domingo, 31 de janeiro de 2010

Almoço, Preconceito e Humildade


Há alguns anos fui convidado por um colega da igreja para almoçar em sua casa. Depois do almoço, saí da cozinha e sentei no sofá da sala. Na mesa de centro tinha um exemplar da Bíblia Shedd. Então, comecei a folhear aquela Bíblia de estudo. Enquanto lia algumas notas escritas pelo Dr. Russell P. Shedd, o meu colega entrou na sala, e comentei: "Legal, você tem uma Bíblia Shedd. Ela é muito boa". Meu colega respondeu: "É, realmente. Mas eu não leio as notas escritas pelo Shedd. Sabe, esses teólogos são muitos orgulhosos. Não quero ler pessoas movidas pelo orgulho". Fiquei espantado com a fala dele, mas mudei de assunto. Alguns minutos depois o meu colega colocou um CD de pregação que ele dizia ser muito bom. O pregador do CD começou a sua fala dizendo, com uma voz grave e ríspida: "Eu não sou como uns pregadores por aí, eu prego a verdade". Então, naquele segundo pensei: "Nossa, ele não lê Shedd por causa de um orgulho que especula, mas ouve esse tremendo arrogante". Falei para o meu colega que aquele pregador não era tão bom assim.

Algum tempo depois eu lia a extinta revista Enfoque Gospel. Em uma das edições havia uma entrevista com o pastor Shedd. A repórter Virgínia Rodrigues começou o texto da entrevista com a seguinte frase: "Ele (R. P. Shedd) foi, oficialmente, o primeiro colunista da Enfoque. Em 2001, tive o prazer de lhe fazer o convite pessoalmente em sua própria casa, em São Paulo, onde me recebeu com carinho e toda a humildade, que lhe é constante". Na hora que li essa frase lembrei imediatamente do meu colega. Ele, que especulava o orgulho de Shedd era ouvinte de um pregador arrogante. A especulação do meu colega era completamente equivocada. O preconceito dele não o fazia enxergar o verdadeiro arrogante e orgulhoso da história. Então, nesse último sábado tive o prazer de conversar rapidamente com o Dr. Shedd, e pedi um autógrafo. Já pedi a assinatura de livros para vários escritores evangélicos, mas o Dr. Shedd foi um dos mais atenciosos. Enquanto recebia a assinatura, com um largo sozinho, lembrei novamente daquele almoço de anos atrás.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Como é difícil ouvir rádio evangélica!

Quem mora em São Paulo sabe- como é difícil escolher uma emissora de rádio evangélica de qualidade. Sobram “profecias”, pedidos de ofertas, músicas antropocêntricas e as orações de “apóstolos” arrogantes. Agora, uma boa alternativa é a rádio TransMundial. Por ser uma emissora AM, fica difícil sintonizar, pois nenhum celular ou MP3 aceita esse formato, mas essa emissora pode ser escutada via internet.

Acesse: http://www.transmundial.com.br/

É claro que nas demais rádios há programas bons, porém é realmente difícil recomendar uma emissora que você aceite a maior da programação. Portanto, vamos valorizar o que realmente presta. Nesse caso, em qualquer lugar do país é possível ouvir a TransMundial pela internet.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Lição 05 - Tesouros em Vasos de Barro

SUBSÍDIO ESCRITO PELA EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD
Leitura Bíblica em Classe

2 Coríntios 4.7-12

Introdução

I. Paulo Apresenta o Conteúdo dos Vasos de Barro (4.1-6)
II. Paulo Expõe a Fragilidade dos Vasos de Barro (4.7-12)
III. Paulo Fala da Glorificação Final Desses Vasos de Barro (4.13-18)
Palavras-chave: vaso, fragilidade

I. Paulo Apresenta o Conteúdo dos Vasos de Barro (4.1-6)

“A preciosa mensagem da salvação em Jesus Cristo, que tem um valor supremo, foi confiada por Deus a seres humanos frágeis e falíveis. O enfoque de Paulo, porém, não estava no recipiente perecível, mas em seu conteúdo de valor inestimável — no poder de Deus que habita em nós. Mesmo sendo fracos, Deus nos usa para transmitir suas Boas Novas e nos dá poder para fazer a sua obra. Saber que o poder é de Deus, e não nosso, deve nos afastar do orgulho e nos motivar a manter nosso contato diário com Ele, nossa fonte de poder. Nossa responsabilidade é deixar que as pessoas vejam Deus por nosso intermédio” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, p. 1615).

II. Paulo Expõe a Fragilidade dos Vasos de Barro (4.7-12)

• “Paulo nos lembra que, embora, às vezes, possa parecer que estamos sendo quase vencidos, nunca devemos perder as esperança. Nosso corpo está sujeito a pecar e sofrer, mas Deus nunca nos abandona. Por Cristo ter vencido a morte, temos a vida eterna. Todos os nossos riscos, humilhações e provas são oportunidades de Cristo demonstrar seu poder e sua presença em nós e por nós” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, p. 1615).
• Professor, explique aos seus alunos que “nossos problemas não devem diminuir a nossa fé ou nos desanimar. Antes, devemos perceber que existe um propósito em nossos sofrimentos. Os problemas e as limitações humanas trazem muitos benefícios:

1. Ajudam-nos a lembrar o sofrimento de Cristo por nós;
2. Ajuda a não termos orgulho;
3. Ajudam-nos a ver além dessa vida tão curta;
4. Provam a nossa fé;

5. Dão a Deus a oportunidade de demonstrar seu grande poder. Não se ressinta por seus problemas. ‘Veja-os como oportunidades de adquirir experiências com o Senhor’” (Bíblia do Estudante Aplicação Pessoal. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, p. 1325).

• “Os vasos de barros eram os objetos menos valorizados pela dona de casa. Quebravam-se com facilidade e eram baratos, de fácil reposição. Por outro lado, os vasos de metal ou de vidro eram caros e muito provavelmente, colocados em exposição. Paulo se via como um vaso de barro. O importante é o ministério e a mensagem que transmitia ao mundo. O apóstolo não queria estar em evidência, como se ele ou qualquer outro servo de Deus é que fossem importantes. Assim também hoje, o Espírito Santo que habita em nós e o evangelho que partilhamos merecem prioridade” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1ed. Rio de Janeiro, CPAD, 777).

• [...] “Paulo queria que os coríntios soubessem que pouco importava o que acontecesse, o tesouro no vaso de barro do seu corpo o impedia de ser quebrado pelas circunstâncias ou pelos inimigos.

De quatro maneiras Paulo enfatiza que o poder de Deus vencia sua fraqueza no ministério: 1) Os problemas pressionavam severamente de todos os lados (ou de todas as formas), mas por causa do poder incomparável de Deus, eles não podiam angustiá-lo — o que também pode significar que eles não podiam nem mesmo restringi-lo de disseminar o Evangelho; 2) Ele às vezes via-se perplexo diante das muitas adversidades, e nem sempre entendia o que lhe sobrevinha e os motivos de tais coisas estarem acontecendo, mas nunca tinha o tipo de desespero que duvidava de Deus; 3) Ele era perseguido (no grego, inclui as ideias de ser expulso e perseguido de lugar em lugar; cf. At 14.5,6; 17.13), mas não ficava desamparado. O Senhor não o abandonou, nem seus companheiros o deixaram em apuros; 4) Ele era abatido pelos inimigos, mas não destruído ou arruinado” (HORTON, Stanley M. I & II Coríntios. 1 ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2003, p. 203).

Extraído de:
RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2005, p. 896.
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, pp. 310-11

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Convite

Caros amigos leitores,

Reproduzo o convite da Igreja Cristã da Trindade para o culto desse sábado:

Sábado 30 de janeiro - 19:30h

Dr. Russell Shedd na ICT

É um dos maiores pensadores da igreja na atualidade. Tem passagem por diversos países como Alemanha, Inglaterra, Portugal, Escócia, etc, onde estudou, ministrou palestras ou desenvolveu algum trabalho na obra de Deus. Formou-se em teologia no ano de 1949 pelo Wheaton College, fez mestrado em estudos do novo testamento no Faith Seminary, em Philadephia. Ph.D em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo na Escócia. Tem colocado seu pensamento à disposição do público através da boa literatura que não pode faltar na biblioteca de um bom leitor.

A Igreja Cristã da Trindade fica na Av. Jabaquara, 2461 Mirandópolis - São Paulo - SP - Junto a estação do Metrô São Judas.

Vamos lá para tomar um cafezinho e ouvir a Palavra de Deus (bem que eu tomarei Coca-Cola, pois não gosto de café, rsrsrs).

Pare de Adorar e Idolatrar Pregadores Celebridades

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Cuidado com as paranoias

Gosto muito de conversar. Naturalmente como evangélico converso com muitos evangélicos. Não é difícil que esses diálogos girem em torno de algum assunto da fé cristã. Nas conversas é comum ouvir alguma teoria paranoica. É claro que falo de paranóia metaforicamente, pois não trato aqui de psiquiatria. Mas quais seriam essas paranoias?

- Teoria da Conspiração

Meios de comunicação, governos, grandes empresários e religiosos apóstatas estariam se reunindo secretamente para acabar com os cristãos. Todos unidos com um só propósito.

Alguém que acompanha conferências internacionais já viu alguma que acabou em consenso?

- O anticristo é o Papa

Devido alguns números presentes na roupa do Papa e símbolos presentes em objetos e vestidos, o Papa seria o novo anticristo. Até o fato do Papa falar várias línguas o coloca como suspeito.

O anticristo será um combatente do relativismo moral, teológico e doutrinário? Penso que não!

- Todos os presidentes dos EUA são candidatos a anticristo

Ouvi que Bush seria o anticristo. Depois ouvi que Obama seria o anticristo. Amanhã, se a democrata Hilary Clinton e a republicana Sarah Palin se candidatarem, logo no futuro alguém dirá que o anticristo é uma mulher.

Analistas prevêem que o Brasil se tornará a quinta maior economia do mundo nos próximos dez anos. Não vai demorar muito para que alguém ache uma menção sobre o Brasil no Apocalipse.

- Nesse momento estão desenvolvendo uma tecnologia com chip para dominar o mundo

Alguém inventou que o anticristo usará chips e todos repetem isso como papagaio. Esses não têm base as Sagradas Escrituras, mas sim a mera especulação. Mas os chips serão usados? Sei lá, não tenho base escriturística para tal afirmação.

É isso.

Em nova oportunidade falo de outras paranoias.

As contradições no pentecostalismo brasileiro

O Movimento Pentecostal é algo lindo e maravilhoso, sendo certamente um grande avivamento de Deus. Agora, o pentecostalismo brasileiro está cada vez mais distante desse ideal, além de conter várias contradições.

- A liturgia das igrejas pentecostais é totalmente engessada. O engraçado é que todos pensam justamente o contrário. Ora, mas tente em uma igreja pentecostal clássica cantar músicas que fogem daquele padrão- hino da harpa, “hino” de fogo e “hino” de vitória. Fora os hinos da harpa, esses músicas de fogo e vitória são cheias de erros doutrinárias, antropocêntricas e mal feitas. Se você tenta dispensar logo é recriminado. Mas esse problema não é recente, pois tais músicas já existiam na década de 1970.

- Muito se condena a “teologia da prosperidade” nas igrejas pentecostais, mas enquanto isso se prega o triunfalismo, que é tão pernicioso quanto. O triunfalismo é uma “teologia da prosperidade light”. Quase todos os cultos dominicais giram no tripé- cura, emprego e perfeição emocional.

- Nas igrejas pentecostais clássicas muito se condena a “vaidade”. Só que a “vaidade” é mais ou menos combatida dependendo do contexto social daquela igreja. Quanto mais pobre, menos alfabetizada e mais interiorana é a igreja, mais legalista ela é. Engraçado que alguns pastores usam ternos finíssimos enquanto condenam o brinco. Definir isso como hipocrisia é pouco.

- O pentecostal é o povo da Bíblia. Alguns levam a Bíblia para qualquer lugar que frequentam. Realmente, é difícil ver um pentecostal que não carregue a Bíblia debaixo do braço. Assim também como é difícil ver um pentecostal versado nas Escrituras. O que sobra nos púlpitos são superficialidades, trivialidades e chavões e mais chavões. Ora, tem pastor pentecostal que NUNCA leu a Bíblia completa uma única vez.

“Ah, como você é chato com os pentecostais, até parece um tradicional”. Olha pessoal. Quem ama não fecha os olhos. Se você realmente considera-se pentecostal, saiba discernir o bom do ruim.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

São Paulo e as igrejas


Hoje a cidade de São Paulo faz 456 anos. No aniversário da metrópole quero recomendar algumas igrejas para você, paulistano ou visitante, possa conhecer. Reclamamos muito da qualidade das igrejas no Brasil, mas há ainda um bom remanescente. Mesmo como um assembleiano convicto, eu quero neste post recomendar algumas igrejas de outras denominações. As recomendadas eu conheço pessoalmente ou são fruto de confiáveis referências.

Igreja Batista das Nações Unidas

Louvor bem escolhido e com as boas pregações do pastor Luiz Sayão.

As celebrações da Igreja Batista Nações Unidas acontecem no Centro de Convenções do World Trade Center – WTC Piso C (Acesso pelo Elevador Azul)

Av. das Nações Unidas, 12.551, São Paulo, SP

Site: http://ibnu.org.br/

Igreja Cristã da Trindade

Uma igreja pentecostal com forte conteúdo doutrinário e compromisso apologético. A igreja é pastoreada pelo Dr. Paulo Romeiro.

A Igreja Cristã da Trindade situa-se na Av. Jabaquara, 2461 - Junto à estação do Metrô São Judas, Mirandópolis - São Paulo - SP

Site: http://www.ictrindade.com.br

Igreja Batista do Morumbi

Uma grande igreja com louvor empolgante e pregações de conteúdo.

O s cultos acontecem na Rua Carvalho de Freitas, 1.076, Morumbi - São Paulo – SP

Site: http://www.ibmorumbi.org.br/

Igreja Presbiteriana Independente de Cidade Patriarca

Uma igreja de conteúdo e liturgia tradicional, sendo uma boa opção entre o presbiterianismo independente.

Rua Inocêncio Correia, 223 Jardim Triana - Sao Paulo – SP

Site: Não possui.

Igreja Batista de Água Branca

A Igreja Batista de Água Branca está localizada no bairro da Barra Funda, próxima à estação do metrô Barra Funda.

Rua Robert Bosch, 116 Barra Funda - São Paulo – SP

Conta com os pastores Ed René Kivitz e Ariovaldo Ramos.

Site: http://www.ibab.com.br

Igreja Betesda de São Paulo

A famosa e grande igreja dirigida pelo pastor Ricardo Gondim.

Av. Eng. Alberto de Zagottis, 1000 - Jd. Marajoara, São Paulo-SP

Site: http://www.betesda.com.br/

Igreja Presbiteriana do Brasil em Santo Amaro

Uma igreja reformada que conta entre os seus líderes o Rev. Augustus Nicodemus.

R. Prom. Gabriel Nettuzzi Perez, 289 - Santo Amaro, São Paulo – SP

Site: http://www.ipsantoamaro.com.br

Igreja Evangélica Assembleia de Deus na Lapa

Essa congregação assembleiana conta com louvores bem preparados e preocupação com uma boa pregação.

Rua Ricardo Cavatton, 300 Lapa de Baixo - São Paulo – SP

Site: http://www.adlapa.com

Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Belém

A sede do maior ministério assembleiano conta com bom louvor e alguns bons pregadores, compromissados com a exposição da Palavra.

Rua Conselheiro Cotegipe, 273 - Belenzinho – São Paulo- SP

Site: http://www.ad.org.br

sábado, 23 de janeiro de 2010

A Soberania de Deus não é fatalismo!

Neste artigo a relação entre a Soberania de Deus e as tragédias é discutida. A tragédia no Haiti, por exemplo, deve ser alvo de muito cuidado ao emitir opiniões teológicas, assim evitando o falatório que mais atrapalha do que ajuda. O texto é um pouco longo para o padrão de blogs, que são conhecidos por textos curtos, mas o índice ajudará na compreensão geral do artigo. Leia e comente.

- Introdução

- O que é fatalismo

-O que é a Soberania de Deus?

- Deus é soberano, mas os homens têm responsabilidades

- Deus é imutável, mas o homem não é

- Vontade Soberana e Poder Soberano

- Conclusão

- Apêndice: Algumas perguntas difíceis


Introdução

Mediante a tragédia no Haiti, muitos evangélicos estão preocupados em reafirmar a Soberania de Deus. Talvez pelos estragos causados pelo Teísmo Aberto [1] nos últimos anos, os evangélicos estão muito preocupados nessa afirmação. Mas, infelizmente, não meditam muito sobre os conceitos enunciados com trombetas. Ao afirmar a Soberania de Deus, muitos estão na verdade confundindo essa maravilhosa doutrina com o herético fatalismo. A Soberania de Deus não é fatalismo.

O que é fatalismo?

O fatalismo é uma atitude moral ou intelectual segundo a qual tudo acontece porque tem de acontecer, sem que nada possa modificar o rumo dos acontecimentos, como definiu o lexicógrafo Antônio Houaiss. O Dicionário Aulete classifica como uma: “atitude ou doutrina dos que atribuem todos os acontecimentos ao destino inevitável e prefixado, sem que se possa alterá-los ou preveni-los”.

O fatalismo lembra o determinismo. Os escolásticos deterministas defendiam a ideia que a vontade humana está subordinada à vontade divina. Portanto, se alguém que tem vontade de matar a mãe ou roubar um banco, na verdade, está subordinado à vontade de Deus. Como lembra C. Stephen Evans, os críticos do determinismo lembram que o fatalismo é a sua consequência lógica [2].

O que é a Soberania de Deus?

Deus é Soberano. Onipresente, onipotente e onisciente. A conclusão da oração do Pai Nosso é bem enfática nessa verdade: “Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre” (Mt 6.13). Deus tem todo o poder. Deus é capaz e tem todo o direito sobre tudo e todos. Alguém duvida disso? Basta ler as primeiras páginas do Antigo ou Novo Testamento para provar dessas verdades.

Deus é soberano, mas os homens têm responsabilidades

A Soberania de Deus e a liberdade humana não são contraditórias. Soberania sem responsabilidade humana é fatalismo determinista, portanto heresia. Liberdade e responsabilidade humana sem soberania divina é pelagianismo, portanto heresia. A Soberania de Deus parece ser inconciliável com a liberdade humana, mas não o é. O teólogo reformado D. A. Carson escreve:
Os cristãos não são fatalistas. A linha central da tradição cristã não sacrifica a completa soberania de Deus, nem reduz a responsabilidade daqueles que levam a sua imagem. No reino da teologia filosófica, esta posição às vezes é chamada de compatibilismo. Isto simplesmente significa que a soberania incondicional de Deus e a responsabilidade dos seres humanos são mutuamente compatíveis. [3]
A liberdade humana não é mera invenção filosófica. O homem é livre e também escravo. Livre porque age conforme os seus desejos. Escravo porque suas ações são ruins e prejudiciais, trazendo-lhes miséria espiritual e dor na alma. A soberania de Deus é uma verdade incontestável. A ideia de Deus já traz em si soberania. Um deus sem soberania é um homem melhorado e um deus piorado. O compatibilismo lembra que as duas verdades andam juntas.

O ultra-arminianismo que exalta excessivamente a liberdade humana é conhecido com Teísmo Aberto. Uma grande furada teológica. O ultracalvinismo, que afirma o absurdo de que Deus já escolhe dedo a dedo quem vai para o céu e quem vai para o inferno e é conhecido como predestinacionismo [4], é uma distorção tão grave quanto à primeira. Não é à toa que alguns ultracalvinistas afirmam a espantosa tese de que Deus é o próprio criador do pecado.

Tanto fundamentalistas quando os “teístas abertos” não veem que a Bíblia contém muito antinômio, o conhecido paradoxo. Longe de ser contradição, na verdade são duas verdades aparentemente contraditórias que vão além do entendimento humano. Como escreveu o teólogo James I. Packer:
É preciso atribuir a aparência de contradição à deficiência da nossa própria capacidade de compreensão; encarar estes dois princípios não como duas alternativas rivais, mas como algo que, de alguma forma, você não consegue compreender no presente momento, mas que são mutuamente complementares [5].
Deus é imutável, mas o homem não é

Os “teístas abertos” dizem que Deus é mutável como o homem. Não, Ele não muda como e com o homem, pois “é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13. 8). Mas como lembra D. A. Carson, Deus é somente imutável em sua essência:
Ele (Deus) não é imutável em todo modo ou domínio possível. Ele é imutável em seu ser, propósitos e perfeições. Mas isso não significa que Ele não possa interagir com aqueles que levam a sua imagem em seu tempo [6].
Ou seja, Deus não muda em sua essência, mas os homens sim. Os homens estão em constante transformação. O teólogo Ezequias Soares escreve:
Nós, porém, entendemos que tudo pode ser mudado mediante a fé em um Deus pessoal. As profecias, ao invés de predizerem um futuro friamente predestinado, são apelos para nos convertermos dos nossos maus caminhos de termos um futuro bem diferente – esses apelos são feitos à nossa consciência e pressupõem o nosso livre-arbítrio. [7]

Portanto, como mostra a Bíblia na história de Jonas, Deus pode mudar seus planos conforme as reações do homem.

Vontade Soberana e Poder Soberano

É preciso diferenciar a Vontade Soberana de Deus como seu Poder Soberano. A vontade de Deus é sempre boa, agradável e perfeita. Deus pode tudo, mas nem sempre faz tudo o que Ele pode. Simplesmente, soberanamente Deus age conforme a sua Vontade Soberana. “A vontade e o poder soberanos de Deus não são arbitrários, despóticos, nem deterministas; Sua soberania é caracterizada pela Sua justiça e pala Sua santidade, bem como pelos Seus outros atributos”, como lembra F. H. Klooster [8].

Por exemplo, Deus pode mandar todo mundo agora para o inferno, mas essa não é a sua vontade. Deus não se contradiz em seus atributos de poder e amor, vontade e soberania. Ele é sempre coerente. Deus também não contradiz a sua própria Palavra.

Conclusão

Deus é soberano. Mas o mundo não está sob um fatalismo. Os homens não são robôs. O amor é incompatível com o fatalismo. Deus, por seu amor, mantém a humanidade livre. Livre até para passar toda a eternidade sem Ele.

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Apêndice: Algumas perguntas difíceis

Mediante esses conceitos, algumas perguntas vêm em mente.

Ora, se Deus é Soberano e tudo está sobre o Seu controle, então Ele é quem decide sobre a vontade de um estuprador para violentar crianças?

Ora, é claro que não. Deus não é contraditório. Sua Soberania não anula Seu amor, Seu repúdio pelo pecado e Sua sede de justiça. A vontade do homem é LIVRE. Deus não interfere nessa vontade. A não interferência de Deus não é por fraqueza ou falta de poder, como ensina os “teístas abertos”, mas sim porque Ele deu liberdade de vontade e ação para todos os homens. Quem decide estuprar é o homem, Deus nada tem nada com isso.

Mas Deus pode usar o estuprador para mostrar a graça de Deus a uma família cristã, pois a Bíblia diz que “tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus”. Não é verdade?

Deus não usa estuprador, o Senhor usará profetas para consolar a família. E ponto final. Deus é santo. O pecado não é um instrumento usado pelo Senhor para manifestar a Sua Graça. Todas as coisas e situações ruins podem ser revertidas por Deus para o bem do cristão. Uma coisa é diferente da outra. O Senhor não provoca a tragédia do estupro, mas usa esse grande mal (de alguma forma) para o bem do cristão. Ele não é agente do mal, mas agente do bem. O Senhor soberano e poderoso transforma o mal em bem, o mau em bom.

Como o homem pode ser livre se o mesmo tem uma natureza carnal que deseja as obras más? Ele não é um escravo da carne?

A resposta está na própria pergunta. O homem livre segue o que deseja. A falta de liberdade é justamente a privação dos seus desejos. Não há liberdade quando o homem segue uma vontade alheia à sua. O processo de conversão acontece justamente quando o homem renuncia essa liberdade e busca o senhorio de Cristo. Quanto convertido, o homem de uma nova natureza espiritual passa a desejar a vontade e os conselhos de Deus. Ele então se torna livre pela atuação do Espírito Santo. Livre, pois suas ações boas estão em sintonia com os seus bons desejos. Ação boa sem bom desejo é falta de liberdade e hipocrisia.

Deus provocou a tragédia no Haiti?

A tragédia no Haiti é culpa do homem, exclusivamente do homem de hoje e de ontem. Quando Adão pecou Deus lembrou que a terra seria maldita por isso. A ordem deu lugar ao caos. O certo deu lugar ao errado. A harmonia natural fez despertar a fúria natural. Terremotos, furacões, tornados, tempestades, secas e outras tragédias naturais são fruto do primeiro pecado.

Ontem, o homem Adão pecou e afetou a ordem do planeta. Hoje, no caso, durante os últimos dois séculos, o Haiti sofre com corrupção, falta de governo, ditaduras, pobreza, falta de educação básica etc. O Japão já enfrentou terremotos semelhantes, mas as mortes não passaram de seis mil pessoas. Por que isso? O Japão foi vítima das consequências do primeiro pecado, mas já tinha corrigido os erros sociais, que fez daquela terra um lugar mais seguro. Se o Haiti fosse parecido com o Japão a tragédia seria bem menor.

Deus não provocou a tragédia no Haiti. Os homens provocaram. Se o Haiti fosse um país desenvolvido, as mortes não teriam passado dos 160 mil. Portanto, cristãos, não coloquem a culpa em Deus. Não falem em ira contra o vodu. Se assim fosse, muitos templos evangélicos já estariam no chão por causa da feitiçaria praticada com os “objetivos fetiches” que servem supostamente para cura divina. A feitiçaria gospel irrita também a Deus. Mas o juízo dos evangélicos e dos haitianos não é hoje, mas sim no futuro.

“Ah, Deus é soberano. Ele controla tudo.” Alguém aqui negou que Deus tudo pode? Sim, Deus é o poderoso, que sabia desde a fundação do mundo sobre essa tragédia. Deus poderia evitar que as placas tectônicas se chocassem? Mas é claro que sim! Então, por que não evitou? Ora, é o preço da liberdade. Deus não infantiliza os homens. Poderia ser diferente? Sim, se no século XIX o caminho do Haiti fosse o desenvolvimento, hoje os mortos não seriam tantos. Infelizmente, aquele país foi governo por loucos, como o Papa Doc, um dos governantes mais sanguinários da história. É o verdadeiro assassino. O Papa Doc e o seu filho Baby Doc, hoje exilado na França, são alguns dos responsáveis por essa tragédia. Não coloquem Deus na categoria da dinastia Doc.

Nota e Bibliografia:

[1] Sobre o Teísmo Aberto, leia mais nos artigos Teísmo Aberto e suas implicações à teologia pentecostal - Parte 01 http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/03/tesmo-aberto-e-suas-implicaes-teologia.html - Parte 02 http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/03/tesmo-aberto-e-suas-implicaes-teologia_15.html. Leia também o livro: PIPER, John; TAYLOR, Justin; HELSETH, Paul K. Teísmo Aberto– Uma teologia além dos limites bíblicos. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006.

[2] EVANS, C. Stephen. Dicionário de Apologética e Filosofia da Religião. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2004. p 55.

[3] CARSON, Donald. A. A Difícil Doutrina do Amor de Deus. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 54.

[4] GOUVÊA, Ricardo Quadros. A Piedade Pervertida. 1 ed. São Paulo: Grapho Editores, 2006. p 26.

[5] PACKER, James I. A Evangelização e a Soberania de Deus. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002. p 18.

[6] CARSON, Donald A. Idem. p 57.

[7] SOARES, Esequias. Teologia Sistemática Pentecostal. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p 89.

[8] ELWELL, Walter (Ed). Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã (em um volume). 1 ed. São Paulo: Vida Nova, 2009. p 409 (vol. 3)

Lição 04 - A Glória das Duas Alianças

SUBSÍDIO ESCRITO PELA EQUIPE DA CPAD.

Leitura Bíblica em Classe
2 Coríntios 3.1-11

Introdução

I. Paulo Justifica Sua Autorrecomendação

II. A Confiança da Nova Aliança (3.4-11)

III. A Glória da Nova Aliança (3.7-18)

Palavras-chave: aliança e glória

I. Paulo justifica sua autorrecomendação

• Professor, introduza o tópico fazendo a seguinte indagação: “Paulo precisava de carta de recomendação?”

“Mestres itinerantes da igreja primitiva tinham por característica levar cartas de apresentação (cf. At 18.27). Os inimigos de Paulo aparentemente atacavam sua credibilidade ao indagarem: Onde estão as suas cartas?

Todo verdadeiro crente é uma carta aberta de Cristo, pois sua vida refletirá a obra de Deus em sua personalidade. Desde que Paulo conduziu muitos coríntios a Cristo, estes são cartas que testificam seu ministério, competência e chamado”.

(RICHARDS, Lawrence O.
Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, p. 776).

II. A Confiança da Nova Aliança (3.4-11)

• Professor, converse com seus alunos explicando a superioridade do Novo Concerto revelado em Cristo Jesus e as provisões da Nova Aliança. Conscientize os alunos de que a Lei nunca foi um caminho para a salvação, pois Deus já havia predito um novo Concerto com Israel. Somente o Novo Concerto é capaz de oferecer perdão e um novo coração.

III. A Glória da Nova Aliança (3.7-18)

• Professor, é importante que seus alunos compreendam o significado do termo “glória”. Observe, com atenção, o que o dicionário Zondervan Expository Dictionary of Bible Words diz a respeito do mesmo:

“No Antigo Testamento, a glória de Deus está intimamente ligada à auto-revelação do Senhor. Há muitas imagens: esplendor fulgurante, e santidade flamejante marcam sua presença (por exemplo, Êxodo 16.10; 40.34,35; 2 Crônicas 7.1,2). Mas, nenhum poder elementar ou santidade flamejante expressam a Deus de maneira absolutamente adequada. Dessa forma, o Êxodo relaciona a glória de Deus com revelação de seu caráter amoroso. Quando Moisés implorou para que Deus lhe mostrasse sua glória, a Bíblia relata: ‘Ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti e apregoarei o nome do Senhor diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem me compadecer. E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá (Êx 33.19,20). Com o mesmo sentido de revelação, Deus diz: ‘Serei glorificado’, no caso da recusa do Faraó em deixar que Israel saísse do Egito (Êx 14.4). O grande poder redentor de Deus foi exibido no Êxodo (Nm 14.22), da mesma forma como seu poder criativo é exibido quando ‘os céus manifestam’ sua glória (Sl 19.1).

Mas ‘glória’ implica em mais do que revelação de como Deus é. Implica em invasão do universo material, expressão da presença ativa de Deus entre seu povo. Assim, o Antigo Testamento conscientemente relaciona o termo ‘glória’ à presença de Deus em Israel, em tabernáculos e templos (por exemplo, Êxodo 29.43; Ezequiel 43.4,5; Ageu 2.3). A glória objetiva de Deus é revelada por sua vinda, para estar presente conosco — seu povo — e para se mostrar a cada um de nós por suas ações neste mundo”

(RICHARDS, Lawrence O.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento.1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, pp. 310-11).

• Professor, providencie cópias do quadro abaixo para seus alunos. Você poderá utilizá-lo ao explicar o segundo subtópico do tópico II.

O Ministério da Lei em Contradição com o Ministério da Graça

1.A Lei diz: “Olho por olho e dente por dente” (Êx 21.23-25).

1.A Graça diz: “Não resistirá ao mal” (Mt 5.39).

2.A Lei diz: “Aborrecerás o teu inimigo” (Dt 23.6).

2.A Graça diz: “Amais os vossos inimigos” (Mt 5.44).

3.A lei exige: “Fazei e vivei (Lv 18.5) [a segurança de Israel, tudo o que lhe diz respeito, consiste em fazer algo para poder viver] (Ne 9.29; Êx 2.11; Gl 3.12).

3.A graça diz: “Crede e vivei” (Jo 5.24), para que pela fé recebamos a promessa do Espírito (Rm 4.13,16);

4.A lei foi dada por causa da transgressão (Gl 3.19)

4.A Graça foi dada como promessa a Abraão e sua posteridade: Cristo Gl 5.3-18).

5.A Lei é a força do pecado (Rm 4.15).

5. A Graça nos livra do pecado (Rm 6.14,15).

6.A Lei condena a melhor criatura (Sl 14.1-3).

6. A Graça justifica graciosamente a pior criatura (Lc 23.43; Rm 5.5-8).

7.A Lei opera a ira de Deus (Rm 4.15).

7.A Graça nos livra da ira futura (Is 54.8).

8. A Lei fecha toda a boca (Rm 3.19).

8. A Graça abre toda a boca (mc 16.15-18).

9. A Lei opera a morte ( Rm 7.4-11).

9.A Graça opera a vida eterna (Jo 5.24,39,40).

10. A Lei não justifica alguém diante de Deus (At 13.39).

10. A Graça nos justifica mediante a fé (Rm 3.21-28).

Extraído do livro, Estudos sobre o Apocalipse, CPAD, pp. 49,50.


• Conclua o tópico III, explicando que o Segundo Pacto é superior ao Primeiro, porque veio mediante a pessoa de Jesus Cristo, que consumou todas as coisas do Antigo Pacto, em um único ato sacrificial. Depois peça que todos leiam a Verdade Prática.

Conclusão

Conclua a lição lendo, juntamente com seus alunos, a Verdade Prática da lição.

Extraído de:

RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2005, p. 896.

RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, pp. 310-11

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Até que foi divertido

O QUE ENTENDEMOS hoje por bondade de Deus é quase que exclusivamente sua capacidade de amar; e nisto podemos até estar certos. A maioria de nós entende, nesse contexto, amor como bondade – um desejo de ver os outros felizes, e não apenas nós; felizes não por isso ou aquilo, mas simplesmente felizes. O que nos satisfaria realmente seria um Deus que dissesse, sobre qualquer coisa que nos acontecesse: “O que me importa desde que eles fiquem satisfeitos?”. O que desejamos, de fato, não é bem um pai no céu, mas um avô no céu – uma benevolência senil que, como eles dizem, “gosta de ver os jovens se divertindo”, e para quem o plano para o universo fosse simplesmente dizer ao fim de cada dia: “Tudo isso foi divertido para todos nós”. Admito que, não são muitas as pessoas, que formulariam uma teologia em termos tão precisos; mas uma concepção não muito diferente desta se oculta no inconsciente de várias mentes. Não pretendo ser uma exceção. Gostaria muito de viver num universo governado por princípios como esse. Porém, como está mais do que claro que não vivo, e já que tenho razões para acreditar que Deus é amor, apesar disso tudo, concluo que a minha concepção de amor necessita de correção.

C. S. Lewis em O Problema do Sofrimento.

Boa observação de Lewis. Certamente a benevolência descompromissada com o compromisso faz de Deus um vovô excessivamente tolerante. Deus é pai. Não podemos esquecer disso.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Julio Severo critica o blog Teologia Pentecostal

Na última segunda-feira escrevi um artigo (leia aqui) criticando a ideia que Julio Severo tem defendido no seu blog em relação ao Haiti. Para o blogueiro Julio Severo, o Haiti está sendo castigado por Deus devido os pecados do vodu, uma religião tribal que divide o espaço com católicos e protestantes naquele país. Leia o artigo de Julio Severo nesse link. Nesse texto, Julio Severo critica o meu blog, assim como o Genizah e o Púlpito Cristão, que também escreveram contra as ideias de Severo. As críticas são direcionados principalmente ao Danilo Fernandes, mas se aplicando aos três blogueiros.

- Julio Severo reclama de uma linguagem inadequada.

Quem leu meu artigo sabe que não utilizei nenhum adjetivo pejorativo contra Julio Severo. Aliás, esse blog não combate pessoas, mas as teses de algumas pessoas.

- Julio Severo alega que os reformadores diriam o mesmo que ele.

Eu divido muito. Severo não apresentou nenhum texto de Martinho Lutero e João Calvino para provar esta afirmação. Mesmo que tivesse, a base da nossa fé é a Bíblia Sagrada, e não as opiniões de Lutero ou Calvino. Concordamos com os reformadores quando esses concordam com a Bíblia.

- Julio Severo reclama que ninguém contestou as passagens bíblicas apresentadas por ele.

No primeiro artigo Severo apresentou dois versículos: Deuteronômio 18. 10-12, onde há uma condenação as práticas de feitiçaria. Ora, é claro que a Bíblia condena a feitiçaria. O que vamos contestar? Danilo Fernandes, Leonardo Gonçalves e eu, jamais defendemos a feitiçaria. Isso é muito óbvio para continuar escrevendo. Outra passagem citada por Severo é Apocalipse 9.21, onde há uma condenação as práticas de feitiçaria. E daí? Alguém escreveu que o vodu não seja pecado? Todos nós concordamos que o vodu é uma prática idólatra. A mesma passagem condena a prostituição. Por que, então, Deus não mandou um grande terremoto para a Holanda, o paraíso da prostituição organizada?

O grande teólogo reformado Matthew Henry escreveu no século XVIII um dos melhores comentários bíblicos. Falando da passagem de Lc 13. 1-5; Henry escreveu:

Não podemos julgar os pecados dos homens por seus sofrimentos nesse mundo. Porque muitos são lançados na fornalha como ouro para serem purificados, não como a impureza ou a palha que é consumida. Portanto, não devemos ser severos demais em nossas censuras contra aqueles que são mais afligidos do que os seus vizinhos, como os amigos de Jó fizeram ao censurá-lo, “para que não condenemos a geração dos justos, Salmos 72.14. Se desejarmos julgar, teremos motivos suficientes para julgar a nós mesmos. Na verdade, não podemos conhecer o amor e nem o ódio através de tudo aquilo que passa perante nossa face, “porque tudo sucede igualmente a todos”, Eclesiastes 9. 1,2. (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p 632.)

- Julio Severo acredita que um cristão sincero está imune a tragédias.

Severo está lendo E. W. Kenyon, Kenneth Hagin, Jorge Tadeu ou Benny Hinn? Não é à toa que Julio Severo admira Pat Robertson, fundador da Christian Broadcasting Network, uma emissora de TV que serve como plataforma para os pregadores da Confissão Positiva. Quem sabe Paulo, Pedro, Tiago e o próprio Cristo eram tão pecadores que morreram de forma cruel, isso porque mereceram. A lógica de Severo só tem uma base na Bíblia: os amigos de Jó. Ah, certamente os cristãos que morreram no Haiti eram muito pecadores. Severo já leu os últimos versículos de Hebreu 11, ou ainda II Co 12. 1-10?

- Julio Severo acredita no poder do vodu na causa de tragédias.

Que coisa, prefiro acreditar no poder de Deus. Até Balaão sabia disso: “Como amaldiçoarei o que Deus não amaldiçoa?” (Nm 23. 8). Acreditar que o vodu é tão poderoso está parecendo com as ideais mirabolantes da Rebecca Brown.

- Julio Severo chama Blog Teologia Pentecostal de “Teologia Esquerdopata”.

Certamente Severo nunca leu esse blog. Se tivesse tido a honestidade intelectual de vasculhar os meus artigos, ele veria logo que eu não tenho absolutamente nada de esquerdista. Quem me conhece sabe. Aliás, é uma mania do Julio Severo. Todo mundo que discorda dele é um esquerdista, que vota no Lula e quer a implantação do socialismo no Brasil. Eu não sou esquerdista, nunca votei no PT e acho o socialismo uma furada. Mas Julio Severo prefere me adjetivar sem pelo menos ler os meus textos.

O grande jornalista Paulo Francis, que era um direitista e politicamente incorreto, dizia: “É puro Brasil. Ao argumento crítico, o insulto pessoal.” Infelizmente essa realidade está bem presente na internet. Diante de uma argumentação sem contraponto, os desgostosos abusam da adjetivação. Julio Severo fez isso. Em lugar de argumentar logo me chamou de esquerdista. Simplesmente é vergonhosa essa posição.

PS: Já começo a receber comentários dos “advogados” de Julio Severo, com aquelas ameaças piedosas e ainda por cima com os adjetivos mais carinhosos.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Julio Severo: o nosso Pat Robertson?

Lendo o blog do Júlio Severo, eis que me espanto com o mais recente artigo. No texto Será necessário um terremoto? , o blogueiro defende a ideia de que o terremoto é um castigo de Deus pela religiosidade do vodu praticada naquele país. Vejamos algumas declarações:

Júlio Severo: Diante da imensa tragédia do terremoto no Haiti, onde dezenas de milhares morreram, o cônsul do Haiti em São Paulo, Gerge Samuel Antoine, foi sincero o suficiente — e também politicamente incorreto — para atribuir a tragédia à religião dos haitianos. A religião oficial do Haiti, um país formado esmagadoramente por descendentes de escravos africanos, é o vodu.

Não, o cônsul Antoine está redondamente enganado. Severo chama de “politicamente incorreto” a grande besteira dita pelo cônsul. Não podemos usar o “politicamente incorreto” como justificativa para declarações irracionais e que ferem a Palavra de Deus. É um absurdo apoiar a declaração do George Samuel Antoine.

Júlio Severo: Seria de admirar então que a mesma nação que tem como religião oficial o vodu é, ao mesmo tempo, a nação mais pobre do Hemisfério Ocidental? Essa condição miserável é uma herança espiritual que antecede à colonização européia.

O Haiti não é pobre por uma maldição espiritual. Ou, por acaso, Júlio Severo acredita na “teologia da prosperidade”? Há alguma associação entre “espiritualidade” e “prosperidade”? Fosse assim, o Japão budista e secular seria miserável ou a Escandinávia atéia e agnóstica seria a podridão do mundo.

Por que o Haiti é tão pobre? Simplesmente porque durante dezenas de anos faltou democracia, liberdade de mercados, investimentos privados, educação e uma cultura empreendedora. A miséria do Haiti deriva de governos autoritários, faltas de instituições sólidas, corrupção, violência e alto analfabetismo. O Japão não era assim, nem a Coréia do Sul, também budista. E o que dizer da mulçumana Arábia Saudita? Ou ainda da futurista Dubai dos islâmicos?

Realmente a cultura pode ajudar na falta de uma visão democrática, mas como as questões culturais são dinâmicas por natureza, não impedia que o Haiti pudesse incorporar práticas modernas de gestão e administração em seu país.

Júlio Severo: Apesar disso, só quem viveu debaixo das religiões afro-brasileiras, ou do vodu, conhece o poder destrutivo das forças espirituais do mal. O Haiti está vivendo essa realidade.

O blogueiro Júlio Severo baseia suas ideias em experiências, e não em uma sólida teologia advinda da Palavra de Deus. Semelhante aos bispos iurdianos, fala das maldições das religiões africanas como mais poderosas do qualquer outra coisa. Por que há mais maldição nas religiões tribais africanas do que no materialismo ateu, do islamismo, do budismo etc.?

Sejamos prudentes. Vamos ler a Bíblia também, em especial Lucas 13. 1-9.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Em tudo dai graças!

Entender a dimensão de “dar graças por tudo” nem sempre é fácil, principalmente diante da dor e da tragédia. Mas George O. Wood, presidente da Assembleia de Deus norte-americana, ilustra bem esse mandamento bíblico:

O saudoso pregador escocês, Alexander Whyte, sempre encontrava algo para dar graças a Deus diante da congregação durante sua pregação pastoral aos domingos. Um certo domingo começou com ventania e tempestade de fazer tremer os ossos. Dois diáconos chegaram cedo para abrir as portas da igreja e um deles comentou: “Eu não creio que o Dr. Whyte terá algo para dar graças a Deus em um dia como este”. Para surpresa dos diáconos, o Dr. Whyte começou sua pregação dizendo: “Senhor, agradecemos porque nem sempre é assim”.

George O. Wood em A Psalm in Your Heart, publicado no Brasil pela CPAD, como Um Salmo em Seu Coração.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Unidos pelo Haiti

Para auxiliar as vítimas da catástrofe no Haiti: Ajuda através da organização cristã Visão Mundial (CNPJ: 18.732.628/0001-47), por depósito nas contas - Bradesco (Ag.: 3206-9 / CC: 461666-9), ou Banco do Brasil (Ag.: 0007-8 / CC: 16423-2).

Acesse: http://www.visaomundial.org.br/

Cultura a quem deseja cultura

Um dos teólogos que mais admiro é o pastor inglês Donald Gee (1891-1966). Membro da Assembleia de Deus no Reino Unido, Gee se destacou como escritor e professor de teologia. Homem culto, que já no início do pentecostalismo se preocupava com os descaminhos do anti-intelectualismo e dos modismos místicos. Certa vez ele declarou:

"Chegamos a extremos quando desprezamos o conhecimento e a cultura seculares (...). Se o aumento da cultura se somar às nossas realizações e por meio disso a glória de Deus for exaltada, então que ela seja bem-vinda. Cultura a quem deseja cultura, conhecimento a quem deseja conhecimento, refinamento a quem deseja refinamento; mas a todos nós, o toque de Deus sobre nossa alma."

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Haiti: a tragédia e a mentalidade oca

Foto: France Press

O discurso evangélico é muitas vezes previsível. Por isso, quando recebi a notícia do terremoto no Haiti, logo pensei: “Não vai demorar muito para que algum pregador associe a tragédia no Haiti com a prática do vodu”. Pensado e acontecido. Mas dessa vez a asneira partiu também de uma autoridade. O próprio cônsul daquele país, George Samuel Antoine, que reside aqui em São Paulo, falou a grande besteira em rede nacional, quando entrevistado pelo SBT. Antoine associou a tragédia com a prática do vodu. Ele disse: “Acho que é de tanto mexer com macumba. Não sei o que é aquilo. O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano tá fodido”.

Nessa pitada de polêmica não poderia ficar de fora o tele-evangelista norte-americano Pat Robertson. O pastor Robertson é conhecido por declarações desastradas, e no programa de quarta-feira ele disse em seu programa de TV: “Os haitianos estavam sob o jugo da França (...). Eles se uniram e fizeram um pacto com o diabo. Disseram: 'Serviremos a ti caso nos liberte da França’”. Ou seja, claramente Robertson estava “explicando” que a independência do Haiti, como colônia da França, ocorreu como fruto de um pacto com o diabo.

Agora Robertson se justifica dizendo que foi mais uma vez mal interpretado. Em nota, destaca que nunca associou a tragédia com a Ira de Deus sobre a ilha do Caribe. Além disso, destaca a ajuda humanitária de seu ministério junto aos haitianos. Ora, realmente ele não falou literalmente que o terremoto era fruto da Ira de Deus, mas quando citou o suposto pacto, deixou subtendida essa ideia. Não há como negar isso.

Pois bem, seria muito bom que Robertson fosse vítima de uma interpretação errada de suas palavras. Agora, o histórico de declarações desastradas não o ajuda. Não é só ele, mas vários pregadores já associaram tragédias contemporâneas com a possível punição de Deus aos pecados de uma sociedade. Tal mentalidade, de uma leitura equivocada do Antigo Testamento, e da falta de compreensão das mudanças na relação de Deus com o homem a partir da cruz, trouxe para a arena cristã essas declarações absurdas.

Gente da mentalidade oca, além do analfabetismo bíblico, afirmam absurdos desse tamanho. Certamente nesse momento, algum pregador esteja afirmando que Deus está punindo a Haiti pelos pecados do vodu. Em lugar de pedir oração, e também orar pelo povo sofrido, preferem falar esse tipo de barbaridade. Falo isso, pois ouvi esses discursos quando aconteceram outras tragédias naturais.

Aqui também não tem pecado? Aqui também não tem idolatria, imoralidade, violência, inimizades etc.? Por que não acontece um terremoto de grandes proporções no Brasil? Simples, estamos fora dos limites das placas tectônicas. Só isso. Não somos mais amados por Deus. Simplesmente nos livramos dessa contingência.

Você sabe o que é contingência? É o caráter do que ocorre de maneira eventual, circunstancial, sem necessidade, pois poderia ter acontecido de maneira diferente ou simplesmente não ter se efetuado, como nos define Houaiss. Ou seja, acontecem muitas coisas nesse mundo simplesmente porque elas acontecem. Nunca precisamos buscar o porquê disso e daquilo. Especulando besteiras e dizendo asneiras.

O povo sofrido não precisa ouvir que é fruto de maldição, mas sim, necessitam ouvir a voz do cuidado e do consolo. Hoje, assistindo mais uma vez o noticiário sobre toda essa tragédia no Haiti; vi um homem debaixo dos escombros orando no nome de Jesus, e dizendo: “Como sou cristão, minha vida está em suas mãos”. Tocante essa palavras, pois em meio a toda essa desgraça, um cristão ainda expressa sua confiança em Deus.

Não se esqueça de ORAR pelo Haiti.

Lição 03 - A Glória do Ministério Cristão

Subsídio escrito pela EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD.

Leitura Bíblica em Classe

2 Coríntios 1.12-14,21,22;2.4,14-17

O ministério apostólico

Paulo pode pedir ajuda dos coríntios em oração porque, contrariamente à acusação dos seus adversários, a sua vida tem sido pura e os seus objetivos transparentes entre eles. Esta afirmação de integridade também prepara o caminho para uma defesa adicional da sua conduta.

A glória de Paulo, baseada no testemunho dado pela sua consciência, é que ele não tem vivido, como os seus adversários, na dimensão de “uma sabedoria carnal, ou dominada por motivos humanos” (1 Co 1.20; 2.6;3.1-3). Em lugar disso, tem vivido na graça de Deus com “santidade e santidade de Deus”. Ambas são qualidades divinas que, como dádivas de Deus, são capazes de caracterizar o comportamento de Paulo. “Simplicidade”, ou santidade, ressalta a “pureza moral” do comportamento exterior de Paulo, e sinceridade, a transparência (1 Co 5.8) dos seus motivos interiores.

Esta sinceridade se estende também às suas cartas, pois o que eles já sabem dele é coerente com o que eles reconhecem que ele é. Não há um segundo sentido. Paulo espera que eles “compreendam completamente”, da mesma maneira como eles reconheceram já em parte. O apóstolo deseja que eles possam ser capazes de se gloriar dele, assim como Paulo se gloriará deles (1 Ts 2.19). O tema principal de Paulo, em vista das críticas, é que o conhecimento deles possa ser tal que possam se gloriar dele tanto quanto ele se gloria deles, no dia em que todos os segredos forem revelados.

Paulo foi selado pelo Espírito de Cristo (Rm 8.9), que deixa gravada a sua própria imagem (Rm 8.29; Cl 1.15) na personalidade humana. Este selo do Espírito Santo garante a autenticidade do seu relacionamento com Deus (Ef 1.13; 2 Tm 2.19; Ap 9.4; Rm 4.11; 1 Rs 21.8) e preserva-o neste relacionamento (Ef 4.30; Dn 6.17). O selo é a marca de identificação e de segurança (Ed 9.4; Et 3.12; Jr 32.10-14).

Os triunfos do crente são todos em Cristo. A Ele seja o louvor e a glória por todos, enquanto o êxito do Evangelho é uma boa razão para o gozo e o júbilo cristão. Por ocasião dos triunfos antigos, usavam-se muitos perfumes e odores agradáveis. Desta maneira, o nome e a salvação de Jesus, como unguento derramado, era um odor agradável, difundido em todos os lugares. Para alguns o evangelho é cheiro de morte para a morte. Estes o rejeitam para a sua própria ruína. Para outros, o Evangelho é um cheiro de vida para a vida: como os vivificou ao princípio, quando estavam mortos em delitos e pecados, assim lhes dá mais vida e leva-os à vida eterna.

Observe as impressões surpreendentes que este assunto causou ao apóstolo e que deveria causar também a cada um de nós. A obra é grande, e não temos forças alguma em nós mesmos; toda a nossa suficiência vem de Deus. Porém, o que fazemos na religião, a menos que seja feito com sinceridade, como diante de Deus; não é de Deus, não vem dEle e não chegará a Ele. Vigiemos cuidadosamente neste aspecto; e busquemos o testemunho de nossa consciência, submetidos ao ensino do Espírito Santo para falar em Cristo e de Cristo com sinceridade.

Bibliografia:

HENRY,Matthew. Comentário Bíblico, 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

Comentário Bíblico Beacon, 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.