quinta-feira, 8 de abril de 2010

A tragédia não é um número, é humana


No final do ano passado eu passeava por um shopping aqui em São Paulo. Esse estabelecimento fazia uma grande reforma no intuito de se tornar o segundo maior centro de compras da capital paulista. Na pressa, as obras avançaram imprudentemente. Quando eu me aproximava de uma loja de celulares, em um dia de grande movimento, derrepente ouvi um som pior do que um trovão. Naquele momento subiu uma poeira branca que avançava em alta velocidade. Centenas de pessoas começaram a correr com naqueles filme sobre o fim do mundo que sempre assistimos nos cinemas. Resultado- parte do teto desabou por causa de um muro que estava sendo levantado graças à reforma. Graças a Deus tudo não passou de um grande susto. Ninguém morreu. Houve um pouco mais de nove feridos. Um número pequeno diante da grande lotação do shopping em véspera do Natal. Vi duas senhoras literalmente cobertas de sangue, mas logo chegaram os bombeiros que as socorreram.

Por alguns minutos tive uma sensação horrível. Era uma mistura de medo, impotência, susto e alívio. Nos momentos do acidente pensei logo que poderia existir várias pessoas mortas, já que o barulho de um pedaço do teto desabando foi muito forte. Enquanto corria, liguei para a polícia, que prontamente me atendeu, mas o atendente disse: “Não se preocupe, já estamos mandando equipes”. Ou seja, muitos já tinham sacado os celulares para pedir socorro. Também naqueles minutos vários filmes passaram em minha cabeça. Aliás, não filmes, mas reportagens sobre tragédias em massa que aconteceram pelo mundo. Por alguns minutos pude sentir um pouco do desespero de fazer parte de um acidente de grande porte. Mas como disse, tudo foi um susto, nada de mais grave aconteceu. Acho que foi bem didático para a minha vida.

Agora, quando vejo os fatos que estão acontecendo no Rio de Janeiro, medito sobre o desespero daqueles que moram em morros. São famílias que perderam filhos, pais, irmãos, cônjuges, bebês, avós. Nada se compara com o ocorrido no shopping, mas aquele dia me ensinou a olhar essas tragédias com mais individualização, e não como números abstratos. Lemos que mais de 120 pessoas morreram, mas nada sentimos. Tudo não passa de mera estatística. Isso é horrível. Cada um desses 130 fluminenses tinham uma história, uma família, sonhos, projetos, conquistas, derrotas... assim como qualquer um de nós. Mas não vemos assim, meramente enxergamos um número.

A foto da agência O Globo, que ilustra este texto, é de um pai que chora o corpo do filho morto em um desmoronamento. O garoto Marcos Vinícius Vieira tinha apenas oito anos. Quando vejo registros fotográficos assim, já posso me aproximar um pouco mais da dor dessas pessoas. Me livro da frieza dos números. Vejo que tragédias não são estatísticas, mas dramas humanos. E Deus, onde está? Está na solidariedade de homens e mulheres, na braveza dos bombeiros, está no consolo. Deus está sempre ao lado, como mostra muito bem a história de Jó. Cristo sabe o que é sofrer. E o Espírito Santo é o divino consolador.

E os homens? E as autoridades? O que fazem?

É tempo de chorar com os que choram e orar...

Um comentário:

Matias Borba disse...

Gutierres,
A Paz!

Existem coisa ou situações na vida que, só sabe o tamanho e profundidade da dimensão do problema quem já passou.
Em Parte de seu texto onde se lê:

"Nada se compara com o ocorrido no shopping, mas aquele dia me ensinou a olhar essas tragédias com mais individualização, e não como números abstratos", me fez pensar nisso.

Existem situações ruins que tocam e abalam nossa estrutura emocional que, só quando vivemos tal situações é que conhecemos a dimensão da coisa. A perda dos pais, dos parentes, um relacionamento que parecia um sonho que se finda, provocam dores que, mesmo qaundo tentamos entender, só iremos sabre de fato na pele quando enfrentamos isso.

Claro que isso não é uma regra para comentarmos alguns fatos tristes da humanidade, mas de fato e como foi no seu caso, quando passamos por tamanha tragédia ou algo semelhante é que percebemos como é horrível essas situações.

Deus ajude essas pessoas, se as autoridades não pdoem fazer muita coisa ou não querem fazer, nós iremos fazer, orando e ajudando essas vítimas.

Um abraço!