domingo, 21 de fevereiro de 2010

Por que não sou um fundamentalista?

Sempre ouço: “Se você crer nos fundamentos da fé cristã, logo você é um fundamentalista”. Calma aí. Tal frase pode parecer lógica, mas não é. Todo fundamentalista crer nos fundamentos da fé cristã, mas nem todos que aceitam essas verdades eternas podem ser classificados como fundamentalistas. Entre ser um progressista teológico e um fundamentalista, prefiro mil vezes o equilíbrio do evangelicalismo. Então, por que não sou um fundamentalista? Por que apesar de ser um conservador teológico, político e social não comungo desse título? Vejamos algumas razões:

Em primeiro lugar, o fundamentalismo protestante toma uma interpretação bíblica como um único padrão aceitável. Se o fundamentalista é arminiano, logo o calvinismo é heresia para ele. Mas se o fundamentalista é calvinista, logo o arminianismo é o grande erro doutrinário. Se ele é dispensacionalista, o amilenismo é herético. E vice-versa. É um sistema que se o acha dono da verdade. Sim, a verdade existe e é alcançável, mas não é propriedade de nenhuma escola teológica ou denominação protestante. Eles se acham os donos da única interpretação bíblica que deve ser levada em conta. E como escreveu Lloyd Geering: “O fundamentalismo, portanto, leva as pessoas a pensar em termos de branco e preto” [1] Ou seja, os verdadeiros defensores da fé versus uns hereges que são hereges por discordar de qualquer ponto do meu sistema. É maniqueismo puro.

Em segundo lugar, o fundamentalismo protestante é exagerado em suas abordagens. É claro que o aborto é um crime contra a vida. Se mata gente, é algo pecaminoso e moralmente frouxo. Mas esse é o único problema do mundo? Aliás, parece que existem somente dois problemas no mundo para os fundamentalistas: o aborto e o casamento homossexual. Ora, e a corrupção política nos países subdesenvolvidos? E a fome? E a violência das grandes cidades? Faltam propostas diante desses outros desafios e, então, ouvimos aquelas soluções ditas progressistas de grupos libertinos e relativistas, que causam mais tragédias. Por que eles têm voz? Simplesmente porque falta a voz dos fundamentalistas em outras questões além do aborto e casamento gay. A nossa luta é mais ampla do que a visão limitada do fundamentalismo. Uma boa forma de combater o homossexualismo é dar exemplo como pais presentes na infância de um garoto. Isso na prática acontece?

Em terceiro lugar, o fundamentalismo une-se à partidos políticos. No Brasil, alguns protestantes e católicos ditos progressistas, ligados à teologia da libertação, ajudaram no crescimento do Partido dos Trabalhadores (PT). Um partido que sempre defendeu como dogma a “liberdade das mulheres em relação ao corpo”, o casamento homossexual, a restrição da liberdade de imprensa, o fim da propriedade privada, o aparelhamento do Estado etc. O fundamentalismo não é muito diferente, pois nos Estados Unidos, eles sempre estão alinhados ao Partido Republicano, que a despeito de ser um importante ator político na nação americana, nem sempre está certo em suas posições [2]. Então, diante do alinhamento prévio, os fundamentalistas são incapazes de uma crítica mais dura. Assim como os teólogos da libertação no Brasil que se calaram diante dos escandalosos casos de corrupção no PT, denunciados em 2005. Aliás, a cada dia vejo que esses dois grupos inimigos (fundamentalistas versus progressistas) são bem parecidos.

Em quarto lugar, o fundamentalismo é antipentecostal. Não é defesa corporativista, mas a forma como os fundamentalistas tratam o pentecostalismo é um absurdo. Não há problema que uma pessoa seja tradicional, que adote uma linha cessacionista; o problema está em demonizar os pentecostais. Exemplo disto é o pastor norte-americano John MacArthur, que por meio dos seus escritos alimenta preconceitos e inverdades sobre os pentecostais, além de apresentar uma visão generalizante do movimento. No livro
Os Carismáticos [3] o autor recorre até para a ciência a fim de explicar a experiência do falar em outras línguas. No Brasil havia uma campanha no site Monergismo, do estudante de teologia reformada, Felipe Sabino, intitulado “Combata o Pentecostalismo”. Nem um nem o outro combatem argumentos de teólogos pentecostais do porte de Stanley Horton ou Roger Stronstad.

Em quinto lugar, o fundamentalismo acha a sua confissão de fé inerrante. É claro que na teoria isto é negado, mas já na prática... Apesar da teologia equivocada de Charles Finney, um pelagiano convicto, ele tinha muita razão quando acusava os presbiterianos de sua época de considerar a
Confissão de Fé de Westminster um verdadeiro “papa de papel”. Apesar de baseadas na Bíblia, as confissões de fé das denominações cristãs são uma interpretação da Bíblia, e não letras inerrantes e infalíveis. Como escreveu Ricardo Quadros Gouvêa: “Uma igreja confessionalista abraça uma confissão doutrinária específica, inerrante, inquestionável e de sentido óbvio, como se a confissão em questão não fosse um texto carecendo ele mesmo de ser interpretado” [4].

Com esse texto não pretendo demonizar os fundamentalistas. Reconheço suas virtudes- eles estão certos na defesa da fé, mas usam métodos duvidosos, além de apresentarem muita arrogância como “donos da verdade”. Sei que muitos críticos do fundamentalismo são na verdade adeptos do outro extremo. Mas aqui não há esta intenção. É simplesmente o artigo de um conversador que critica o ultraconservadorismo. É isso.


Nota e Referência Bibliográfica:

[1] GEERING, Lloyd.
Fundamentalismo: Desafio ao Mundo Secular. 1 ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2009. p 35. Apesar de tratar do fundamentalismo com certa dose de verdade, Lloyd Geering acaba por recorrer ao mesmo recurso daqueles que ele combate. Em todo momento o livro pinta os fundamentalistas como seres diabólicos, sem nenhuma virtude. É clara também as influências ideológicas na crítica ao fundamentalismo. É um trabalho que a despeito de buscar respeitabilidade acadêmica, acaba por ser uma visão totalmente parcial dos fatos. Além disso, a forma como Geering caracteriza os fundamentalistas poderia ser aplicado a qualquer conservador. Ou seja, para ele não há diferenças entre um e outro. Visão essa que não compartilho de forma alguma. Além disso, é visível a simpatia pelo liberalismo teológico, que é um fundamentalismo às avessas.

[2] O Partido Republicano dos EUA não é o demônio como desenha parte da imprensa e da academia brasileira, mas também está longe de ser um partido perfeito. Podemos ver isso no ultranacionalismo de alguns senadores e deputados sulistas, que defendem um excepcionalismo americano. As grandes virtudes do partido são a defesa da confiança no indivíduo e a aversão pelo Estado forte e controlador. O mesmo pode ser dito do recente movimento
Tea Party, que apresenta os mesmos defeitos e virtudes.

[3] MACARTHUR, John F.
Os Carismáticos: Um Panorama Doutrinário. 5 ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2002. MacArthur é o típico fundamentalista clássico: antipentecostal, dispensacionalista e apesar de citar ciência para desmoralizar os pentecostais, apresenta certa aversão pelos estudos científicos. Não podemos cair no mesmo exclusivismo de MacArthur, pois apesar dos seus equívocos, é um autor muito bom em questões apologéticas.

[4] GOUVÊA, Ricardo Quadros.
A Piedade Pervertida. 1 ed. São Paulo: Grapho Editores, 2006. p 88. A própria Confissão de Fé de Westminster reconhecia a sua falibilidade, como não poderia ser diferente. Na CFW 31:3 está escrito: “Todos os sínodos e concílios, desde os tempos dos apóstolos, quer gerais quer particulares, podem errar, e muitos têm errado; eles, portanto, não devem constituir regra de fé e prática, mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa”.

22 comentários:

Anônimo disse...

ah!ta! vc é do tipo que aceita ecletismo doutrinário de tudo um pouco!

Gutierres Siqueira disse...

Esses anônimos são chatos mesmos... Certamente nem teve o trabalho do ler o texto. Desonestidade intelectual é o que não falta nesse povo sem caráter, que se escondem sem citar o nome.

Anônimo disse...

Caro Gutierres,

Também me considero Evangélico da mesma escola de Charles Simeon, que salvo engano começou o movimento evangélico dentro do protestantismo. É claro, hoje em dia, está difícil se dizer evangélico com tanta gente esdrúxula se dizendo evangélica, gente que sabemos nada tem de cristã nem evangélica.

Não sou pentecostal, também não sou tradicional cessacionista, tenho dificuldade com ambas doutrinas. Gosto muito do entendimento do Dr. Lloyd-Jones, mas não cheguei a estudar a fundo.

Quanto ao Dr. John McArthur ele é um homem de Deus, mas como qualquer ser humando tem falhas, ele às vezes pega pesado com quem não concorda, ele não quer ter muito trabalho e coloca todo mundo num saco, neo-pentecostais, pentecostais clássicos e vários tipos de místicos e charlatões. Ele às vezes peca por excessivo zelo. Mas eu o admiro e o amo, apesar de seu dispensacionalismo inaceitável. Alguns podem até pensar que ele é antipentecostal porque é reformado, mas não é, ele antipentecostal porque é dispensacionalista, interessante né?

Apesar de não ser pentecostal, não sendo também anti. Assino embaixo do seu Texto.

Seu blog é muito bom, você é uma pessoa que tem pensamento lúcido, graças a Deus, o número de jovens lúcidos no meio evangélico vem aumentando, mas ainda assim é muito pequeno. Precisamos de jovens que treinem suas habilidades intelectuais para serem usadas para honra do nosso Deus. Você, Gutierres, é um ótimo exemplo.

Temos que caçar jovens lúcidos e investir neles, ajudando, aconselhando e até mesmo finaciando com livros e qualquer coisa que o faça despertar para glória de Deus.

Emerson Costantini

Juan de Paula disse...

Excelente texto irmão,

penso que o termo fundamentalista precisa ser explicado.

Rubem Alves (com toda discordância que tenho dele) salienta fundamentalismo é estado de espírito (Enigma da Religião) embora ele manifeste incoerência em seu próprio texto quando expões seus "desabafos".


Quanto a origem do termo entre 1910 e 1920 na defesa dos fundamentos da fé cristã contra o liberalismo (que girava em dois eixos, a saber, a divindade de Cristo e a inspiração e inerrância das Escrituras Sagradas) então eu me encaixo no quesito.

A problemática se deu quando entre 1930 e 1940 houve a inclusão do pré-milenismo histórico e alguns pontos éticos da cultura americana como aspectos centrais da fé cristã.

Sempre que penso nos fundamentalistas lembro dos fariseus que conheciam muito sobre Bíblia, verdade absoluta e Deus mas mantinham o coração distante de suas próprias crenças assim como os saduceus lembram os liberais que negavam a ressurreição. O evangelicalismo confessional busca o discipulado cristão com equilibrio.

Que o Senhor nos livre sempre dos extremos, nos fazendo crescer em Cristo Jesus - a nossa esperança.

Abraços,
Juan

Gutierres Siqueira disse...

Caro Emerson Costantini, a paz!

Muito obrigado pelas palavras motivadoras.

Como destaquei no texto, na podemos cair no mesmo erro do fundamentalismo, portanto jamais poderemos demonizar John MacArthur Jr. Ele, assim como outros teólogos fundamentalistas têm feito um ótimo trabalho. O problema, como você tão bem destacou, é o excesso de zelo, que traz aquela inflexibilidade teológica.

Sua obervação sobre a ligação do dispensacionalismo e o cessacionismo é verdade. Engraçado que os pentecostais em sua maioria são dispensacionalistas convictos. É uma contradição do mundo teológico.

Abraços

Gutierres Siqueira disse...

Pr. Juan de Paula, a paz!

A opinião do irmão, como um pastor reformado, é muito importante.

Não fiz um traçado histórico do fundamentalismo para não alongar excessivamente o texto. Mas é realmente importante lembrar que o fundamentalismo passa pelo menos por três fases. A primeira fase como uma reação ao pernicioso liberalismo teológico. A segunda fase, como o irmão bem lembrou, acontece a incorporação de uma visão escatológica bem específica, além de manifestações anti-intelectuais e descrédito por opiniões científicas consideradas simplórias. Na terceira fase acontece aquela grande guerra cultura que perdura até hoje nos EUA.

E realmente devemos evitar toda sorte de extremos.

Abraços

Matias Heidmann disse...

Ótimo texto. Eu mesmo tenho muitas dificuldades com os tais fundamentalistas, independentemente do lado que representam. Acabam promovendo divisões por causa de assuntos de importância menor. John McArthur, que escreve excelentes textos, muitas vezes tem me desapontado com publicações de péssima qualidade teologica. Por exemplo o o livro "Charismatic Chaos" é digno de lixeira... (é na verdade um livroo desonesto e de péssima exegese). McArthur tambêm desaponta pelo seu posicionamento político de uma hipócrita direita conservadora, apoiando cegamente a querra no Iraque e a morte de civis inocentes (só porque são muçulmanos) McArthur deveria der vivido no sec XII (cruzadas)
Os reformados impressionam com sua teologia cristocentrica, mas muitas vezes a doutrina da eleição é mais enfatizada do que Cristo.
Graça é vista como um aspecto impessoal, esquecendo se que na teologia paulina graça é sempre a ação do Espírito Santo. Falam da importância sermão expositivo, mas acabam muitas vezes destacando as suas doutrinas reformadas em todos os textos que abordam.
O pentecostalismo é humanamente sistemático na sua inflexível doutrina de batismo com Espirito Santo com evidência de falar em linguas, criando um cristianismo de duas classes e abrindo margem para o orgulho espiritual e o culto a "homens de Deus".
Quanto a isto, os reformados vão falar da humildade na qual a doutrina da soberania de Deus e depravação total do homem resulta (pessoalmente creio nestas doutrinas), mas tenho conhecido muitos reformados arrogantes, orgulhosos e desprezando outros cristãos sinceros por causa da teologia que defendem.

Pergunto ainda: Por que o pentecostalismo é um movimento entre os pobres e o calvinismo é de classe média prá cima? Aliás os coitados de certos pastores pentecostais com portugues ruim são publicamnete desprezados em blogs calvinistas quando ousam comentar e discordar dos srs doutores da teologia reformada...
Será que Deus só elege "academico"? (eu creio na doutrina da eleição, mas faço estas perguntas. É um bom exercício para não se tornar fundamentalista destituído da graça de Deus).


Fundamentalismo não é bom, precisamos sim de uma teologia saudável e biblica. O texto do Gutierres não faz apologia ao credo e reza pósmodernista (do tipo Sr Gondim, o representante fundamentalista e militante do não-fundamentalismo, arrogante e pressunçoso... teologia de suicídio). Cabe ao cristão sincero refletir: como ser bíblico e não ser fundamentalista? Há a necessidade de estabelecermos os fundamentos que são a base de nossa união (ex. a morte expiatória de Cristo, Cristo é Deus, Trindade etc) E há pontos onde defendemos diferentes pontos de vista (arminianismo e calvinismo, pentecostalismo e não pentecostal). Por isto certos credos mais antigos (Niceia) são melhores do que o fechadíssimo "Westminster". E o que devo disser a respeito do "Tulip" e a história cruel atrás deste documento teológico tão apreciado pelos calvinistas?
Desde quando "boa doutrina" acaba em perseguição, expulsão e morte dos que pensam diferentes?
No passado dois homens de Deus da Inglaterra tinham suas divergências: João Wesley e George Whitefield. Ambos foram usados JUNTOS para promover um grande avivamento.
Abraço,
Matias

Gutierres Siqueira disse...

Matias, a paz!

Lembrar a união de João Wesley e George Whitefield é um bom antídoto contra o fundamentalismo. Hoje, diante de algumas mentes, essa união seria impossível.

Abraços

Anônimo disse...

Caro Matias,

Concordo quase com tudo que você falou sobre o livre de MacArhur, Os Carismáticos, mas penso que o livro tem lá sua serventia o problema de MacArthur no livro é que ele (no caso seria desonestidade ou falta de conhecimento)joga junto todos os pentecostais que sabemos existirem vários tipos e soma com outros como o pessoal da confissão positiva e até hereges como os unicistas e tal.

Às vezes há discussão entre os reformados se MacArthur é um legítimo reformado, para mim ele é apesar do seu dispensacionalismo algo estranho no meio, mas se lembrarmos que o pai do dispensacionalismo era soteriologicamente calvinista, falo de Chafer, também há outros como Edwin Lutzer, Warren Wiersbe, William Mcdonald e quase todo Dallas Theological Seminary.

John MacArthur tem melhorado bastante, até seus críticos no meio reformado tem visto, ele tem amenizado mais o seu dispensacionalismo, eu mesmo me enriqueço bastante com a leitura de seus livros, mas eu também penso que o seu pior livro foi Os Carismáticos, não porque era antipentecostal mas porque ele é muito expansivo no uso do termo.

Quanto às suas críticas, Matias, aos reformados, eu também penso que o movimento reformado não é imaculado, mas a doutrina da depravação total ensina exatamente isso. Antes de eu ser reformado sou evangélico, mas veja bem, às vezes tenho vergonha de dizer que sou evangélico, quando penso que serei pesado junto com gente como Waldomiro Santiago, Bispo Macedo e pessoas do tipo e seus pobres seguidores eu fico com vergonha de dizer sou evangélico.

Então eu penso que o movimento reformado precisa do movimento pentecostal que precisa do movimento de santidade que precisa de outros movimentos. Desde que tenhamos um credo em comum em assuntos basilares eu digo amém. Se não for dizer muito digo que o movimento evangélico precisa até de gente como Edir Macedo e Waldomiro Santiago... Sabe, Deus usa a ganância de pessoas tais mesmo que pregando uma mensagem com 1% de evangelho para despertar pessoas para o verdadeiro evangelho. Eu tenho vergonha desse pessoal, mas acredito que Deus é sábio, Deus usa até o mal e reverte em bem. O ímpio sempre arranjará uma desculpa, seja o Waldomiro porque pede dinheiro ou outro porque não pede.

Voltando à fé reformada, eu penso que a fé reformada é a mais bíblica de todas as escolas teológicas que conheço, mas não sem falhas, ainda assim é a mais rica, mas não é completa, por isso precisamos dos pentecostais e outros evangélicos, porque são nossos irmãos. Por isso é que antes de ser reformado sou evangélico, que segundo alguns foi iniciado como movimento por um clérigo anglicano, Charles Simeon, que era calvinista. Até então, tudo era muito fechado, luterano versus reformado versus batista e assim por diante.

Emerson Costantini

Oliveira e Oliveira disse...

Prezado Gutierres,

Paz e Bem!

É a primeira vez que comento no seu blog. Te Parabenizo pela lucidez do assunto tratado. O problema do Fundamentalismo é taxar de herege todos os que pensam diferente. Vejamos Pelágio (Exemplo de moralidade), Montano (Exemplo de fervor) Marcião (Vislumbrado com o amor de Deus manifesto em Cristo), todos estes homens são taxados de hereges porque pensaram diferentes, principalmente numa época que os conceitos teológicos estavam sendo gerados paulatinamente e não tinham se quer um Canôn neotestamentário fechado. Na contemporaneidade, por exemplo, Bultman é execrado talvez como filho de Belial, mas quem quiser estudar Hermeneutica e exegese tem que passar por Bultman, apesar de ter sido influenciado pelo existencialismo, sem dúvida o método empregado importante para o estudo atual da escritura (Método-Histórico-Crítico) trouxe avanços importantes presente até na BEP (Penso que há problema de semântica com a palavra Crítica). É claro que como Conservador Pentecostal (e assembleiano) discordo do desdobramento da teoria bultamaniana que se deu por usar um método como muleta científica, mas daí rejeitar a produção de Bultman, não, eu prefiro o exercício dialético que troque as informações visando o bem maior de entender a revelação escriturística. Há quem diga que quem via Bultman na sua igreja local não imaginava o contraste com os seus escritos (blog Teologia e Graça Profº Esdras Bentho), quem via Karl Barth ensinando na universidade se assustava quando ele transmitia sermões impactantes na comunidade de fé. Só é possível discutirmos teologia hoje porque houve Pelágio, Marcião, Ário, Nestório e outros que forçaram respostas coerente e contundentes de Tertuliano, Agostinho, Justino, Atanásio e outros. A produção teológica contemporânea gira entorno das produções destas personalidades do II e III século. É amigo! As aparências enganam e como diz Elienai Cabral Júnior: Graças a Deus pelos "Hereges".

Um abraço fraterno,
Rio de Janeiro - RJ.

Anônimo disse...

Caro Oliveira,

Os hereges são lobos com cara de ovelha, por isso, parecerem tão piedosos, então, graças a eles não, mas graças a Deus que apesar dos hereges transforma o mal intentado por eles em bem.

Emerson Costantini

Gutierres Siqueira disse...

Caro Oliveira, a paz!

Seu comentário é interessante. Agora, devemos tomar o cuidado (como muitos fazem) de não romantizar os hereges. Heresia é um mal, e ponto. Como você bem disse, o problema do fundamentalismo é classificar qualquer discordância de heresia (eles são muito exagerados).

Abraços

Matias Heidmann disse...

Caro Emerson,
concordo com você. A fé reformada é a que mais abrange a doutrina do Novo Testamento. Juntando-se uma dose de pentecostalismo saudável estamos quase chegando lá...
No Brasil temos ótimos representantes reformados, que não desprezam os irmãos que pensam diferente deles. Cito Luis Sayão e Franklin Ferreira. Tambêm o Hernandes Dias Lopes é uma boa referencia (não somente para presbiterianos).
Concordo com você tambem sobre a "necessidade" de haver um Valdemiro Santiago. Não é um desafio que o próprio Deus coloca para que repensemos sobre a nossa prática eclesiástica que exclue o milagre, o pobre e o não academico?
Valdemiro vai para o meio do povo. E nós? Onde nós estamos? Discutindo teologia no meio academico e usando palavras que ninguem nem mais sabe o que significa?
Um grande abraço,
Matias

Oliveira e Oliveira disse...

Caro Gutierrez,

Sem Dúvida! Concordo plenamente.

abraços,
Rio de Janeiro.

Antoniel Gomes Da Silva disse...

Olá amigo Gutierres, vou logo afirmando que sou Progressista!Acho, na verdade que todo Cristão deveria ser.Ser progressista na minha visão,não é ser a favor de falsos ensinos, e sim, não ser alguém que vive na Idade Média,antes, procura se enseri na sociedade, sem se misturar com seus erros.
A maioria desses fundamentalistas(para não dizer todos) nada mais são do que políticos que fazem o serviço sujo dos Estados Unidos.São um bando de hipócritas!São contra o aborto e casamento homossexual, simplesmente porque sabem que isso dá ibope no meio dos evangélicos.Todo e qualquer tipo de fundamentalismo é prejudicial, um bom exemplo é o fundamentalismo árabe.Os papas cometeram erros absurdos porque queriam que suas "verdades" prevalecessem diante de verdades cientificas.Eles eram fundamentalistas á mpoda antiga.
Vários pastores brasileriros,inclusive assembleianos,foram e são contra a eleição de Barack Obama, porque segundo eles é um libertino, herege etc,diante disso eu pergunto: e o Bush era um bom exemplo de cristandade?Julio Severo, algum tempo atrás, postou em seu blog,um texto em que um importante pastor americano negro, condenava o apoio dado por parte de praticamente todos os pastores amenricanos negros a Obama.O texto defendido por Julio, dizia que o unico motivo escolhido por estes pastores foi o aspecto racial ou seja, a identificação com a raça.Severo, como sempre atacou os "esquerdistas" americanos.É bem interessante notar que nuncca vi este ataque todo a Bill Clinto que tambem pertence ao mesmo partido.Na verdade o que eles são e sempre foram,mas espero que mudem, é um bando de racistas!ão condenam Obama por ser progressista e sim por ser um negro.
São contra o uso de células troncos, aborto,mas não são contra matar criancinhas iraquianas.Não defendem a vida: pois são a favor da pena de morte.Ensentivam invasão nos paises alheios.São na verdade, politicos disfarçados de pastores, só isso. o fato do pastor, John Macarthur ser reformado, não é problema nenhum,pois embora esse termo "fundamentalista" esteja mais ligado a eles(reformados) eu posso dizer que inúmeros pentecostais,neopentecostais podem e devem ser classificados neste grupo dado o seus exageros.São contra tudo:rock,desenhos da disney, e para tal postura sempre alegam que estão atacando o "reino das trevas".Vcs falaram muito sobre reformados.Bem, o que penso a respeito dessa turma, no que se refere a sua teologia,pode ser resumido no que Jesus disse: "quem dá testemunho de si mesmo, seu testemunho não é verdadeiro"Ou seja: são eles que dizem que são mais preparados teologicamente.Eles confudem conhecimento bíblico com academicismo.O fato dos pentecostais não terem uma boa formação acadêmica não os desqualificam: pois Jesus escolheu pescadores,homens iletrados para anunciar sua palavra, se Ele que é Deus "escolheu ás coisas loucas desse mundo" quem são estes reformados para questionarem?Ora, não aceito essa ideia tola desses bando de orgulhos!Abraço e não me entenda mal, é que vejo muita hipocrisia nestes caras.

Anônimo disse...

Como cresce no meio pentecostal/carismático esse progressismo. Deus tenha piedade de Nós. Isso não é caminho é atalho.


Emerson Costantini

Tradicionalista disse...

Gugu, mais uma vez vc deu bola fora... Em um tempo onde a palavra "fundamentalismo" vem sendo distorcida pelos incrédulos, seu post perpetua ainda mais essa distorção... Seria mais adequado você dizer "pq não sou um cristão fanático?"

Por fundamentalista em sentido estrito do termo, entende-se todo aquele cristão que:

a) tem na Bíblia sua regra de fé e prática, sendo ela suficiente para dirimir TODAS as questões sobre a vida do crente;

b) se apóia no credo apostólico, mais do que na reforma protestante e suas "confissões de fé";

c) crê na cessação dos dons revelacionais do Espírito Santo por entenderem que eles tinham um propósito de autenticar a mensagem pregada oralmente pelos apóstolos e profetas neo-testamentários.

Tudo o que vier além disso é conversa pra boi dormir. É claro que existem idiotas do lado dos fundamentalistas; mas também existem PSICOPATAS do lado dos pentecostais que apedrejam espíritas e botam fogo em mães-de-santo afirmando que esta está possessa pelo demônio.

Além do mais, houve uma confusão do capeta aí no texto misturando os psicopatas americanos que se dizem fundamentalistas, mas seguem a cartilha de imbecis como Morris Cerullo... Enfim, um samba gospel do crente doido.

Sei lá, acho que vou chover no molhado de novo e ser ignorado, mas vou repetir: vc perde uma chance tremenda de realmente esclarecer a sua fiel platéia das mazelas do cristianismo contemporâneo. Já perdeu antes e perdeu mais uma vez neste post. Quem sabe da próxima vc acerta?

Em Cristo.

Daniel disse...

Concordo com o colega Tradicionalista.

Anônimo disse...

Olá irmão Gutierres!

Sou cristão evangélico e pentecostal. Confesso que sou simpatizante do fundamentalismo cristão por ser uma reação ao liberalismo teológico que estava invadindo igrejas e seminários no início do século XX. É claro que não me simpatizo com todos os aspectos do fundamentalismo cristão, como o aspecto exclusivista doutrinário, pois sei diferenciar entre o que é doutrina essencial e doutrina secundária, e também pelo aspecto antipentecostal, sendo eu mesmo um pentecostal convicto.

O Manual de Defesa da Fé – Apologética Cristã de Peter Kreeft e Ronald K. Tacelli lista três classes de cristãos – se é que todos podem ser chamados de cristãos: o tradicional, o fundamentalista e o liberal. Eles defender a posição tradicional. Mas citando os cinco pontos fundamentais da fé cristã, listados por B. B. Wartifield – a divindade de Cristo, sua ressurreição, seu nascimento virginal, sua segunda vinda real e a infalibilidade da Bíblia – diz que: “Pela crença nesses cinco pontos fundamentais, todos os cristãos tradicionais são fundamentalistas”.

O Manual de Defesa da Fé – Apologética Cristã diz que “o termo mais correto para muitos teólogos que se autodenominam liberais, de esquerda ou progressivos seria herege... Herege é todo aquele que discorda de uma doutrina essencial”.

Enquanto fundamentalistas tendem a interpretar a Escritura de maneira literal, desprezando os aspectos mítico-simbólicos, os liberais tendem a interpretar os milagres e o sobrenatural de uma maneira não-literal, numa atitude anti-sobrenatural, cética e incrédula. Nesse caso, ao menos, “Os fundamentalistas não acrescentam os milagres aos dados textuais. Os modernistas os subtraem. Isso é falsear os dados para que se encaixem na falácia fundamental da má ciência” (idem).

Pior que os ateus e outros incrédulos são os liberais/modernistas: “Os modernistas minaram a fé muito mais eficiente do que os ateus. Os lobos em pele de ovelha afastaram mais ovelhas do que os lobos honestos” (idem).

Um contrassenso do aspecto antipentecostal no fundamentalismo: este logo cai no mesmo erro dois liberais, ao utilizar uma Hermenêutica anti-sobrenatural, na tentativa de negar a atualidade dos milagres e dos dons espirituais, separando parte da Palavra de Deus como se não fosse mais valida para hoje (por exemplo, 1 Co 14:39) – simplesmente uma versão modificada dos liberais/modernistas que alegam que nunca aconteceram milagres – como declarou o Dr. Jack Deere em Surpreendido Pelo Poder do Espírito. Nesta obra, o Dr. Deere apresenta a fragilidade da argumentação cessacionista e antipentecostal de John MacArthur em Carismatic Caos.


Em Cristo

Isaias Mendonça

Anônimo disse...

Caros,

Muita gente pensa que ou se é pentecostal ou tradicional nessas questões de Batismo do Espírito e coisas afins. Eu não tenho opinião formada, mas acho difícil um dia eu ser pentecostal ou tradicional cessacionista, eu gosto muito do entendimento de Lloyd-Jones sobre esses assuntos. Depois falo mais.

Emerson Costantini

Alisson do Carmo disse...

É um bom texto. Você apresenta o seu ponto de vista claramente e tem todo o direito de defender o que acredita. Mas, como toda crítica pentecostal, não tem nenhuma base bíblica ou doutrinária. OBS: Pesquisa sobre Paul Washer, John Piper... O McArtur não é o único fundamentalista do mundo!!!

Jones Faria Mendonça disse...

Acho que você está enganado em relação à Teologia da Libertação. Sua vinculação ao PT (ou ao marxismo) jamais teve caráter dogmático. A TL viu no PT um ótimo meio de propagação de suas idéias, mas sempre teve ciência das falhas que qualquer sistema pode apresentar.

É preciso ler Leonardo Boff com mais cuidado.