quinta-feira, 31 de março de 2011

O cristão pode desfrutar da arte produzida neste mundo?

Por que estudar filosofia? Por que usufruir da arte? Por que apreciar música, teatro, cinema, literatura, orquestra etc.? Muitas vezes essas coisas são tidas como fúteis, e talvez realmente sejam, mas C. S. Lewis coloca sabiamente tais prazeres no patamar das amizades:

Amizade é desnecessária, assim como a filosofia e a arte ... Ela não tem valor de sobrevivência, sim, é uma daquelas coisas que dão valor à sobrevivência.

Valor à sobrevivência é a boa resposta de Lewis. Todos nós precisamos de arte, mas não para a sobrevivência, mas para o sabor da sobrevivência. Todos nós buscamos arte, seja através de uma simples música até mesmo em um museu contemporâneo. A arte, como tal, faz parte da nossa natureza. Lembra dos desenhos nas cavernas?

Nós, evangélicos, lidamos mal com a arte. Tida como toda profana na visão maniqueísta de muitos que desprezam tudo que não tem o nome de Deus; a arte é despreza e tida como pecado por outros tantos. Maniqueísmo não é Bíblia.

Graça Comum e a Imago Dei

Nós precisamos lembrar do conceito de “graça comum” defendida sabiamente pelos calvinistas. O homem é caído, mas ainda é a Imagem de Deus (Imago Dei). O homem é pecador, mas apesar disso produz boas coisas. O homem é feio (produz muitas feiuras) e é bonito (produz muita beleza). É o casamento de Gênesis 1.26 com Romanos 3.23.

Abrindo um parêntese: Não precisamos negar a doutrina do pecado original para enxergar beleza no homem. Negar o pecado original é o suícidio bobo de quem acha que é possível construir um “novo homem” através de utopias. A chamada Teologia Liberal e suas variantes (infeliz nome, já que liberalismo também é ligado ao iluminismo inglês) tentaram sustentar teorias que produzem essa falsa ideia da perfeição pelo sistema filosófico-político.

Portanto, cultura é também para nós.

7 comentários:

wanderson disse...

muito bom....equilibrado como sempre

Adm. Ronaldo Guedes disse...

Boa tarde caro irmão,

A graça e a paz de nosso Deus e Senhor Jesus Cristo seja contigo.

Ao ler seu texto, fiquei com algumas dúvidas, por exemplo, onde está o texto bíblico que incentiva o homem a aproveitar o mundo? Ou como você coloca em seu texto, buscar a arte?

Será que todos reformadores tem o mesmo conceito e utilidade que você para a graça comum e a imago dei?

Acho estranho quando vejo pessoas utilizando a graça comum para validar o mundo, sua arte, sua cultura, etc. Mas me diga, qual o texto bíblico que dá suporte a utilização da graça comum de Deus neste sentido que você expõe, qual o ensinamento mosaico, profético, apostólico, ou mesmo de nosso Senhor Jesus que nos incentiva a aproveitar a arte, cultura, música, encantos produzidos pelo homem caído por meio de uma suposta graça comum e imago dei?

Leio uma Bíblia diferente, que nos alerta para os perigos de se encantar com o mundo, o povo de Deus não deve ser um povo santo? Santo não quer dizer separado, propriedade exclusiva de Deus? Leio na Bíblia o povo de Deus enfrentando sérios problemas quando resolveram participar dos encantos culturais do mundo, afinal será que a nação de Israel poderia utilizar do mesmo argumento da graça comum/imago dei para justificar seu envolvimento com a cultura/arte egípcia, cananéia, babilônica?

Por que Paulo teve tantos problemas com a Diana dos efésios, ora, ele poderia simplesmente apreciar a boa arte dos artesãos que queriam matá-lo, afinal eles também possuem a imago dei, levantaram uma belíssima obra de arte para Diana, Paulo deveria elogiá-los invés de confrontá-los, afinal a é a graça comum de Deus que faz tão bela arte, ou não?

Porque Jesus não orou pelo mundo, pela arte do mundo, pela cultura do mundo, mas exclusivamente por aqueles que Deus lhe deu?

O Cristão deve participar e apreciar a cultura, ou deve participar e transformar a cultura? Quando olho para a igreja primitiva, vejo um povo que transformou o mundo, não um povo que apreciou e se adaptou à arte e cultura produzida por uma suposta graça comum/imago dei.

Portanto irmão, fico mesmo na dúvida quando leio pessoas utilizando a graça comum dessa forma que você expõe em seu texto, embora a graça comum e a imago dei sejam objetivamente bíblicas, utilizá-las para validar um comportamento de aceitação da cultura/arte do mundo definitivamente não é. Caso seja, onde estão os textos bíblicos que dão suporte a esta utilização da graça comum? Posso citar um bom bocado que faz exatamente o contrário.

Que Deus nos conceda sua clara sabedoria e seu amor para dialogarmos em paz e submissão à sua soberana vontade.

Cordialmente,
Ronaldo

Gutierres Siqueira disse...

Caro Ronaldo,

Responderei sua mensagem em forma de post.

Aprendiz disse...

Ronaldo

Note que existe um mandamento específico contra a idolatria. Logo, é dever dos crentes alertarem o povo sobre o erro de não centralizar sua fé no Criador.

Quanto ao uso que o crente faz das coisas deste mundo, vejamos:

1. O templo construído por ordem do Eterno teve a participação de artesãos extrangeiros;
2. Paulo usa textos de escritores pagãos em suas epístolas.
3. Nós utilizamos roupas feitas por não crentes, objetos feitos por não crentes, tecnologia criada por não crentes, mdescobertas médicas criadas por não crentes.
4. Até vários de nosssos hinos foram melodias populares (em sua época) com letras cristãs.

É claro que tem de haver discernimento para saber examinar tudo e reter o bem.

Desejo-lhe a paz do Senhor.

Adm. Ronaldo Guedes disse...

Caro Aprendiz,

A graça e a paz de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Não entendi seu primeiro parágrafo. Quanto aos itens elencados:

1. ?
2. Paulo uso textos de escritores pagãos para desmascará-los ou para fundamentar/embasar o evangelho da graça?
3. Aqui você utiliza corretamente a graça comum, por causa da Imago Dei impressa nos médicos e na medicina, posso levar minha esposa a um hospital e confiar que eles conduzirão corretamente o parto de meus filhos. Mas não foi essa minha reflexão sobre o texto.
4. Penso que toda melodia pode louvar a Deus, com hinos de louvor melhor ainda.

Acho que você não compreendeu corretamente minha apreciação crítica, a questão chave da minha reflexão é:

O Cristão deve participar e apreciar a cultura, ou deve participar e transformar a cultura?

Nesse ponto está a utilização adequada ou inadequada da graça comum.

Acredito que Paulo esclarece o assunto da seguinte forma:

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm, todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam." 1 Coríntios 10.23

A paz de nosso Senhor Jesus.

Cordialmente,
Ronaldo

Aprendiz disse...

Irmao Ronaldo

Os textos de escritores nao crentes foram usados na linha de argumento, ilustrando o que Saulo dizia. Verifique.

http://profgaspardesouza.blogspot.com/2010/04/paulo-e-o-paradoxo-de-epimenides.html

continuo...

Aprendiz disse...

Ronaldo, voce disse

"Não entendi seu primeiro parágrafo."

Antes, voce havia dito

"Por que Paulo teve tantos problemas com a Diana dos efésios, ora, ele poderia simplesmente apreciar a boa arte dos artesãos que queriam matá-lo, afinal eles também possuem a imago dei, levantaram uma belíssima obra de arte para Diana, Paulo deveria elogiá-los invés de confrontá-los, afinal a é a graça comum de Deus que faz tão bela arte, ou não?"

Deixarei mais claro. Visto que Deus define a idolatria como quebra da sua Lei, nao seria legitimo aceitar como algo aceitavel aos cristaos. Devemos reter so o que e bom.