sábado, 2 de janeiro de 2010

Retrospectiva: Década 00 (Parte 03)


Nessa terceira parte ainda temos a retrospectiva dos fatos mais importantes no evangelicalismo mundial, levando em conta a primeira década do Século XXI. Não deixe de ler a primeira e a segunda parte. Veja os destaques:

Primeira Parte-

Diante do Trono, a renovação do louvor congregacional e os exageros místicos

Ouriel de Jesus, Geziel Gomes e a angeolatria expurgada da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil)

Escândalos: Dinheiro na Bíblia, lavagem de dinheiro, sanguessugas, oração da propina e outras vergonhas

Silas Malafaia: O novo pregador da Teologia da Prosperidade

CGADB: A consolidação da política mundana

A volta de Caio Fábio

Morreram...

Segunda Parte-

Ricardo Gondim, o teísmo aberto e a divisão na Igreja Betesda

Neocalvinismo: o renascimento das ideias de Calvino na Geração Y

Leia a terceira parte abaixo:

Paulo Roberto e os milagres absurdos

O pastor Paulo Roberto é pouco conhecido do público evangélico, mas certamente marca a década como um dos pregadores mais criativos nos milagres bizarros, tais como “dente de ouro”, mulher que vomita cobra coral e dinheiro na conta bancária. Roberto é o pregador dos milagres absurdos, como ele mesmo gosta de definir. Ligado à Assembleia de Deus em Mato Grosso, uma vertente ultralegalista da denominação, que possui um templo que suporta mais de 20 mil pessoas sentadas.

Ele é famoso pela cura do câncer da bigornia (?). É meu amigo, só Deus sabe o que é isso. Além disso, ele foi curado de pelo menos setes cânceres e ainda viu galinhas falando em línguas estranhas, e o galo interpretava uma mensagem de conforto. O testemunho dele é certamente o mais espetacular e... da década. Paulo Roberto ameaça os críticos com violência física e maldição divina.

Gene Robinson e a homossexualidade na Igreja Anglicana

Gene Robinson foi ordenado bispo em 2003, na Diocese Episcopal de New Hampshire da Igreja Episcopal dos Estados Unidos da América (Igreja Anglicana). O detalhe que Robinson foi o primeiro bispo abertamente homossexual da igreja inglesa. Também em 2003, o clérigo homossexual Jeffrey John foi ordenado bispo na Inglaterra.

A partir dessas eleições, a Igreja Anglicana vive uma crise institucional em todo o mundo, com várias divisões entre “progressistas” e conservadores. Encabeçados pelo Arcebispo nigeriano Peter Akinola, os conservadores ameaçaram romper com a Diocese de Oxford e com a própria Comunhão Anglicana. O atual arcebispo de Canterbury, Rowan Douglas Williams, não tem conseguido muito sucesso na unidade da Comunhão.

No Brasil, o bispo Robinson Cavalcanti foi expulso da Igreja Anglicana do Brasil por discordar das posições libertinas. Hoje, a Diocese de Recife, dirigida por Cavalcanti, está ligada à Igreja Anglicana do Cone Sul (Argentina). Cavalcanti escreveu o livro Reforçando as Trincheiras (Editora Vida) onde relata a luta dentro do contexto anglicano brasileiro sobre a questão da homossexualidade.

Em 2009, o Rev. Aldo Quintão, que é pároco da catedral anglicana de São Paulo e conhecido como o reverendo casamenteiro, ganhou fama em entrevistas e reportagens para a revista Veja, jornal O Estado de S. Paulo e o Programa do Jô, na Rede Globo. Defendendo abertamente a homossexualidade, sua paróquia conquista parte da elite paulistana, comprometida com uma espiritualidade sem obrigações morais.

Rick Warren e os propósitos

O fundador Saddle Back Church, uma grande igreja californiana, viu seu livro Uma Vida com Propósitos (Editora Vida) virar um best-seller de sucesso. Sua igreja cresceu de forma extraordinária, servindo de modelo para congregações em todo o mundo. Warren promoveu fóruns em sua igreja, sendo o primeiro a promover um debate eleitoral entre os presidenciáveis Barack Obama e John McCain, nas eleições de 2008 para a presidência dos Estados Unidos.

Seu modelo de crescimento foi alvo de críticas, como mais uma versão do pragmatismo americano ou até a aplicação da Teologia da Prosperidade às instituições, ao contrário da aplicação aos indivíduos promovidos pelos pregadores da Confissão Positiva. Rick Warren também foi criticado ao orar na posse do presidente Barack Obama. Os gays o acusavam de intolerância, e os fundamentalistas de excesso de tolerância.

O escândalo de Ted Haggard e outros vacilos dos protestantes fundamentalistas americanos

Em 2006, o pastor Ted Haggard, então presidente da Associação Nacional de Evangélicos nos EUA e líder da mega-igreja pentecostal Vida Nova, com 14 mil membros no Colorado, era um dos principais ícones da luta contra a homologação do casamento homossexual nos Estados Unidos. Haggard assumiu relações homossexuais com um garoto de programa de Denver, causando um grande escândalo no país. Esse não foi o único escândalo. Declarações desastrosas marcou a comunicação dos protestantes fundamentalistas.

Pat Robertson, apresentador do programa Clube 700 e fundador da rede de televisão TBN causou uma grande polêmica. Em agosto de 2005, Robertson defendeu a morte do ditador venezuelano Hugo Chávez em seu programa de televisão. Ele disse: “Temos a Doutrina Monroe, temos outras doutrinas que já anunciamos. E sem dúvida, esse é um inimigo perigoso ao sul dos EUA, controlando uma imensa reserva de petróleo, que poderia nos causar danos muito sérios. Temos a capacidade de removê-lo, e penso que chegou a hora de exercermos essa capacidade (...) Não precisamos de outra guerra de US$ 200 bilhões para nos livrarmos de um ditador de mão forte. É muito mais fácil que alguns agentes disfarçados cuidem desse trabalho e se livrem disso (...) Não sei sobre essa doutrina de assassinato (em referência às acusações de Chávez que Washington planejou o assassinato do venezuelano), mas se ele pensa que estamos querendo assassiná-lo, acho que deveríamos ir em frente e fazê-lo. É muito mais barato que lançar uma guerra”. Depois de receber muitas críticas, Robertson pediu desculpas para Hugo Chávez, e disse que foi mal interpretado.

Outras frases infelizes incluíram tragédias. Em relação à tragédia do dia 11 de setembro, o Rev. Jerry Falwell afirmou que o ataque era um castigo aos Estados Unidos por causa dos abortistas e homossexuais. No furacão Katrina não faltou quem identificasse o problema com um castigo de Deus, devido o estilo hedonista da cidade de Nova Orleans. Ironicamente, o bairro mais festeiro da cidade ficou ileso das inundações. Em uma pregação para jovens da Assembleia de Deus em Wasilla, Alaska; Sarah Palin, então candidata a vice-presidência dos EUA, discorreu que a guerra do Iraque era “uma missão de Deus”. Essa frase repercutiu nos jornais de todo o mundo.

Continua...

2 comentários:

Cristiano Silva disse...

Na meia-noite de hoje não acaba somente um ano, mas também a primeira década do século XXI, além dos primeiros anos do novo milênio.

A retrospectiva é legal, mas sinto muito, a década só vai terminar mesmo no final deste ano.

Abraços.

O Clérigo disse...

Depende do paradigma, Cristiano.

Se entendermos a década como o período iniciado em 2000, ou seja, marco zero, ela termina em 2009, pois a escala iria de 0 a 9.
No entanto, concordo que o mais prático seria começar a contar de 2001 a 2010 e assim fechar a década.
No entanto, nada disso diminui a validade da retrospectiva.
Grato a todos.