domingo, 28 de fevereiro de 2010

Faça sua pergunta!

Caro leitor,

Caso você queira fazer alguma pergunta teológica, por favor, use nesse link: http://www.formspring.me/gutierresfs

Não é necessário cadastro. É um espaço interativo e legal!

Depois vou publicar no Blog Teologia Pentecostal as perguntas mais interessantes para o nosso debate cotidiano.

O conhecimento doutrinário dos evangélicos é pior do que se pensa

A dimensão da ignorância doutrinária dos evangélicos é bem pior do que os maiores pessimistas desenhavam no passado recente. Em 2008, Estudo Nacional de Juventude e Religião [1]pesquisou a crença dos 13,5% dos jovens americanos (entre 18 e 23 anos), que auto-identificam como cristãos protestantes e evangélicos e que frequentam uma igreja pelo menos "duas a três vezes por mês". O resultado é um pouco assustador:

- 97,2% acreditam em Deus.
- 96,6% acreditam que Jesus foi / é o Filho de Deus que ressuscitou dos mortos.
- 96,4% acreditam que Deus criou o mundo.
- 89% "definitivamente" acreditam em anjos.
- 76,2% "definitivamente" acreditam em demônios.
- 82,5% "definitivamente" acreditam em qualquer forma de vida após a morte.
- 83,0% acreditam em astrologia, mas não "em tudo."
- 83,2% acreditam na re-encarnação, mas não "em tudo."
- 94,8% "definitivamente" acreditam em milagres.
- 95,0% acreditam em um dia do julgamento que vem, quando Deus vai premiar alguns e
punir outros.
- 91,2% acreditam que Deus é um ser pessoal que ainda está envolvido no
mundo de hoje.
- 81,9% acreditam que somente as pessoas cujos pecados são perdoados através da fé em
Jesus irão para o céu.
- 5,3% dizem que só as pessoas boas vão para o céu; 2,5% dizem que todos os
as pessoas vão para o céu; 4,9% acreditam em "algo mais" para ir ao céu, e de 2,2%
não sabe exatamente quem vai para o céu. 3,3% não acreditam em céu.
- 1,6% tenta incluir as práticas do budismo, hinduísmo, Zen, ou outras religiões asiáticas.
- 85,5% dizem que é "certo para as pessoas religiosas tentar converter outras pessoas à sua fé ".
- 71,8% dizem que os cristãos devem apenas praticar uma religião.
- 24,6% dizem que é bom para os cristãos a prática de outras religiões (Outro 3,6% não sabem.)
- Menos de dois terços (66,2%) dizem que "só uma religião é verdadeira."
- 70,8% dizem que não é bom para os cristãos "e escolher a sua crenças religiosas, sem ter de aceitar os ensinamentos de sua fé religiosa como um todo”.
- Mais de um quarto (27,0%) acha que é bom para "escolher suas crenças”.
- 89% dizem ter "muito respeito pela religião organizada nesse país (EUA) "
- Quase um quarto (24,3%) concorda com ou ainda está indeciso com a aceitação de uma moral relativista.
- 36,0% "concordo", que "devemos ajustar os nossos pontos de vista ao que é moralmente certo e errado para refletir as mudanças em nosso mundo”.
- 52,0% "concordo" ou "concordo fortemente" que as pessoas não devem casar com alguém de
uma religião diferente.

Vejam como é grave a situação. É impressionante a quantidade de cristãos que acreditam em re-encarnação e em astrologia, por exemplo. Além disso, é claro a influência do pluralismo religioso na crença de muitos desses jovens. A pesquisa foi realizada nos Estados Unidos, mas certamente reflete a situação de boa parte do cristianismo ocidental, inclusive no Brasil.

E a tendência só é piorar, pois as igrejas não ensinam a Palavra, preferem a temática de vitória, vitória e vitória. Além disto, escolas dominicais estão sendo fechados, cultos de doutrinas são cultos de usos e costumes denominacionais e os crentes não leem a Bíblia.

Nota:
Leia mais aqui neste link uma reflexão de Mark Driscoll sobre os números dessa pesquisa.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lição 09 - O Princípio Bíblico da Generosidade

SUBSÍDIO ESCRITO PELA EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD

Leitura Bíblica em Classe

2 Coríntios 8.1-5; 9.6,7,10,11

Introdução

I. Exemplos de ações generosas (8.1-6,9; 9.1,2)
II. Exortação ao espírito generoso para contribuir (8.7-15)
III. Os princípios da generosidade (9.6-15)

Conclusão

Palavras-chave: generosidade, caridade, contribuição, ofertar

I. Exemplos de ações generosas (8.1-6,9; 9.1,2)
• Professor inicie a aula com a seguinte pergunta: “O que é generosidade?” Ouça com atenção os alunos e depois escreva, no quadro-de-giz, a definição apresentada na sua revista.
• “Princípios sobre a contribuição no Novo Testamento, encontrada em 2 Coríntios 8-9. Deram-se a si mesmos. O que Deus quer de nós não é o nosso dinheiro. Quando nos entregamos ao Senhor, aderimos à contribuição (8.5). Lembre-se do exemplo de Cristo. Ele deu tudo para enriquecer as nossas vidas. As riquezas que temos nele são as verdadeiras riquezas, não a opulência material (8.9). Contribua na medida de sua possibilidade. O ato de doar não tem como objetivo empobrecer o contribuinte. O que agrada a Deus não é o montante da adoção comparada com a nossa disponibilidade, mas a disposição em fazê-lo (8.10-12). Contribua para satisfazer necessidades. A contribuição tem por objetivo prover as necessidades básicas de cristãos carentes. Este princípio reflete a vulnerabilidade do mundo do século primeiro aos famintos e à igreja nas perseguições, que geralmente significa que os crentes perderam seus meios de subsistência. O princípio de que contribuir era uma forma de externar a sensibilidade aos pobres e de que nossa preocupação maior ainda deve ser para com a carência humana e não com a questão de ordem patrimonial, pois a igreja de Jesus é gente. Contribuir é semear. A oferta é um investimento para o nosso futuro eterno. Quanto maior o investimento, maior será o retorno (9.6). O contribuir é um ato pessoal. O quanto a pessoa contribui é um problema entre ela e o Senhor. Deus não está interessado em dinheiro doado de má vontade (9.7). Contribuir é uma expressão de confiança. Deus é capaz de satisfazer as nossas necessidades e de prover muito mais do que precisamos para viver com alegria e sem temor (9.8-11). Contribuir estimula a oração. O recebedor louva a Deus e ora pelo doador” (9.12-15) (Guia do Leitor da Bíblia. Rio de Janeiro, CPAD, p. 781).

II. Exortação ao espírito generoso para contribuir (8.7-15)

• “Paulo ilustra a reciprocidade mútua de recursos que expressa a verdadeira natureza da igreja por meio de colheita diária do maná no deserto pelos israelitas: ‘O que muito colheu não teve de mais; e o que pouco, não teve de menos’ (2 Co 8.15; Êx 16.18). Toda riqueza é como o maná do Senhor, destinada não à falta de moderação ou ao luxo, mas sim ao alívio das necessidades dos irmãos.

O critério da generosidade cristã que Paulo aplica nestes versículos inclui:

1) A magnitude da graça de Cristo;
2) A extensão da bênção material;
3) A dimensão das necessidades do corpo de Cristo.
Comentário Bíblico Beacon. 1.ed. Vol 8. Rio de Janeiro, CPAD, p. 453

III. Os princípios da generosidade (9.6-15)

“Paulo mostra que a “generosidade, quando realizada com o espírito apropriado, pode ser uma fonte de bênçãos a todos aqueles que estão envolvidos – aos outros, a Deus, e a nós mesmos.

Em primeiro lugar, o apóstolo explica que o cristão generoso é ‘alguém que semeia’. Não há medo de destituição na generosidade, pois ‘dar é semear’ e semear significa esperar uma colheita. O mundo enriquece tirando dos outros; o cristão enriquece dando aos outros. Em uma das suas expressões contrastantes, Paulo sugere que existem duas maneiras de semear – pouco e em abundância – com as colheitas correspondentes. ‘Alguns há que espalham, e ainda se lhes acrescenta mais; e outros, que retêm mais do que é justo, mas para a sua perda. A alma generosa engordará, e o que regar também será regado’ (Pv 11.24,25). Aquele que semeia com abundância semeia ‘no princípio das bênçãos’, e com base nisto ele colhe. A ideia de bênçãos é o princípio da mordomia cristã (cf. Lc 6.38).

Há outro principio coerente com este. Cada homem só deve dar aquilo que tenha proposto anteriormente no seu coração. O ato de dar não deve ser realizado com tristeza ou por necessidade (compulsão). O ato de dar que é motivado basicamente pela compulsão externa é realizado com dor e tristeza, e não pode estar de pleno acordo com a mente de Cristo. Deus ama ao que dá com alegria (Pv 22.8).O texto grego enfatiza alegria (hilaron) e em Deus. É da palavra hilaron que obtivemos a nossa palavra ‘hilariante’. Este versículo implica que o pagamento do dízimo meramente como uma obrigação legalista não é uma atitude cristã. O ato de dar, por parte de cada cristão, deve ser motivado adequadamente – ele deriva da graça e almeja abençoar”.Comentário Bíblico Beacon. 1.ed. Vol 8. Rio de Janeiro, CPAD, pp. 455,456

Extraído de:

Comentário Bíblico Beacon. 1.ed. Vol. 8. Rio de Janeiro, CPAD.
Guia do Leitor da Bíblia. Rio de Janeiro, CPAD.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O pentecostalismo, a privacidade e Jesus Cristo

O cronista português João Pereira Coutinho escreveu em artigo dizendo que “a privacidade é talvez a maior conquista da civilização judaico-cristã”. Mediante esta frase fiquei a meditar como as Escrituras nos incentiva para uma prática de espiritualidade recatada, privativa, mas que reflete em nosso caráter exercido no dia a dia. Na adoração, que é um ato de intimidade entre a criatura e o Criador, somos compelidos a trancar a porta. Infelizmente, como o caminho bíblico é desprezado em boa parte das igrejas pentecostais que fazem da adoração um verdadeiro circo, um espetáculo pessoal, com direito a todo tipo de apresentação.

Jesus disse: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.6). Assim é adoração a Deus: um momento de intimidade privativa, redundância proposital para expressar a grandeza de elevar a Deus um louvor sincero, que não será alvo de apreciação de nenhum outro homem. Adoração não é espetáculo, não é palco. Adoração é quarto com a porta trancada. É por trás das cortinas como no templo veterotestamentário.

O privativo Jesus jamais falaria em línguas em um sermão quando não há quem interprete. Ora, como deixa bem claro o apóstolo Paulo no magistral texto de I Co 14 (um dos mais desprezados nas igrejas pentecostais) as línguas quando não interpretadas é intimidade entre o falante e Deus, que o ouve e o entende (14.3). Não é algo para compartilhar com dezenas de pessoas. Agora, quando interpretado deve ser compartilhado com os demais, pois já não é adoração, mas sim uma profecia (14.28)

Jesus era seguido por grande multidão e curava a todos, mas “advertindo-lhes, porém, que o não expusessem à publicidade” (Mt 12.16). Sim, Jesus não fazia espetáculo com seus milagres, não promovia shows de testemunhos e até proibia que os curados saíssem gritando pelas ruas que foram por Ele libertos. O recato de Cristo é impressionante, mas isto já tinha sido profetizado por Isaías:

Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios. Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça. Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o direito. Não desanimará, nem se quebrará até que ponha na terra o direito; e as terras do mar aguardarão a sua doutrina. (42. 1-4, cf. Mt 12. 16-21)

Como é diferente dos nossos dias, em que cartazes e carros de som anunciam a pregação “do grande homem de Deus” que visitará a cidade ou o bairro. A simplicidade de Cristo não é modelo para esse pregadores que arrotam vaidade, orgulho e ostentação de grandeza. A publicidade era abominada pelo Senhor, pois Ele não se portava como um agente de serviço ou vendedor de coisa supérflua, mas sim anunciava a salvação.

Então, quando mais discreta for a sua e a minha espiritualidade, melhor será.

A Campanha da Fraternidade é ingênua

A Campanha da Fraternidade deve nos fazer ousados para rever os conceitos econômicos que imperam no mundo e no nosso país (Pr. Carlos Möller, presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil)

A Teologia da Prosperidade é herética. Os pregadores da Confissão Positiva associam a riqueza financeira como uma consequência da Redenção. Posto isto, quero falar do extremo oposto. A Teologia da Miséria associa pobreza com redenção. Acham que ofício de profeta contemporâneo é denunciar os juros altos dos bancos. Estes proclamadores da “vida simples” apresentam a pobreza como o ápice do cristianismo. O engraçado que ambas as teologias são pregadas por gente bem sucedida.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010, promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), traz como tema Mateus 6. 24: “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”. Realmente seria um tema válido se não fosse a ingenuidade deste povo, tanto por parte dos católicos como dos protestantes reunidos na CONIC. Por que são ingênuos? Porque eles não estão condenando necessariamente a idolatria pelos bens materiais que afeta muitos cristãos, mas sim um sistema econômico. Não precisaria condenar os lucros de multinacionais, mas sim a ganância nas relações de trabalho. O Vaticano não tem banco? Ele não lucra? É filantrópico? A lojinha da igreja luterana ou presbiteriana vende livros ao preço de custo?

Crítica de uma academia ideológica

Como bem disse o jornalista Rui Nogueira: “Estabelecer laços ambíguos sobre essas realidades é moralmente reconfortante, mas tem pouca ou nenhuma serventia ética para a sociedade”[1]. Ora, as pessoas ao se tornarem cristãos deixam de desejar a ascensão social? É claro que não. É realmente obscuro o sentido de uma campanha que nunca se aplica na vida dos homens, senão sendo a manifestação de utopias de alguns ideólogos vestidos de religiosos. É uma mistura muito grande entre crença e política econômica. Deus e César na mesma face da moeda.

O grande problema é que essas campanhas são fruto de crítica acadêmica desprovida de prática. Como bem disse o acadêmico John R. Lott Jr., a “academia é praticamente a única profissão que consome a sua própria produção” [2]. É como se um fabricante de carros só vendesse os veículos para os seus funcionários. Ou seja, falam para si, sem nenhuma prática no mundo dos humanos, que precisam trabalhar para sobreviver em uma vida que nunca foi fácil para aqueles que pensam que o Estado ou a providência divina darão a comida do nada. “Se alguém não quer trabalhar, também não coma”, como disse o apóstolo Paulo (II Ts 3.10). Paulo aqui reza a cartilha da formiga, e não da cigarra. O mundo é assim: produção, consumo e mais produção, com a prudente poupança. Alguns sonham com outras realidades. Mas é só isto- sonho!

Convivência e equilíbrio

Aliás, é possível sim ser cristão e conviver bem com o dinheiro. Não se pode é idolatrá-lo, amá-lo acima de todas as coisas (cf. I Tm 6.10). Nem mesmo podemos amar os nossos pais acima de Deus. Tal campanha cria uma dicotomia horrível. Até parece que é impossível ser um empresário dentro do sistema capitalista e exercer o cristianismo. Obedecendo os princípios do repeito ao outro (cf. Tg 5.4) é moralmente aceitável o empreendedorismo. Repito: Os propagadores desses ideias são graduados e pós-graduados, moram em casas de classe média, estudaram em boas universidades, falam duas línguas, viajam para o exterior... Estão completamente dentro de um sistema burguês que eles condenam. Como são chamados aqueles que abominam aquilo que vivem?

Nem riqueza, nem pobreza são evidências de um bom cristianismo.

Referência Bibliográfica:

[1] NOGUEIRA, Rui. Deus, dinheiros e as utopias. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 18 de fev. 2010. Vida& A19.

[2] JR LOTT, John R. Freedomnomics. 1 ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p 24.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Com bens dos outros

No ano de 2009 fomos bombardeados com notícias de pastores que comparam jatinhos e outros objetos de luxo. Ora, sendo cristão ou não, ninguém está impedido de desfrutar das benesses da riqueza, mas NÃO À CUSTA DE UMA IGREJA. Todos eles não nasceram ricos, não vieram de família com posses e nem conquistaram bens na base da meritocracia. Simplesmente abriram empresas com dinheiros de ofertas, depois colocaram essas empresas em seus nomes. ISSO É UM CRIME. Falta de ética, de respeito e desfruto com o bem alheio.


Quando você lê Malaquias (o livro predileto dessa turma, pelo menos em 3.10) vê claramente o profeta condenando a dissimulada liderança de sua época, que se embainhava na corrupção. Hoje não é muito diferente. Eles estão roubando a Deus quando acusam suas ovelhas de fazerem isso. A Palavra não deixa essa turma livre. Portanto, leia todo esse maravilhoso livro veterotestamentário. Veja como uma liderança baseada na corrupção é perigosa!



Três palavras que não combinam com a igreja

Burocracia- Muitas igrejas que mais parecem órgãos governamentais cheios de burocratas que seguem uma cartilha rígida do escalão de hierarquias.

Chefia- É engraçado ouvir diáconos ou evangelistas chamando o seu pastor de “chefe”. Sim, já ouvi isto várias vezes. As pessoas confundem honra e respeito com baixa bajulação. O líder cristão é servidor, mas não servido.

Aristocracia- A igreja é uma comunidade. Em comunhão todos agem em conjunto. Não é um grupo de privilegiados que decidem de baixo para cima o destino de uma organização viva.

Todas elas mostram como hoje em dia se perdeu muito da humildade diante do conceito de igreja, e de sua forma de liderar.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Por que não sou um fundamentalista?

Sempre ouço: “Se você crer nos fundamentos da fé cristã, logo você é um fundamentalista”. Calma aí. Tal frase pode parecer lógica, mas não é. Todo fundamentalista crer nos fundamentos da fé cristã, mas nem todos que aceitam essas verdades eternas podem ser classificados como fundamentalistas. Entre ser um progressista teológico e um fundamentalista, prefiro mil vezes o equilíbrio do evangelicalismo. Então, por que não sou um fundamentalista? Por que apesar de ser um conservador teológico, político e social não comungo desse título? Vejamos algumas razões:

Em primeiro lugar, o fundamentalismo protestante toma uma interpretação bíblica como um único padrão aceitável. Se o fundamentalista é arminiano, logo o calvinismo é heresia para ele. Mas se o fundamentalista é calvinista, logo o arminianismo é o grande erro doutrinário. Se ele é dispensacionalista, o amilenismo é herético. E vice-versa. É um sistema que se o acha dono da verdade. Sim, a verdade existe e é alcançável, mas não é propriedade de nenhuma escola teológica ou denominação protestante. Eles se acham os donos da única interpretação bíblica que deve ser levada em conta. E como escreveu Lloyd Geering: “O fundamentalismo, portanto, leva as pessoas a pensar em termos de branco e preto” [1] Ou seja, os verdadeiros defensores da fé versus uns hereges que são hereges por discordar de qualquer ponto do meu sistema. É maniqueismo puro.

Em segundo lugar, o fundamentalismo protestante é exagerado em suas abordagens. É claro que o aborto é um crime contra a vida. Se mata gente, é algo pecaminoso e moralmente frouxo. Mas esse é o único problema do mundo? Aliás, parece que existem somente dois problemas no mundo para os fundamentalistas: o aborto e o casamento homossexual. Ora, e a corrupção política nos países subdesenvolvidos? E a fome? E a violência das grandes cidades? Faltam propostas diante desses outros desafios e, então, ouvimos aquelas soluções ditas progressistas de grupos libertinos e relativistas, que causam mais tragédias. Por que eles têm voz? Simplesmente porque falta a voz dos fundamentalistas em outras questões além do aborto e casamento gay. A nossa luta é mais ampla do que a visão limitada do fundamentalismo. Uma boa forma de combater o homossexualismo é dar exemplo como pais presentes na infância de um garoto. Isso na prática acontece?

Em terceiro lugar, o fundamentalismo une-se à partidos políticos. No Brasil, alguns protestantes e católicos ditos progressistas, ligados à teologia da libertação, ajudaram no crescimento do Partido dos Trabalhadores (PT). Um partido que sempre defendeu como dogma a “liberdade das mulheres em relação ao corpo”, o casamento homossexual, a restrição da liberdade de imprensa, o fim da propriedade privada, o aparelhamento do Estado etc. O fundamentalismo não é muito diferente, pois nos Estados Unidos, eles sempre estão alinhados ao Partido Republicano, que a despeito de ser um importante ator político na nação americana, nem sempre está certo em suas posições [2]. Então, diante do alinhamento prévio, os fundamentalistas são incapazes de uma crítica mais dura. Assim como os teólogos da libertação no Brasil que se calaram diante dos escandalosos casos de corrupção no PT, denunciados em 2005. Aliás, a cada dia vejo que esses dois grupos inimigos (fundamentalistas versus progressistas) são bem parecidos.

Em quarto lugar, o fundamentalismo é antipentecostal. Não é defesa corporativista, mas a forma como os fundamentalistas tratam o pentecostalismo é um absurdo. Não há problema que uma pessoa seja tradicional, que adote uma linha cessacionista; o problema está em demonizar os pentecostais. Exemplo disto é o pastor norte-americano John MacArthur, que por meio dos seus escritos alimenta preconceitos e inverdades sobre os pentecostais, além de apresentar uma visão generalizante do movimento. No livro
Os Carismáticos [3] o autor recorre até para a ciência a fim de explicar a experiência do falar em outras línguas. No Brasil havia uma campanha no site Monergismo, do estudante de teologia reformada, Felipe Sabino, intitulado “Combata o Pentecostalismo”. Nem um nem o outro combatem argumentos de teólogos pentecostais do porte de Stanley Horton ou Roger Stronstad.

Em quinto lugar, o fundamentalismo acha a sua confissão de fé inerrante. É claro que na teoria isto é negado, mas já na prática... Apesar da teologia equivocada de Charles Finney, um pelagiano convicto, ele tinha muita razão quando acusava os presbiterianos de sua época de considerar a
Confissão de Fé de Westminster um verdadeiro “papa de papel”. Apesar de baseadas na Bíblia, as confissões de fé das denominações cristãs são uma interpretação da Bíblia, e não letras inerrantes e infalíveis. Como escreveu Ricardo Quadros Gouvêa: “Uma igreja confessionalista abraça uma confissão doutrinária específica, inerrante, inquestionável e de sentido óbvio, como se a confissão em questão não fosse um texto carecendo ele mesmo de ser interpretado” [4].

Com esse texto não pretendo demonizar os fundamentalistas. Reconheço suas virtudes- eles estão certos na defesa da fé, mas usam métodos duvidosos, além de apresentarem muita arrogância como “donos da verdade”. Sei que muitos críticos do fundamentalismo são na verdade adeptos do outro extremo. Mas aqui não há esta intenção. É simplesmente o artigo de um conversador que critica o ultraconservadorismo. É isso.


Nota e Referência Bibliográfica:

[1] GEERING, Lloyd.
Fundamentalismo: Desafio ao Mundo Secular. 1 ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2009. p 35. Apesar de tratar do fundamentalismo com certa dose de verdade, Lloyd Geering acaba por recorrer ao mesmo recurso daqueles que ele combate. Em todo momento o livro pinta os fundamentalistas como seres diabólicos, sem nenhuma virtude. É clara também as influências ideológicas na crítica ao fundamentalismo. É um trabalho que a despeito de buscar respeitabilidade acadêmica, acaba por ser uma visão totalmente parcial dos fatos. Além disso, a forma como Geering caracteriza os fundamentalistas poderia ser aplicado a qualquer conservador. Ou seja, para ele não há diferenças entre um e outro. Visão essa que não compartilho de forma alguma. Além disso, é visível a simpatia pelo liberalismo teológico, que é um fundamentalismo às avessas.

[2] O Partido Republicano dos EUA não é o demônio como desenha parte da imprensa e da academia brasileira, mas também está longe de ser um partido perfeito. Podemos ver isso no ultranacionalismo de alguns senadores e deputados sulistas, que defendem um excepcionalismo americano. As grandes virtudes do partido são a defesa da confiança no indivíduo e a aversão pelo Estado forte e controlador. O mesmo pode ser dito do recente movimento
Tea Party, que apresenta os mesmos defeitos e virtudes.

[3] MACARTHUR, John F.
Os Carismáticos: Um Panorama Doutrinário. 5 ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2002. MacArthur é o típico fundamentalista clássico: antipentecostal, dispensacionalista e apesar de citar ciência para desmoralizar os pentecostais, apresenta certa aversão pelos estudos científicos. Não podemos cair no mesmo exclusivismo de MacArthur, pois apesar dos seus equívocos, é um autor muito bom em questões apologéticas.

[4] GOUVÊA, Ricardo Quadros.
A Piedade Pervertida. 1 ed. São Paulo: Grapho Editores, 2006. p 88. A própria Confissão de Fé de Westminster reconhecia a sua falibilidade, como não poderia ser diferente. Na CFW 31:3 está escrito: “Todos os sínodos e concílios, desde os tempos dos apóstolos, quer gerais quer particulares, podem errar, e muitos têm errado; eles, portanto, não devem constituir regra de fé e prática, mas podem ser usados como auxílio em uma e outra coisa”.

Nascer de Novo - Mark Driscol

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lição 08 - Exortação à Santificação

SUBSÍDIO ESCRITO PELA EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD


Leitura Bíblica em Classe
2 Coríntios 6.14-18; 7.1,8-10


Introdução

I. Paulo apela à reconciliação e comunhão (6.11-13)

II. Paulo exorta os coríntios a uma vida santificada (6.14-7.1)

III. Paulo regozija-se com as notícias da igreja de corinto (7.2-16)

Conclusão

Palavra-chave: santificação

I. Paulo apela à reconciliação e comunhão (6.11-13)

• “Paulo fez anteriormente um apelo aos coríntios para que respondessem à graça de Deus (2 Co 6.1). Agora ele faz uma comovente súplica para que eles respondam ao amor e afeto por eles. Sua boca continuava falando com eles, querendo que ouvissem. Seu coração estava ‘dilatado’ e permanecia assim (como indica o original grego). A palavra ‘coração’ era usada para expressar tanto pensamento quanto sentimento. Seu amor era o de um bom subpastor que leva o amor de Cristo ao rebanho.

Alguns coríntios podem ter sentido que Paulo não os amava. A verdade era que alguns estavam retendo o amor que sentiam por Paulo e seus companheiros. Como pai espiritual que os levara ao Senhor e a um novo nascimento pelo Espírito, ele apela que merece ‘uma recompensa [troca justa]’ dos seus ‘filhos’. Ele quer que eles dilatem os corações como ele o fez. E como qualquer bom pastor, ele quer sentir o afeto deles” (HORTON, Stanley M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e Suas Soluções. Rio de Janeiro, CPAD, pp. 216,217).

II. Paulo exorta os coríntios a uma vida santificada (6.14-7.1)

Professor, pergunte aos alunos: “O que significa santificação?” Ouça com atenção as resposta. Depois escreva no quadro-de-giz a palavra santificar. Explique que “a palavra santificar, nas Escrituras, significa basicamente ‘separar ou colocar de lado’.A palavra santificado tem a mesma significância de santo. Portanto, a santificação progressiva (tornar-se mais santo) e o crescimento espiritual são essencialmente o mesmo processo”.

Através da fé em Cristo, uma pessoa é nascida na família de Deus e se torna seu filho espiritual. Deus planejou que seus filhos espirituais cresçam em direção à maturidade espiritual e isto exige que eles pratiquem princípios bíblicos de crescimento espiritual e recebam o alimento espiritual de outros cristãos. O crescimento espiritual do cristão é chamado de ‘santificação progressiva’. Somos dramaticamente transformados por nosso nascimento espiritual (2 Co 5.17), mas Deus continua a nos transformar através da santificação (HOLLOMAN, Henry. O Poder da Santificação. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, p. 1,2).


Os três tipos de santificação

Santificação Posicional

Santificação Progressiva

Santificação Perfectiva

Evento passado nascimento espiritual

Processo presente crescimento espiritual

Evento futuro
perfeição espiritual

Salvação da pena do pecado

Salvação do poder do pecado

Salvação da presença do pecado

“Eu fui salvo” (Ef 2.8,9)

“Eu estou sendo salvo”
(Tg 1.21)

“Eu serei salvo” (1 Ts 5.9)

Consagração do corpo
(1 Co 6.19,20)

Deterioração do corpo

(2 Co 4.16)

Redenção do corpo

(Rm 8.23)

Início da redenção da alma

Continuação da redenção da alma

Conclusão da redenção da alma

Justificação e regeneração

Santificação

Glorificação

Extraído de O Poder da Santificação, CPAD, pp. 6,7.

III. Paulo regozija-se com as notícias da igreja de corinto (7.2-16)

• “O relatório trazido por Tito era animador. Mais que isso, Paulo alegrou-se ao ver a felicidade de Tito. Os crentes coríntios deram as boas-vindas a Tito, recebendo-o com temor e tremor. Pela maneira como reagiram e obedeceram os coríntios recrearam o espírito de Tito. Paulo tinha lhe assegurado que eles reagiriam assim. O que Paulo disse na carta dolorosa era verdade. Mas as coisas boas que disse sobre eles e a resposta obediente que esperava também comprovaram as verdadeiras. Isto levou Tito a lembrar-se deles com profundo afeto. Se eles não tivessem dado as boas-vindas a Tito, Paulo teria ficado desconcertado, envergonhado de se gloriar em algo que ele esperava que acontecesse. Mas ele não esperava ficar envergonhado, pois sabia que eles criam na Palavra de Deus. Ele sabia que estavam cheios com o Espírito Santo. Eles estavam em Cristo e Cristo estava neles. Visto que se provaram pela obediência e pela coragem em corrigir os erros tratados na carta dolorosa, ele se regozijava de poder depositar confiança absoluta neles” (HORTON, Stanley M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e Suas Soluções. Rio de Janeiro, CPAD, pp. 216,217).

Extraído de:
HORTON, Stanley M.
I & II Coríntios. 1 ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2003, p. 203.

HOLLOMAN, Henry. O Poder da Santificação. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro, CPAD.

Comentário Bíblico Beacon. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Eles não argumentam, esculhambam

Você é isso. Você é aquilo. Você é aquilo outro. Assim começam muitos debates no decorrer da história. Ou seja, muitas discussões são recheadas de clichês, produção de estigmas e adjetivos para com o adversário no embate. Os avessos à verdade não gostam de argumentos, pois são incapazes de contra-argumentar, então logo apelam para o estigma. Dessa forma escapam da verdade como um gato da água gelada.

Por exemplo. Ouse criticar o ministério de um famoso pastor que prega heresias. Em lugar de contra-argumentar a sua tese, os advogados do pastor-artista chamarão você de invejoso, filho do diabo, desviado, frio etc. Ou seja, em momento algum responderão as questões levantadas, mas apelarão para o modo mais fácil de escapar da verdade, que é através da adjetivação negativa do adversário.

Portanto, fique atento com esse tipo de debatedor. Eles sempre aparecem, principalmente pela capa do anonimato, que é o reflexo no mundo virtual da falta de um bom caráter no mundo real.

O mórmon é meu irmão na fé?

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Uma fascinação pelos demônios

É inegável a realidade dos demônios e sua influência sobre os humanos. É também inegável a grande ênfase que os evangélicos dão os anjos caídos. Na prática, muitos evangélicos atribuem ao demônio uma queda na calçada ou um arranhão no carro acontecido em algum estacionamento. É igualmente vergonhoso o espetáculo que é feito em muitos exorcismos praticados por aí. Assim como o uso do medo para atacar quem pensa diferente de um líder autoritário.

Certa vez ouvi uma pregação em que o pastor dizia: “Se o demônio não existisse muitas igrejas evangélicas já não existiriam”. Infelizmente é verdade. O medo de maldição demoníaca paira o imaginário das igrejas, principalmente pentecostais e neo-pentecostais. Exemplo máximo disso é o dízimo. Em lugar de ensinar o princípio da generosidade, muitos preferem falar de um demônio chamado “o devorador”. Sendo uma grande forçação de barra do texto bíblico.

É certo que os demônios nos tentam a pecar, mas não pecam por nós. Portanto, quem cair no erro não adianta colocar a culpa no coisa ruim. Com exceção dos possessos, ninguém está fora das suas faculdades mentais para atribuir uma escolha pessoal a uma outra pessoa, mesmo que essa outra pessoa seja um ser de natureza espiritual. Ou seja, alguns tentam escapar de sua responsabilidade mesmo que apelem aos demônios.

Alguns infortúnios na vida podem ser de natureza demoníaca. Mas é bom lembrar que são apenas alguns. Muitas das dificuldades que enfrentamos são frutos daquilo que plantamos (uma doença por falta de prevenção) ou por incontingência (como um acidente que você não provocou). Mas as dificuldades sempre acontecem. E temos muito a aprender com elas.

Na liturgia dos cultos é triste verificar o espetáculo com o nome dos demônios. São pregadores que fazem uma de super-homens e “pisam na cabeça do diabo”. Promovendo um verdadeiro circo que chamam de “autoridade espiritual”. Outros que querem inventar a roda buscam o nome de demônios e fazem listas com as características de cada um deles. De uma utilidade zero esses fazem seminários apontando a diferença entre o demônio da cachaça e do sexo, por exemplo. E esquecem eles que lascívia e embriaguez são obras da carne e não tipos de demônios.

Encerro este texto com um apelo ao equilíbrio escrito pelo inglês C. S. Lewis:

Há dois erros semelhantes mas opostos que os seres humanos podem cometer quanto aos demônios. Um é não acreditar em sua existência. O outro é acreditar que eles existem e sentir um interesse excessivo e pouco saudável por eles. Os próprios demônios ficam igualmente satisfeitos com ambos os erros, e saúdam o materialista e o mago com a mesma alegria. [1]

Pois bem, nem oito nem oitenta. Nem incredulidade nem credulidade. Sejamos bíblicos.

Referência Bibliográfica:


[1] LEWIS, Clive Staples. Cartas de um diabo a seu aprendiz. 2 ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009. p IX.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Blogs são sinônimos de amizades

Hoje eu estava andando em plena Avenida Paulista, aqui em São Paulo, quando fui abordado por um homem. Quando virei, ele perguntou: - Você é o Gutierres do blog Teologia Pentecostal? Respondi positivamente e ali, naquela calçada, conversamos rapidamente. O leitor era o irmão Cristiano Silva, do blog Nerd Protestante. Hoje, também, conversei boa parte da tarde com o leitor Felipe Huvos, na praça de alimentação de um shopping da capital. Vários temas foram tratados no decorrer da agradável conversa com o jovem Huvos.

Vejam só. Em um único dia conheci pessoalmente dois leitores do blog. Cristiano e o Felipe não foram os primeiros, pois no decorrer desses três anos pude conhecer pelo menos uma dezena de pessoas graças ao blog. Fico muito feliz com isso, pois este espaço tem sido instrumento para amizades, e não inimizades. Que possamos usar este veículo para a construção de mais laços. Que possamos ver os blogs como bênçãos para uma maior unidade cristã.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Frases do evangelicalismo cult que não aguento mais

Na mídia, nas universidades, nas conservas de restaurante e até nas igrejas ouvimos sempre aquele papo progressista. Algumas frases ecoadas pelo grupo gramsciniano já tornaram-se mantras. O evangelicalismo cult é filho do politicamento correto, do progressismo sem progresso e também da mentalidade boçal presente em uma “inteligência” que rola por aí. Veja algumas pérolas:

Toda cultura é igual. Não há culturas melhores ou piores

Os progressistas defendem que uma cultura que prega o infanticídio diante da deficiência física de uma criança é algo maravilhoso. Neste caso, acham ele que a vida é menos importante do que a cultura. Mas existe uma exceção: a única cultura inferior são dos ocidentais de bases judaico-cristã. Aquele povo chato!

Precisamos repensar a nossa fé


As dúvidas são partes essenciais da caminhada cristã. Já o ceticismo é outra coisa. A contestação de uma crença é sempre baseada em outra crença. O melhor caminho é pôr em dúvida a própria...dúvida. Algumas vezes é preciso duvidar de algumas dúvidas. Alguma dúvida?

O problema do mundo é isso e aquilo

Os progressistas sempre estão buscando um demônio. Seja esse demônio o capitalismo liberal, a democracia representativa, o estado democrático de direito, a grande mídia, etc. Certa vez perguntaram para o inglês G. K. Chersterton qual era o problema do mundo e, ele respondeu:
I am. Ou seja, há uma dificuldade de considerar o próprio demônio. Infelizmente há uma escassez de discernimento que foi apresentado por Chersterton em apenas duas palavras.

O homem é bom, mas a sociedade o corrompe


Esses discípulos do filósofo Rousseau sempre negam a realidade do pecado original. Além de rasgarem Romanos, os discípulos de Rousseau acreditam na pureza humana. No estado natural das coisas. Na bondade do homem. No coelhinho da Páscoa. No Papai Noel... Certamente que a utopia ideológica é o ópio do povo, como não disse Marx.

O mal é uma construção social, e não da natureza humana

Os discípulos do francês Rousseau certamente acreditam em contos de fadas. Se há uma filosofia que pode ser provada empiricamente é a doutrina do pessimismo antropológico. Será que esses caras nunca viram um bebê tentando matar um gato? Ou o egoísmo gritante de uma criança interesseira? Ou ainda a existência de asilos? Meu amigo, o pior é que os discípulos de Rousseau escreveram o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)... e é eca mesmo! Por este motivo é impossível punir um assassino ou estuprador que é entendido como uma “criança” de 16 ou 17 anos. Mas no homem existem belezas? Sim, o próprio Hitler gostava de música clássica e pinturas. Mas falo para você- tais belezas não apagam a grande feiura.

A natureza é linda e maravilhosa. O homem pode viver em harmonia com ela, assim como os índios

Certamente esses caras nunca dormiram em uma floresta. As matas tropicais não são nada simpáticas para com os seus visitantes. A recepção é dada com formigas, pernilongos, cobras, arranhas e outras coisinhas venenosas. Ou o homem domina essa natureza ou é engolido por ela. Até mesmo os índios, os emblemas do bom selvagem, já fizeram isso. Se voltássemos aos tempos desejados por alguns ecochatos, talvez já teríamos morrido de sarampo, ou uma outra grande praga. Mas pelo menos o estado natural estaria preservado. Não é mesmo?

Portanto meu amigo, reflita muito antes de repetir alguns mantras.

Fantástico fala sobre desaparecimento de missionários assembleianos

Neste domingo o programa Fantástico fez uma matéria sobre o desaparecimento do casal Jaqueline de Fátima e Vanderlei Espan, além do filho Christopher, de sete anos. Os três sumiram, mas nada na casa foi roubado e os carros continuam na garagem. Os brasileiros trabalhavam na Assembleia de Deus Belém, do pastor Joel Freire, que deu uma entrevista ao programa.

Veja a reportagem do Fantástico:

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1490993-15605,00-FAMILIA+BRASILEIRA+DESAPARECE+NOS+EUA+SEM+DEIXAR+PISTAS.html

No dia 18 de janeiro, o canal RBS TV já tinha feito uma reportagem sobre o assunto. Veja o vídeo:


sábado, 13 de fevereiro de 2010

A falta de cuidado com os testemunhos

Leia esta nota publicado do blog Link, do jornal “O Estado de S. Paulo”

Star Wars e Will Smith em canal religioso
Por Ana Freitas

Apresentadores de canais religiosos nos EUA estão enfrentando problemas ao distinguir as histórias reais enviadas por espectadores das pegadinhas do Mr. X, @raepmykipz no Twitter. Ele envia aos programas (daqueles que aconselham fiéis e divulgam histórias de conversão religiosa) letras de músicas de bandas como The Smith e The Who, roteiros de filme (como Star Wars) e até a história de vida de Will, o personagem de Will Smith no seriado Fresh Prince Of Bel-Air (O Rei do Pedaço, na versão brasileira exibida pelo SBT)

O canal de rapmykipz no YouTube exibe como troféu mais de 40 vídeos de suas pegadinhas no ar. No registro abaixo, o apresentador relata a história de Will e engata outro e-mail sobre um jovem que aprendeu muito com um mestre chamado Obi Wan Kenobi:

http://www.youtube.com/watch?v=BZUB0kLLBUA&feature=player_embedded

Em outro, uma apresentadora lê as letras de Hang The DJ, músicas do The Smiths:

http://www.youtube.com/watch?v=rEGr1_J814s&feature=player_embedded

Populares, os vídeos mais vistos do usuário já têm mais de 500 mil visualizações.


Comento:

Vejam só. Os canais religiosos não tomam cuidado com os testemunhos publicados. O mesmo acontece aqui no Brasil em programas radiofônicos, onde abundam testemunhos duvidosos. Ele só caíram nas pegadinhas de um humorista pelo fato de não autentificarem os milagres. Pagam com o mico devido a falta de prudência.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Lição 07 - Paulo, um Modelo de Líder-Servidor

SUBSÍDIO ESCRITO PELA EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD


Leitura Bíblica em Classe
2 Coríntios 6.1-10


Introdução

I. Paulo se identifica como servidor de Cristo (6.1,2)

II. A abnegação de um líder-servidor (6.-10)

III. As armas de ataque e defesa de um líder-servidor

Conclusão

Palavra-chave:
liderança e serviço


I. Paulo se identifica como servidor de Cristo (6.1,2)

• Professor, pergunte aos alunos: “Vocês estão ávidos por servirem a Deus?” Ouça com atenção. Depois, diga que atualmente muitos querem exercer liderança, mas poucos querem servir ao Mestre. Paulo foi um homem que serviu ao Senhor. Ele tinha em seu corpo e em sua alma as marcas do seu apostolado (Gl 6.17).

Explique aos alunos que “Jesus foi o exemplo de servo, e demonstrou sua atitude servil a seus discípulos. Leia com atenção João 13.1-17. Lavar os pés dos convidados era um serviço que o criado da casa deveria realizar, quando os convidados chegassem. Mas Jesus cingiu-se com uma toalha, como os escravos deveriam fazer, e lavou e enxugou os pés de seus discípulos. Se Ele, que era o Deus encarnado, estava disposto a servir, nós, seus seguidores, também devemos ser servos dispostos a trabalhar de maneira que o glorifique. Você está disposto a seguir o exemplo de Cristo sobre servir? Há uma bênção especial para aqueles que não apenas concordam que o serviço humilde faz parte dos ensinamentos de Cristo, mas que também seguem Jesus e praticam as mesmas obras que Ele (Jo 13.17). Jesus dizia que, para ser um líder, uma pessoa deveria ser um servo. Este não é um ensino confortável para os líderes que consideram difícil servir as pessoas que ocupam posições inferiores às deles” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro, CPAD, pp. 1445,1446).


• Pergunte aos alunos: O que significa ser um líder-servirdor? Explique que “ser um líder servidor significa ser parecido com Jesus. Precisamos aprender com Ele a lidar com as pessoas, cuidar dos necessitados, dar exemplo para outros líderes iniciantes.

[...] Um líder servidor é humilde e compreensivo e não busca sua própria glória, não se empolga pelos elogios nem entra em desespero com as críticas. Ele busca o equilíbrio emocional e espiritual. Não cultiva vaidade nem se desespera diante dos opositores. Jesus lavou os pés de Judas. Pense nisso e aprenda que um líder servidor é aquele que é capaz de lavar os pés até do traidor. É um líder capaz de perdoar as fraquezas dos liderados e dos adversários. [...] Um líder servidor é servo dos demais sem nenhum demérito” (FERREIRA, Israel Alves. As Emoções de um Líder: Como Administrar as Suas Emoções. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009. p.79).

• Observe alguns dos obstáculos que impedem o líder de ser um líder-servidor:

a) O orgulho. Exagerada apreciação de si mesmo, altivez, arrogância (Rm 12.3).

b) Autopromoção. Vangloriar-se, assumir todo o mérito, exibir-se, dominar a conversa, exigir toda a atenção.

c) Medo. Insegurança quanto ao futuro gera uma auto-proteção patológica.

d) Auto-proteção. Esconder-se atrás da posição, sonegar informação, intimidar os outros, acumular prestígio e rendimentos, desencorajar reações sinceras (FERREIRA, Israel Alves. As Emoções de um Líder: Como Administrar as Suas Emoções. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009. p.79.

II. A abnegação de um líder-servidor (6.-10)

• “Paulo recomenda o seu ministério, primeiramente, na muita paciência. Esta qualidade, muito ressaltada por Jesus (Mt 10.22) e certamente significativa para Paulo, coloca-se no topo de três grupos de provações. O primeiro grupo, no versículo 4, apresenta os sofrimentos de Paulo em termos gerais. Eles podem se referir àquelas dificuldades que são independentes do agente humano, e incluem aflições, todas as experiências de pressão física, mental ou espiritual que talvez possam ser evitadas; necessidades, que não possam ser evitadas; e angústias, das quais não é possível escapar.

O segundo especifica os sofrimentos em particular que são infligidos pelos homens. Paulo se esforça para recomendar a si mesmo como um servo fiel de Deus ‘mostrando a suprema paciência entre’ açoites, prisões e tumultos. O terceiro consiste daquelas disciplinas que ele impôs a si mesmo para a proteção da sua missão: nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns. O grande apóstolo, para o bem do evangelho, frequentemente:

1. Cansava-se até o ponto de exaustão;

2. Diminuía as suas horas de descanso para dedicar mais tempo ao ministério da Palavra e à oração.

3. Negligenciava as suas refeições quando o trabalho era urgente. (Comentário Bíblico Beacon. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, p. 438).

• “Em meio a todos os sofrimentos, Paulo continuou cultivando qualidades de pureza, inclusive a sinceridade, como também a integridade nas questões financeiras; ciência, especialmente no seu modo de levar as pessoas ao conhecimento de Deus pelo Evangelho; longanimidade, usando de autocontrole em lidar com pessoas difíceis e circunstâncias difíceis; e benignidade, como benignidade, paciência e longanimidade de Deus (cf. Rm 2.4)” (HORTON, Stanley M. I e II Coríntios: Os Problemas da Igreja e Suas Soluções. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, p. 215).

Extraído de:
HORTON, Stanley M.
I & II Coríntios. 1 ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2003, p. 203.

FERREIRA, Israel Alves. As Emoções de um Líder: Como Administrar as Suas Emoções. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro, CPAD.

Comentário Bíblico Beacon. 1.ed. Rio de Janeiro, CPAD.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vamos ter senso de humor!

Cada vez são mais frequentes as críticas aos blogueiros que utilizam o humor. Não uso esse expediente, portanto não legislo em causa própria ao escrever este artigo. Tirando os textos que apontam os exageros, vejo que boa parte dos blogueiros estão simplesmente sem senso de humor. Há muita gravidade nesse estado de espírito. Pois ao criticarem esses blogs muitos mostram uma aversão pela leveza.

O “não me toque” contaminou a blogosfera. Se recebo uma crítica logo penso que as pessoas me odeiam. A paranoia de perseguição tomou de conta. Não é de hoje que observo isso. Nesses três anos que escrevo em blog já vi dezenas de debates. Todos importantes. Mas sempre havia quem levasse a discordância para o pessoal.

Neste momento, certamente alguém que leu os dois primeiros parágrafos já pensa: “Ele está falando de mim”, ou “ele escreve sobre fulano”. Não meu povo! Tais pensamentos já mostram o sentimento da defesa infantil. Quando escrevo isso lembro da minha infância, dos debates na faculdade e também da blogosfera.

É hora de encarar as críticas com humor

Quem acompanha este blog sabe que as críticas mais duras foram publicadas. Alguns criticam, criticam, criticam, mas depois também sabem reconhecer quando acham um texto bom. Não levo nada para casa, pois sei que aqui é um mundo virtual, e as letras soam sempre mais violentas do que o som de uma voz. Com exceção daqueles que xingam ou apelam pelo anonimato covarde, todos encontraram espaço para a sua opinião. Aliás, só mantenho o anonimato, pois muitos leitores não possuem perfil no Google.

É necessário bom humor, paciência e disposição para receber críticas contundentes ao se expor em uma mídia social - seja ela televisiva, radiofônica ou cibernética. Quem sempre apela para a seriedade e leva a ofensa para casa, acaba causando problemas para si, pois ou apela para o ataque ou sempre se esconde na defesa infantil. Ora, somos ou não novas criaturas? Vamos viver como velhos homens?

Quando alguém sorrir de você, sorria com ele (e não dele). - “Ah, vou parecer um idiota”. Que pareça! Talvez esse seja um dos sentidos de “dar a outra face” ao agressor. Tomara que as críticas venham; que os blogueiros satíricos se expandam e que o Reino de Deus cresça em nossas vidas. O inglês G. K. Chesterton dizia que a prova de uma boa religião é quando se pode rir dela. Parafraseando o romancista, a prova de um bom blogueiro cristão é quando se pode rir dele.

No politicamente correto, as palavras são medidas com um extremo cuidado para não atingir os adeptos do “não me toque”. Sejamos livres dessa praga.