quinta-feira, 21 de julho de 2011

Blog Teologia Pentecostal responde!

O leitor Rafi Sevghenian mandou duas perguntas sobre o catolicismo romano. Raros são os posts neste blog sobre esse ramo do cristianismo, mas cabe uma resposta às dúvidas do leitor. O catolicismo romano é majoritário no país, mas com uma doutrina pouco conhecida. As questões levantadas são interessantes. A primeira trata-se da “intercessão dos santos” e a segunda é sobre o papel da missa. As perguntas e as respostas seguem abaixo:

1- Os católicos dizem que quando nós, vivos, intercedemos por alguém, logo estamos nos colocando como mediadores junto com Cristo, e aí concluem que I Timóteo 2:5 se refere a Cristo como único mediador apenas no que diz respeito a salvação, mas não para outras questões, porque o v.6 diz que Ele se deu em resgate por todos e dizem ainda que o v.1 de I Timóteo 2 fala para intercedermos pelas pessoas, e por isso seria uma contradição a nossa interpretação protestante desse texto de I Timóteo 2:5. Como responder a um católico essa questão?

É verdade que o contexto fala de Cristo como mediador da salvação. Cristo é aquele que, quando ofereceu sua vida em nosso resgate, interveio por todos. Os católicos estão certos quando interpretam o texto falando  de Cristo como mediador da salvação  O texto em seu início nos exorta, como cristãos, a intercessão pelos outros, inclusive pelas autoridades. Mas como algum católico pode concluir que os mortos intercedem pelas palavras de Paulo? Ora, Paulo está se dirigindo a um jovem pastor que estava bem vivo.

Outra questão: Quem disse que negar a intercessão dos mortos e interceder pelos outros seja contraditório? Quando um cristão ora pela saúde do seu irmão, por exemplo, é um vivo orando por outro vivo. Não há contradição nenhuma. O que sempre o protestantismo condenou é a ideia estranha que seja possível um morto orar por um vivo.

Falar que “somos mediadores” em Cristo, baseado em I Timóteo 2.5, seria dizer que somos coparticipantes da salvação da humanidade. Nada mais falso. A salvação é pela graça, não há mérito humano nela, mas somente o mérito de Cristo. O texto de Paulo a Timóteo fala de Cristo como mediador da salvação, mas mostra que tal posição é singular. Não é dividida como homem algum. O homem só pode lançar a semente do Evangelho, mas nunca fabricá-la. O texto é muito claro em mostrar singularidade. Não é trabalho partilhado.

Falar que I Timóteo 2.5 ensina a intercessão de gente morta, mesmo que o morto tenha sido um piedoso servo de Deus, é fantasiar com o texto bíblico. É falar o que o texto não fala nem indiretamente. É produzir uma questão que não existe. Não há apoio bíblico algum para a ideia da intercessão dos santos mortos, mas somente dos santos vivos.

2- Os católicos dizem que na missa o mesmo sacrifício realizado por Cristo há mais de 2000 anos se torna presente, e não que é feito um novo sacrifício, dessa forma dizem que essa ideia católica não se contradiz com Hebreus 10:10 e 14 que dizem que Cristo se ofereceu uma única vez. Como refutar essa afirmação da igreja católica?

As missas católica e anglicana são de fato baseadas na ideia que o sacerdote participa do sacrifício do corpo e do sangue de Cristo com a hóstia (pão) e o vinho transubstanciado, ou seja, a eucaristia. Hoje em dia, os católicos negam que a missa seja “um novo sacrifício de Cristo”, mas é possível que antigamente se pensava assim.

A ideia do “sacrifício presente” é uma interpretação mais baseada na tradição do que nas Sagradas Escrituras. Os textos que falam sobre o sacrifício de Cristo dão um aspecto histórico, ou seja, quando chegou “a plenitude dos tempos” aconteceu a morte do Senhor e sua ressurreição uma vez por todas. A ideia de “sacrifício presente” é interessante quando pensamos que Deus não está preso no tempo, ou seja, Deus é atemporal. Mas é importante lembrar que o sacrifício de Cristo aconteceu na temporaneidade.  A despeito das polêmicas, penso que esta questão doutrinária seja uma questão secundária.

3 comentários:

Anônimo disse...

sobre o texto acima, vejo que o autor e o interloculor do texto desconhecem não só a doutrina catolica como a historiografia cristã e as escrituras, pois a oração pelos mortos vem ja desde o inicio do cristianismo nas catacumbas romanas, quando os cristaos faziam pinturas de maria e cristo e inscrições de orações pelos martires da fé, nas lápides catacumbárias, é so pesquisar, e tambem está em 2 macabeus 12 ,40 o problema é que devemos estudar o canon grego e sua origem, e o canon hebraico e sua origem para entendermos a questão, mas de tudo isso a igreja católica fundada por cristo é a mais coerente, entre as outras vertentes cristãs..

Daladier Lima disse...

Faria o seguinte comentário em relação ao item 1. Os santos ouviriam todos os que a eles recorrem? Teriam que ser oniscientes e onipresentes. Em relação ao item 2, se realmente é o corpo, seríamos obrigados a perguntas: de que parte peguei numa Ceia? Absurdo de todos os pontos de vista.

Elizelda Araujo disse...

Anônimo, diga a referência bíblica que fundamente que a oração pelos mortos é bíblica e cristã. Macabeus não vale, pois é apócrifo. Isso eu aprendi com o pároco de minha cidade.
Onde está na bíblia que a Igreja de Cristo tem um título específico? A Igreja de Cristo é invisível, pois é formada por todas as pessoas que aceitam e seguem a Cristo como único Senhor e Salvador e vivem a "Lei do Amor".Mateus 22.37 a 40