domingo, 6 de março de 2011

O que é e o que não é!

A definição de Evangelho é muito simples. A palavra grega euaggélion significa a “boa notícia”. Evangelho é pregar a salvação integral de Jesus Cristo, o grande amor de Deus pelos homens. Tudo, é claro, pode ser resumido em João 3.16.

Agora, o que não é pregação do Evangelho? Vejamos:

  1. Militância pró-família

Calma, não estou criticando os cristãos que militam pelos valores tradicionais da família. Mas essa militância não é pregação do Evangelho. Aliás, tentar moralizar não convertidos é, na minha modesta opinião, um desperdício de trabalho. Logo, o que adianta um “casal tradicional” sem Cristo? Não me entendam mal, mas uma coisa é lutar contra a inconstitucionalidade da PL 122/2006 e outra coisa é desejar uma sociedade livre da homossexualidade. O único país sem homossexuais é o Irã, segundo o tirano Mahmoud Ahmadinejad.

  1. A pregação pela “justiça social”

De boas intenções o inferno está cheio, diz o ditado. O século XX foi marcado por totalitarismos em nome da “justiça social”. Felizmente, a vida melhorou no século XX para bilhões de pessoas graças ao crescimento econômico e a tecnologia. Exemplo trágico disso é o grupo terrorista As Farc, que encontrou apoio intelectual dos teólogos da libertação na Colômbia. Há inúmeros cristãos que acham que pregar o Evangelho é lutar pela dita “justiça social”. Graças a Deus que os simples cristãos nas favelas e nos sertões que têm feito missão integral sem esse discurso vazio, mas na prática.

  1. Influência política

Ainda estou tentando ver algum benefício que os políticos evangélicos trouxeram para a sociedade brasileiro como um todo. Onde está o nosso William Wilberforce? Nenhum político evangélico é destaque no congresso. Normalmente são do chamado “baixo clero”, ou seja, estão normalmente preocupados em sessões especiais para homenagear algum pregador ou denominação. É uma boçalidade total. E pior: em épocas eleitorais há políticos que falam do ofício parlamentar como se fosse ofício eclesiástico. Não sou apolítico. Gosto muito de política e acho importantíssimo para os cristãos, mas a situação brasileira é vergonhosa.

  1. Pregação de bom caráter

Pregar a melhoria do nosso caráter é tarefa do discipulado cristão. Discipulado é para discípulos, óbvio! Mas discipular aqueles que ainda não receberam a Cristo e ainda confundir isso com evangelismo é ruim para quem precisa ouvir o Evangelho. Ouvir o Evangelho é entender que é um pecador necessitado da graça de Deus por intermédio de Cristo. Discipulado para não convertidos pode distanciar alguém da conversão. Como assim? A pessoa obedece certas regras e princípios e acha que é de Cristo por isso. Quantas pessoas dizem ou pensam: “Ah, eu não roubo, não traio minha esposa, não sou corrupto, logo sou bom e mereço o céu”.

Portanto, que façamos a nossa tarefa de pregar Cristo, o Salvador.

10 comentários:

Aprendiz disse...

É interessante que nenhum ativista pró-família que eu conheça acha que esse ativismo é pregar o evangelho. Muitos não usam os mesmos meios de comunicação social para pregar o evangelho, não por não crerem na pregação do evangelho, mas justamente para não misturarem as coisas.

Já entre os que instrumentalizaram a igreja em prol da luta pela implantação de uma ditadura socilista ...

Gutierres Siqueira disse...

Caro Aprendiz,

Não é necessário que algo seja dito explicitamente...

DEFENDENDO A FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA AOS SANTOS!!! disse...

O Evangelho deve lutar com denodo pela justiça social sim.

Se vc sempre foi burguês,amado Gutierres,então talvez seja compreensível essa sua ojeriza pelo socialismo e pela justiça social pregada dos púlpitos.

É o que eu sempre defendo junto aos comunistas ateus(pois nem todo comunista é ateu):Há mais justiça social no sermão do monte do que em qualquer texto de Marx!

Sou adepto do anúncio do evangelho pleno,e este ,queira vc queira ou não,abrange tudo isso que vc acabou de criticar com tanto azedume.

Vê-se em vc um discípulo fiél do Ciro Sanches.

Luciano disse...

Grande "Defendendo a fé...". Há quanto tempo!
Um pequeno esclarecimento inicial: o nome do grupo mencionado no post não é As Farc, mas FARC; a referência ao "as" que sempre antecede o nome FARC na mídia é devido ao nome por extenso - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia -, assim, no plural, daí se referirem sempre às FARC.
Fechados os parênteses, adiante.
Os movimentos sociais ditos de esquerda, ou socialistas, ou comunistas - que os rótulos hoje já se vão diluindo e estão confusos - têm um ranço messiânico que me parece senão incompatível, pelo menos conflitante com o Cristianismo.
Seja em que linha escatológica que se vive, há uma vitória final que não é dos pobres, ou dos ricos, ou da América Latina, ou da Europa, mas do Cristo e de Seu Evangelho.
Assim, adotar-se uma linha socialista - a respeito da qual foi apontada no Gutierrez uma ojeriza que não vi - com sua consequente vitória do proletariado, ou dos pobres, ou do Terceiro Mundo contra o Imperialismo Norte-Americano, levará a uma práxis incoerente com a fé defendida.
Talvez nem tanto com os pós-milenistas, que esperam uma melhora na situação geral do mundo - sob os auspícios da expansão do Evangelho, é claro -, mas certamente com os pré- e amilenistas, que esperam, almejam, desejam e oram por um fim repentino de toda a história.
De qualquer forma, por que é que o interesse pelo combate às injustiças sociais tem de partir da fé? Não deveria ser uma decorrência natural da nossa condição humana ao ver outro humano sofrendo? Não teria sido isso que se registrou através da Parábola do Bom Samaritano com a utilização de um samaritano - um pária social e religioso enre os judeus - como aquele que socorre o homem que foi alvo de ladrões?
O cuidado que devemos ter, me parece, é ficarmos seguros em nossos lares cristãos, ou dentro das paredes dos nossos templos cristãos, ou dos nossos automóveis com adesivos "FOI DEUS QUEM ME DEU", esperando Jesus voltar enquanto a injustiça grassa ao nosso redor e às vezes em nossa própria vida.
Socialismo? Direita? Esquerda? A qual o Evangelho leva? Sei lá! Somos seres humanos e só isso já deveria nos fazer sentir obrigados moralmente a estender a mão aos que sofrem, independentemente do lado do rei em que se toma assento.

Gutierres Siqueira disse...

Acho o amigo “Denfesor da Fé” um tanto contraditório...

Se declara comunista com uma bandeira de Israel na mão. Ora, não há grupo mais inimigo de Israel do que esquerdistas. O sentimento antiamericano dos esquerdistas se espalha para um sentimento anti-israelense. Os esquerdistas não são contra o imperialismo, logo porque nunca vi um esquerdista reclamando da atual exploração chinesa na África. Detestam os Estados Unidos não pelo seu suposto “imperialismo”, mas sim por ser um país que é a prova viva de que a liberdade associada à economia de mercado leva uma nação para a prosperidade. Ora, como os Estados Unidos funcionam isso é uma afronta para a ideologia marxista.

O amigo também é um defensor ferrenho dos costumes mais radicais e tradicionais na igreja cristã, mas ao mesmo tempo se declara comunista. Ora, todos os grupos de relaxamento dos costumes morais no Ocidente têm ligação com movimentos de esquerda.

Daladier Lima disse...

Apoiado! Texto conciso e irretocável. Parabéns!

DEFENDENDO A FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA AOS SANTOS!!! disse...

Caro Gutierres,

Eu não sou comunista.Sou socialista.E a diferença entre um e outro é a mesma que existe entre um trotskista e um stalinista.

E não ignoro os ataques da esquerda atéia contra os pricípios morais e éticos do judaico-cristianismo não!

Eu te aconselharia a estudar o básico das doutrinas socialistas para vc não meter todos os socialistas na mesma salada.Existem desde os mais liberais e anti-americanos aos mais cristãos e pró-americanos.

Eu ,por exemplo,seguindo a linha fundamentalista batista(que graças ao Bom Deus faz parte da nossa herança pentecostal!),defendo com unhas e dentes os EUA enqunto eles tiverem apoiando e financiando Israel!

E vc também disse:
"Ora, todos os grupos de relaxamento dos costumes morais no Ocidente têm ligação com movimentos de esquerda."

Amado irmão,é com horror que tenho observado que neste ponto vc tem mesmo razão.Mas estas pessoas são todas atéias ,pessoas que aplaudirão com entusiasmo a ascensão do Anti-Cristo.Elas não tem nada a ver com os socialistas cristãos.

O Júlio Severo vê um complô e uma conspiração comunista em tudo.Não faça como ele .Seja mais crítico.É claro que o esquerdismo ateu é abominável,e não comungamos com ele em nada.Eu mesmo vivo quebrando o pau com os meus amigos comunistas.Só Jesus é a solução.

PS:como vc pode criticar os tipos de evangelho desse post e logo em seguida tecer loas as igrejas emergentes???Afinal de contas,quem é o contraditório nessa história???Eu ou vc???

Aprendiz disse...

Resposta ao "Defensor da Fé".

Uma vez que toda forma de verdadeiro socialismo envolve a subordinação completa dos meios de produção pelo estado, de forma direta ou indireta, ele deve ser totalitário por natureza. Se o único meio de sobrevivência de qualquer pessoa é ser empregado do estado, o poder do estado será desumano. Mesmo porque, se todos os jornalistas, escritores e professores derivarem sua sobrevivência do estado, o estado (e, acima dele, o partido que o controla) terá o poder de dizer o que eles devem escrever e o que não devem escrever. É muito simples perceber isso e, incluse, é uma situação para a qual, indiretamente, nós já caminhamos no Brasil.

Nesse sentido, não vejo nenhum motivo de crítica verdadeiramente socialista contra Stalin. Ele era o verdadeiro socialista. Não vejo motivo para escandalo com a atitude dos ateus anti-israelenses ou stalinistas. Eles desejam o poder absoluto, e a proposta de Marx lhes dá os meios para isso. Por que eles agiriam de outra forma? Houve alguma vez um sistema verdadeiramente socialista que não fosse totalitário? É tão surpreendente como uma pedra afundar na água...

Para que um sistema não seja totalitário, a maior parte da ação das pessoas deve ser livre em relação aos interesses de poder do partido que controla o estado. Mas se fora assim, não há socialismo, há liberdade.

Aprendiz disse...

Gutierres

Quem são os ativistas pró-família que eu vejo na internet? A maioria são calvinistas que dão muita atenção à soteriologia. O ativista mais extremo que eu conheço é o Júlio Severo, e ele tem uma doutrina bastante ortodoxa quanto à salvação. Só se você estiver falando de ativistas pró-familia de outros países, mas sobre esses eu não conheço muita coisa

Luciano disse...

“DEFENDENDO A FÉ...”
Meu caro, que confusão, hem?! Comunismo, trotskismo, socialismo, stalinismo, fundamentalismo batista, apoio irrestrito ao Estados Unidos via Israel, a solução que é Jesus...
Considerando-se que a divergência entre Trotski e Stalin, à parte a paranóia megalomaníaca deste último, foi se a revolução socialista deveria avançar pelos demais países ou permanecer na União Soviética, e que, nos termos da Revolução Russa, o comunismo seria o fim, o alvo, o destino da implantação do socialismo no mundo, não sei quem é que está precisando estudar o básico das doutrinas socialistas.
E que os batistas fundamentalistas norte-americanos não o leiam defendendo o socialismo, ou acho que o expulsarão do clube.
Socialismo cristão... tudo bem... só não entendo como é que se “só Jesus é a solução” nós vamos adotar um sistema político-econômico que se apresenta sempre como a solução...
Como dito em comentário anterior, não precisamos de –ismos para lutar por justiça social – as Escrituras, sem serem de esquerda, de centro nem de direita, nos apontam para isso em inúmeras passagens.
As igrejas emergentes a que o Gutierres teceu loas no post anterior são teologicamente conservadoras, então não vi contradição com a crítica aos tipos de evangelhos desse post, a não ser, é claro, que seja porque elas não adotam os “bons usos e costumes” tão apreciados por nosso irmão comentarista.
O que está faltando é conhecimento de causa, coerência e... argumentação fundamentada, mas sobre isso já conversávamos em um momento musical anterior.