quinta-feira, 14 de julho de 2011

Como podemos falar em “influenciar a cultura” se ainda estamos presos em debates inócuos?

Você, leitor assídio do blog, já leu vários textos contra o legalismo nas Assembleias de Deus, minha denominação querida. Na nossa Escola Dominical estudaremos em algumas semanas sobre o papel do cristão como influenciador da cultura. Como professor fico me perguntando qual o sentido dessas lições (que são ótimas) em nosso contexto. Não estamos dando feijoada para quem ainda necessita de leite?

Deixa eu explicar. Uma denominação que ainda debate, pasmem, em muitos regiões deste país se é pecado jogar futebol (!) ou usar brincos, como poderá falar em coisas mais importantes? Como professor fico um tanto perdido. A maioria dos nossos líderes (pasmem) são presos no maniqueísmo “sagrado versus secular”, ou seja, a visão de cultura e o papel cristão na construção dessa cosmovisão fica totalmente comprometida. Se existe uma “roupa cúltica”, por exemplo, como falar que costumes são transitórios e que são parte de relatividade presente no cerne das culturas. E só lembrando que o maniqueísmo é totalmente antibíblico, assim como o legalismo que clama salvação pelo esforço humano.

Como vamos construir uma Teologia Pública, por exemplo, se em quatro em quatro anos apresentamos os “candidatos da igreja” que são parentes de importantes líderes? Como vamos falar sobre a construção de uma visão ética cristã se ainda estamos presos em vícios nacionais como o coronelismo? Como falar em uma visão cristã sobre o papel feminino se ainda debatemos maquiagem? Como falar em visão de mundo cristã se a básica interpretação bíblica é desprezada pela cegueira da tradição?

O assunto da Escola Dominical é nobre, mas passará pelas nossas igrejas e não encontrará um campo fértil. Será como a semente entre pedras, como na parábola de Jesus Cristo. É complicado introduzir feijoada no prato quando ainda estamos aprendendo duramente a tomar leite. Influenciar cultura? Nem entendemos o que é cultura!

17 comentários:

Ana Paula disse...

Excelente questionamento!!!!
Eu agradeço por participar de uma AD que conscientemente vive a liberdade Cristã.
E tal liberdade advém de uma busca por aprender a Palavra de Deus sistematicamente, deixando que ela nos molde e não pensamentos humanos.
Mais uma vez, parabéns pelo artigo!
Compartilhei-o...
Paz!!!!

Anônimo disse...

Gutierres

Quem medita na Palavra de Deus sempre, não pode ser tolo, pois a Palavra dá sabedoria.

No dia em que a Palavra do Eterno estiver acima de todas as palavras dos homens, inclusive de todas as tradições, os olhos se abrirão: "seja Deus sempre verdadeiro, e todo homem mentiroso". É preciso insistir em que a Bíblia é superior a qualquer tradição. Foi isso que Jesus fez.

Gilvan Albuquerque disse...

Olá

Você escreveu o que penso, linha por linha. Também sou [ou estou] assembleiano e professor da EBD e, assim como você, lido cotidianamente com os mesmos problemas. A fé, de alguma forma em nossa querida AD, é alienada. Nas aulas em que tentamos trazer as lições contidas nas lições da EBD, fazendo uso duma cosmovisão contemporânea, sofremos a mais avassaladora rejeição, a saber, a intelectual. Poucos são aqueles que tem coragem de trazer os problemas e as ações espirituais para o chão da vida, a maioria, infelizmente, prefere “voar”, “tocar o céu”, “agarrar o anjo” ou ainda, estar imerso numa tempestade de puro fogo e poder. Nada contra, desde que haja, antes de tudo, uma consciência plena do verdadeiro papel do cristão na sociedade. Nas palavras de Leonardo Boff: “Jesus Cristo convocou os homens, não para o exercício de um novo ritual ou para a observância de leis mais puras e mais santas. Mas chamou a todos para uma nova forma de vida que se entende a partir de Deus e do futuro que nos promete e não mais a partir do passado e daquilo que nós temos construindo” (Teologia do Cativeiro e da Libertação – pp. 66-7)
Grande abraço! Gilvan Albuquerque

zwinglio rodrigues disse...

Gutierres, paz!

São boas as suas reflexões.

A grande dificuldade mesmo é desconstruir o que foi cnstruído por muitos anos com todo um ar de verdade e espiritualidade inquestionável.

O trabalho negativo [inocente?] fora muito bem feito.

Agora só resta paciência e um árduo trabalho pra ir mudando as coisas.

Valter Borges disse...

Embora seu pessimismo, vejo que relatastes a verdade!
Agora, a semente das mudanças precisam ser lançadas.
Precisamos ter consciência da força das lições bíblicas em nossas igrejas. A Escola Dominical tem exercido um papel formador na vida dos crentes assembleianos.
Mudar conceitos acerca da fé não ocorre de um dia para o outro, entretanto, é preciso começar e ter esse assunto na escola já é um bom começo. Isso influenciará àquela faixa etária que tem mais dificuldades de assimilar mudanças: dos 40 anos em diante. E formará os pensadores cristãos do futuro: jovens, que assimilam melhor as mudanças.
Pelo menos, todos observarão que é um assunto importante, e que todos (assembleianos), no Brasil inteiro, estão estudando o assunto!!
todo aprendizado causa conflitos internos que clamam por mudanças. Portanto, vejo esta lição com bons olhos!
É dessa maneira que a igreja estará refletindo sua posição no Brasil.
A Igreja de 2011 não é a mesma de 1991, nem de 1951, muito menos de 1911, ela evoluiu e muito, graças aos assuntos abordados na EBD que, se não fosse este instrumento, seriam tabus até o dia de hoje.
Como prova veja as igrejas tradicionais que não tem Escola Dominical, pararam no tempo.
Indico um artigo publicado em meu blog, que mostra que a igreja precisa evoluir em seus conceitos e padrões senão corre o risco de sumir:
http://www.teologiaesociedade.com/2011/07/um-alerta-igreja-brasileira-igreja.html.

Abraços,

Cícero Leandro Júnior disse...

Como professor da EBD, também me questionei e me preocupei sobre isso.

Acredito, Gutierres, que tais coisas vão sendo mudadas com o passar do tempo, haja vista que temos muitas ADs no Brasil que são não tão apegadas às tradições. Acredito que no máximo em 10 anos, tais tradições serão dirimidas, a despeito dos legalistas gostarem ou não. E isso numa ótica otimista.

Que Deus o abençõe.

Marcelo de Oliveira e Oliveira - RJ disse...

Caro Gutierres,

Paz e bem!

O tema de "Missão Integral da Igreja", ministrado na E.B.D das Assembleias de Deus, permite a popularização de um assunto outrora discutido nas academias e por alguns grupos elitizados. Falar de Missão Integral em catedrais e hotéis luxuosos é um paradoxo. Mas, debater nas periferias, no campo e nas grandes cidades é coerente. As pessoas que fazem Missão Integral (que é apenas uma nova expressão para remontar o ensino de Jesus, a prática da Igreja primitiva e de alguns crentes ao longo da história) talvez não saibam nem definí-la, como diz René Padilla. Mas a realizam até as últimas consequências. E empiricamente compreendem o ser humano com um viés holístico.
Missão Integral é um assunto profundamente bíblico (não tendo nada haver com a Teologia da Libertação conforme analisa Ricardo Quadros Gouveia em sua obra “O que eles estão falando da Igreja”) e necessário às demandas contemporâneas da Igreja. Pois o dualismo da alma/corpo não pode ser tolerado entre nós. O homem é alma (precisa de salvação), mas é corpo (precisa de cuidado) também. Ambas as matérias são inseparáveis.
Talvez, esta seja uma oportunidade única na Assembleia de Deus. Há mais de dez anos pertenço a esta denominação e pela primeira vez estamos tratando um assunto desse porte. Se eu posso fazer um apelo nesse espaço, é que os professores não desanimem diante do desafio, leiam as indicações bibliográficas nas revistas e outras obras (que são vastas e fáceis de achar na internet ou ementas de curso de teologia) e se apropriem do tema. Eu acredito que a sala de aula é o melhor lugar para fazer surgir uma das mais deliciosas revoluções: a do pensamento.

M.O.O.

Observatório Teológico disse...

A desconstrução daquilo que zelosamente é tão querido por tantos sempre será tarefa árdua que gera discursos inflamados e ações da parte dos que desejam manter o status quo. Não estou na AD no presente momento por causa desse antiintelectualismo. Embora ame a igreja, sabedor de que em muitos aspectos as AD's são eminentemente bíblicas, temos irmãos, quer sejam líderes ou não, que preconizam uma igreja só para si, de acordo com sua mentalidade retrógada (alguém pode lembrá-los de que a igreja é de Jesus?). Creio entretanto que as coisas podem mudar e penso em até retornar para, quem sabe, ajudar na moldagem de uma nova AD, mais bíblica e menos legalista, mais crescente em graça e conhecimento de Jesus Cristo e menos obscurantista. Deus continue a te abençoar Gutierres. Espero sua visita em meus blogs, se é que já não tenha feito, um abraço!

Cicero Ramos

Leonardo Gonçalves disse...

Na mosca!

Aprendiz disse...

Gilvam

Você e muitos outros estão preocupados porque o povo evangélico não abandounou sua cosmovisão para adotor alguma cosmovisão contemporânea.

Mas a Igreja não existe para tornar as pessoas mais crédulas das mentiras atuais. As escolas do primário à faculdade, as novelas, os "bem-pensantes" todos existem apenas para ensinar as cosmovisões do mundo atual. Tanto assim que nossas escolas quase nada ensinam, mais. São máquinas de fazer robôs.

Não é a Bíblia que deve ser julgada pelas cosmovisões do mundo. Pelo contrário, são as cosmovisões do mundo que devem ser julgadas pela Bíblia. A mensagem de Cristo não existe para ser mais um apêndice de qualquer cosmovisão humana.

Giane disse...

Paz,
Infelizmente, a denominação se prende a estes debates inócuos ao debater em discutir na CGADB usos e costumes, proliferando a hipcrisia e a acepção de pessoas dentro dos templos, ao invés de valorizar a leitura e estudos bíblicos e oração.Que Deus tenha misericórdia de seu povo.

Anônimo disse...

Saudações no senhor!, excelente questionamento Gutierres. Concordo plenamente com vc, nossa igreja não sabe lidar com usos e costumes, com todo respeito que tenho aos líderes mais antigos,mas eles não ensinaram a diferença entre usos e costumes x doutrinas bíblicas.
Onde eu congrego mesmo, o pastor me pediu pra minha esposa não ir de brinco pra igreja para não dar mau exemplo pra mocidade.
No púlpito de minha igreja já ouvi cada besteira, que dá vontade de sair no meio do culto e ir embora.

Abraços no amor de Cristo - Pb. João Eduardo Silva - AD Min. Belém - SP.

Jefferson Peixoto disse...

Por isso é necessário a Escola dominical, não sou Assembleiano e até certo momento estamos utilizando as revista da CPAD. Porém por não atender algumas necessidade de nossa congregação. Modificamos para série de estudo bíblicos elaboradas pelo corpo docente.

Estudamos sobre os últimos dias
e Agora estamos com um planejamento a médio e longo prazo de estudo dos livros da bíblia.

Digo para os irmãos é um trabalho árduo e necessita dedicação, mais os frutos já estão acontecendo, mesmo com pouca força a frequência aumentou o interresse pela leitura e estudos bíblico também, louvo a Deus pela CPAD que claro deve ter prioridade em sua denominação. Mas espero que todos nós possamos a cada dia procurar dar um alimento sólido e temperado com Espírito Santo de Deus para nossos alunos.

Pois deste alunos serão os próximo professores de nossas EBD e púlpitos

Aprendiz disse...

Quanto aos custumes, não critico, cada igreja tem os seus. O problema da AD é que muitos de seus pastores colocam os custumes como se fossem uma questão de pecado. Como não existe maneira de provar que "jogar futebol" ou "usar maquiagem", por exemplo, são pecados, se faz exegese ruim para defender idéias assim.

Talvez seja esse o pior problema da AD, a má exegese que se aprende para defender coisas sem importância.

Por outro lado, embora os assembleianos usem muita exegese ruim, MUITOS dos que os criticam não são melhores, embora escondam melhor seus sofismas com argumentos mais rebuscados. Mas pelo menos os assembleianos, em sua maioria, creem na Bíblia. Nesse ponto são infinitamente melhores que muitos de seus críticos.

Mas já chegou o tempo em que tanto os assembleianos, como os outros cristãos, abondonem seus erros. Quase toda a exegese que a igreja tem feito, nos últimos 1.900 anos, tem sido quase um libelo contra os judeus. Mas todos os primeiros pensadores do cristianismo eram judeus. A igreja nasceu como uma seita judaica, não podemos esquecer isso nunca. Estar em guerra contra a própria origem é um comportamento doentio e não pode resultar em nada de bom. O fato de os crentes judeus terem aberto a igreja aos gentios, movidos pelo Espírito Santo, deveria fazer com que nós os amássemos, não que os odiássemos.

jurandir alves disse...

Acredito ser a EBD; da qual ja fui aluno e professor; um dos momentos pensantes mais serios da igreja. Mas ela nao e a unica fornecedora de mudancas, visto que (chute) pelo menos 85% dos membros nao frequenta. A cultura mudara com a mudanca de paradigmas. Quem os "maneja" sao os lideres, formadores de opiniao...entao a cultura deve partir com e como exemplo dos mesmos!

Pastor Geremias Couto disse...

Caro Gutierres:

Apenas um aforismo para compreendermos esse processo:

"Água mole em pedra dura tanto bate até que fura".

Quando encontro pessoas como você,vejo luzes em nosso horizonte (não o utópioco, por favor!)

Abraços!

Matias Borba disse...

Gutierres,
a Paz!

É pos aí, me cansei de ouvir falar de uma cultura que não é cultura. De fato nós nem sabemos o que é cultura! Quando recebo oportunidade na EBD para falar temas desde gênero sinto até um frio na espinha, já sei como será difícil expor algo parecido com o que você espõe aqui.

Há uma luz no fim do túnel, mas, pode ser que eu e você durmamos no Senhor em idade bem avançada vendo ainda uma grande maioria sem entender o que é cultura, para começar a entender o que influência-la.
Sem pessímismo!

Um abraço, estou contigo assinando o texto!ura que não é cultura. De fato nós nem sabemos o que é cultura! Quando recebo oportunidade na EBD para falar temas desde gênero sinto até um frio na espinha, já sei como será difícil expor algo parecido com o que você espõe aqui.

Há uma luz no fim do túnel, mas, pode ser que eu e você durmamos no Senhor em idade bem avançada vendo ainda uma grande maioria sem entender o que é cultura, para começar a entender o que influência-la.
Sem pessímismo!

Um abraço, estou contigo assinando o texto!