sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Retrospectiva: Década 00 (Parte 02)

Continuando a retrospectiva da primeira década desse século, hoje você lerá dois fatos marcantes no campo das ideias teológicas. Leia logo abaixo desse post a primeira parte, e não perca a terceira parte.

Ricardo Gondim, o teísmo aberto e a divisão na Igreja Betesda

Na década de 1990, o pastor Ricardo Gondim apareceu como um polemista. Na primeira década do século, Gondim virou a própria polêmica. No dia 26 de dezembro de 2004, vários países do Sudeste Asiático sofreram a inundação de uma grande onda, oriunda de um terremoto, sendo o famoso tsunami. A tragédia matou mais de 230 mil pessoas em 14 países, sendo uma das maiores catástrofes naturais da história. Após o tsunami, Gondim escreveu um texto controvertido, que segundo críticos era uma expressão da “Teologia do Processo” e “Teísmo Aberto”, duas escolas teológicas de premissas que humanizam a pessoa de Deus.

Gondim se calou, depois se defendeu no livro “Direto ao Ponto”, onde negou qualquer vínculo com essas escolas teológicas. Mesmo assim, Gondim está vinculado a posições revisionistas da fé cristã histórica, que é tema constante em seus textos. Uma frase não muita clara resume as respostas para inquietações teológicas de Gondim: “o Deus da Bíblia soberanamente criou o universo, mas ao formar mulheres e homens, abriu mão de sua Soberania para estabelecer relacionamentos verdadeiros. Ele não se despojou de sua natureza onipotente, que por definição não podia fazer, mas se esvaziou de suas prerrogativas divinas – evidenciadas em Jesus Cristo”.

Em agosto de 2007, parte da Igreja Assembleia de Deus Betesda em Fortaleza se “desligou doutrinamente” com a Betesda São Paulo. Gondim acusou o grupo de disputar poder. Antes da polêmica, Gondim encerrou o blog “Outro Deus” que mantinha com o pastor batista Ed René Kivitz. Ainda escreveu vários livros onde expressou “suas inquietações”, como “Sem Perder a Alma” e “Eu Creio, mas Tenho Dúvidas”.

Neocalvinismo: o renascimento das ideias de Calvino na Geração Y

Defensores da TULIP que aceitam a contemporaneidade dos dons espirituais? Alguns calvinistas que adotam modelos litúrgicos contextualizados? Reformados nas novas mídias sociais? Sim, isso existe. É o chamado Novo Calvinismo, que atraí jovens nos Estados Unidos, Europa e Brasil. O Novo Calvinismo é uma nova perspectiva de crescimento dentro evangelicalismo conservador, que engloba os fundamentos do calvinismo do século 16 ao mesmo tempo que tenta ser relevante no mundo atual. Em março de 2009, a revista TIME classificou-o como uma das dez ideias que mais influenciam o mundo atual.

Esses reformados são mais flexíveis em questões caras para os antigos calvinistas, como o cessacionismo. Seus nomes são conhecidos em blogs, Orkut, You Tube e sites evangélicos no Brasil. Os pastores John Piper, Mark Driscoll, C.J. Mahaney, Joshua Harris, Al Mohler e Wayne Grudem são os mais famosos divulgadores dessa nova tendência.

No seu blog, o neocalvinista Mark Driscoll citou alguns pontos que marcam o novo calvinismo:

1. O Velho Calvinismo era fundamentalista ou liberal e era separado da cultura ou sincrético com a mesma. O Novo Calvinismo é missional e busca criar e redimir a cultura.

2. O Velho Calvinismo fugiu das cidades. O Novo Calvinismo está invadindo as cidades.

3. O Velho Calvinismo era cessacionista e temeroso da presença e poder do Espírito Santo. O Novo Calvinismo é contemporanista e se alegra na presença e poder do Espírito Santo.

4. O Velho Calvinismo temia e suspeitava de outros cristãos, e por isso queimou pontes [de relacionamento]. O Novo Calvinismo ama a todos os cristãos e constrói pontes entre eles.

O grupo não se livrou de críticas. Alguns teólogos calvinistas manifestam preocupações, pois não olham o novo calvinismo como referência. Entre os críticos, estão R. Scott Clark e John MacArthur Jr. Mesmo assim, o grupo continua crescendo por meio das novas mídias sociais e conferências denominadas “Desejando Deus” (Desiring God), organizadas por John Piper.

Continua...

Um comentário:

Tradicionalista disse...

Gondim é o cara que diz que quem não dá o dízimo não é amaldiçoado... Legal... contrapondo com a besteira de que Deus "abriu mão da sua soberania", temos aí a média 5.0. Vamos ver se ela aumenta ou abaixa...

Já sobre o Novo Calvinismo, bem, resta patente um movimento que flerta com o ecumenismo... Basta ver o item 4 dos pontos de Driscoll... Quanto ao cessacionismo, é vergonhoso ver que tanto pentecostais quanto agora os "novos" calvinistas insistem que cessacionismo é cessação de TODOS os dons espirituais... Que pavor...