sexta-feira, 14 de maio de 2010

Aborto na agenda eleitoral

Algo inédito acontece nas eleições presidenciais deste ano. O aborto ganhou pauta no noticiário com as declarações dos presidenciáveis. Ontem, o jornal O Estado de S. Paulo destacou as declarações de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) sobre o assunto. Em entrevista, na quarta-feira, para o Programa do Ratinho (SBT), Serra afirmou ser contra a legalização do aborto: “Eu não sou a favor do aborto. Não sou a favor de mexer na legislação. Agora, qualquer deputado pode fazer isso. Como governo, eu não vou tomar iniciativa”. Já Dilma Rousseff se mostrou a favor da liberação, mas usando uma declaração indireta: “Aborto não é questão de foro íntimo meu, seu, da Igreja, de quem quer que seja; é uma questão de saúde pública”. A ex-ministra defendeu essa posição do Programa Balanço Geral (Record- RS), assim como na entrevista para a revista Istoé desta semana.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), orgão da Igreja Católica, pediu na quarta-feira que os seus fiéis votassem em “pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana”. O D. Odilo Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo, declarou: “Além da descriminalização do aborto, há outras distorções inaceitáveis, como a união dita casamento, de pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por pessoas unidas por relação homoafetiva e a proibição de símbolos religiosos (em repartições públicas)”. As declarações aconteceram na 48º Assembleia Geral da CNBB, acontecida nesta semana em Brasília.

A presidenciável Marina Silva (PV), que é membro da Assembleia de Deus, já declarou em várias entrevistas que é contra a liberação do aborto. Alguns pensadores dito progressistas, entusiastas da bandeira ambientalista da candidata, se mostraram preocupados com o “conservadorismo” de Marina. Outros toleram esses pequenos gestos tradicionais para além das bandeiras de sustentabilidade ambiental do Partido Verde. Fato é que, tanto Serra quanto Marina, são de origem esquerdista, porém procuram uma posição mais ao centro no cenário político. Dilma já se mostra mais alinhada com suas bandeiras autointituladas como “progressistas”.

Agora, pouca diferença faz saber se o presidente é ou não a favor do aborto. Quem decide essas questões não é o poder executivo (presidente, governador e prefeito), mas sim o poder legislativo (senadores e deputados). Ora, são eles que votam em projetos de lei restringindo ou liberando o aborto, casamento gay e outras questões morais. Agora, também essa não deve ser a nossa única preocupação moral, pois o que adianta votar em um deputado contra o aborto e que rouba dinheiro de ambulância? Ora, quem aborta e extravia dinheiro da saúde é antivida. Portanto, a nossa seleção desse ser mais cuidadosa do que a do Dunga para a Copa da África.

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