sexta-feira, 30 de julho de 2010

Lição 05 - A Autenticidade da Profecia

obs: ESCRITO PELA CPAD

Leitura Bíblica em Classe
Deuteronômio 13.1-5; 18.10-12

I. O desprezo do Senhor
II. A paixão e a morte de nosso Senhor Jesus Cristo
III. Lições Doutrinárias do sacrifício de Cristo


Prezado professor, a revista Lições Bíblicas de Mestre, lição 5, na página 37, desse trimestre, trás um diagrama que o auxiliará para o uso deste subsídio. Para o fim de introduzir a lição, você poderá apresentar o diagrama que reproduz a história mundial através do sonho do rei Nabucodonosor, da Babilônia.
A autenticidade das profecias veterotestamentárias é inquestionável, principalmente, quando analisada de acordo com os acontecimentos dos históricos mundiais. A autoridade e a capacitação divinas confirmam a exatidão das profecias expressas sobre dois assuntos completamente desconhecidos pelos profetas em sua época: a transição dos impérios e o reinado de Cristo. Quem poderia desvendar a história mundial que culminaria na implantação do grande reino literal, o milênio? A história contada a partir do sonho do rei Nabucodonosor, da Babilônia, e interpretada divinamente pelo profeta Daniel, remonta um evento profético nunca visto antes: Deus de antemão revela seu plano para o mundo em detalhes.

O Sonho Profético do rei Nabucodonosor

O rei Nabucodonosor sonhou com uma estátua de ouro, prata, bronze e ferro/barro sendo atingida por uma pedra. Seus membros representavam os quatro grandes impérios mundiais e seus poderes futuros no mundo. A cabeça de ouro era a Babilônia, o peito e os braços de prata representavam os Medos e os Persas, os quadris de bronze representavam a Grécia, e as pernas e os pés de barro/ferro simbolizavam o Império Romano.
A pedra representa o Messias de Israel que feri os pés de barro/ferro da estátua esmiuçando-a completamente. Deus estabelece seu futuro reino que jamais terá fim. Esse reino se refere ao futuro reino messiânico de Cristo Jesus (Dn 2.44; Is 60.12; Zc 14.16-19).
O desdobramento dessa profecia deixa clara a absoluta soberania de Deus sobre os assuntos da humanidade. Independentemente das condições políticas, econômicas, sociais e religiosas; Deus conhece o passado, estabelece o presente e revela o futuro. Por isso na condução da história da humanidade, os impérios se formaram sempre a partir da ação de Deus como justiça em sua Terra.

Resumo Histórico dos Impérios

O império babilônico foi anunciado por Deus quando chegara a Israel para dominá-lo (605 – 539 a.C.). Babilônia teve sua grande ascensão, mas de imediato começou a desintegrar-se cedendo lugar, no cenário mundial, ao reino medo-persa (539 a.C.).
O rei medo-persa, Ciro, foi chamado por Deus de servo “o pastor que cumprirá tudo o que me apraz” (Is 44.28). Ainda que inferior ao reino babilônico, o império dos medos foi por muito tempo majoritário no cenário mundial. Porém, como os babilônicos, foi posteriormente dominado e preterido pelo Império Grego fundado por Alexandre Magno (330 a.C.).
O jovem imperador foi conquistando terras e desbravando territórios até que repentinamente a morte o subjugou. Com a morte de Alexandre o império grego foi dividido dando lugar ao longo domínio do famoso Império Romano (67 a.C). Roma dominou o mundo numa amplitude que nenhum outro império dantes fizera. Mas após sua divisão (impérios ocidental e oriental) depois do reino de Teodósio (395 d.C.), o império romano finalmente sofreu a queda (império ocidental - 476). Esse pequeno resumo histórico mostra a precisão cirúrgica da profecia que o sonho interpretado pelo profeta Daniel descreveu a respeito dos rumos do mundo.
Apesar de esses impérios terem caídos, suas influências são experimentadas até hoje. A astrologia babilônica, a ética medo-persa, a arte e filosofia grega e a ideia de que se pode conquistar a paz através do poderio militar[1], remontam os intensos desejos que a humanidade tem em usufruir da verdadeira paz. Porém, a filosofia de vida e os valores desse mundo darão lugar, ao estabelecimento integral do reino de Cristo Jesus. Ele encherá a terra inteira e estenderá o seu governo aos novos céus e a nova terra (Ap. 21.1). Diferentemente dos reinos anteriores, o de Cristo não será transitório, imperfeito e inacabado; mas a eternidade, a perfeição e estabelecimento final serão a ratificação do plano salvífico orquestrado por Deus antes da fundação do mundo (Hb 9.26).

Professor, sua tarefa neste domingo é autenticar a veracidade da profecia bíblica para o seu aluno afirmando que Deus é Soberano e Senhor da história humana. Ele intervém soberanamente segundo o conselho de sua vontade. Se Ele cumpriu o que predisse a mais de dois mil anos atrás, devemos aguardar com fé revigorada o cumprimento completo do estabelecimento do seu reino na Terra. Mostre ao seu aluno que a melhor forma de fazer isso é vivendo as características, a ética e as premissas do reino de Deus como se tivéssemos nele (Mt 5, 6 e 7).

Boa aula!


Referência Bibliográfica

SOARES, Ezequias. O Ministério profético na Bíblia. Rio de Janeiro, CPAD, 2010.
ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro, CPAD, 2009.
LAHAYE, Tim; HINDSON, Ed. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. Rio de Janeiro, CPAD, 2008.

[1] Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro, CPAD, p. 1248.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Aviso II

Amigos,

Estou em viagem, como disse antes. Tenho tentado postar todos os dias, mas so volto com textos diarios a partir do dia 03 de agosto. Por enquanto vou postando alguns videos interessantes.

Abracos!

PS: Desculpe a falta de acentos, a culpa e do teclado.

O que é Humildade - John Piper

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Intolerância

"A intolerância pode ser aproximadamente definida como a indignação dos que não têm opinião." G.K. Chesterton
- Heretics - página 296, John Lane, 1905 - 305 páginas

A intolerância não é exclusividade dos ditos "fundamentalistas", mas também o é de muitos "progressistas" que não suportam a opinião contraria. Todos, como diz Chesterton, carecem de argumentos.

IURD e alguns fatos

As megalomanias de Edir Macedo ganham o mundo. Os dois principais jornais de língua inglesa, como The New York Times (EUA) e The Guardian (Inglaterra) destacaram o megatemplo que será construído em São Paulo, lembrando que a cúpula da igreja responde acusações graves de lavagem de dinheiro. Enquanto isso, a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) considerou, no seu último concílio, a IURD como seita.

Discordo dos presbiterianos, a IURD não é uma seita, mas sim uma empresa que presta serviços de autoajuda para quem está disposto a pagar um alto preço. Não é seita, mas tambem não é igreja. Infelizmente não só a IURD que segue esse caminho…

Leia mais:

1 http://www.guardian.co.uk/world/2010/jul/21/solomon-temple-brazil-christ-redeemer

2 http://thelede.blogs.nytimes.com/2010/07/22/rebuilding-solomons-temple-in-sao-paulo/

domingo, 25 de julho de 2010

A briga pelo voto evangélico

(Encontro, acontecido ontem, entre Dilma e pastores da CONAMAD)

Amigos, leiam abaixo reportagem do site da revista
Veja. Comento no final:

Os candidatos à Presidência estão de olho no voto dos evangélicos. Não por acaso. Juntos, os evangélicos representam cerca de 25% do eleitorado brasileiro, que é de 135 milhões de pessoas. Ou seja, uma massa de 33 milhões de eleitores.

Na corrida por essa encorpada fatia do eleitorado, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) estão na frente. Eles brigam ferozmente pelo apoio das gigantes Assembleia de Deus e Igreja Universal. Ironicamente, a candidata do PV, Marina Silva, única evangélica da disputa, é quem tem mais dificuldades para costurar apoios com uma das frentes religiosas.

O maior imbróglio está na Assembleia de Deus. A igreja é dividida em duas partes – a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil (Ministério de Madureira) e a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). No total, a instituição conta com 16 milhões de seguidores, sendo que a corrente majoritária, a CGABD, liderada pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, conta com 10 milhões. Neste campo, é o tucano José Serra quem tem vantagem, já que é amigo do pastor e contou com seu apoio no segundo turno das eleições de 2002.

De acordo com o presidente do Conselho de Comunicação da CGADB, pastor Mesquita, a Assembleia de Deus “não apoia nenhum candidato oficialmente”. Ele afirma que a ala majoritária “demonstra apoio a José Serra e proximidade com ele”. “Há uma resistência da CGADB a Dilma Rousseff, que é muito progressista e liberal em assuntos como aborto e casamento gay. Não negamos direitos a niguém. Eles [os homossexuais] têm direito de fazer o que quiserem, mas não absorvemos essas ideias e somos totalmente contrários a elas”.

A outra ala da Assembleia de Deus, conhecida como Ministério Madureira, conta com 6 milhões de seguidores e está com Dilma. Neste sábado, o deputado federal Pastor Manoel Ferreira (PR-RJ), líder da convenção nacional, organizou um evento em Brasília com fieis de diversas igrejas evangélicas para apoiar a petista, como Assembleia de Deus, Sara Nossa Terra e Igreja Universal do Reino de Deus. Segundo o deputado-pastor, o apoio à ex-ministra foi negociado e eles teriam recebido a promessa de Dilma de que um eventual governo petista deixaria questões polêmicas como a legalização do aborto e a união civil entre homossexuais para serem discutidas apenas pelo Congresso.

A escolha de Marina – Enquanto isso, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, não encontra apoio oficial nem mesmo na igreja à qual pertence. A verde é da Assembleia de Deus desde 1997 e, segundo a CGADB, “a igreja deveria ter amadurecimento para anunciar um apoio oficial a Marina”. Segundo representantes da convenção, a igreja poderia exigir dela um governo norteado pelos “ensinamentos cristãos”. Mas não foi isso que aconteceu.

A assessoria de Marina Silva, por sua vez, afirma que a candidata defende um estado laico e não discrimina a fé. “Marina reconhece que os evangélicos são um público a quem ela deve atenção por fazer parte dele, mas não faz um direcionamento específico para nenhum grupo religioso”.

Universal e a confusão de Dilma – A ex-ministra ganhou – mais uma vez – uma herança do governo Lula: o apoio da Igreja Universal. Com 13 milhões de fieis, a instituição apoiou Lula em 2002 e 2006. Um dos elos de Dilma com a igreja é o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) que, de acordo com sua assessoria, tem uma amizade “antiga e pública” com o presidente Lula. Além disso, quando defende a ideia de que o aborto deve ser tratado como questão de saúde pública, e não rejeitado por princípio, a candidata petista não se choca frontalmente com os preceitos do líder da Universal, o pastor Edir Macedo, que se diz favorável à prática em diversas situações.

Essa não é, obviamente, a posição da Igreja Católica. Nesta semana, o bispo de Guarulhos (SP), dom Luiz Gonzaga Bergonzini, defendeu o boicote à candidatura de Dilma por considerar que o PT é a favor da interrupção da gravidez. Para tentar resolver esse impasse, Lula inteveio: nomeou seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, um ex-seminarista, para aproximar a petista da Igreja Católica.

(Marina Dias e Adriana Caitano)


Comento:

Eu não sei como alguém pode negociar o "voto dos evangélicos". Você, por acaso, deu alguma autorização para o cacique da sua denominação negociar em quem você irá votar? Tais apoios são ridículos, quando a igreja deveria ser neutra nessas questões, ou então, fazer o papel de denunciar politicas antibíblicas e corruptas existentes neste pais. Ah, o Manoel Ferreira parece bem feliz ao lado de Dilma, que sempre foi defensora ferrenha da "moral" petista!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Aviso!

Amigos leitores,

Estarei em viagem por 10 dias. Nesse curto período é provável que eu escreva menos e modere os comentários com certa demora.

Obrigado a todos. Continuem a ler este blog! :)

PS: Aos professores em busca de subsídio para a lição sobre "profecia e misticismo", recomendo uma pesquisa no campo de busca deste blog. Logo acima você pode encontrar muitos textos que já escrevi sobre esse importante assunto.


Lição 04 - Profecia e Misticismo

SUBSÍDIO ESCRITO PELA EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD

Leitura Bíblica em Classe
Deuteronômio 13.1-5; 18.10-12

I. Avaliação da profecia
II. Práticas divinatórias
III. A necessidade da profecia bíblica
Conclusão


Prezado professor, na lição deste domingo o tema a ser tratado é “Profecia e Misticismo”. É um assunto bem atual que remonta o contexto de busca pela espiritualidade no Brasil. Porém, o que a mídia e outros setores de comunicação entendem por espiritualidade é uma rede de conceitos completamente frontal aos princípios estabelecidos pela Palavra de Deus. Gostaríamos de destacar alguns termos, os quais aparecem em Deuteronômio 18.10,11, que farão lembrar compreensão equivocada que a sociedade hodierna tem pelo termo espiritualidade. Os termos são:

· Adivinhador – É o que pratica adivinhação e feitiçaria.
· Agoureiro – Significa fazer agouros pela nuvem. Mas o seu sentido pode ser ampliado para “observar os tempos, praticar adivinhação, espiritismo, magia, bruxaria e encantamento.
· Feiticeiro – Fazer encantamento, adivinhação, presságio, feitiçaria, agouro.
· Encantador de encantamentos – Unir, dar um nó mágico. Manipulação de determinados “poderes sobrenaturais”.
· Consultor de espírito adivinhante – A expressão significa médium, espírito, espírito de mortos, necromante e mágico. A expressão “quem consulte os mortos” é literalmente usada para indicar a necromancia. O necromante é aquele que faz adivinhação por meio de consulta aos mortos, ou seja, é a prática mediúnica. A palavra grega para necromante é nekuomanteia cujo significado é “necromancia, adivinhação por meio da evocação dos mortos”.
· Mágico – É o agoureiro, adivinhos.[1]

Os deuses pagãos (que surgem no imaginário do povo pagão) eram uma abominação, porque eles constituíam uma reivindicação rival à soberania do Senhor. Os seus profetas eram igualmente maus. Professavam ouvir a comunicação de outros deuses e, por isso, tinham de ser mortos por ajudar e promover a sedição segundo o mandamento de Deus.

A aparição de falsos profetas e a adoração a falsos deuses (cujo a Bíblia os chama de demônios) está relacionada a prática divinatória.

Antes de Moisés anunciar a promessa de Deus sobre o estabelecimento do ministério profético em Israel (Dt 15.15-22), Deus advertiu o povo para que ninguém se envolvesse com práticas divinatórias e enumerou algumas delas, dizendo serem parte de culto pagão dos cananeus[2]. Em Deuteronômio 15 é evidente que as práticas divinatórias estão relacionadas com a crença de vários deuses e a ação que constitui o estabelecimento do fenômeno religioso do povo pagão primitivo.

Ao estudar a função do profeta, entendemos que seu objetivo nunca foi adivinhar o futuro ou praticar a adivinhação em qualquer esfera. O profeta atuava para atender as reais necessidades do povo como o mensageiro de Deus. Portanto, o conceito de profeta como adivinhador do futuro é completamente impossível pela Escritura. Esperar que o profeta esteja disponível para adivinhar o porvir é abominação aos olhos de Deus!

Sabemos que o Brasil está mergulhado nos mais profundo ocultismo. Mas o que espanta, é esse mal imperar em certos arraiais evangélicos na forma de “experiências espirituais”. Fotos, rosas ungidas, sal grosso, rodopios “espirituais” e etc., envergonham o Evangelho pisando no sacrifício de Cristo e expondo uma grande parte do povo evangélico brasileiro ao ridículo. Em reuniões que acontecem tais manifestações, o que vemos, é uma série de manifestações e expressões que em nada lembrar o verdadeiro poder de Deus.

Professor, converse com seus alunos e explique que os objetivos da aula são: conhecer o termo misticismo; explicar o que são práticas divinatórias; identificar atos maléficos a nossa fé; compreender, de uma vez por todas, que a relevância do Evangelho não está numa suposta experiência espiritual, mas através da experiência viva e iluminadora da manifestação de Cristo Jesus em nós: “o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações, e que agora, foi manifesto aos seus santos; aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória” (Cl 1.26,27). Boa aula e Deus lhe abençoe!

Referência Bibliográfica

SOARES, Ezequias.
O Ministério profético na Bíblia. Rio de Janeiro, CPAD, 2010.

ZUCK, Roy B.
Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro, CPAD, 2009.

[1] SOARES, Ezequias.
O Ministério profético na Bíblia. Rio de Janeiro, 1. ed. CPAD, 2010, p. 70,1.

[2] Vide a lista da prática divinatória acima.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Duas frases de cristãos (?) relativistas que não aguento mais

Os fundamentalistas são impiedosos que lutam pela reta doutrina. Nós devemos amar.

O relativista evangelical diz que não gosta de rótulo, mas todos aqueles que ousam discordar de sua posições dogmáticas são catalogados como fundamentalistas. Além disso, os relativistas evangelicais, ou cults, monopolizam a bondade. Só eles sabem amar... Será que amam tanto quanto falam?

Devemos desenvolver um diálogo inter-religioso.

Os cults gostam de dialogar com budistas, hindus, ateus, judeus etc. Mas no âmbito de cristianismo, o cult fica mais restrito. Só dialoga com católico ligado à Teologia da Libertação e com evangélicos de tendência liberal. Ou seja, eles só falam com os pares e depois dizem que são abertos.

Quando a teologia deixa a Bíblia para se amarrar com movimentos de minorias, simplesmente ela se torna ridícula. Karl Barth já criticava na década de 1960 essa tendência da teologia subordinar-se às ciências humanas. Teologia é teologia, e não sociologia mal feita. A busca por respeitabilidade das ciências modernas, baseados no mito do racionalismo imparcial, só empobrece o “estudo de Deus”.

Leia um ótimo artigo sobre a subordinação da teologia aos modismos de seu tempo pelo teólogo Jonas Madureira: http://jonasmadureira.blogspot.com/2010/06/teologia-louca-da-casa.html

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Religião e Política

Seminários "AGIR"

"A influência política da igreja evangélica no Brasil, a importância do voto dos evangélicos. Éramos, até pouco tempo, vistos como um povo que vivia apenas com a visão espiritual do reino de Deus, esquecendo que o governo de Deus, instalado em cada um de nós, é o que nos potencializa para influenciar a sociedade com a ética do evangelho do Reino num tempo de reinos e governos sem ética e sem justiça. Os evangélicos precisam ter a perfeita dimensão de sua participação na política, como cidadãos."

Estas e outras questões serão abordadas dia 18 de setembro de 2010 por Paulo Romeiro e Ariovaldo Ramos que são os preletores convidados para o "Seminário sobre Religão e Política" que ocorrerá no auditório da Igreja Cristã da Trindade.


Programação:

Manhã: 9:00 às 12:00hs - preletor: Ariovaldo Ramos

Tarde: 14:00 às 17:00hs - preletor: Ariovaldo Ramos

Noite: 18:30 às 21:00hs - preletor: Paulo Romeiro

Mais informações nesse link: http://www.ictrindade.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=188&sg=0&form_search=&pg=1&id=402


PS: O Blog Teologia Pentecostal recomenda esse seminário. Todo ano eleitoral vemos os abusos feitos por grupos evangélicos, especialmente pentecostais e neopentecostais, na área de política.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Do descrédito ao autoritarismo!

A história da humanidade é um desastre contínuo. Nunca houve nada que se parecesse com um momento de paz. Se ainda fosse só a guerra, em que as pessoas se enfrentam ou são obrigadas a se enfrentar… Mas não é só isso. Esta raiva que no fundo há em mim, uma espécie de raiva às vezes incontida, é porque nós não merecemos a vida. Não a merecemos. Não se percebeu ainda que o instinto serve melhor aos animais do que a razão serve ao homem. O animal, para se alimentar, tem que matar o outro animal. Mas nós não, nós matamos por prazer, por gosto. Se fizermos um cálculo de quantos delinquentes vivem no mundo, deve ser um número fabuloso. Vivemos na violência. Não usamos a razão para defender a vida; usamos a razão para destruí-la de todas as maneiras -no plano privado e no plano público.

José Saramago, escritor português, ateu professo. Na Folha de S. Paulo, 30 novembro de 2008.

Há um cético muito mais terrível do que aquele que acredita que tudo começou na matéria. É possível identificar o cético que acredita que tudo começou nele mesmo. Ele não duvida da existência de anjos e demônios, mas da existência de homens e vacas. Para ele, seus próprios amigos são uma mitologia criada por ele mesmo. Ele criou seu próprio pai a sua própria mãe.

G. K; Chesterton, escritor inglês, cristão professo. Em: Ortodoxia. 1 ed. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2008, p 45.

Estamos diante de dois modelos de mundo. O primeiro, representado em José Saramago, a humanidade é desacreditada. No segundo modelo, representado em G. K. Chersterton, a vida humana, apesar de todas as suas feiuras, é mais importante do que o ceticismo que duvida dos homens. Agora, leia esse poema de Carlos Drummond de Andrade, e veja qual modelo é o mais coerente com a vida:

Anedota Búlgura

Era uma vez um czar naturalista
que caçava homens.
Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e andorinhas,
ficou muito espantado
e achou uma barbaridade.

Viram? Esse czar (imperador russo) achou um absurdo a matança de borboletas e andorinhas. Mas enquanto isso, ele caçava homens. A barbárie que o comovia era movida pelo descrédito que tinha pelos habitantes deste planeta.

Pois bem, pessoas que desacreditam da humanidade, também nada fazem quando essa humanidade está em perigo de vida. Essas pessoas que vivem a dizer: - Eu não acredito mais nos homens - simplesmente estão dizendo que esses não valem mais nada. É sempre assim, primeiro se duvida de Deus, depois se duvida da humanidade e logo após vem o totalitarismo. Ora, se o homem vale menos que o animal, o totalitarismo repressivo e violenta preservará o planeta desses seres perversos, como eles inconsciente pensam.

Não é à toa que regimes ateístas, como o stalinismo, mataram milhões de pessoas. Ora, eles estavam purificando esta terra desses homens maus, não é verdade? Quem “mata” Deus, mata o homem com facilidade. Que o diga Mao Tse Tung, Adolf Hitler, Benito Mussolini e outros ditadores que desacreditaram da humanidade. Hitler, enquanto matou milhões de homens, mulheres e crianças, protegeu os animais com rígidas leis de proteção. Hitler acariciava cães e gatos enquanto ouvia Wagner e os gemidos de judeus nos campos de concentração.

Mas como disse Chesterton, o mais perigoso é o ateu do homem, e não o ateu de Deus. O ateu contra Deus não pode prejudicar o Todo-Poderoso, mas o ateu contra o homem pode machucar bastante com sua ideologia. Como disse o filósofo e teólogo Étienne Gilson: “Deus é a única proteção do homem contra as tiranias do homem”.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Megalomania das paredes!

Outra notícia que repercutiu nesse último final de semana foi a lembrança de um plano do bispo Edir Macedo: a construção de um megatemplo na cidade de São Paulo. O bispo escreveu no seu blog:

A Igreja Universal do Reino de Deus construirá a réplica do Templo de Salomão, aqui no Brasil, na cidade de São Paulo (SP). Será uma mega igreja, com 126 metros de comprimento e 104 metros de largura, dimensões que superam as de um campo de futebol oficial e as do maior templo da Igreja Católica da cidade de São Paulo, a Catedral da Sé. São mais de 70 mil metros quadrados de área construída num quarteirão inteiro de 28 mil metros. A altura de 55 metros corresponde a de um prédio de 18 andares, quase duas vezes a altura da estátua do Cristo Redentor. Com previsão de entrega para daqui a 4 anos, a obra será um marco na história da Igreja Universal do Reino de Deus.

A espiritualidade templista da Igreja Universal (IURD) já é bem conhecida. Como empresa que é, a valorização da comunhão não é prioridade na IURD. A individualização no templo, com clientes em busca de uma rápida solução é a tônica dessa denominação neopentecostal. Bem, todos já sabem disso.

Esse novo templo talvez esteja mais para uma afirmação do poder dessa igreja. Edir Macedo deu muita prioridade para a Rede Record nesses últimos anos, assim perdendo espaço para novas denominações neopentecostais, como a Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), do seu ex-bispo, e hoje apóstolo Valdomiro Santiago. Ou seja, ele quer recuperar espaço com templos grandiosos.

Resumindo: a megalomania neopentecostal está presente até na construção de paredes!

Lembrando que essa fome de grandeza, com grandes templos, não é um mal exclusivo da IURD. O monumento templista para o ego de alguns líderes estão sendo construídos em cada canto deste país, por várias igrejas. Uma coisa é templo grande com objetivos práticos, outra coisa são obras faraônicas para lembrar ao ego que é grande.

domingo, 18 de julho de 2010

Interesses escusos!

Lendo a edição deste domingo do jornal Folha de S. Paulo, eis que me deparo com mais uma matéria sobre o velho problema na Igreja Anglicana- a ordenação de homossexuais ao episcopado. Contudo, o que me chamou mais a atenção foi a entrevista de um membro de uma igreja anglicana em Londres. Leia esse trecho da reportagem:

Enquanto o sínodo e grupos conservadores e liberais discutem os chamados temas de fundo da igreja, muitos frequentadores veem apenas seu lado prático.

"Não sei se tenho opinião formada sobre a ordenação de mulheres ou gays ou sobre o futuro da igreja. Eu até acredito em Deus, mas venho aqui aos domingos porque isso dará aos meus filhos preferência na hora de frequentar a escola ligada à Igreja Anglicana. E não é fácil encontrar uma boa escola grátis por aqui", disse à Folha Liz Prant, 34, ao sair de uma igreja anglicana em Wandsworth, sudoeste de Londres.

Muitas escolas gratuitas no Reino Unido são mantidas por igrejas, inclusive a frequentada pela filha de seis anos do primeiro-ministro, David Cameron.

Elas recebem também dinheiro do Estado, mas têm o direito de optar por alunos de famílias que frequentam suas paróquias.

Vejam a que nível chegamos! Uma pessoa só vai à igreja pela facilidade de ingressar os filhos na escola. A praga de religiosidade vazia sem espiritualidade genuína é pior do que a impiedade nunca convertida.

sábado, 17 de julho de 2010

Lição 03 - As funções sociais e políticas da profecia

Subsídio escrito pela Equipe de Educação da CPAD

Leitura Bíblica em Classe
Jeremias 34.8-11,16,17


I. O papel político e social da profecia nas Escrituras
II. O profeta é enviado ao rei
III. Questão de ordem social
Conclusão


Prezado professor, a Bíblia tem muito a dizer acerca de questões sociais e políticas. O contexto histórico dos profetas veterotestamentários remonta um ambiente de injustiças sociais e corrupções políticas. Com o intuito de fazer o diálogo entre esse tempo histórico e a igreja contemporânea é que reproduziremos um rico texto extraído da obra de John Stott “Cristianismo Equilibrado” (a fim de responder a seguinte pergunta: “Qual o papel social da Igreja?”):

“[...] Tem sido sempre uma característica dos evangélicos ocupar-se com evangelismo. Tanto assim que não é raro encontrarmo-nos com uma confusão de termos, como se “evangélico” e “evangelístico” significassem a mesma coisa. Na nossa ênfase evangélica em evangelismo, temos compreensivelmente reagido contra o tão falado “evangelho social” que substitui salvação individual por melhoramento social e, apesar do notável testemunho da ação social dos evangélicos do século dezenove, nós mesmos temos suspeitado de qualquer envolvimento deste tipo. Ou, se temos sido ativos socialmente, temos tido a tendência de concentrar-nos nas obras de filantropia (cuidando dos acidentes de uma sociedade doente) e tomado cuidado para evitar política (as causas de uma sociedade doente).

Algumas vezes, a polarização na igreja tem parecido ser completa, com alguns exclusivamente preocupados com evangelismo e outros com ações político-sociais. Como um exemplo para o primeiro, tomarei alguns grupos do tão falado “Povo de Jesus”. Ora, estou muito longe de querer ser crítico de qualquer movimento. Contudo, uma das minhas inúmeras hesitações diz respeito às comunidades de Jesus que parecem ter rejeitado a sociedade e se retirado para a comunhão individual, fazendo cultos evangelísticos ocasionais, no mundo fora da comunidade. Vernon Wishart, um ministro da Igreja Unida do Canadá, escreveu sobre o Povo de Jesus em Novembro de 1972, num artigo oficial da Igreja. Ele descreveu o movimento como “uma reação ao profundo mal-estar cultural social” e uma tentativa para “vencer uma depressão do espírito humano” causada pela tecnocracia materialista. Mostrou-se admirador do genuíno zelo cristão por eles manifestado: “Como crentes primitivos, eles simplesmente vivem de uma maneira amorosa, estudando as Escrituras, partindo o pão juntos e compartilhando os recursos”. E ele reconheceu que o intenso relacionamento pessoal deles com Jesus, e de um para com o outro era um antídoto à despersonalização da sociedade moderna. Ao mesmo tempo ele viu este perigo: “Voltar-se para Jesus pode ser uma tentativa desesperada de desviar-se do mundo no qual ele encarnou. Como as drogas, a religião de Jesus pode ser uma fuga de nossa tecnocultura”. Nesta última frase, Vernon Wishart colocou o dedo no problema principal: Se Jesus amou o mundo de tal maneira que entrou nele através da encarnação, como podem seus seguidores proclamar que amam o mundo procurando escapar dele? Sir Frederick Catherwood escreveu: “Procurar melhorar a sociedade não é mundanismo, mas amor. Lavar as mãos da sociedade não é amor, mas mundanismo” [grifo nosso].

[...] Nós certamente não estamos confundindo justiça com salvação, mas temos frequentemente falado e nos comportado como se pensássemos que nossa única responsabilidade cristã para com uma sociedade não convertida fosse evangelismo, a proclamação das boas-novas de salvação. Nos últimos anos, contudo, tem havido bons sinais de mudança. Temos ficado desiludidos com a mentalidade da “tentativa abandonada”, com a tendência de escolher não participar da responsabilidade social e com a tradicional obsessão da “micro-ética” (a proibição de coisas mínimas) e a negligência correspondente da “macro-ética” (os grandes problemas de raça, violência, pobreza, poluição, justiça e liberdade). Tem havido, também, um recente reconhecimento dos princípios bíblicos para a ação social cristã, tanto teológica quanto ética.

Teologicamente [grifo nosso], tem havido um redescobrimento da doutrina da criação. Tendemos a ter uma boa doutrina da redenção e uma péssima doutrina da criação [grifo nosso].

Naturalmente temos tido uma reverência de lábios à verdade de que Deus é o Criador de todas as coisas, mas, aparentemente, temos estados cegos para as implicações disto. Nosso Deus tem sido por demais “religioso”, como se o seu principal interesse fosse cultos de adoração e oração freqüentados por membros de igrejas. Não me entenda mal: Deus tem prazer nas orações e louvores do seu povo. Mas, agora, começamos a vê-lo, também (como a Bíblia sempre o retratou), como o Criador, que está interessado tanto pelo mundo secular quanto pela Igreja, que ama a todos os homens e não somente os crentes, e que tem interesse na vida como um todo, e não meramente na religião.

Eticamente, há um redescobrimento da responsabilidade de amor pelo próximo, que é o seguinte mandamento: “Amar nosso próximo como amamos a nós mesmos” [grifo nosso]. O que isso significa na prática será determinado pela definição das Escrituras sobre o “nosso próximo”. O nosso próximo é uma pessoa, um ser humano, criado por Deus. E Deus não o criou como uma alma sem corpo (para que pudéssemos amar somente sua alma), nem como um corpo sem alma (para que pudéssemos preocupar-nos exclusivamente com seu bem-estar físico), nem tampouco um corpo-alma em isolamento (para que pudéssemos preocupar-nos com ele somente como um indivíduo, sem nos preocupar com a sociedade em que ele vive). Não! Deus fez o homem um ser espiritual, físico e social. Como ser humano, o nosso próximo pode ser definido como “um corpo-alma em sociedade”. Portanto, a obrigação de amar o nosso próximo nunca pode ser reduzida para somente uma parte dele. Se amamos o nosso próximo como Deus o criou (o que é mandamento para nós), então, inevitavelmente, estaremos preocupados com o seu bem-estar total, o bem-estar do seu corpo, da sua alma e da sua sociedade. Martin Luther King expressou muito bem: “Religião trata com o Céu como com a terra... Qualquer religião que professar estar preocupada com as almas dos homens e não está preocupada com a pobreza que os predestina à morte, com as condições econômicas que os estrangula e com as condições sociais que os tornam paralíticos. É uma religião seca como poeira”. Eu acho que deveríamos adicionar que “uma religião seca como poeira” é, na realidade, uma religião falsa.

É verdade que o Senhor Jesus ressurreto deixou a Grande Comissão para a sua Igreja: pregar, evangelizar e fazer discípulo. E esta comissão é ainda a obrigação da Igreja. Mas a comissão não invalida o mandamento, como se “amarás o teu próximo” tivesse sido substituído por “pregarás o Evangelho”. Nem tampouco reinterpreta amor ao próximo em termos exclusivamente evangelísticos. Ao contrário, enriquece o mandamento amar o nosso próximo, ao adicionar uma dimensão nova e cristã, nomeadamente a responsabilidade de fazer Cristo conhecido para esse nosso próximo [grifo nosso].

Ao rogar que deveríamos evitar a escolha mais do que ingênua entre evangelismo e ação social, eu não estou supondo que cada crente deva estar igualmente envolvido em ambos. Isto seria impossível. Além disso, devemos reconhecer que Deus chama pessoas diferentes e as dota com dons apropriados à sua chamada. Certamente cada crente tem a responsabilidade de amar e servir o próximo à medida que as oportunidades se manifestam, mas isto não o inibirá de concentrar-se – conforme sua vocação e dons – em alguma incumbência particular, seja alimentando o pobre, assistindo ao enfermo, dando testemunho pessoal, evangelizando no lar, participando na política local ou nacional, no serviço comunitário, nas relações raciais, no ensino ou em outras boas obras.

Sugestão prática

Embora cada crente, individualmente, deva descobrir como Deus o tem chamado e dotado, aventuro-me a sugerir que a igreja evangélica local, como um todo, deve preocupar-se com a comunidade secular local como um todo. Uma vez que isto seja aceito, em princípio. Crentes individuais, que compartilham as mesmas preocupações, seriam incentivados a juntar-se em “grupos de ação e estudo”. Não para ação sem estudo prévio, nem para estudo sem ação consequente, mas para ambos. Tais grupos, com responsabilidade, considerariam em oração um problema particular, com a intenção de agir atacando o problema. Um grupo poderia estar preocupado com o evangelismo num novo conjunto habitacional, no qual (até onde conhecido) não mora nenhum crente, ou com uma seção particular da comunidade local – uma república para estudantes, uma prisão, estudantes recém-formados etc. Um outro público poderia dedicar-se aos problemas dos imigrantes e das relações raciais, de uma favela de área e de habitações deficientes, de um asilo para velhos desamparados ou de um hospital; de pessoas idosas que têm pensão, mas se sentem sós, de uma clínica local de aborto, ou de uma casa de prostituição. A possível lista é quase interminável. Mas se os membros de uma congregação local fossem compartilhar as responsabilidades evangelísticas e sociais da igreja em conformidade com seus interesses, chamadas e dons, muitos trabalho construtivos poderiam certamente ser feito na comunidade.

Eu não conheço qualquer declaração de nossa dupla responsabilidade cristã, social e evangelística, melhor do que aquela feita pelo Dr W. A. Visser: “Eu creio”, disse ele, “que com respeito à grande tensão entre a interpretação vertical do Evangelho como essencialmente preocupada com o ato de salvação de Deus na vida dos indivíduos e a interpretação horizontal disto, como principalmente preocupada com as relações humanas no mundo, devo fugir daquele movimento oscilatório mais do que primitivo de ir um extremo para o outro. Um cristianismo que tem perdido sua dimensão vertical tem perdido seu sal e é, não somente insípido em si mesmo, mas sem qualquer valor para o mundo. Mas um cristianismo que usaria a preocupação vertical como um meio para escapar de sua responsabilidade pela vida comum do homem é uma negação do amor de Deus pelo mundo, manifestado em Cristo. Deve tornar-se claro que membros de igreja que de fato negam suas responsabilidades em qualquer parte do mundo são tão culpados de heresia quanto todos os que negam este ou aquele artigo da fé [grifo nosso]”( STOTT. John R. W. Cristianismo Equilibrado. Rio de Janeiro, CPAD, pp. 55-64).

Professor, utilize a lição desse domingo a fim de contribuir para a relevância de sua igreja local à comunidade que ela está instalada. Reflita com seus alunos sobre o papel social que a Igreja de Cristo tem a desenvolver na sociedade em que vivemos. Boa aula!

Reflexão: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).

sexta-feira, 16 de julho de 2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A mania de grandeza

Muitos pastores evangélicos possuem uma mania de grandeza, a conhecida megalomania. A supervalorização mórbida de si mesmo é evidenciada através de vários meios, como a exaltação no púlpitos ou em uma televisão. Quando assisto o programa “Palavra de Vida”, da Assembleia de Deus do Brás, vejo claramente essa busca por notoriedade. O apresentador do programa é o pastor Samuel Ferreira.

No site da igreja há um perfil do referido pastor, que pode ser lido no endereço: http://www.adbras.com.br/prSamuel.php. O texto segue em itálico, comento alguns trechos:

CURRICULUM REV. DR. SAMUEL CASSIO FERREIRA (sic).

Não sei quem escreveu esse perfil, mas o mesmo promove a exaltação a partir do título. Qual a necessidade de identificar alguém como “reverendo” e “doutor” ao mesmo tempo? Essa breguice de enfatizar títulos é desnecessária. Os títulos devem ser mencionados no contexto acadêmico ou literário, por exemplo, mas nunca no púlpito de uma igreja.

A trajetória do Reverendo Dr. Samuel Ferreira é notável por sua singularidade de propósito. Ele não abre mão de seu papel de pai e esposo, pois entende que “nenhum sucesso pode ser justificado com o fracasso da família”. Ele é Presidente da Assembléia de Deus do Brás – SP; 1º Vice-presidente da CONAMAD (Convenção Nacional das Assembléias de Deus no Brasil – Ministério de Madureira), Presidente da Junta Conciliadora do Estado de São Paulo e Presidente-fundador da Cruzada Evangelística Palavras de Vida. É também Diretor Executivo da Editora Betel com sede na capital do Rio de Janeiro e filiais em Campinas, São Paulo e Goiânia-GO.

O que seria “singularidade de propósito”? Há necessidade de enfatizar que Ferreira é um bom pai e esposo?

Sua formação teológica iniciou-se pelo IBAD, posteriormente transferindo-se para os Estados Unidos da América, onde formou-se como bacharel em teologia, mestre, doutor e ao fim PhD em teologia, o mais alto nível possível para o curso. Sua formação secular iniciou-se como bacharel em letras pela UCLA (Universidade Californiana de Los Angeles), onde bacharelou-se em inglês, também em direito co especialização em direito civil.

Olha, vamos para a matemática. Um curso bacharel decente dura quatro anos, um mestrado são mais dois anos e um doutorado mais quatro anos. Ou seja, são 10 anos de estudo superior, no mínimo. Incluindo o bacharel em letras, são mais quatro anos, ou seja, 14 anos de estudo. Ferreira realmente estudou 14 anos no ensino superior? Não estou insinuando nada, mas apenas fazendo uma pergunta.

Possui mais de 250 cursos e seminários em sua carreira, tendo até a presente data lido mais de 4.000 livros.

Com tantos cursos, posso dizer que Samuel Ferreira é um dos maiores intelectuais deste país. Mas tenho lá minhas dúvidas sobre tamanha grandeza. É uma questão de lógica. Ah, que tipo de pessoa fica por aí divulgando o número de livros que leu? Se isso for no contexto de um concurso, tudo bem, mas assim, simplesmente por divulgar, é algo meio estranho. Megalomania pura!

Escreveu mais de 04 livros que hoje são Best Sellers.

Sei! Best-sellers são livros extremamente populares. No contexto evangélico, podemos dizer isso sobre livros que passam de 30 mil cópias. Pela informação do perfil, podemos dizer que Ferreira é quase um Max Lucado. Olha, gosto muito de visitar livrarias, mas nunca vi um único livro do reverendo Ferreira. Se são tão populares, por que não vemos nas lojas? Será que os lojistas não sabem disso?

Membro da academia Evangélica de LETRAS DO Brasil, que lhe conferiu o titulo de imortal pelas suas grandes obras literária.

“Grandes obras literária”(sic)! A megalomania tira o senso da realidade. Que grandes obras são essas? Seria um novo Machado de Assis?!

O seu jeito peculiar, amigo, companheiro, exemplar nos faz seguros de que suas ministrações, seus conselhos são pautados por exemplos pessoais de vida.

Estamos diante de uma grande rasgação de seda!

Sensível a voz de Deus, seus projetos e empreendimentos são sempre concluídos de maneira absolutamente tranqüila e com sucesso certo.

Meu Deus! E eu que pensava que somente na Igreja Católica havia a doutrina da infalibilidade papal!

Quando assumiu a Assembléia de Deus do Brás, de imediato implantou o plano de recuperação e crescimento. Por estas e outras razões, nós da Assembléia de Deus do Brás orgulha-se em ter o Reverendo Dr. Samuel Ferreira como nosso Pastor e Líder.

É, sendo assim, tem que sentir orgulho mesmo! Samuel Ferreira é apenas um exemplo de megalomania. Experimente visitar o site de alguns famosos pastores e você verá essa mesma mania.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Igreja Emergente por John Piper



Para mais informações sobre o movimento da Igreja Emergente, recomendo dois livros:

Igreja emergente: O movimento e suas implicações (Edições Vida Nova) de Donald Carson

A apresentação da editora diz:

O que é a “igreja emergente”? Uma nova proposta para a igreja ou apenas mais uma moda passageira? Quem são os líderes desse movimento? Quais são as suas principais ideias?

Além de ser uma obra escrita por D. A. Carson, um dos eruditos evangélicos mais respeitados de nossos dias, é uma das avaliações mais cuidadosas e bem informadas do movimento emergente. E Carson não a escreveu apenas para os acadêmicos que estão por dentro do assunto, mas também para quem não está familiarizado com essas novas práticas e ideias. Numa linguagem clara, direta e precisa, faz uma introdução ao movimento da igreja emergente a partir dos pontos de vista crítico e teológico, expondo seus descaminhos e fragilidades e, ao mesmo tempo, reconhecendo o que tem de importante a dizer para todo cristão que deseja proclamar de forma relevante o evangelho de Cristo Jesus nos dias de hoje.

Esta obra chegou numa boa hora, justamente num momento em que se apresentam à realidade brasileira igrejas abraçando tanto a pragmática quanto a teologia vivenciada pelo movimento “igreja emergente”.

Confissões de um Pastor da Reformissão (Editora Tempo de Colheita) de Mark Driscoll

“A essência da reformissão está em fazer uma clara distinção entre o Evangelho, a cultura e a igreja” diz Mark Driscoll, nessa obra fantástica sobre a aplicação do Evangelho na cultura pós-moderno.

domingo, 11 de julho de 2010

Manoel Ferreira: mais um aspecto da politicagem

Manoel Ferreira e os seus filhos comandam a CONAMAD (Convenção das Assembleias de Deus Ministério de Madureira). A CONAMAD é a segunda maior convenção de pastores da Assembleia de Deus, ficando atrás somente da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil). O bispo Ferreira é presidente vitalício da convenção, além de deputado federal pelo PR (Partido da República) do Rio de Janeiro. Apesar de dois cursos de bacharelado, em direito e teologia, Ferreira é chamado por muitos de “doutor Manoel Ferreira”.

Antes da divisão de 1988, que separou os pastores assembleianos em duas convenções nacionais, Manuel Ferreira foi um dos principais líderes da CGADB, onde exerceu a presidência entre os anos do biênio 1983-1985. Em 1993, juntamente com o bispo Edir Macedo, fundou o Conselho Nacional de Pastores do Brasil (CNPB), que concorria com a Associação Evangélica Brasileira (AEVB), do então pastor presbiteriano Caio Fábio.

O pastor (aliás, bispo) Manoel Ferreira se reuniu com Dilma Rousseff, a candidata do PT (Partido dos Trabalhadores) à presidência da República. Nessa reunião, Dilma prometeu não lançar uma política executiva pró-aborto e pró-casamento homossexual. Manoel Ferreira acreditou. Ingenuidade ou fingimento?

De tão animado que ficou Manoel Ferreira com as promessas de Dilma Rousseff, ele resolveu pedir uma forcinha para os pastores setoriais no apoio político à candidata. Além dela, Ferreira está empenhado na eleição do pastor Dimo dos Santos para deputado federal no estado de São Paulo. A carta amigável endereçada aos líderes da convenção, divulga pelo jornal O Estado de S. Paulo, dizia:

Esta eleição me mostrará quem são meus amigos e homens de confiança através dos mapas eleitorais. (…) Oro a Deus que não tenha nenhuma surpresa negativa, o que evidenciaria em quebra de confiança... Mais vale a presidência de uma igreja e a confiança de um presidente nacional vitalício que qualquer acordo político contra a nossa vontade.

É necessário escrever mais alguma coisa? Se isso não escandaliza mais os cristãos, o que então escandalizará?

Além disso, a promessa da candidata petista é furada. O Congresso do PT em fevereiro e o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) defendem a legalização completa do aborto, isso mesmo, completa. O primeiro programa de governo de Dilma Rousseff, apresentado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contemplava essas diretrizes, mas depois as teses radicais foram modificadas pela ampla repercussão negativa na imprensa.

Ingenuidade ou fingimento?

A resposta é difícil, mas uma coisa é certa: os grandes caciques das convenções assembleias estão mergulhados no pior da política brasileira. Quando deveriam ser apartidários, ficam a negociar o voto dos evangélicos. Todo ano eleitoral é a mesma coisa. Política é necessário, mas politicagem é imoralidade. Fazer política é bom, mas negociar votos é antiético. Usar estruturas eclesiásticas para conscientização política é preciso, mas facilitar candidaturas com essa mesma estrutura é um crime.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Lição 02 - A Natureza da Atividade Profética

Subsídio escrito pela equipe da educação da CPAD

Leitura Bíblica em Classe
Jeremias 1.4-6, 9-14
I. As formas de comunicação de aos profetas
II. As formas de transmissão da mensagem dos profetas ao povo
III. A questão extática do profeta
Conclusão


Prezado professor, a palavra-chave da lição desse domingo é Comunicação. O termo significa “processo de emissão, transmissão e recepção de mensagens por meio de métodos ou sistemas convencionais”.

A comunicação é o recurso que Deus utiliza para se revelar ao seu povo. Nesse sentido, a profecia do Antigo Testamento foi comunicada mediante algumas formas de transmissão: diálogos; visão ou sonho; declaração oral e direta; figuras e símbolos; oráculos por ação (é a ação ou ato de um profeta que transmite uma mensagem profética. Ex.: Oseias casa-se com a prostituta representando o estado caótico de Israel, mas também o amor imortal de Deus por seu povo).

A função primária da profecia é prenunciar a Palavra de Deus. O ministério profético, em Israel, surge diante da necessidade de comunicação e acatamento dos desígnios de Deus estabelecidos para o seu povo. Os profetas que exercem tal função são porta-vozes de Deus para transmitir seus desígnios.

Para que aja transmissão de mensagem tem que haver um receptor. Este deverá receber a mensagem com clareza e compreensão. Por isso a diversidade que Deus usa em formas de transmissão de sua mensagem (conforme visto acima) é riquíssima em linguagem. O exegeta Walter C. Kaiser Jr, sobre essa diversidade, diz:


Constantemente, eles [os profetas] advertiam o povo
de Deus sobre o juízo que pairava sobre eles, se
deixassem de se arrepender e de se desviar do mau
caminho que decidiram seguir. Por isso os profetas
usaram todos os mecanismos literários [grifo nosso]
que puderam imaginar para captar a atenção e a boa
vontade de seu público.[1]


A profecia veterotestamentária tinha o papel de advertir a nação, combater a idolatria, falar a favor dos pobres e oprimidos (viúvas, órfãos, etc.). Enfim, profetizar, majoritariamente, era ir à contramão do poder opressor estabelecido em Israel.[2] Isso provava que Deus não consentia o que os homens, em sua soberba, pensavam ser benção oriunda dEle. Enquanto que para o povo os representantes do poder, em suas mordomias e luxuosidade[3], eram exemplos de “aprovação de Deus”; Deus demonstrava por meio dos seus profetas que as almas dos tais já estavam compromissadas com a imundície. Os profetas mostravam que o que para os homens era “benção”, para Deus não passava de abominação.

Para transmitir essas verdades, o Eterno conduzia os profetas pelos principais meios de comunicação profética: Proclamação Direta (Nm 12.8; Jo 3.4); Linguagem Figurada (Is 40.3-5; Lc 3.1-18); Apresentação Dramática (Jr 27.2; Ez 5.1-12).

Prezado professor, reflita com os alunos que Deus se comunica e revela soberanamente através de quem Ele usa. Incentive-os a atentarem à forma que o Senhor transmite suas verdades e desígnios.

Referências Bibliográficas

KAISER JR, Walter C. Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamento. Rio de Janeiro, CPAD, 2009.


DICIONÁRIO WYCLIFFE. Rio de Janeiro, CPAD, 2006.
[1] KAISER JR, Walter C. Pregando e Ensinando a partir do Antigo Testamento. Rio de Janeiro, CPAD, 2010, p. 121.
[2] Em Israel esse poder era representado pelos reis, que abandonaram os princípios divinos, e pelo sistema religioso judaico cujo processo era completamente corrompido (Jr 44.1-30; Ml 1 – 3).
[3] Em detrimento da vida social do povo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Da Starbucks ao Inferno



Nota: Starbucks é uma rede mundial de cafeterias. Presente nas principais cidades do mundo, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, é uma espécie de McDonald´s do café. A alegoria do pastor Mark Driscoll serve para qualquer ambiente de serviços, seja uma lanchonete ou um serviço de call-center, por exemplo.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O Inferno segundo os clássicos da literatura cristã

Dante e Virgílio lendo a placa do portal do Inferno. Ilustração do artista inglês William Blake (século XVIII)

Imaginamos que o pior do Inferno seja o fogo e o enxofre. Não, esse não é o pior aspecto da habitação dos mortos. Na menta criativa de teólogos, literatos e poetas, podemos observar bem algumas características simplesmente assustadoras daquele lugar. Aliás, inclusive Jesus mais falou sobre o inferno do que do céu. Leia abaixo que alguns clássicos cristãos falam sobre esse assunto.

Lugar sem esperança, dialogando com Dante Alighieri

No clássico livro A Divina Comédia, do poeta italiano Dante Alighieri, a história fictícia e alegórica mostra o autor diante do portão do inferno, onde ele observa uma placa com a seguinte mensagem:


Por mim se vai para a cidade ardente,

por mim se vai à sua eterna dor,

por mim se vai entre a perdida gente.


Justiça deu impulso ao meu Autor:

cumpriram-se poderes divinais,

a suma sapiência, o primo amor.


Antes e mim não se criou jamais

o que não fosse eterno; - e eterna, eu duro.

Deixai toda esperança, vós que entrais. [1]


Dante quando ouve gritos desesperados pergunta sobre esse tormento para o seu companheiro de viagem chamado Virgílio. Então, Virgílio, a personificação da razão, dá uma interessante resposta para Dante:

E eu: “Mestre, que dor n'alma estão sentindo, que o seu lamento assim se faz tão forte?”. E ele: “Respondo ao que estás inquirindo: Esses não têm a esperança da morte e cega vida vivem na desgraça, tanto que invejam qualquer outra sorte”. [2]

Vemos nessas duas passagens da clássica alegoria de Dante que ele apresenta o inferno como um lugar sem esperança. Veja que a principal mensagem do portão é: “Deixai toda esperança, vós que entrais”. A interpretação do poeta é simplesmente fantástica, na sua mente fértil ele cria uma história que mostra muito bem esse aspecto sombrio da desesperança eterna.

Lugar sem a presença de Deus, dialogando com Karl Barth

O teólogo suíço Karl Barth também apresentou uma descrição teológica importante sobre o inferno. No livro Esboço de uma Dogmática, Barth comenta o Credo apostólico e fala sobre a realidade eterna sem Deus:

O homem estar separado de Deus significa estar num lugar de tormento. “Choro e ranger de dentes”- nossa imaginação não está adequada para esta realidade, esta existência sem Deus. O ateu não está consciente do que é a não-existência de Deus. A não-existência de Deus é a existência no inferno. O que mais além disto é oferecido como resultado do pecado? O homem não se separou de Deus por seu próprio ato? “Desceu ao inferno” é simplesmente a confirmação disto. O julgamento de Deus é justo- isto é, ele oferece ao homem o que ele quer. [3]

Esse quadro apresentado pelo teólogo suíço mostra o pior do inferno: é o lugar sem Deus. O homem passa toda a sua vida rejeitando Deus, então logo só poderá ter uma eternidade sem Ele. É possível, também, viver o inferno na terra, pois todas as vezes que a presença de Deus é rejeitada, o ambiente vira um pequeno inferno.

O Inferno já se manifesta quando se valoriza demasiadamente esta Terra, dialogando com C. S. Lewis

Uma forma perfeita de caminhar eternamente no inferno é começa-lo aqui na Terra. Quando valorizamos excessivamente esta vida, acabamos por perdê-la. C. S. Lewis no livro O Grande Abismo trata sobre isso:

Se insistirmos em manter o Inferno (ou mesmo a Terra), não veremos o Céu; se aceitarmos o Céu, não conseguiremos reter nem mesmo a menor e mais íntima lembrança do Inferno... Também acredito que, se a Terra for escolhida em vez do Céu, acabará tendo sido, todo o tempo, apenas uma região no Inferno; mas, se ela estiver subordinada ao Céu, terá sido desde o início uma parte do próprio Céu. [4]

Certamente que o apego a esta Terra produzirá cristãos incapazes de desejar o Céu, como Paulo também escreveu: São pessoas “cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Fp 3.19).

Conclusão

O Inferno é uma realidade, aliás, uma terrível realidade. Não sabemos detalhes desse submundo, pois a Bíblia não nos releva, mas o que sabemos pelas Sagradas Escrituras já nos mostra que o seu tormento é além de uma questão de fogo. A ausência de Deus, a falta de esperança, o pior da humanidade... Isso eternamente é o Inferno.

Referências Bibliográficas:

[1] ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia- Inferno. 1 ed. São Paulo: Abril, 2010. p 70.

[2] Idem. p 72.

[3] BARTH, Karl. Esboço de uma Dogmática. 1 ed. São Paulo: Fonte Editorial, 2006. p 167-168.

[4] LEWIS, Clive S. O Grande Abismo. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2009. p 16-17.