domingo, 30 de maio de 2010

Saturação?

Neste ano o emprego está bombando. A economia crescendo como nunca. Os brasileiros consumindo em ritmo acelerado. Agora, os dízimos e as ofertas em muitas igrejas da Assembleia de Deus em São Paulo estão estagnados. É o que ouço de vários pastores reclamando nos púlpitos. O que acontece? Tudo indica sinais de saturação. As pessoas já dão claros sinais de cansaço. Mas cansados do quê?

Cansados do mais e do mesmo. É oferta para viagem de retiros, é oferta para aniversário de pastores, é oferta para reformar o templo, é oferta para construir uma sede megalomaníaca, é oferta para comprar uma lâmpada, é oferta para isso, para aquilo, para aquilo outro... Ou seja, algo insaciável. Lembra até um versículo de Provérbios:

A sanguessuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá. Há três coisas que nunca se fartam, sim, quatro que não dizem: Basta! (30.15 AC)

Não parece, mas há uma racionalidade bem definida na forma como os pentecostais ofertam. Eles querem ver resultado, seja isso bom ou ruim. Quando barganham com Deus, isso é muito ruim. Quando vê a oferta como meio de prosperidade e cura divina, isso é simplesmente antibíblico e péssimo. Agora, quando esperam algo concreto de obras na igreja, isso é bom. Os pentecostais abrem mais a mão para a ofertar quando enxergam mudanças. Exemplos disso não faltam.

Uma igreja destinava tudo o seu dízimo como salário do pastor. Resultado: Para construir um simples templo demorou dois anos, pois tudo era na base da oferta. Esse pastor saiu, e entrou outro. Na reunião de obreiros foi definido que o novo pastor não receberia todo o dízimo como salário, mas receberia uma quantidade X e o restante seria investido na obra. Resultado: O número de dizimistas triplicou. O templo que estava sendo construído em dois anos foi concluído e outros dois templos foram levantados, além de uma grande reforma na sede local, com investimento volumosos em salas para a Escola Dominical. Tudo isso aconteceu no intervalo de um ano e meio após a mudança na gestão do dízimo.

As pessoas pagam mais quando veem mais resultado. É fato. Isso é ruim? É claro que não. Assim demanda mais transparência das igrejas. As pessoas querem pagar e ver que a igreja está sustentando missionários, que há estrutura na Escola Dominical, que o templo tem água para beber, que o som funciona no andamento do culto, etc. Os conformistas com ar de espiritualidade pensam: “Fiz o meu papel e ofertei. O que eles vão fazem com essa oferta é problema deles”. Não é assim, o que a igreja como comunidade faz com o dinheiro de dízimos e ofertas é um problema de todo mundo.

Quando as denominações investirem mais na igreja local, com melhor aparato para a Escola Dominical, por exemplo, verá muita gente que pouco colabora colaborando muito mais. Ah, mas devemos ofertar sem olhar o que fazem com o nosso dinheiro, dizem os espirituais. E eu pergunto: Será?

14 comentários:

Dinho disse...

Gutierres, a paz de Cristo!

O grande problema da sua denominação e da minha e de quase todas, é o ensinamento erroneo sobre o dizimo. Pra mim, e graças a Deus, para muitos pastores respeitados do brasil e do mundo, o dizímo é algo que ficou restrito a antiga aliança.

Digo isso, não baseado apenas na experiencia, mas na pura exegese do texto bíblico. O que os nossos pastores vem fazendo com Malaquias 3.10 é VERGONHOSO! Ficam enganando e sendo enganados, pensando q o devorador é o diabo e tantas outras bizarrices tiradas do texto. Um dia darão contas a Deus dessa interpretação falaciosa.

Fica com Deus

Matias disse...

Concordo com o Dinho no que refere a exegese do texto bíblico sobre dízimo (mal 3,10). Este não se aplica a nova aliança, pois era restrito a comunidade agricola judia e sua divisão das terra entre as 12 tribos.
Igrejas que não pregam o dízimo tambêm tem sido aptas para cumprir os seus compromissos financeiros, pois os cristãos participam voluntariamente e generosamente das necessidades financeiras do Reino quando são movidos pela convicção e fé.
Tem ministérios que oferto, pois vejo seu projeto sério em relação ao Reino de Deus, outros ministérios não dou nenhum tostão, pois apenas são base para enriquecimento do seu líder.
Hoje muitos ministérios são movidos pela simples ganância e materialismo. O "dízimo" está no centro da sua mensagem, e a palavra da cruz é apenas periférica. Ministérios que pedem ofertas para evanglizar são aqueles que menos falam do pecado, justiça, juízo e da necessidade de redenção.
A paz!
matias

a verdade do evangelho disse...

Com respeito a Ml. 3:10 já faz alguns anos que venho dizendo nas aulas de seminário onde leciono, que esse texto não deve ser aplicado á igreja, pois o mesmo faz parte da antiga aliança. Mas percebo que muitos não aceitam a minha interpretação, pois foram acostumados a serem explorados pelos pa$tore$ comedores de dízimos com base neste texto. na igreja onde congrego (AD madureira)alguns membros já não dão o dízimo, pois a igreja está caindo aos pedaços (Não tem papel higiênico no banheiro, copo para beber água, as paredes estão rachadas, há fios desemcapados, tomadas estragadas, etc...) e o "pa$tor" vive pescando e comendo churrasco, fazendo de conta que não está acontecendo mnada.

Pb. Edinei, Th.B

Newton Carpintero, pr. e servo disse...

Prezamado Gutierres Siqueira,

A paz do Senhor!

Tocar nesta matéria é tocar em um ninho de cobras.

Apenas uma palavra: Todos devem repensar imediatamente nesta questão dos dízimos, trízimos antes que cheguemos aos cinquenta por cento: 50% assim não pode continuar.

Chega de roubos e mais roubos, através das ofertas que o Senhor não pede e não necessita.

Chega da confusão mental causada por estes bardeneiros religiosos.

O Senhor seja contigo!

O menor de todos.

Matias Borba disse...

Gutierres,
A Paz do Senhor!

Recentemente publiquei em meu blog, algo um pouco semelhante ao que seu texto nos leva a refletir. Falei sobre a questão do emprego dos dízimos e ofertas, na vida de pessoas que sofrem constantemente, como orfãos e viúvas, coisa pouco percebido nas Assembleias de Deus.

Eis o link:

http://encontrobiblia.blogspot.com/2010/05/ajuda-coletiva-e-individual-com-orfaos.html

Creio que já está na hora dos líderís assembleianos, despertarem melhor para uma ajuda mais específica aos que mais sofrem dentro de nossa AD. Creio que sem isso, não exista Evangelho prático e verdadeiro, conforme Tg. 1. 27.

Um abraço!

Matias Borba disse...

Mais uma coisa Gutierres:

E sua enquete? será que os evangélicos irão de fato votar na Marina? fiquei surpreso.
rsrsrs!!!

A Paz!

Matias disse...

Gostei da colocação do meu xará, o Matias Borba. De fato, quando ouço certo tele"evangelista" mencionar
2Cor 8 e 9 para endossar seus pedidos de oferta, mas este texto bíblico é bem claro, que as ofertas devem ser aplicadas no sustento dos cristãos que estavam padecendo com a fome ("crise economica em Israel"). E neste sentido tambêm deve ser entendida a oferta do Velho Testamento: é algo mais para o social do que para enriquecer líderes religiosos.
Aliás a igreja neotestamentária colocou as bases para um sistema social que funcionasse e acolhesse os pobres. Hoje os pobres são excluídos e muitas vezes discriminados na própria igreja. São julgados de terem pouca fé ou serem amaldiçoados... Que deturpação das Sagradas Escrituras. É abominável. Fico feliz com cada comentário acima, pois percebo uma séria reflexão para busca de uma alternativa bíblica. Chega de enriquecer pastores e apóstolos!
Abraço,
Matias

francisco disse...

Realmente falou tudo, o que mata nossas igrejas pentecostias e que :

Nosso pastores na maioria dos casos sao analfabetos em biblia, administraçao,recursos humanos e varias outras coisas.
Como nao tem a menor formaçao secular e espiritual, sao pessimos adminstradores e nao fazem as coisas com transparencia, a coisa funciona como uma empresa SONEGADORA , pastores presidentes sao formados, mandam seus filhos para o exterior para estudarem, moram em mansoes e palacetes,tem epregados,motorista pareticular, seguranças ,cartoes de credito corporativos (da igreja)
Enquanto os pastores do suburbio dao um duro danado geralmente num emprego com jornada de trabalho de matar , ou seja jornada dupla, trabalho secular/igreja, quando algum lider de setor ou coisa do tipo fica com tudo os outros ficam com nescessidades SERÁ que a igreja era pra ser assim ? os PAPAS evangelicos com muito e os pastores com tao pouco ?

francisco disse...

Gutierres

Ja pesquisou sobre o dizimo na historia da igreja ?
veja algumas coisas interessantes.

muitos historiadores da igreja escrevem que o dízimo não se tornou uma doutrina aceita na igreja, durante mais de 700 anos após o Calvário. Os antigos pais da igreja, antes de 321 d.C. (quando Constantino tornou o Cristianismo uma religião legal) se opunham ao dízimo, considerando-o uma doutrina puramente judaica. Clemente de Roma (Ano 95), Justino Mártir (150), o Didaquê (150-200) e Tertuliano (150-220) se opunham ao dízimo. Até mesmo Cipriano (200-258) rejeitou a introdução do dízimo incluído na distribuição aos pobres.
De fato, os antigos líderes da igreja praticavam o ascetismo. Isso quer dizer que ser pobre era a melhor maneira de servir a Deus. Eles copiavam sua adoração conforme as sinagogas judaicas, as quais tinham rabinos que se auto-sustentavam, recusando-se a receber dinheiro para ensinar a Palavra de Deus (Ver Schaff - “History of Christian Church”, vol. 2, 63, 128, 98-200, 428-434).
Segundo os melhores historiadores e enciclopédias, 500 anos se passaram até que a igreja, no Concílio de 585, tentasse, sem sucesso algum, forçar os seus membros a dizimar. Mas não foi antes de 777 d.C. que o Imperador Carlos Magno permitiu legalmente que a igreja coletasse dízimos [É claro que a Igreja de Roma, a qual coroou Carlos Magno, foi quem ressuscitou o dízimo, por causa da sua desmedida ganância por riqueza material].

Clemente de Roma (c95), Justino, o Mártir (c150), Irineu (c150-200) e Tertuliano (c150-200), todos se opunham ao dízimo por ser estritamente uma tradição judaica. O Didaquê (c150-200) sancionava aos apóstolos itinerantes que ficavam mais de três dias e depois pediam dinheiro. Os viajantes que decidiam se combinar com eles viam-se obrigados de aprender um ofício. Os que ensinam o dízimo não citam as declarações destes pais da igreja que se opunham ao dízimo.

Cipriano (200-258) fracassou quando tentou impor o dízimo em Cartago, África do norte, ao redor do 250 DC. No entanto, quando se converteu, Cipriano entregou sua grande riqueza pessoal aos pobres e tomou um voto de pobreza. E – devemos recordar – suas idéias do dízimo não foram adotadas.

Quando os mestres do dízimo citam a Ambrósio, Crisóstomo e Agostinho, como os assim chamados "pais da igreja", por pura conveniência não incluem os primeiros 200 anos da história da igreja. Ainda, depois que o cristianismo foi legalizado, no século quarto, muitos dos grandes líderes espirituais tomaram votos de suma pobreza preferindo viver vida de solteiros em monastérios. Se é que vão citar a estes mestres do dízimo, então a igreja também deve observar o tipo de vida que eles viviam.

Ainda que estejam em desacordo com seus próprios teólogos, a maioria dos historiadores da igreja escreve que o dízimo não chegou a ser uma doutrina aceita na igreja por mais de 700 anos após a cruz. De acordo com os melhores historiadores e enciclopédias, não foi senão até após 500 anos que o concílio local da igreja de Macón, na França, no ano 585, tentou, sem sucesso, impor dízimo sobre seus membros. Não foi senão a partir do ano 777 que Carlos Magno permitiu que a igreja, por aval de lei, pudesse recolher os dízimos.

Dinho disse...

Pelo que estou vendo aki nessa comunidade muitos estão se dando conta da verdade de que o dizimo é uma pratica vetero-testamentaria!

Isso realmente é muito bom.

Matias Borba disse...

Gutierres,

Pois é, meu xará, o Matias, argumentou de forma correta sobre a questão da utilização de dízimos e ofertas neste contexto. Ofertas e dízimos, eram para suprir a necessidade dos mais pobres em Israel, e a igreja primitiva, enchergou que os mais desamparados, orfãos, viúvas, pobres e miséraveis, eram os que mais necessitavam da ajuda material da igreja. Porque você acha que eles vendiam o que tinham e repartiam entre si seus bens? Porque simplesmente, não enchergavam essa necessidade apenas, mas agiam!

No AT, Deus sempre deu ênfase a isto, os primeiros cristãos da mesma forma, porém hoje, o que se vê são líderis enrriquecendo as custas de dízimos e ofertas, e isso é um erro, quando não se aplica as ofertas de forma correta e produtiva na vida humana.

Pastores enrriquecerem não costitui-se um problema, o problema, é quando os mesmos ficam ricos tendo em suas igrejas, miseráveis e abandonados. Pobres sempre irão existir, como disse Jesus, mas abandonados dentro de uma igreja, é algo inadimissível a fé cristã.

Precisamos continuar fazendo nossa parte, não apenas orando, mas, principalmente, agindo.

Um abraço a você e ao Matias!

Aldemar Souza disse...

Sou de uma Igreja Batista tradicional, e muito me alegra a sinceridade das palavras do irmão, principalmente quando é para mostrar erros do meio evangélico, não na forma de ataque a uma denominação, mas sim como os irmãos de Bereia, que mesmo ouvindo Paulo não deixaram de confirmar se o que ele dizia era Biblico, se Paulo teve que passar pelo crivo dos irmãos, porque os Lideres de hoje se acham tão ungidos, que não se pode falar nada e já se acham atacados no que eles interpretam como ações da parte de DEUS? DEUS EM SUA INFINITA MISERICÓRDIA CONTINUE A ABENÇOAR SEU MINISTÉRIO.
Aldemar

Aldemar Souza disse...

Sou de uma Igreja Batista tradicional, e muito me alegra a sinceridade das palavras do irmão, principalmente quando é para mostrar erros do meio evangélico, não na forma de ataque a uma denominação, mas sim como os irmãos de Bereia, que mesmo ouvindo Paulo não deixaram de confirmar se o que ele dizia era Biblico, se Paulo teve que passar pelo crivo dos irmãos, porque os Lideres de hoje se acham tão ungidos, que não se pode falar nada e já se acham atacados no que eles interpretam como ações da parte de DEUS? DEUS EM SUA INFINITA MISERICÓRDIA CONTINUE A ABENÇOAR SEU MINISTÉRIO.
Aldemar

Anônimo disse...

ALGUEM DAQUI JA PESQUISOU SOBRE O DIZIMO NA HISTORIA ?
muitos historiadores da igreja escrevem que o dízimo não se tornou uma doutrina aceita na igreja, durante mais de 700 anos após o Calvário. Os antigos pais da igreja, antes de 321 d.C. (quando Constantino tornou o Cristianismo uma religião legal) se opunham ao dízimo, considerando-o uma doutrina puramente judaica. Clemente de Roma (Ano 95), Justino Mártir (150), o Didaquê (150-200) e Tertuliano (150-220) se opunham ao dízimo. Até mesmo Cipriano (200-258) rejeitou a introdução do dízimo incluído na distribuição aos pobres.
De fato, os antigos líderes da igreja praticavam o ascetismo. Isso quer dizer que ser pobre era a melhor maneira de servir a Deus. Eles copiavam sua adoração conforme as sinagogas judaicas, as quais tinham rabinos que se auto-sustentavam, recusando-se a receber dinheiro para ensinar a Palavra de Deus (Ver Schaff - “History of Christian Church”, vol. 2, 63, 128, 98-200, 428-434).
Segundo os melhores historiadores e enciclopédias, 500 anos se passaram até que a igreja, no Concílio de 585, tentasse, sem sucesso algum, forçar os seus membros a dizimar. Mas não foi antes de 777 d.C. que o Imperador Carlos Magno permitiu legalmente que a igreja coletasse dízimos [É claro que a Igreja de Roma, a qual coroou Carlos Magno, foi quem ressuscitou o dízimo, por causa da sua desmedida ganância por riqueza material].

Clemente de Roma (c95), Justino, o Mártir (c150), Irineu (c150-200) e Tertuliano (c150-200), todos se opunham ao dízimo por ser estritamente uma tradição judaica. O Didaquê (c150-200) sancionava aos apóstolos itinerantes que ficavam mais de três dias e depois pediam dinheiro. Os viajantes que decidiam se combinar com eles viam-se obrigados de aprender um ofício. Os que ensinam o dízimo não citam as declarações destes pais da igreja que se opunham ao dízimo.

Cipriano (200-258) fracassou quando tentou impor o dízimo em Cartago, África do norte, ao redor do 250 DC. No entanto, quando se converteu, Cipriano entregou sua grande riqueza pessoal aos pobres e tomou um voto de pobreza. E – devemos recordar – suas idéias do dízimo não foram adotadas.

Quando os mestres do dízimo citam a Ambrósio, Crisóstomo e Agostinho, como os assim chamados "pais da igreja", por pura conveniência não incluem os primeiros 200 anos da história da igreja. Ainda, depois que o cristianismo foi legalizado, no século quarto, muitos dos grandes líderes espirituais tomaram votos de suma pobreza preferindo viver vida de solteiros em monastérios. Se é que vão citar a estes mestres do dízimo, então a igreja também deve observar o tipo de vida que eles viviam.

Ainda que estejam em desacordo com seus próprios teólogos, a maioria dos historiadores da igreja escreve que o dízimo não chegou a ser uma doutrina aceita na igreja por mais de 700 anos após a cruz. De acordo com os melhores historiadores e enciclopédias, não foi senão até após 500 anos que o concílio local da igreja de Macón, na França, no ano 585, tentou, sem sucesso, impor dízimo sobre seus membros. Não foi senão a partir do ano 777 que Carlos Magno permitiu que a igreja, por aval de lei, pudesse recolher os dízimos.