quarta-feira, 4 de maio de 2011

Alegria com a morte de um terrorista!

É moralmente correto se alegrar com a morte de um homem? E se esse homem for o responsável por milhares e milhares de mortes inocentes? O debate não é simples e nem assumo uma posição neste momento, mas com a morte do Osama Bin Laden esse debate acendeu no meio cristão.

John Piper responde que Deus aprova e desaprova a morte de Bin Laden. "As emoções de Deus são complexas", escreveu Piper. Deus não é sanguinário e nem tem prazer no pecador sofrendo, lembra Piper. Mas há uma justiça divina para todos os homens. O pastor John Piper não entra no mérito das comemorações acontecidas nas principais cidades americanas.

Leia o artigo do Piper. O debate é interessante.

Is God Glad Osama Bin Laden's Dead? - Desiring God

R. Albert Mohler argumenta que podemos celebrar um terrorista a menos, mas não celebrar a morte de alguém.


Mohler é ainda mais enfático em criticar as celebrações nas ruas pela morte do terrorista:
E, no entanto, há dois aspectos preocupantes que persistem. O primeiro é abrir a celebração nas ruas. Enquanto todos nós devemos estar contentes que esta ameaça significativa é removida, a morte em si nunca é para ser comemorada. Esses pontos de comemoração vão para o perigo da vingança como uma poderosa emoção humana. A vingança não tem lugar entre aqueles que honram a justiça. A justiça distributiva é a justiça sóbria. A razão para isso é simples - Deus é capaz de vingança, o que é perfeitamente fiel à sua própria justiça e perfeição - mas os seres humanos não são. Temos a tendência em direção à medida de justiça quando se trata de resolver os nossos próprios créditos. Todas as pessoas de boa vontade devem estar satisfeitas, já que Bin Laden não é uma ameaça pessoal, e que sua morte pode enfraquecer ainda mais os planos terroristas e suas aspirações. Mas a vingança não é um motivo digno para a justiça, e celebração nas ruas não é uma resposta digna.

14 comentários:

Cristiano Silva disse...

Eu me alegro com a punição de criminosos, pois isto significa a promoção da Justiça. Agora, se a ação da CIA matando o Osama foi legítima ou não (porque ele não foi preso para ser julgado e condenado), aí é outra história...

(-V-) disse...

Gutierres,

Traduzimos o texto do Piper no VE:
http://voltemosaoevangelho.com/blog/2011/05/bin-laden-justica-e-emocoes-divinas-e-humanas/

Abraços

Ivomar Costa disse...

como pode alguém conhecer as emoções de Deus? como pode ainda dizer que são emoções complexas?

Me parece que há falta de lógica nessa afirmação de Piper. Ou ele também seria um deus? pois somente outro deus poderia conhecer a intimidade divina.

Acho estranho alguém dizer que Deus é vingativo. Que ele é justo eu acredito, mas a justiça dele também é misecordiosa. Ele nunca quer a morte do pecador mas sempre a sua reabilitação.

Concordo que a comemoração da morte de Bin Laden pela população americana foi uma enorme demonstração de falta de dignidade.

Para uma nação que se diz cristã eles contradisseram tudo que acreditam.

Nosso Senhor jesus Cristo sempre pregou a paz e jamais, jamais usou de violência. Então, as lideranças cristãs deveriam ser as primeiras a condenar as ações americanas de exterminio do famosos terrosita.

Claro que ele merecia ser punido, mas através de um julgamento.

Quando os cristãos se omitem, ou apresentam dúvidas em questões tão claras como estas é sinal que as coisas vão mal.

Matar, quem quer que seja, é totalmente anti-cristão.

Gutierres Siqueira disse...

Vinícius,

Valeu pela tradução completa!

Wanderson Nascimento disse...

Ivomar

não é uma falácia o que o Piper disse,olhe o salmo2,Salmo 94:1-2
e também Ezequiel18:23,32 e Ezequiel 33:11

Valter Borges disse...

É uma questão ética de grande envergadura! Inclusive, é fato que um dos maiores teólogos do século passado, diante das atrocidades cometidas pelo III reich, Adolf Hitler, desejou e articulou planos para matá-lo. Não teve êxito!
Dietrich Bonhoeffer e outros delegados foram a uma conferência ecumênica em Fano, na Dinamarca, em 1934. Na conferência, Bonhoeffer pregou um sermão aos líderes cristãos de mais de 15 nações. “O mundo está sufocando com armas,” ele disse, “e a desconfiança que salta dos olhos de cada ser humano é assustadora. As trombetas da guerra podem tocar amanhã.” Nesta ocasião, ele insistiu para que os cristãos falassem contra a guerra e ousassem pelo “grande empreendimento” da paz.
Uma frase deste sermão ficou para sempre marcada nas memórias dos alunos de Bonhoeffer: “Temos que nos atrever pela paz. Este é o grande empreendimento!”
Em 20 de julho de 1944, um plano para assassinar Hitler falhou. A Gestapo, como resultado de sua rede de investigação, fechou o cerco contra os principais conspiradores, incluindo Bonhoeffer.

Seria ética matar alguém para evitar que matasse outro tanto de pessoas?!

Diego disse...

Desejar a morte de uma pessoa, eu creio que não seja adeguado ao cristão, mesmo sendo o Osama.
Mas se alegrar, quando um terrorista sanguinário como ele morre, não vejo problema algum.
Mas eu concordo completamente com Mohler, com a relação a celebrações públicas.

Mas eu também entendo a sensação do povo Norte Americano.

Mas uma coisa é certa;

"Deus é juiz justo, um Deus que se IRA TODOS OS DIAS. Se o homem não se converter, Deus afiará a sua espada; já tem armado o seu arco, e está aparelhado."
Salmo 7.11,12

"Porque tu não és um Deus que tenha prazer na iniqüidade, nem contigo habitará o mal. Os loucos não pararão à tua vista; ODEIAS a todos os que praticam a maldade."
Salmo 5.5

Eu entendo segundo a Escritura que Deus, e somente Ele, pode tirar e dar a vida.
Agora, o porque que alguns morrem e outros vivem, eu não sei, afinal, os caminhos e pensamentos de Deus são infinitamente maiores que os nossos, mas sei que Deus é quem controla essa realidade.

No mais, fica o recado de Ana, mãe de Samuel;
"O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela."
2 Samuel 2.6

E o Dele mesmo;
"Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum deus há além de mim; eu mato, e eu faço viver; eu firo, e eu saro, e ninguém há que escape da minha mão."
Deuteronômio 32.39

Abraços

Diego disse...

Aliás eu recomendo e excelente e Bíblico texto de Mauro Meister.

Osama Bin Laden - poucos pensamentos a respeito

http://tempora-mores.blogspot.com/2011/05/osama-bin-laden-poucos-pensamentos.html

André Quirino disse...

PARTE I
Fala, Gutierres!

Cara... Aí estão dois artigos interessantes sobre o tema. Como o debate aqui está bacana e enriquecedor (e muita gente ainda formando sua opinião), quero registrar a minha.

O ponto inicial é: justiça x vingança. Eu sei que, nos últimos dias, essa singela afirmação virou até clichê, mas não deixou de ser verdadeira. As pessoas estão confundindo justiça com vingança.

Para exemplificar o exemplo, já que é para citar clichês, vamos fazê-lo direito, rs: voltemos ao caso de Realengo. Ao ver o massacre, é comum ao nosso senso cristão - ou mesmo humano, eu diria - de justiça nos fazer sentir ódio da situação. Isso é ótimo! Sim, porque o ódio - como todos os sentimentos - é absolutamente puro; o que pode ser pecaminoso é a forma de o expor. "Ires, mas não pequeis". Como pecar, nessa situação? Transferindo o ódio da situação ao Wellington e desejando a sua morte. Isso é que seria um problema.

Se limitamos o senso de justiça humano às orientações cristãs, pararemos no "ódio à situação" e seremos bem-aventurados, por termos fome e sede de justiça. Agora, quando desejamos vingança e odiamos com todas as forças a pessoa envolvida - por mais macabra que ela seja -, digo sem medo de errar que estamos pecando e se contradizendo.

No caso de Realengo, mesmo, o bullying foi muito mencionado. É bobagem essa moda de culpar o bullying por toda desgraça que acontece no mundo. Superar as gozações faz parte de se viver a adolescência e de se desenvolver a masculinidade (ou feminilidade). Tenho dito. Porém, é pertinente pensar com carinho nesse caso do Wellington. Conforme comentários, ele era o típico nerdzinho tímido e desprezado. Já que não tinha amigos, encontrava refúgio nos videogames, onde encontrou jogos violentos, nos quais viciou. Com toda a sua nerdidade - sem ser acompanhado por outras pessoas -, mudou de religião algumas vezes até virar um muçulmano fanático. Tão fanático que se achou justo, santo, puro ao ponto de fazer um sacrifício com outros seres humanos, supostamente para o bem deles e glorificação própria. Uma história "profetizada" (claro que tô sendo irônico, hein, gente?!) pelo tal do Dan Brown, em "O Símbolo Perdido", com o seu personagem M'lakh.

André Quirino disse...

PARTE II
Moral da história: Wellington foi, sim, um monstro, mas não virou um da noite pro dia. Quem o ajudou nessa transformação foram seus amigos que o alopravam, foi a sociedade, fomos "nós". O Osama não tem nada a ver com essa história, mas a conclusão a que finalmente chego se aplica a quaisquer casos do tipo: quando exageramos no senso de justiça e apelamos à vingança, se achando justos ao ponto de desejar a morte do assassino da vez, nos rebaixamos ao seu nível. Porque o indivíduo só virou assassino/monstro justamente por se achar justo ao ponto de poder desejar a morte alheia (é claro que por outra circunstância), coisa que imitamos. Vale lembrar que, antes de ser crime, o homicídio é pecado - tão pecado quanto qualquer outra iniquidade -, e que todos nós pecamos.

Para encerrar, menciono um último clichê: "Cada um colhe o que planta". A justiça divina, sempre aliada à misericórdia de Deus, irá sobre a vida de um assassino no momento oportuno, nos padrões santos do nosso Senhor. Não é papel nosso adiantar o ato de justiça, justamente porque não somos justos a esse ponto.

Assim como transformar bullying em moda, exagerar ao extremo nos direitos humanos também é bobagem. Mas sempre será fato que um terrorista é um ser humano carente de salvação como muitos de nós. Uma alma amada por Deus e que deveria ser por todos nós, sem hipocrisia. Ainda que sua morte possa ter sido necessária na ocasião, e isso já são outros quinhentos...

A questão é que o sentimento de vingança que reina na atualidade é um dos culpados pela situação em que estamos. "Olho por olho, e o mundo acabará cego", já diria Gandhi.

Se, mesmo escrevendo tudo isso, alguém tenha duvidado das minhas palavras, preste atençaõ. Este é, realmente, um dos princípios cristãos mais difíceis de ser seguidos por nós: dar a outra face, orar pelos que nos perseguem, bendizer os que nos maldizem... Seguir isso à risca pode parecer coisa de fanático. Mas, na verdade, como diria Victor Kuligin, é uma coisa que nós gostaríamos que Jesus nunca tivesse dito. Mas Ele disse. E temos de cumprir.

Por isso, estou mais para Mohler que para Piper. A essência justa de Deus sempre está acompanhada pelo Seu árduo desejo de que cada pessoa da face da Terra se arrependa de seus pecados. Deus não tem prazer na morte do ímpio (Ez 33.11), e se quisermos valorizar o sacrifício de Cristo para recuperar nossa semelhança com o Pai, também não devemos ter.

Abraços, e desculpe pelo tamanho do comentário! rs

Ivomar Costa disse...

Muito bom o comentário do Quirino. falou bastante, mas falou certo.

Se tivermos mais jovens pensando assim, com tanta profundidade e respeito pela sabedoria divina, penso que o mundo começará a mudar rapidinho.

Ivomar Costa disse...

Valter, o fato de um teologo ter conspirado contra Hitler não torna o assassinato um crime menor. O Papa João Paulo II tinha dois seguranças armados e um deles era um Cardeal. Esse segurança chegou a desferir um tiro contra uma pessoa certa vez para proteger o Papa. Ora, se um alto representante de uma Igreja admite tirar a vida de outro ...

Ai eu lembro que Jesus, quando foi condenado recusou-se à própria defesa. Ele também disse que não tinha uma pedra para escorar a cabeça. Não precisava de nada, nem que o defendessem, tal era a sua integração com Deus.

Quando os soldados foram buscar Nosso Senhor no Getsemani, Pedro puxou de uma espada e queria agredir os soldados, mas Nosso Senhor o impediu. Ela sabia que seria morto, mas não retribuiu violência com violência, olho por olho, ao contrário, disse a pedro que baixasse a espada pois "quem com ferro fere, com ferro será ferido".

Para mim Nosso Senhor Jesus Cristo é o único exemplo, a única referência em termos de atitude e comportamento. Qualquer teologo, por mais influente que seja não chega nem perto de Jesus.

teologiaweb disse...

Gostaria de considerar alguns aspectos sobre a morte do Bin Laden:
-Acredito que foi consequencia dos seus próprios atos: Mt 26.52 (Disse-lhe Jesus: "Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão.);
-Não concordo com as comemorações, sei que o 11 de setembro foi algo terrível, mas talvez uma sensação de alívio seja mais coerente com a cristandade;
-Assassiná-lo não irá resolver o problema do terrorismo;

Anônimo disse...

A meu juízo,não devemos nos alegrar com a morte violenta de ninguém,mas o mundo ficou um pouco melhor sem o Bin Lader.
Queriam o que? - Que os militares no enfrentamento lhe entregassem flores?