terça-feira, 29 de junho de 2010

Qual teólogo é você?

Já pulicado em alguns blogs, esse quiz é interessante para mostrar a sintonia do seu pensamento teológico com grandes nomes da teologia cristã. É claro que essa enquete é limitada na avaliação, mas o exercício não deixa de ser divertido e instrutivo. O meu resultado segue abaixo. Faça o teste também:

http://quizfarm.com/quizzes/new/xcore/qual-telogo--voc-verso-012/

Depois de responder as perguntas, cole sua resposta no campo de comentários. Segue a minha lista, com Anselmo de Cantuária com a maior porcentagem:

Você é Anselmo. Anselmo na Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Anselmo

Anselmo 92%

Karl Barth 83%

Martinho Lutero 83%

Jonathan Edwards 83%

João Calvino 67%

Santo Agostinho 67%

Paul Tillich 58%

Friedrich Schleiermacher 58%

Jurgen Moltmann 50%

Rudolf Bultmann 42%

Charles Finney 17%

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Políticas, pastores e cantoras na mídia

Marina Silva, a única candidata evangélica na disputa presidencial, vem causando polêmicas em torno de sua religiosidade. Não que ela alimente essas polêmicas, mas alguns jornalistas causam um alvoroço em torno dela. Muitos temem uma ingerência religiosa no seu governo. Nesse espírito, a revista Época entrevistou o pastor Sóstenes Apolos, da Assembleia de Deus no Plano Piloto, igreja onde Marina é membro.

A repórter Mariana Sanches demostrou pouco conhecimento do universo evangélico e assembleiano. A entrevistadora perdeu tempo perguntando sobre “usos e costumes”, e pelo jeito não sabia que a Assembleia de Deus é uma igreja muito heterogênea, ondena verdade são várias “Assembleias de Deus”. A única unidade, pelo menos aparente na Assembleia de Deus, é a sua doutrina pentecostal. O restante (liturgia, costumes, forma de governo, musicalidade) depende da liderança local.

Outra. A reportagem mostra Sóstenes Apolos como uma espécie de “mentor espiritual” da candidata verde. Ora, no protestantismo a relação de fé com a transcendência é muito individualizada. A reforma Protestante defendia a doutrina do “sacerdócio universal” de todos os cristãos. Ou seja, a relação é direta com Deus e não há “mentores espirituais” no protestantismo.

Miriam Leitão e Marina Silva

Em sua coluna do jornal O Globo, a jornalista Miriam Leitão surpreendeu. Leitão argumentou que reprova a ideia de perguntas em torno da religiosidade de Marina Silva se ela não faz isso com os demais candidatos. Leitão escreveu:

Na entrevista que fiz esta semana com Marina Silva não perguntei de religião. Foi proposital. Ao me preparar para a entrevista, me dei conta de que já entrevistei muitos candidatos à Presidência, nas últimas cinco eleições, e nunca perguntei a qualquer dos candidatos se, de alguma forma, suas convicções religiosas seriam parte do programa de governo. E eles tinham religião. As perguntas sobre a religião evangélica de Marina Silva aparecem de várias formas, são recorrentes, todas revelam o mesmo temor: o de que ela imponha ao país, caso eleita, suas crenças religiosas através do currículo escolar ou padrões de comportamento. Um temor que mais parece preconceito.

Sempre pensei isso. Independente se o presidente é a favor ou contra o aborto, por exemplo, quem decide isso é o legislativo (deputados federais e senadores). Marina Silva é uma mulher democrática e nunca imporia seus valores cristãos na sociedade brasileira. Nenhum político cristão fez e faz isso. Só gente tonta fica pensando essas coisas. É fruto de uma ignorância histórica. O cristianismo não é islamismo. Não existe Estado cristão absoluto, mesmo no Vaticano existem não cristãos. O laicismo nasceu em sociedades protestantes.

Aline Barros e Fernanda Brum no Domingão do Faustão

É, duas cantoras bem conhecidas no mundo evangélico foram até o Faustão e lá cantaram. Isso é bom ou ruim? Sei lá. Mas não seja ufanista. O Brasil não se tornará cristão porque cantores evangélicos estão no Faustão. Há muito tempo que músicos cristãos cantam nos programas de maior audiência da TV norte-americana e nem por isso os Estados Unidos se renderam aos pés do Senhor. É bom que os evangélicos ganhem espaço, mas as emissoras fazem isso não por conversão, mas sim pela busca de audiência. Aliás, as emissoras de TV sempre estão em busca de audiência, pois vivem disso.

domingo, 27 de junho de 2010

O espírito do totalitarismo

"Eu o respeito como ateu, e gostaria que ele me respeitasse como alguém que professa a fé em Jesus Cristo"
Kaká, meia da seleção brasileira, na terça (22/06), sobre o colunista Juca Kfouri, a quem acusou de intolerância.

"Apenas critico a propaganda religiosa desmedida que alguns jogadores da seleção brasileira, Kaká entre eles, fazem dentro de campo"
Juca Kfouri, colunista da
Folha de S. Paulo, rádio CBN e do portal UOL, em resposta ao jogador.

Estou muito preocupado com a mentalidade de alguns formadores de opinião do Brasil. Um exemplo é o jornalista esportivo Juca Kfouri, que uma vez ou outra escreve artigos para criticar a evangelização de jogadores evangélicos. Na polêmica da semana, como vocês leram acima, Juca Kfouri criticou a “propaganda religiosa desmedida” dos jogadores evangélicos. Ora, o que seria isso? O que seria “propaganda medida”?

O que Kfouri quer é uma fé privatizada, ou seja, que você e eu exerçamos o cristianismo somente dentro do nosso quatro, sem manifestar nenhuma evidência de nossa fé entre a sociedade. É a velha mentalidade totalitária em ação. Eu, por exemplo, deve respeitar o Richard Dawkins fazer proselitismo do ateísmo, mas não posso tolerar um jogador com uma camisa “I believe in Jesus”?

Se continuarmos assim, no futuro próximo será crime evangelizar. Democracia sem liberdade de religião não existe. O Estado é laico, ou seja, todas as vozes religiosas ou seculares devem ser respeitadas na liberdade de expressão. O Estado não é religioso, com a voz de uma única instituição, mas também não é um Estado secular, onde todas as vozes religiosas estão proibidas. Exemplo de Estado laico é o Brasil, pelo menos até hoje. Exemplo de Estado religioso é a intolerante e muçulmana Arábia Saudita. E exemplo de Estado secular é a Coreia do Norte, com a proibição de qualquer manifestação de fé. Queremos ou não continuar com a democracia?

sábado, 26 de junho de 2010

Lição 13 - Esperança na Lamentação

Subsídio escrito pela equipe da CPAD

Leitura Bíblicaem Classe
Lamentações 1. 1-5, 12


Introdução
I. O que são as Lamentações de Jeremias
II. O homem que viu todas as dores de Jerusalém
III. Por que é preciso lamentar



Conclusão

Prezado professor, chegamos ao final de mais um trimestre. Como foi a recepção da sua turma no desenvolvimento do tema? Esperamos que os alunos tenham alcançado o crescimento em graça e conhecimento!

Ao introduzir a aula deste domingo, revise com a turma alguns pontos importantes do trimestre, como Vocação, Apostasia, Teologia do templo, Intercessão, Soberania e Autoridade de Deus, Cuidados pastorais, Veracidade da profecia, Esperança, Fidelidade, Excelência ministerial e Opção. São pontos abordados ao longo do trimestre que ajudarão na conclusão deste.

Nesta semana os três objetivos da lição são:

1. Definir tema, local, data, importância e propósito das Lamentações de Jeremias (Informações centrais sobre o livro de Lamentações);
2.
Comparar o lamento de Jeremias ao de Cristo;
3.
Explicar o porquê da necessidade de se lamentar diante de Deus.

Para atingir os três objetivos é importante que o prezado professor faça um planejamento sistematizado da aula. Daremos exemplos que pode ser utilizado como estrutura básica de acordo com o desenvolvimento dos tópicos. Vamos listar em ordem a explicação dos objetivos estabelecidos na lição:


Objetivo1


Na página 92 da revista Lições Bíblicas de Mestre, o professor encontrará como suporte um resumo das informações centrais do assunto em o livro de Lamentações. O prezado professor poderá ampliar suas pesquisas utilizando as seguintes fontes: Bíblia de Estudo Pentecostal, editada pela CPAD, nas páginas 1559 a 1661; Bíblia de Aplicação Pessoal, editada pela CPAD, nas páginas 1020 e 1021; Guia do Leitor da Bíblia, editado pela CPAD, páginas 479 a 482. Esses materiais o auxiliarão na aquisição das informações básicas do livro “Lamentações de Jeremias”. O objetivo será alcançado quando o professor situar o aluno no contexto histórico em que as Lamentações de Jeremias foram escritas. As seguintes perguntas devem ser respondidas: Quem escreveu? Para quem escreveu? Por que escreveu? E quando escreveu?.


Objetivo 2


Numa perspectiva comparativa entre Jeremias e Jesus, o prezado professor deve explicar que apesar das Lamentações de Jeremias não ser citada por Jesus, Este apresenta, em diversas circunstâncias, lamentações por Jerusalém (Mt 23.37), Cafarnaum (Mt 11.23), Corazim e Betsaida (Mt 11. 21), denotando o mesmo sentimento de Jeremias:
Lamento pela impenitência das cidades.


Ojetivo 3


Com um caráter mais aplicativo, esse objetivo será alcançado quando o seu aluno compreender que a lamentação exercida pelo servo de Deus expressa a característica de Sal e Luz desse mundo (Mt 5.13,14) e denota, como consequência, uma obrigatoriedade de não se conformar com este mundo (Rm 12.2), por sermos filhos de Deus (Rm 8.14-16) e por termos a mente de Cristo (1 Co 2.16b). Precisamos transformar-nos diariamente pela renovação do nosso entendimento (Rm 12.2).


Aplicação


Encoraje o seu aluno a orar, interceder, lamentar e agir em meio uma sociedade sem Deus. Mostre que, apesar de algumas falsas promessas mágicas de triunfos, a vida é real e também todo o seu desdobramento, seja ele positivo ou negativo. Por isso, enquanto cidadãos nesse mundo somos sujeitos às circunstâncias presentes nele (Ec 9.2,3). Porém, isso não é motivo de conformismo, mas somos encorajados, lamentando ou se alegrando, a representar as expressões do Reino de Deus no mundo hodierno (Mt 5 – 7).


Prezado professor, na transição do atual trimestre para o próximo, é importante o exercício da auto-avaliação. Questione a si mesmo, “o que errou?”, “o que acertou?”, “o que pode aperfeiçoar?”. Ouça os seus alunos, permita que eles o avaliem. Os alunos são instrumentos chave em o nosso desenvolvimento magisterial. Deus abençoe! E boa aula!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Pela mudança da igreja

O pastor Geremias do Couto, da Assembleia de Deus em Petrópolis (RJ), publicou no seu blog Manha com a Bíblia algumas propostas para mudar a realidade da igreja evangélica brasileira. Os conselhos serão muito úteis, principalmente no contexto assembleiano. Reproduzo os pontos, pois assino em baixo em cada ideia exposta para ajudar na edificação da comunidade cristã.

Às propostas:

1. Deixe de promover eventos festivos um atrás do outro, que acarretam enormes despesas à igreja e pouco resultado trazem à vida espiritual dos crentes e à evangelização, mas não abra mão dos cultos "normais", onde todos podem ser edificados mutuamente. Aqui a comunhão pode ser experimentada em sua dimensão mais profunda.

2. Pare de criar nomenclaturas para definir um culto do outro, como, por exemplo, "culto da vitória", "culto de libertação", "culto de avivamento", "culto da virada" etc., pois culto se presta a Deus de acordo com os elementos descritos no Novo Testamento, e todos eles, quando prestados de fato ao Senhor, cumprem todas as finalidades bíblicas.

3. Reprograme as atividades extra-cultos em sua igreja, entre elas os ensaios dos diferentes departamentos musicais, para não correr o risco de um ativismo improdutivo e ter os horários de tal maneira ocupados com tantas programações que o tempo para o verdadeiro culto a Deus seja escasso, trazendo sérios prejuízos espirituais à vida dos crentes.

4. Tome a decisão radical de não convidar cantores famosos para "abrilhantar" os festejos da igreja (até porque estes em grande parte já não mais farão parte do calendário, pelo menos por um ano) e você descobrirá quantos talentos escondidos na própria igreja poderão ser aproveitados, sem custo algum, nos cultos regulares ou em outro evento extremamente indispensável. Além disso, se não houver demanda, os cantores (sem cair no terreno da generalização) deixarão de cobrar os elevados cachês e, quem sabe, aprendam a ver o que fazem como ministério e não como profissão.

5. Não deixe também de valorizar o cântico congregacional. Uma igreja que adora a Deus unida pode experimentar a vida comunitária com muito maior comunhão e proveito do que aquela em que os membros são meros assistentes de culto. Vêm e vão sem nenhum comprometimento com a vida comunitária.

6. De igual modo, pare de convidar pregadores renomados, os quais seguem a mesma linha dos cantores "profissionais" e chegam nas igrejas com os DVDs (ou CDs) da mensagem ainda a ser pregada já prontos para serem colocados à venda na porta da igreja por um preço bem módico. Quem sabe eles (sem cair também no terreno da generalização) da mesma forma aprendam e passem a servir e não buscar serem servidos.

7. Na ausência dos pregadores que não serão mais convidados, pare de "encher linguiça" durante os cultos, não mais ofereça "capim seco" às suas ovelhas, mas prepare-se para a cada culto ter sempre uma nova mensagem bíblica, cristocêntrica, sem apelar para os conhecidos e já surrados chavões, que alimente o povo e lhe aguce o desejo de voltar nos próximos cultos.

8. Pare de valorizar o formalismo da oração, que envaidece o coração farisaico, mas ensine a sua igreja o que significa orar e torne isso parte do metabolismo espiritual dos crentes de maneira que a oração, a conversa com Deus, profunda, livre e sincera, permeie tudo quanto a igreja faça.

9. Pare de promover eventos evangelísticos, mas faça com que a igreja encarne a paixão pelas almas e passe a empregar o velho (mas sempre novo) evangelismo pessoal como meio de alcançar os perdidos para Cristo. Uma boa maneira maneira é estimular a cada um para que se comprometa a orar, fazer amizade e convidar os seus parentes, amigos e vizinhos com regularidade para que assistam os cultos e ouçam a Palavra de Deus, Não é preciso ir longe. O campo está perto de cada crente. Saiba que 99% das pessoas que frequentam a igreja, hoje, foram trazidas por alguém e não por um "programa".

10. Valorize os cultos nos lares, de maneira sistemática, sem se preocupar com nomenclatura. A igreja primitiva se reunia no templo e nas casas e a maioria absoluta das igrejas existentes tiveram início em reuniões familiares.

11. Pare de fazer conchavos políticos e buscar os favores de candidatos para esta ou aquela atividade. O custo não vale a pena, compromete a voz profética e gera insatisfação entre os crentes. A melhor coisa que uma igreja faz é realizar as suas atividades com a própria receita. Quem quiser contribuir, que o faça em oculto, quando os diáconos passarem com as salvas ou quando os crentes forem chamados ao gazofilácio.

12. Resista a tentação de não cumprir as propostas acima. Sempre haverá os insatisfeitos que forçarão a barra. O risco é grande de você quebrar o compromisso, mas a perseverança é companheira dos que querem alcançar os seus objetivos. Portanto, siga em frente, olhando apenas para Jesus. Você não será decepcionado.

Leia o texto completo no blog Manhã com a Bíblia.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Gays, Brian McLaren e o besteirol do “politicamente correto”

Em 7 de fevereiro de 2005, a famosa revista Time publicou uma matéria sobre os 25 evangélicos mais influentes dos Estados Unidos. Entre eles estava o badalado pastor Brian McLaren. O emergente progressista McLaren é o queridinho dos evangélicos “cults”, aquela turminha chata que desdenha toda a teologia do protestantismo tradicional como retrógrada e superada. O texto da revista dizia: “Perguntado em uma conferência na primavera passada sobre o que ele pensava sobre o casamento gay, Brian McLaren respondeu: 'Sabe de uma coisa, a coisa que parte o meu coração é que não existe um modo de eu responder sem ferir uma das partes''. Ou seja, ele foi bem politicamente correto em sua resposta.

Fico profundamente comovido com as palavras de Brian McLaren. Ele é muito preocupado em não ofender ninguém. Ó, que coisa mais meiga! Ora, ao deixar de responder a questão sobre o casamento homossexual, McLaren só deixou de afirmar o que a Bíblia nos ensina sobre essas práticas sexuais. Que bonito, não é? Mesmo deixando a Bíblia de lado, ele não largou o sagrado politicamente correto. McLaren também é autor daquele livro (libertador, para os “cults”) chamado “Ortodoxia Generosa”, que não é nem ortodoxia, e muito menos generosa com os ortodoxos (que palavra mais feia para os “cults”).

Politicamente correto tupiniquim

Recentemente os jogadores evangélicos do Santos Futebol Clube se recusaram a participar de um evento beneficente promovido por uma organização espírita. O caso provocou polêmica em toda a imprensa. Os jogadores evangélicos não quiseram participar do ato de caridade, pois foram informados que haveria um culto espírita no local. Eles agiram errado? É claro que não. Para ajudar os necessitados não precisamos nos envolver em cultos de outras religiões. Agora, se esse culto não aconteceu, então eles estavam mal informados.

Mediante esse caso, logo a tropa “politicamente correta” dos evangélicos “cults” começou a agir. O pastor batista Ed René Kivitz escreveu um texto detonando essa atitude e atribuindo esse comportamento dos jogadores como infantilidade da religiosidade evangélica. Ele escreveu concluindo: “Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião”. Ó, que lindo!

Eu não sabia que para ajudar o próximo devemos inclusive participar de cultos que não honra a Cristo. Eu, por exemplo, já doei para uma instituição de caridade com o nome de uma “santa”, mas se eles (a instituição de caridade) me convidassem para venerar a santa, eu não iria. Posso ajudar, mas sem participar de suas práticas religiosas. Creio que essa foi, também, a postura dos meninos do Santos.

Olha, quer saber de uma coisa? Desconfie desse povo que vive falando em ajuda ao próximo, que quer salvar o mundo e outras coisas mais. Quem realmente ajuda muitas vezes nem sabe escrever textos como esses cheio do pensamento politicamente correto. Ajudam e fazem sua parte sem tentar desenvolver uma teologia do “outro deus”. Ajudam sem flertar com ideologias totalitárias e teologias sem sustentação bíblica.

Daqui a pouco, os politicamente corretos vão orar assim: “Em nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo, de Buda, de Maria, de Alá, de Maomé, de Brama, de Maradona, de Jim Jones... Amém”. Assim, eles não ofenderiam nenhuma religião que poderia reclamar de exclusão e, assim buscar o direito de “cotas” nas orações.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Baruque e a busca por grandeza

Uma pequena meditação em Jeremias 45. 1-5

Baruque era um auxiliar do profeta Jeremias. Aliás, o único seguidor e amigo do profeta. Jeremias pregou por quatro décadas, mas somente o nobre Baruque dava ouvidos e escrevia o era declarado por ele. Baruque era jovem e certamente esperava frutos positivos no ministério do grande profeta, mas nada aconteceu. Jerusalém seria destruída em breve pelos babilônicos, e ele poderia perder até a sua vida. Então veio a decepção: “Ai de mim agora, porque me acrescentou o SENHOR tristeza à minha dor! Estou cansado do meu gemido e não acho descanso” (Jr 45.3).

Aqui aprendemos a primeira lição:

1. O crescimento e o sucesso não são necessariamente resultado de uma vida que agrade a Deus

Quantas vezes não estamos como Baruque? Recebemos talentos de Deus, mas não enxergamos os frutos. Sim, muitos vezes estamos cometendo erros que minam as sementes do crescimento; mas também podemos fazer tudo certo, e mesmo assim nada vingar. Simplesmente a vitória não vem. Ficamos tristes como Baruque, pois sempre temos a mania de pensar que fazer a obra de Deus é garantia de sucesso. O Senhor nos faz acordar e lembrar que insucessos fazem parte da vida cristã.

Costumamos julgar os outros talentos pelos resultados. Achamos que quando existe crescimento o talentoso está sendo abençoado por Deus. Ora, muitos crescem sem nenhum compromisso com o Senhor, simplesmente o crescimento é um inchaço sem sustento. Se crescimento fosse garantia de bênção divina, muitas seitas poderiam ser consideradas a essência do cristianismo. E nem sempre um ministério “derrotado”, pequeno e com dificuldades significa desagrado a Deus, mas simplesmente são contingências que fazem os homens sentirem a maturação na vida pelas provas.

Portanto, se você dirige uma grande Escola Dominical, se você dá palestras para multidões, se você prega para milhares, se você é pastor de uma grande igreja, se você é um blogueiro de sucesso, se você é um escritor de best-sellers... Não pense que Deus está abençoado sua vida como fruto de sua piedade, muitas vezes estamos bem longe de Deus e bem próximos do sucesso no ministério cristão.

Jeremias ganhou somente uma alma, como diríamos no evangeliquês, mas foi um dos maiores profetas que passaram por essa terra. Pedro ganhou milhares de almas em um só dia e também foi um dos maiores homens de Deus da história. O importante não são os números, mas a nossa comunhão com Deus. Se somos líderes de um pequeno grupo ou uma enorme catedral, o importante é a comunhão com Ele.

O interessante é que Deus não deixa o jovem desamparado e sem resposta. Mas certamente ele ouve uma declaração que não esperava. O Senhor relembra que é soberano: “Eis que o que edifiquei eu derribo e o que plantei eu arranco, e isso em toda esta terra” (v. 4). Aqui aprendemos a segunda lição:

2. Deus é soberano e sabe o melhor para as nossas vidas

Parece conformismo de derrotados e complexados pela dominadora religião. Não, a doutrina da soberania de Deus não visa a inércia do homem e nem a passividade diante de qualquer injustiça. Agora, a soberania de Deus é um alerta para que a nossa murmuração não avance diante de nossa ignorância. Conhecemos o futuro? A humanidade nasceu em nós? Teremos todas as respostas? É claro que a resposta para cada uma dessas perguntas é um sonora não.

Mesmo não sendo possível que conheçamos todas as repostas, Deus jamais nos impede de fazer as perguntas e buscar algumas respostas possíveis. Baruque estava desesperado e sem respostas. Ele fez as perguntas. Ele ouviu sobre a soberania divina e recebeu a promessa que não seria morto pelos babilônicos. As provas passadas por ele não eram para mostrar a Deus alguma coisa, mas sim para mostrar a ele mesmo a extensão de seu caráter. Como declarou C. S. Lewis perante a morte de sua amada:

Deus certamente não estava fazendo uma experiência com minha fé nem com meu amor para provar a sua qualidade. Ele já os conhecia muito bem. Eu é que não. Nesse julgamento, Ele bos faz ocupar o banco dos réus, o banco das testemunhas e o assento do juiz de uma só vez. Ele sempre soube que o meu templo era um castelo de cartas. A única forma de fazer-me compreender o fato foi colocá-lo abaixo. [1]

Não podemos entender tudo, pois somos mortais. Mas podemos fazer perguntas. Não precisamos cair no conformismo, e nem muito menos na murmuração vazia de alguém daqueles se achamo centro do mundo e manifestam isso no ato do desespero. Sejamos sim, honestos como os nossos sentimentos, mas buscando sempre ao consolo de Deus.

No versículo 5, Deus pergunta para Baruque: “E procuras tu grandezas?”. Aí chegamos em mais uma lição:

3. Não devemos procurar grandezas

Queremos coisas especiais para nós. Queremos o tratamento diferenciado. Queremos grandeza. Buscamos conforto, segurança, saúde, vigor, prazer... simplesmente o tempo todo. Baruque assim também desejou nos tempos mais difíceis na vida naquela nação. Deus ia destruir o que Ele mesmo construiu. Certamente não fazia isso por prazer. Mas ainda assim Baruque pensava na sua satisfação, como qualquer um de nós provavelmente pensaríamos.

Quando buscamos tanto prazer terreno, deixamos de desfrutar do prazer no Senhor. Quando buscamos tantas alegrias no mundo, esquecemos da alegria vinda de Deus. Assim trocamos Jesus Cristo pela banalidade que é a vida. Vivemos constantemente como hedonistas que pensam somente em como aumentar o prazer e satisfação pessoal.

Como igreja evangélica estamos em uma fase horrível. A busca desenfreada pela prosperidade, curas, supostas libertações e modos de vida perfeitos são os venenos que matam a cada dia a vida na igreja brasileira. Os cultos se resumiram em reuniões de autoajuda fajuta, sendo que o Evangelho e a satisfação em Deus vão ficando para trás.

Essa igreja que busca prestígio deveria simplesmente lembrar a oração do salmista: “SENHOR, o meu coração não se elevou, nem os meus olhos se levantaram; não me exercito em grandes assuntos, nem em coisas muito elevadas para mim” (Sl 131.1). Assim, deixaria a bajulação a políticos e outras formas de ganhar fama e poder.

Referência Bibliográfica:

[1] LEWIS, Clive Staples. A Anatomia de uma Dor: um Luto em Observação. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2007. p 71.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Saramago e os evangélicos da cabeça oca

Ganhamos um amigo e a fé me diz que ele agora mergulhou naquele Mistério de amor que sempre buscou. (Leonardo Boff sobre José Saramago)

O escritor português José Saramago morreu na última sexta-feira. O único Nobel de literatura na língua de Camões, Saramago reinventou a pontuação e escreveu histórias interessantes. Eu não sou o cara adequado para analisar cada um dos seus livros, mas críticos literários respeitáveis dizem que ele se perdeu nas letras após a fama. Seus primeiros livros são grandemente elogiados, enquanto os últimos era mais um atendimento ao mercado.

Saramago era ateu militante. Era também um comunista, digamos, coerente. Quando editor de um jornal na década de 1970, demitiu todos os jornalistas que não seguiam a cartilha socialista. Logo se vê a sua natureza democrática que tinha o escritor. Defendia com unhas e dentes a ditadura castrista. Acredita nos irmãos Castro mas desacreditava na humanidade, como expressou no criativo livro “Ensaio sobre a Cegueira”. Dizia que a Bíblia era um livro de conselhos perversos. Deus? Era coisa de cabeça ignorante.

Pois bem, Saramago não era muito diferente de outros ateus fundamentalistas. Era arrogante, chato, ideólogo sem direitos humanos, conhecimento bíblico pífio e talentoso naquilo que fez durante a vida. Desculpe, mas não consigo separar muito bem o escritor da pessoa. Essas características me impedem de admirar esse grande escritor. Sim, ele disse verdades, posso reter o bem dos seus escritos, mas jamais o terei como paradigma para a minha vida.

Agora, tem evangélico por aí tão fã do Saramago que já sonha em vê-lo no céu. Não posso julgar a salvação de ninguém, mas o céu é lugar para aqueles que não acreditam na transcendência e que sempre desprezam a pessoa de Jesus Cristo? Como alguém mergulha em um mistério de amor que nunca acreditou? Ou o cristianismo tem critérios ou deixa de deixa de ser cristianismo. Esses pastores e teólogos evangélicos que veem espiritualidade no ateísmo deveriam deixar seus gordos salários de seminários e grandes igrejas e se dedicaram exclusivamente ao ateísmo. Chega dessa hipocrisia cult.

Entre os escritores portugueses ainda prefiro o padre António Vieira e os seus sermões.

Leia mais:

- Comentário sobre a cegueira embevecida, por Reinaldo Azevedo (aqui)

- E agora, José?, por Martim Vasques da Cunha (aqui)

- Cadernos especiais sobre o autor nas edições de sábado (19/06) nos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo.

domingo, 20 de junho de 2010

Bola de Neve, o novo point das celebridades

Por WALLACE CARVALHO

RIO DE JANEIRO -O que Monique Evans, Guilherme Berenguer, Danielle Winits e Fernanda Vasconcellos têm em comum? Eles frequentam a Bola de Neve. O novo point das celebridades não é um restaurante no Leblon, nem uma praia carioca, nem uma boate badalada de São Paulo. Famosos dos mais variados escalões frequentam, na verdade, os cultos de uma igreja, chamada Bola de Neve.

Continue lendo aqui. Reportagem do site MSN.

Comento:

Esse título de igreja das celebridades pertencia antes à Igreja Sara Nossa Terra. Hoje, a Bola de Neve ganha com os seus membros globais. Isso é bom ou ruim? Depende. Se a conversão é real, isso é muito bom; mas se a igreja é vista como uma opção de exercício de espiritualidade sem compromisso, então é muito ruim. Aliás, espiritualidade está na moda, agora o compromisso com o Evangelho vai além de orações e cultos bacanas. Evangelho é toda uma vida. Isso serve para mim, para você ou para um ator convertido. É preciso que a mudança de vida e caráter aconteça.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Lição 12 - A Opção pelo povo de Deus

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD

Leitura Bíblica em Classe
Jeremias 40.1-6

Introdução


I. As profecias de Jeremias se cumprem
II. A opção de Jeremias
III. Como os heróis da fé fizeram suas opções


COMENTÁRIO BÍBLICO DE JEREMIAS 40.1-6

A soltura de Jeremias (40.1-6)

A missão de Jeremias ainda não tinha terminado. Ele sobreviveu ao ataque de Jerusalém e foi libertado das correntes quando ia para Ramá, um lugar onde os cativos eram processados a caminho de Ribla, e daí para a Babilônia. Mas, finalmente, ele iria parar no Egito, forçado por seus inimigos judeus e, presumivelmente, ali morreu, depois de vicissitudes sobre as quais as Escrituras nada revelam. Mas podemos estar certos que não havia planejamento inseguro da parte de Yahweh, o qual conduziu o profeta sempre em segurança.

Palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor, depois que Nebuzaradã, chefe da guarda, o pôs em liberdade em Ramá (40.1).


Estas palavras atuam como uma espécie de cabeçalho para a nova porção do livro de Jeremias – capítulos 41-44 – a saber, as profecias dirigidas aos judeus que estavam na Judeia e no Egito, depois que a cidade foi tomada... A profecia só começa em Jer. 42.7. Até lá temos apenas pano de fundo histórico. Para ter liberdade de completar seu ministério profético, Jeremias não podia ficar preso por correntes, em companhia de outros cativos. Assim sendo, em Ramá, onde os cativos eram selecionados para ser enviados a Ribla e, dali, para a cidade de Babilônia, a influência de Yahweh tinha de ser sentida para libertar Seu profeta e fazê-lo voltar a Jerusalém, onde sua missão prosseguiria.

Tomou o chefe da guarda a Jeremias, e lhe disse (40.2).


Jr. 39.11 ss. Deixa claro que Jeremias era bem conhecido na Babilônia, incluindo pelo próprio Nabudonosor, que tomou providências especiais para garantir que ele fosse bem tratado enquanto os babilônios estavam na cidade matando (quase) todos os outros judeus. Nebuzaradã conhecia as profecias de Jeremias contra Judá [grifo nosso], por causa de sua horrenda idolatria-adultério-apostasia, pelo que tinha consciência do aspecto espiritual da queda de Jerusalém, que não envolveu somente os jogos internacionais de poder que inspiraram a Babilônia a conquistar Judá. As palavras de Nebuzaradã, entretanto, não dão a entender que ele estava voltando-se para o yahwismo. Era crença universal, entre as nações pagãs, que os deuses eram agentes que ajudavam seus povos a ganhar ou perder guerras. O politeísmo de Babilônia permitia facilmente que Yahweh fosse o deus eficaz de Judá.

O Senhor o trouxe, e fez como havia dito. Porque pecaste contra o Senhor... (40.3)


Até o pagão Nebuzaradã reconheceu a operação da lei da colheita segundo a semeadura no que tinha acontecido a Jerusalém. A idolatria-adultério-apostasia de Judá finalmente tinha cobrado seu tremendo preço. Yahweh fora a causa disso e os babilônios foram o instrumento usado por Deus para tanto. Todas as coisas acontecem exatamente em concordância com a providência de Deus, de acordo com seus aspectos negativos e positivos. Isso, entrentanto, não nos deve fazer negligenciar as causas secundárias – o homem e sua perversa vontade, rebeldia e apostasia. De outra forma, se promovermos a ideia de que Deus é a Causa Única dos acontecimentos, então teremos de fazê-Lo também a causa do mal, o que reflete uma teologia ridícula. Cf. Dt. 29.24-25.

Agora, pois, eis que te livrei hoje das cadeias que estavam sobre as tuas mãos (40.4).


A Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura deu vida a Jeremias, e isso através das mãos de um pagão. Era a mesma lei que havia ditado a destruição de Jerusalém, por meio da mesma mão. Além disso, a Jeremias foi oferecida liberdade [grifo nosso], ao passo que a maioria dos sobreviventes da matança foi levada cativa para a Babilônia. Jeremias poderia ir para Babilônia, onde seria bem tratado e prosperaria sob os auspícios de Nabudonosor [grifo nosso].

Mas, visto que ele tardava em decidir-se, o capitão lhe disse: Volta a Gedalias (40.5).


Quando Jeremias voltou-se para partir, Nebuzaradã reenfatizou a oferta de “faze o que bem quiseres”; mas, ao mesmo tempo, sugeriu que ele fosse para a companhia de Gedalias, que tinha a gigantesca tarefa de pôr em ordem as coisas e precisava de toda ajuda que pudesse obter. Ele fora nomeado governador de Judá pelos babilônios e fizera sua capital em Mispa, visto que Jerusalém fora reduzida a um montão de ruínas. Não obstante, Jeremias estava livre para fazer o que bem entendesse, seguindo a sugestão de Nebuzaradã ou não.

Assim foi Jeremias a Gedalias, filho de Aicão, a Mispa (40.6).


Tendo recebido um pequeno empurrão de Nebuzaradã naquela direção, e depois de ter consultado seu coração, Jeremias resolveu ajudar Gedalias, o recém-nomeado governador de Judá, em qualquer coisa que pudesse. Portanto, Jeremias escolheu o caminho mais difícil, e não o da vantagem pessoal [grifo nosso]. Nunca mais se levantaria rei em Israel, até que aparecesse o Messias, quando a linhagem de Davi voltaria. O próprio governador, Gedalias, era apenas um boneco da Babilônia. Mas isso não significa que não houvesse uma tarefa importante a ser realizada. Entrementes, o remanescente de Judá estava no processo de purificação, a fim de que depois dos setenta anos de cativeiro (Jr 25.11) houvesse um Novo Israel, embora humilde. Gedalias tinha-se estabelecido em Mispa, no território de Benjamim, que fora menos atingindo que o resto de Judá pelos terrores do exército da Babilônia. Esse lugar ficava somente 16 Km ao norte de Jerusalém, pelo que era extremamente conveniente para a nova capital.

Texto Extraído: CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Rio de Janeiro, CPAD, p. 3118, 9.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Cavando a própria cova (Parte 02)

Alguns problemas estão levando à Assembleia de Deus para a própria cova. No primeiro artigo, eu escrevi sobre a falta de capacitação ministerial e a mesquinha disputa de poder no decorrer da história dessa organização quase centenária. Agora, apresento outros problemas:

O legalismo

O legalismo é a tendência de proibir o que a Bíblia não proíbe, simples assim. Na Assembleia de Deus já foi pecado jogar bola, torcer para a seleção, usar maquiagem, assistir televisão, usar adornos, usar calção etc e tal. Aliás, em algumas comunidades essas absurdas proibições persistem. Como isso, essa igreja perdeu tempo com trivialidades e não se preparou para encarar os reais desafios de sua época. Um jovem médio da Assembleia de Deus, aquele que frequenta assiduamente cultos de mocidade, é um sujeito incapaz de fazer voz na sua faculdade, por exemplo. Ora, em lugar de apreender a agir como sal da terra, esse jovem ainda tem que ouvir sobre os perigos advindo do Palmeiras ou Corinthians.

O legalismo é mais ou menos um sujeito preocupado com cor da tinta da cozinha enquanto a comida queima e o gás vaza pela casa. Enquanto pastores falam de maquiagem e futebol, nas Assembleias de Deus mais radicais, os jovens e os crentes em geral não sabem lidar com os desafios do pós-modernismo. Assim, muito se apegam as tradições com aquele papo de quem não lê a Bíblia direito: “Não remova os marcos antigos”.

Liderança centralizadora

A Assembleia de Deus nasceu congregacional (bons tempos), mas hoje é um episcopado coronelista. Os coronéis decidem lá de cima e os outros de baixo que se virem em obedecer. Junto com o coronelismo vem o nepotismo, o amiguismo e outros pecados do chamado jeitinho brasileiro. É a pura falta de ética e um distanciamento do modelo de liderança de Jesus, que serve antes de ser servido. A liderança centralizadora simplesmente age como pequenos déspotas em decisões administrativas, por exemplo.

A Assembleia de Deus não precisa de papas. A comunidade tem que ser livre na sua administração, mesmo com fiscalização. Mas não há lógica que a compra de um copo plástico precise de autorização de uma sede. O que é isso? Uma igreja ou um organismo burocrático do Estado? A autonomia é o caminho.

Conclusão

Se continuar com esses problemas a Assembleia de Deus passará por um centenário sem motivos para a comemoração. Uma igreja em que reina a divisão por poder, o legalismo, o nepotismo, o analfabetismo bíblico, a ética frouxa, a liderança centralizadora, etc... Se continuar assim é simplesmente o fim.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Valdomiro e Malafaia disputam canal de televisão

Antes de seguir com a continuação do post “Cavando a própria cova”, leia essa notícia que saiu da edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo. Volto no final.

Shop Tour é disputado por evangélicos

Keila Jimenez - O Estado de S.Paulo

Pelo menos duas entidades religiosas, a Igreja Mundial do Poder de Deus, do bispo Valdomiro Santiago, e a Assembleia de Deus, do pastor Silas Malafaia, estão no páreo pela compra da rede de televendas Shop Tour, de Luiz Galebe. As negociações, que emperraram após Galebe pedir R$ 120 milhões por sua rede inteira, incluindo prédios comerciais, foram retomadas agora com valores menores e foco na venda da frequência dos canais. O que mais interessa aos potenciais compradores não é a rede em si, com repetidoras pequenas, e sim a geradora do canal, em Cachoeira do Sul (RS), e a frequência do Shop Tour em São Paulo. Procurado, o Shop Tour não retornou à coluna.

Comento:

De duas uma: ou os caras estão com muuuuuuuuuuuuita fé, leia-se, confiança nas ofertas, ou eles já possuem muuuuuuuuuuita grana para comprar uma rede de televisão por R$ 120 milhões. Quem disse que a “teologia da prosperidade” não funciona? Ora, para o povo que oferta não, mas já para os profetas...

Cavando a própria cova!

O evangelista Daladier Lima escreveu um interessante artigo sobre a crise na CGADB, afirmando: “os problemas da CGADB estão enraizados em nossas igrejas”. Achei a frase simplesmente perfeita. O problema está enraizado nas estrutura organizacional e no estilo de liderança das Assembleias de Deus. Há muito tempo que essa denominação cava a sua própria cova. Vejamos:

Liderança sem capacitação

Um problema tão antigo quanto a própria Assembleia de Deus. Antes, a liderança não tinha capacitação por falta de recursos para educar tanta gente, mas e hoje? Qual é a desculpa? Ora, como sempre falei: Em algumas cidades do interior do Maranhão, que conheci pessoalmente, alguns pastores tinham salários equivalentes aos enfermeiros dessas cidades, mas suas bibliotecas se resumiam na Bíblia de Estudo Pentecostal. E tenho sérias dúvidas se liam as notas escritas por Donald Stamps. Ah, e também tenho sérias dúvidas se liam o texto canônico, que é o mais importante.

Liderança sem capacitação, sem talento e sem dons ministeriais abre espaço para, digamos, pessoas que alcançaram um ministério pastoral simplesmente por serem amigas do pastor presidente. É sério, isso existe e é muito grave. Gravíssimo por sinal, pois ordenar alguém sem dom paro o pastorado é irresponsabilidade e pecado. Outros pecados surgem quando gente talentosa (no sentido de chamada ao ministério) e capacitada não alcançam espaço. Exemplos não faltam: O nepotismo, o amiguismo, o fisiologismo etc.

Disputa por poder

Em todas as grandes denominações houve divisão, incluindo igrejas mais histórias como a Igreja Anglicana e a Igreja Luterana. Agora, não existe igreja mais dividida do que a Assembleia de Deus. A coisa já começou lá atrás, na Assembleia de Deus no Rio de Janeiro, no bairro de Madureira. Depois, as divisões não pararam. Ainda hoje há brigas entre ministérios, que pasmem senhores e senhoras, proíbem os membros de visitarem o ministério opositor, mesmo sendo tudo Assembleia de Deus com seus pastores filiados à CGADB.

A disputa por poder já nasce no interior das comunidades, que disputam cargos e ocupações nas suas respectivas sedes e convenções estaduais. É poder pelo poder. Poder do alto? Não, é simplesmente poder dos homens. A fome para o poder é tão grande que os pastores se candidatam a cargos políticos, algo repudiado oficialmente pelo Conselho Político da CGADB, mas não aplicado, como nos informou o pastor Geremias do Couto na sua carta de renúncia desse conselho.


(Leia a segunda e última parte deste artigo no próximo post).

sábado, 12 de junho de 2010

Lição 11 - A Excelência do Ministério

OBS: Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD

PADRÃO ÉTICO CRISTÃO: UMA PRIORIDADE NO MINISTÉRIO PASTORAL?

O contexto hodierno do cenário evangélico brasileiro, no que diz respeito à ética ministerial, clama por uma profunda reflexão de acordo com os pilares que sustentam o modelo de vida proposto pelo o reino de Deus, isto é, o seu padrão ético.

À guisa de uma definição mais expressiva sobre a ética, poderíamos propor “a conduta ideal do indíviduo” [1]. Naturalmente, é unânime, no contexto social, que o indivíduo exerça uma conduta exemplar. Porém, o problema ético surge quando ocorre a tensão entre o comportamento ideal e a conduta defeituosa.

O “inter-relacionamento do nosso ser” [2] definirá a veracidade de caráter. Nessa relação, a tensão entre o comportamento ideal e a conduta defeituosa é inevitável, assim como não podemos impedir o raiar da luz solar, as verdades de nossas ações soam como um sino que tine numa cidade.

É nessa linha de reflexão que o texto do Pr. John Macarthur Jr. confronta o comportamento ideal no ministério pastoral e a conduta defeituosa em seu exercício:

O modelo de Liderança Eclesíastica da “Terceira Geração”

[...] A responsabilidade dos líderes da igreja é o assunto de 13.17 (epístola aos Hebreus), que trata especificamente de sua responsabilidade como exemplos. O autor instrui os leitores: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver”. Examinar o resultado de seu estilo de vida (de anastrophe) e imitar (imperativo presente de mimeomai) a perseverança deles na fé são esforços paralelos. Tais exemplos concretos harmonizam-se com a ênfase total da epístola, que é permanecer.
A mensagem correspondente de Pedro dirigi-se diretamente aos líderes da igreja. Ele ordena aos presbíteros: “Apascentai o rebanho de Deus que está em vós” (2 Pe 5.2; conforme Jo 21.15-17; At 20.28). Esse é o único imperativo na passagem, mas seu sentido imperativo permeia todas as qualificações seguintes (vv. 2,3). Três contrastes destacam os motivos da liderança espiritual:

1. Os líderes espirituais não devem servir por constrangimentos humanos, mas por compromissos divinos.

2. Os líderes espirituais não devem ministrar por lucros injustos, mas com zelo espiritual.

3. Os líderes espirituais não devem liderar como ditadores orgulhosos, mas como humildes exemplos.

Os pastores do Novo Testamento têm a obrigação impositiva de ser um modelo ético para o rebanho de Deus. As ovelhas, por sua vez, devem imitar a vida de seus líderes [grifo nosso] (Hb 13.7), o que exige humildade genuína (1 Pe 5.5,6).

O Modelo da Igreja para a Igreja

[...] Hebreus 6.12 também fala da exemplificação. Os exemplos aqui são todos os que “pela fé e paciência, herdam as promessas”. O autor urge com os leitores dessa epístola a se alistarem em suas fileiras por meio de uma conduta de imitação.
Michaelis está correto ao afirmar:

A exortação em 3 João 11: [memimou to kakon Allá to agathon, “Não sigas o mal, mas o bem”] é geral, mas está estreitamente relacionada com o que a antecede e sucede. Gaio não deve ser enredado por Diótrefes, que é denunciado em v. 9. Ele deve seguir Demétrio, que é louvado no v. 12.

As Escrituras nunca afirmam que os crentes devem imitar uma abstração. Como aqui, o exemplo é sempre concreto. Essa passagem fornece tanto o padrão negativo como o positivo.
O povo de Deus deve imitar não apenas outros discípulos maduros, mas também as pessoas que Deus lhe ofertou por líderes espirituais (Ef 4.11-13). Estes, por sua vez, em harmonia com os testemunhos do círculo apostólico, devem esforça-se para ser como Cristo, o único que manifesta a imagem moral perfeita de Deus. No Novo Testamento, o elo vital da imitação ética representada nos líderes da igreja é particularmente evidente. Por conseguinte, para redescobrir o ministério pastoral de acordo com a Palavra de Deus, é preciso que os líderes eclesiásticos de hoje não só reconheçam e ensinem a prioridade da exemplificação moral, mas aceitem esse desafio maior pessoalmente e, por sua graça, vivam como exemplos diante das ovelhas de Deus e de um mundo crítico, pronto para levantar uma acusação de hipocrisia [grifo nosso]. [3]

O modelo proposto por Cristo para o exercício de uma ética cristã incube os representantes do reino a desempenharem um papel que protagonize a excelência do reino, e jamais o sucesso individual.

No cenário evangélico brasileiro é possível desempenhar esse papel?

Reflexão:
“Devemos não só nos perguntar: O que estamos sendo?, mas também: Estamos sendo em direção a quê?” (JOHN, Cheryl e WHITE, Vardaman)


Referência Bibliográfica
MACARTHUR, John Jr.
Ministério Pastoral. Rio de Janeiro, CPAD, 4ª ed. 2004
Panorama do Pensamento Cristão. Rio de Janeiro, CPAD, 2001
CHAMPLIN, R. N.; BENTES, J. M.
Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo, Editora Candeia, 1995, vol. 2

[1] CHAMPLIN, R. N.; BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo, Editora Candeia, 1995, vol. 2, p. 554.
[2] Panorama do Pensamento Cristão. Rio de Janeiro, CPAD, 2001, p.299.
[3] MACARTHUR, John Jr. Ministério Pastoral. Rio de Janeiro, CPAD, 4ª ed. 2004, p. 289-291.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Cristianismo não vende ilusões

"Se você quiser uma religião que te faça feliz, eu não recomendo o cristianismo” (C. S. Lewis)

Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós” (Jesus Cristo, em Mateus 5.11)

O que eu mais amo no cristianismo é o seu senso de realidade. O cristianismo bíblico é coerente com a vida. Não se vende ilusões, fantasias e utopias. Não se vende felicidade dos contos de fadas. Ah, não existe “e todos viveram felizes para sempre” e muito menos a promessa de ausência do sofrimento físico, emocional e espiritual. Cristianismo não é autoajuda.

Quem vende ausência de sofrimento certamente ignora o cristianismo. Deus cura? Sim, Ele cura. Mas na maioria das vezes isso não acontece. Deus nos livra de acidentes? Sim, é claro. Mas nem sempre. Deus me ajuda nos momentos de dificuldade? É claro que sim, mas se Ele ajuda é certo que a dificuldade virá primeiro.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Um centenário pior do que o do Corinthians

O título é uma brincadeira, mas o assunto é sério, muito sério. Quanto mais próximo do centenário, mas temos lido sobre a profunda crise que se passa no seio da Assembleia de Deus, em especial a sua maior convenção de pastores, a CGADB. Veja alguns exemplos:

01) Os apoios políticos da Assembleia de Deus

Nessa última segunda-feira, o Ministério Belém mostrou apoio, na pessoa do seu presidente, para o candidato ao senado Orestes Quércia (PMDB). O pastor José Wellington chamou Quércia de “amigo da igreja”. Quércia quando governador de São Paulo saiu com inúmeras acusações de corrupção. Pelo jeito a nossa querida Assembleia de Deus jamais lutaria pela campanha “Ficha Limpa”. O critério de escolha dessa igreja espanta qualquer ser com bom senso. Mas esse mal não é de hoje.

Esse mesmo ministério apoiou em 2004 o deputado Paulo Maluf (PP). Logo quem? Paulo Maluf já foi até preso, coisa rara para políticos no país. Mas naquela eleição de seis anos atrás, o pastor José Wellington Junior disse: "Buscamos a paz e a prosperidade para esta cidade e por isso, hoje, a Assembleia de Deus escolhe o senhor [Maluf] como nosso candidato. Oferecemos ao senhor o apoio unânime que o senhor deseja e merece". O belemita Paulo Freire afirmou na ocasião: "Nós estamos com Paulo Maluf para o que der e vier, porque essa igreja tem princípios". Que princípios? Certamente o princípio da honestidade não poderia ser aplicado ao candidato Maluf.

Então, faço uma lista de sugestão de apoios:

- José Dirceu (PT), o chefe do mensalão petista.

- José Jesuíno (PT), um dos cabeças do mensalão.

- José Roberto Arruda (Sem partido), o cabeça do esquema do panetone em Brasília.

- José Sarney (PMDB), o cacique que fez do Maranhão o segundo pior IDH do país e aquele que emprega o namorado da neta.

- Anthony e Rosinha Garotinho (PR), aqueles que usam a máquina de propaganda do Estado para benefício próprio.

- Renan Calheiros (PMDB), aquele que paga a conta da ex-amante com benefícios públicos.

E outros inúmeros homens e mulheres de princípios e valores! Mas certamente princípios e valores das trevas, nunca do Reino de Deus. Além de apoiar candidatos, o que já é em si antiético, a escolha é bem ruim.

02) Irmãos Câmara investigados pela Polícia Federal

O portal Gnotícias informa:

A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito policial para investigar os irmãos Jônatas, Dan e Samuel Câmara, a Igreja Assembleia de Deus e a Fundação Boas Novas – entidades dirigidas por eles – por suspeita de ‘lavagem de dinheiro’ e evasão de divisas.

O inquérito está no site do Tribunal Federal da 1ª Região (www.am.trf1.gov.br), no processo2005.01.00. 000005-4. A investigação foi confirmada pelo superintendente da PF no Amazonas, Sérgio Fontes. Jônatas é presidente da Assembleia de Deus no Estado, Samuel dirige a igreja no Pará e Dan Câmara é pastor da igreja e comandante-geral da Polícia Militar (PM) do Estado.

Pois bem, é ainda uma investigação, mas tal fato já mostra o nível de confiança que os nossos grandes líderes despertam nas autoridades. Se tal fato for provado, teremos um escândalo suficiente para abalar parte significava das Assembleias de Deus, principalmente na região norte do Brasil.

No próximo post continuo com outras notícias que demostram essa grave crise no meio das Assembleias de Deus. É bom lembrar que a CGADB, como a própria denominação Assembleia de Deus, são instituições humanas, e assim sendo estão sujeitas ao desaparecimento e falência moral, estrutural e financeira. Certamente não era esse o centenário desejado por muitos piedosos líderes que já morreram ou outros que continuam vivos, na atuação séria pelo Reino de Deus.