segunda-feira, 28 de junho de 2010

Políticas, pastores e cantoras na mídia

Marina Silva, a única candidata evangélica na disputa presidencial, vem causando polêmicas em torno de sua religiosidade. Não que ela alimente essas polêmicas, mas alguns jornalistas causam um alvoroço em torno dela. Muitos temem uma ingerência religiosa no seu governo. Nesse espírito, a revista Época entrevistou o pastor Sóstenes Apolos, da Assembleia de Deus no Plano Piloto, igreja onde Marina é membro.

A repórter Mariana Sanches demostrou pouco conhecimento do universo evangélico e assembleiano. A entrevistadora perdeu tempo perguntando sobre “usos e costumes”, e pelo jeito não sabia que a Assembleia de Deus é uma igreja muito heterogênea, ondena verdade são várias “Assembleias de Deus”. A única unidade, pelo menos aparente na Assembleia de Deus, é a sua doutrina pentecostal. O restante (liturgia, costumes, forma de governo, musicalidade) depende da liderança local.

Outra. A reportagem mostra Sóstenes Apolos como uma espécie de “mentor espiritual” da candidata verde. Ora, no protestantismo a relação de fé com a transcendência é muito individualizada. A reforma Protestante defendia a doutrina do “sacerdócio universal” de todos os cristãos. Ou seja, a relação é direta com Deus e não há “mentores espirituais” no protestantismo.

Miriam Leitão e Marina Silva

Em sua coluna do jornal O Globo, a jornalista Miriam Leitão surpreendeu. Leitão argumentou que reprova a ideia de perguntas em torno da religiosidade de Marina Silva se ela não faz isso com os demais candidatos. Leitão escreveu:

Na entrevista que fiz esta semana com Marina Silva não perguntei de religião. Foi proposital. Ao me preparar para a entrevista, me dei conta de que já entrevistei muitos candidatos à Presidência, nas últimas cinco eleições, e nunca perguntei a qualquer dos candidatos se, de alguma forma, suas convicções religiosas seriam parte do programa de governo. E eles tinham religião. As perguntas sobre a religião evangélica de Marina Silva aparecem de várias formas, são recorrentes, todas revelam o mesmo temor: o de que ela imponha ao país, caso eleita, suas crenças religiosas através do currículo escolar ou padrões de comportamento. Um temor que mais parece preconceito.

Sempre pensei isso. Independente se o presidente é a favor ou contra o aborto, por exemplo, quem decide isso é o legislativo (deputados federais e senadores). Marina Silva é uma mulher democrática e nunca imporia seus valores cristãos na sociedade brasileira. Nenhum político cristão fez e faz isso. Só gente tonta fica pensando essas coisas. É fruto de uma ignorância histórica. O cristianismo não é islamismo. Não existe Estado cristão absoluto, mesmo no Vaticano existem não cristãos. O laicismo nasceu em sociedades protestantes.

Aline Barros e Fernanda Brum no Domingão do Faustão

É, duas cantoras bem conhecidas no mundo evangélico foram até o Faustão e lá cantaram. Isso é bom ou ruim? Sei lá. Mas não seja ufanista. O Brasil não se tornará cristão porque cantores evangélicos estão no Faustão. Há muito tempo que músicos cristãos cantam nos programas de maior audiência da TV norte-americana e nem por isso os Estados Unidos se renderam aos pés do Senhor. É bom que os evangélicos ganhem espaço, mas as emissoras fazem isso não por conversão, mas sim pela busca de audiência. Aliás, as emissoras de TV sempre estão em busca de audiência, pois vivem disso.

6 comentários:

Pr. Carlos Roberto disse...

Caro Gutierrez,

É isso aí meu amigo!

Dizer mais o que se você já disse tudo?

Parabéns pela abordagem!

Um grande abraço!

Pr. Carlos Roberto

Cristiano Silva disse...

Excelente post, Gutierrez. Não vou votar na Marina, mas concordo que caso ela seja eleita, não deve impor, digamos assim, um cristianismo na sociedade, assim como eu torço para que, qualquer um que seja eleito, não restrinja a liberdade religiosa, ou queira impor um controle, velado ou não, do Estado na Igreja. Isto nunca foi bom para a propagação da Palavra de Deus, para a sã doutrina.

Mesmo assim, caso ela fosse eleita, isso significa que, enquanto presidente, ela não possa se posicionar contra o aborto, e dando para isso argumentos com base bíblica? Por que não poderia? O que você acha disso?

Abraços.

Gutierres Siqueira disse...

Cristiano, a paz!

Sim, penso que ela e todos nós podemos manifestar os nossos valores, logo moramos em um país democrático. Um presidente cristão pode emitir suas opiniões, mas a legislação do país depende do poder legislativo. Então, nós devemos ficar atentos para votar em cadidatos comprometidos com a vida e a ética, pois não adianta lutar contra o aborto enquanto desvia dinheiro da saúde. O político tem que ser integral.

Abraços

Gutierres Siqueira disse...

Pr. Carlos, a paz!

Obrigado pela visita. Saiba que os membros da AD Cubatão no Vargem Grande são atenciosos com a Palavra, além de simpáticos e hospitaleiros. Foi um prazer dar uma aula naquela igreja.

Abraços

Cleber disse...

Mano,
publiquei um post no meu blog comentando esse post seu.
http://confraria-pentecostal.blogspot.com/2010/06/separacao-da-igreja-e-estado.html

Mano, sobre cantoras gospel no Faustão acredito que seja pq agora elas tem contrato com a Som Livre, creio que por isso a Globo cedeu espaço.

Abraços,
Pr Cleber.

Anônimo disse...

venho, aqui deixar o meu protesto hj no horario Politico vi o WALDOMIRO SANTIAGO, levantando a bandeira doSERRA, como Evangelica fico indignada com ¨ESSES¨ LIderes evangelicos querendo influencia a massa Evangelica. Somos um Posso inteligente k sabemos em quem votar e quem é melhor para o nosso pais. Fica um recado para todos os Lideres vão orar mais e se preoculpar com seus rebanhos.