quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Até que foi divertido

O QUE ENTENDEMOS hoje por bondade de Deus é quase que exclusivamente sua capacidade de amar; e nisto podemos até estar certos. A maioria de nós entende, nesse contexto, amor como bondade – um desejo de ver os outros felizes, e não apenas nós; felizes não por isso ou aquilo, mas simplesmente felizes. O que nos satisfaria realmente seria um Deus que dissesse, sobre qualquer coisa que nos acontecesse: “O que me importa desde que eles fiquem satisfeitos?”. O que desejamos, de fato, não é bem um pai no céu, mas um avô no céu – uma benevolência senil que, como eles dizem, “gosta de ver os jovens se divertindo”, e para quem o plano para o universo fosse simplesmente dizer ao fim de cada dia: “Tudo isso foi divertido para todos nós”. Admito que, não são muitas as pessoas, que formulariam uma teologia em termos tão precisos; mas uma concepção não muito diferente desta se oculta no inconsciente de várias mentes. Não pretendo ser uma exceção. Gostaria muito de viver num universo governado por princípios como esse. Porém, como está mais do que claro que não vivo, e já que tenho razões para acreditar que Deus é amor, apesar disso tudo, concluo que a minha concepção de amor necessita de correção.

C. S. Lewis em O Problema do Sofrimento.

Boa observação de Lewis. Certamente a benevolência descompromissada com o compromisso faz de Deus um vovô excessivamente tolerante. Deus é pai. Não podemos esquecer disso.

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