terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A difícil tarefa de definir Deus

Como definir Deus? É possível conceituá-lo? Como um ser finito (o homem) pode descrever um ser infinito (Deus)? Como um ser temporal pode definir aquele que é eterno? O fato é que qualquer definição de Deus é imperfeita. A linguagem humana é limitada para descrever a perfeição divina. As conceituações, mesmo com o status de dogma, devem tomar o cuidado de não ser injusto com o carácter de Deus.

Certamente falar de suas características e atributos é uma boa forma de entendê-lo. O bispo de Hipona, conhecido como Santo Agostinho (354 d. C. -430 d.C.) fez isso de maneira magistral. Leia esse trecho do livro clássico Confissões:

Ó Deus tão alto, tão excelente, tão poderoso, tão onipotente, tão misericordioso e tão justo, tão oculto e tão presente, tão formoso e tão forte, estável e incompreensível, imutável e tudo mudando, nunca novo e nunca antigo, inovando tudo e cavando a ruína dos soberbos, sem que eles o advirtam; sempre em ação e sempre em repouso; granjeando sem precisão, conduzindo, enchendo e protegendo, criando, nutrindo e aperfeiçoando, buscando, ainda que nada Vos falte. [1]

Vejam que Agostinho explora os atributos a partir de paradoxos. Os paradoxos são verdades diferentes, mas não excludentes, são aparentes conceitos sem nexo, mas que se complementam. A partir disso começamos a entender verdades difíceis, como o Deus soberano que dá liberdades aos homens. Deus não mistura soberania com tirania. Logo porque, como lembra novamente Agostinho, vontade controlada não é boa: “Todavia, contra vontade, ninguém procede bem, ainda que a ação em si mesma seja boa” [2].

Defini-lo e conhecê-lo

Um ser tão complexo como Deus só é possível de ser conhecido pela revelação. Essa revelação não é uma iluminação secreta ou mera intuição humana, mas sim a revelação que o próprio Deus apresenta na pessoa de Jesus Cristo, nas Sagradas Escrituras e na natureza. Nós conhecemos o que Ele nos revelou. Karl Barth lembra:

Mas Deus é Deus naquilo que podemos saber dEle, apenas com base na revelação dEle, não na nossa, mas apenas em oposição a nós mesmos, podemos crer nEle apenas por nos termos tornado um milagre para nós mesmos. Estes são os indicativos que explicam o imperativo do Primeiro Mandamento: não terás outros deuses diante de mim! A graça da revelação compele a desentronização dos outros deuses, em primeiro lugar, forçando-nos a nós mesmos para o pó. [3]

Barth lembra muito bem que o homem caído não consegue crer em Deus. O máximo que o homem conquista é a crença em deuses, mesmo que esses tenham uma aparência judaico-cristã. A crença em Deus só é possível por meio da graça advinda dEle. Barth continua:

Aquele que crê vive pela graça. Aquele que vive pela graça sabe que é proibido de se agarrar a uma divindade...“Eu creio em Deus” significa portanto: Eu creio naquela, no incompreensível, no único Deus. A unicidade de Deus não é um postulado religioso nem uma ideia filosófica, mas algo corresponde exatamente à unicidade da revelação de Deus [4].

Assim, fica claro que definições são difíceis, mas os homens podem conhecer Deus naquilo que ele se revela por meio da graça. E aqui cabe lembrar o poema paulino (Rm 11. 33-36):

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!

Referências Bibliográficas:

[1] AGOSTINHO, Aurélio. Confissões. 1 ed. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2010. p 24.

[2] Idem. p 30.

[3] BARTH, Karl. Credo: Comentários ao Credo Apostólico. 1 ed. São Paulo: Novo Século, 2005. p 33.

5 comentários:

Orlando disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gutierres Siqueira disse...

Caro Orlando,

Você realmente leu esse texto ou foi outro?

Seus comentários mostram que se você leu, nada entendeu!

Falar que é difícil definir Deus não significa que não existam boas definições. Isso está claro no texto.

Falar que o texto incentiva o anti-intelectualismo é lamentável. Você é filho do racionalismo puro do Iluminismo francês? Tudo por acaso é razão? Leia Francis Schaeffer, por favor! Citar Agostino e Barth em um texto é incentivo a falta de estudo? My God!

A maior revelação de Deus está na pessoa de Jesus, você afirma. Ora, engraçado que afirmei isso também no texto em questão. Você leu?

Abraços!

Orlando disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

O texto é uma inutilidade teológica,visto que Deus não é um conceito. O autor deve ter desejado comentar sobre a dificuldade de se falar da pessoa de Deus e aí lançou este título infeliz: "a difícil tarefa de definir Deus".

carlos.babi disse...

Deus independe de definições humanas, ele mesmo se auto define nas escrituras.