quinta-feira, 15 de abril de 2010

Marina Silva: entre extremistas e realistas

Marina Silva é uma das candidatas à presidência, junto com José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Quando a imprensa começou a citar o nome dela como candidata do PV (Partido Verde) procurei me informar de todos os passos da pré-campanha. Logo, era a primeira vez desde que Anthony Garotinho se candidatou a presidência que uma evangélica concorrerá o principal cargo da República.

No início não gostei do que li. Um dos primeiros apoios veio do teólogo Leonardo Boff, tido com um mentor de Marina Silva. Apesar da simpatia de muitos evangélicos por ele, Boff é um fanático político. A sua ideologia está acima da verdade. Recentemente ele defendeu o “governo democrático” (sic) do boliviano Evo Morales. Quem acha Morales democrático já mostra que tem o mesmo discernimento de um enólogo com ageusia. Outro apoio de fanático veio da ex-senadora Heloísa Helena, do nanico e extremo PSOL.

Mas Marina Silva tem demostrado equilíbrio. Alinhou-se ao empresário Guilherme Leal, da Natura, que será o seu candidato a vice-presidente. Sempre fala em estabilidade econômica com um modelo sustentável. Defende claramente a autonomia do Banco Central para o controle da inflação. E sua equipe de campanha apresentou nomes respeitáveis.

A equipe de Marina conta com o economista e filósofo Eduardo Gianetti da Fonseca , nome respeitável para análise econômica. Além dele, o grupo terá o ex-embaixador Rubens Ricupero, que assessorará com assuntos para política internacional. Ou seja, nesses últimos dias alguns nomes de equilíbrio têm se somado à candidatura da senadora.

Que Marina continue nessa busca de equidade e que possa se afastar ao máximo de extremistas e fanáticos ideológicos. Além disso, que não abrace o populismo vazio de Anthony Garotinho, que escondia os seus podres na crítica aos banqueiros e a imprensa. Aliás, Garotinho só trouxe vergonha, mas tomara que Marina traga respeito.

Assembleia de Deus e Marina Silva

Nas últimas eleições a Assembleia de Deus pela CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil) tem apoiado candidatos do PSDB. Em 2002 apoiou Garotinho no primeiro turno e José Serra no segundo. Em 2006 apoiou Geraldo Alckmin. Será que neste ano apoiará José Serra novamente? E a assembleiana Marina Silva contará com o apoio da Assembleia de Deus?

A CONAMAD (Assembleias de Deus Madureira), do bispo e deputado Manuel Ferreira (PTB- RJ) vem apoiando o PT e o seu candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Será que apoiará Dilma Rousseff, a candidata do governo? Ou apoiará a assembleiana Marina Silva?

Fato é que ambas as convenções fazem aquilo que não deveriam fazer: apoiar oficialmente um candidato. Sou contra esses apoios, mesmo sendo a candidata assembleiana. Uma igreja pode até falar em voto consciente e nos ensinar civilidade, mas NUNCA INDICAR EM QUEM VAMOS VOTAR. Aqui deveria ser como nos Estados Unidos. Lá, se uma igreja apoia algum candidato ela perde sua isenção fiscal. Simples assim!

9 comentários:

Marcelo de Oliveira e Oliveira RJ disse...

Marina Silva sempre soube dialogar com os fanáticos de direita quanto os de esquerda (sua origem política). Na política brasileira o caminho é esse: a dialética. A direita, por um lado defende um choque de gestão, mas não consegue implementar políticas relevantes para as classes menores. Já a esquerda tem o problema sério da ética (a direita não fica atrás também) e de uma agenda que vai contra os princípios norteadores de determinados direitos (expressão, lei de propriedade, etc.). Marina representa o equilibrio e saberá debater assuntos relevantes. Ela demonstrou independência política( já apoiou proposta do PSDB no Acre, sendo do PT, na época do governo FHC)e defende o que entende ser coerente e lucrativo para uma determinada região, não faz política dicotomica (situação x oposição), ela faz política democrática (Governo e representante do povo).
Será interessante ver Marina Silva no debate nacional!

Paz e Bem!

Cristiano Silva disse...

Ótima reflexão. Mas tem uma coisa que sempre me incomodou: o PV não seria um partido de linha liberal? Considerando a Assembleia de Deus como uma igreja conservadora, como ela consegue se aliar a um partido assim que, convenhamos, sempre teve sua imagem fortemente ligada à Fernando Gabeira, a quem considero ético dentro daquilo que defende; o problema é que não concordo com aquilo que defende.

O que você acha disso?

Abraços.

Gutierres Siqueira disse...

Cristiano,

Ao contrário do PT, o PV não tem um linha obrigatória em questões morais. Por exemplo, o PT (como partido) defende abertamente a legalização do aborto (é só visitar o site do partido). Já o Partido Verde agrega gente de todo tipo, de todas as correntes ideológicas. Entre os grandes partidos, não existe no Brasil um partido oficialmente conservador.

Abraços

Cristiano Silva disse...

Olá,

Justamente por agregar todas as correntes ideológicas, como formar um governo com um partido assim? Será um governo unido? Parece-me uma coisa sem identidade.

Abraços.

Josiel Dias disse...

Olá meus irmãos Graça e Paz.
Fiquei feliz em conhecer este espaço, tão abençoador.
Aprendendo uns com os outros crescemos na graça e no conhecimento. Gostaria também de compartilhar meu blog.

" Mensagem Edificante para Alma"
http://josiel-dias.blogspot.com/


Josiel Dias
Cons Missionário
Congregacional
Rio de Janeiro

francisco disse...

Pode registrar , nao ´´e profecia nao mas pouquissimas igrejas vao apoiar a marina, pode apostar todoas as suas fichas que os lideres vao apoiar os tucanos ou petistas , só apoiam quem solta as cedulas , dizem que um voto para deputado vale 250 reais , façam suas contas

francisco disse...

Me recuso a acreditar que um dono de igreja e convençao nao receba muita grana para apioar um tucano ou petista!
A cgadb já apoiou tucanos e petistas , por que mudam tanto de lado ?

Matias disse...

o pecado das igrejas em apoiar políticos em troca de favores e em detrimento de seu papel profético terá o seu devido julgamento.
Tambêm achi que Marina terá pouco apoio das igrejas populares (AD, Universal), pois estas igrejas já estão comprometidas com candidatos que usam dinheiro indevidamente para construir templos de igreja, doar terrenos, possibilitar concessão de rádios e assim atrair igrejas mundanas e apóstatas. A igreja brasileira no seu presente estado teria apoiado Adolfo Hitler...
Sobra a Marina esperar no apóio de pessoas preocupadas com o futuro desta nação e seu povo. Eleitores preocupados em ver que o povo miserável tenha acesso a educação, a saúde e a condições dignas de trabalho. Eleitores que sonham que as lobbys de mafiosos sejam despedaçadas.
Preocupação não compratilhada pela maioria de bispos, apostolos, missionarios, pastores....

Cleber disse...

"Uma igreja pode até falar em voto consciente e nos ensinar civilidade, mas NUNCA INDICAR EM QUEM VAMOS VOTAR."

E o que vc acha do pastor dizer em quem NÃO votar?

Se o pastor vê que algum candidato está apoiando coisas contrárias a fé cristã, ele deve se calar?

Ele deve instruir de acordo com a Bíblia ou deve calar-se em nome do politicamente correto?

Dá uma olhada aqui:
http://confraria-pentecostal.blogspot.com/2010/04/ano-eleitoral-e-os-cristaos.html