terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A música que todos gostam de ouvir...

Na edição desse domingo do jornal Folha de S. Paulo há uma entrevista com Brian Eno, compositor britânico. Reproduzo um trecho:

Faço parte de um coral gospel. Sabem que sou ateu, mas são muito tolerantes. Em última análise, a mensagem da música gospel é a de que tudo vai ficar bem. Se você ouvir milhões de discos gospel -eu ouvi- e tentar destilar o que existe de comum a todos eles, é essa sensação de que podemos triunfar de alguma maneira. Também envolve a perda do ego, dizendo que se pode vencer ou superar as coisas abrindo mão do individualismo e se tornar parte de algo melhor. Ambas as mensagens são completamente universais e pouco se relacionam à religião ou a uma dada religião. Relacionam-se a atitudes humanas básicas, e você pode ter essa atitude, e portanto cantar gospel, mesmo que não seja religioso.

Vejam só. Um ateu elogiando as mensagens motivacionais das músicas evangélicas. Isso só mostra a situação em que vivemos. A mensagem da cruz foi substituída pela autoajuda barata e vulgar, que se adequa para qualquer religião ou palestra empresarial. Não há diferença entre um cantor gospel das músicas triunfalistas e um guru de tenta vender o mito da felicidade perfeita. Ambos trabalham com a ilusão. O problema é que o primeiro usa o nome de Deus em vão.

É isso.

6 comentários:

Tradicionalista disse...

Patético... a igreja evangélica e seus "subprodutos" (incluindo a música gospel) está totalmente "sincretizada"... E o pior é que não levou séculos para isso...

Marcos Wandré disse...

Graça e Paz!

A música "gospel" é um retrato de grande parte da igreja evangélica de hoje: muita busca por bençãos e pouquíssima transformação de entendimento.

Aliás, alguém está cantando hoje em dia sobre misericórdia, graça, perdão, humildade e amor não fingido?

Se verificarmos atentamente, são raros os que cantam estes valores do Evangelho!

O negócio é pregação positivista e de auto-ajuda. É disso que o povo gosta! Cantado então, fica melhor!

Triste, mas é realidade de hoje nos arrais "evangélicos".

Parabéns pela postagem! Muito pertinente diante do quadro que vivemos.

Um abração!

xandy disse...

Pois é amado, como estão as coisas, nosso "Louvor e Adoração sendo pervertidos pela conviniência de deixar que até o ímpio participe sem qualqeur recato ou temor, isso é o que infelizmente nós cristãos estamos barganhando com oe evangelho, pela negligência de nós pastores que pregam a libicenciosidade, ao invés da "Liberdade CRISTÃ". um grande abraço ao senhor e esposa.;

Matias Heidmann disse...

pois é... certa vez analisei as letras de um certo conjunto famoso de gospel brasileiro. Não encontrei o nome de JESUS nas letras...
no demais falava de "tirar os pés do chão" (estava dificil seguir este exercício físico....) e "vou dar uma virada em minha vida" etc... A música era boa e contemporanea (o que falta em tantas musicas mais tradicionais), porém a letra era pobre e humanista.
Abraço,
Matias

Daladier Lima disse...

Eu fazia seminário, quando o professor de regência falou a seguinte história. Uma irmã gravou um CD, mas faltou uma música para fechar a matriz. O editor disse-lhe que descesse as escadas e falasse com um cara da recepção, cantasse uma música pra ele, que ele comporia ali mesmo. A irmã fez o que ele disse. Ao ouvir a ladainha dela, o cara pediu uma lapada de aguardente, compôs a música e a irmã gravou o CD. É dose, mas é verdade.

Philadelfia - Evangelismo e Louvor disse...

É isso...

A música golpel segue a tendência do mercado e produz o que o povo quer ouvir. Lamentavelmente os evangélicos atuais não estão dispostos a ouvir canções baseadas na palavra de Deus. Antes, querem apreciar algo "romântico aos ouvidos", com palavras de autoajuda, motivacionais, truques, dicas, soluções e técnicas para melhorar sua vida.

Tudo a ver com o pós-modernismo.

Deus tenha misericórdia de nós,

Elian Soares
www.evangelismoelouvor.com