sábado, 13 de março de 2010

Fidelidade denominacional

Sou assembleiano desde que nasci de novo. Sinto-me feliz por fazer parte de uma denominação quase centenária, e que muito fez pela evangelização deste país. Agora, algo que não posso aceitar é a fidelidade cega que muitos exercem pela denominação, e acabam esquecendo até das Escrituras. Tal fato não acontece somente nas Assembleias de Deus, mas também conheço muito presbiteriano, batista e outros evangélicos que sofrem deste mal.

A doutrina da minha igreja é perfeita? O modelo de governo é consistente? A forma de liderança é adequada? As tradições são realistas? O
modus operanti é bíblico? Os costumes são baseados em princípios? O papel político é ético? O louvor tem cabimento? A preocupação central é ser uma comunidade cristocêntrica? E assim continuo com algumas perguntas.

Aliás, ninguém deveria se conformar com o local onde congrega sem fazer essas perguntas. Quando as faço, me livro do ufanismo idiota e do exclusivismo, pois vejo que longe ela está da perfeição. Não fico por aí proclamando que congrego no melhor lugar do mundo, e nem que os outros lugares são piores. Quando faço tais perguntas faço uma auto-crítica e uma auto-análise. A minha apologética começa em casa. Assim, não esqueço das palavras do Senhor: “Por que é que você vê o cisco que está no olho do seu irmão e não repara na trave de madeira que está no seu próprio olho?” (Mt 7. 3 NTLH).

Portanto, o nosso compromisso é com a Palavra, é com o Senhor; não com homens e suas denominações. Não que o modelo denominacional seja ruim, muito pelo contrário, pois o mesmo evita o centralismo papista. Mas mesmo assim é modelo humano, cheio de falhas e defeitos que não podem ser ignorados. E no cerne do denominacionalismo está o princípio de protestar contra a estrutura vigente.

Sim, eu sei que existem rebeldes sem causa, que existem baderneiros. Eu sei que existem anarquistas que não se submetem à lideranças autênticas. Sim, eu sei de todos esses cenários. Mas nada disso é justificativa para a idolatria que muitos têm pela sua igreja. Pessoas incapazes que apontar o erro, pois estão comprometidas com a estrutura. São conformistas. E os conformistas não combinam com o Evangelho. Protestantismo é liberdade para pensar conforme as Escrituras.

3 comentários:

Duda Serra disse...

Interessante o artigo.
Alguns irmãos, infelizmente, comportam-se como se no céu fosse haver vários redutos, separados por batistas, presbiterianos, metodistas, assembleianos, dentre outros.
Já foi pior há alguns anos, mas ainda há alguns que idolatram sua denominação, menosprezando as outras.

Thiago Nardoto disse...

Sinceramente...
Se todos os seus textos forem assim transparente.
Ainda bem que existem "bleianos" sinceros e honestos...
Por favor não se ofenda, já que, passei os últimos 20 anos dos meus 25 nesta amada Igreja que infelizmente sofre um grande mal (SEM generalizar é claro, MAS é uma verdade!)
Alienação...

José Raimundo da Rocha Barros disse...

Glória Deus por tal compreensão que o irmão tem.è a Mais pura verdade o que relata neste post (e nos demais deste blog), muitas pessoas trabalhão e vive em função da denominação, a colocam acima do reino de Deus, trabalha em favor da denominação mesmo contra Deus.Associam a fifelidade a Deus
à fidelidade aos programas desenvolvidos pela "igreja", seja eles de que natureza forem.
Deus o Abençoe.