terça-feira, 30 de março de 2010

Convite: Evento para o feriado de sexta-feira

Ceticismo limita o pensamento

O ceticismo é limitante, como bem disse G. K. Chersterton:

"Doutrinas espirituais na verdade não limitam a mente como fazem as negações materialistas. Mesmo que eu creia em imortalidade eu posso não pensar sobre isso. Mas se eu descreio na imortalidade eu devo não pensar nisso.No primeiro caso, a estrada está aberta e eu sigo por ela até onde eu desejar; no segundo caso, a estrada está fechada".

Portanto, o verdadeiro reacionário não é o crente, mas sim aquele que limita sua mente para a fé por meio de sua descrença.

domingo, 28 de março de 2010

A falsa dicotomia “pregação” X “ensino”

Nas Assembleias de Deus é comum a dicotomia “pregação” versus “ensino”. Alguns líderes acham que o ensino bíblico deve ser restrito ao chamado “culto de doutrina” e a escola dominical. Enquanto isso, todos os demais cultos seriam regidos na base das pregações. Afirmam ainda que é errado ensinar no culto dominical noturno, pois as pessoas precisam ouvir uma pregação (sic)!

Ora, tal dicotomia é falsa. A pregação também é um ensino. A pregação não transmite informação e conhecimento? Logo é ensino. A pregação é sinônimo de ensino. A diferença entre uma escola dominical e um púlpito está somente na interatividade. Enquanto na primeira é possível fazer perguntas e intervenções, na segunda é um monólogo sem interrupção.

No imaginário assembleiano o pregador é o animador de auditório, enquanto o ensinador é aquele chato da escola dominical que critica os animadores. Então, qualquer tentativa de trazer uma pregação expositiva é comparada com uma espécie de ensino bíblico fora de hora. As pessoas criam resistências para a verdadeira e edificante pregação, que é aquela que respeita o texto bíblico lido na noite do culto.

A falta dicotomia é mais uma forma de atrapalhar o avanço da boa pregação que ensina o crente a viver uma vida realmente cristã.

sábado, 27 de março de 2010

Liderança que abusa dos liderados é diabólica

O Senhor Jesus me deu autoridade sobre vocês, não para destruí-los, mas para fazê-los crescer espiritualmente. (Apóstolo Paulo em 2 Co 10.8 NTLH)

Uma liderança que confunde autoridade com grito, firmeza com frieza, amor com ciumes, dedicação com interferência na vida alheia... não é bíblica. Liderança antibíblica abusa, destrói e não edifica. Paulo estava consciente de sua autoridade, mas sabia que a sua missão era levar uma igreja para o crescimento espiritual, e não para a destruição de suas almas. Essa consciência, expressa tão bem nesse versículo, mostra a diferença de alguém que realmente era guiado por Deus. O guia não vinha por meio de sonhos, mas sim pelos princípios da Palavra.

A liderança abusiva rouba, não somente bens, mas corações que se arrasam na decepção. Comportam-se com pequenos tiranos, que detém o poder sobre a pequena congregação. A liderança abusiva determina os pequenos detalhes da vida de outrem com intermináveis regras, mas é incapaz de ensinar valores do Reino. O abuso traz decepção, mágoa e uma dura aversão pelo genuíno evangelho por causa de falsos evangélicos.

Resumindo: Esse tipo de liderança é diabólica.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Lição 13 - Solenes advertências pastorais

Subsídio Escrito pela Equipe de Educação da CPAD

Leitura Bíblica em Classe

2 Co 12.19-21; 13.5-11

Introdução

I. Preocupações pastorais de Paulo (12.19-21)
II. O propósito da disciplina da igreja por Paulo (12.21; 13.2-4)
III. Algumas recomendações finais (vv.5-11)

Conclusão

Tema do Subsídio

COMENTÁRIO SOBRE 2 Co 13.1-4

Prezado professor, estamos encerrando o 1º trimestre de 2010. Recapitule os pontos importantes das lições ao longo do trimestre. Para o subsídio de hoje, expomos um comentário dos vv. 1-4 de 2 Coríntios onde o assunto da disciplina é tratado de forma minuciosa.

Paulo Adverte Quanto a Uma Possível Disciplina (13.1-4)

Tendo declarado seus temores pessoais sobre a esperada terceira visita, Paulo assume a postura autoritária de um apóstolo e profere uma severa advertência. Os coríntios podem estar certos de que a verdade será descoberta e revelada. Para sustentar seu ponto, o apóstolo cita uma parte de Deuteronômio 19.15: “Por boca de duas ou três testemunhas, será confirmada toda a palavra”. A que Paulo está se referindo quando menciona as “duas ou três testemunhas” é incerto. Será que teria três indivíduos em mente: a si mesmo, a Timóteo, e Tito – todos três que eram conhecidos em Corinto e que poderiam dar testemunho da verdade? Será que teria em mente a convocação de uma assembleia na presença da igreja (veja 1Co 5.3-5; cf. Mt 18.15-17)?
O mais provável, a luz do versículo 2, é que Paulo veja as testemunhas como suas advertências. Como indicado acima, havia proferido uma advertência (provavelmente através da sua primeira carta) contra “aqueles que dantes pecaram” (cf. 12.21). Lembra então aos coríntios que lhes havia dado outra advertência quando esteve com eles pela segunda vez (isto é, durante a “visita dolorosa”). Agora repete esta advertência pela terceira vez, “estando ausente”. Os coríntios estavam amplamente prevenidos; chegou a hora dos embusteiros apostólicos e seus partidários (“qualquer dos outros”) serem chamados a prestar contas. Estes impostores escarneceram da mansidão de Paulo (10.1), e, de modo incrível, os coríntios não apenas suportaram seu uso abusivo da autoridade (11.20), mas estavam impressionados por isto. Aparentemente identificaram esta exibição exterior de autoridade como prova do apostolado (como prova de que Cristo estava falando através deles). Em termos direitos, Paulo lhes diz que se estiverem procurando este tipo de evidência encontrá-la-ão em sua visita iminente, quando não poupará ninguém. Afinal, o Cristo que fala através de Paulo não é fraco, mas uma força poderosa entre eles (13.3).

Mas o falso critério que os falsos apóstolos e seus seguidores insistem afirmar como sendo o correto para o apostolado, os trai, expondo a ignorância deles a respeito daquilo que é necessário para ser um servo apostólico de Cristo. Além do mais, revela uma falha trágica em sua fé e na compreensão do próprio evangelho. Afinal, foi através da fraqueza da cruz que Deus manifestou seu poder de ressurreição, tornando-o disponível a todo aquele que se identificar com Cristo (v.4). Cristo humilhou-se voluntariamente e assumiu a fraqueza de uma existência humana a fim de obedecer a vontade de Deus, até mesmo a ponto de morrer em uma cruz (Fp 2.8). Paulo escolheu seguir o exemplo de Jesus, que, como um cordeiro levado ao sacrifício (Is 53.7) não executou qualquer tipo de retaliação contra seus opressores, mas confiou em Deus para o vindicar (53.11,12). Mesmo vivendo Cristo agora através do poder da ressurreição, Paulo, embora fraco aos olhos de outros homens, vive pelo Espírito (2 Co 3.3,6,8) para servi-lo no poder do Cristo ressuscitado.(extraído do Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. 2ª ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2004).

Reflexão: “A Igreja é “a luz do mundo”, que afasta a ignorância moral; é o “sal da terra”, que o preserva da corrupção moral. A Igreja deve ensinar aos homens como viver bem, e a maneira de se preparar para a morte. Deve proclamar o plano de Deus para regulamentar todas as esferas da vida, da sociedade, deve ela levantar a sua voz de admoestação. Em todos os pontos de perigo colocar uma luz como sinal de perigo.”

(Myer Pearlman)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Nos 70 anos da CPAD...

Quem acompanha este blog sabe: sou totalmente contrário à publicação da Bíblia de Estudo Dake. E quem visita este espaço conhece os motivos. Mas não posso deixar de dizer que a CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) merece muitos parabéns pelos 70 anos completados neste 2010. Essa editora ajudou, e ainda ajuda na minha formação teológica autodidata. Desde novo convertido venho consumindo seus periódicos e livros. Aliás, não há (pelo menos por enquanto) uma editora que eu tenho lido mais.

A despeito do vacilo na publicação da Dake em 2009, fico feliz pelas publicações deste ano. Autores com Mark Dever e Walter C. Kaiser Jr. estão entre as novas obras. Até mesmo Russell Shedd, presidente de honra da editora Vida Nova, estará na CPAD, mas através de DVDs sobre as cartas do Apocalipse. São parcerias assim que os estudantes da Bíblia precisam.

Parabéns à CPAD pelos 70 anos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Os pregadores e viagem da paz do presidente Lula

O nosso presidente lembra muitos pregadores evangélicos: ambos se veem como a encarnação de um novo messias, além das tendências megalomaníacas, ou seja, se acham além daquilo que realmente são. Lula acha que pode levar a paz para o Oriente Médio, e os muitos pregadores evangélicos acham que são paipóstolos. Quem bebeu primeiro?

Rápida meditação: Sendo criança, não sendo criança

Irmãos, não pensem como crianças. Sejam como crianças para o que é mau, mas sejam adultos no seu modo de pensar. (I Co 14.20 NTHL)

Nós, os cristãos, precisamos desenvolver maturidade, bom senso e, digamos, vergonha na cara. Não dá para viver como uma criança que precisa ser repreendida por tudo, que não sabe distinguir a mão direita da esquerda. Há inúmeros crentes que nada fazem sem pedir a opinião alheia, pois são incapazes de tomar e assumir uma posição. Isso é demostração de fraqueza, de meninice. Precisamos crescer.

terça-feira, 23 de março de 2010

Inferno

Leia algumas declarações interessantes sobre o inferno proclamadas pelos maiores escritores e teólogos anglicanos do século XX. As frases foram publicadas na última edição da revista Ultimato.

N. T. Wright
No final, os perversos não escaparão, pois estão em terreno instável e acabam arruinados de uma hora para outra.

C. S. Lewis
Não existe doutrina no cristianismo que eu mais adoraria ver extinta do que a detestável doutrina do inferno. Porém, ela tem o pleno apoio das Escrituras e, especialmente, das palavras do Nosso Senhor. Ela sempre foi sustentada pela cristandade e está fundada na razão.

No fim das coisas, só existem dois tipos de pessoas: as que dizem a Deus: “Seja feita a tua vontade”, e aquelas a quem Deus diz: “A ‘sua’ vontade seja feita”. Todos os que estão no inferno, escolheram estar. Sem essa possibilidade de escolha, não poderia haver inferno.

J. I. Packer
A ira é um dos atributos de Deus, mas não pregamos sobre ela no púlpito, no rádio e na televisão. O tema se tornou tabu em nossa sociedade e, de modo geral, os cristãos aceitaram este tabu.

Ao contrário do que muitos acreditam, o tema do julgamento divino não é colocado em segundo plano quando passamos do Antigo Testamento para o Novo. Na verdade, todo o Novo Testamento é dominado pela certeza de que chegará o dia do julgamento universal e pelo problema que isto desperta.

Vivemos sob os olhos de Jesus, ele conhece os nossos segredos e, no dia do julgamento, toda a nossa vida passada será apresentada diante dele e trazida à luz.

John Stott
Devemos saber de forma evidente e clara que o inferno é uma realidade terrível e eterna. Não é dogmatismo ver certa inconveniência em falar a respeito da realidade do inferno; é volubilidade e frivolidade. Como podemos pensar no inferno sem lágrimas

domingo, 21 de março de 2010

Chega de tanta oportunidade!

Vamos ouvir o Pedro cantar um hino. Agora vamos ouvir a Maria contar um testemunho. Agora vamos ouvir o João orar pela construção do templo. Agora vamos ouvir o Tiago cantando mais um hino. Agora vamos ouvir a Joana cantar um abençoado louvor. Agora vamos ouvir o grupo das crianças. Agora vamos ouvir o grupo dos adolescentes. Agora vamos ouvir as senhoras do Círculo de Oração. Agora vamos ouvir a mocidade. Agora vamos ouvir o presbítero Marcos com uma saudação. Agora vamos ouvir o hino da oferta pela irmã Joaquina. Agora vamos ouvir a poderosa e suprema Palavra de Deus pelo irmão Lucas...

Ufa. Quanta oportunidade. Aliás, o culto pentecostal quebrou com o exclusivismo cúltico de um clero autodenominado. O que foi um ponto positivo. Mas a custo disto encheu os cultos de oportunidades e mais oportunidades. O que é um ponto bem negativo. Quem não recebe fica até magoado. É um “vamos ouvir” sem fim. O culto fica mais como um desfile de pessoas que querem alcançar o microfone. Chega de tanta oportunidade!

Associada a essas oportunidades sem fim é a suposta direção do Espírito Santo. Deus chama na hora quem vai cantar, pregar, orar, contar testemunhos. Nada pode ser planejado. Nisso ouvimos gente que não têm nada para cantar ou pregar. Resumindo: Tempo perdido, “culto” desfocado, desordem e falta completa de edificação. Chega de tanta oportunidade!

Por que não organizar um grupo de pessoas talentosas e dedicadas para o louvor da igreja? Sendo um grupo fixo que se dedicaria exclusivamente para tão importante parte do culto. Por que não montar uma simples tabela dos pregadores do mês? Pessoas que podem se dedicar em oração e estudo da Palavra para aquele fim específico. Por que não organizar algo tão simples?

A organização sem liturgismo engessado é uma bênção. Quando os pentecostais vão entender isso?

sábado, 20 de março de 2010

Quando a megalomania passa de todos os limites

O personalismo, a exaltação humana, a bajulação barata, a megalomania, a falta de bom senso, o coronelismo... Tudo isso e muito mais é observado neste pequeno vídeo de abertura do programa Palavra de Vida. O programa do pastor Samuel Ferreira é visível em toda a sua cadeia pela promoção dos seus mandatários. O pastor Ferreira, que é identificado como “reverendo e doutor”, junto com sua esposa e também com o seu auxiliar Dilmo dos Santos, são frequentemente exaltados com músicas de quinta categoria. Obras e ações sociais são postas em destaque junto aos seus nomes. Chega a ser ridículo.

Veja a abertura do programa neste link:

http://www.youtube.com/watch?v=DMvv96wuhK4

Música em homenagem ao pastor Dilmo dos Santos neste link:

http://www.youtube.com/watch?v=3wvOWOs4MtI

A homenagem ao Dilmo dos Santos tinha como propósito principal apresentá-lo ao eleitorado paulista, já que era um nome designado pelos caciques à câmara dos deputados. A festa acabou quando a justiça eleitoral impugnou a propaganda antecipada.

Ou seja. Milhões são gastos na televisão à toa. Dizem que estão evangelizando pelos meios de comunicação. Ora, certamente o jingle do Dilmo dos Santos converteu milhares! Sim, converteu milhares de votos. Mas alma que é bom...

Como lidar com filosofias competidoras? - John Piper

sexta-feira, 19 de março de 2010

Lição 12 - Visões e Revelações do Senhor

Subsídio Escrito pela Equipe de Educação da CPAD


Leitura Bíblica em Classe

2 Co 12.1-4,7-10,12

Introdução

I. A glória passageira de sua biografia (vv.11-33)

II. A glória das revelações e visões espirituais (12.1-4)

III. A glória dos sofrimentos por causa de Cristo (12.7-10)


Conclusão


Tema do Subsídio

Perspectivas bíblicas e teológicas para o problema do sofrimento

A Bíblia Sagrada, Palavra de Deus, declara que o sofrimento humano é consequência da queda de Adão. A representação humana, por Adão, no jardim do Éden, trouxe a condenação a todos os homens. Esse ato não surgiu da volição de Deus, mas da vontade humana.
Na Escritura Sacra a questão não é
“Se Deus é Justo?”, mas “como podemos (nós os humanos) justificarmos?” A queda foi resultado da rebelião de Adão. O pecado fez o homem cair, denotando as catástrofes de natureza cosmológica (Rm 8.20,22). Logo a natureza do sofrimento humano precisa ser vista sobre o ponto de vista bíblico antropológico, ou seja, as consequências das ações do homem.

O servo sofredor e a expiação de Cristo


O Evangelho de Cristo é integral, tanto corresponde a esfera material (corpo) quanto a esfera imaterial (alma/espírito). Em Isaías 53, é estabelecido o sofrimento do Servo Sofredor como pressuposto para a cura divina na expiação. O evangelista Mateus afirma exatamente o caráter curador físico da expiação. Isso é totalmente relevante porque os ensinos bíblicos da salvação e a natureza humana acham-se interligados, já que o ser humano não é uma associação desorganizada de corpo, alma e espírito. O ser humano é uma unidade e a salvação se aplica a todas as facetas da existência humana.
“O Evangelho inteiro para a pessoa inteira” é um tema genuinamente bíblico que precisa ser reiterado a cada dia.

Reflexão:


“Se a raça humana foi criada por Deus para desfrutar integralmente de tudo, e esta era mesmo a sua intenção é razoável deduzir pelas evidências bíblicas que a cura (pelo menos num sentido limitado) faz parte da obra salvífica de Deus
em Cristo.”

HORTON
, Stanley M., Ed. Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro, CPAD, 1996, p. 512.

Problemas Doutrinários sobre o sofrimento e o caráter limitado da restauração humana


A concepção triunfalista da extinção do sofrimento não é amparada pelos pressupostos bíblicos. O desejo de Deus é abençoar a sua criação e jamais amaldiçoá-la (Gn 12.3; Tg 1.17), porém, isso não significa que no tempo presente estamos livres de todo e qualquer tipo de sofrimento.
A conhecida fórmula da fé, baseada nas confissões humanas, tem sido o maior empecilho para compreender e viver de fato as benesses do Evangelho genuíno. Há vários problemas relacionados a esse movimento da fórmula da fé. Para eles é vergonhoso o crente está enfermo, porque há promessa da libertação total do sofrimento físico, riquezas e glórias são o que esperam os crentes. A confissão positiva mascara a realidade óbvia da vida, ou seja, o estabelecimento de um novo pensamento que nega a realidade do mundo físico é uma fuga da realidade.
Todos esses pressupostos são contraditórios aos ensinos das Escrituras. O apóstolo Paulo se refere aos sofrimentos da vida (físicos) que serão completamente removidos na redenção futura desse corpo físico, quando então os crentes a semelhança do Cristo ressuscitado terão seus corpos transformados. Em Romanos 8.18-27 fica explícita a condição presente da vida humana, totalmente envolvida em aflição e gemidos, denotando o caráter limitado da restauração humana no tempo presente, ou seja, a completa restauração do homem ainda estar por vir (Rm 8.18; 1 Co 15.42-47,50-55; 1 Jo 3.2).

Reflexão:


“O erro da teologia da fé é atribuir à cura divina [ou ausência de sofrimento] poderes que somente irão se manifestar nos fins dos tempos” (
HORTON, Stanley M., Ed. Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro, CPAD, 1996, p. 527).

Paulo e o sofrimento


“Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.19b,20).

Para os cristãos judeus a autoridade apostólica era sinônimo de transportações de experiências espirituais portentosas. Paulo, porém, afirma que estas experiências não são evidência de autoridade apostólica e nem são de proveito para a congregação. Evidentemente, Paulo não nega o valor do dom de revelação dado pelo Espírito Santo (1Co 14.6,26,30), mas ele está lhe dando com os argumentos dos falsos apóstolos e em relação ao apostolado ele afirma que não está abaixo de ninguém, porque a experiência dada pelo Espírito Santo foi tão portentosa que para ele não se envaidecer, como os falsos apóstolos, foi-lhe dado um espinho na carne. A humildade de Paulo é tão clara, que ele narra o acontecimento na terceira pessoa, sendo honesto com a natureza da experiência, ou seja, ele não sabia se a visão fora dada dentro ou fora do corpo, “Deus o sabe” (v.3).
Fraqueza, limitações e sofrimentos eram características presentes na vida de Paulo. Não há certeza o que era o espinho na carne de Paulo, mas o Eterno por vontade soberana decretou a Graça consoladora em sua vida dando refrigério e paz. A expiação de Cristo propicia cura mediante a vontade soberana de Deus,
“Paulo, no entanto, não foi curado. Alguns sustentam que Deus responderá a qualquer oração basta que acreditemos. Paulo não carecia de fé, mas não foi curado. Esta e outras passagens do Novo Testamento, como Filipenses 2.25-27, nos lembram que os cristãos podem sofrer em decorrência de uma saúde precária, além de outras dificuldades, sem que isso represente pecado ou falta de fé. Ao permitir os sofrimentos de Paulo, Deus tinha um propósito para sua vida [não se ensoberbecer]. Como é bom estarmos confiantes em duas situações: Quando sofremos, Deus tem em mente uma boa razão. Quando estamos fracos, podemos aguardar até que Deus nos mostre seu poder em, e através de nós”.

RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia, uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro, CPAD, p. 784

Prezado professor, nesta lição enfatize ao seu aluno a importância de reconhecermos que mesmo em meio ao sofrimento podemos ser aprovados por Deus e desfrutar das maiores e mais sublimes experiências espirituais.

Reflexão:


“A garantia de Cristo de que sua graça é suficiente e seu poder se aperfeiçoa na fraqueza nos motiva hoje. Em vez de tentar controlar nosso próprio destino, temos de nos submeter à vontade de Deus. Sempre que nos sentirmos impotentes, [quer física, relacional, financeira ou estruturalmente], podemos dizer: ‘Não se faça a minha vontade, mas a tua’ (Lc 22.42). Então, a medida que obedecemos o Senhor ativamente, poderemos reivindicar sua suficiente graça e experimentar seu poder, que ‘se aperfeiçoa na fraqueza’”
.

HORTON, Stanley M.
I & II Coríntios, os problemas da Igreja e suas soluções. Rio de Janeiro, CPAD, p. 248

Referência Bibliográfica


HORTON, Stanley M., Ed.
Teologia Sistemática, Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro, CPAD, 1996.
RICHARDS, Lawrence O.
Guia do Leitor Bíblico, uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro, CPAD, 2005.
HORTON, Stanley M.
I & II Coríntios, os problemas da Igreja e sua soluções. Rio de Janeiro, CPAD, 2003
.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Fé, Radicalismo e Perda da Memória


Caros leitores,

Eis uma ótima oportunidade para conhecer melhor a Congregação Cristã do Brasil. A história da primeira igreja pentecostal no Brasil é riquíssima e muito interessante. Nos encontramos por lá, pois são eventos assim que vale a pena assistir.



quarta-feira, 17 de março de 2010

A espiritualidade e “A Transparência da Vida Cristã”

O assunto “espiritualidade” é febre hoje em dia. Os evangélicos correm para autores como Brennan Manning, Henry Nouwen e Anselm Grün, sendo todos católicos romanos. Longe de insinuar que nada temos a aprender com eles, quero somente contentar o fato que transparece no nosso meio: Pela forma como esses autores são consumidos, até parece que não temos muitos e bons escritos sobre espiritualidade.

No mundo evangélico certamente o anglicano James Ian Packer é o autor do grande clássico sobre o tema. O livro
Conhecimento de Deus (Mundo Cristão) é marcante dentro desta temática. Outro evangélico relevante é o luterano Dietrich Bonhoeffer, com o livro Discipulado (Sinodal). E como abordagem generalizada do tema, uma boa pedida é a obra Uma Introdução à Espiritualidade Cristã (Editora Vida), do anglicano Alister McGrafh.

Entre os brasileiros, quero neste post recomendar o livro A Transparência da Vida Cristã (CPAD), do pastor e amigo Geremias do Couto. Uma boa dica para quem está estudando o Sermão do Monte e temas como caráter cristão, sexualidade, testemunho, felicidade, ou seja, a espiritualidade de maneira geral. A editora descreve este livro assim:

Em cada capítulo, belas e poéticas descrições do ambiente daquela época nos sugerem como foram os momentos da pregação de Jesus às margens do mar da Galiléia, seguidas por aprofundados estudos sobre seus ensinos, suas simbologias, significados e ilustrações aplicados à nossa vida.

Eis aí algumas dicas. E que avancemos na espiritualidade.

Dietrich Bonhoeffer ainda fala!

O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), vítima do cruel nazismo de Hitler por ajudar judeus, escreveu como poucos. A sua mais marcante obra certamente é Discipulado, que se constitui em um ótimo livro teológico-devocional. Neste livro Bonhoeffer escreve sobre a graça barata e a graça preciosa, explicando as diferenças e suas implicações. Em um trecho ele comenta as distorções sobre a graça:

A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina comunitária, é a Ceia do Senhor sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado (…) Então tenho nela, antecipadamente, a justificação dos pecados que cometer durante minha vida no mundo. Posso agora pecar apostando nessa graça, pois o mundo está, em princípio, justificada por ela. Permaneço, por isso, em minha existência de cidadania mundana com até agora, tudo fica com antes, e posso viver na certeza que a graça de Deus me encobre. O mundo inteiro tornou-se “cristão” à sombra dessa graça, mas o cristianismo mundanizou-se sob essa graça como nunca. [1]

Precisa comentar alguma coisa? Certamente não. Fato é que hoje estamos mergulhados em pregações, livros e palestras que exaltam a graça. Mas será a graça barata ou preciosa? Eis a questão! Como em tudo precisamos de discernimento, pois não podemos tentar justificar nossas fraquezas com a riqueza de Deus. Bonhoeffer era bem consciente de que só se exerce o cristianismo no meio do mundo, mas se distinguindo dele.

Referência Bibliográfica:

[1] BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. 10 ed. São Leopoldo: Editora Sinodal, 2008. p 10 e 15.

terça-feira, 16 de março de 2010

A Ele a Glória

Ouça a linda música "A Ele a Glória". Baseada no louvor paulino escrito em Romanos, a letra expressa uma bela oração a Deus de forma universalizada.


segunda-feira, 15 de março de 2010

Blogueiros assembleianos lançam selo pela unidade no Centenário


Um grupo de blogueiros assembleianos aderiu à campanha pela unidade nas comemorações do Centenário das Assembleias de Deus. O pastor Carlos Roberto, em recente encontro com o responsável por coordenar tais atividades, mencionou o tema e algumas semanas depois o pastor Geremias do Couto o trouxe para o blog com a postagem: Centenário da AD no Brasil: de que lado você está? Logo o irmão Luís, do blog evangelização, sugeriu que se criasse um selo para fomentar a ideia, que foi imediatamente encampada por outros colegas.

Alguns dias depois o irmão Elian Soares, do blog Evangelismo e Louvor, preparou o primeiro rascunho, o qual, depois de receber diversas sugestões, entre as quais a do companheiro Robson Silva, resultou no selo que acabamos de publicar em nossos blogs como uma das ferramentas para alavancar a campanha em favor de uma comemoração unida de todos os assembleianos, no ano do Centenário, incluindo CGADB, CONAMAD e a igreja-mãe, em Belém, PA.

O selo teve como idéia tornar a logomarca oficial do Centenário um quebra-cabeça, onde cada peça representa um ministério, visto que a nossa igreja forma esse grande mosaico com diferentes ministérios e convenções. As quatro mãos que montam o quebra-cabeça significam que a unidade em torno das comemorações do Centenário depende da boa vontade dos líderes e respectivos ministérios e convenções. Nosso papel é fomentar e ajudar essas mãos a montar o quebra-cabeça. Cremos que com a ajuda de Deus poderemos chegar lá. Mas no mínimo fizemos a nossa parte.

Trata-se de uma campanha sem partidarismos, sem donos e espontânea, que pretende estar acima de qualquer facciosismo, visando um verdadeiro congraçamento que contribua para celebrar a unidade, e para o seu fortalecimento, evitando que ela fique mais esgarçada em razão de comemorações que se prenunciam divididas, e que, desta forma, não representam os verdadeiros anseios do povo assembleiano.

Estes são os blogs que lançam, simultaneamente, a campanha na blogosfera cristã e, sobretudo, assembleiana:

A Supremacia das Escrituras, Marcello Oliveira.
A serviço do Rei Jesus, Ev. Jairo Elin.
Alerta final, Gesiel Costa.
Blog da Adélia Brunelli.
Blog do pastor Robson Aguiar.
Blog do pastor Newton Carpinteiro.
Blog do Marcelo Vieira
Blog da UMADEMA
Blog do pastor Eliel Gaby.
Blog do Ivan Tadeu.
Blog do Pr. Flávio Constantino.
Blog do Pr. José Paulo Porte
Blog do Pr. Levi Agnaldo
Cristianismo Radical, Juber Donizete.
Cristo é a Vida, Pb. Uilton Camilo
Dispensação da Graça Pr Andre Costa
Esboçando a Palavra
E agora, como viveremos?, Valmir Milhomem.
Encontro com a Bíblia, Matias Borba.
Geração Que Lamba, Victor Leonardo Barbosa.
Ide e Anunciai
Manhã com a Bíblia, Geremias do Couto.
Ministério São Paulo, Pr. Brunelli
O pregador, Pb. Juari Barbosa.
O Balido, Judson Canto
Palavra de Mulher, Sarah Virgínia
Philadelfia – Evangelismo e Louvor, Elian Soares.
Plenitude da Graça
Point Rhema, Carlos Roberto Silva.
Profetizando a Palavra, Pb. Uilson Camilo.
Prossigo para o Alvo, Robson de Souza.
Reflexões sobre quase tudo, Daladier Lima.
Teologia Pentecostal, Gutierres Siqueira.
Victória Antenada, Victória Virgínia

Se você deseja ver o povo assembleiano unido nas comemorações do Centenário, una-se conosco. Se você deseja ver as filhas em todo o Brasil ao lado da igreja-mãe comemorando a chegada dos pioneiros Gunnar Vingren e Daniel Berg há 100 anos na cidade de Belém, PA, trazidos pelo Espírito Santo para espalhar o fogo do movimento pentecostal no país, divulgue esta mensagem para outros blogueiros e coloque no seu blog o selo que ora lhe sugerimos.

Seja um fomentador da unidade nas comemorações do Centenário das Assembleias de Deus. Deus pode usar este movimento para aparar arestas, fazer cair por terra vaidades pessoais e cessar toda polarização que hoje tem sido motivo de muita tensão e discórdia entre as nossas lideranças.

Que o Senhor nos ajude.

OBS: O texto é do pastor e amigo Geremias do Couto. Eu apoio integralmente a campanha levantada, pois não podemos viver mais diante de tanta divisão produzida pela vaidade humana. É tempo de unidade, fraternidade e real preocupação com o avanço do Reino de Deus em nossas vidas.

domingo, 14 de março de 2010

Série de ataques contra cristãos no mundo islâmico causa preocupação

Nessa última semana recebemos as notícias da tragédia acontecida na Nigéria, onde mais de 500 cristãos foram brutalmente mortos por radicais islâmicos. Não é de hoje que esses fatos surgem no norte da África, mas pela primeira vez as notícias estão chamando atenção da imprensa ocidental. Leia abaixo a reportagem do jornal espanhol “El País”, com tradução do portal UOL.

Série de ataques contra cristãos no mundo islâmico causa preocupação

Andrea Rizzi
Em Madri (Espanha)

Na última quarta-feira, um bando de cerca de dez atiradores irrompeu no meio da manhã nos escritórios da ONG cristã de ajuda humanitária World Vision em Mansehra, um distrito ao norte de Islamabad, e abriu fogo contra os funcionários que estavam ali. Seis deles morreram, outros sete ficaram feridos. O acontecimento é o episódio mais recente de uma série de atos de violência e perseguição contra cristãos que começaram há alguns meses com uma frequência inquietante em vários lugares do mundo.

No fim de semana passado, o governo marroquino expulsou 26 cristãos do país, a maioria evangélicos, acusados de proselitismo. Ao mesmo tempo, na Nigéria, centenas de cristãos morreram a golpes de pistola e facadas pelas mãos de muçulmanos na explosão mais recente da violência étnico-religiosa crônica que afeta o centro do país africano. Na região de Mosul, no Iraque, pelo menos oito cristãos foram assassinados em diferentes ataques em fevereiro. E quase não restam famílias cristãs em Mosul: todas fugiram. No Egito, oito cristãos coptos morreram a tiros ao sair da missa num domingo de janeiro. Fora do mundo muçulmano, na Índia, também acontecem episódios de violência contra os cristãos. A lista poderia continuar.

Cada uma dessas histórias tem uma motivação específica, com frequência local. O caso nigeriano é particularmente diferente, porque a violência entre grupos é recíproca. Mas em todos os demais há um denominador comum: indícios perturbadores de uma crescente intolerância e, em alguns casos, perseguição. As coisas parecem estar piorando. É o que acredita Angela Wu, diretora internacional do departamento legal do Fundo Becket para a Liberdade Religiosa, com sede em Washington, que defende seguidores de todas as religiões.

“Embora tenha surgido no Oriente Próximo, o cristianismo é visto como um influência estrangeira, ocidental, em muitos lugares do mundo. Isso se deve, em parte, ao legado do colonialismo. Mas agora, a situação foi exacerbada pelas guerra do Iraque e Afeganistão e pelo episódio das caricaturas de Maomé publicadas na Dinamarca. Esta retórica afeta cada vez mais as minorias cristãs”, comentou Wu, numa conversa por telefone desde os EUA.

Em alguns casos, a perseguição é governamental, em outros, a violência é exercida pelos vizinhos. Com frequência, esses dois fatores estão relacionados. Wu destaca que em muitos casos a aplicação cada vez mais rígida de leis contra a blasfêmia e a falta de proteção às minorias acaba desencadeando uma espiral perversa.

“O principal problema com as leis de blasfêmia não é só a sua aplicação por parte dos Estados, mas sim o clima social que elas criam, no qual até mesmo um discurso pacífico é percebido como ilegal. Com frequência, são as pequenas disputas locais que motivam os ataques, mas a blasfêmia se transforma numa desculpa fácil, os rumores se propagam, e a violência irrompe. A impunidade em relação a esses crimes faz o resto”, observa Wu.

No Ocidente, onde o cristianismo e suas instituições são vistos com frequência como parte integrante do sistema de poder, a ideia de minorias cristãs perseguidas pode parecer surpreendente e distante, associada a tempos passados. Entretanto, dos mais de 2 bilhões de fieis que vários estudos atribuem ao cristianismo, pelo menos várias dezenas de milhões – numa estimativa prudente – vivem em situação de opressão ou com severas limitações.

Um recente estudo da ONG cristã Open Doors situava o número ao redor de 100 milhões, a maior parte em países de maioria islâmica. A ONG, entretanto, atribuiu a posição de país mais hostil ao cristianismo à Coreia do Norte, onde acredita-se que milhares de cristãos estejam presos em campos de trabalho forçado.

O sofrimento de muitos cristãos é apenas mais uma faceta da perseguição a que as minorias religiosas em geral são submetidas em muitos países. Um recente estudo do Pew Forum sobre religião e vida pública afirmou que 70% dos 6,8 bilhões de habitantes da terra vivem em países com “restrições notáveis” à liberdade religiosa. Casos de discriminação, e até de perseguição, não faltam até mesmo nos países nos quais as liberdades civis estão mais arraigadas.

Tradução: Eloise De Vylder

sábado, 13 de março de 2010

Fidelidade denominacional

Sou assembleiano desde que nasci de novo. Sinto-me feliz por fazer parte de uma denominação quase centenária, e que muito fez pela evangelização deste país. Agora, algo que não posso aceitar é a fidelidade cega que muitos exercem pela denominação, e acabam esquecendo até das Escrituras. Tal fato não acontece somente nas Assembleias de Deus, mas também conheço muito presbiteriano, batista e outros evangélicos que sofrem deste mal.

A doutrina da minha igreja é perfeita? O modelo de governo é consistente? A forma de liderança é adequada? As tradições são realistas? O
modus operanti é bíblico? Os costumes são baseados em princípios? O papel político é ético? O louvor tem cabimento? A preocupação central é ser uma comunidade cristocêntrica? E assim continuo com algumas perguntas.

Aliás, ninguém deveria se conformar com o local onde congrega sem fazer essas perguntas. Quando as faço, me livro do ufanismo idiota e do exclusivismo, pois vejo que longe ela está da perfeição. Não fico por aí proclamando que congrego no melhor lugar do mundo, e nem que os outros lugares são piores. Quando faço tais perguntas faço uma auto-crítica e uma auto-análise. A minha apologética começa em casa. Assim, não esqueço das palavras do Senhor: “Por que é que você vê o cisco que está no olho do seu irmão e não repara na trave de madeira que está no seu próprio olho?” (Mt 7. 3 NTLH).

Portanto, o nosso compromisso é com a Palavra, é com o Senhor; não com homens e suas denominações. Não que o modelo denominacional seja ruim, muito pelo contrário, pois o mesmo evita o centralismo papista. Mas mesmo assim é modelo humano, cheio de falhas e defeitos que não podem ser ignorados. E no cerne do denominacionalismo está o princípio de protestar contra a estrutura vigente.

Sim, eu sei que existem rebeldes sem causa, que existem baderneiros. Eu sei que existem anarquistas que não se submetem à lideranças autênticas. Sim, eu sei de todos esses cenários. Mas nada disso é justificativa para a idolatria que muitos têm pela sua igreja. Pessoas incapazes que apontar o erro, pois estão comprometidas com a estrutura. São conformistas. E os conformistas não combinam com o Evangelho. Protestantismo é liberdade para pensar conforme as Escrituras.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Lição 11 - Características de um autêntico líder

Subsídio Escrito pela Equipe de Educação da CPAD

Leitura Bíblica em Classe
2 Co 10.12-16; 11.2,3,5,6

Introdução
I. Os Desafios do apostolado paulino (10.9-18)
II. As marcas de um verdadeiro líder
III. Paulo, um líder segundo a vontade de Deus

Conclusão

Tema do Subsídio

Exemplos de caráter nas esferas pessoal e ministerial de um líder cristão

Exemplo é aquilo que deve ser imitado ou copiado. É uma ação visível que estabelece paradigmas. Em relação à obra de Deus, há paradigmas que precisam ser estabelecidos a partir de exemplos que falam por si mesmo. Na lição deste domingo, enfatize os exemplos que se esperam de líderes nas seguintes esferas: Pessoal e Ministerial.

Exemplo pessoal

Hoje o tema caráter tem sido enfatizado de maneira negativa. A mídia divulga centenas de péssimos exemplos, criando a falsa sensação de que não existe mais caráter ilibado. No senso comum, o caráter expressa a integridade pessoal, a firmeza de atitudes, as qualidades, o modo de ser e outros adjetivos. Entretanto, esse mesmo senso comum preocupa-se com a sensação da ausência de caráter dos líderes políticos, empresariais, profissionais e religiosos. A falha no caráter de desses líderes, divulgados abertamente pela mídia, tem sido motivo de grande ceticismo sobre todos os que exercem o papel de liderança.

O apóstolo Paulo sabia que suas ações poderiam influenciar tanto no aspecto positivo quanto no aspecto negativo. O apóstolo dos gentios tinha a ciência que qualquer falha de caráter poria em cheque o seu apostolado. Uma das tentações no exercício da liderança é a Soberba. Contra ela Paulo afirma que “estão sem entendimento” (v. 12) os que louvam a si mesmo, medem a si mesmo e se comparam a si mesmo. O exemplo paulino denota que o conhecimento e a eloquência longe da obediência de Cristo (2 Co 10.5) corrompe o caráter , este uma vez corrompido, nunca mais será recuperado. Na perspectiva cristã o bom caráter chega a ser mais importante que bens materiais (Pv 22.1 ) e a ordenança de Cristo é que onde estivermos, sejamos autênticos servos de Deus para gozarmos de suas bênçãos (Mt 25.23). O exemplo pessoal de quem está exercendo a liderança, manifestará a sua integridade ou denunciará a sua corruptibilidade.

Reflexão:“O caráter nunca é comprovado por uma declaração escrita ou oral de convicções. É demonstrado pelo modo como vivemos, pelo comportamento, pelas escolhas e decisões. Caráter é a virtude vivida” (Manual do Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais. Rio de Janeiro, CPAD, p. 115.)

EXEMPLO MINISTERIAL

Os termos Ministro ou Ministério empregados no contexto original do AT e NT, deixam patentes que estes envolvem mais funções de serviços, que privilégios. No AT a palavra mais comum para Ministro é mesharet, a expressão pode indicar aquele que assiste uma pessoa de alta posição. Os exemplos de relação ministerial no serviço do AT podem ser encontrados em: Josué e Moisés (Êx 24.13), Elias e Eliseu (1Rs 19.21), os oficiais reais (1Rs 10.5; 2Cr 22.8), os anjos de Deus (Sl 104.4) e a ministração dos sacerdotes no Templo (Dt 10.8; Ed 8.17; Is 61.6;).

No NT há três palavras referentes aos termos analisados, Leitourgos, se refere ao emprego público, ou seja, o cidadão que presta serviço para o Estado; Hyperetes, é um termo grego composto que significa trabalhador de navio de transportação de escravo; E diakonos, é usado para aqueles que servem as mesas. É o termo diakonos que aparece no NT na ênfase de submissão do serviço cristão (Mt 20.26; Mc 10.43). Os apóstolos são chamados de Ministros de Deus (2Co 6.4), de Cristo (Cl 1.7) do Evangelho (Ef 3.6,7) e da Igreja (Cl 1. 24,25). É neste contexto que o apóstolo Paulo dá o seu exemplo ministerial. O apóstolo que fundou várias igrejas, discipulou pessoas, formou líderes e era respeitado pelos demais apóstolos da igreja de Jerusalém. Esse exemplo denota que o verdadeiro líder ministerial é o que serve a igreja, que respeita os seus liderados e que entende a sua missão como um verdadeiro despenseiro de Cristo. O amor, o zelo e o cuidado são características que denota o verdadeiro líder cristão. Definitivamente o exemplo paulino de ministério afirma que o verdadeiro líder não tem privilégios, mas tem privilegiados.

Prezado professor, procure enfatizar a importância de todo o corpo de Cristo (líderes e liderados) cultivar uma vida piedosa com frutos manifestos no seu caráter, onde sua pessoalidade seja integralmente exposta em seu ministério. Ensine que somos chamados por Deus para sermos exemplo de vida pessoal e ministerial.

Extraído de:

Manual do Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais. Rio de Janeiro, CPAD.
Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro, CPAD

quarta-feira, 10 de março de 2010

Que a ideologia não distorça a nossa visão

Leia o artigo do bispo Robinson Cavalcanti. Comento no final e já destaco alguns trechos em negrito.

O Presidente Lula e as Duas Cubas

Sou de um tempo em que a expressão “Cuba Libre” se referia a uma dose de rum com coca-cola, e se ouvia a “Guatanamera”. Cuba era uma ex-colônia espanhola, ex-colônia norte-americana governada por um ditador corrupto chamado Fulgencio Batista, um quintal dos Estados Unidos, funcionando como bordel de fim de semana para os endinheirados do Tio Sam, e com a sua população vivendo na miséria típica e as elites nos privilégios típicos da América Latina. Veio a Revolução, e toda a minha geração vibrou. Vimos que a primeira visita de Fidel Castro foi aos Estados Unidos, falando no Clube de Imprensa em Nova Iorque, pedindo apoio para implantar uma social-democracia, reformista e nacionalista. Recebeu, como resposta, um coice, pois ali os interesses nacionais são os interesses das empresas nacionais, e uma transformação como a proposta por Castro seria um mau exemplo para o continente, que, pouco depois, viria sofrer, por décadas, o ciclo de ditaduras militares, com o apoio do norte.

Em dois anos Castro foi empurrado para os braços da União Soviética, houve a frustrada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, a Cia tentou assassiná-lo várias vezes, decretou-se o embargo econômico, onde o mais prejudicado foi o povo. O regime universalizou a educação e a saúde, devolveu o orgulho nacional, mobilizou a população em ações cívicas, mas, por fatores externos e internos, adotou o modelo soviético, com severas restrições aos direitos civis e às liberdades públicas. Hoje, empobrecida e repressiva, incomoda pela altivez, e demonstra que o embargo foi apenas contraproducente, faltando estadistas de visão larga nos Estados Unidos. Por que não há embargo contra a China? Ela está longe, e é hoje um importante parceiro comercial.

Por um lado, em nossos dias, a democracia é tida como um valor universal, por outro lado, ela ainda é um artigo escasso, diante das muitas ditaduras republicanas (ideológicas ou não) e de umas tantas monarquias absolutas, "amigas" da (Des) Ordem Internacional. A maioria das democracias se encaixa no que os cientistas políticos chamam de “democracias governadas”, onde o povo apenas escolhe periodicamente quem vai mandar nele, e raras são as “democracias governantes”, onde há mecanismos que tornam o povo realmente um sujeito político.

Nesse contexto o Presidente Lula visita Cuba, quando clássicos princípios do Direito Internacional Público, como a autodeterminação dos povos e a não ingerência nos negócios internos de países soberanos, estão cada vez mais arranhados. Talvez em nome desses princípios (e do silêncio sobre o autoritarismo “amigo” por aí a fora), o dirigente brasileiro foi, digamos, diplomático. Creio que nenhum brasileiro gostaria que um presidente estrangeiro em visita ao nosso país denunciasse a tortura contra presos comuns (pobres e pardos) que marcam o cotidiano dos nossos porões, ou apontasse para os grupos de extermínio, financiados se sabe por quem... Mas, creio que o presidente Lula silenciou também porque teria consequências muito maiores se ele também denunciasse as mazelas da “outra Cuba”: Guantánamo.

Não é apenas o absurdo que um pedaço de Cuba seja território norte-americano com suas bases, mas o que ali acontecesse hoje como negação de tudo aquilo que os Estados Unidos sempre pregaram e que o mundo civilizado pretende adotar: o único território sem Lei em todo globo, o único arbítrio absoluto da terra. Quem ali está, em geral sequestrado em outro país, tem a presunção de culpa, não está sujeito nem às Leis norte-americanas, nem às leis cubanas, nem às leis dos seus países de origem, nem às leis internacionais. Classificados pela figura juridicamente inexistente de "inimigos combates" são confessadamente torturados, nem tem acesso a advogados nem julgamento por um tribunal regular, ficarão presos por tempo indeterminado (e bote tempo nisso!), e serão devolvidos quando as autoridades militares dali quiserem para algum lugar do globo.

Junto da Cuba-Guantánamo a Cuba de Fidel é uma amável Suíça. Não estamos aqui defendendo um campeonato, para ver quem viola mais os direitos humanos, mas apenas denunciando as contradições do império e da imprensa-empresa e a hipocrisia de ambos, que muita maria-vai-com-as-outras acaba, papagaiadamente, indo a reboque.

Lula não falou dos males da primeira Cuba porque era forçado a silenciar sobre os males da segunda.

Nós, como cristãos, defensores de princípios e não de interesses, denunciamos os males de ambas!

Paripueira (AL), 04 de março de 2010,
Anno Domini.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano (Leia aqui)

Meu comentário

Nutro um profundo respeito pelo bispo anglicano Robinson Cavalcanti. Conheci pessoalmente em uma palestra aqui em São Paulo e fiquei admirado com a sua simpatia. Sempre leio os seus artigos e também já o entrevistei para este blog (leia aqui). Agora, nada me impede de discordar veementemente de alguns de seus textos. E este é exemplo. O artigo é um exemplo de como uma ideologia política pode cegar uma análise realista.

Cavalcanti erra ao analisar as motivações do presidente Lula. Segundo ele, o presidente se calou diante das violações de direitos humanos em Cuba para não atacar a prisão de Guantánamo. Só mesmo não lendo e ouvindo os discursos do presidente para concluir isto. Lula, quando pode, não esconde o antiamericanismo típico da esquerda latino-americana. O presidente não tem pudor em criticar os Estados Unidos, mas evita ao máximo falar contra as ditaduras do Irã, Venezuela, Sudão, Líbia e Cuba.

Lula nada falou contra as violações dos direitos humanos em Cuba porque simplesmente é condescendente com ditaduras. O presidente em lugar de declarar algo contra o regime pôs a culpa no morto. E ontem, em entrevista para a Associated Press, Lula comparou presos de opinião de Cuba com assassinos, estupradores e assaltantes do Brasil. Hoje o chanceler Celso Amorim, falando dos presos políticos cubanos que fazem greve de fome, colocou a culpa nos Estados Unidos. Nada falou da real luta desses cidadãos: que é a liberdade na ilha caribenha contra a ditadura catrista.

Cavalcanti tenta justificar o injustificável. Fala inclusive que a democracia representativa é inferior do que as propostas de “governo do povo”. Se ele conhece na prática uma democracia plebiscitária que funcione, certamente será o único. Na verdade, governos autoritários usam tal justificativa para subjugar das liberdades individuais. Exemplo claro é a Venezuela de Hugo Chávez.

O bispo anglicano escreve no final que “nós, como cristãos, defensores de princípios e não de interesses, denunciamos os males de ambas”. Mas não se vê isto no artigo. Se critica com timidez o regime cubano e se fala com dura voz contra Guantánamo. Chega inclusive a falar que comparando os dois lados da ilha, Havara seria uma espécie de Suíça. Certamente foi uma frase muito infeliz. É a ideologia cegando a análise.

Um governo que apoia regimes horríveis como o do Irã e Sudão, simplesmente não tem nenhum apreço pela democracia. Não é à toa que recentemente a secretaria de direitos humanos tentou amordaçar a impressa por meio de um projeto. Hoje, a diplomacia do nosso país está contaminada pela ideologia Sul-Sul, que tenta justificar os piores governos deste planeta. Um líder cristão não pode defender essas barbaridades.

Quando li o texto do bispo Cavalcanti, lembrei de um artigo em que o pastor Ricardo Gondim, a quem também nutro um respeito, que escreveu duramente contra os pastores Max Lucado e John MacArthur Jr. (leia aqui). Os dois norte-americanos apoiaram publicamente a guerra no Iraque. Diante dessa apologia, Gondim os criticou duramente, mas não fez (ou faz) o mesmo com Frei Betto, que ajudou a escrever a constituição ditatorial de Cuba. Ou seja, são dois pesos e duas medidas. Longe de ser uma crítica movida por, digamos, um pacifismo cristão, é na verdade pura ideologia.

Seja o cristão esquerdista, centrista ou direitista; seja ele socialista, social-democrata ou liberal; nenhuma ideologia pode cegar a sua crítica pela violência ao próximo. O nosso compromisso é com a verdade, e a verdade costuma contradizer as ideologias humanas.

terça-feira, 9 de março de 2010

O elitismo da teologia

O estudo teológico nasceu muito elitista no cenário brasileiro. Isto é um fato. Exemplo disto são que os melhores seminários da cidade de São Paulo estão nos seus melhores bairros, como Higienópolis, Moema, Vila Mariana etc. As igrejas tradicionais mais ricas contam com pastores que estudaram no exterior, enquanto igrejas periféricas trabalham com obreiros totalmente desprovidos de um conhecimento básico de teologia.


Qual a solução? Como popularizar a teologia sem perder qualidade?


Em primeiro lugar é preciso lembrar as dificuldades:


Qualidade requer o seu preço

Não existe qualidade de graça, tudo tem o seu preço. Bons livros custam caro, pois sua tiragem é resumida. Bons professores custam caro, pois o seu treinamento é constante. Boas universidades custam caro, pois mesmo sendo ela pública, os nossos grandes impostos mantêm.


Então, o que fazer? Simples. As grandes igrejas em lugar de construir catedrais com heliponto, poderiam muito bem investir esse dinheiro em capacitação teológica e missiológica dos seus obreiros.


Conhecimento sem base não existe


É problemático ensinar grego ou hebraico para alguém que mal sabe o português. A qualidade da educação em nosso país é péssima. Entre os países do G20 (grupos das vinte e duas maiores economias do mundo) o Brasil sempre fica na lanterninha. Pego como exemplo a minha própria vida: Aos quatro anos de idade eu já estava sendo alfabetizado em uma boa escola particular, mas aos sete anos entrei no ensino fundamental em escola pública. A diferença era abissal. Desde a educação dos professores, até o mobiliário das salas. Você cresce em meio a garotas e garotas repetentes que não sabem ler e interpretar um simples texto. Além do medo de constante da violência presente em sala de aula. No ensino médio lembro que em nenhum momento se pediu com parte da aula para ler algum clássico da literatura mundial.


No ensino contemporâneo é possível achar um adolescente de oitava série que não sabe quem é o vice-presidente brasileiro. Além disso, não sabem quem foi Nero, Agostinho, Tomás de Aquino, Lutero, Pe. António Vieira, Napoleão, Fiodor Dostoievski, Benito Mussolini, Getúlio Vargas, John Kennedy etc. Mas sabem quem é Beyonce, Madona, RBD, David Beckham e o nome de todos os participantes do último Big Brother Brasil. Assim, o nosso país tem quase todas as crianças na escola, porém com índices vergonhosos de analfabetismo clássico e analfabetismo funcional.


Portanto, é necessário que as igrejas colaborem com a solução deste problema. As escolas dominicais são um dos caminhos. Lutero dizia que se não fosse pastor seria um professor, pois nada era tão importante do que um alemão saber ler e ter a capacidade de entender as Escrituras sem depender de um clérigo. As igrejas na época dos reformadores possuíam sempre uma escola ao lado. Era importante evangelizar ensinando.


É preciso popularizar (ou democratizar), mas sem perder a qualidade. E só não se perde essa qualidade quando se tem uma boa base. Não existem atalhos, é necessário um grande esforço!