terça-feira, 31 de agosto de 2010

As Escolas de Profetas

O amigo leitor André Silva, de Pernambuco, pergunta sobre as Escolas de Profetas, focando os objetivos, professores, conteúdo e a formação. Vamos para a pequena resposta:

Sim, as Escolas de Profetas realmente existiram, mas há pouca informação sobre essas instituições. Muito do que pensamos não passa de suposições, já que as passagens bíblicas não apontam o propósito dessas escolas. Na verdade, é muito difícil responder sobre os objetivos, conteúdo e a formação delas. Não há elementos para uma explicação detalhada. Há até teólogos que acham que “escolas de profetas” é linguagem figurada, mas não que tenha sido uma organização . Apesar disso, os textos das Sagradas Escrituras nos dão algumas informações sobre o assunto.

Parece que as primeiras escolas foram organizadas por Samuel ( I Sm 10.5; 19.20) e estabelecidas por Elias e Eliseu no Reino do Norte (II Rs 2.3, 5; 4.38; 6.1). As Escolas de Profetas não devem ser confundidas com um monastério ou escolas dos escribas ou mesmo com um seminário teológico dos nossos tempos. Não havia um currículo de ensino, ou mesmo uma organização formal de aprendizado. Podemos até supor que havia algum ensino, mas a Escola de Profetas estava mais para uma reunião de “um grupo de pessoas em busca de mútua cultivação do seu zelo religioso”, como escreveu os comentaristas da NVI.

Esse grupo de pessoas não eram profetas como Elias ou Eliseu, mas talvez fossem assim chamados pelas experiências religiosas extáticas, principalmente ligadas à música. Apesar disso, tinham estreita ligação com esses profetas, sendo seus guias. A escola se reunia para edificação mútua em períodos de apostasia e esfriamento espiritual de Israel, que começou com o declínio moral da nação sob o reinado de Jeroboão. Sendo assim, esses grupos nos ensinam a importância da comunhão como forma de crescimento mútuo, todos aprendendo com todos, como fica bem claro em textos como I Co 12 ao 14.

As únicas informações sobre as Escolas de Profetas estão nos seguintes texto[1]:

1. As escolas foram estabelecidas em Ramá e talvez em Gibeá (I Sm 19.20; 10.5, 10). E também em Gilbal, Betel e Jericó (II Rs 4.38; 2.3, 5, 7, 15; 4.1; 9.1).
2. Alguns eram casados e tinhas seus próprios lares (II Rs 4.1).
3. Em II Reis 4. 38, 42-43 informa que cem discípulos acompanhavam Eliseu em II Reis 2. 7, 16-17 informa que peno menos cinquenta deles acompanhavam Elias e Eliseu até o rio Jordão.
4. Aparentemente usavam a música ( I Sm 10.5).

Não fica claro nos textos bíblicos se esses homens exerciam a profecia.


Referência Bibliográfica:

[1] BENTES, J. M. e CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 4 ed. São Paulo: Editora Candeira, 1997. p 445.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Confundindo adoração com ritual

Ofertar é um ato de adoração, mas passar uma salva é um simples ritual. O ritual em si não é bom nem ruim, mas uma simples forma de arrecadar a oferta. Muitos confundem o ritual com a adoração. E se votam contra as mudanças nas práticas litúrgicas. Quer um exemplo?

Muitas igrejas nos Estados Unidos estavam incentivando a entrega de ofertas e dízimos diretamente nas contas bancárias das congregações. Então, um dos mais influentes pastores da Convenção Batista do Sul, Jack Wilkerson, declarou em 2002: “Deus nos diz que as ofertas devem ser trazidas como um ato de adoração”[1]. Ou seja, para Wilkerson ofertar é participar de um ritual, e não o ato da doação em si.

Então, qual é o problema de ofertar na salva ou por uma transferência via internet banking? O propósito da oferta mudará? Nenhum desses meios é mais santo do que o outro, mas são simples maneiras de contribuir. Quem quiser salva, amém; quem quiser depósito em conta, amém.

Diferentes grupos, diferentes alcances

Tomo isso como exemplo para falar que Deus trabalha de maneira multiforme. A igreja mais tradicional que só canta hinos do hinário com acompanhamento de orquestra deve saber que dificilmente alcançará jovens urbanos, mas será um espaço bem adequado para a crescente população idosa do país. A igreja mais moderna, que canta hinos na base de bandas com som alto e muita agitação será um espaço bem jovem, mas com poucos idosos. Ou seja, ambas fazem o seu papel, ambas devem ser respeitadas quando não entram em choque com os valores do Evangelho. O ideal é que uma igreja mescle todos os estilos e alcance todos os grupos.

Graças a Deus pelas igrejas que falam a linguagem das periferias, graças a Deus pelas igrejas que sabem alcançar as classes médias, graças a Deus pelas igrejas que evangelizam jovens, graças a Deus pelas igrejas repletas de senhoras... O importante é que o verdadeiro Evangelho seja entendido por todos.

Referência Bibliográfica:

1. SWEET, Leonard (ed.). A Igreja na Cultura Emergente: Cinco Pontos de Vista. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2009. p 15.

domingo, 29 de agosto de 2010

Nova tradução de Chesterton

Uma boa notícia para os admiradores do escritor Gilbert Keith Chesterton. Depois do lançamento do livro O Homem Eterno, pela editora Mundo Cristão, a editora Graphia acaba de lançar o livro O Tempero da Vida, com inúmeros ensaios do filósofo britânico. O livro não é essencialmente teológico, mas não deixa de apresentar boas defesas do cristianismo. Chesterton era um cético em relação à modernidade que muitos em sua época estavam vislumbrados.

A sinopse da editora Graphia informa o seguinte sobre o livro O Tempero da Vida:

A obra reúne os pensamentos do criador do Padre Brown sobre o avanço da mentalidade burguesa e tecnológica entre as duas guerras, artigos sobre humor, sobre a literatura sentimental e sobre a composição de histórias de detetive, além de textos sobre as obras de Shakespeare, Esopo, Hans Christian Andersen, Lewis Carroll, Charles Dickens e Charlotte Brontë. Em todos eles, um senso de humor perpassa as reflexões sobre arte, filosofia e religião.

Fiquei sabendo por um dos integrantes da Vide Editorial que outros livros de Chesterton estarão disponíveis em português nos próximos anos por meio da editora campineira. Há cinco ou seis anos vimos a despertada pelas obras de C. S. Lewis, com várias traduções inéditas pela editora Vida e Martins Fontes. A editora Cultura Cristã está republicando os livros de Francis Schaeffer. Agora, depois do sucesso do livro Ortodoxia, estamos vendo o renascimento das traduções de Chesterton.

Os leitores brasileiros agradecem.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Lição 09 - Jesus - O Cumprimento Profético do Antigo Pacto

ESCRITO PELA EQUIPE DE EDUCAÇÃO DA CPAD.

Leitura Bíblica em Classe
Atos 3.18-26

I. Figuras Proféticas
II. Instituições Proféticas
III. Profecias Diretas Acerca do Nascimento de Jesus


Prezado professor, a tarefa deste domingo será estabelecer ao seu aluno a centralidade do Senhor Jesus Cristo em toda a realidade cristã. Ele é o cumprimento das profecias do Antigo Testamento e o autor dos ensinos neotestestamentários. No estudo de Cristologia não se pode depreciar Cristo, centralizando sua humanidade, em detrimento de seu atributo divino. Para os cristãos, Jesus Cristo é o Rei, sacerdote e profeta, mas também o “cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” e reviveu (Ap 13.8).

No estudo cristológico, um dos mistérios mais profundos da fé cristã é a união de duas naturezas em Jesus Cristo: a Humana e a Divina. Dos séculos III d.C. a V d.C. e XVI – XIX o significado de Cristo foi exposto em diversas facetas, conforme comenta o historiador Cairns:

Têm havido diferentes interpretações desta maravilhosa Pessoa, Cristo, que nos é descrita literalmente nos Evangelhos. Durante os grandes períodos de controvérsia teológica, entre 325 e 451 e entre 1517 e 1648, os homens procuraram interpretar Cristo em termos de credos. Os místicos o vêem como o Cristo da experiência pessoal e imediata. Outros, nos séculos XVIII e XIX, falaram dEle como o Cristo da história e procuraram despi-lo do sobrenatural a fim de poderem ver nEle apenas uma pessoa humana. O verdadeiro cristão o vê sempre como o Cristo de Deus. [1]

A fim de fazer distinções e dar respostas aos cristãos e a sociedade da época, as igrejas começaram publicar documentos de confissões da fé, através dos concílios, ao longo da história cristã: os Credos. Acerca disso Cairns destaca:

O método adotado pela Igreja para resolver as diferenças fundamentais de interpretação sobre o significado da Bíblia foi a realização de concílios ecumênicos ou universais [...]. Houve sete concílios que representaram a Igreja Cristã toda. Os grandes líderes da Igreja de todas as partes do Império representaram suas respectivas regiões e participaram na busca de solução para os problemas teológicos que preocuparam os cristãos nesta época. [2]

O prezado professor pode perceber que hoje temos a facilidade de confessar a humanidade e a divindade de Jesus Cristo sem maiores desconfortos. Mas há alguns séculos não era assim. Por isso é importante que seus alunos tomem conhecimento da relevância de estudar a Pessoa de Cristo diretamente nas Escrituras. E para esse labor a Profecia tem um papel preponderante.

O estudo da Profecia Bíblica introduzirá a compreensão das diferenças, sobre o Messias (Jesus Cristo, entre o Cristianismo e o Judaísmo. Por exemplo, Jesus é chamado o “Cristo” (Messias, o “Ungido”)[3]. Esse título está inserido em toda perspectiva judaica proveniente dos livros canônicos e profecias específicas, proferidas, pelos profetas. Quando o cumprimento dessas profecias é descrito em o Novo Testamento, na encarnação, vida, ministério, prisão, morte e ressurreição de Jesus, a revelação cristã é estabelecida e fazendo-se distinta do Judaísmo. Sobre essa diferença o teólogo David R. Nichos comenta:

O Judaísmo espera que o Messias desempenhe um papel de destaque na libertação política da nação; o Cristianismo ensina que Jesus é verdadeiramente o divino Messias, embora tenha recusado o governo político na sua primeira vinda – o que, na teologia cristã, como realidade futura, leva à necessidade da segunda vinda. São duas verdades baseadas, obviamente, nos ensinos de Jesus relatados em o Novo Testamento. As duas vindas de Cristo são dois pólos no plano de Deus, sendo cada um deles necessário para o quadro completo de Jesus, o divino Messias. Essa divisão das profecias não é possível na teologia do Judaísmo e continua sendo uma grande barreira entre os dois sistemas. [4]

O cumprimento profético da pessoa de Jesus Cristo é a chave para um verdadeiro estudo de sua Humanidade e Divindade. Ao longo do texto bíblico é possível ver Cristo como o Servo, o Profeta, mas também como o Senhor e Cristo, o Logos, o Filho do Homem e o Messias.

Professor prepare o seu aluno para conhecer a realidade da revelação de Deus ao homem. Diga a ele que, diferentemente de outras religiões onde sempre apresenta o homem em busca de Deus, Jesus Cristo representa o ato mais impensável e absurdo de toda a existência humana: Deus, por iniciativa própria, encarnou na humanidade fazendo-se plenamente “Emanuel - Deus Conosco”.


[1] CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos. São Paulo, Edições Vida Nova, 1995, p. 43.
[2] Idem. p. 107.
[3] HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática- Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro, CPAD, 2009, p. 305.
[4] Idem. p. 305.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Uma pequena dúvida!

Um famoso e influente pastor evangélico tem três filhos na política. O seu filho mais velho é candidato a deputado federal. A sua filha, que atualmente é vereadora, é candidata a suplente de candidato ao Senado. Um outro filho desse pastor já foi deputado estadual e também foi cogitado para suplente de um outro candidato ao Senado. Então pergunto:

Dizem que é importante que a igreja tenha representantes, tese contestável, mas é necessário que todos esses “representantes” sejam de uma mesma família, alías, que sejam da família do presidente de uma denominação? Não poderia ser um membro sem relação com a direção da igreja? Quem lê que entenda!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Carta ao povo de Deus?

Leia abaixo. Comento no final

Por Vera Rosa, no Estadão:

Vedete da campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, a Carta ao Povo Brasileiro, feita sob medida para acalmar o mercado, ficou para trás. De olho no voto de católicos e evangélicos, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, escreveu agora um manifesto intitulado Carta ao Povo de Deus, no qual defende a família e promete não espichar a polêmica sobre aborto e união civil entre homossexuais.

“Cabe ao Congresso Nacional a função básica de encontrar o ponto de equilíbrio nas posições que envolvam valores éticos e fundamentais, muitas vezes contraditórios, como aborto, formação familiar, uniões estáveis e outros temas relevantes, tanto para as minorias como para toda sociedade brasileira”, diz a carta assinada por Dilma.

No último parágrafo do manifesto, que será distribuído em seu comitê, a petista pede “oração” e “voto” para ter a “oportunidade” de continuar o projeto de Lula. Em tom pontuado por expressões de fé e esperança, Dilma diz que programas como o Bolsa-Família e o Minha Casa Minha Vida resgatam valores da cidadania e a “semente do Evangelho”.

Disposta a cativar todas as denominações cristãs, ela observa que a miséria e as distorções sociais têm “o dedo imperfeito do homem, e não o desígnio de um Deus perfeito”.

Na quinta, Dilma conversou com o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, d. Geraldo Lyrio Rocha, em Brasília. Estava acompanhada por Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula e ex-seminarista.

A visita de Dilma à sede da CNBB ocorreu no rastro da polêmica envolvendo o bispo de Guarulhos (SP), d. Luiz Gonzaga Bergonzini. Em artigo intitulado Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus - postado no mês passado no site da CNBB -, o religioso defendeu o boicote à candidatura de Dilma por considerar que a petista defende o aborto, embora ela não tenha pregado sua legalização.

Coordenado pelo pastor e deputado Manoel Ferreira (PR-RJ), o comitê evangélico pró-Dilma também produziu uma cartilha contendo “13 motivos” para o cristão votar nela. Na lista consta que a candidata “faz parte de uma geração que lutou pelo ideal da liberdade democrática, tanto quanto pela liberdade cultural e religiosa”. Na tentativa de combater a fama de durona que maltrata os subordinados, o texto diz ainda que “Dilma é humilde e conhece o sofrimento, a dor e a necessidade do ser humano”.


Comento:

Hahahaha. Só pode ser uma piada que o Manoel Ferreira e outros evangélicos acreditam. A Dilma por várias vezes já manifestou seu apoio a descriminalização do aborto, mas agora se porta como defensora dos valores familiares. Ora, como as eleições convertem as pessoas! Não é verdade?

Se alguém que defender a candidatura da Dilma, que defenda, mas sem inventar mentiras, como se ela fosse uma cristã praticante defensora de valores conservadores. O Manoel Ferreira está recorrendo a mentira!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O rico diálogo entre o pentecostalismo e o protestantismo histórico

Amigos,

Escrevi um texto para o Blog Cristo e Liberdade, do amigo André Tadeu de Oliveira. O André é membro da 1º Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo (SP), onde leciona aulas de teologia. O texto é sobre a rica contribuição do pentecostalismo para as igrejas históricas e vice-versa.

Recomendo a leitura dos textos escritos pelo André, especialmente a série sobre teólogos cristãos.

Segue o link:

http://wwwcristianismolibertas.blogspot.com/2010/08/o-rico-dialogo-entre-o-pentecostalismo.html

domingo, 22 de agosto de 2010

Por que precisamos de uma teologia latino-americana?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Hoje conversei com um amigo que está interessado na chamada “teologia latino-americana”. Ele está lendo ou já leu importantes obras de alguns famosos teólogos latinos. Justificando sua escolha, o meu amigo afirmou que a nossa realidade é muito diferente dos norte-americanos, sendo assim, precisamos de uma teologia mais próxima do dia a dia tupiniquim. Disse para ele que o discurso desses teólogos não têm nada de novo e é sempre a mesmice antiamericana. Infelizmente, não deu tempo de continuar o “debate”, mas marcamos a continuidade da conversa para outro dia.

Não é necessário viajar para os Estados Unidos ou qualquer outro país ocidental e observar o óbvio: estamos cada vez mais parecidos. Não falo da economia, nem da política, mas na cultura mediana de massas há poucas diferenças entre um brasileiro, um argentino, um americano ou um francês. Um adolescente no Brasil, na Coreia do Sul ou em Portugal ouvem as mesmas músicas eletrônicas, leem os meus livros de vampiros e comem na mesma lanchonete de fast-food. Um idoso argentino ouve a mesma música clássica tocada em Berlim, assim como o angolano assiste a novela passada no Brasil. Já tem até mendigo inglês nas ruas de Copacabana. É a dita globalização!

Então me pergunto: No que somos tão diferentes assim para criar uma teologia em cada país? Ou pergunto ao contrário: o Brasil realmente tem tanta afinidade com as demais nações latinas? Somos realmente um bloco ou um ideal na cabeça de alguns? A teologia latina não é mais uma manifestação de um infantil antiamericanismo? A nossa teologia é realmente americana quando lemos tantos europeus com Aquino, Huss, Knox, Calvino, Armínio, Lutero, Spurgeon, Wesley, Owen, Whitefield, Packer, Barclay,Van Til, Küng, Otto, Bruce, Berkhof, Kempis, Bultmann, Schleiermacher, Kuyper, Cullmann, Chesterton, Lewis, Stott, Barth, Tillich, Bonhoeffer, Moltmann etc.? A “teologia latina” não é mais uma desculpa para inventar teologias casadas com ideologias políticas? A teologia não deve ser universal?

A Editora Novo Século quando editou o livro Antologia Teológica escreveu que a obra tinha o objetivo de fortalecer o fazer teológico “genuinamente brasileiro e contemporâneo”. Mas só um detalhe: a maioria esmagadora dos artigos foram escritos por teólogos estrangeiros. Pra mim, esse discurso de “teologia brasileira” ou “teologia latina” é uma grande bobagem de nosso complexo "vira-lata", como dizia Nelson Rodrigues. Querem ser diferentes sendo o mais do mesmo.

sábado, 21 de agosto de 2010

Lição 08 - João Batista - O Último Profeta do Antigo Testamento

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD

Leitura Bíblica em Classe
Mateus 11.7-15

I. A origem de João Batista
II. A personalidade de João Batista
III. João Batista, o último profeta

Conclusão

JOÃO BATISTA E A COMUNIDADE DOS ESSÊNIOS, por Esequias Soares

Há ainda hoje quem procure associar João Batista à comunidade dos essênios que viviam em Qumran, no deserto da Judéia nas proximidades do Mar Morto. Josefo descreve o modus vivendi dessa antiga seita judaica em
Antiguidades Judaicas, Livro 18, capítulo 1; Guerras Judaicas, Livro 2, capítulo 12[1]. A descoberta de sua biblioteca a partir de 1949 confirma os relatos do historiador judeu e trouxe à tona muitos detalhes até então desconhecidos. Desde então, não falta especulação sobre a possibilidade de João Batista e até o próprio Jesus terem sido essênios. Os documentos encontrados na região são abundantes, mas nenhuma prova conclusiva ainda foi apresentada. Parece, pois, temerário tentar associar o filho de Zacarias a eles.

Os defensores de um João Batista essênio argumentam que a comunidade era governada por uma hierarquia sacerdotal e João veio de família de sacerdotes. Tanto o filho de Zacarias como o grupo de Qumran compartilhava da visão escatológica, viviam no deserto e praticavam o banho ritual.

A teologia escatológica vem desde Ezequiel e Daniel. A literatura apocalíptica posterior trata basicamente do fim do mundo e do juízo final. Por que João teria que se abeberar em fontes essênias? Josefo e os documentos de Qumran afirmam que os essênios eram contra o ritual do templo de Jerusalém, por essa razão foram viver como eremitas no deserto, afastando-se da sociedade. Além disso, mulheres não eram aceitas na comunidade, mas adotavam crianças. Esses dados por si só mostram que os pais de João Batista não podiam ser essênio, pois Zacarias ministrava o sacerdócio na Casa de Deus, quando o anjo anunciou o nascimento de seu filho e era casado. E João? O texto sagrado afirma: “E o menino crescia, e se robustecia em espírito, e esteve nos desertos até o dia em que havia de mostrar-se a Israel” (Lc 1.80). Alguns interpretam que, como seus pais já eram idosos, logo teriam morrido e seu filho teria sido adotado por alguma seita do deserto. É evidente que se trata de interpretação hipotética, pois o deserto, na Bíblia, é sempre apresentado como local de contemplação e inspiração profética, quem não se lembra das experiências de Moisés e Elias? (Ex 3.1; At 7.30; 1Rs 19. 4-7). E João é o último da linhagem dos profetas: “Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João” (Mt 11.13).

Os banhos rituais eram parte da vida dos essênios, ainda hoje podem ser vistas essas banheiras de pedras em Uiad Qumran. Porém, o batismo que João introduziu é outra coisa, muito diferente da prática dessa comunidade do deserto. Segundo Josefo, essa prática visava à purificação do corpo e, sobretudo, era praticado diariamente.

A verdade é que ele realizava batismo ao longo do Jordão, não ficava fixo em um só lugar: “E percorreu toda a terra ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados” (Lc 3.3). A Palavra de Deus afirma que:”João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham ali e eram batizados” (Jo 3.23). Essa região é no norte de Israel, em Bete Shean. Ele realizou também batismo do outro lado do Jordão, onde hoje é a Jordânia: “Essas coisas aconteceram em Betânia, do lado do Jordão, onde João estava batizando” (Jo 1.28). Este é o local do batismo de Jesus.

A mensagem de João não era pensamento humano, nem da escola de Shamai, nem de Hillel, e muito menos dos essênios. É até possível haver alguns pontos de intercessão se forem comparadas todas as idéias religiosas vigentes na época. No entanto, afirmar que o Batista foi essênio ou que recebeu influência deles com base nos argumentos acima apresentados é exagero, é forçar demais a interpretação dos fatos.

Texto extraído da obra:
O Ministério Profético na Bíblia. Rio de Janeiro, CPAD.

[1] A divisão de livros, capítulos e parágrafos nas obras de Flávio Josefo, na edição da CPAD, destoa do padrão universal, mas é a referência documentada aqui para facilitar a pesquisa de quem deseja conferir as informações.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Fatos na propaganda eleitoral

Tiririca e pastor Paulo Freire no mesmo comercial

Caro leitor, saiba que no estado de São Paulo, um dos candidatos a deputado federal é o humorista Tiririca, cujo lema é “pior que tá, não fica”. Com suas palhaçadas, o comediante pede votos para ajudar os pobres, inclusive os pobres de sua família. Na mesma propaganda do Partido da República (PR) aparece o pastor Paulo Freire, da Assembleia de Deus de Campinas, citando o II Samuel 22:33, que é o número de sua candidatura. Preciso comentar? É cômico uns dos principais membros da mesa diretora da CGADB nesse papel de candidato no partido que aposta na palhaçada. É triste pastores se candidatando, quando tal vocação deveria ser leiga. Um usa a comédia pelos votos, o outro usa a Bíblia. Sacrilégio?

O presidente Lula se comporta como um ungido

A colunista Dora Kramer, do jornal O Estado de São Paulo, fez uma interessante observação sobre a fala do presidente Lula na propaganda da presidenciável Dilma Rousseff:

A campanha (do PT na noite de ontem) simplesmente desconhece a circunstância eleitoral: não pede que Dilma seja eleita por isso ou por aquilo, não a compara com os concorrentes de maneira a informar ao eleitor que se trata de alguém mais bem qualificado que qualquer dos outros, nada. Simplesmente põe Dilma Rousseff sentada na cadeira presidencial. No encerramento a música corrobora o fato consumado: “Agora as mãos de uma mulher vão nos conduzir/ eu sigo com saudade, mas feliz a sorrir/ pois sei, o meu povo ganhou uma mãe/ que tem um coração do Oiapoque ao Chuí.” O sujeito da oração, evidentemente é Lula, que os autores João Santana e João Andrade transformam numa representação de Jesus Cristo - “deixo em tuas mãos o meu povo” - com vocação autoritária - “mas só deixo porque sei que vais continuar o que fiz”. E se não soubesse não deixaria? Não gostaria é a leitura subjacente.

Pois é, parece que o poder sobe a cada dia na cabeça do nosso presidente. Ele esqueceu que quem decide o próximo presidente é o povo, e não a sua vontade. Lula parece confundir o ofício de presidente com o de rei. É a velha raiz do populismo autoritário, que ainda ronda o Brasil. Daqui a pouco ele convocará os “apóstolos” megalomaníacos evangélicos para fazer parte do seu governo.

Documentário sobre a Renascer pela National Geographic



Assistam e tirem as suas próprias conclusões...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Aproveitem a Bienal do Livro para ler...


“A Bíblia nos diz para amar os nossos vizinhos, e também a amar nossos inimigos, provavelmente porque eles são geralmente as mesmas pessoas”


“Se Deus não existisse, não haveria ateus”


“A coisa mais surpreendente sobre os milagres é que eles acontecem”


“Você só pode encontrar a verdade com lógica se você já encontrou a verdade sem ela”


“As falácias não deixam de ser falácias porque elas se tornam moda”


“Por uma curiosa confusão, muitos críticos modernos passaram a partir da proposição de que uma obra pode ser impopular para a outra proposição que a menos que seja impopular não pode ser uma obra-prima”


“O homem parece ser capaz de grandes virtudes, mas não de pequenas virtudes, capaz de desafiar seu algoz, mas não de manter a calma”


As frases acima são do escritor inglês G. K. Chesterton. Como um dos grandes apologistas do cristianismo, Chesterton tinha sacadas inteligentes e respondia com humor aqueles que contestavam a fé cristã. Como C. S. Lewis, Chesterton trabalhava com ficção, poesia e literatura fantástica, além de teologia e filosofia. Aproveitem a Bienal do Livro e busquem os livros de Chesterton, C. S. Lewis, Francis Schaeffer, Alister McGrath, J. I.Packer, John Stott e outros nomes da teologia cristã clássica.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Educação apostólica?

Enquanto a biografia do jogador Kaká é lançada pela gigante editorial Zondervan nos EUA, o casal apostólico continua com complicações com a justiça brasileira. Enquanto o membro ilustre da Renascer em Cristo traz boas notícias e testemunho, seus apóstolos apelam para práticas ilícitas e dignas de cadeia. Leia abaixo reportagem da revista Época desta semana.


Sobrou dinheiro e faltou educação

Wálter Nunes (repórter da Revista Época)

Fundação ligada à Igreja Renascer é acusada de desviar R$ 2 milhões que deveriam ter sido usados em programa de alfabetização de adultos

OS ALVOS DA DENÚNCIA
À esquerda, os fundadores da Renascer, Estevam e Sônia Hernandes. No detalhe, o bispo José Bruno, ex-vice-presidente da Fundação Renascer. O Ministério Público quer que a igreja devolva o dinheiro ao Ministério da Educação


A Igreja Apostólica Renascer em Cristo está entre as instituições religiosas que mais crescem no país. Fundada na sala da casa de Sônia e Estevam Hernandes, bispa e apóstolo da igreja, tornou-se em 24 anos um conglomerado de mais de 800 templos (espalhados pelo Brasil, por países da América Latina e Estados Unidos), escola, gravadora e emissoras de rádio e TV. Os eventos promovidos pela igreja reúnem milhares de pessoas. Mas, assim como os fiéis, proliferam na Justiça as ações contra a Renascer e seus dirigentes. A última delas vem do Ministério Público Federal (MPF), que acusa a Fundação Renascer, uma entidade assistencial ligada à igreja, de desviar R$ 1.923.173,95 recebidos do governo federal graças a dois convênios celebrados com a Fundação Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão do Ministério da Educação.
Os acordos foram assinados em 2003 e 2004 e previam a alfabetização de 23 mil jovens e adultos e a formação de 620 professores. As dúvidas começaram em 2007, quando auditores da FNDE e da Controladoria-Geral da União (CGU)investigaram a aplicação dos repasses das verbas do Ministério da Educação para ONGs integrantes do programa Brasil Alfabetizado. Ao ser submetida à auditoria, a Fundação Renascer, para justificar gastos, apresentou uma lista de nomes de professores e alunos que teriam participado do programa de alfabetização. A lista não continha, porém, nenhum número de documento, como CPF, que comprovasse a existência das pessoas mencionadas. Foi rejeitada pela auditoria.

O caso foi então remetido para o Ministério Público Federal em São Paulo. A Fundação Renascer enviou ao MPF um cronograma de aulas de educação religiosa – recheado de erros de português – para tentar atestar a existência do curso. O roteiro incluía temas como “conhecer a Bíblia”, “a importância da fé e da fidelidade como filhos de Deus” e “a história de Neemias”. Indicou também testemunhas, que foram ouvidas pelo Ministério Público. Somente duas conseguiram comprovar que houve um curso de alfabetização e mesmo assim para apenas 300 alunos, muito longe dos 23 mil estabelecidos pelos convênios assinados com a FNDE. Outras testemunhas disseram ainda que o dinheiro do convênio depositado na conta da Fundação Renascer era sacado em espécie por pessoas não identificadas. Na ação, o procurador Sérgio Suiama pede que os responsáveis pela Fundação Renascer sejam condenados a devolver à FNDE os R$ 2 milhões relativos ao convênio, percam os direitos políticos por cinco anos e não possam mais assinar contratos com a União.

Documentos apresentados pela igreja para comprovar gastos foram rejeitados por auditoria do governo

“Eles não conseguiram comprovar que o dinheiro da FNDE realmente foi usado para alfabetizar adultos. Mesmo que uma pequena parte tenha frequentado aulas de religião, isso é irregular”, diz Suiama. Segundo Suiama, os temas das aulas mostram que a Renascer pode ter usado verba pública para difundir as crenças da igreja. “O cronograma das aulas de religião complica ainda mais a situação, pois o dinheiro do convênio nunca poderia ter sido usado para promover proselitismo religioso. A Constituição determina que o Brasil é um estado laico, não pode patrocinar nenhuma prática religiosa”, diz Suiama.

O principal alvo da ação do Ministério Público é o deputado estadual bispo José Bruno (DEM-SP), que era vice-presidente da Fundação Renascer e assinou os convênios com a FNDE em 2003 e 2004. Hoje fora da Renascer para montar sua própria igreja, o deputado José Bruno diz que jamais trabalhou no programa de alfabetização da fundação e só assinou os convênios porque os verdadeiros responsáveis, a bispa Sônia (presidente da fundação) e o apóstolo Estevam Hernandes, estavam ausentes. “Eu assinei os convênios porque Estevam e Sônia estavam fora do país”, diz ele. “Eu nunca toquei esse projeto e isso consta inclusive no depoimento de uma testemunha que diz que nunca tratou de assuntos desse programa comigo.” Segundo a CGU, Bruno teria atrapalhado o trabalho dos fiscais que foram verificar o destino do dinheiro dos convênios e evitou fornecer documentos à auditoria.

A Renascer, em nota, refutou “qualquer acusação de malversação de verbas públicas” e disse ter havido “apenas entendimentos errôneos da FNDE com relação a valores”. Disse que alfabetizou mais de 15 mil pessoas e anexou fotos com cenas de salas que supostamente seriam a prova da realização do programa de alfabetização. Quanto ao ensino religioso, afirmou que as cartilhas baseadas em assuntos da Bíblia “trouxeram resultados que superaram outras técnicas”. Disse ainda que as dúvidas levantadas sobre o trabalho da fundação vêm de “denúncias desleais, acusações sem provas” feitas por “pessoas sob suspeição absoluta” que teriam “claros interesses próprios em prejudicar a igreja”.

A bispa Sônia e o apóstolo Estevam foram presos em 2007 ao tentar entrar nos Estados Unidos com US$ 56 mil escondidos em uma Bíblia e um porta-CDs – eles haviam declarado ao Fisco americano que entrariam com apenas US$ 10 mil. Em dezembro do ano passado, eles foram condenados pela Justiça Federal a quatro anos de prisão e multa de R$ 150 mil cada um por evasão de divisas. Apresentaram recurso contra a condenação.

sábado, 14 de agosto de 2010

Deus e deuses

Portanto, meus amados, fugi da idolatria (I Co 10.14)

Os que observam as vaidades vãs deixam a sua própria misericórdia (Jn 2.8)

Meu Deus, como somos idólatras, pois estamos constantemente adorando falsos deuses. Adorando em músicas, em pregações e principalmente em orações. Adoramos um deus que não é o Deus da Bíblia. Adoramos um deus que é diferente daquele revelado pelo Logos. Vejamos alguns desses deuses:

  1. O deus carrasco

Esse deus está esperando o seu fracasso espiritual. Ele tem prazer em vê-lo cair no pecado. Está roendo as unhas para puni-lo. A santidade desses deus nada mais é do que malícia.

  1. O deus “gênio da lâmpada”

Esse deus precisa que você descubra os “segredos da determinação”. Você necessita desvendar o modo como atiçá-lo para abençoar a sua vida com bens materiais. Esfregue a lâmpada e terá o seu pedido atendido.

  1. O deus mercantil

Esse deus é movido a dinheiro e holocaustos. Quando mais você paga em ofertas e sacrifícios mais benefícios obterá. Esqueça a arara das notas de dez, sacrifique o peixe garoupa de cem reais. A relação desse deus é de causa e efeito: Mais sacrifícios, mais bênçãos!

  1. O deus bonachão

Esse deus é bobão. Ele diz que ama, mas não corrige. Ele mima os seus filhos. Tudo está muito bem para esse deus. O grande problema é que seus filhos mimados se acham deuses. Ele deixa os seus filhos soltos, sem nenhum cuidado. Não há laços reais.

Vejam só, quantos deuses estranhos. Mas o Deus da Bíblia é tão diferente desses deuses. Ele ama, corrige, educa, abençoa sem merecermos, nos cobra um compromisso de amor, mas nos ama incondicionalmente.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Lição 7- Os falsos profetas

Subsídio escrito pela Equipe de Educação da CPAD

Leitura Bíblica em Classe
Romanos 9.25-29
I. A falsa mensagem profética
II. O falso profeta desmascarado
III. O dom de discernimento é o grande inimigo dos falsos profetas


ACAUTELAI-VOS. OUTRA VEZ VOS DIGO: ACAUTELAI-VOS!

Prezado professor, veja o que diz o texto de Mateus 7.15-20:

Acautelai-vos [grifo nosso], porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.

Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?

Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus.
Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons.
Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.
Portanto, pelos seus frutos os conheceres.

A presente perícope (ou parágrafo) do Evangelho de Mateus inicia-se com uma expressão imperativa: Acautelai-vos. O texto orienta o leitor a viver de maneira prudente, vigilante e sóbria.

Por que existe essa necessidade no meio de um povo que confessa o nome de Deus? Porque é no seio desse povo que os falsos profetas manipularão o maior número possível de pessoas destacando as suas principais características:

• Simulação da espiritualidade cristã;
• O uso da linguagem do povo cristão;
• Apresentação de uma suposta autoridade espiritual;
• O uso do nome de Jesus para justificar sua fala.

Além das características acima, de acordo com a Didaquê [1], os falsos profetas têm um apego desenfreado ao dinheiro. O seu verdadeiro deus é a riqueza material. Tudo o que fazem gira em torno da aquisição de tal riqueza. Através da manipulação de um povo carente e simples, os falsos profetas atingem seus objetivos.

Eles, os falsos profetas, também “amam” a multidão. Ela é o seu sustento de vida. Os falsos profetas têm poder porque a multidão, uma vez transformada em sujeito coletivo, proporciona a plataforma ideal para forjá-los como ídolos. E o ídolo é inquestionável, obedecido cegamente, está acima de tudo e de todos. Sua palavra sempre denotará ordem, e se esta não for cumprida há uma “promessa” de maldição na vida do desobediente.

Tudo o que os falsos profetas desejam é serem aclamados como ídolos do povo. Eles sabem que é a multidão que os nomeiam e ratifica suas “autoridade”.

“Acautelai-vos”! Esse é o imperativo de Jesus Cristo. Ele nunca foi tão atual! Se os falsos profetas não fossem tão parecidos com os verdadeiros, essa expressão não faria sentido. Por isso o Mestre de Nazaré propõe uma inserção de sobriedade, coerência e senso crítico na mente de todos que buscam honestamente fazer a vontade de Deus.

A melhor maneira de reconhecer a falsidade do profeta é atentando para a produção de seu suposto ministério. Nesse caso algumas perguntas devem ser feitas:

1. A pregação e a vida de tal profeta coadunam?
2. Há simplicidade no seu estilo de vida?
3. Ele costuma bajular uma liderança eclesiástica em detrimento do povo?
4. O profeta é fissurado em multidão e indiferente aos indivíduos?
5. Ele sempre deseja os lugares mais altos?

A lista de perguntas pode continuar porque ela é imensa. O povo de Cristo precisa entender que o exercício de investigar, questionar e enxergar não é pecado. O Senhor Jesus Cristo deu todo o aval para que seu povo busque a defesa em sua Palavra. O apóstolo Paulo em sua despedida encorajou os presbíteros de Éfeso a serem cuidadosos por causa dos falsos obreiros que surgiriam entre eles (At 20.30,31). O apóstolo Pedro também foi enfático nessa necessidade informando até que os falsos mestres fariam da igreja negócios (2 Pe 2.3). A realidade é dura: nos últimos dias a avareza tomará conta de todas as relações majoritárias da igreja (2 Tm 3.1-9). Por isso a cautela, o imperativo de Cristo, deve estar nas mentes, dos filhos de Deus, como um software programado está no computador. Os filhos de Deus precisam ser autônomos, como é o software no computador, para discernir, descobrir e enxergar as incoerências feitas em nome de Jesus.

Professor, precisamos colocar essas questões diante dos nossos alunos sem economizar nos detalhes da análise. O seu aluno precisa criar instrumentos autônomos para identificar aquilo que é maléfico para sua vida. O seu trabalho, na lição deste domingo, é conscientizá-lo de que o discernimento, o senso crítico e a prudência são fatores indispensáveis nos dias em que a “mesa do reino” tem sido tão maltratada.
Boa Aula!
________________________________________

[1] “Ensino dos 12 Apóstolos. É um manual de instrução eclesiástica, possivelmente, elaborado em meados do segundo século na forma que chegou até nós” ( CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos, Uma História da Igreja Cristã. São Paulo, Edições Vida Nova, 1995, p. 62)

Contextualizar liturgia não é o mesmo que se vender ao mercado de consumo

Defensores de uma liturgia mais tradicional, especialmente neopuritanos, acusam liturgias mais, digamos, modernas de se venderem para as tendências do mercado de consumo, ou seja, são anátemas imitadoras da MTV ou do Coldplay. Calma lá, nem toda mudança é ruim, como nem toda conservação é boa, e o contrário também é verdadeiro. Devemos separar duas tendências nas transformações litúrgicas:

01. Há muita gente distorcendo uma liturgia bíblica para parecer mais agradável e conseguir seguidores, mesmo ao custo da renúncia à Palavra de Deus. Exemplo disso são cultos temáticos, que acontecem até em muitas Assembleias de Deus, como o “culto da vitória” ou “culto da cura-divina”. Ora, existe hora para Deus curar? O foco de um culto é adorar a Deus ou buscar vitórias? Bênçãos são consequências ou a essência de um “culto”?

Sim, é evidente que existe muita distorção, gente querendo ganhar poder, fama e riquezas com um culto mais
light, mas mercantil. Um culto vazio, onde Deus não é adorado, onde Deus não fala por meio de sua Palavra, onde Deus não é buscado em genuína oração... Falar em pecado? Nem pensar, pois para os mercenários é preciso só exaltar as qualidades humanas e a autoajuda das cabanas ou dos segredos.

Esse lado ruim você conhece, mas há gente séria contextualizado a liturgia.

02. É fato, o mundo muda e nós também. A liturgia tem como propósito adorar a Deus, mas a adoração ao Senhor é inteligível ao homem, pois como Paulo escreveu: “Nas reuniões da igreja prefiro dizer cinco palavras que possam ser entendidas, para assim ensinar os outros, do que dizer milhares de palavras em línguas estranhas” (I Co 14.19 NTLH). Será que um garoto nascido em uma sociedade pós-cristã como a nossa, entende o que é falado na igreja? Será que não estão falando nos púlpitos em línguas, literalmente estranhas, que ninguém entende?

Muitas igrejas adotaram a
Nova Versão Internacional nas suas leituras públicas. Por quê? Simples, a linguagem é erudita e de fácil compreensão. Significa que desprezaremos o trabalho de João Ferreira de Almeida? É claro que não. As versões Almeida continuam com sua beleza, elegância e firmeza no texto. Agora, qual das duas versões é mais compreensível nos cultos cheios de pessoas com pouquíssimo conhecimento bíblico? É resposta é evidente.

Outra. Será que as pessoas entendem expressões como varão, vaso, lírio, holocausto etc.? Não é melhor substituir por sinônimos? Além disso, as palavras mudam de conotação, exemplo maior é a expressão inglesa
gay. Antes, gay era simplesmente “alegria”, hoje todos só pensam no sujeito homossexual. Quando novo convertido, lembro o meu susto ao ouvir um hino com a palavra “gozo”. Como pré-adolescente, tal palavra para mim só tinha conotação sexual, mas não como um sinônimo de alegria. Imagino que muitos se assustam com tais palavras, que em sua época tinha um significado que no decorrer do tempo foi mudando.

Esses são só pequenos exemplos. A mudança litúrgica é sempre importante quando mantemos os princípios e valores do Evangelho, mas também quando dialogamos com as pessoas, pois adoração a Deus deve ser compreendida pelo adorador, assim para a sua própria edificação.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A ira de Deus: uma ótima síntese

"A maior manifestação da ira de Deus é quando Ele silencia por completo e deixa que vivamos e façamos como bem entendemos" Martinho Lutero

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Richard Dawkins Vs Alister McGrath



Um ateu e um cristão debatendo. Ambos ingleses. Ambos da Universidade de Oxford. Veja o vídeo, que mostra como o cristianismo tem bons nomes no mundo acadêmico. O anglicano Alister McGranth tem vários livros em português, publicados pelas editoras Ultimato, Vida Nova, Vida, Mundo Cristão e Loyola.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Lançamento da biografia de Marina Silva

Marina Silva e Fernado Meirelles no lançamento da biografia escrita por Marília de Camargo César (Fernando Borges/ Terra)

Nessa segunda-feira, aconteceu na Livraria Cultura o lançamento do livro Marina: A Vida por uma Causa (Editora Mundo Cristão), escrito pela jornalista Marília de Camargo César, membro da Igreja Batista da Água Branca (IBAB). A local ficou lotado de simpatizantes da candidata verde, Marina Silva, que é membro da Assembleia de Deus em Brasília. A noite de autógrafos contou com ampla cobertura da mídia e a presença de políticos e artistas, como o deputado Fernando Gabeira (PV- RJ), o empresário Guilherme Leal (vice na chapa), o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o cineasta Fernando Meirelles, diretor do filme Ensaio sobre a Cegueira (FOX Century, 2008). Além deles, também compareceram líderes evangélicos e blogueiros conhecidos da internet cristã, como o amigo Alex Fajardo.

Em breve escrevei um post sobre a minha visão dos três principais candidados à presidência da República. Já adianto que não me sinto representado por nenhum dos três, mas mesmo assim escolherei um (ou uma) para votar. Em breve vocês lerão esse texto...

Ainda hoje, postarei algumas fotos do evento acontecido na matriz da livraria que fica na tradicional avenida Paulista.

domingo, 8 de agosto de 2010

Por que Deus está escondido?

Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer. (João 1.18)

Verdadeiramente tu és um Deus que se esconde, ó Deus e Salvador de Israel (Isaías 45.15 NVI)

O grande filósofo Blaise Pascal tem uma resposta coerente:

Se Deus se revelasse frequentemente aos homens, não haveria qualquer mérito em crer Nele; e se Ele não se revelasse jamais, haveria pouca fé. Mas Ele se esconde comumente, e se revela raramente para aqueles que quer engajar a Seu serviço. Esse estranho segredo do qual Deus se retirou, impenetrável à vista dos homens, é uma grande lição para nos levar à solidão, longe da vista dos homens. Ele permaneceu escondido sob o véu da natureza […] e quando foi necessário que aparecesse Ele ainda se escondeu mais, cobrindo-se de humanidade. Ele era muito mais reconhecível quando invisível do que quando se tornou visível. […] e eu creio que Isaías O via nesse estado quando disse em espírito de profecia: “Verdadeiramente és um Deus escondido”. […] As aflições temporais escondem os bens eternos para os quais elas conduzem. As alegrias temporais cobrem os males eternos, os quais elas causam. [1]

Imagine a confusão que seria termos um Deus visível. Um tentaria acusar o outro perante Deus. Outros tentariam impressionar o Todo-Poderoso com suas “qualidades”. Ainda teriam aqueles que eternamente estaria a viver uma dependência exagerada de Deus, como pedir que o Senhor resolvesse problemas de mera responsabilidade humana. Sim, Deus é aquele que se esconde, mas que sempre nos enxerga. Infinita é a Sua sabedoria.

Terrível é perceber que no meio pentecostal há quem diz ver a face de Deus. Exemplo disso foi o terrível livro “O Triunfo Eterno da Igreja”. Os famosos pastores assembleianos Oriel de Jesus e Geziel Nunes Gomes dirigiam uma igreja pentecostal em Boston (EUA), filiada à CGADB. O megalomaníaco Ouriel de Jesus escreveu esse livro, em que se apresentava quase como a quarta pessoa da Trindade e sempre batia um papo como Senhor face a face. A arrogância de Ouriel de Jesus também se mostrava na liderança centralizadora, que tudo dirigia sob “direção divina”. A igreja aceitava passivamente todas as invencionices de Ouriel, como as várias “unções” e a idolatria em torno de anjos. Ouriel ainda foi acusado de irregularidades junto à imigração americana e de plágio por uma jornalista brasileira.

O pior mesmo são aqueles que seguem esses “profetas” e estão cada vez mais distantes da face de Deus e do conhecimento sobre a pessoa de Jesus. Esse pseudopentecostalismo é anátema!

Referência Bibliográfica:

[1] PONDÉ, Luiz Felipe. O Homem Insuficiente. 1 ed. São Paulo: Edusp, 2001. p 127- 128.

As sete falsificações do arrependimento

Por Mark Driscoll

Deixe-me explicar o que é o que não é arrependimento. Para alguns de vocês, esse assunto será totalmente novo, pois nunca ouviram falar disso. Para outros, essa será a informação que possuem em pedaços de todo o curso de suas vidas. Ainda há aqueles que essa será a oportunidade de rever as coisas que eu ensinei antes, mas que talvez ainda precisem praticar. E para os demais, talvez não conheçam o arrependimento na prática, e isso vai ajudar a esclarecer a sua capacidade de discernir os conselhos. Eu quero que você preste atenção, isso é realmente importante. Se você não sabe o que fazer com o pecado, vai arruinar a sua vida e destruir qualquer um que está ligado a você. Isso é um grande trato.

1. Arrependimento religioso

Assim, o verdadeiro arrependimento não é arrependimento religioso. Arrependimento religioso é esse: "Eu vejo o seu pecado, não o meu. Confesso o seu pecado, não o meu. Estou muito satisfeito com o seu pecado, mas eu realmente não estou preocupado com o meu”. É porque as pessoas religiosas tendem a pensar que elas são justas, piedosas, santas e melhores do que qualquer outra pessoa. O resultado é que elas pensam que são boas, e todos os outros são ruins. E as pessoas religiosas gostam da intromissão, das fofocas, de procurar defeitos na vida alheia, e de “encherem o saco”. Isso é o que as pessoas religiosas fazem. E a maneira como isso funciona é que estão sempre felizes por falar sobre todas as coisas que você fez de errado, mas eles nunca dizem coisas como: "A culpa foi minha. Sinto muito. Eu estava errado”. Alguns de vocês estão casados com essa pessoa, peço desculpas!

Jesus conta uma história de duas pessoas entrando no templo, o equivalente no Velho Testamento a uma igreja, e um ora com os olhos soberbos e cabeça erguida, cheia de orgulho: "Deus, agradeço-lhe que eu não sou como os outros homens. Obrigado que eu sou melhor do que eles são. Obrigado que eu não faço todas essas coisas horríveis”. Ele é alguém confessando o pecado.

Um segundo homem entra na história, e ele não é cheio de orgulho, mas cheio de tristeza. E ele olha para o chão. Sendo que não pode sequer levantar os olhos, mas simplesmente declara: "Deus, tem misericórdia de mim. Eu sou um pecador”. O pecador está lidando com seu próprio pecado, e não de qualquer outro pecado. Ele é cheio de humildade e sem orgulho. E Jesus diz: "Eu lhes digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado". Pessoas religiosas são notórias por ignorar seus próprios pecados, e falar sobre todos os outros, por vezes, expressando-se sob a forma de um pedido de oração, para que fique particularmente santo como não é.

Leia o sermão completo (em inglês) neste link.

Pr. Mark Driscoll é conhecido por divulgar o Novo Calvinismo ou o Movimento Emergente Reformado. Seu livro mais recente é: Doctrine: What Christians Should Believe. Este sermão foi pregado na Mars Hill Church.

sábado, 7 de agosto de 2010

Redes sociais, você participa?

Antigamente tínhamos algumas maneiras de conhecer gente nova: mudando de casa, de escola, de emprego, de cidade, viajando, indo em eventos públicos etc., hoje podemos, também, conhecer muita gente através da internet. E isso é ótimo. Conversar, partilhar ideias, interagir com pessoas de várias partes do país ou do mundo é uma das bênçãos advindas pela rede mundial de computadores.

Como blogueiro cristão, é importante que o seu trabalho seja partilhado com gente nova, evangélica ou não, por isso não deixe de participar das redes sociais. O Orkut, a rede criada por um funcionário do Google, ganhou muito espaço no Brasil, mas o Facebook cresce rapidamente neste país e certamente em breve passará a popular rede. De longe, o Facebook é a rede social mais usada no mundo, enquanto o Orkut faz sucesso basicamente no Brasil e na Índia. Poderíamos até definir o Facebook como um Orkut mais organizado e maduro, além de mais amplo.

E o Twitter? A rede social que permite mensagem de apenas 140 caracteres é uma verdadeira febre. O Brasil, de acordo com dados recentes, é a segunda nação que mais acessa o site, perdendo apenas para os EUA. Os tópicos mais comentados no mundo, muitas vezes, são de assuntos relacionados ao Brasil, como a famosa campanha “Cala Boca, Galvão”, executada durante a Copa na África do Sul. Os políticos estão aproveitamento essa ferramenta para pedir votos.

Ora, como você, blogueiro cristão, está perdendo essa chance de partilhar ideias do Reino de Deus nesse universo infinito de gente? Vamos lá, não desanime, partilhe a visão de mundo cristã para esse número crescente de usuários na internet. Nunca foi tão fácil conversar com as pessoas e passar uma mensagem cheia de cristandade para elas.

Meu Twitter é: http://twitter.com/gutsiqueira

OBS: Texto originalmente publicado no site da UBE (União de Blogueiros Evangélicos)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Lição 06 - Profetas Maiores e Menores

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD.

Leitura Bíblica em Classe
Romanos 9.25-29

I. Oseias – O Profeta Menor
II. Isaías – O Profeta Maior
III. Classificação dos livros proféticos


VISÃO PANORÂMICA DOS LIVROS PROFÉTICOS DE ISAÍAS E OSEIAS


ISAÍAS

Isaías é o mais ilustre dos profetas literários e é conhecido como o profeta messiânico, pois é o livro dos Profetas que mais faz menção da vinda do Messias. Nada sabemos sobre Amoz, o pai de Isaías (1.1), mas o Talmude afirma que era irmão do rei Uzias. Se isso puder ser confirmado, então, Isaías era sobrinho de Uzias, rei de Judá. Isaías exerceu o ministério de profeta e conselheiro da corte e viveu entre 740 e 700 a.C. Foi contemporâneo de Oseias, Amós e Miqueias (Os 1.1; Am 1.1; Mq 1.1).

[...] Isaías é o primeiro dos Profetas Posteriores, no Cânon Judaico, vindo logo depois dos livros dos Reis, e é seguido de Jeremias, Ezequiel e os Profetas Menores.


Conteúdo

O livro apresenta duas partes principais, a primeira (1 – 39) e a segunda são os 27 capítulos (40 – 66), o equivalente aos 39 livros do Antigo Testamento e os 27 do Novo.

Contra as nações inimigas. Constitui-se de discursos e avisos proféticos visando em primeiro plano tudo o que diz respeito à vida e à piedade, ao bem-estar social e espiritual da nação eleita. Mas há também advertências contra as nações vizinhas, como a Filístia (14.28-32), Moabe (15 – 16), Síria (17), Egito (18 – 20), Edom e Arábia (21.11-17).

Alusões históricas. Há ainda nessa primeira parte alusões históricas, como a sua chamada, no capítulo 6, a aliança do Reino do Norte com Rezin, rei de Damasco, para destruir a casa de Davi, ocasião que deu origem à profecia messiânica sobre o nascimento de uma virgem (7.14). Relata ainda como Deus acrescentou mais 15 anos de vida ao rei Ezequias, capítulo 38, e a invasão de Jerusalém por Senaqueribe, rei da Assíria, e a sua derrota (39).

Profecias messiânicas e escatológicas. Há profecias messiânicas (9.1-6; 11.1); há profecias escatológicas para o Milênio, nos capítulos 2 – 4 e 11.

Segunda parte. Trata-se de um discurso profético contínuo e ininterrupto, e nisso difere da primeira parte. Começa com uma palavra de conforto (40.1), tendo como ponto de partida o cativeiro previsto em 39.5-8. É um longo discurso de livramento e de promessas escatológicas, de esperança tanto para Israel como para o mundo, através de Jesus Cristo (60.3; 66.12; Ap 21.24).


Algumas citações de Isaías no Novo Testamento:
6.9,10 → Mt 13.13-15; Jo 12.39-44; At 28.25-27.
8.12 → 1 Pe 3.14,15.
11.4 → 2 Ts 2.8
21.9 → Ap 14.8; 18.2.
28.16 → Rm 9.33; 1 Pe 2.4-6.


OSEIAS

Oseias, Amós e Miqueias viveram na mesma época. Com o profeta Isaías eles formam o quarteto do período áureo da profecia hebraica, entre 790 e 695 a.C. Oseias e Amós eram profetas do Reino do Norte, enquanto Miquéias profetizou em Judá.

Segundo Keil seu ministério durou de 60 a 65 anos. Isso parece ser confirmado pelo próprio texto sagrado: “Palavra do SENHOR que foi dita a Oseias, filho de Beeri, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel” (Os 1.1). A soma dos anos desses quatro reis de Judá são 113 anos. Jeroboão II reinou 40 anos (2 Rs 14.23) entre 793-753. Se Oseias começou seu ministério no final do reinado de Uzias e alcançou pelo menos os primeiros anos de Ezequias, fica claro que Oseias exerceu seu ministério por tempo prolongado.

Conteúdo

Oseia encabeça a lista dos Profetas Menores. Contém 14 capítulos e está dividido em duas partes principais. A primeira trata-se da biografia do profeta que retrata a história de seu povo, na sua geração (1 – 3); é o sumário do livro. A segunda parte trata do mesmo assunto de maneira mais ampla e detalhada. É o livro do amor de Jeová. Sua mensagem consiste no apelo contra o pecado, advertências sobre o juízo de Deus, o amor eterno de Jeová e a profecia sobre a restauração de Israel, no fim dos tempos. Oseias é citado por nome em o Novo Testamento (Rm 9.25,26) e o livro em outras partes, como a profecia messiânica (11.1; Mt 2.15).


TEXTO EXTRAÍDO DA OBRA “
Visão Panorâmica do Antigo Testamento: A formação, inspiração, cânon e conteúdo de seus livros. CPAD, pp. 186-88, 203,04”