quarta-feira, 17 de março de 2010

Dietrich Bonhoeffer ainda fala!

O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), vítima do cruel nazismo de Hitler por ajudar judeus, escreveu como poucos. A sua mais marcante obra certamente é Discipulado, que se constitui em um ótimo livro teológico-devocional. Neste livro Bonhoeffer escreve sobre a graça barata e a graça preciosa, explicando as diferenças e suas implicações. Em um trecho ele comenta as distorções sobre a graça:

A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina comunitária, é a Ceia do Senhor sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado (…) Então tenho nela, antecipadamente, a justificação dos pecados que cometer durante minha vida no mundo. Posso agora pecar apostando nessa graça, pois o mundo está, em princípio, justificada por ela. Permaneço, por isso, em minha existência de cidadania mundana com até agora, tudo fica com antes, e posso viver na certeza que a graça de Deus me encobre. O mundo inteiro tornou-se “cristão” à sombra dessa graça, mas o cristianismo mundanizou-se sob essa graça como nunca. [1]

Precisa comentar alguma coisa? Certamente não. Fato é que hoje estamos mergulhados em pregações, livros e palestras que exaltam a graça. Mas será a graça barata ou preciosa? Eis a questão! Como em tudo precisamos de discernimento, pois não podemos tentar justificar nossas fraquezas com a riqueza de Deus. Bonhoeffer era bem consciente de que só se exerce o cristianismo no meio do mundo, mas se distinguindo dele.

Referência Bibliográfica:

[1] BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. 10 ed. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2008. p 10 e 15.

8 comentários:

zwinglio rodrigues disse...

Gutierres, paz!

Quero te pedir pra linkar o www.gospelprime.com.br aqui no 5 Solas. Se você puder fazer isso ficarei muito grato.
*
Abraços!

Cristiano Silva disse...

Amém, para as sábias palavras de Bonhoeffer. Mostra o quão diferente é a mensagem autêntica por aquela pregada por marketeiros e psicólogos da fé, preocupados apenas em nos fazer "sentirmos bem". Onde está o morrer a cada dia para si mesmo?

Para quem quiser conhecer mais sobre Dietrich Bonhoeffer, sugiro o ótimo A Cruz de Hitler.

God bless.

Gutierres Siqueira disse...

Zwinglio,

Você confundiu os blogs. rsrsrs

Mas vou colocar o link...

Gutierres Siqueira disse...

Cristiano Silva,

A sua indicação é muito boa, tanto para entender melhor Dietrich Bonhoeffer, como para avaliar os processos da seculzarização da igreja.

Saulo Vale disse...

Ótima postagem. =)

zwinglio rodrigues disse...

Gutierres,

É aquela coisa: troca o nome, mas não troca o homem... ou melhor, o blog.
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hahaha
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Obrigado meu irmão!

Anônimo disse...

Ótima postagem, bem a propósito após o ensaio recente de Cristina Mortágua, a ex-modelo que diz não ter ninguém no mundo que lhe dita regras ou controla o que faz.

É nesses momentos que eu me lembro do Concílio de Trento:

“Se alguém disser que Jesus Cristo foi dado por Deus ao homem como um redentor em quem confiar, e não também como um legislador, a quem obedecer, que seja anátema.” (Seção VI, Canon XXI).

Um abraço,

Rodrigo

André_Tadeu disse...

Parabéns, Gutierrez. Lembrar Bonhoeffer é sempre pertinente.