quinta-feira, 1 de abril de 2010

Chega de nostalgia!

Nunca pergunte: “Por que será que antigamente tudo era melhor?” Essa pergunta não é inteligente (Ec 7.10).

Estou lendo o ótimo livro Reformissão de Mark Driscoll. Recomendo a leitura, assim como outros títulos do autor. Com irreverência e boa teologia, Driscoll nos leva a pensar e repensar uma nova postura como igreja. Mas uma passagem do livro, em especial, me chamou a atenção:

Não seria o caso de nos arrependermos do pecado da tendência à nostalgia do passado e da busca pela inovação constante? Indiscutivelmente, muitos cristãos e igrejas preferem o passado em relação ao presente ou ao futuro, porque o passado já está acabado, enquanto o presente e o futuro ainda requerem muito trabalho. Certo romantismo tolo, em cada um de nós, deseja desesperadamente crer que houve uma época pós-Gênesis 2, em que o mundo era um lugar maravilhoso para se viver e quando tudo era melhor e mais fácil do que agora. Este poderoso delírio serve para desculpar nossa preguiça e fracasso em fazer reformissão, lançando a culpa na dificuldade dos dias em que vivemos. Não é de admirar que muitas denominações e tradições teológicas continuem falando mais sobre o começo do seu movimento do que sobre os dias atuais, que estão vivendo, e do futuro, para o qual estão caminhando [1].

Impressionante como este texto descreve bem a situação das Assembleias de Deus no Brasil. Uma grande denominação que mais vive da nostalgia dos seus primeiros dias gloriosos, mas não apresenta um projeto para o presente e muito menos para o futuro. Como assembleiano me identifiquei bastante com a advertência descrita acima. Não que devamos esquecer a nossa história, mas é preciso construir uma memória não romantizada, que nos faça refletir sobre o presente e o futuro.

Fora de sintonia

Exemplo máximo desse assunto são os chamados “cultos de mocidade”. Primeiro que quem normalmente dirige é alguém casado. Outra: a palavra “mocidade” já é um grande exemplo de descontextualização. Os jovem que pregam são todos gomadinhos e engravatados. As músicas, pelo amor de Deus, são de ritmos arcaicos com letras ruins, que enfatizam elementos com “fogo” e “vitória”. Os hinos da Harpa Cristão são cantados com a animação de um velório. Aliás, quase todas as músicas são cantadas por cantar, pois as cabeças voam enquanto deveriam refletir na letra. São lábios mexendo sem sintonia com a mente e o coração. A formalidade chega ao extremo. Mas tudo pela tradição e identidade, não é mesmo?

Agora, vai tentar inovar (palavra no grata) para ver o que acontece! Primeiro que nem toda inovação é ruim. O culto com mulheres participando era tido no passado como uma grande inovação. O perigo está no fato da inovação tornar-se um fim em si, e desta forma comprometer o conteúdo do Evangelho. Como lembra Driscoll: “a inovação, quando não vem atada à verdade do Evangelho, leva a heresia” [2]. Inovar é bom, mas dentro dos limites da Palavra de Deus.

Então, usando o exemplo do “culto de mocidade”, por que não mudar? Por que não usar expressões com “culto dos jovens”? Por que não entregar a direção para jovens que falem a idioma dos jovens? Por que não cantar músicas mais contextualizadas que contenham letras com boa teologia? Por que não usar mais a banda em lugar dos cansativos vocais mal ensaiados? Por que não eliminar ternos, gravatas e aquelas cadeiras bonitonas na plataforma? Por que não trocar a versão de Almeida por uma NVI ou NTLH? Tudo isso é comunicação. É quanto mais limpa é a comunicação, de melhor a mensagem poderá se espalhar.

Achei interessante uma igreja batista que mantém vários cultos no decorrer da semana. No culto de domingo de manhã (antes da escola dominical) a maior parte dos participantes são idosos. Então, nesse culto só são usados hinos do Cantor Cristão, com uma orquestra sem banda. Ou seja, isso também é contextualização. Um culto que dialoga com os seus participantes. Já o culto dos jovens continha hinos do Cantor Cristão, mas com banda e outras músicas de produção recente.

Mas os nostálgicos continuam apegados ferozmente a suas tradições. Fazer o quê?


Referências Bibliográficas:

[1] DRISCOLL, Mark.
Reformissão: Como levar a mensagem sem comprometer o conteúdo. 1 ed. Niterói: Tempo de Colheita, 2009. p 49-50.

[2] Idem. p 52.

3 comentários:

Pr Alessandro Garcia disse...

O saudosismo é tão marcante em nosso meio, que certa vez, como colportor, eu apresentava a alguns irmãos a Nova Harpa Cristã (aquela que fez muito barulho e não chegou a lugar nenhum rsrsrs), então um irmão ergueu e sua velha e surrada harpa cristã e me disse: "Isto sim é uma harpa cristã, os seus hinos são inspirados por Deus, não é como estas que o irmão está oferecendo aí."
A minha tentativa de convencê-lo, que o seu argumento era falho não resistiu às suas convicções.
Esse tipo de raciocínio nos leva a pensar que em nosso meio, tudo que antigo procede do céu, deve ser perpetuado, e tudo que é novo tem cheiro enxofre e certamente vem das profundezas do inferno e por isso deve ser rejeitado. Não vale a pena nem examinar, é diferente, deve ser errado...

Até quando vai ser assim, só o tempo vai dizer. Abraços, continue nesta luta.

Elton Morais disse...

Realmente, devemos "inovar sem deixar o 'mundo' entrar na igreja".
Aqui na igreja onde sou membro, o "culto da mocidade" é totalmente dirigido por jovens (louvor e pregação)", porém os jovens, infelizmente, cantam "hinos" de grupos que são seitas (Voz da Verdade), "hinos" triunfalistas e antropocêntricos (Sabor de Mel).
Sempre escolhemos "temas" para os cultos da mocidade (arrebatamento, santidade, etc.) e cantamos hinos e passagens bíblicas sobre esses "temas", mas outro problema surge, quando a maioria escolhe temas que "massageiam o ego" da pessoa, temas para levantar a auto-estima do crentes, temos como: Ouse sonhar, os Sonhos de Deus, Quem tem promessa não morre, Decrete sua vitória e afins.

Em Cristo,
Elton Morais

Jane disse...

Assim é o tradicionalismo. Achando que tudo que é antigo, é decente. Cristão de hoje estão parados no tempo, vivendo o cristianismo como uma religião, cheio de liturgias, ritos e legalismos.Cristianismo deveria ser o centro da vida, um fardo leve, uma alegria constante. Jovens gostam de dançar, pular, tem muita energia, gritam, brincam, praticam esporte. Tudo com Cristo. Cantores e compositores cristãos atuais são tão abençoados qto os que escreveram o hino ou cantor cristão. Graças a Deus por eles! De todas as tribos, de todos os estilos musicais o Senhor tem sido louvado. Chega de mediocridade na igreja, deixem os jovens serem jovens, vestirem como jovens, adorarem como jovens...porque eles vencem o maligno!