressionadas com a erudição demonstrada, suas vidas não são transformadas, e elas se convencem de que jamais poderão estudar sozinhas a Bíblia, mas precisam sempre voltar a cada domingo para ouvir o “especialista”. E com isso estamos de volta à Idade Média! Na verdadeira pregação expositiva, o “horizonte” dos ouvintes deve se fundir com o “horizonte” do texto. O pregador deve se perguntar como o escritor bíblico aplicaria as verdades teológicas da passagem, se estivesse se dirigindo a uma congregação de hoje.

Haddon Robinson define a pregação expositiva como “a comunicação de um conceito bíblico derivado e transmitido através de um estudo histórico, gramatical e literário de uma passagem em seu contexto, a qual o Espírito Santo aplica primeiramente à pessoa do pregador para então aplicá-la, por meio dele, aos seus ouvintes”. É uma excelente definição e toca em várias questões que já discutimos. Pregadores de nossos dias precisam primeiro ter um encontro com o texto em sua situação original e depois com a significação do significado original para si mesmos. Em seguida, devem transmitir essa significação aos ouvintes, que antes devem ser conduzidos ao contexto bíblico e depois à relevância que ele tem para suas necessidades pessoais. Muitas vezes, os pregadores enfatizam demais um lado ou outro, de modo que o sermão se transforma numa exposição árida ou num passatempo dinâmico. Ambas as esferas, o significado original do texto e a significação para nosso contexto, são essenciais na pregação expositiva, que é o verdadeiro objetivo do empreendimento hermenêutico.

(OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica: Uma Nova Abordagem à Interpretação Bíblica. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2009. p 36-37.)


Comento:

É muito importante o alerta de Grant R. Osborne. Não podemos confundir exposição do texto bíblico com mera explicação técnica de termos originais, mesmo sendo essa uma importante fonte de informação para a compreensão do texto bíblico. A aplicação do texto para a realidade atual é essencial quem qualquer mensagem bíblica.

E no mais recomendo fortemente o livro A Espiral Hermenêutica, sendo uma obra de interpretação bíblica que responde muitas questões levantadas pelos críticos da ortodoxia cristã. Se você é um jovem estudante ou um teólogo veterano a obra certamente ensinará muito com linguagem fácil.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O que chegará primeiro: o fim do mundo ou o centenário assembleiano?

Chegamos quase em 2011, quando a Igreja Evangélica Assembleia de Deus completa 100 anos, mas o estado atual da denominação não dá ânimo para comemorações. Qual o motivo para esse comentário?

Por favor, caro leitor, leia atentamente o post do amigo Judson Canto sobre uma ação judicial envolvendo a Assembleia de Deus em São José dos Campos.

http://judsoncanto.wordpress.com/2010/12/19/samuel-camara-e-afastado-da-presidencia-da-ad-de-sao-jose-dos-campos/

Como comentou o pastor Carlos Roberto, do blog Point Rhema ( http://pointrhema.blogspot.com/2010/12/pr-samuel-camara-e-afastado-da.html), é lamentável que questões envolvendo a direção de uma igreja envolvam a justiça secular.

Resumindo: Parte importante da alta liderança assembleiana está embriagada pela busca de poder, glória, fama, prestígio, vaidade e outros pecados que são frutos do orgulho humano. É mundanismo puro. Estão brigando na justiça para ver com quem fica uma grande igreja em uma importante cidade do interior de São Paulo. Tudo isso é muito nojento. O Evangelho, a glória de Deus, o crescimento do Reino estão longe dessas picuinhas pelo poder!

Independente se há alguém certo e com razão nessa história, nada justifica essa briga por poder!

Que Deus tenha misericórdia da Assembleia de Deus, que tanto ajudou e ajuda na evangelização do Brasil. Também lamento pela memória de Gunnar Vingren e Daniel Berg!


sábado, 18 de dezembro de 2010

Lição 12 - Quando o crente não ora

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD.

Texto Bíblico: Jonas 1.1-5,11,12,15

O pecado de não orar

“Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes vos ensinarei o caminho bom e direito”
(1 Sm12.23)

O pecado pode ocorrer basicamente de duas formas. A mais comum a de quem pratica o mal, e por isso, evidentemente, está pecando, sem nenhuma sombra de dúvida. Mas também é possível pecar deixando de praticar o bem que se pode realizar. É o que expressa Tiago, o irmão do Senhor: “Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando” (Tg 4.17).

Há muitos cristãos, que de cristãos só têm o nome. Mas todos sabem que devem orar e precisam orar; que a oração é o poderoso fator de equilíbrio e vitória espiritual; que a oração é o assunto que permeia toda a Bíblia e que foi a poderosa arma usada por todos os servos de Deus, no decorrer da história; todos sabem que os profetas foram homens de oração e que Jesus, o Mestre, era o maior exemplo de oração em todos os tempos; que também os apóstolos reconheciam o valor da oração e o evidenciavam orando com regularidade. Todos os que atentam para a história do povo de Deus, sabem que os avivamentos que o mundo já viu, que o povo desfrutou, foram precedidos e sustentados pelas orações daqueles que tiveram coragem de enfrentar as forças diabólicas, orando a Deus com persistência e com fervor.

Você está observando atentamente nesta mensagem deixada para nós pela história? Você reconhece e admite a veracidade bíblica e histórica do que estamos dizendo aqui? Acha que a oração é tudo isto que estamos ensinando? Mais algumas perguntas, e estas exigem muita sinceridade na resposta. Você está orando? Como está sendo a sua oração? Está orando com regularidade? Está orando continuamente? As suas orações, qual incenso de aroma agradável, estão subindo ao céu? O anjo de Deus poderá dizer da sua oração o que disse a oração de Cornélio, que ainda não era um membro da igreja: “As tuas orações... subiram para memória diante de Deus”?

Por que não orar é pecado? Primeiro, porque é mandamento de Jesus. O Senhor disse: “Vigiai e orai”. Paulo ensina: “Orai sem cessar”, e também: “Perseverai em oração, velando nelas com ações de graças”. Segundo, porque orar por nós mesmos, e uns pelos outros, é o meio mais seguro para vencermos todo o mal e alcançarmos o céu. Porque orar e interceder, como diz a Bíblia, “ por todos os homens”, é o meio divino de ajudá-los e de expressar o nosso amor por aqueles a quem Deus ama e quer salvar.

Não orar é pecado, porque não orar é o caminho certo para uma vida espiritual raquítica, falida e infrutífera. Não orar é o caminho seguido por muitos que fracassaram e deixaram de si uma história triste e um exemplo demolidor. Não orar tem sido o caminho pelo qual muitos se distanciaram da Igreja de Deus, e morreram no pecado e estão perdidos para sempre. Não siga tal caminho. Desperte enquanto é tempo. Se você peca deixando de orar, poderá pecar de muitas outras maneiras. Não peque deixando de orar. Desperte. Como está escrito: “Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará” (Ef 5.14). Ore. Ore mais. Quem mais ora, mais poder tem para enfrentar as adversidades da vida! (SOUZA, Estevam Ângelo. Guia Básico de Oração. pp.231-35,CPAD).

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A contingência!

Caros leitores,

Na filosofia definimos contingência como: "caráter do que ocorre de maneira eventual, circunstancial, sem necessidade, pois poderia ter acontecido de maneira diferente ou simplesmente não ter se efetuado" (Dicionário Houssais). Ou seja, se você sofre uma tragédia, como a morte de um filho, não é porque Deus quis (vontade absoluta) ou porque você esteja em pecado (aplicação da ira divina), mas é a tragédia que não tem uma explicação, pois simplesmente aconteceu. E é claro que Deus usa esse mal para o bem, mas Ele não é o agente da tragédia.

Portanto, convido que todos leiam o texto do jornalista português João Pereira Coutinho sobre a contingência. Não é um texto teológico, mas filosófico, porém podemos muitos bem discuti-lo nas aulas sobre a relação da Soberania de Deus e as tragédias que se abatem sobres os homens. Infelizmente, hoje existe uma forte tendência entre teólogos brasileiros de explicarem essa complicada relação "soberania divina e tragédia humana" diminuindo a própria pessoa de Deus, e o Teísmo Aberto é exemplo disso. Já o determinismo hipercalvinista não demora para atribuir toda atrocidade e maldade para um Deus santo e justo.

01. Leia mais sobre o Teísmo Aberto aqui:

http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/03/tesmo-aberto-e-suas-implicaes-teologia.html

02. Leia o texto de João Pereira Coutinho (Folha de S. Paulo, 14 de dezembro de 2010):

A tirania da contingência

Só somos destruídos pelo que não controlamos quando alimentamos em nós a ilusão de que tudo controlamos

SEMPRE QUE acontece uma tragédia nas nossas vidas -um fracasso amoroso, uma doença súbita, a perda de alguém que amamos- a velha pergunta regressa para nos assombrar: "Por que eu?" "Por que a mim?".

A pergunta certa não é essa, naturalmente. A pergunta certa seria: "E por que não eu?", "E por que não a mim?".

Mas a nossa "forma mentis" está programada para recusar "a tirania da contingência", para usar a expressão primorosa do narrador de Philip Roth no seu último romance, "Nemesis" (Jonathan Cape, 280 págs.). Aceitar a "tirania da contingência", tema fulcral das obras tardias de Roth, seria destruir a crença basilar da nossa civilização racionalista: a de que tudo depende dos nossos esforços racionais rumo a um fim perfeito. E racional.

Essa crença é cultivada por Bucky Cantor, o personagem central de "Nemesis". Bucky começou mal na vida: a mãe morreu no parto; o pai apodreceu no cárcere. Bucky foi educado pelos avós. Melhor: pelo avô, que incutiu nele uma inabalável crença nas suas forças e capacidades.
O resultado não poderia ser mais brilhante: física e mentalmente forte, Bucky é um Super-Homem em Newark, o território eletivo de Roth.

Claro que, para sermos rigorosos, a "tirania da contingência" sempre esteve presente na vida de Bucky.

Perder a mãe e o pai, mas ter avós disponíveis para uma educação de excelência, não é para qualquer um. É, digamos, uma "sorte". A "contingência" não significa necessariamente um mal; a contingência significa apenas que existe uma margem de imponderabilidade nas condutas humanas onde o mal e o bem acontecem.

E acontece com Bucky. Depois de ter sido salvo pelos avós na infância, Bucky será novamente salvo. Dessa vez, salvo na juventude e uma vez mais por um infortúnio pessoal.

A Segunda Guerra Mundial rebenta para os Estados Unidos depois de Pearl Harbor. Mas Bucky não marcha para o Pacífico como os rapazes da sua idade. Uma visão deficiente e um excesso de dioptrias obrigam-no a ficar em casa. Um destino que Bucky aceita, resignado, embora com um sentimento de culpa que já denuncia a sua incapacidade para aceitar que nem tudo obedece à nossa exclusiva vontade. Pela segunda vez, Bucky é salvo pela "tirania da contingência".

Não haverá terceira vez. Porque, se Bucky não foi à guerra, a guerra vem até ele. Não uma guerra tangível, feita de armas ou bombas; mas uma guerra imaterial, silenciosa e pestífera.
Estamos em 1944 e Newark estremece com uma epidemia de poliomielite. Falar da pólio, hoje, é o mesmo que falar de um dinossauro: uma doença de museu, não mais, depois da descoberta da vacina na década de 50.

Mas a pólio não era uma doença de museu em 1944. Era um vírus furtivo que roubava vidas e destroçava infâncias com violência inaudita.

Philip Roth é primoroso na descrição dessa peste: na descrição do medo que contamina a comunidade; do pânico que se apodera dela; da morte que se abate sobre os mais frágeis; da raiva que é cultivada pelas famílias enlutadas; e, sobretudo, da impotência dos homens para travar um castigo de Deus.

Pelo menos, Bucky acredita que sim. Faz parte da mentalidade racionalista atribuir ao divino a natureza do imponderável. Só um Deus louco, injusto e cruel pode enviar um castigo tão louco, tão injusto e tão cruel.

Mas é justificativa que dura pouco. A educação de Bucky conspira contra ele e a sua consciência exige um culpado mais terreno, mais humano. A pólio pode vir do patrão lá de cima. Mas é preciso alguém que a transporte e dissemine cá por baixo.

Esse alguém só pode ser Bucky, professor de ginástica que convive diariamente com os rapazes. E que, ao vê-los tombar, um por um, como soldados numa batalha invisível, assume em si a responsabilidade do massacre.

Lendo "Nemesis", narrativa magistral de um Roth crepuscular, entendemos como a contingência só é destrutiva quando existe em nós "um sentido deslocado de responsabilidade", para usar as sábias palavras do médico da história.

Ou, trocando em miúdos, só somos verdadeiramente destruídos por aquilo que não controlamos quando alimentamos em nós a ilusão de que tudo controlamos.

Agora que 2010 caminha para o fim, está encontrado o livro do ano.

João Pereira Coutinho nasceu em Portugal, na cidade do Porto, em 1976. Formado em História, na variante de História da Arte, é também doutorado em Ciência Política pela Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, onde ensina como professor convidado. é colunista do "Correio da Manhã", o maior jornal português. É autor de "Avenida Paulista", onde reuniu seus artigos para a Folha, foi publicado no Brasil pela Record. Na Folha, assina coluna na Ilustrada às terças-feiras e, quinzenalmente, às segundas-feiras, no site do jornal.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ouçamos os roqueiros!

Quem ouve o som (sem entender a letra) e olha para a aparência de uma banda de rock cristão chamado Petra certamente pode desprezar a música. Mas logo depois acontece que aquele que rejeita simplesmente liga o som com “hinos” que exaltam o homem egocêntrico, vingativo e cheio de um triunfalismo supostamente sustentado por Deus.

Mas agora ouça e reflita na letra dos roqueiros do Petra:

http://letras.terra.com.br/petra/119185/traducao.html

Infelizmente, temos uma igreja que deixa de cantar o “Credo” dos roqueiros para cantar “O Sabor de Mel” das cantoras pentecostais ludibriadas pelo sentimento de vingança e triunfo vazio.

Pois é, quem diria, mas devemos afirmar que os roqueiros do Petra estão com letras bem bíblicas, enquanto aquelas cantoras de igrejas legalistas cantam heresias e mais heresias. Ouçamos os roqueiros!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Uma campanha cristã muito inútil!

Dizer que os não-crentes são obrigados por Deus a viverem debaixo do mesmo padrão dos crentes, não pela graça especial, mas por força externa coerciva, é trocar as prioridades do Reino de Deus. (Norma Braga)

Penso nisso! O cristianismo não é o islamismo. A obediência aos princípios bíblicos não é uma imposição, mas uma decisão do coração regenerado pelo Espírito Santo. Então, em lugar de tentar convencer seus amigos bêbados que “encher a cara” é pecado, simplesmente apresente Cristo, o único que libertará essa vida dos vícios destrutivos! Primeiro se evangeliza para depois ocorrer o discipulado. Não podemos inverter os papéis.

Hoje, inúmeros jovens evangélicos fizeram a campanha “EU VOU CASAR VIRGEM” no microblog Twitter. Ora, do que adianta essas campanhas? Só gerou inúmeras piadas e debates inúteis naquele espaço entre pessoas não-cristãs que acham um absurdo a preservação da virgindade. Eles jamais vão respeitar a posição dos cristãos!

Não adianta. Muitos princípios cristãos só serão aceitos pelo homem regenerado. É melhor a campanha “NECESSÁRIO É NASCER DE NOVO” do que uma afirmação da virgindade. Essa campanha é a mesma coisa que afirmar “EU NÃO VOU ROUBAR NINGUÉM NA MINHA VIDA” ou “EU VOU SER HONESTO COM TODOS”. São expressões vazias e sem sentido para a conversão de uma alma necessitada do perdão de Deus.

Evangelizar não é afirmar que casará virgem, mas sim apresentar Cristo para aquele que não nasceu de novo! Não podemos perder o foco!


sábado, 11 de dezembro de 2010

Lição 11 - A Oração que Conduz ao Perdão

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD.

Introdução:
I. O pecado nos afasta de Deus
II. Confissão e Perdão
III. A restauração do pecador
Conclusão

PERDÃO E CONFISSÃO

Perdão. A doutrina do perdão, proeminente tanto no AT quanto no NT, refere-se ao estado ou ao ato de perdão, remissão de pecados, ou à restauração de um relacionamento amigável. Central à doutrina do AT está o conceito de cobrir o pecado da vista de Deus, representado pela palavra heb. Kapar (Salmos 78.38; cf. Dt 21.8; Jr 18.23). Isto é indicado pelas várias traduções da palavra tais como “apaziguar”, “ser misericordioso”, “fazer reconciliação”, e o uso mais proeminente na expressão “fazer expiação”.

Em Levítico 4.20 está declarado: “o sacerdote por eles fará propiciação [de kapar], e lhes será perdoado [de salah] o pecado”. Uma terceira palavra heb., na’as, ocorre frequentemente com ideia de “levantar” ou “dispersar” o pecado (Gn 50.17; Êx 10.17).

Destas passagens fica claro que o perdão depende de um pagamento justo, de uma penalidade pelo pecado. Os sacrifícios do AT proporcionaram tipicamente e profeticamente uma expectativa do sacrifício final de Cristo (cf. At 17.30; Rm 3.25). O perdão como um relacionamento entre Deus e o homem depende dos atributos divinos de justiça, amor e misericórdia, e é baseado na obra de Deus ao providenciar um sacrifício apropriado.

A doutrina do perdão antecipada no AT tem sua plena revelação em o NT. Aqui, três palavras principais se destacam: (1) “despedir” e “remissão” (Mt 6.12,14,15; 9.2,5,6 etc.); (2) “ser misericoridioso” (Lc 7.43; Ef 4.32; Cl 2.13; 3.13); (3) “soltar” (Lc 6.37). Em o Novo Testamento o perdão faz parte do programa total da salvação, proporcionado para aqueles que creem em Cristo. No perdão, a culpa pelo pecado é perdoada e substituída pela justificação, através da qual o pecador é declarado justo. O perdão está sempre incluído em toda a obra de Deus pelo pecador; ele é basicamente judicial, e provê a remissão ao pecador.

Um outro aspecto grande e importante da revelação do NT diz respeito aos cristãos que pecam. Embora judicialmente todos os pecados sejam perdoados quando o pecador é salvo através da fé (Jo 3.18; Cl 2.13), se o pecado entrar na vida de um cristão, ele afetará o relacionamento deste com o Pai Celestial. O perdão e a restauração da comunhão que se fazem necessários são efetuados mediante a confissão dos pecados (1 Jo 1.9) e o arrependimento (Lc 17.3,4; 24.47; At 5.31). O lado divino é zelado pela eficiência e pela eficácia da morte e intercessão de Cristo (1 Jo 2.1); Cristo roga ao Pai a favor do pecador com base em seu próprio sacrifício.

Portanto, todo pecado se torna imperdoável se o indivíduo passar desta vida para a eterna sem se beneficiar da graça divina, pois o perdão é concedido durante a nossa vida neste mundo.

O perdão também é uma obrigação no relacionamento entre os homens, e os crentes são exortados a perdoarem-se uns aos outros (Ef 4.32; cf. Mt 16.13,14).

Confissão. A palavra significa fazer uma admissão (geralmente com voz fraca) de uma mudança de posição. Quase todas as passagens bíblicas podem ser classificadas sob dois aspectos: uma confissão de pecado ou uma confissão de fé. A confissão de pecado é feita a Deus (Sl 32.3-6; 1 Jo 1.9), àquele que sofreu o dano (Lc 17.4), a um conselheiro espiritual (2 Sm 12.13; Tg 5.17), ou à congregação de crentes (1 Co 5.3ss; cf. 2 Co 2.6ss). A confissão de fé deve ser feita abertamente diante dos homens (Mt 10.32; Rm 10.9; 1 Tm 6.12,13; Hb 3.1; 4.14; 10.23). No final, todos os homens serão obrigados a confessar o senhorio de Cristo (Fp 2.11).

Texto adaptado da obra “Dicionário Bíblico Wycliffe”, Rio de Janeiro: CPAD.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Dica cultural: As Crônicas de Nárnia - A Viagem do Peregrino da Alvorada

Estreia hoje nos cinemas o filme As Crônicas de Nárnia - A Viagem do Peregrino da Alvorada. É o terceiro filme da série de histórias de fantasia escritas pelo irlandês C. S. Lewis. Além do seu talento em literatura infantil e crítica literária, Lewis foi um apologista cristão de mão cheia! Assista o trailer do filme e acompanhe as aventuras de Lúcia, Edmundo e o Rei Aslan nas terras de Nárnia.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Caros televangelistas, os limites são importantes!

Os limites e restrições que a vida nos impõe- ou que sabiamente decidimos acatar- são o que muitas vezes nos protege de nós mesmos.

A frase acima é do romance A Ilusão da Alma (Companhia das Letras, p. 57), do economista e filósofo Eduardo Giannetti da Fonseca. Tal verdade deveria ser exposta na porta de cada igreja que ainda apela para o triunfalismo e para a teologia da prosperidade. Ora, os limites... eis uma faceta da vida que precisamos sempre conhecer!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Resultado do sorteio do livro “Surpreendido pela Esperança”

Amigos, cada um de vocês que comentaram no post da promoção ganharam um número por ordem de postagem. A ordem ficou assim:


1- Ricardo Andrade Leite

2- Wirley da Silva Almeida

3- Elton Souza Cordeiro de Morais

4-João Carlos Ferreira Batista

5- Leandro Henrique Dessart

6- Zwinglio Rodrigues

7- Clébio Lima de Freitas

8-Creuza Dolores da Silva de Moura

9- Paulo Roberto Ribeiro

10- Estêvão Pinheiro Pereira

11- Cesar Augusto da Rosa Soares

12- Diego Zwang de Araujo

13- Victor Leonardo Barbosa

14- Ernane Mendes Souza Freitas

15-Marcelo Roberto de Oliveira e Oliveira

16- Helton Bernardo da Silva

17- Gabriel Alexsander de Araujo

18- Otniel Cabral Ramos

19- Felipe Brant de Carvalho Delfim

20- Jean Patrik

21- Rafael Theodoro

22- Wanderson Nascimento dos Santos


O site RANDOM.ORG fez o sorteio automático e o vencedor foi:

18- Otniel Cabral Ramos

Parabéns ao nosso amigo que neste momento já recebeu um e-mail informando da vitória.

Aguardem! Teremos mais sorteios em breve.

E não se esqueçam de seguir o perfil @gutsiqueira.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A pregação precisa comunicar

Caros pregadores, especialmente de igrejas pentecostais, evitem algumas manias que atrapalham a transmissão da mensagem. O nosso objetivo é que o Evangelho seja o mais claro possível para todos aqueles que ouvem.

  1. Não grite como um histérico

Sim, há muita gritaria superficial nos púlpitos. Eu sei que pessoas mais extrovertidas tendem a se expressarem de maneira mais exagerada. É um traço da personalidade de muitos homens e mulheres. Ser extrovertido, dinâmico ou animado não é nenhum mal, mas o exagero prejudica a transmissão de uma mensagem, seja ela pregação ou conversa na lanchonete. Portanto, não fique gritando como um maluco no estádio de futebol ou num show de rock. No estádio ou no Rock in Rio os frequentadores estão poucos interessados no que ouvem, mas não deve ser assim na igreja cristã.

  1. Não faça repetições de histórias sem aplicação

Quando vezes você, em uma igreja pentecostal, já ouviu a história de Daniel na cova dos leões ou o sobre a cura da mulher com fluxo de sangue? Os pregadores leem as histórias e logo depois a repetem como quem querem teatralizar o fato contado. A história não é para ser repetida duas vezes. Primeiro você lê ou conta o relato, mas depois você deve aplicar o texto e expô-lo para que as pessoas ouçam os princípios ensinados naquele registro bíblico. Muitas vezes a pregação tem uma hora de duração, mas os membros da igreja só ouviram e viram a teatralização da história sem aplicação. Quando se lê sobre Daniel na cova dos leões, em pleno púlpito, é preciso responder uma pergunta básica para os ouvintes: o que Daniel nos ensina com o seu exemplo de vida?

  1. Não use palavras difíceis

Os pregadores mais eruditos (eruditos de verdade) que ouvi foram simples na escolha das palavras para suas pregações. Alguns até escrevem textos dificílimos, mas quando falam com uma congregação são bem claros em suas palavras. Agora, jovem pregadores pentecostais tomados pela terrível vaidade apreendem uma palavra nova e logo jogam no púlpito com o objetivo de impressionar. Eu já ouvi a seguinte pérola em um culto de praça: - Estamos aqui nesse evento apologético e didático! Ora, será essa a melhor maneira para falar “culto evangelístico”? Além disso, as palavras foram desproporcionais para descrever aquele evento na praça do bairro. Quem é erudito sabe conversar com eruditos (como em um Café Filosófico, por exemplo) e com pessoas simples (ao tratar bem sua faxineira semi-analfabeta). Como nas igrejas temos pessoas de todos os níveis educacionais não devemos nem apelar para o simplismo e nem para as palavras incompreensíveis.

  1. Não seja regionalista

Eis um mal que acontece especialmente numa capital cosmopolita como São Paulo. Alguns pregadores vindos de outras regiões, seja sul ou norte, carregam consigo algumas expressões que ninguém entende na cidade de São Paulo. O contrário também é verdadeiro. Se você usa uma expressão estranha o melhor é explicar. Alguns exemplos de regionalismos são interessantes: Em São Paulo a palavra “moleque” não é ofensiva, mas no Nordeste é um xingamento grave. “Rapariga” é a palavra mais usada para prostituta no Nordeste, pouco comum em outras regiões. Em São Paulo há “mandioca” e “mandioca brava” (venenosa), mas em outros estados a mandioca é macaxeira e a mandioca brava é simplesmente mandioca. Não despreze sua cultura, mas lembre que ninguém é obrigado a entendê-la completamente, portanto, seja explicativo.

  1. Seja o mais didático possível

Certa vez falei em uma aula de Escola Bíblica: - O teólogo Atanásio, da patrística, é considerado o pai da ortodoxia. Logo em seguida perguntei se as pessoas entenderam a frase. Uma irmã se manifestou e disse que não. Então perguntei qual das palavras ela não conhecia. A resposta foi surpreendente para mim: - Eu não conheço o significado das palavras teólogo, patrística e ortodoxia. Ou seja, não houve comunicação alguma. Então traduzi para a irmã: - O teólogo é a pessoa que estuda sobre Deus e a Bíblia Sagrada, como todos nesta aula. Patrística é como definimos os pastores e bispos que exerceram importante influência na liderança e no ensino da igreja primitiva após a morte dos apóstolos. E ortodoxia é o equivalente para doutrina correta, ensino bíblico e verdadeiro.

Nenhuma das definições que dei foram acadêmicas, mas simples, pois era a forma mais rápida de ensinar aquela frase para a irmã que me ouvia. Muitas vezes há essa necessidade da explicação bem detalhada. Mas é necessário incentivar que a pessoa não fique eternamente presa a conceitos básicos.

  1. Não abuse do evangeliquês

Fico imaginando os descrentes ouvindo a conversa de dois crentes. É “varão” pra cá, é “vaso” pra lá, é “bênção” disso e “tremendo” daquilo. Ou seja, um novo idioma completamente distante das pessoas que precisam ouvir o Evangelho de Cristo. Alguns pensam inclusive que isso é uma “linguagem mais espiritual”. Pura bobagem. Na sua comunicação troque o “varão” por “homem”, pois só assim as pessoas vão entender o que você fala.

Conclusão

Sem comunicação não há mensagem. Sem mensagem não há quem ouça. Sem ouvir não há que tenha fé. Como escreveu Paulo: “Consequentemente, a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Rm 10.17 NVI).

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sorteio do livro “Surpreendido pela Esperança”

Amigos,

O Blog Teologia Pentecostal e o Portal Mádua (www.madua.com.br) sorteiam o livro Surpreendido pela Esperança (Editora Ultimato), do teólogo anglicano N. T. Wright.

O ganhador receberá o livro em casa diretamente pela loja Mádua.

Para participar do sorteio escreva um comentário com o nome completo, endereço de e-mail e (caso tenha) o seu perfil no twitter. Só serão aceitos comentários até do dia 07 de dezembro de 2010.

Para receber informações sobre outros sorteios incentivo que siga o meu perfil no twitter (@gutsiqueira).

Abaixo segue um pequena descrição dessa obra escatológica:

O que esperam os cristãos? Deixar este mundo mau e ir para o “céu”? O que queremos dizer quando nos referimos à “ressurreição do corpo” e como ela se ajusta à imagem popular de pessoas assentadas sobre as nuvens tocando harpas? Como tudo isso afeta o modo como vivemos aqui e agora? São estas algumas das questões que N. T. Wright aborda em Surpreendido pela Esperança.

Depois de explicar por que os cristãos acreditam na ressurreição de Jesus, o autor explora a esperança bíblica de “novos céus e nova terra” e mostra como a “segunda vinda” de Jesus e a ressurreição final fazem parte de um mesmo quadro mais amplo, juntamente com a esperança do “céu”. Pois, se Deus deseja restaurar toda a criação, a igreja não pode parar na “salvação das almas”, mas deve antecipar a restauração final, trabalhando pelo reino de Deus no mundo, trazendo cura e esperança para a vida presente.

Provocativo e de leitura agradável,Surpreendido pela Esperança pode surpreender e encantar todos os que estão interessados no sentido da vida – não apenas após a morte, mas antes dela.

N. T. Wright é para a atual geração de pensadores evangelicais o que John Stott, J. I. Packer e C.S. Lewis foram para as gerações anteriores." – Timóteo Carriker


sábado, 4 de dezembro de 2010

Aviso importante

Passei pela fase de conclusão da faculdade e ainda estou mudando de casa (no mesmo bairro) e por isso estou sem postar nesses dias. A partir da próxima semana volto com o ritmo normal.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Lição 10 - O Ministério da Intercessão

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD


LEITURA EM CLASSE
Gênesis 18.23-29,32,33

INTRODUÇÃO
I. A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA
II. CARACTERÍSTICAS DE UM INTERCESSOR
III. A FORÇA DA ORAÇÃO COLETIVA

CONCLUSÃO

Há consideráveis precedentes em favor da oração feita pela igreja local, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento (1 Cr 29.20; 2 Cr 29.28-31; At 1.14,24; 4.24-31; 12.5; 20.36).

O poder da oração congregacional não pode ser exagerado. Se a oração de um único crente pode muito em seus efeitos, quanto mais poderá a oração de uma congregação (At 12.5; Tg 5.16)? Se somente dois, em perfeito acordo no Espírito, podem obter “qualquer coisa que pedirem” (Mt 18.19), qual será o resultado quando uma congregação inteira orar com um só pensamento, unidos no Espírito? Temos algumas boas respostas ilustrativas: Quando a congregação de Jerusalém orou, depois de Pedro e João serem soltos da prisão, “moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus” (At 4.31). Noutra ocasião, quando a Igreja continuou a orar intensamente, mesmo sem real expectativa de resposta, o Senhor enviou o seu anjo e livrou Pedro das mãos de Herodes (At 12.5-16).

A oração congregacional pode assumir diversas formas. Pode incluir as orações feitas antes do culto, as que são realizadas após o culto e as que acontecem durante o culto, juntamente com todos os presentes. Pode abranger as reuniões regulares de oração na igreja, bem como períodos especiais de jejum e oração.

As orações feitas antes do culto não somente preparam o coração para o recebimento da Palavra de Deus, mas também criam uma atmosfera própria para a presença do Espírito Santo, capacitando os participantes a ministrarem com uma unção especial (Ef 6.18,19). Um horário e um lugar adredemente marcados para as orações antes do culto devem ser anunciados e propagados. Esse período de oração não requer qualquer estruturação, mas pode ser simplesmente uma oportunidade para aqueles que gostam de se reunir cedo, com o propósito de ficar esperando em Deus, de adorá-lo ou de apresentar suas petições diante do Senhor.

As orações realizadas depois do culto têm sido uma valiosa tradição na maioria das igrejas pentecostais e carismáticas. Essas orações são consideradas vitais para o bem-estar e o progresso espiritual de uma congregação local. Podem envolver orações pelos enfermos, orações com aqueles que buscam a salvação ou o batismo no Espírito Santo, orações por necessidades espirituais e orações e adoração de ordem geral. Muitas igrejas têm salas de oração adjacentes ao santuário, onde a congregação pode se reunir numa atmosfera um tanto quanto reclusa para a busca de Deus. Em outras igrejas, as orações depois do culto acontecem em redor do altar... Algumas congregações designam pessoas que têm a habilidade de encorajar e ajudar os outros, a fim de supervisionar esses períodos de oração.

As orações congregacionais ocorridas durante o andamento do culto deveriam buscar envolver todas as pessoas presentes, embora haja a tendência de haver limites estruturais e de tempo. Muitas congregações engajam-se em extensos períodos de adoração coletiva e oração, durante os quais são comuns as manifestações dos dons de elocução do Espírito Santo. A oração é geralmente liderada pelo pastor, um colega de ministério ou um membro da congregação. A participação da audiência, que diz “amém” e outras expressões de adoração, indicando concordância com aquele que lidera nas orações, é esperada e contribui para um sentimento de unidade, à medida que o corpo se aproxima do Senhor em oração e petição. Ocasionalmente, congregações inteiras unem-se em oração conjunta. Embora existam aqueles que criticam essa prática, não há como negar a existência de base e precedentes bíblicos (At 4.24-30). Esse sistema tem-se mostrado comum no movimento pentecostal, desde o seu início.

Uma vida de oração madura e bem desenvolvida pode atingir níveis sem paralelo de (1) comunhão com o Senhor e de (2) eficácia no suprimento das necessidades espirituais, fatos evidentes para onde quer que nos voltemos. Mas uma oração fervorosa e eficaz não ocorre simplesmente porque expressamos um pedido de oração. Tudo pode começar com elementares apelos de pedido de ajuda em tempos de crise ou em circunstâncias difíceis, mas deve amadurecer através da prática constante das formas tradicionais de oração. As práticas de oração sugeridas neste capítulo não têm um fim em si mesmo. São apenas formas externas identificáveis de oração, que podem ser usadas para os crentes crescerem no espírito, até que se tornem íntimos com Deus e se transformem em intercessores em favor de um mundo necessitado e que está morrendo espiritualmente.

Texto extraído da obra “Teologia Bíblica da Oração” Rio de Janeiro: CPAD.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Plena Satisfação em Deus

John Piper, parte 1 from Editora Fiel on Vimeo.


Título: Plena Satisfação em Deus - Parte 1.
Série de 8 pregações sobre a soberania de Deus, por John Piper.

Desenvolvido pelo ministério Desiring God, nos Estados Unidos, e produzido no Brasil pela Editora Fiel, este vídeo exclusivo faz parte de um DVD que contém 8 mensagens do pastor John Piper.

As mensagens serão compartilhadas com os membros da Comunidade Fiel. A cada mês o Informativo Fiel divulgará a próxima pregação desta série. Para receber as pregações em vídeo, artigos, ebooks e livros em mp3, gratuitamente, além de nossas promoções, faça seu cadastro clicando aqui.

domingo, 28 de novembro de 2010

Não fiquem animados!

Conversando com um professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie soube que pelo menos 70% dos alunos de graduação em teologia pertencem às igrejas pentecostais. E segundo esse mesmo professor, pelo menos metade são das Assembleias de Deus. Conversando com outras pessoas soube que o mesmo acontece nas demais faculdades tradicionais, talvez com menos intensidade, mas acontece. Os jovens assembleianos estão se qualificando no ensino teológico.

Depois de anos de anti-intelectualismo no seio assembleiano a notícia acima é muito animadora. Mas ao mesmo tempo o ânimo acaba. O motivo? Quase nenhum desses jovens talentos chegarão ao ministério eclesiástico. Mesmo que muitos deles sejam vocacionados para o ministério da Palavra, as igrejas continuam em um esquema antibíblico de ordenação. Muitos “chegam lá” por meio não convencionais, como amizade e bajulação. Forte isso? Mas é verdade.

Certa vez, quando ajudava na liderança de um grupo de jovens, tive um pequeno problema em um evento. Então fui conversar com o líder geral daquele grupo para solucionar o impasse e ele me perguntou: - Olha, Fulano da Silva (que era a liderança maior na área) viu você no evento? Eu respondi positivamente. Então ele respondeu: - Isso é o que importa! Fiquei calado e dias depois saí daquele grupo.

Ou seja, ainda muitos que fazem algum trabalho eclesiástico estão interessados em serem vistos por lideranças maiores. E infelizmente os “vistos” são promovidos. Há até ditado no meio eclesiástico assembleiano: “Quem não aparece não é visto”. Isso é horrível! É o caminho da bajulação. Nada tem a ver com as qualificações exigidas em o Novo Testamento.

Então não adianta preparo educacional e convicção da chamada ministerial. Ora, para a ordenação é importante “aparecer” aos líderes maiores. Sim, isso existe. Vamos ficar calados e achar que é assim mesmo? Muitas das ordenações estão baseadas em uma relação de amizade, compadrio e nepotismo.

Não estou generalizando. Mas há muito disso sim! Ou seja, muitos jovens vocacionados e teologicamente educados não chegarão lá porque simplesmente não são “vistos” e nem querem entrar nesse esquema. Chega disso!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Lição 09 - A oração e a vontade de Deus

Subsídio escrito pela CPAD

Elementos de uma oração eficaz

LEITURA EM CLASSE
João 14.13-17; 15.7; 1 João 5.14,15

INTRODUÇÃO
I. A ORAÇÃO E A VONTADE DE DEUS
II. ORAÇÕES NÃO RESPONDIDAS POR DEUS
III. ORAÇÕES ATENDIDAS POR DEUS

CONCLUSÃO

Orações não respondidas é, de fato, uma frustração para o crente. Como entender o que faz que uma oração não seja respondida?
O apóstolo João descreve que a resposta à oração está ligada ao relacionamento da “confiança que temos para com ele [Deus]” com a vontade soberana dEle: “E esta é a confiança que temos nele: que se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 Jo 5.15).
O Pastor Estevam Ângelo de Souza ensina, pelo menos, quatro elementos importantes para uma oração eficaz. São eles:

1. Orar com o coração limpo do pecado. [...] “Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido” (Sl 66.18). A Bíblia fala da oração como sendo uma conversa do filho com o Pai celestial e, enfaticamente, fala da oração dos santos, o que é uma referência às pessoas que se relacionam com Deus de modo digno da sua onisciência. Se, ao contrário, a pessoa ora a Deus com o coração cheio de pecados, sem arrependimentos e sem temor, faz simplesmente o papel de hipócrita; e, para o hipócrita, não há promessa na Bíblia. Pode ser ainda o comportamento de quem abusa da misericórdia de Deus e escarnece da sua santidade. É bom orar como filho obediente.

2. Orar com fé. É o apostolo Tiago que ensina. Ele diz que devemos pedir com fé e em nada duvidando, pois, conforme acrescenta, “o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa” (Tg 1.6,7). Tudo o que recebemos de Deus é tão-somente pela fé. Está escrito: “Sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). A Bíblia tanto fala da fidelidade e da infalibilidade de Deus, como relata em numerosos detalhes as muitíssimas vezes em que Deus tem atendido aos que o buscam com fé. É para confiarmos inteiramente em Deus. Duvidar das suas promessas, tanto nos prejudica como o ofende, pois Ele a tantos tem feito tanto, que merece ser invocado com segura fé.

3. Orar segundo a vontade de Deus. Diz o apóstolo Paulo que “a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2). Também está escrito: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1 Ts 4.3). E ainda: “Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Tm 2.3,4). O apóstolo João afirma: “Se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 Jo 5.14). O que estamos estudando são declarações dos santos apóstolos. Veja agora o que o próprio Senhor Jesus diz acerca da vontade de Deus: “Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade; e, sim, a vontade daquele que me enviou. E a vontade de quem me enviou é esta: Que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia. De fato a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.38-40). É muito boa a vontade de Deus!

4. Orar com perseverança. O inconstante nada alcança, qualquer que seja a atividade na vida. Enquanto isso, a perseverança, tudo alcança. A oração eficaz deve ter o caráter de uma batalha ordenada como propósito seguro de vencer; e quem luta ao lado do Senhor de tudo e de todos deve orar, com certeza de ser mais do que vencedor. E esta é a divisa de todos os que têm perseverado diante de Deus em oração, não aceitando nenhuma derrota, nenhum fracasso. Conserve limpo o seu coração, ore com fé, peça segundo a vontade de Deus; persevere e vença, pois a sua perseverança e vitória com certeza glorificarão a Deus!

Prezado professor, é importante ressaltar ao aluno a importância de termos uma vida de Santidade, Fé, Perseverança e no centro de Sua vontade. Deus é soberano e dotou o ser humano de livre arbítrio. Para uma manutenção da vida com o Eterno é fundamental seguir o conselho do apóstolo Paulo: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Fp 4.8). Fazei tudo o que glorifica a Deus e o nome do Senhor será exaltado em sua vida!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Entendendo o Evangelho, por Alistair Begg

Entendendo o evangelho from iPródigo on Vimeo.

Caros amigos,

Esse vídeo serve como complemento da reflexão de ontem. Que nunca possamos esquecer o básico da fé cristã: Cristo veio como Redentor!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A intolerância dos “tolerantes” e a tentação moralizante

O recente caso envolvendo a Universidade Presbiteriana Mackenzie e os grupos homossexuais deve ser tomado de cuidados. Em primeiro lugar, o site de uma universidade confessional pode e deve publicar as suas crenças. Em segundo lugar, os grupos organizados dos homossexuais não aceitam opiniões divergentes, classificando tudo e todos como homofóbicos. Em terceiro lugar, vivemos em uma democracia e em democracias não há “crimes de opinião”.

Sim, vivemos na era do politicamente correto. Nestes tempos é pecado falar de pecado. Aí daquele que discorda da cartilha dos inquisidores pós-modernos.

Leia mais:

Jornalista da revista Veja analisa o caso

Carta de apoio à Universidade Presbiteriana Mackenzie


Depois de tudo isso falado resumidamente acima, é necessário muito cuidado com uma tentação constante nas igrejas de linha conservadora: moralizar a sociedade.

A missão da igreja é pregar o Evangelho puro e simples. O verdadeiro e bíblico Evangelho leva as pessoas a se reconhecerem como pecadoras e ao mesmo tempo mostra Jesus Cristo como o redentor dessas vidas. Consequentemente essas pessoas já convertidas seguirão o caminho da santidade, evitando o pecado denunciado nas Sagradas Escrituras.

Não podemos focar a luta da igreja em moralizar a sociedade. Ora, de nada, absolutamente de nada adianta que os brasileiros conheçam a moralidade cristã mas não sejam convertidos. Não adianta comemorarmos que a maior parte dos brasileiros sejam contra o aborto se ainda temos uma das sociedades mais corruptas do mundo, onde a Lei de Gérson e o jeitinho imperam com forma e vigor. O Brasil não é um país cristão por rejeitar o aborto, mas será quando se render aos pés de Jesus se reconhecer pecador e aceitando um salvador. Só assim faz sentido defender a moralidade: entre quem possa cumpri-la pela mortificação do Espirito Santo (cf. Rm 8).

Os cristãos gritam: ser gay é pecado! Os gays gritam: homofóbicos! Resultado: Nenhuma comunicação do Evangelho. O que o gay, o alcoólatra, o demagogo, o corrupto, o avarento, o mentiroso, o ladrão, o iracundo, o marido que bate na mulher e outros precisam ouvir é: Jesus Cristo quer mudar sua vida. Venha e não peques mais! Deixe o redentor transformá-lo. Deixe Cristo regenerá a sua alma.

O homossexualismo é pecado sim! Não vamos mudar a Bíblia porque um grupo de militantes acha que devemos fazer isso. Mas que a igreja evangélica não vire militante do moralismo e esqueça de pregar Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Nunca a Igreja deve deixar de falar que pecado é pecado, mas sem cair na bobagem de confundir moralidade com evangelho. Ora, na Arábia Saudita você não achará mulheres seminuas, mas também não encontrará quase que nenhum cristão. A Arábia Saudita não é cristã porque suas mulheres são recatadas. Os sauditas são legalistas que não conhecem Jesus Cristo. Infelizmente, estão tão perdidos quando qualquer devasso desse mundo. O mesmo acontece que os legalistas supostamente cristãos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, muitos cristãos empregam forças a favor de oração na sala de aula. Mas sobre isso lembra Michael Horton:

Os liberais podem ter sido os pioneiros na teoria de que não há salvação em outros nomes além do nome de Jesus Cristo, mas nenhum grupo na história moderna tem desejado que o público em geral faça oração não sectárias- isto é, com ou sem Jesus Cristo- tanto como os evangélicos conservadores. Quando se trata de colocar “Deus de volta em nossas escolas”, podemos deixar Jesus para trás. [1]

De nada adiante um monte alunos orando (artificialmente) sem realmente conhecerem Jesus Cristo. A formação de uma nação cristã é utopia boba. Nunca teremos uma nação cristã. Nunca tivemos uma! Sim, temos inúmeras nações com forte influência cristã, mas é até despeitoso chamá-las de cristãs. A verdade sempre será rejeitada pelas maiorias. O verdadeiro cristianismo nunca será unanimidade, logo porque como lembrava Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra!

Horton continua:

Muitos comemoram esta ênfase no Cristo-como-exemplo em vez de no Cristo-Redentor como prenúncio de um “novo tipo de cristão”, mas é isto realmente um antigo tipo moralista? Indiferente se sabe que a morte de Cristo é considerada um sacrifício vicário, o discipulado- carregar nossa cruz- tornar-se o tema mais interessante […] Os conservadores têm sido igualmente propensos a se concentrarem no primeiro e não no segundo, nas últimas décadas. [2]


Pregar moral para quem ainda não conhece a Cristo é como solicitar uma máquina de escrever com wi-fi ou mandar um anexo de PDF por sinal de fumaça. A Igreja primeiro prega (evangelismo) para depois ensinar (doutrina e moral), conforme nos orientou o Nosso Senhor Jesus Cristo:

Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura (Marcos 16.15)

Portanto, ide, ensinai {ou fazei discípulos} todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém! (Mateus 28. 19-20)

Referências Bibliográficas:

[1] HORTON, Michael. Cristianismo sem Cristo: O Evangelho Alternativo da Igreja Atual. 1 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. p 21.

[2] Idem.


terça-feira, 23 de novembro de 2010

Voltando...

Nessa quarta publicarei um texto sobre o caso Mackenzie. Mas antes, enquanto me recupero desses dias de ausência, fiquem com a frase abaixo para reflexão:

"A Igreja antes confessava os seus pecados - agora ela confessa os seus direitos" - David Wilkerson

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Ausência!

Amigos leitores,

Estive ausente por motivo de viagem. Na noite dessa terça (23 de novembro) volto com as postagens diárias.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Recomende um livro!

Caro leitor,

Já fiz isso em outro post, mas repito novamente, pois o tempo passa e novos livros surgem.

Deixe no campo do comentário um livro teológico ou secular que você recomenda. Use o seu bom senso de leitura e compartilhe conosco essa obra. No decorrer do post colocarei algumas sugestões.

Vamos aproveitar o espaço para divulgar boas ideias e conteúdo que ajude a compreender melhor este mundo.

PS: Antes que apareça alguém recomendando a Bíblia, é bom lembrar que todos são conscientes que a Palavra de Deus é o livro-mor, a leitura de todos os dias. O post trata-se de livros recentes que você tenha lido.


Abraços a todos!



terça-feira, 16 de novembro de 2010

Falando do "politicamente correto" no Genizah

Amigos leitores,

Escrevi um post para o Blog Genizah sobre o perigo real do “politicamente correto”. Leiam nesse link: http://www.genizahvirtual.com/2010/11/hoje-e-o-monteiro-lobato-amanha-e.html#comments

É um alerta, pois o “politicamente correto” é uma forma de censura que pode nos atingir, como cristãos, por pregarmos algumas coisas que soam “feias” ao ouvidos pós-modernos.

Leiam lá!

Abraços a todos!

domingo, 14 de novembro de 2010

Hipercalvinismo e Teísmo Aberto: irmãos heréticos!

O debate sobre o Teísmo Aberto saiu de cena, mas não deixa de ser importante. Alguns definiram o Teísmo Aberto como o arminianismo levado às ultimas consequências. Concordo plenamente. O arminianismo que nega a Soberania de Deus em detrimento da responsabilidade humana é exagerado e herético.

Agora, vamos aos fatos. O calvinismo levado às ultimas consequências, o conhecido hipercalvinismo, é também e igualmente herético como o Teísmo Aberto.

Hipercalvinismo é determinismo puro. Teísmo Aberto é pelagianismo revisitado. Determinismo não é bíblico, mas mera filosofia humana. Teísmo Aberto é um deus sem atributos divinos.

Ora, nada melhor do que o axioma bíblico da Soberania de Deus casada com a responsabilidade humana. É o equilíbrio para esses estremos que jogam os teólogos nos abismos pelagianos ou deterministas.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Lição 07 - A oração da Igreja e o trabalho do Espírito Santo

SUBSÍDIO escrito pela equipe de educação da CPAD
LEITURA EM CLASSE
Atos 1.12,14; 2.4,38,40,41; 4.32

INTRODUÇÃO
I. O INÍCIO DA IGREJA CRISTÃ
II. A DISSEMINAÇÃO DA PALAVRA
III. O ESPÍRITO E O CRESCIMENTO DA IGREJA
CONCLUSÃO

A Oração na Vida da Igreja Antiga

A expansão do Evangelho está diretamente interligada à vida de oração da Igreja do Primeiro Século. A ordem expressa aos discípulos para “que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do pai”, resultou num estado de espera cuja característica principal foi o cultivo da oração (At 1.13,14,24,25): “perseveravam unanimemente em oração e súplicas”.

No dia de Pentecoste é possível ver o resultado dessa perseverança. Todos estavam reunidos unânimes em vários cultos semanais buscando a Deus e aguardando a promessa. “E, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados” (At 2.2), enchendo as pessoas que adoravam o Eterno na casa em que estavam.

O poder vivificante de Deus espalhou-se pela terra a exemplo da criação, quando o Santo Espírito do Senhor pairava sobre as águas (Gn 1.2). A promessa chegara a partir de pessoas simples que buscavam a Deus em oração crendo na promessa do Cristo. [1]

Em Atos 2.4, os crentes foram cheios do Espírito Santo. É importante notar que o termo “cheio do Espírito Santo” é um recurso linguístico usado por Lucas para se referir literalmente a expressão usada por Jesus Cristo em Atos 1.5: “mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” [2]. O cumprimento em Atos 2.4, “e todos foram cheios do Espírito Santo”, é o desdobramento da promessa anunciada em Atos 1.5. Neste caso, em Atos, as expressões “batismo no Espírito Santo” e “Cheios do Espírito Santo” são sinônimas. [3]

O pentecoste de Atos 2 é “um paradigma padrão”. Ele reflete um exemplo padronizado que estará presente em derramamentos posteriores ao longo do livro dos Atos dos Apóstolos.

A importância histórica, e única, do derramamento do Espírito Santo no Pentecostes é analisada com pertinência pelo teólogo americano Antony D. Palma:

A vinda do Espírito Santo sobre os discípulos que aguardavam no dia de Pentecostes foi sem precedentes. De um modo muito importante, foi um evento único, histórico, sem repetição. Essa vinda do Espírito foi profetizada especialmente por Joel (Jl 2.28,29) e foi ratificada na ascensão de Jesus (At 2.33). Foi um evento histórico-redentor: O termo “histórico-redentor” (ou histórico-salvífico) é a forma adjetiva de “história salvífica”, um importante conceito da teologia bíblica. Ele enfatiza a atividade de Deus na História e através dela, com o objetivo de atingir seus propósitos redentores para raça humana. Carson diz: “Pentecostes na perspectiva de Lucas é antes de tudo um evento histórico-salvífico culminante”. [4]

Certamente a pequena comunidade do período antigo da Igreja não imaginava a dimensão de sua participação naquele evento “histórico-salvífico” cuja característica principal foi sua expansão fenomenológica, atingindo em pouco tempo a maior parte do mundo antigo. Essa expansão, historicamente, começou no cenáculo onde algumas pessoas perseveravam em oração e aguardavam a promessa do Pai.

Através da oração Deus opera poderosamente. A oração era o elemento principal na vida do Senhor Jesus, dos apóstolos e da Igreja Primitiva onde a luta diária era constante, porém, na mesma proporção era o desejo dessa igreja em ver o seu Senhor anunciado a todos.

Os primórdios das Assembleias de Deus no Brasil, que sempre foi conhecida como uma igreja de oração, demonstra o legado dessa prática. Os testemunhos em relação a realidade piedosa naquele período, onde a mensagem pentecostal começava a ser propagada, são infindáveis. Hoje pode-se dizer, que direta ou indiretamente, a população evangélica no Brasil é majoritariamente pentecostal. Esse fato é possível porque no Brasil diferentes grupos oriundos de igrejas tradicionais perseveravam, em oração, e criam na promessa pentecostal bíblica.

Por isso, prezado professor, fale ao seu aluno da atualidade do batismo no Espírito Santo. Deus quer encher seu povo, mexer com a estrutura de seu caráter, impregnar a ética cristã em sua vida. Sem dúvida que a oração é um bom começo para essa mudança!


Referências:
[1] PEARMAN, Myer. Atos: E a Igreja se Fez Missões. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 20.
[2] Aqui o evangelista Lucas reproduz exatamente as palavras de Jesus.
[3] HORTON, Stanley M. O que a Bíblia Diz sobre o Espírito Santo. 4. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 154,55.
[4] PALMA, Anthony. O Batismo no Espírito Santo e com Fogo: Os Fundamentos Bíblicos e a Atualidade da Doutrina Pentecostal. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p. 28.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pastores que matam ovelhas!

Li recentemente que mais de 50% dos pastores brasileiros, segundo uma pesquisa, NUNCA leram a Bíblia completamente. Eu, pessoalmente, já ouvi dois pastores confessarem que nunca tinham lido a Palavra de Deus de capa a capa. Ou seja, um pastor que é ministro da Palavra (ah?) não tem intimidade com ela!

Pois bem, imagine um médico que não sabe ler uma receita. Imagine um engenheiro que não sabe ler uma planta. Imagine um mecânico que não saber avaliar os defeitos de um carro. Imagine tudo isso... Sabe o resultado que pode sair no final? Morte! Um remédio errado, um prédio mal construído, um carro não ajustado... Tudo isso pode provocar mortes em graves acidentes!

Pastores sem intimidade com a Bíblia matam as ovelhas espiritualmente! Contam histórias, falam testemunhos, enganam com piadas, mas NADA de Palavra! As pessoas estão sedentas da PALAVRA. Uns falam em costumes, outros recontam mil vezes o seu testemunho, outros ainda chamam “amigos pregadores”, mas nada falam das Sagradas Escrituras!

A “santa preguiça” é a principal causa dessa tragédia!

A profecia de Amós já está se cumprindo:

“Estão chegando os dias”, declara o SENHOR, o Soberano, “em que enviarei fome a toda esta terra; não fome de comida nem sede de água, mas fome e sede de ouvir as palavras do SENHOR. (Am 8.11 NVI)

Como Deus pode ser amoroso e mandar pessoas para o inferno?

Como Deus pode ser amoroso e mandar pessoas para o inferno? from iPródigo on Vimeo.

D. A. Carson certamente é um dos melhores teólogos da atualidade. Experimente ler as densas obras desse autor. Há livros dele pelas editoras FIEL, CPAD e Vida Nova.



terça-feira, 9 de novembro de 2010

Você realmente crê?

Você nunca sabe o quanto realmente crer, em qualquer coisa, até que a sua verdade ou a sua falsidade se torna uma questão de vida ou morte. É fácil dizer que você acredita que uma corda é forte e sólida enquanto está apenas usando-a para cabo de uma caixa. Mas imagine a necessidade de se prender na corda sobre um precipício!

... Só um teste de risco real mostra a realidade de uma crença.

C. S. Lewis em A Grief Observed.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Deuses Falsos


Muitos dizem que dinheiro, sexo e sucesso são as chaves da felicidade e colocam sua fé nelas. Porém, casamentos, carreiras e fortunas desaparecem para muitos. As pessoas que idolatraram estes falsos deuses, agora sofrem.

Assim é a sinopse do mais recente livro do teólogo norte-americano Timothy Keller. A obra Deuses Falsos (Thomas Nelson Brasil, 2010, 176 páginas) trata de um assunto muito discutido, mas sem simplismos e clichês. É uma obra simples, mas densa. Você certamente aprenderá com cada capítulo. Keller mostra como o mal da idolatria atinge cada espaço nas nossas vidas, inclusive em algumas crenças.

Keller é um pastor que conseguiu a proeza de montar uma igreja viva e dinâmica no coração de Manhattan, em Nova York (EUA). Além desse excelente livro, existem outras duas obras ótimas traduzidas para o português: O Deus Pródigo (Thomas Nelson Brasil) e A Fé na Era do Ceticismo (Campus), essa última sendo a sua principal obra e lançada no Brasil por uma editora secular, especializada em livros de economia e negócios.

Todos são recomendáveis. Leia, cresça e aprenda com teologia boa (bíblica) e contextualizada (relevante para os dias de hoje), sem aquela síndrome daqueles que querem “inventar a roda”.

domingo, 7 de novembro de 2010

Pastor Julio Soder morreu!

(* 6 de agosto de 1958 + 7 de novembro de 2010)


Morreu hoje à tarde, domingo 07/11/2010, em Belo Horizonte, o pastor Julio Soder, um defensor da fé cristã na blogosfera cristã. Soder muitas vezes participou de debates neste blog, além de comentários no Facebook e Twitter. Era um “amigo virtual”. Concordou com muitos textos, discordou de outros e deu dicas. Será uma falta na nossa internet cristã.

Lamento profundamente a morte do pastor Julio Soder.. Minha solidariedade à sua família e as ovelhas da Igreja Batista Peniel, em Belo Horizonte (MG). Que o Senhor conforte cada coração, especialmente de sua esposa e filha, que nos deu a notícia por meio do perfil de seu pai.

O blog do pastor era: http://prjulio.blogspot.com/