sábado, 9 de janeiro de 2010

As sutilezas do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH)

Foto da Agência Estado

Imagine sua igreja sendo processada por causa da conversão de um umbandista ou indígena? Imagine a completa liberalização do aborto no Brasil? Imagine a imprensa sendo submetida a um “tribunal da ética” onde “movimentos sociais” ligados ao governo decidirão o que vamos ler, ouvir e assistir? Imagine todos os símbolos ou cerimônias religiosas banidas de órgãos públicos? Imagine a profissionalização da prostituição? Imaginou? Esse é o Brasil que parte do governo petista deseja para o futuro.

As 75 páginas do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) foram estabelecidas na 11º Conferência Nacional dos Direitos Humanos, em dezembro de 2008, sob a organização da Secretaria dos Direitos Humanos, dirigida pelo ministro Paulo Vannuchi. Nesse último dezembro foi divulgado o texto, que se constitui em projetos de lei, causando o protesto de diversos atores da sociedade, por motivos diversos, entre eles os militares, a Igreja Católica (CNBB), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) etc. Agora, os evangélicos, como sempre, nada falam.

Você acha exagerado o cenário descrito pelo primeiro parágrafo? Não deveria. Recentemente o Ministério Público da Inglaterra ameaçou processar a Igreja Católica pela recusa em ordenar gays ao presbitério. Na Alemanha, oitos pais foram presos por recusarem a aulas de educação sexual para seus filhos. A Inglaterra, como toda a Europa ocidental, foram os primeiros países onde a intolerância dos tolerantes começou a atuar pelo víeis ideológico do “politicamente correto”.

Mordaça à imprensa é um desejo constante dos governos autoritários. Hoje, a agenda fascista inclui a exclusão da liberdade até na educação dos filhos, ou no direito da conversão religiosa ou na propriedade privada. Hoje você tolera a falta de liberdade na imprensa, amanhã verá os cultos religiosos com intervenção estatal. Os fascistas de hoje não agem com violência, eles sempre chegam perante a sociedade para representar o “bem”. Eles não usam armas, mas sim uma oratória dos “direitos humanos” que defende até a morte de bebês no processo do aborto. Que humanismo é esse, sem liberdade até para nascer?

Esse governo que defende os “direitos humanos” é o mesmo que apoia as ditaduras de Cuba, Vietnã, Irã, Sudão e agora até do grupo terrorista Hamas. Mas como apoia? Com o seu poder de veto nos Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), como membro não permanente. Na ONU, a diplomacia petista é um dos principais aliados desses países. Os mortos de lá não são humanos para o nosso governo.

Esse é o governo que dezenas de líderes evangélicos apoiaram em 2006. Entre eles os famosos “progressistas” das igrejas tradicionais até os pragmáticos pentecostais e neopentecostais. Cadê os deputados evangélicos em protesto? Mais uma vez mostram a sua mediocridade! Foram votados, mas nada fazem, além de ganhar direito à toa! Mas nesse ano voltam com cara limpa, nos nossos púlpitos vendidos para a política diabólica dos interesses escusos e corruptos. Raça de víboras!

21 comentários:

Anônimo disse...

na tua ânsia fascistoide de combater tudo o que diga respeito ao governo Lula, você atropela até a verdade dos fatos, embarcando na canoa furada dos teus patronos espirituais (o católico radical Olavo de Carvalho incluído, apesar de você se dizer "evangélico") e fingindo ignorar que o Plano Nacional de Direitos Humanos está na 3ª versão, sendo as duas primeiras, praticamente idênticas, ocorreram em 1996 e 2000, no governo de quem? quem? quem? FHC... e que a versão atual teve a participação de todos os partidos, inclusive de um certo presidenciável do PSDB... quem? quem? quem? ... José Serra!

Duvida?

Pois é, apesar de terem dado o fato como uma tremenda novidade, um verdadeiro golpe lulista esquerdista revanchista, os meios de comunicação já perceberam que ficava muito chato não contar a verdade, essa mesma verdade que os olavetes enrustidos têm horror que apareça, e agora estão dando a versão total dos fatos, como na edição de hoje do Estadão entrevistando ex-secretário do governo FHC, e a notícia, por estar fechada a não-assinantes o site deles, indico o blog abaixo para você, se tiver coragem, ler o que diz o insuspeito jornal direitista:

http://gilvanmelo.blogspot.com/2010/01/especialista-defende-abrangencia-do.html

Siga o exemplo do Estadão. Defenda as suas ideias, mas jamais compartilhe com mexericos ideológicos e teorias da conspiração tendenciosos, nem perca o respeito de quem lhe quer bem. Quem sabe isto te inspira a procurar melhores fontes e padrinhos espirituais.

Gutierres Siqueira disse...

Caro “anônimo”,

Em primeiro lugar, eu nem sou moralmente obrigado a responder o seu comentário pela sua relutância em se identificar. Mesmo assim, vou responder a alguém sem a coragem de escrever o nome completo.

Em segundo lugar, esse artigo não é propaganda política para o governador José Serra. Eu por acaso elogiei o Serra nesse artigo? Eu critiquei o governo Lula. Criticar o Lula é logo se alinhar ao Serra? O governo Lula está acima da crítica? Os petistas autoritários realmente detestam a crítica, por isso querem amordaçar a imprensa. Eles querem fazer do Brasil uma Venezuela. Não é verdade?

Em terceiro lugar, o que aqui escrevi são fruto de muita leitura e análise, e não uma cópia do que o filósofo Olavo de Carvalho disse ou deixou de dizer. Aliás, eu nada li do Olavo de Carvalho sobre esse assunto. Mas mesmo se tivesse lido não seria problema, pois é a opinião de alguém que pensa e reflete sobre política. Ao contrário de gente que não gosta de pensar, na temática política eu leio de tudo, da revista “Caros Amigos” a “Veja”, do Luis Nassif ao Reinaldo Azevedo.

Vamos aos pontos:

Hoje, logo cedo, eu li a referida entrevista com o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, no jornal “O Estado de S. Paulo”. Pinheiro disse: “Não foi o presidente Lula quem inventou isso... Essa é a terceira edição do programa. Os dois anteriores, lançados em 1996 e em 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, tinham a mesma abrangência do programa que está sendo debatido agora” (O Estado de S. Paulo, sábado, 9 de janeiro de 2010, A4). E daí? Se o erro começou no governo passado, esse continuou prolongando a palhaçada. Esse acrescentou barbaridades do tipo: o fim da propriedade privada, a “democracia” plebiscitária chavista, mordaça a imprensa sob supervisão do próprio governo.

Se você tiver a coragem de ler e comparar, logo verá que a PDHA-3 é mais radical que a PDHA-2 (de 2002). (Leia a PDHA-2 aqui http://www.mj.gov.br/sedh/pndh/pndhII/Texto%20Integral%20PNDH%20II.pdf). Um começou a besteira, e outro aprofundou, tornado-a autoritária e chavista.

O que espanta a imprensa e parte da sociedade civil organizada é o fato do governo propor essas besteiras enquanto apoia governos autoritários, como na Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua, e agora na Argentina. Ora, ele pensa o mesmo para esse país. Meu amigo, acorde da defesa do fascismo de esquerda que reina nesse país. Não se trata de teoria conspiratória, é fato. Esses sujeitos não morrem de amores pela democracia.

Laguardia disse...

Anônimo

Eu li o PNDH 3. O autor do Post está coberto de razão.

O problema é que os lulo petistas tem uma viseira que não conseguem enxergar além do próprio umbigo. Para o lulo petista só existe o lulismo e FHC, de quem morrem de medo.

São incapazes de ver que há vida inteligente no Brasil que condena os erros de um e de outro.

Os lulo petistas só sabem repetir como papagaios o que o grande chefão manda. São incapazes de usar seus neurônios para analisar e criticar com isenção as idéias do governo. Foi assim também na Alemanha nazista. O fnatismo dos lulo petistas é comparável ao dos nazistas e fascistas.

O post é tão bom que vou republicá-lo no Brasil Liberdade e democracia.

Parabéns pelo brilhante post Gutierres Siqueira

Anônimo disse...

Não quero meter o bedelho no teor do atual PNDH. Apenas adianto que concordo com alguns pontos e discordo de outros. Creio que ele representa, na minha modesta opinião, um tremendo avanço em determinadas questões (taxação de grandes fortunas) e um retrocesso, como na tentativa de empurrar a normalidade do aborto indiscriminado ao povo brasileiro.

No entanto, não há motivo de tanta polêmica, tanto pelos defensores como por parte dos críticos, pois boa parte dos pontos sugeridos depende da aprovação do judiciário e legislativo. Então já sabem, né?

Quero me ater em outro ponto; a falta de articulação do dito povo evangélico. Não temos um órgão colegiado realmente sério e com representatividade! E não me venham com os "Cimebs" e " Conferências Apostólicas" da vida! Sentimos falta da original Confederação Evangélica do Brasil (CEB), que além de possuir uma grande representatividade no meio protestante, era organizada em vários departamentos com especialistas em questões importantes para a vida nacional.

Daqui a pouco, até torcidas organizadas de futebol terão sua confederação. E nós?

OBS : Discordo do irmão acima; comparar o fanatismo de alguns petistas com o comportamento de nazistas e fascistas, é, sinceramente, forçar uma barra tremenda !.

Abraços

André Tadeu

Daladier Lima disse...

Prezado Gutierres,

O mais impressionante de tudo isto é a omissão de nossas lideranças evangélicas. Ao Anônimo que informa que o PNDH 3 é idêntico aos demais, sugiro o "picadinho" que Reinaldo Azevedo fez em seu blog.

Abramos nossos olhos!

Ricardo Froes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Froes disse...

Desculpem, mas faltou um pedaço do primeiro parágrafo do meu comentário

Por favor, gente! Não misturem política com crença e nem ideologias com religiões. Não há nada melhor para o mundo de hoje que nos darmos ao direito de raciocinar, com muita inteligência e nenhuma pressão. O homem precisa ser livre para poder discernir entre o que ele acha que é certo ou errado, e ser não atado a preconceitos, cartilhas ou palavras de ordem.

Não sejam fundamentalistas a ponto de confundir espírito e razão, como o são os sectários do esquerdismo, manifestado aqui no Brasil pelos seguidores dessa calamidade que se chama lulopetismo. Não se igualem a eles nos dogmas e na cegueira que os faz seguir os preceitos de uma ideologia que privilegia o roubo, o achincalhe, o escárnio e que nada tem de política: ela é apenas o plano de ação de uma quadrilha que, legitimamente foi eleita, mas apossou-se do Estado que quer para si eternamente.

Vamos ser mais razoáveis até para admitir que não há crenças melhores ou piores, não há deuses mais ou menos poderosos e nem caminhos mais curtos ou compridos através dessa ou daquela religião, para uma individualidade humana responsável, que é o que interessa.

Lutem, lutem sim, pela bondade, pela honestidade, pela manutenção da família como a célula mais importante da humanidade, mas não usem armas que nem sabem manusear, como os dogmas. Lutem com a mais poderosa arrma que temos: a razão.

Laguardia disse...

Anônimo

Comparar o fanatismo nazista ao fnatismo petista não é forçar a barra. Fanatismo é fanatismo ponto final. Seja ele político ou religioso.

Os pontos que mais me preocupam no PNDH 3 são os seguintes:
1. Censura a imprensa e a liberdade de expressão. Quem é que vai determinar que um artigo ou notícia ou reportagem agride os direitos humanos?

2. Uma pregação ou um artigo dizendo que Deus abomina a prática do homosexualismo é um atentado aos direitos humanos?

3. Dizer que a mulher não tem a liberdade de praticar o aborto é ou não um atentado aos direitos humanos?

5. Por que só os torturadores estarão sujeitos a julgamento? E os terroristas que mataram ou justiçaram centenas de brasileiros inocentes? O que acontecerá com eles?

6. Após sete anos de governo Lula nossa carga tributária aumentou para uma das maiores do mundo, mas a saúde pública, a qualidade da educação, a segurança pública e a seguridade social só pioraram.

7. Agora vem o governo com este traqtado de direitos humanos. Comecem a respeitar os cidadão provendo melhor assistência a saúde, melhores condições de trasnporte público, mlhores condições de ensino, melhor segurança, melhor seguridade social para o idoso.

De nada adianta as belas palavras. Precisamos de ação por parte do governo que até hoje só tem aumentado os casos de corrupção.

Os fanáticos petistas consideram Lula um deus, assim como os fanáticos nazistas consideravam Hitler um deus.

Vamos praticar o Evangelho que Cristo nos ensinou. Vamos condenar os erros do governo. Vamos ajudar aos mais necessitados, eles precisam de ação e não belos e longos planos cheios de palavras bonitas.

O PNDH 3 não enche a barriga de ninguém!

O Clérigo disse...

O comentário do senhor Ricardo Froes ilustra bem o espírito do presente século, marcado pela relativização dos valores e abominação à religiosidade.
Porém, o que o autor do texto relata no post não é um aspecto religioso, mas sim, político. Todavia, quando somos pessoas de fé, nossa visão política, bem como todas as demais visões, são guiadas por ela.

Ricardo Froes disse...

Relativização de valores? Muito pelo contrário, senhor Clérigo, os meus valores são tão absolutos quanto os seus, só que bem mais legítimos: eu não os copiei de nenhum livro sagrado e não os preservo por temer algum Deus e sim por consciência.

O Clérigo disse...

"O homem precisa ser livre para poder discernir entre o que ele ACHA que é certo ou errado".
Isso é relativização de valores, sim. Há quem ache certo adulterar, roubar e outras barbáries. Nossa fé não é inconsciente, tampouco irracional. Simplesmente acreditamos no Criador e em seus padrões de vida para o ser humano. Outros, preferem acreditar que existem por si mesmos, portanto, devem orientar-se por seus ACHISMOS e OPINIÕES baseadas em suas próprias convicções.

Ricardo Froes disse...

Senhor Clérigo, o senhor precisa aprender a ler corretamente para, pelo menos, poder discutir em pé de igualdade com seus interlocutores. O tal “acha”, que o senhor não soube interpretar corretamente, está na frase como resultado de uma busca e não como uma “opinião”.

No caso, “achar” significa passar a conhecer, realizar, ter uma idéia firme, decidir, resolver, e não ter uma impressão ou opinião subjetiva, crer, como, erradamente, o senhor interpretou.

Como o senhor pode notar, não há “ACHISMOS e OPINIÕES baseadas em suas próprias convicções” no que falei. Distorcer palavras e fatos pode ser bom como artifício político, quando se jogam palavras ao vento para, entre dez, convencer um, mas usar isso como argumento em uma discussão, só por pura ignorância.

O Clérigo disse...

Caro senhor Ricardo Froes;

No afã de querer criticar (no sentido técnico da palavra) minha opinião, o senhor só fez endossar aquilo que asseverei acerca de seu comentário.
Para que o homem "passe a conhecer, realize, tenha uma idéia firme, decida, resolva", ele precisa ter um padrão objetivo pelo qual se basear.
Em nosso caso, os cristãos temos a fé racional em um Deus Criador, por isso, é em seus padrões que nos baseamos para a nossa tomada de decisão.
A "consciência", a qual o senhor se refere como superior à crença em Deus ou em algum livro sagrado, é, por si mesma, subjetiva em cada indivíduo.
Concordo que o homem deva ser guiado pela CONSCIÊNCIA, mas não PELA SUA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA, a qual pode estar sendo orientada por padrões errados. Mas, o CERTO e o ERRADO só são absolutos para quem acredita em Deus.
Do contrário, cada qual cria seu padrão MORAL e o segue à risca, alegando estar obedecendo à voz da consciência.
Hittler, Pinochet, Mussolini, Médici, Milosevic e tantos outros seguiram a própria consciência. E o resultado foi visto por todos.
Não foi minha intenção distorcer suas palavras de nenhum modo, até porque não tenho aspirações políticas e tampouco pretendo convencer alguém de alguma coisa.
Apenas aproveitei este espaço democrático para expressar minha opinião que, neste caso específico, parece ser contrária à sua. O que não quer dizer que não possamos concordar no futuro acerca de algum outro tema, não é mesmo?

Ricardo Froes disse...

“A Razão deveria ser destruída em todos os cristãos. Ela é o maior inimigo da Fé. Quem quiser ser um cristão deve arrancar os olhos de sua Razão.” Martinho Lutero.

“Mesmo hoje, eu acredito que estou agindo de acordo com a vontade do Todo Poderoso Criador: me defendendo dos Judeus, estou lutando para o trabalho do Senhor.” Adolph Hitler - Mein Kampf, Capítulo 2.

“Quem não está pronto a morrer pela sua fé, não é digno de professá-la.” Benito Mussolini.

Bom, para começar, quem me criticou foi o senhor, dizendo que meu comentário “ilustra bem o espírito do presente século, marcado pela relativização dos valores e abominação à religiosidade”. Eu não o critiquei, só o corrigi.

Em segundo lugar, “fé racional” é um oximoro mal empregado. Ou se tem fé ou se raciocina, são duas coisas mutuamente excludentes. Aliás, eu confesso ter um pouco de inveja de quem tem fé. A vida deve ser bem mais simples para quem não tem compromissos com a razão: basta abrir um livrinho e identificar o problema com um parágrafo qualquer e pronto, está tudo resolvido.

Quanto a Hittler, Pinochet, Mussolini e Médici, eram todos cristãos praticantes e parece que seguiam a Bíblia, principalmente em passagens como por exemplo Números 31 onde depois de matar todos os homens, meninos e mulheres casadas entre o Midianitas, 32 mil virgens permaneceram como despojo para os Moisés e os Israelitas.
1 Disse mais o Senhor a Moisés:
2 Vinga os filhos de Israel dos midianitas; depois serás recolhido ao teu povo.(...)
(...)7 E pelejaram contra Midiã, como o senhor ordenara a Moisés; e mataram a todos os homens.
8 Com eles mataram também os reis de Midiã, a saber, Evi, Requem, Zur, Hur e Reba, cinco reis de Midiã; igualmente mataram à espada a Balaão, filho de Beor.
9 Também os filhos de Israel levaram presas as mulheres dos midianitas e os seus pequeninos; e despojaram-nos de todo o seu gado, e de todos os seus rebanhos, enfim, de todos os seus bens;
(...) 17 Agora, pois, matai todos os meninos entre as crianças, e todas as mulheres que conheceram homem, deitando-se com ele.(...)
(...) 32 Ora, a presa, o restante do despojo que os homens de guerra tomaram (...)
35 e trinta e duas mil pessoas, ao todo, do sexo feminino, que ainda se conservavam virgens. (Se as meninas solteiras são um quarto da população, então foram mortas 96 mil pessoas).

Enveredar por uma discussão sobre fé com quem a possui arraigada é uma tarefa árdua, impossível de concluir, e eu não pretendo eternizar a nossa.

Gutierres Siqueira disse...

Sr. Ricardo Froes,

O senhor, assim como eu, valoriza muito a razão. Portanto, usando a razão jamais afirmaria o absurdo que Hiltler fosse um cristão praticante. Hitler era um poço de confusão ateísta, que usou até onde pôde a religião para os seus intentos malignos. Depois, matou milhares de cristãos, entre eles o grande teólogo luterano Dietrich Bonhoeffer.

Houve cristãos que se alinharam a Hiltler? É claro que houve. Mas esses não foram movidos pela Sagrada Escritura, mas sim como resultado do SECULARISMO que invadiu as igrejas européias nas primeiras décadas do século XX. Realmente, alguém que leia a Bíblia superficialmente pode concluir que matar é justo, que ets existem, que o Palmeiras é o melhor time do Brasil etc. A leitura superficial, tendenciosa e fora do contexto nos deixaria loucos.

Ricardo Froes disse...

Bom, meu caro Gutierres, se você partir do princípio que só há cristãos bons, vai sobrar muito pouca gente.

Quanto a Hitler e o nazismo, uma observação: Martinho Lutero em seu livro “Sobre os judeus e suas mentiras”, defende a perseguição aos judeus, a destruição dos seus bens religiosos e o confisco do seu dinheiro por causa da recusa destes em se converter ao movimento protestante. Este anti-semitismo de Lutero, junto com outras ideias estapafúrdias foi, sem dúvida a inspiração do nazismo. O livro foi, inclusive, citado como defesa pelos nazistas durante o julgamento de Nuremberg para justificar o genocídio dos judeus.

Da mesma maneira que Hitler “usou até onde pôde a religião para os seus intentos malignos”, os crentes de todas as religiões também as usam de várias formas, boas e más, e até para explicar o inexplicável, como, por exemplo, o Criacionismo.

Acrescento que não tenho nada contra a sua fé ou de outro qualquer, desde que a minha não-fé também seja respeitada. Não posso aceitar que o simples fato de eu não acreditar em um deus me transforme em um bárbaro pronto a cometer toda a sorte de atrocidades. Como eu disse em outro comentário, meus princípios, valores e consciência são fruto de uma boa educação e do meu discernimento.

Confesso que já procurei muito por um deus até descobri-lo desnecessário, pois dentro de mim, da minha mulher, dos meus filhos, do meu neto e dos meus amigos já existe tudo que um homem possa querer, mas continuo “aberto a negociações” e gosto do tema, até porque as religiões são a história da humanidade.

Gutierres Siqueira disse...

Ricardo Froes,

Não associo ateísmo com imoralidade. Mas é inegável que os maiores ditadores do século XX foram ateus. Houve ditadores “cristãos”, mas para esses o fogo os aguarda. É possível ser moral sem religião, e religioso sem moral. É igualmente um equívoco achar que o ateísmo realça melhor os valores humanistas. Balela. Em ambos os lados tem pilantra. Um pilantra “cristão”, pelo menos, pode ser consciente de que o destino eterno dele é a separação de Deus.

Agora, não nego que o ateísmo sofra pela falta de algum freio moral transcendente. "Se não há Deus e a alma é mortal, então, tudo é permitido", como disse o personagem Ivan Karamazov, de Dostoievski. Os Estados oficialmente ateus, como China, Cuba e Coréia do Norte, não respeitam os direitos humanos, e em se interessam por isso. O indivíduo ateu pode ser boa índole, por suas convicções pessoais, que são frutos (ele querendo ou não) dos valores cristãos na sociedade.

Agora, o interessante do cristianismo é que o seu objetivo principal não é a busca do “homem ideal”, mas sim o reconhecimento de nossa pecaminosidade e o arrependimento da mesma, buscando o alívio na Graça de Deus e não nas próprias obras.

Sabe o problema? Quando se deixa de acreditar em Deus, passa-se a acreditar em qualquer besteira, como dizia G. K. Chesterton.

Abraços!

Ricardo Froes disse...

Bom, eu colocaria a frase de Chesterton de outra forma: quando alguém acredita em qualquer besteira é porque está apto a acreditar em qualquer deus.

Tampouco a frase de Dostoievski é verdadeira. Valores morais são inerentes a qualquer religião. Muito menos a afirmação de que “o indivíduo ateu pode ser boa índole, por suas convicções pessoais, que são frutos dos valores cristãos na sociedade”. Isso estaria negando também a boa índole dos quatro bilhões de humanos que não professam o cristianismo.

Mas quais seriam esses “valores morais transcendentes” que, no caso, me faltam? Quais seriam os pecados que eu cometo?

Como é que você pode falar em valores morais e pecados quando a Bíblia em que você acredita relata fatos que mataram 1.300.000 pessoas a mando de Deus? Não há como alegar superficialidade na leitura da Bíblia que sirva de argumento para a contestação de tais fatos. Se todas essas atrocidades estão lá, bem escritas e esmiuçadas, então como falar da moral de um ateu?

Stalin, Hitler, Mussolini, Pinochet e muitos outros grandes genocidas, foram educados segundo os preceitos do cristianismo e deram no que deram, portanto a ideia preconcebida que a cristandade salva, independente do caráter do cidadão é furada. Quanto a queimarem no fogo do inferno depois de cometerem todas as barbaridades aqui na terra, não tem a menor importância. Poderiam estar nas nuvens com anjinhos tocando liras ao seu lado ou sentados à mão direita de deus pai que, desde que não baixassem mais por aqui, não faria a menor diferença.

Eu apenas digo que, como ateu, minha moral tem um valor consciente, a sua o tem inconsciente. Eu não tenho obrigações e nem tenho dignidade devidas ao temor a nenhuma entidade. Elas são fruto, volto a afirmar, de uma boa educação e da minha consciência.

O Clérigo disse...

Caro senhor Ricardo Fróes;

Não vou encher o blog do Gutierrez debatendo com o senhor. Todos temos mais o que fazer. Insisto que sua opinião reflete bem o espírito do presente século, o que não deve soar aos teus ouvidos em tom pejorativo, haja vista que o senhor considera a crença em Deus como um atraso e irracionalidade. Portanto, do seu ponto de vista, foi um elogio.
As frases que o senhor citou de Hitler e Mussolini, mais uma vez só faz endossar o que eu havia dito no comentário anterior sobre o homem que não tem padrões objetivos de conduta.
Ambos citaram o "Todo Poderoso" e a "fé" apenas para justificaram práticas oriundas de suas consciências funestas; não são estes os padrões cristãos apreendidos das Escrituras. Não foi nelas que estes ditadores se inspiraram para cometerem as barbáries historicamente registradas que todos sabemos.
Sobre a passagem bíblica citada, de nada adiantaria discorremos sobre o texto a fim de uma análise crítica para entendermos suas nuances, pois o senhor já demonstra claramente um certo preconceito ao comparar tal passagem com o genocídio dos judeus. Dois acontecimentos distantes no tempo, no espaço, nos propósitos, nas razões, nos métodos e etc. Esta associação não foi feliz, pois não há conexão histórica alguma entre estes eventos. Muito menos teológica!
Outro ponto importante: Não existe "não fé"! Deixar de acreditar em alguma coisa, é fatalmente acreditar em outra. O senhor tem fé no ateísmo, e, pelo visto, o senhor tem fé no evolucionismo. O senhor tem fé que seus amigos, filhos, netos e esposa são o substituto ideal para o deus que vinha procurando. O senhor deve ter fé de que a morte física é também o fim da alma humana. O senhor deve ter fé de que "do nada, o ninguém fez tudo".
O senhor tem fé! E julga que esta fé é mais bem comprovada cientificamente. Assim como nós, cristãos, temos fé e temos argumentos que a comprovam.
Mas, por favor, não ponha em oposição a fé e a razão porque ambas fazem parte integrante do ser humano como um todo. E não precisam estar necessariamente em conflito.
ENCERRO AQUI MINHA PARTICIPAÇÃO.

Ricardo Froes disse...

Sr. Clérigo:

Primeiro, não se “enche” o blog com debates, enriquece-se. Mas já que o senhor encerra a sua participação da mesma maneira que começou - distorcendo palavras e fatos -, sem mais delongas, eu queria dizer que não estamos tratando de semântica, mas já que o senhor insiste em comparar “fés”, eu diria que a sua pode ser definida como uma crença ilógica na ocorrência do improvável e a minha é a comprovação de fatos.

Quem sabe a gente se esbarra por aí outras vezes para comentar sobre assuntos, digamos, mais mundanos?

gileno disse...

Sabe qual é o mais incrível? Fascistas eram oficialmente católicos, não humanistas. Sabe qual é o mais incrível? Ninguém vai ser processado por ter convertido alguém (Já que o estado admite a liberdade religiosa e irreligiosa dos seus cidadãos). O projeto Britânico prevê a remoção da religião anglicana como oficial, para se transformar num estado laíco. O Brasil não é um país de uniconfessa, mas sim de multiconfessa religiosa, então a religião de ninguém pode se meter em assuntos do estado.

O estado não diz que deus existe e nem que deus não existe, o estado é neutro, e assim deve ser e cada vez se tornar mais neutro.

Deputados não tem que defender suas ideologias religiosas (como o artigo diz "sobre os deputados protestantes defenderem sua ideologia". O Deputado está ali não para defender uma parcela, mas sim, para defender o BEM COMUM, não o BEM RETIDO.

E mais uma vez elogio o bom trabalho do alto poder político brasileiro, cada vez mais, o Brasil está se tornando "um País de todos". Viva a pátria, ela está em primeiro lugar.