terça-feira, 15 de março de 2011

Creio, logo existo!

Avanço do relativismo entre a vanguarda protestante, descaso com o estudo entre os evangélicos, apelo ao emocionalismo entre os pentecostais... Tudo isso colabora com o desprezo pelas doutrinas clássicas do cristianismo. O Credo... Quem ainda conhece? O Credo de Nicéia é um ótimo resumo das doutrinas cristãs (veja abaixo). Escrito quase três séculos depois de Cristo apresenta uma síntese interessante das verdades bíblicas. Credo não é Palavra de Deus, mas expressa respeito pela mesma.

Ah, um detalhe importante. Credo é a expressão doutrinária de toda a cristandade. Portanto, é errado falar “Credo das Assembleias de Deus” ou “Credo da Igreja Batista”. O correto seria: “Confissão de Fé das Assembleias de Deus” ou “Confissão de Fé Batista”. Lembre-se: Credo é mais geral, envolvendo todos os cristãos.

Credo

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, gerado do Pai desde toda a eternidade, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai; por Ele todas as coisas foram feitas. Por nós e para nossa salvação, desceu dos céus; encarnou por obra do Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e fez-se verdadeiro homem. Por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; sofreu a morte e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai. De novo há-de vir em glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, o Senhor, a fonte da vida que procede do Pai; com o Pai e o Filho é adorado e glorificado. Ele falou pelos profetas.
Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professamos um só baptismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há-de vir. Amém.

7 comentários:

Clóvis Gonçalves disse...

Credo!

Isso é coisa de católico. Católico e apostólico!

Como eu, que creio numa igreja una, santa, católica e apostólica.

Parabéns pelo post.

Em Cristo,

Clóvis
Editor do Cinco Solas

Valter Borges disse...

Teologia é o pensar racionalmente sobre Deus e a fé!
Teologia não é Bíblia!
Muitos teologizaram no passado, e, distorceram as verdades eternas!
Como comunicar o Evangelho em nossos dias??! Falar sobre Deus na Contemporaneidade não é relativizar, é oferecer respostas de Deus para as demandas de nossos dias!
Os reformadores (Lutero, Calvino) ofereceram respostas para sua geração diante de uma igreja (una, santa, católica e apostólica)... e foram considerados apóstatas...
Não refletir a fé na nossa realidade, respeitando a tradição, a Bíblia, a ciência, a experiência e a criação é ilusão de ótica. É escravizar nossa geração ao ostracismo que os fariseus pretendiam ao engessar e petrificar a vida por detrás das Escrituras. Graças a Deus pelo grande reformador Jesus Cristo, nosso Senhor! Que atualizou a teologia da época dando novos sentidos para pensamentos legalistas, egoístas e escravagistas!!

Pensemos a fé e contemporaneizemos a mensagem da fé!

Creio para compreender, e compreendo para crer melhor. [ Santo Agostinho de Hipona ]

http://www.teologiaesociedade.com

Gutierres Siqueira disse...

Clóvis, a paz!

É católica de universal! Ops, mas universal não do Macedo, rsrs.

Gutierres Siqueira disse...

Valter, a paz!

Contextualizar é sempre necessário. Contextualizar é mudar a forma, nunca a essência. Por isso sou simpático com a Reformissão: Um grupo fiel à essência, mas com forma que comunica o Evangelho hoje.

Valter Borges disse...

Gutierrez, para pensar!!

Qual a base da essência?!! Toda a essência foi teologizada!!

Toda essência foi dada num contexto específico, numa época específica!

Paulo teologizou?! Sim, respondendo às questões próprias de seu tempo!

Servem para hoje, sim! São inspiradas, sim! Mas, há muitas situações próprias de nosso tempo, que precisam ser teologizadas!
E, não estão fazendo isto!
Por exemplo, a resposta protestante para a venda de indulgências foi "Sola Gratia", pergunto:
Em nossos dias esse termo dá conta da complexidade dos termos! Nção precisamos qualificar melhor essa "Gratia"?? Não é só uma questão de nomenclatura, mas de sentido!

Abraços!!

Anônimo disse...

Respondendo ao Valter Borges, poderia dizer-lhe que o vocábulo Graça quer traduzir a experiência cristã mais originária e original: por um lado, de Deus, que tem uma profunda simpatia e amor para com o homem e a mulher, a ponto de se dar a si mesmo; e, por outro lado, do homem e da mulher, capazes de se deixarem amar por Deus, abrindo-se eles também ao amor e ao diálogo filial. Resumindo: Graça quer dizer a presença de Deus no mundo, no homem e na mulher.Quando Deus se faz presente, então o que estava doente fica bom, o que estava decaído se levanta, o que era pecador fica justo, o que estava morto torna a viver, o oprimido experimenta a liberdade, e o desesperado sente o aconchego e a consolação. Como diria Georges Bernanos, numa frase que sempre me emocionou: Tudo é Graça!

Luciano disse...

Essência – o que constitui a natureza de um ser, de uma coisa; a existência; a idéia central; óleo fino e aromático extraído de alguns vegetais. (Dicionário Larousse Ilustrado da Língua Portuguesa)
Dois pontos me chamaram a atenção nas falas de Valter Borges.
A primeira, a alusão a “verdades eternas” em seu primeiro comentário.
A outra, a afirmação de que “toda essência foi dada num contexto específico, numa época específica”
Então temos verdades eternas e temos uma essência.
No segundo caso, pode-se entender a frase em dois sentidos. Toda a essência, ou seja, a totalidade da essência foi dada num contexto e época específicos. A despeito de contexto já englobar época, pois se refere a local, tempo e circunstâncias específicas a estes dois termos ligadas, eu concordaria com essa afirmação. Um outro sentido seria que toda e qualquer essência é dada em um contexto e em uma época específicos, levando a se entender que a essência de algo é dada lá e naquele tempo, e depois de novo aqui e neste momento.
Este segundo sentido se impõe em decorrência do restante da fala de Valter Borges, quando se chega a sugerir um sentido, talvez novo, ou pelo menos diferente, para a Graça.
Então eu me reporto a um perfume, ou melhor, para a essência dele. É um produto em pequena quantidade, extremamente concentrado, caríssimo. Essa essência pode ser diluída em diferentes quantidades de solventes diversos e manterá sempre o mesmo cheiro. Será sempre o mesmo perfume.
Aí vamos à essência do Cristianismo. Ela pode ser “diluída”, ou disponibilizada, em diferentes roupagens eclesiais. Temos aí os assembleianos – me perdoe alguma inexatidão, Gutierrez – com seus aleluias e glórias durante o culto, com um louvor marcado por palmas, uma pregação anunciada de forma mais incisiva, com línguas e interpretação, sonhos e visões. Vemos então os batistas e reformados mais conservadores, louvando sem palmas, com poucos instrumentos, hinos dos respectivos hinários, sem muitas exclamações durante o culto. Postos ambos lado a lado e sabatinados sobre a salvação e teremos uma essência – a justificação do pecador pelo Senhor Jesus em Sua morte na cruz. Sim, haverá outras divergências, monergismo e sinergismo, infra e supralapsarianismo, pré-, a- e pós-milenismo e por aí vai, mas há uma essência. O perfume é de Cristo.
No entanto, vamos a um Gondim dos dias atuais. Sim, a justificação será mencionada, mas... se você for à literatura por ele indicada, verá que o perfume não é mais o mesmo. Por quê? A essência foi trocada, não é aquela, é uma essência de um mundo pós-moderno em que o homem aprendeu a ser auto-suficiente e não consegue viver sob a soberania de Deus. É uma essência de um contexto e de uma época e, no final das contas, é essência nenhuma, porque é outra essência.
Graça? Há uma, somente, aquela, sim, do Sola Gratia. Outra Gratia? Ih, lembrei-me do pessoal da outra espiritualidade, outro cristianismo, outro deus... outra essência.
Teologizar sobre questões do nosso tempo é obvia e gritantemente necessário, mas há uma essência a se preservar e sobre a qual se pode teologizar sobre quaisquer questões de quais contextos. Mas não, não há um essência para cada contexto.
Paulo foi aos gentios e preservou a essência, mesmo em Atenas, no Areópago. Pedro ficou entre os judeus e lá estava a essência. Huss, Lutero, Calvino, Finney, Wesley, Spurgeon, Grudem, Gee, MacArthur (é, eu sei, Gutierrez, eu sei!), Piper, Berkhoff, cada um em um contexto – cultura, época, lugar – e lá estava a essência. Ela não muda, não pode mudar, se não a natureza, o ser, a existência não são mais os mesmos.
Não, a essência não é de cada contexto. A essência são as verdades eternas, e, como tais, são também eternas. Outra essência, outra qualquer coisa... mas eu quero aquela, A essência.