domingo, 19 de junho de 2011

A infalibilidade pastoral

Há um pensamento extremamente perigoso no meio evangélico. Alguns acham que devem obediência aos pastores biblicamente equivocados. Em debates sobre “usos e costumes” são muito comuns conclusões do tipo: “Se você escolheu essa igreja (legalista) deve obedecer os costumes ensinados pelos pastor mesmo que biblicamente ele esteja equivocado”. Outros dizem: “Se você não cumpre o costume (tradição) ensinado pelo seu pastor é um pecado de desobediência”. E os mais radicais concluem: “Se você não concorda com o costume deve procurar outra igreja”!

Como assim? Que dizer que a autoridade pastoral está acima das Sagradas Escrituras? É um tipo de autoridade (ou seria autoritarismo?) que nem a Igreja Católica Apostólica Romana concedeu ao bispo de Roma, logo porque a infalibilidade papal é, segundo a doutrina católica, em falas especiais (ex cathedra). A infalibilidade pastoral é ainda pior, pois não encontra limites. Se a doutrina da infalibilidade papal deve ser descartada, logo imagine a doutrina sutil e não documentada da infalibilidade pastoral!

Três princípios básicos

Pedro e os outros apóstolos responderam: É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens! (Atos 5.29 NVI)

O contexto é claramente contra o juizado religioso, conhecido como Sinédrio, que proibia a evangelização efetuada primeiros cristãos. Mais importa obedecer a Deus do que os religiosos do Sinédrio, defendeu Pedro e os apóstolos. Como defender essas ideias depois de ler o versículo citado? Nenhum religioso está acima das Sagradas Escrituras, mas isso é um tanto óbvio!

Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. (Efésios 6.1 NVI)

O texto não fala de pastores, mas o princípio ensina sobre obediência. Um filho cristão deve obedecer os seus pais, mesmo que esses não sirvam ao Senhor. Mas essa obediência é “no Senhor”, como diz o texto bíblico. Ora, nem os pais podem obrigar uma pessoa a obedecê-los acima de Deus, logo imagine um pastor diante de sua congregação. Nem a palavra de um pai é infalível diante dos filhos, muito menos de um líder religioso.

Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês. (Hebreus 13. 17 NVI)

O texto fora do contexto é pretexto para heresia. Certamente você já ouviu essa frase verdadeira. Ninguém pode usar o texto de Hebreus para justificar uma obediência cega, logo porque a Bíblia apresenta outros princípios complementares. Agora, se o pastor está de fato na Palavra, então cabe a obediência, pois estará obedecendo a Deus.

Portanto, não podemos aceitar uma versão piorada da doutrina da infalibilidade. O protestantismo não é baseado na autoridade de homens, mas não autoridade das Sagradas Escrituras. Será necessário pregar 95 teses nas portas das igrejas evangélicas contra a autoridade de alguns pastores?

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PS: Ontem não foi possível escrever um texto parabenizando a minha denominação, a Assembleia de Deus, pelo seu primeiro centenário. Faço isso agora. Fiquei feliz lendo várias mensagens no Twitter e Facebook de cristãos de várias denominações parabenizando e reconhecendo a trabalho dessa igreja. Em breve escreverei um artigo sobre os principais desafios do pós-centenário. 

7 comentários:

Matias Borba disse...

Prezado Gutierres,

Porque que o crente não entende uma coisa tão simples como essa que você expos aqui? Meu Deus...

Se formos falar de nossa AD, temo que dos 15 milhões de membros/congregados, 80% pensem o contrário de você. Isso é herança católica, eles olham para os pastores como se eles fossem alieniginas, maiores que eu e você.

Devemos respeito a nossos líderes, mas sem essa cegueira que faz muitos crentes, como você já afirmou aqui, morrem doentes achando que estavam em plema saúde.

É meu amigo, a coisa depois de dois mil anos parece perder o rumo a cada dia, pelo menos na cabeça das pessoas.

Abraços!

NAIR disse...

Irmão Gutierres, eu discordo de ti dessa vez

Se não houver obediência a um pastor (correto ou não) a igreja vira anarquia. Se cada um fizer o que entende por correto dentro de uma igreja, ela perde a identidade do que acredita.

Não estou falando de obedecer a coisas que CONTRARIAM a Bíblia, tipo ajudar a roubar, ou concordar com imoralidades, por exemplo. Nesse caso o que tem que se fazer é denunciar.

Mas todo ministério/denominçao tem regras. E regras são feitas para serem obedecidas, independente do que eu e vc acreditamos. Claro que se o pastor, por exemplo está impondo regras além do que o ministério determina aí são outros quinhentos. É o que acontecem em muitas Ass de Deus, tem coisas que a convenção não proibiu porém os pastores proibem. Aí sim, acho que a palavra desse pastor não valeria... mesmo assim, acho qu vale denunciar, vale conversar, mas REBELAR-SE... entrar em atrito não vai ajudar nem um nem outro.

Quando determinado ministério/congregação tem regras que eu não concordo não vejo motivos para insistir em querer estar ali, confrontando-se com quem acredita que deve ser daquele jeito. Repito: isso não leva a nada.

Obs. já congreguei em um ministério onde tudo era pecado. Passei o "estreito" por não concordar e tentar mudar as coisas lá. NÃO HOUVE FRUTO para isso. Porque eram regras. Só houve contrito e estresse.

Temos muitas congregações para viver-se em paz com os irmãos e de acordo com a Palavra. Não há necessidade de guerra constante com os irmãos do dia-a-dia.

abraços

DEFENDENDO A FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA AOS SANTOS!!! disse...

Te respondo com suas próprias palavras(segundo vc ditas pelos mais radicais)::

“Se você não concorda com o costume deve procurar outra igreja”!

É o melhor que os que atacam a santa doutrina dos usos e costumes tem a fazer.

Aprendiz disse...

"Santa doutrina dos usos e costumes". Essa doeu. A única doutrina santa e a que está na Bíblia.

Quanto a sair daquela congregação ou igreja especifica, é isso mesmo. Quanto menos membros houverem nas igrejas dirigidas pelos “sem noção”, melhor o povo vai viver. E não e só usos e costumes não. Há doutrinas heréticas, falsos profetas, pastores que extorquem o povo, pastores que se vendem, pastores que dão espaço para falsos profetas e falsos dons, pastores que não são vocacionados, pastores que estão em conluios políticos com inimigos do povo de Deus, pastores que controlam a vida das pessoas, dizendo inclusive “fulano case com fulana”, “fulano, divorcie da fulana”. Se o povo evangélico aprender a pensar, muitas igrejas ficarão vazias.

Gutierres Siqueira disse...

É bom lembrar que os "usos e costumes" nas Assembleias de Deus não são oficiais. Cada pastor determina a visão sobre o assunto.

Eu já fui um bom cristão. disse...

Olha, a maior prova dada pela história de que nos casos de atrito, o melhor a se fazer é sair, foi dado por Lutero. Não adianta você partir pro embate! Saia pra outra denominaçã. É melhor que ser taxado de rebelde e não ter direito a uma carta de recomendação!

Eu discordo da Nair em dois pontos:

1° Anarquia a igreja vira quando deixa de lado a constituição do céu: A Biblia!

2° Que papo é este de convenção?!
A Igreja não deve estar sujeita a isso não! As Igrejas são comunidades cristãs sujeitas exclusivamente à Biblia. Convenções são associações de pastores, e não orgão fiscalizador e regulamentador de Igreja.

Anônimo disse...

Se não há ninguém infalível, ninguém deve ouvir ninguém. E assim, ao contrário do que ensina a Bíblia, a fé não vem pelo ouvir, mas pela leitura privada que cada qual faz da Bíblia.

Talvez isto explique tantos "mestres" e tantas "igrejas" divergentes entre si e todas ao mesmo tempo culpando o espírito santo pelos seus erros.

Se o crente está salvo e pode ele mesmo "interpretar" a Bíblia por que precisaria de igrejas, pastores ou pregações ? A fé viria pele leitura. A salvação viria pela fé.

Neste caso, igreja e pastores representam um perigo para quem já está salvo.

Como pretende um protestante ser ouvido se antes de qualquer coisa quem lhe escuta deve acreditar que não há um só homem infalível em matéria de fé e doutrina ?

Por que devo escutar alguém que se diz não confiável em matéria de fé e doutrina ? Se posso entender tudo pela Bíblia e se tudo que o homem diz é falho, melhor não escutar ninguém.