domingo, 30 de maio de 2010

Saturação?

Neste ano o emprego está bombando. A economia crescendo como nunca. Os brasileiros consumindo em ritmo acelerado. Agora, os dízimos e as ofertas em muitas igrejas da Assembleia de Deus em São Paulo estão estagnados. É o que ouço de vários pastores reclamando nos púlpitos. O que acontece? Tudo indica sinais de saturação. As pessoas já dão claros sinais de cansaço. Mas cansados do quê?

Cansados do mais e do mesmo. É oferta para viagem de retiros, é oferta para aniversário de pastores, é oferta para reformar o templo, é oferta para construir uma sede megalomaníaca, é oferta para comprar uma lâmpada, é oferta para isso, para aquilo, para aquilo outro... Ou seja, algo insaciável. Lembra até um versículo de Provérbios:

A sanguessuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá. Há três coisas que nunca se fartam, sim, quatro que não dizem: Basta! (30.15 AC)

Não parece, mas há uma racionalidade bem definida na forma como os pentecostais ofertam. Eles querem ver resultado, seja isso bom ou ruim. Quando barganham com Deus, isso é muito ruim. Quando vê a oferta como meio de prosperidade e cura divina, isso é simplesmente antibíblico e péssimo. Agora, quando esperam algo concreto de obras na igreja, isso é bom. Os pentecostais abrem mais a mão para a ofertar quando enxergam mudanças. Exemplos disso não faltam.

Uma igreja destinava tudo o seu dízimo como salário do pastor. Resultado: Para construir um simples templo demorou dois anos, pois tudo era na base da oferta. Esse pastor saiu, e entrou outro. Na reunião de obreiros foi definido que o novo pastor não receberia todo o dízimo como salário, mas receberia uma quantidade X e o restante seria investido na obra. Resultado: O número de dizimistas triplicou. O templo que estava sendo construído em dois anos foi concluído e outros dois templos foram levantados, além de uma grande reforma na sede local, com investimento volumosos em salas para a Escola Dominical. Tudo isso aconteceu no intervalo de um ano e meio após a mudança na gestão do dízimo.

As pessoas pagam mais quando veem mais resultado. É fato. Isso é ruim? É claro que não. Assim demanda mais transparência das igrejas. As pessoas querem pagar e ver que a igreja está sustentando missionários, que há estrutura na Escola Dominical, que o templo tem água para beber, que o som funciona no andamento do culto, etc. Os conformistas com ar de espiritualidade pensam: “Fiz o meu papel e ofertei. O que eles vão fazem com essa oferta é problema deles”. Não é assim, o que a igreja como comunidade faz com o dinheiro de dízimos e ofertas é um problema de todo mundo.

Quando as denominações investirem mais na igreja local, com melhor aparato para a Escola Dominical, por exemplo, verá muita gente que pouco colabora colaborando muito mais. Ah, mas devemos ofertar sem olhar o que fazem com o nosso dinheiro, dizem os espirituais. E eu pergunto: Será?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Lição 09 - Esperando contra a Esperança

SUBSÍDIO ESCRITO PELA EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD

Leitura Bíblica em Classe
Jeremias 30.7-11

Introdução
I. O que é esperança
II. A angústia de Jacó
III. O restabelecimento de Israel


A TEOLOGIA DA SUBSTITUIÇÃO E ISRAEL NO CONTEXTO HISTÓRICO DA BÍBLIA


A profecia bíblica tem uma particularidade em relação ao povo de Israel. Este povo protagoniza a maior parte da profecia, aproximadamente 70% dela. Para fazer este diagnóstico é preciso responder algumas perguntas: A profecia no Antigo Testamento tem como o público alvo quem? Todas as profecias em relação a Israel se cumpriram? Deus prometeu uma terra no Oriente Médio para a Igreja ou Israel? Essa promessa se cumpriu literalmente? Essas questões nos dias hodiernos têm despertado sentimentos opostos em relação à nação de Israel.

A eleição do método de interpretação da Escatologia tem levado à obtenção de informações distintas em relação ao papel que Israel desempenha na profecia bíblica. Ao longo da história da igreja, alguns métodos foram desenvolvidos no compromisso de extraírem do texto bíblico a verdade mais clara e objetiva possível quanto ao esclarecimento do assunto.

No contexto do Terceiro Século da Era Cristã, o período patrístico (desenvolvimento da doutrina pelos pais da igreja), se destacam três grandes escolas catequéticas de interpretação: Alexandria, Antioquia e Ocidental. Porém, a escola catequética de Alexandria destacou-se por desenvolver um método natural de harmonia entre a teologia e a filosofia (neoplatonismo) e desencadeiou um dos principais métodos de interpretação das Escrituras na igreja antiga: o método Alegórico[1]. Ele foi propagado pela escola de Alexandria e representado respectivamente por Filo, Clemente de Alexandria e Orígenes[2] respectivamente. A proposta era que toda a Escritura devia ser interpretada alegoricamente.

O clérigo cristão[3], formado por bispos e sacerdotes romanos influenciados por esse princípio hermenêutico, insistiu que o império tratasse o judaísmo com severidade, porque a perda do estado palestino (destruição de Jerusalém e do Templo no ano 70) era um sinal claro de que Deus rejeitara o povo judeu. É nesse contexto que a Teologia da Substituição ganha força, e a Igreja romana arroga para si o título de o novo “Israel de Deus” e julga Israel como o “povo rebelde que matou Jesus” e fora rejeitado para sempre.

Sobre a Teologia da Substituição, diz Arnold Fruchtenkbaum[4]:

A teologia da substituição entende que o moderno Estado israelense é apenas um acidente na história, sem nenhuma relação com a profecia bíblica. Segundo esta visão, quando Israel rejeitou o messiado de Jesus, Deus rejeitou o povo judeu. Assim, todas as profecias sobre o povo judeu já estariam cumpridas e não haveríamos de esperar nenhuma futura restauração. Deus transferiu para a Igreja todas as promessas de sua aliança com Israel, de modo que todas as promessas ainda não cumpridas serão concretizadas na Igreja. As profecias que falam sobre uma reunião mundial do povo judeu não devem ser entendidas de forma literal. Na verdade, falam sobre Deus reunindo seus eleitos na Igreja até que esta se complete. Os judeus de hoje podem ser salvos em Cristo, mas é necessário que se unam à Igreja. Deus não planejou uma restauração futura do povo de Israel como grupo étnico. Nada do que esteja acontecendo hoje com Israel está relacionado às profecias, e o povo judeu não possui nenhum futuro profético.

As Assembleias de Deus no Brasil adota o método sadio de interpretação, mais conhecido como “Histórico-Gramatical” [5]. Esse método procura interpretar o texto bíblico compreendendo o seu contexto histórico e a semântica das palavras de acordo com as regras gramaticais. O texto bíblico é tratado com literalidade o que é inequivocamente literal e figurativo o que é claramente figurado. Estas regras de interpretação são estabelecidas de acordo com o que convencionalmente é aceito na comunidade internacional, ou seja, a interpretação do texto deve levar em conta o que o autor pensou, quis dizer, disse e o seu contexto vivencial. O método alegórico anula o que o autor disse e o seu contexto, propondo uma interpretação baseada nos pressupostos do intérprete em detrimento do contexto histórico e gramático do texto em análise.
Algumas escolas de interpretação que sofreram influências do Racionalismo, Existencialismo e Iluminismo têm dificuldades em analisar e afirmar a relevância de Israel hoje. O método que mais encarna essa influencia é o Histórico-Crítico, que como muleta tende a “desmitologizar” a Bíblia, fazendo do trabalho crítico (não o que faz a crítica textual) um pressuposto de anulação das Sagradas Escrituras.

Portanto, considerando o método histórico-gramatical, a nação de Israel possui um papel determinante na profecia bíblica. Há no texto bíblico, claros sinais de que Deus tratará com o seu povo, Israel, de forma distinta, objetiva e coletiva como vem acontecendo acerca dos séculos (Diáspora, pogroms dos czares na Rússia, o Holocausto na Alemanha, etc...). Constatar que Deus está no controle da história humana e a conduz com suas bondosas mãos, gera em nós um sentimento de Esperança que só nEle se pode achar.

Profecias sobre Israel:

Arrependimento da Nação – Dt 30.1-5; Is 27.12-13; Ez 39.25-29
Reunião na Terra Prometida – Ez 20.33-38
A nova aliança – Jr 31. 31-34
Reunião sem fé e pela fé – Is 11.11 – 12.6
O começo da grande tribulação – Dn 9.24-27; Is 28. 14-22
O terceiro templo e a abominação da desolação – Dn 9.27; Mt 24.15,16; 2 Ts 2.3,4; Ap 11.1,2.
Ezequiel: Gogue – Ez 38 e 39.

Referência Bibliográfica
LAHAYE, Tim; HINDSON, Ed. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. Rio de Janeiro 1ª. ed. CPAD, 2008.
ALMEIDA, Abraão de. Israel, Gogue e o Anticristo. Rio de Janeiro, CPAD.
BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica fácil e descomplicada. Rio de Janeiro, CPAD, 2003.
BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo, Cultura Cristã, 2008.

[1] Eleição de uma interpretação no sentido figurado em detrimento do sentido literal.
[2] Louis Berkof faz uma síntese sobre a história da interpretação do texto bíblico em sua obra “Princípios de Interpretação Bíblica” da Editora Cultura Cristã, pp.19-22.
[3] Entende-se por Clérigo Cristão a igreja romana que estava casada com o Estado através da figura de Constantino. Agora, a igreja que perseguia passara a perseguir as outras religiões, mas especialmente os judeus.
[4] Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica de Tim Lahaye e Ed Hindson. Rio de Janeiro 1ª. ed. CPAD, 2008, p. 372, 3.
[5] O professor Esdras Bentho faz uma análise minuciosa da evolução e contradições dos métodos de interpretação em sua obra “Hermenêutica Fácil e Descomplicada” nas pp.123-202. E Berkof, em sua obra “Princípios de Interpretação Bíblica”, traça a evolução histórica do método histórico gramatical nas pp.29-34.

Precisamos de didática

"Deus nunca se faz de filósofo diante de uma lavadeira." (C. S. Lewis)

Essa frase de C. S. Lewis já nos diz muita coisa sobre a didática que utilizamos nas pregações. Será que estamos sendo entendidos? Será que nos esforçamos pelo melhor entendimento, ou queremos expressar mera retórica? Eis aí uma reflexão necessária.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Evangélica, Marina não tem apoio da Assembleia de Deus


Leia a notícia abaixo. Comento no final.

Por MARSÍLEA GOMBATA, do Portal Terra (http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4448096-EI15315,00.html)

A Assembleia de Deus, maior igreja pentecostal do Brasil, com 8,4 milhões de fiéis segundo o Censo de 2000, não apoiará a pré-candidata à presidência da República Marina Silva (PV). "O fato de ser evangélica e candidata não é suficiente para a igreja apoiá-la", afirmou o pastor Joel Freire, que trabalha como missionário da Assembleia de Deus nos Estados Unidos. Filho de José Wellington - presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB) e suplente de Orestes Quércia (PMDB) -, Freire ressalta que Marina precisaria de "outros atributos", como ser "conhecida pela comunidade evangélica e provar que poderia ser presidente".

Evangélica desde 1997, Marina Silva é filiada à Assembleia de Deus, que possui uma estrutura complexa. A igreja, cuja origem data da década de 10 em Belém do Pará, é divida em centenas de ministérios. Divergentes entre si, eles mantêm pouca unidade política e ideológica e, provavelmente, não terão o mesmo candidato nessas eleições. Apesar de não revelarem abertamente a escolha, é quase certo que o eleitorado evangélico se dividirá entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), tendendo mais para o tucano.

"As pessoas votam, cada vez mais, a partir da preocupação instrumental, do que dá fruto, do resultado imediato", afirmou Gedeon Alencar, especialista em ciência da religião e presbítero da dissidente Igreja Assembleia de Deus Betesda em São Paulo. Ele observa ainda que será diferente essa eleição: "Os evangélicos vão se dividir. Há duas décadas os evangélicos foram contra Lula, era mais definido".

Para Alencar, ganha apoio quem tem algo a oferecer. "Mesmo Marina tendo uma marca da Assembleia de Deus, no encontro em Santa Catarina (em maio), quem foi convidado para falar foi o Serra", disse. "Marina teria dinheiro para patrocinar? Não tinha. Então se dá ênfase para quem tem dinheiro para financiar", afirma.

Caráter laico

Lideranças do PV em São Paulo acreditam que o fator religião pode ajudar na conquista de mais votos. "Evidente que há uma identificação com os cristãos. Quero crer que isso pode ajudar", disse Maurício Brusadin, presidente do diretório do PV em São Paulo.

Mas é o discurso de tom laico que demonstra, para o cientista político da Unesp, Marco Aurélio Nogueira, o quanto a pré-candidata tenta "driblar e neutralizar" esse ponto.
"A fé é mais um ônus do que um bônus para ela", afirma. Para Nogueira, o fato de Marina ter opiniões de fundo religioso pode afastar um tipo de eleitor "mais racional", que apoiaria a causa do desenvolvimento sustentável. "Hoje, mais atrapalha do que ajuda. Tanto que ela não esta trabalhando esse ponto. A vitória dependerá muito das questões que vai privilegiar na campanha".

Comento:

Quem lê este blog já sabe: Defendo as igrejas evangélicas não deveriam apoiar NENHUM candidato. Mas pelo que vejo, a CGADB, com sua sanha politiqueira, vai acabar apoiando um dos presidenciáveis. Muitos pensaram que a CGADB apoiaria a candidada assembleiana, não é mesmo? Ora, pela primeira vez na história um membro da Assembleia de Deus concorre ao cargo mais alto da República. Mas quem pensou assim estava enganado! Como vocês leram na reportagem, o pastor Joel Freire da Costa, filho do pastor José Wellington Bezerra da Costa, é suplente de Orestes Quércia, do PMDB, que concorrerá ao Senado na chapa do tucano José Serra. A família Costa também tem a vereadora paulistana Marta Costa, do Democratas, que é o um dos partidos aliados de Serra. Ou seja, o critério de escolha da CGADB será a conveniência política da família Costa? Se isso se confirmar, será simplesmente mais um ato vergonhoso.

Simpatizo com José Serra. Acho que é um homem preparado para governar o país neste momento de nossa história. Discordo de algumas de suas ideias, com o intervencionismo no Banco Central, mas é um político articulado e experiente. Agora, sou TOTALMENTE CONTRA um apoio ao Serra por parte da CGADB. Também simpatizo com Marina Silva. Uma política que não se envolveu com nenhum dos grandes escândalos do seu antigo partido, o PT. Respeitada em todo o mundo por sua luta pelo meio ambiente, Marina Silva é equilibrada, mesmo tendo alguns radicais de extrema-esquerda ao seu lado. É articulada e inteligente. Agora, sou TOTALMENTE CONTRA um apoio à Marina Silva por parte da CGADB.

Agora, como a CGADB sempre indica alguém mesmo, não é mais coerente apoiar a presidenciável assembleiana?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Dois fundamentalismos!

Quando alguém está honestamente 55% do tempo certo, isso é muito bom e não faz sentido discordar. Se alguém está 60% certo, isso é maravilhoso, sinal de boa sorte e essa pessoa deve agradecer a Deus. Mas o que deve ser inferido sobre estar 75% certo? Os sábios diriam que é algo suspeito. Bem, que tal 100% certo? Quem quer que diga que está 100% certo é um fanático, um criminoso e o pior tipo de crápula.

Um velho judeu da Galícia [1]


É impossível estar 100% certo de tudo, mas os fundamentalistas protestantes insistem nisso. Eles possuem a escatologia perfeita, a eclesiologia perfeita, a forma de governo perfeita, a hinologia perfeita etc e tal. Quem pensa diferente em pontos mínimos e secundários é carinhosamente chamado de herege. Coitados, estão tão enganados em suas certezas de bronze! Estão tão certos que no dia que seu castelo de cartas desabar, logo tudo desaba ao seu redor.

Agora, chatos também são os fundamentalistas do avesso. Os relativistas de batina. Esses não possuem certeza de nada. São 100% indecisos. Tudo é metafórico, simbólico, verde,
zen e tudo é culpa da “sociedade de consumo”. Citam mais Freud do que qualquer apóstolo em um sermão. Esses fundamentalistas do relativismo não aceitam o pensamento contrário. É a intolerância dos ditos tolerantes. Aliás, são tolerantes enquanto você pensa fora da caixa delimitada por eles.

Fuja desses fundamentalismos. Seja como aquele pai desesperado que, indagado sobre sua fé por Jesus, simplesmente respondeu: “Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade” [2]. Sim, nós cremos, não somos relativistas, mas também estamos em construção, pois são somos absolutos.

Referência Bibliográfica:

[1] MILOSZ, Czeslaw.
Mente Cativa. 1 ed. São Paulo: Novo Século, 2010. p 5.

[2] Marcos 9:24.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Qual Assembleia de Deus os assembleianos desejam?

Nesse centenário que se aproxima precisamos responder uma pergunta: Qual Assembleia de Deus desejamos?

1. Uma politiqueira eclesiástica ou militante da evangelização?
2. Uma legalista com tradições humanas ou que abraça a herança sem irrealismos?
3. Uma baseada em visionários megalomaníacos ou em santos que valorizam a Palavra de Deus?
4. Uma calcada na busca de poder do (sobre) homem ou a busca do poder de Deus?
5. Uma alicerçada na arreia ou na rocha eterna?
6. Uma pregação superficial e sem Bíblia ou uma exposição das Sagradas Escrituras que aquece os corações e mentes?
7. Uma fechada no seu umbigo ou que dialoga com as denominações protestantes sérias?
8. Uma afogada no anti-intelectualismo ou que abraça a boa teologia à serviço do Reino de Deus?
9. Uma ávida por apoiar políticos ou aquela que ensina princípios de cidadania?
10. Uma com homens arrogantes que expõe o seu show ou uma com pessoas equilibradas partilhando os seus dons?

11. Uma com sementes da ganância ou com as sementes do Evangelho que produz em boa terra?

domingo, 23 de maio de 2010

Teoria da conspiração: Garantia de audiência no mundo evangélico

O polêmico e irreverente jornalista Paulo Francis reclamava do “folclore habitual que persegue a fama no Brasil”, ou seja, “todo famoso é provavelmente corno, ladrão ou bicha”[1]. O mundo evangélico também tem o seu folclore, ou seja, todo famoso é provavelmente um adepto do satanismo. Quem nunca ouviu o testemunho de algum ex-bruxo que tenha feito centenas de pactos diabólicos com artistas brasileiros? Quem nunca leu um texto informado que detalha a ligação de famosos com o mais baixo ocultismo? Pois bem, teorias da conspiração fazem um tremendo sucesso no dia a dia dos evangélicos.

É provável que algumas dessas histórias sejam verdadeiras. Agora o meu ceticismo natural tente a desconfiar dessa proliferação de testemunhos proclamados por itinerantes que andam por aí, de igreja em igreja, tirando ofertas. Mesmo que todas essas histórias fossem verídicas, pergunto: E daí? O satanista, assim como um religioso cristão não convertido, precisa de Jesus da mesma forma. Por acaso a necessidade de conversão é diferente? Por que tomar o tempo do culto com histórias de artistas que foram em um terreiro pedir sucesso e fama? É melhor ganhar esse tempo ensinando os crentes a orarem e evangelizarem os adeptos de qualquer religião que ainda não conhecem Jesus, mesmo sendo ele evangélico.

Embalagens diabólicas

Quando eu estudava ainda o ensino fundamental, certo dia uma colega de escola chegou na quadra de esportes com uma embalagem de Coca-Cola, e ela então dizia: “Olha pessoal, virem a embalagem contra o sol e vocês verão a imagem de um demônio!”. Eu logo virei a imagem contra a luz e não vi nenhum demônio, mas somente a foto virada do Papai-Noel, pois o rótulo era um especial de Natal. Tudo não passava de mais uma teoria conspiratória.

O pior que em muitas igrejas, no horário do culto, ensinaram para os crentes que a Maionese Hellmann's era diabólica, pois o prefixo “Hell” significa “inferno”. Essa só não é piada porque é sem graça. Ora, Hellmann´s é nada mais, nada menos do que um sobrenome alemão. E ainda neste espaço poderia citar inúmeros exemplos ridículos de teorias da conspiração, mensagens subliminares e outras bobagens.

Conselho

Caro pastor e pregador, em lugar de perder tempo com mentiras e fofocas da internet, ensine sua igreja mediante um aprendizado claro e edificante das Sagradas Escrituras. Não há tempo a perder, pois a noite vem. E tome cuidado com esses itinerantes.

Referência Bibliográfica:

[1] NOGUEIRA, Paulo Eduardo.
Paulo Francis: Polemista Profissional. 1 ed. São Paulo: Imprensa Oficial, 2010. p 29.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Lição 8- O poder da verdadeira profecia (Parte 02)

Alguns dos textos escritos por mim para o Blog Teologia Pentecostal.

Vejam os links:

http://teologiapentecostal.blogspot.com/2008/03/reflexes-sobre-o-exerccio-da-profecia.html

http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/05/como-identificar-os-falsos.html

http://teologiapentecostal.blogspot.com/2009/04/as-profecias-sao-para-os-cultos.html

http://teologiapentecostal.blogspot.com/2007/07/como-julgar-uma-profecia.html

http://teologiapentecostal.blogspot.com/2009/09/morris-cerullo-profetizou-grande-crise.html

http://teologiapentecostal.blogspot.com/2009/07/profecias-obvias.html

Lição 08 - O Poder da Verdadeira Profecia

SUBSÍDIO ESCRITO PELA EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD

Leitura Bíblica em Classe
Jeremias 28.5-12,16,17


Introdução
I. O que é o profeta
II. O falso profeta Hananias entra em cena
III. Cuidado com os falsos profetas
Conclusão

O PROFETA E SUA FUNÇÃO

“O profeta e a teocracia. A afirmação de que existia uma grande separação entre o sacerdote e o profeta, era praticamente um axioma[1] da escola superior de crítica de Wellhausen. O sacerdote era o representante formal e oficial da religião, enquanto já o profeta fora chamado para um tipo mais espiritual de religião. Estabeleceu-se uma reação contra essa falsa disjunção[2], e atualmente os estudiosos afirmam que a ênfase ao sacerdote e ao profeta não era necessariamente antagônica. Na verdade, existiam alguns (por exemplo, A. R. Johnson) que até mencionavam profetas ligados a seitas, afirmando que o profeta era, muitas vezes, um empregado da seita de que fazia parte.


Do ponto de vista bíblico-teológico, podemos dizer que o profeta era um guardião da teocracia [grifo nosso]. De acordo com o costume da época, ele realmente tinha acesso à presença dos reis. Quando os reis teocráticos precisavam de algum encorajamento ou censura, o profeta estava sempre presente para oferecer ajuda (Is 7.3ss.; 37.5-7; 21.35). Era seu dever mostrar o curso de ação que Deus desejava que a nação adotasse [grifo nosso]. Portanto, os profetas não eram simples figuras políticas, mas pronunciavam-se sobre questões políticas, porque elas poderiam influir no futuro curso da teocracia.

Profetas falsos e verdadeiros. Era de se esperar que a verdadeira profecia sofresse a oposição dos imitadores (Dt 13.1-5). Alguns homens falavam em nome de outros deuses, mas alguns falavam falsamente em nome de Jeová. Um exemplo notável desses últimos foi Hananias, que falsamente profetizou a respeito do exílio (Jr 28).

Para distinguir o verdadeiro profeta do falso que declarava falar em nome de Deus, havia o teste do cumprimento da profecia: seu cumprimento versus seu não-cumprimento (Dt 18.20-22; cf. Jr 28). No caso daqueles profetas que prenunciavam eventos em um futuro tão distante que não poderiam ser avaliados pelo teste do cumprimento, eles eram julgados pela sua doutrina, além de quaisquer eventos que pudessem ocorrer durante sua vida (cf. Jr 25.12; Dn 19.37).
Às vezes, os falsos profetas eram apenas homens enganados (Lm 2.14; Ez 13.2-7), mas, em sua maioria, eram homens embriagados cuja principal preocupação era o dinheiro e os ganhos que poderiam auferir [grifo nosso] (por exemplo, Is 28.7; Dn 19.37).” (Texto extraído do Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro, CPAD, p. 1608, 09).

Reflexão: “Não são os falsos profetas adivinhadores que leem a palma da mão, cartas de tarô ou falam segundo as estrelas os que entristecem profundamente aqueles que anseiam por ver a Deus glorificado. Na verdade, são aqueles que ministram em nome de Jesus nas nossas igrejas e conferências, os que partem o coração dos justos. Eles se entristecem porque, embora o ministério seja apresentado no nome de Jesus, não é desempenhado pelo seu Espírito.”
(John Bevere)


[1] É uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria, ou seja, é uma verdade evidente por si mesma (máxima, sentença).

[2] Separação, desunião, divisão.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Oração que é ou não é!

A oração não é:

- Fazer cara de piedoso.
- Gritar como um fanático futebolista no estádio.
- Falar com retórica de político em campanha.
- Fazer cara de quem comeu algo azedo.
- Ser um espetáculo em pessoa.

A oração é:

- Falar com Deus.
- Derramar em sinceridade todas as necessidades.
- Dialogar como quem fala como um amigo, logo porque Deus é o nosso amigo.
- Ser simples e discreto.

É isso.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Os pentecostais da teologia iluminista

“A Bíblia não é a Palavra de Deus, mas somente a contém”. Ouvi essa frase nesta semana. Quem pronunciou não foi um jovem seminarista de uma igreja tradicional que arrota arrogância das “descobertas” que faz. Também não foi um estudioso dos ensinos do teólogo alemão Rudolf Karl Bultmann que afirmou isso. Ah sim, muito menos foi um desses blogueiros que “pensam fora da caixa”. Na verdade ouvi essa frase de uma senhora assembleiana. Sim, uma típica senhora que é membro da Assembleia de Deus e que resolveu entrar em um curso de teologia de nível básico.

Quando a ouvi simplesmente fiquei espantado. No final da aula perguntei para essa senhora onde ela havia aprendido tais conceitos. Ela explicou que aprendeu com um professor que “mexe com a mente” de todos os alunos com ideias novas. Ela se mostrou totalmente convencida da tese.

Ou seja, a teologia que comumente chamamos de liberal está chegando com força no meio pentecostal. Conceitos como “desmitolização” são aceitas como novos dogmas. E assim avançamos de um período anti-intelectual para o intelectualismo iluminista. Pessoas sem nenhuma intimidade com a teologia já recebem doses da teologia moderna.

É um novo dogma

Não estou propondo que seminaristas pentecostais não conheçam os teólogos heterodoxos. Sim, devem conhecer. Mas essa senhora me mostra que tais conceitos são passados com “A Verdade”. Esses professores estão catequizando alunos na cartilha da ateologia. Sim, ateologia mesmo. É uma antiteologia. Uma desconstrução de conceitos básicos para definir a fé cristã. Alguns ditos cristãos que são influenciados por essa teologia moderna mais parecem um budista mal resolvido.

O povo pentecostal contemporâneo já não tem intimidade com a Bíblia, agora imagine pensando dessa forma. A tragédia se desenha a cada dia.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Entre a novidade e a tradição




Mark Driscoll é um jovem pastor e cofundador da Mars Hill Church em Seattle, Washington. Como vocês podem ver no vídeo acima, o estilo dele é bem diferente dos tradicionais líderes religiosos protestantes. O mais admirável em Driscoll é a sua capacidade de inovar sem esquecer dos princípios bíblicos elementares. Ou seja, ele aprendeu a fazer o equilíbrio entre o novo e a tradição.

Bom seria se tivéssemos o mesmo senso. Alguns abraçam a inovação com tanta forma que perdem sua identidade e apreço doutrinário. Outros se apegam a “tradição dos seus pais” e caem no ostracismo legalista. O mundo muda, e nós mudamos também. Os princípios permanecem, e devemos abraçá-los na sólida Palavra. O conteúdo é o mesmo, mas a forma é outra.

Vamos aprender com Driscoll e outros talentosos pastores que sabem viajar entre a tradição e a novidade.

Enquete

Como cidadãos que somos, todos nós precisamos de consciência política. Por esse motivo é importante avaliar bem em quem vamos votar para presidente, governador, senadores e deputados. Então, peço que o caro amigo vote na enquete ao lado.

Abraços a todos!

sábado, 15 de maio de 2010

Silas Malafaia deixa à CGADB

Como vocês já sabem, o pastor Silas Malafaia se retirou da CGADB, assim também como renunciou o seu cargo de vice-presidente da instituição. No mesmo programa oficializou a mudança de nome da “Assembleia de Deus da Penha” para “Assembleia de Deus Vitória em Cristo”. Malafaia ainda disse que poderia falar coisas de “arrepiar os cabelos”, mas que não ia “cuspir no prato” que comeu. Além disso, enfatizou várias vezes que os seus amigos não deveriam imitá-lo nessa atitude de desligamento.

“As minhas doutrinas são da Assembleia de Deus”, afirmou Malafaia

Será? A “teologia da prosperidade” é doutrina assembleiana? As “doutrinas da semente” foram herdadas dos vários líderes assembleianos deste país? Pois bem, Malafaia sai, mas os problemas continuam. Há inúmeros pastores (pastores?) nessa convenção que expõe doutrinas iguais ou piores do que a prosperidade do Malafaia, mas que ainda continuam nos quadros da CGADB. E aí, como fica esse negócio?

Ah, Malafaia ainda exortou os pastores a pregarem a Palavra de Deus, em lugar de enfatizar costumes. Que bela exortação, pois concordo plenamente. Mas por que ele não fez isso? Tudo bem que ele não pregava a balela de usos e costumes, mas também já deixou muito tempo de pregar expositivamente a Palavra de Deus, o que é gravíssimo. Ainda no final do programa citou uma frase de autoajuda do Murdock, o seu grande mentor. A melhor mudança no Malafaia seria a renúncia de um “evangelho” que barganha com Deus.

E assim a vida continua, sem mudar quase nada.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lição 07 - O Cuidado com as ovelhas

Leitura Bíblica em Classe
Jeremias 23.1-4; João 10.1-5

Introdução
I. O que é um Pastor
II. Os pastores de Israel
III. Israel foi destruído por lhe falta verdadeiros pastores
IV. Os deveres das ovelhas

Conclusão

A FUNÇÃO PASTORAL NO CONTEXTO BÍBLICO

A função pastoral, sob o ponto de vista bíblico, é exercida pela característica marcante de Cristo: o Amor. O apóstolo Pedro delineou essa característica em sua epístola ao descrever no termo imperativo a função pastoral: “apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho”[1].
A Escritura Sagrada quando descreve a função pastoral também enfatiza a possibilidade do Ministro desempenhar a função pastoral numa perspectiva oposta a de Cristo.
O texto bíblico, para descrever a oposição a Cristo na função pastoral, cunha um termo carregado de significações em relação a um animal universalmente conhecido no Oriente (rejeição, desprezo, impuro, odiado, etc...): o Cão [sig. gr. kyon]. No sentido metafórico, o termo aparece nos seguintes textos (a conotação é de impureza moral na função pastoral):
Is 56.10-12: “Todos os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados e amam o tosquenejar. E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte. Vinde, dizem eles, traremos vinho e beberemos bebida forte; e o dia de amanhã será como este e ainda maior e mais famoso”.

Fp 3.2: “Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão!”.

No texto de Apocalipse o Senhor Jesus demonstra a equiparação de feiticeiro, homicida, mentiroso, idólatra e a prostituição à categoria de Cães:

Ap 22.15: “Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira”.

O texto de Isaías enfatiza que a classe que liderava o povo estava vivendo uma profunda crise de moralidade. Em Filipenses os falsos obreiros não se contentavam com o absoluto Evangelho da Graça. E em Apocalipse o Senhor Jesus sentencia os que se encontram nessas características.
Os textos acima denotam o perigo que se encontram os líderes que perdem o foco de seu ministério, ao invés de gastarem suas vidas apascentando as ovelhas, gastam-na enriquecendo-se da “lã”, da “gordura” e de todas as “vantagens” que as ovelhas podem proporcionar ao seu ministério.
Embasado no ensino apostólico de Pedro, John Macarthur, Jr. na obra “Ministério Pastoral, alcançando a excelência no ministério cristão” [Rio de Janeiro, CPAD, 2004, p.47] exorta duas características que o Pastor não deve ter: Má Vontade e Torpe Ganância. O pastor deve evitar o trabalho de má vontade. O exercício do pastorado deve ser voluntário, espontâneo e consciente. A preguiça está ligada à má vontade, onde o pastor sofre a tentação de deixar-se levar em seu ministério para fazer somente aquilo que se sentir pressionado a fazer. Sobre a outra característica John Macarthur Jr aconselha:
“[...] evitar a obra do ministério por torpe ganância [grifo nosso]: “De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem a veste”, afirmou Paulo aos presbíteros de efésios (At 20.33). “Ninguém pode servir a dois senhores”, declarou Jesus, “porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mt 6.24). Isso é verdadeiro com relação aos pastores, dos quais Deus exige que não sejam cobiçosos de torpe ganância (1 Tm 3.3). São os falsos profetas que se empenham na busca frenética do lucro monetário ( veja Is 56.11; Jr 6.13; Mq 3.11; 2 Pe 2.3).
[...] O errado é permitir que o lucro financeiro seja a motivação para o ministério. Isso produz não apenas líderes falsos e ineficientes, como também degrada o ministério aos olhos do mundo [grifo nosso]. [...] O homem humilde, dedicado ao pastoreio das almas que Deus confiou aos seus cuidados, alcançará a incorruptível coroa de glória quando aparecer o Sumo Pastor (1 Pe 5.4)”[2].
O contexto atual que cerca o exercício do ministério pastoral urge que os pastores sejam homens desinteressados do lucro, da fama, do poder, do status quo, do espetáculo, mas estejam devidamente interessados nas pessoas e na proclamação do evangelho no mundo, a fim de que a mensagem seja acompanhada com a devida ação do Espírito e o propósito sincero de representar o interesse de Cristo em todas as esferas do seu ministério.

Reflexão: “e, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita” (2Pe 2.3).

Referência Bibliográfica
MACARTHUR JR, John. Ministério Pastoral: Alcançando a Excelência no Ministério Cristão. Rio de Janeiro, CPAD, 2004.

Aborto na agenda eleitoral

Algo inédito acontece nas eleições presidenciais deste ano. O aborto ganhou pauta no noticiário com as declarações dos presidenciáveis. Ontem, o jornal O Estado de S. Paulo destacou as declarações de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) sobre o assunto. Em entrevista, na quarta-feira, para o Programa do Ratinho (SBT), Serra afirmou ser contra a legalização do aborto: “Eu não sou a favor do aborto. Não sou a favor de mexer na legislação. Agora, qualquer deputado pode fazer isso. Como governo, eu não vou tomar iniciativa”. Já Dilma Rousseff se mostrou a favor da liberação, mas usando uma declaração indireta: “Aborto não é questão de foro íntimo meu, seu, da Igreja, de quem quer que seja; é uma questão de saúde pública”. A ex-ministra defendeu essa posição do Programa Balanço Geral (Record- RS), assim como na entrevista para a revista Istoé desta semana.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), orgão da Igreja Católica, pediu na quarta-feira que os seus fiéis votassem em “pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana”. O D. Odilo Scherer, cardeal-arcebispo de São Paulo, declarou: “Além da descriminalização do aborto, há outras distorções inaceitáveis, como a união dita casamento, de pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por pessoas unidas por relação homoafetiva e a proibição de símbolos religiosos (em repartições públicas)”. As declarações aconteceram na 48º Assembleia Geral da CNBB, acontecida nesta semana em Brasília.

A presidenciável Marina Silva (PV), que é membro da Assembleia de Deus, já declarou em várias entrevistas que é contra a liberação do aborto. Alguns pensadores dito progressistas, entusiastas da bandeira ambientalista da candidata, se mostraram preocupados com o “conservadorismo” de Marina. Outros toleram esses pequenos gestos tradicionais para além das bandeiras de sustentabilidade ambiental do Partido Verde. Fato é que, tanto Serra quanto Marina, são de origem esquerdista, porém procuram uma posição mais ao centro no cenário político. Dilma já se mostra mais alinhada com suas bandeiras autointituladas como “progressistas”.

Agora, pouca diferença faz saber se o presidente é ou não a favor do aborto. Quem decide essas questões não é o poder executivo (presidente, governador e prefeito), mas sim o poder legislativo (senadores e deputados). Ora, são eles que votam em projetos de lei restringindo ou liberando o aborto, casamento gay e outras questões morais. Agora, também essa não deve ser a nossa única preocupação moral, pois o que adianta votar em um deputado contra o aborto e que rouba dinheiro de ambulância? Ora, quem aborta e extravia dinheiro da saúde é antivida. Portanto, a nossa seleção desse ser mais cuidadosa do que a do Dunga para a Copa da África.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Retendo o que é bom

Nos últimos debates sobre a Teologia da Libertação, recebi a mensagem do amigo-leitor Marcos Alexandre, de Orós (CE), que escreveu:

“Eu concordo com os erros que você denuncia. Sou totalmente contra algumas posturas de Betto e Boff. Mas reconheço que também existem boas reflexões em ambos, e seria desonestidade intelectual não reconhecer isso.”

Realmente, concordo com o Marcos. Pode parecer que não, mas a minha crítica à teologia de Betto e Boff não significa que eu rejeite todas as suas ideias e propostas. Sei da máxima paulina de examinar tudo e reter o que é bom. Há como aproveitar coisas boas até em teólogos mais heterodoxos do que eles. Agora, crítico sim aqueles evangélicos que possuem nesses homens o seu parâmetro do fazer teológico.

Como diz o ditado futebolístico: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Sim, uma coisa é reter alguma bons elementos da teologia produzida por eles, outra coisa é simplesmente abraçá-la por completo ou quase totalmente. Sejamos mais críticos, pois não basta combater aqueles que fazem de Deus um comerciante movido à barganhas (teologia da prosperidade com suas sementes), mas também precisamos tomar cuidado com aqueles que querem transformar a missão de Jesus em mero trabalho de libertação política.

O engraçado é que os fariseus da época de Cristo pensavam essas duas ideias.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

CPAD lançará um portal na internet



Como todos já sabem, a CPAD lançou na última sexta-feira o site de notícias
CPAD NEWS. Mas além dessa boa novidade, no dia do lançamento o diretor de jornalismo Silas Daniel e o diretor-executivo Ronaldo Rodrigues informaram que a CPAD está estruturando um portal da Casa Publicadora. A diferença entre um site comum e um portal são inúmeras. O portal é mais completo, envolvendo textos, vídeos, podcasts, notícias, comercialização, música, jogos e outros inúmeros recursos. A CPAD lançará um portal englobando o seus sites atuais, como o próprio CPAD NEWS e a loja virtual, além de ferramentas para estudos bíblicos e evangelização.

Recebo essa notícia com alegria, pois hoje é grande o número de internautas no Brasil. Apesar da banda larga cara e ruim, o brasileiro passa horas da sua semana na internet. Hoje, por exemplo, somos o segundo país em acesso ao Twitter, perdendo somente para os Estados Unidos. Portanto, é muito importante que redes evangélicas invistam em sites e portais de qualidade para a edificação dos internautas, além de evangelização pela rede mundial de computados.

Neste caso, o site CPAD NEWS é bem-vindo, assim como o futuro PORTAL CPAD. Também recebo com entusiasmo o crescimento de sites como
Cristianismo Hoje e O Galileu. É importante lembrar que os blogueiros já contribuem bastante para a difusão no mundo evangélico na rede, e através desses exemplos vemos o crescimento de outros sites. E isso é muito bom.

Na foto acima estão presentes alguns blogueiros que foram convidados para conhecer as novidades da internet evangélica por parte da editora assembleia. Da esquerda para a direita estão presente o Pr. Carlos Roberto, do
Blog Point Rhema; Ronaldo Rodrigues de Souza, diretor da Casa Publicadora; Pr. Brunelli Jr. do Blog Ministério São Paulo; Pr. Marcello de Oliveira do Blog A Supremacia das Escrituras e eu. A foto é da equipe do pastor Carlos Roberto.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Por que não abraço a Teologia da Libertação?

O post de ontem gerou um rico debate sobre a Teologia da Libertação. Como sempre acontece nesses fóruns alguns nos acusam de não conhecer as obras que sustentam essa teologia. Neste momento, pela graça de Deus, estou em uma grande biblioteca de uma faculdade católica, e tenho acesso aos livros de todos os teólogos da libertação. Sendo assim, quero apontar alguns motivos que me afastam dessa teologia (com conhecimento de causa).

01) As teologias da libertação são adaptações do politicamente correto para a teologia

A teologia feminista, negra, terceiro-mundista, gay e outras são todas chamadas à libertação do “oprimido” contra o “opressor”. É a velha dicotomia falida de fortes contra fracos. A história da humanidade está cansada de mostrar que essas divisões simplistas são incapazes de explicar o mundo em que vivemos. Nem sempre os “oprimidos” que costumamos cultuar são realmente vítimas. Ou pelo menos são vítimas e algozes ao mesmo tempo.

Vamos pegar como exemplo a escravidão no Brasil. Nas aulas de histórias esqueceram de nos informar que escravos libertos por dotes normalmente comprovam outros escravos. Ora, é claro que o fazendeiro era um opressor maldito, mas por que não lembramos que alguns ex-escravos não tinham compaixão “pelos seus”? Por que esquecemos que o tráfego negreiro começou por comerciantes da própria África?

É claro que não podemos falar isso, pois é feio, quebra dogmas e é politicamente incorreto. Ah, podemos ainda sofrer várias acusações, como de sermos racistas e insensíveis com as necessidades humanas. Mas não podemos simplesmente ignorar a história e aplicar soluções superficiais para explicar o passado.

Esse esquema “opressores” versus “oprimidos” nem sempre é honesto. Sobre essa premissa “verdadeira” que a Teologia da Libertação se sustenta.

02) A Teologia da Libertação é antropologicamente baseada na filosofia rousseauniana

As ideias de Jean-Jacques Rousseau baseiam no “bom selvagem”. Ora, o homem é bom, mas a sociedade o corrompe. Só que essa ideia teima em não casar com a teologia paulina, especialmente em Romanos. Quem pode ler honestamente a epístola paulina para os romanos e ainda aceitar a doutrina da bondade exclusiva do homem? Como conciliar essa contradição?

É claro que o homem tem a graça comum e ainda reflete nele a imagem de Deus. Mas também a Bíblia é clara na pecaminosidade humana desde o seu nascimento. Sim, o homem é a Imago Dei e ainda assim possui uma natureza pecaminosa. Portanto, aqueles que tentam divinizar o homem e humanizar a Deus simplesmente estão por um caminho estanho.

03) A Teologia da Libertação era (e é) um mero projeto político

Os católicos latinos no Concílio Vaticano II, nos anos 1960, simplesmente estavam animados com salvação social. Afinados com intelectuais marxistas da América Latina, os religiosos tinham perdido a confiança no desenvolvimento à maneira da Europa e Estados Unidos. Não eram entusiastas da economia de mercado, da democracia liberal (esse valor burguês, como dizia os trotskistas) e alguns estavam preocupados com o avanço protestante. Em 1968, na cidade colombiana de Medellín, os bispos declararam em conferência a “opção pelos pobres”.

Não foi à toa que alguns teólogos da libertação estiveram envolvidos diretamente com as revoluções saguinárias na Nicarágua pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). Ainda hoje os teólogos da libertação apoiam regimes autoritários que estão conforme a ideologia. Entre no site de Boff (http://leonardoboff.com/) e leia os seus textos, lá você verá menção honrosa a Evo Morales. Pior ainda é Frei Betto, sempre pronto para defender os irmãos Castros.

Conclusão

Tenho ainda outros inúmeros motivos. Expressarei em outra oportunidade. Mas ser contra a Teologia da Libertação não quer dizer que sou contra a assistência ao pobre. No ano de 2006 visitei uma comunidade no interior do Maranhão para fazer um documentário para a escola. Lá vi uma família com onze membros que viviam com 95 reais por mês. Tal pobreza é escandalosa em um país como o Brasil, a nona maior economia do mundo. A solução para essas pessoas são programas de renda como paliativo, mas atrelado a emprego formal e educação constante. Na igreja daquela cidade reclamei que não havia nenhum trabalho específico para aquela comunidade carente. Hoje, graça a Deus, há uma congregação construída com um programa de distribuição de cestas básicas promovida por pessoas que nunca leram Boff.

O que adianta ser contra a teologia da prosperidade e flertar com a teologia da libertação?

Caros evangélicos apologistas, o que estamos fazendo? Muitos são odiosos combatentes da perniciosa e antibíblica “teologia da prosperidade”, mas são simpáticos para com a “teologia da libertação”. O nível de heresias em ambas as correntes são gritantes. Quem faz esse jogo é incoerente e simplesmente não entendeu o Evangelho. Vamos fazer esse joguinho de combater um mal abraçando outro?

A “teologia da libertação” diz que fez uma opção pelos pobres, enquanto a “teologia da prosperidade” optou pelos empresários. Já o Evangelho de Jesus Cristo optou pela salvação do homem, não importando sua nacionalidade, classe social ou cor de pele. A “teologia da prosperidade” é a encarnação da sociedade do consumo e a “teologia da libertação” é a encarnação da sociedade “igualitária” sob regimes autoritários.

Quem disse que o Evangelho é uma balde de bênçãos materiais, conforme rezam na cartilha triunfalista dos tele-evangelistas da prosperidade? Agora, quem disse que o Evangelho é rezar na cartilha da luta político-ideológica de uma corrente marxista? Quem disse que o Evangelho é o cifrão do dólar? Mas também quem disse que podemos substituir a cruz pela foice e o martelo?

Portanto, não opto pelas tragédias doutrinárias do Edir Macedo, R. R. Soares, Morris Cerullo, Silas Malafaia, Benny Hinn, René Terra Nova, Neuza Itioka, Valnice Milhomens, Mike Murdock, etc. Mas também Deus me livre das bobagens escritas com tom de justiça social por Frei Betto (amigo do ditador Fidel Castro), Leonardo Boff (também amigo de ditadores “companheiros”), Gustavo Gutierréz e outros teólogos que já até apoiaram guerrilhas sanguinários pelo mundo em nome de uma ideologia.

A coerência é um exercício difícil, mas necessário.

domingo, 9 de maio de 2010

Mike Murdock Exposto!

Por Let Us Reason Ministries

Murdock se vê como um profeta do lucro. Ele pensa que dinheiro é a resposta para todas as coisas. Ele não está pregando o evangelho da salvação, mas dinheiro, crescimento, sucesso e melhora de si mesmo.

Houve um tempo em que somente Robert Tilton estava galopando na vanguarda da promoção da doutrina de “dar uma semente para adquirir uma colheita”. Mas hoje há muitos seguindo no rastro em que ele trilhou. Um desses cavaleiros é Mike Murdock.

Murdock provavelmente é o mais expontâneo dos mestres da prosperidade, mas certamente não dos mais conhecidos! Murdock transita entre os movimentos Palavra da Fé e Terceira Onda. Ele falou no ano 2000 aos pastores da conferência Vineyard (Aeroporto de Toronto) e esteve recentemente com Benny Hinn (ele falou na cruzada de Hinn no Havaí em 2002). Assim ele está subindo ao topo com esta exposição.

Murdock pregou a sua primeira cruzada evangelística aos 15 anos de idade. Ele começou evangelismo de tempo integral aos 19 anos de idade e nele continuou durante 35 anos. Isto é algo que precisa ser questionado quando olhamos para o que ele está pregando atualmente.

Dr. Murdock declarou ter deixado a Assembléia de Deus do sudoeste da Universidade de Waxahachie antes de receber a graduação (Profit in the Pulpit: lucro no púlpito, postado em 3/2/2003, Star telegram http://www.dfw.com/). A Associação Evangelistica Mike Murdock era estabelecida como uma organização sem fins lucrativos, em 1973, em Lake Charles, Los Angeles, por Murdock e a então sua esposa, Linda Murdock.

Em 1979 Murdock divorciou-se. Viajou e falou em 36 países, inclusive a África oriental, Ásia e Europa. Você pode ve-lo na rede de radiodifusão LeSea, tendo também aparecido na TBN, CBN e outros programas de televisão. Tem um programa de televisão semanal chamado “Wisdom Keys with Mike Murdock.” (Chaves da Sabedoria com Mike Murdock).

É visto em aproximadamente 50 emissoras de Atlanta ao Havaí. Seu ministério comprou recentemente a Black Entertainment Television Network comentando que isso pode contabilizar sua exibição para 72 milhões de espectadores nas casas em potencial.

Na realidade, em um exame semestral do Star-Telegram foi informadoque a corporação sem fins lucrativos de Murdock gasta mais de 60% de sua renda em despesas indiretas. Como outros pastores televisivos, ele envia uma “mala direta pessoal” para pessoas, como se fosse uma lista de clientes.

Murdock nem sempre foi um próspero homem de negócios. Ele diz que perdeu tudo anos atrás, casa, esposa etc., mas que um dia, com os olhos fixados em Lucas 6:38 (“Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo”) ele clamou a Deus dizendo: “ó Pai, Sua palavra diz que eu posso semear no meu caminho para acabar com as minhas dívidas.” Tal fato tornou-se a sua própria história e o trouxe ao que ele é hoje.

Murdock é autor de 115 livros, a maioria nào passando de folhetos (alguns duplamente espaçados). Seus top de vendas (nos EUA) são: “Wisdom for Winning”, “Dream-Seeds”, “The Double Diamond Principle”, “Secrets of the Richest Man Who Ever Lived” (Segredos do homem mais rico que existiu), “The Law of Recognition”, e “The Leadership Secrets of Jesus” (Segredos da Liderança de Jesus). Seu best-seller atual é Wisdom Keys (“As Chaves da Sabedoria”), publicado por ele próprio.

Em seus sermões a audiência fica geralmente atrás de um piano que toca música de fundo. Ele diz que compôs mais de 6000 canções, como “Jesus, Só A Menção de Seu Nome,” “Eu Sou Santificado,” e “Você Pode Fazer Isto.” O seu talento ao piano é usado para cantar canções ao Espírito Santo, contudo ele também canta sobre dinheiro (a semente): “eu acredito, eu acredito na semente, eu acredito no que você prometeu: cem vezes tanto está voltando para mim” (LeSea broadcasting telethon 1997).

Seis mil canções o teriam colocado entre os compositores mais prolíficos do mundo. Ele canta “toda semente que você semeia será logo multiplicada mais rápidamente do que você possa imaginar - é a provisão do milagre de Deus.” Murdock canta normalmente em teletons, shows arrecadatórios (N.T.: no Brasil algo similar ao “Criança Esperança”), sobre a fé na semente, tão frequentemente quanto fala sobre o Espírito Santo ou Deus. Na realidade, se alguém assistir ao seu programa cuidadosamente, perceberá, só de ouvir, que a maior parte versa sobre como adquirir dinheiro.

Ele até mesmo pode parecer genuíno, mas faz lembrar um político de carreira que tece o seu modo de alcançar a meta de seu programa - dinheiro e fé na semente. Música leve tocando ao fundo (música de fundo que você ouviria frequentemente em um bar) e falando suavemente às vezes, outras sendo autoritário, ele usa todo o tempo do show televisivo para construir seu slogan: DAR A SEMENTE.

Por que escrevi sobre isto? Eu não gosto de manipulação e certamente não me sentarei à toa para assistir as pessoas tornarem-se parte dos planos de alguém que quer fazer mercadoria delas (II Pedro 2:2) para enriquecerem. Nosso ministério está aqui para ajudar esses que perderam suas economias, casas e saúde para os mestres de prosperidade e fé a sairem da situaçào em que foram colocados por sua boa fé. Eu realmente não quero ver mais nenhuma dessas pessoas ir pelo caminho que muitos outros aprenderam pela pior maneira, que é o errado. Assim, isto é uma prevenção.

Murdock diz que se você o ouvir repetidamente, eventualmente acreditará no que ele diz (Wisdom Key, pg. 30); mas a pergunta que qualquer um precisa fazer é: é verdade o que eles – sua audiência – ouvem? Tais coisas são verdadeiras, são bíblicas? Você pode dizer algo tantas vezes que não só convencerá a outros, mas a si mesmo.

A sua mensagem é verdade misturada a erro. Muitas coisas que ele diz podem ter discernimento e um pouco de sabedoria trivial, como: “você nunca estará preparado para a guerra, você tem de simplesmente aprender a lutar.” Mas algumas das suas palavras de sabedoria são rasas e não bíblicas.

Se a pessoa o escutar adequadamente e usar a Bíblia, poderá perceber que ele pratica psicologia junto com a Bíblia. Mike Murdock está em alta, e não é nenhuma maravilha que ele seja popular: ele ensina autocapacitação! “Você nunca possuirá o que você está pouco disposto a procurar.” (Mike Murdock, Quote from Words of Promise). “Popularidade é quando outras pessoas gostam de você. Felicidade é quando você gosta de si mesmo.” (Humm... o que disse Jesus sobre gostar de si mesmo?).

Seu ensino sobre o Espírito Santo é basicamente tão ortodoxo quanto distante de Sua natureza; ele dá ênfase ao Espírito Santo como uma pessoa. O problema é que o Espírito Santo está dizendo o que ele tem de fazer. Ele diz repetidas vezes: “Espírito Santo, suas ovelhas ouvem sua voz e outros não seguirão...”

O Espírito Santo aponta para Jesus e não para Si mesmo. Mas nós também precisamos questionar que voz é essa, desse Deus que está dando essas promessas grandiosas de prosperidade aos que enviam a sua semente (dinheiro) para ele. É essa inspiração do mesmo Espírito Santo que escreveu Bíblia ou é Murdock que tira a Bíblia fora de seu contexto para fazer uma promessa que não está lá?

Ele canta ao Espírito Santo dizendo que não há ninguém mais como Ele; aponta o Espírito Santo como a soma de tudo. Quem parece estar perdendo é Jesus, Seus ensinos e a Sua cruz. Em outras palavras, ele não está pregando o evangelho da salvação, mas sim dinheiro, crescimento, sucesso e melhora de si mesmo. O seu programa de televisão está mais parecido com um seminário condensado de sucesso motivational.

O sucesso de Murdock está na habilidade em fazer as pessoas ficarem ligadas a ele, mas a sua real habilidade é a sua lábia. Ele faz várias pausas e fixa o olhar atentamente na câmera, como se soubesse o que você está pensando. Nem tudo o que ele diz é em vão, às vezes pode ter boa perspicácia, mas as coisas que são úteis são como pontos esparsos numa tela de radar.

Em tudo o que ele fala sempre acaba achando um modo de voltar à fé na semente. “Toda semente que você semeia será multiplicada mais rápidamente do que você possa imaginar - é a provisão do milagre de Deus.” “A semente deixa sua mão e entra no futuro onde se multiplicará.” “Algo em sua mão criará qualquer coisa que você quiser no futuro” (LeSea 26 de abril de 2002). Qualquer coisa que VOCÊ QUISER- dando dinheiro ao ministério dele! Essa é a promessa dele.

Uma coisa que você pode ter certeza é de que não adquirirá a Sã Doutrina Bíblica. A Bíblia não é usada do modo normal que um cristão bíblico conhece. Ele encontra versos com motivação para dinheiro e bênçãos. Murdock acredita que tem escrito uma enciclopédia financeira com as suas palavras de sabedoria e leituras de seus próprios livros no seu programa, no lugar da Bíblia.

Ele faz parecer como se as suas palavras de sabedoria fossem poderosas. Diiz para a audiência que se guardarem as suas palavras, elas mudarão suas vidas (Wisdom Keys, Lesea, 26,2002 de abril).

“Quando você deixar o que está em sua mão, Deus deixará o que está na mão dEle” (14 de maio de 2000 -Wisdom key, 46). Realmente é como a Bíblia diz que acontece? Não, mas é como ele diz que Deus opera. Ele é sagaz e tem persuasão suficiente para mudar as manchas de um leopardo.

Murdock aprendeu com o melhor dessa estirpe. Atribui o seu conhecimento de fé na semente ao seu mentor, Oral Roberts. Ele é curador fiduciário do “Conselho Internacional de Ministros Carismáticos”. Roberts foi o inventor da fé na semente e os seus discípulos levaram isso para lugares que ele nunca imaginou.

Ele perguntou a Oral Roberts, que é o mentor da sua vida: “qual é o maior segredo que você descobriu em sua vida?” Oral disse sem hesitar... “semear para um resultado desejado. Dando, tenho conseguido o que a mim tem sido prometido”. Isso é do pai do ensino de fé na semente. Como Roberts declarou em seu próprio programa: “se sua fé crescer, se você faz isto, como uma semente, aumentará".

A outra palavra para fé é aumento, a outra palavra para semente é crescimento” (Oral Roberts Miracle Broadcast 1997 LeSea Broadcasting). Por favor, vá para a Bíblia e observe se isto se confirma, se isto é verdade. NÃO É.

O que Lucas 6:38 realmente significa quando diz: “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.”?

Primeiro, precisamos notar que isto é generosidade genuína, não é dar para adquirir algo. O regaço era a parte frontal das vestes das pessoas, assim a compra (frequentemente trigo ou algum outro genêro alimentício) poderia ser levada nele. No comércio, ou comprando no mercado, o vendedor que não apertava para baixo os grãos o comprador teria o seu regaço preenchido com ar na compra do trigo e, assim, adquiria menos gràos.

Eles eram justos em apertar o grão para baixo até que excedesse a capacidade do regaço. Isto tem a ver com as balanças nas feiras. Miquéias 6:11 “Seria eu limpo com balanças falsas, e com uma bolsa de pesos enganosos?” A aplicação é sobre a atitude de alguém, de negociar com ou dar ao pobre e necessitado.

O homem que é generoso na feira e nos seus procedimentos achará outros generosos para com ele. Não era para ser cruel no negociar ou em relação ao dinheiro e também não era para tirar vantagem de alguém que fosse pobre ou necessitado.

Murdock pode pedir mil vezes uma semente de $58 ou como pode pedir para plantar uma semente de $1000 dólares em seu ministério,para, assim, poder entrar em mais casas pela TV. Ele pede continuamente para mais pessoas plantarem uma semente de $1000 dólares (é este o modo de pregar o evangelho?) e assim a roda continua girando.

Ele pede para as pessoas que “semeiem uma semente de $58 que representa os 58 tipos diferentes de milagres na Bíblia” (Jan.8, 2000). Qualquer número que ele proponha se acha na Bíblia. 58 é o “número santificado” desde o ano de 2002, mas isto está sujeito a mudança!

Recentemente, o senhor Murdock teve isto para dizer do número 58: Deus mostrou-lhe 58 bênçãos na Bíblia. Assim, ele semeou uma semente de $58 e em 58 dias adquiriu essas 58 bênçãos (14 de junho, 2005 LeSea Broadcasting).

Em seu blog há o registro de uma pessoa que lhe doou $58 como ele havia pedido, e manteve um diário para registrar o que aconteceu durante 58 dias. Ele trabalhou? http://murdockseedfaith.blogspot.com/

Em três de janeiro de 2003, no seu programa, ele procurava dizer que precisava de $300, mas afirmou sentir que estava sendo levado pela “unção” a dizer $70. São apresentadas fórmulas mágicas de como conseguir dinheiro e os meios de enriquecer, assim podemos receber tudoo que desejarmos da mão de Deus.

Ele diz para as pessoas escreverem o nome de alguém num cheque de $58 se quiserem ver um milagre acontecer na sua vida. Então, conta histórias de como dentro de 58 dias ou exatamente 58 dias depois o milagre aconteceu de acordo com o que foi escrit , o que equivale a dizer que Deus responde a oração de acordo com o número de dólares dados ao seu ministério!!!

Murdock se vê como um profeta do lucro: “nunca se rebele contra um mensageiro da instrução financeira que Deus ungiu para destrancar sua fé.” Então a audiência repete isso em voz alta. Ele diz que odeia a pobreza, “sua humilhação, vergonha, paralisia. Todas essas coisas vêm do pecado.” Isso é o que ele prega sobre riqueza e prosperidade. Ele pensa que dinheiro é a resposta para todas as coisas...

Deixe-me propor uma questão: o que tem mais afeito eterno na alma de alguém: ser pobre, ou estar sob a ira de Deus? A pessoa pode ser pobre e ainda pode ir para o céu. Na realidade a Bíblia diz que o pobre é rico em fé. Não há nenhuma ordenança para pregar que o pobre deve ser rico, mas sim para pregar o evangelho da salvação (Mt.28:18-19) que está ausente das pregações de Murdock em seus programas de TV.

Dinheiro não é algo que devemos nos esforçar para ter como uma promessa de abundância aos crentes. Devemos pregar o evangelho, nem mais nem menos. Ele pede ao Espírito Santo que mova os corações para “plantar uma semente para nos ajudar a levar ESTE EVANGELHO.” Infelizmente não é o evangelho que Jesus e os apóstolos pregaram para o perdão de pecados - ao invés disso, é o evangelho para perdoar o fato de ser pobre.

Paulo se opõe a este uso do dinheiro em I Cor. 9:18: “Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho.” Eu entendo que Deus tem certas pessoas talentosas para ensinar em assuntos particulares mas não se pode pedir doações a um ministério para espalhar o evangelho quando a mensagem dele estiver ausente.

Mas há alguma outra coisa faltando, e a Bíblia nos conclama insistentemente a ensinar todo o ordenamento de Deus contido no evangelho para a salvação de pecadores. Em seu lugar Murdock prega outro evangelho, de riqueza e prosperidade, com os seus próprios provérbios, espalhando por toda parte o seu apelo.

Ele pensa que esse entendimento é diretamente inspirado pelo Espírito Santo. Recentemente eu tenho ouvido Murdock mencionar uma porção do evangelho dizendo que Deus ama você e tem planos para você, mas não há nenhuma menção de que somos pecadores, nem da morte de Cristo em nosso lugar e sua ressurreição, explicadas como a solução para os nossos pecados!

Eu não estou dizendo ele nunca disse isso, mas eu o ouvi durante anos sem jamais ouvir tal ensino. Até mesmo, se ele pode ter mencionado isso de vez em quando, não é certamente o foco do seu ministério. Um exemplo disso é: “diga esta oração: Jesus eu O quero em meu coração” (LeSea Wisdom Keys Nov.17, 2003).
Claro que isso não é o evangelho, mas uma mera mensão de que isso sucede. Depois de dar a mensagem relativa a Jesus, ele vai direto ao apelo a quantas pessoas (ex: 58 ) podem dar essa quantia de dinheiro. Assim, o evangelho não é a mensagem principal, mas um “adicional” para o programa , que se concentra em dinheiro=bençãos para os que semeiam uma semente.

Recentemente Murdock propôs algumas declarações elegantes que soam como Lao-tzu: “aquilo que você está disposto a fazer agora determina o que Deus trará a você” (Wisdom Keys Lesea Broadcasting Oct. 18, 2002). “Sua reação para alguém em dificuldade determina a reação de Deus a você da próxima vez em que você estiver em dificuldade.” É Deus influenciado por nossas ações para fazer bem a nós? Parece karma cristianizado, não graça.

Leia o artigo completo neste link.

FONTE:
Texto original em inglês: The Magnanimous Money Message of Mike Murdock. Artigo escrito por Let Us Reason Ministries. Texto em português por: ICTrindade.com.br. Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Lição 06 - A Soberania e a Autoridade de Deu

ESCRITO PELA EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD

Leitura Bíblica em Classe
Jeremias 18. 1-10


Introdução
I. A visita a casa do oleiro
II. A soberania de Deus
III. O crente e a vontade de Deus

Conclusão

A Soberania de Deus, a Eleição Divina e a Perseverança do Crente

Prezado professor, o tema na lição deste domingo é “A Soberania e a Autoridade de Deus”. Soberania, em teologia, é classificada como um atributo (ou perfeição) de Deus, inerente somente a Ele (Onipotência, Oniciência, Onipresença, Eternidade, Imutabilidade e Soberania). O termo significa “principal, chefe, supremo”. Soberania refere-se à Deus como o Ser Supremo do universo, está relacionada a poder, ou seja, Deus é o poder supremo do universo. As Escrituras revelam como Ele exerce esse poder. São nos desdobramentos escriturísticos que naturalmente a doutrina da soberania passa a ter uma perspectiva soteriológica: A Eleição Divina e a Perseverança do Crente. Esses dois assuntos, que serão tratados neste subsídio, são desenvolvidos a partir do conceito principal da soberania de Deus.

A Eleição Divina[1]

Precisamos notar as ênfases de Paulo. Uma delas é que ser filho de Deus depende da livre e soberana expressão de sua misericórdia, e não de algo que sejamos ou façamos. Paulo enfatiza a misericórdia divina que inclui os gentios juntamente com os judeus (Rm 9.24-26; 10.12). O calvinismo entende que esse trecho bíblico afirma a doutrina de uma escolha arbitrária de Deus, que não leva em conta a responsabilidade e participação humanas. Essa, porém, não é a única possibilidade. Na mesma seção bíblica (Rm 9 – 11), surgem evidências da participação e responsabilidades humanas (Rm cf. 9.30-33; 10.3-6,9-11,13,14,16; 11.20,22,23). Paulo afirma: “Deus, pois, compadece-se de quem quer e endurece a quem quer” (9.18). Diz ainda que Israel havia experimentado “o endurecimento em parte” (11.25), mas o contexto parece relacioná-lo à sua desobediência, obstinação e incredulidade (10.21; 11.20). Além disso, Paulo declara que a razão por que “Deus encerrou a todos debaixo da desobediência é “para com todos usar de misericórdia” (11.32). Portanto, não somos forçados a uma única conclusão, isto é, à eleição incondicional.

A Perseverança do Crente[2]

[...] “Jesus (Jo 10.28) está nos dizendo o que vai acontecer: as suas ovelhas não perecerão. Então, pode-se entender que a Bíblia diz que poderíamos apostatar, porém, mediante o poder de Cristo para nos conservar, isso não nos acontecerá”.
Se tal pode acontecer, por que a possiblidade existiria somente em hipótese? Erikson e a maioria dos calvinistas referem-se a Hebreus 6.9 como evidência: “Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos”. Semelhante justificativa fica sendo tênue à luz de Hebreus 6.11,12: “Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança; para completa esperança; para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas”. Continuar na fé e na prática confirma nossa esperança e herança. É realmente possível fazer uma exegese de Hebreus 10.26-31, mesmo a despeito do v. 39, de modo a concluir que se refira meramente a uma possibilidade lógica, e não real?
Prosseguindo o raciocínio, citemos a advertência de Jesus: “O amor de muitos se esfriará. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24.12,13). Ele diz que olhar para trás nos torna indignos do Reino (Lc 9.62) e adverte: “Lembrai-vos da mulher de Ló” (Lc 17.32). Jesus diz ainda que, se a pessoa não permanecer nEle, será cortada (Jo 15.6; cf. Rm 11.17-21; 1 Co 9.27). Paulo diz que podemos ser alienados de Cristo e cair da graça (Gl 5.4); que alguns naufragaram na fé (1 Tm 1.19); que alguns abandonarão (gr. aphistêmi) a fé (1 Tm 4.1); e que “se o negarmos, também ele nos negará” (2 Tm 2.12). O escritor aos Hebreus diz que “a casa [de Deus] somos nós, se tão-somente conservarmos firme a confiança e a glória da esperança até ao fim” (3.6); que devemos cuidar para que ninguém entre nós tenha “um coração mau e infiel, para se apartar [aphistamai] do Deus vivo” (3.12); e que “nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim” (3.14).

Professor, uma das grandes tentações de pregadores ou expositores bíblicos é dar ênfase absoluta a uma determinada doutrina bíblica (inclinação para cura, seus pressupostos bíblicos se interessam apenas por cura; inclinação para escatologia, seus pressupostos tendem a uma leitura bíblica escatológica, e assim por diante). Os textos acima enfatizam bem o equilíbrio bíblico sobre o assunto “Soberania de Deus”. Nunca houve contradição entre soberania e livre-arbítrio. A história da salvação denota a ação e a eleição de Deus (por meio do Espírito Santo) na salvação do homem, mas deste, se espera a manifestação do fruto de Arrependimento e Fé.
Antes de defendermos a escola teológica A ou B, sejamos bíblicos e cristocêntricos. Veremos que na verdade a soberania de Deus não anula a responsabilidade humana na perseverança de fé em nossa peregrinação. Professor, mostre ao seu aluno a necessidade de desenvolver a perspectiva do Evangelho integral (o Evangelho todo, para o homem todo). Incentive-o a meditar em todas as passagens supracitadas acima, e ajude-os no desenvolvimento de uma leitura coerente e meditativa da Bíblia na iluminação do Espírito Santo. Boa aula!

Referência Bibliográfica

HORTON, Stanley (ed.).
Teologia Sistemática, Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro, CPAD.
Sugestão de Leitura para interpretação do texto Bíblico
BENTHO, Esdras Costa.
Hermenêutica Fácil e Descomplicada. Rio de Janeiro, CPAD.

[1] Extraído da obra “Teologia Sistemática, Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro, CPAD, p. 362, 3”.
[2] Ibid., p. 375, 6.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ensine civilidade, deixe o discernimento para o ouvinte!

Quando escrevi o texto Marina Silva: entre extremistas e realistas, eu afirmei: “Uma igreja pode até falar em voto consciente e nos ensinar civilidade, mas NUNCA INDICAR EM QUEM VAMOS VOTAR”. Mediante essa afirmação, o irmão Cléber, do blog Confraria Pentecostal, perguntou:

E o que você acha do pastor dizer em quem NÃO votar? Se o pastor vê que algum candidato está apoiando coisas contrárias a fé cristã, ele deve se calar? Ele deve instruir de acordo com a Bíblia ou deve calar-se em nome do politicamente correto?

Resposta: Veja bem, os principais políticos do Brasil sempre defenderam “coisas contrárias à fé cristã”. Então, como selecionar? Serra e Dilma nunca falaram, mas certamente são a favor do casamento homossexual e da liberação do aborto. E aí? Ah, a Marina Silva é contra. Sim, mas um homem forte do seu futuro governo seria Fernando Gabeira, conhecido defensor dessas bandeiras de “minorias”. Então, existe opção? Como, por exemplo, um pastor poderá condenar os nomes de Dilma e Serra sem citar Gabeira?

Exemplo de campanha contrária sem resultado

Na última eleição para a prefeitura de São Paulo houve uma intensa campanha contra a candidata petista Marta Suplicy no âmbito das Assembleias de Deus. Motivo? Ela era a candidata defensora dos gays. Mas e o Gilberto Kassab? O prefeito que não recebeu críticas da denominação também é um grande defensor dessas minorias. Não é à toa que a Parada do Orgulho GLBT tem amplo apoio da prefeitura paulistana. Entre os dois eu escolhi um, mas não pelos valores morais que esse defendia, e sim por questão de gestão administrativa. Apesar da campanha contrária, ouvi de muitos crentes que iam votar na Suplicy pela promessa espetaculosa de internet grátis para toda a população.

O Brasil não é igual aos Estados Unidos. Lá é possível escolher um candidato pelas bandeiras morais (ou até um partido). Aqui nunca foi assim. É claro que alguns partidos, como o PT e o PC do B, agregam mais militantes de “minorias”, mas em todos os demais aglomerados políticos há quem defenda esses “direitos”. Poucos lembram que o primeiro deputado federal assumidamente homossexual, Clodovil Hernandes, foi eleito em 2006, pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC). No Brasil é assim, pois não existe ideologia na política quando o projeto é de poder. Aliás, a ideologia é usada quando ajuda a aumentar o poder.

Há políticos moralmente conservadores? Sim, mas são poucos. Talvez o mais famoso seja o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que se candidatou à presidência pelo PSDB em 2006. Segundo reportagem da revista Época Alckmin é ligado à Opus Dei, grupo altamente conservador do catolicismo romano. Mas mesmo sendo conservador é mais bíblico? Aliás, existe um candidato que represente a cosmovisão cristã? Eu acho que o último foi holandês Abraham Kuyper, no início do século XX.

Então, o que fazer?

Diante das contradições da política nacional, como um pastor pode falar em quem o membro pode votar ou em quem ele não deve votar? É melhor ensinar princípios de civilidade. Mostrar que é possível escolher o “menos pior”. Ensinar a boicotar partidos que apresentem projetos autoritários. Ou seja, o caminho passa pela educação. Educar não é distribuir peixes, mas sim ensinar a pescar.

O pastor deve enfatizar que um cristão não apoia o “rouba, mas faz” e nem se compromete com ideologias que justificam ditaduras e que bajulam islâmicos antissemitas. O crente, também, não compactua com “jeitinhos” e outros vícios como o patrimonialismo, o fisiologismo, o messianismo, o populismo demagógico, etc. Quer apostar como muitos candidatos evangélicos são viciados em todos esses pecados?


Portanto, ensine civilidade e deixe o discernimento para quem ouve você. Não faça a escolha por ele.

O falso intelectualismo e as suas babaquices

Nas igrejas pentecostais nasce a cada dia uma consciência da necessidade de se estudar mais e mais. Seja a Bíblia na leitura devocional, seja a teologia no seminário ou um curso “secular” nas diversas faculdades do país, os crentes estão buscando um pouco mais de conhecimento. Agora, infelizmente alguns acham que a leitura de três ou quatro livros os fazem intelectuais. Há uma proliferação de falsos estudiosos que repetem bobagens com ar de sabedoria. Entendem errado e ensinam errado. Alguns mal sabem interpretar um texto de jornal e se acham exegetas das Sagradas Escrituras. O falso intelectualismo é uma praga que distorce a verdade.

Exemplos não faltam. Todos nós estamos preocupados com a aprovação da PL 122/2006, a lei que condena a homofobia. Estamos preocupados não porque aceitamos a violência contra o homossexual, mas sim que uma lei produza o chamado “crime de opinião”. Ora, ser criminalizado por não concordar com o homossexualismo é um fascismo atualizado. Pois bem, cientes desses desvios ouvimos espantados a interpretação de alguns. Crentes “informados” estão espalhando pelas igrejas que se essa lei for aprovada os pastores serão obrigados a casar casais gays. Isso não existe. A lei é ruim e autoritária, mas não chega a tanto. Os pseudos entendidos sempre apelam para o sensacionalismo.

Outro exemplo. Os desastrados estudiosos gostam de citar palavras bonitas que nem eles entendem. Certa vez participei de uma cruzada em que o líder dizia mais ou menos assim: “Estamos nesse evento apologético pedagógico para a evangelização do bairro”. Alguém entendeu? O que as palavras “apologética” e “pedagogia” têm a ver com uma cruzada evangelística? Assim citam inúmeras palavras que não apresentam nenhuma ligação com a ideia repassada na frase.

E os especialistas em escatologia? Esses são os piores. Sempre bem “informados” eles aparecem com um notícia bombástica que certamente leram na internet. Já ouvi de um pregador que o anticristo já nasceu e está escondido por uma seita satanista em algum ponto da Europa. Que informação privilegiada, hein? Falam com tanta convicção que os novos convertidos ficam perdendo tempo com os argumentos desses especialistas em coisa alguma.

O intelectualismo profundo como um pires de alguns é uma consequência direta da educação brasileira. Boa parte da população não sabe interpretar um simples texto. O número de analfabetos funcionais é espantoso. Assim, pessoas incapazes de entender um parágrafo se tornam especialistas na Bíblia e no ensino teológico. Outro agravante é que os evangélicos leem pouco. Leem pouco a Bíblia, comentários, tratados teológicos, mas se emporcalham com livrecos de autoajuda de quinta categoria. E assim se acham a última bolacha do pacote.

Estudar é preciso. Mas é necessário uma boa base. Como fazer uma faculdade aquele que praticou um péssimo ensino médio? Como estudar teologia e suas línguas originais quando não se conhece nem o vernáculo pátrio? É muito complicado. É preciso transformar a educação deste país e da igreja tupiniquim.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O melhor filme

Amigo leitor,

Neste espaço você já foi indagado sobre um livro preferido, além de uma música recomendável. Agora pergunto:
Qual filme (evangélico ou não) você recomenda? Leve em conta a mensagem edificante do longa-metragem.

Abraços a todos.

domingo, 2 de maio de 2010

Oração drive-thru

Edir Macedo exorcizando uma mulher em Porto, Portugal (2004/ Visão)

Você que gosta de pedir um Big Mac no drive-thru do McDonald`s certamente se beneficia das facilidades. Sem sair do carro, é possível facilmente solicitar o lanche para a atendente e depois retira no guichê logo à frente. Pois bem, que tal pedir uma oração no drive-thru? Sim, você não leu errado, pois já existe essa modalidade de “oração”.

O jornal
Folha de S. Paulo deste domingo traz algumas reportagens sobre a internacionalização da Igreja Universal do Reino de Deus (assinantes leiam aqui). O jornal informa que no Texas (EUA) a igreja do Edir Macedo lançou o “prayer drive-thru” (oração dentro do carro). "Segundo o noticiário local, a ideia surgiu porque poucas pessoas andam a pé em Houston. Os interessados entram no estacionamento do templo, preenchem uma ficha com seus problemas e, na parada seguinte, um pastor faz uma oração relacionada ao assunto e convida os ocupantes do carro a visitarem a igreja", comenta a repórter Janaina Lage, correspondente do jornal em Nova York.

Quanta criatividade, hein?! Assim a Igreja Universal se mostra cada dia mais parecida com uma empresa multinacional que vende lanches rápidos. A mercantilização da fé é cada vez mais evidente. Deus é visto como o mercador. A oração como um balcão de pedidos. Comunhão? Compromisso evangélico? Oração como devoção a Deus? Isso não existe. Aliás, já não pode ser chamada de igreja.

O pastor que não leu a Bíblia

Ainda na série de reportagens, o jornal mostra a história do pastor Antonio Tony, natural de Cabo Verde e missionário em Genebra, na Suíça. Antonio assim falou sobre sua intimidade com a Bíblia: “Nunca li a Bíblia toda. É porque, se você sabe algumas coisas, já dá para entender tudo”. Não é à toa que as doutrinas da Igreja Universal do Reino de Deus passam longe das Sagradas Escrituras. Um amigo meu, ex-membro da IURD, me disse que nunca foi incentivado a ler a Bíblia naquela dita igreja.

Serra e o congresso de missões dos Gideões Missionários da Última Hora (GMUH)

O “Estadão.com.br” informa que o pré-candidato do PSDB, José Serra, participou ontem do 28º Congresso de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora, em Santa Catarina. O tucano até citou um versículo bíblico, além de elogiar a atuação dos evangélicos nos projetos sociais. Além de Serra, havia vários políticos prestigiando o evento.

Pois bem. A festa já começou. No início do ano a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, já tinha participado de um evento na Assembleia de Deus do Belenzinho em São Paulo (SP). Agora, Serra vai até o evento das gritarias. Em todos os lugares os pastores dão espaço para políticos efetuarem suas propagandas. Quando os pastores, principalmente os pentecostais, vão aprender que um político visitante deve ser apenas um visitante, e não um dos “pregadores” da noite?