domingo, 23 de maio de 2010

Teoria da conspiração: Garantia de audiência no mundo evangélico

O polêmico e irreverente jornalista Paulo Francis reclamava do “folclore habitual que persegue a fama no Brasil”, ou seja, “todo famoso é provavelmente corno, ladrão ou bicha”[1]. O mundo evangélico também tem o seu folclore, ou seja, todo famoso é provavelmente um adepto do satanismo. Quem nunca ouviu o testemunho de algum ex-bruxo que tenha feito centenas de pactos diabólicos com artistas brasileiros? Quem nunca leu um texto informado que detalha a ligação de famosos com o mais baixo ocultismo? Pois bem, teorias da conspiração fazem um tremendo sucesso no dia a dia dos evangélicos.

É provável que algumas dessas histórias sejam verdadeiras. Agora o meu ceticismo natural tente a desconfiar dessa proliferação de testemunhos proclamados por itinerantes que andam por aí, de igreja em igreja, tirando ofertas. Mesmo que todas essas histórias fossem verídicas, pergunto: E daí? O satanista, assim como um religioso cristão não convertido, precisa de Jesus da mesma forma. Por acaso a necessidade de conversão é diferente? Por que tomar o tempo do culto com histórias de artistas que foram em um terreiro pedir sucesso e fama? É melhor ganhar esse tempo ensinando os crentes a orarem e evangelizarem os adeptos de qualquer religião que ainda não conhecem Jesus, mesmo sendo ele evangélico.

Embalagens diabólicas

Quando eu estudava ainda o ensino fundamental, certo dia uma colega de escola chegou na quadra de esportes com uma embalagem de Coca-Cola, e ela então dizia: “Olha pessoal, virem a embalagem contra o sol e vocês verão a imagem de um demônio!”. Eu logo virei a imagem contra a luz e não vi nenhum demônio, mas somente a foto virada do Papai-Noel, pois o rótulo era um especial de Natal. Tudo não passava de mais uma teoria conspiratória.

O pior que em muitas igrejas, no horário do culto, ensinaram para os crentes que a Maionese Hellmann's era diabólica, pois o prefixo “Hell” significa “inferno”. Essa só não é piada porque é sem graça. Ora, Hellmann´s é nada mais, nada menos do que um sobrenome alemão. E ainda neste espaço poderia citar inúmeros exemplos ridículos de teorias da conspiração, mensagens subliminares e outras bobagens.

Conselho

Caro pastor e pregador, em lugar de perder tempo com mentiras e fofocas da internet, ensine sua igreja mediante um aprendizado claro e edificante das Sagradas Escrituras. Não há tempo a perder, pois a noite vem. E tome cuidado com esses itinerantes.

Referência Bibliográfica:

[1] NOGUEIRA, Paulo Eduardo.
Paulo Francis: Polemista Profissional. 1 ed. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010. p 29.

4 comentários:

Presb. Fabio Scofield disse...

Olá Irmão Gutierres, Graça e paz da parte do Senhor Jesus......
Verdadeiramente, não há nenhuma confiabilidade nestes supostos testemunhos; mesmo que fossem verdade, pouco importa, como foi citado pelo amado irmão. Porque Jesus não nos chamou para testemunharmos os feitos de satanás na nossa vida; mas testemunhar a obra de Deus na nossa vida, por intermédio de Cristo.
Estou seguindo o seu blog, visite o meu, se gostar faça como eu.

Deus te abençoe em nome de Jesus...

Cristiano Silva disse...

Um filósofo citado em um livro que estou lendo disse que "ninguém leva a Igreja a sério porque ela não é séria". Realmente, estas teorias conspiratórios (eu já ouvi algumas - parei de me importar com elas) não é a forma correta de impactar a nossa cultura, não é mesmo?

Gutierres Siqueira disse...

Caro Fábio,

Obrigado pela visita e parabéns pelo conteúdo do seu blog.

Abraços

Gutierres Siqueira disse...

Cristiano,

Michael Horton está certo. Precisamos de um cristianismo mais sério, sem essas maluquices.

Abraços