quinta-feira, 14 de abril de 2011

Que os protestantes não sejam usados pelos secularistas para a privatização da fé!

Em nome da laicidade vejo muitos, inclusive protestantes, defendendo a proibição de símbolos religiosos. O governo francês, por exemplo, proibiu o uso de burca por parte das muçulmanas. Ora, isso é uma violação da liberdade religiosa. Que sejamos contra a violação desse direito básico para uma democracia laica: o respeito pelos instituições religiosas. E ainda mais essencial: a liberdade.

Mas como você pode defender uma reivindicação do islamismo perante o governo frânces? Ora, meus amigos, quando uma brecha da liberdade religiosa é violada logo surgirão outras leis restringindo ainda mais essa liberdade. As violações totalitárias começam em pequenos gestos. Hoje é com os muçulmanos na França, amanhã é com os judeus na Inglarreta e depois de amanha é com os cristãos no Brasil.

Não podemos esquecer o poema “E Não Sobrou Ninguém” do pastor luterano alemão Martin Niemöller, que escreveu no contexto do terrível nazismo de Hitler:

Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse.


Portanto, é necessário muito cuidado com a intromissão do Estado na vida do indivíduo. No fundo, a lei francesa quer é restringir as manifestações religiosas no espaço público. Quer privatizar a fé, ou seja, nada de manifestação religiosa fora de casa ou da igreja, mesquita e sinagoga... E no espaço público a voz religiosa deve ser calada.

Parte da lei que é positiva

A única parte da lei que é positiva está na punição dos maridos que obrigem suas mulheres a usarem burca. É uma violência contra a mulher. Mas se ela usa espontâneamente, então a lei não deveria proibir. A espontaniedade não deve ser proibida, mas a imposição sim. Por mais absurdo que pareça, há mulheres que gostam dessa vestimenta. Como lembra o jornalista católico Reinaldo Azevedo:

Que se note: um cidadão francês tem de viver, claro, segundo as leis francesas. Se correntes do Islã impõem, por exemplo, o chamado casamento arranjado e se a noiva ou o noivo não aceitam a imposição, têm de ter seus direitos protegidos pelo estado. Do mesmo modo, uma mulher não pode ser obrigada a andar de burca se não quer andar de burca. Mas proibir? Aí não dá. Nas áreas em que as exigências religiosas se chocam com os direitos garantidos pela Constituição francesa, é evidente que o estado tem de fazer valer a sua Carta. Em matéria de religião, a imposição deve ser proibida, não a escolha. Exemplifico, para quem ainda não ligou os pontos, com algo da minha religião: não se pode impor o crucifixo como sinal de adesão à crença, mas não se pode proibi-lo sem que isso caracterize uma inaceitável agressão à liberdade religiosa. E não estou igualando os símbolos, é claro.


Portanto, xô ao Estado que queira ensinar catecismo!

7 comentários:

Ivomar Schüler da Costa disse...

Os cristãos de toda e qualquer denominação deveriam se unir contra o avanço do Estado nas liberdades civis, de conciência e religiosa. Essa lei francesa é um primeiro sinal do que pode estar vindo pela frente. é hora do testemunho, da fé, da resistência pacífica´, porém atuante e decidida contra o totalitarismo latente.

Victor Leonardo Barbosa disse...

Excelente artigo Gutierres.

Eu particularmente discordei grandemente do governo francês nesta proibição da burca às mulheres mulçumanas. À bem da verdade, o cristianismo também já começa a ser também estigmatizado neste país em pequenas coisas, principalmente no evangelismo.

Tal decisão do governo em breve pode levar a decisões piores e totalitárias.

Deus nos guarde de tal coisa!

Forte abraço e Deus te abençoe!

NAIR disse...

é que nem aquela história de alguns parlamentares evangélicos querer tornar obrigatória a leitura da Bíblia nas escolas... eu acho ABSURDO. "Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito (Zac 4-6)"

Se Deus não tocar na vida da pessoa, e ela voluntariamente entregar-se a Deus, não adianta ela ler a Bíblia... só vai fazer odiar

Imposição não deve ser usada nunca.
Nosso combate é contra o pecado
Nunca contra o pecador

Gutierres Siqueira disse...

Nair,

Eu não sabia da existência desse projeto de lei. Mas uma palhaçada vinda da chamada Bancada Evangélica. É um projeto pior do que o outro.

Diego disse...

A irmã Nair esta mal informada.
Não existe projeto de lei que torna a leitura da Bíblia obrigatória, mas sim que torna origatória um exemplar da Biblia em toda biblioteca pública.

Foi aprovado na câmara e foi para o senado, para as mãos de Marina Silva, que infelizmente engavetou o projeto do dep. Felipe Pereira do RJ.

NAIR disse...

Diego
Não estou mal informada, talvez você não pesquisou para averiguar minha colocação. Esse projeto que você falou do exemplar bíblico é OUTRO.

Vou até colocar as fontes do que afirmei. São vários, alguns dos projetos são mais antigos e outros mais recentes

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/27635.html

http://www.legislador.com.br/LegisladorWEB.ASP?WCI=LeiTexto&ID=12&inEspecieLei=1&nrLei=3104&aaLei=2003&dsVerbete=

http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=285073

No Rio de Janeiro:

http://www.alerj.rj.gov.br/Busca/OpenPage.asp?CodigoURL=1958&Fonte=Dados

Isso só falando do Brasil.

E o projeto de lei que declara Jesus como patrimônio do Rio de Janeiro??? rsrs

http://alerjln1.alerj.rj.gov.br/scpro0711.nsf/e00a7c3c8652b69a83256cca00646ee5/d326c5af97c3b0df832577360060498b?OpenDocument

Diego disse...

Irmã Nair.

Os projetos dos deputados Maurício Rabelo e Irapuan Teixeira eu tinha conhecimento, mas por não serem atuais e não terem ido pra frente desconsiderei.
Mas os de Vitória e de minha terra, Rio, eu estou realmente equivocado, desinformado e besta com tanta criatividade. Peço perdão pelo vacilo.

Essa de Jesus eu já sabia. Rsrsrs

Abraços.