terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Pregação expositiva não pode ser confundida com descrição de termos gregos no PowerPoint!

Caros amigos,

Leiam com atenção o trecho abaixo do livro A Espiral Hermenêutica: Uma Nova Abordagem à Interpretação Bíblica (Edições Vida Nova), do teólogo Grant R. Osborne.

Volto no final.


Pregação Expositiva

Defendo com unhas e dentes a ideia de que o alvo da hermenêutica não é a teologia sistemática, mas o sermão. O verdadeiro propósito das Escrituras não é explicação, mas exposição, não é descrição, mas proclamação. A Palavra de Deus fala a cada geração, e a relação entre significado e significação resume a tarefa da hermenêutica. Não basta recriar o significado original pretendido de determinada passagem. Precisamos elucidar sua significação para os nossos dias. Exposição significa uma mensagem baseada na Bíblia, em geral uma série que conduz a igreja através de um livro como Isaías ou Romanos. Um sermão temático pode ser expositivo, contanto que ele faça a pergunta “o que a Bíblia diz sobre este assunto?”, e em seguida conduza a congregação através do que a Palavra de Deus revela sobre o assunto em questão.

Walter Liefeld afirma que uma mensagem expositiva tem integridade hermenêutica (reproduz o texto com fidelidade), coesão (sentido do todo), movimento e direção (observa o propósito ou objetivo de uma passagem) e aplicação (observa a relevância da passagem para hoje). Sem cada uma dessas qualidades, um sermão não é verdadeiramente expositivo. Algumas pessoas revelam um falso conceito de exposição como se fosse uma simples explicação do significado de uma passagem. Tais sermões se destacam pela presença de retroprojetores com transparências difíceis de entender e detalhes sobre grego e hebraico. Infelizmente, embora as pessoas saiam impressionadas com a erudição demonstrada, suas vidas não são transformadas, e elas se convencem de que jamais poderão estudar sozinhas a Bíblia, mas precisam sempre voltar a cada domingo para ouvir o “especialista”. E com isso estamos de volta à Idade Média! Na verdadeira pregação expositiva, o “horizonte” dos ouvintes deve se fundir com o “horizonte” do texto. O pregador deve se perguntar como o escritor bíblico aplicaria as verdades teológicas da passagem, se estivesse se dirigindo a uma congregação de hoje.

Haddon Robinson define a pregação expositiva como “a comunicação de um conceito bíblico derivado e transmitido através de um estudo histórico, gramatical e literário de uma passagem em seu contexto, a qual o Espírito Santo aplica primeiramente à pessoa do pregador para então aplicá-la, por meio dele, aos seus ouvintes”. É uma excelente definição e toca em várias questões que já discutimos. Pregadores de nossos dias precisam primeiro ter um encontro com o texto em sua situação original e depois com a significação do significado original para si mesmos. Em seguida, devem transmitir essa significação aos ouvintes, que antes devem ser conduzidos ao contexto bíblico e depois à relevância que ele tem para suas necessidades pessoais. Muitas vezes, os pregadores enfatizam demais um lado ou outro, de modo que o sermão se transforma numa exposição árida ou num passatempo dinâmico. Ambas as esferas, o significado original do texto e a significação para nosso contexto, são essenciais na pregação expositiva, que é o verdadeiro objetivo do empreendimento hermenêutico.

(OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica: Uma Nova Abordagem à Interpretação Bíblica. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2009. p 36-37.)


Comento:

É muito importante o alerta de Grant R. Osborne. Não podemos confundir exposição do texto bíblico com mera explicação técnica de termos originais, mesmo sendo essa uma importante fonte de informação para a compreensão do texto bíblico. A aplicação do texto para a realidade atual é essencial quem qualquer mensagem bíblica.

E no mais recomendo fortemente o livro A Espiral Hermenêutica, sendo uma obra de interpretação bíblica que responde muitas questões levantadas pelos críticos da ortodoxia cristã. Se você é um jovem estudante ou um teólogo veterano a obra certamente ensinará muito com linguagem fácil.

2 comentários:

Aprendiz disse...

Antes, havia exegese mas nenhuma aplicação. Hoje só existe "aplicação", baseada em exegese falsificada. A nossa história é a história dos nossos erros.

Daladier Lima disse...

Prezado Gutierres, a moda agora é dizer que es está fazendo exegese sem citar nenhum termo no original. É brincadeira!