domingo, 10 de julho de 2011

A igreja no contexto urbano (parte I)

Por Gutierres Siqueira

O Brasil é um país urbano. O país tem grandes metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Manaus etc. As cidades interioranas, como Campinas (SP) ou Parauapebas (PA), por exemplo, crescem freneticamente. E a igreja está nesse contexto. Ser Igreja nas grandes cidades é um desafio diferente do mundo interiorano e rural. O cristianismo avançou com as cidades. Vejamos alguns:

1- A frequência nos cultos

Em grandes cidades é comum perder duas, três ou até quatro horas na ida e volta entre casa e trabalho. Nem sempre é possível congregar como se gostaria. As cidades brasileiras são mal planejadas, pois a maioria das pessoas moram longe do trabalho. O transporte público é insuficiente e o trânsito impede avanço pelas avenidas. Cobrar maior frequência nos cultos semanais é comum entre pastores, mas a situação não é de mera vontade. A cidade impede que boa parte da membresia chegue em tempo suficiente.

O que fazer? Uma das opções é começar os cultos mais tarde (20h00, por exemplo) e não ultrapassar o período de uma hora e meia. Outra opção são os pequenos grupos, que pelo número reduzido de pessoas e, por acontecer em casas ou apartamentos, têm maior flexibilidade. É uma ótima opção como aumento da interação e comunhão na igreja. E é claro que o culto dominical não sofreria mudanças, já que a maioria das pessoas não trabalham no domingo.

2- O excesso de atividades

Congregar já uma dificuldade nos cultos semanais. As igrejas, para compensarem essa falta semanal, enchem o final de semana com várias atividades. Os sábados e domingos quando nunca têm algum tempo livre. Ensaios e mais ensaios. Visitas e mais visitas em congregações irmãs. Atendimento às atividades das sedes etc. Já vi um jovem casado reclamando que não tinha tempo de sair com sua esposa. O tempo de lazer com a família deve ser tão valorizado como as atividades da igreja.

O que fazer? Diminuir o nível de atividades. Uma igreja não se faz somente de eventos e mais eventos. Os eventos, muitas vezes, tornaram-se rotinas cansativas e repetitivas logo porque são rotinas. Os eventos devem ser melhor pensados, ou seja, trabalhar melhor a qualidade espiritual das atividades eclesiásticas. A família deve encontrar espaço na agenda para um almoço de domingo ou um passeio no parque.

3- A evangelização

A evangelização é outro grande desafio. As igrejas que ainda evangelizam costumam fazer isso nas tardes de domingo batendo de porta em porta. E a recepção? Péssima. As pessoas ou estão descansando do almoço ou estão assistindo o futebol. As estratégias evangelísticas devem ser adaptadas para o contexto urbano. A solução estratégica não é simples, mas a mensagem da Boa Notícia é muito simples.

O que fazer? Os pequenos grupos são uma boa opção para evangelização. Quando faço um culto em casa posso chamar, com muita segurança, algum parente ou amigo próximo. Essa pessoa ouvirá a Palavra de Deus em um ambiente que não é estranho para ela. Os investimentos em mídias são outro recurso evangelístico nas grandes cidades. Além disso, o convite de boca em boca e o evangelismo pessoal são meios indispensáveis.

Continua...

3 comentários:

Juan de Paula disse...

É por isso que gosto bastante de ler esse blog. Sou nascido e criado num contexto urbano (Rio de J.) embora esteja ministrando no interior do Estado (mas ainda dando aula na capital).

O problema é quando a igreja mantém uma configuração dos anos 80 (todo mundo trabalhava de 2a a 6a de carteira assinada e os shoppings não abriam aos domingos, exceto cinema e praça de alimentação) ou uma configuração rural (que não é errado em si mas não atenta para o contexto).

Outro problema é o ativismo. Igrejas cedem para a institucionalização por causa da nossa cultura romana herdada da colonização e precisam manter essa estrutura, as vezes, sufocante para a membresia. Muitos trabalham como válvula de escape emocional sem buscar em Jesus a motivação correta para aquele serviço (Ele próprio - 1 Co 15:58).

Concordo muito com o que você escreveu. Entendo que:

Cultos devem ser objetivos: leitura, oração,adoração musical e mensagem.

Evangelização relacional: se conectar emocionalmente com não-cristãos nos locais sociais e nas ruas e apresentar o Evangelho. Entender os dramas, história pessoal e se interessar por ela para apresentar o drama histórico da redenção em Cristo.

Ao invés de ativismo louco que mais arrebenta as pessoas e sacrifica as famílias centralizar em duas frentes: adoração pública e grupos pequenos nos lares para pastoreio e cuidado mútuo.

Claro que, igrejas grandes e com muitos anos de existência não conseguirão mudar do dia para a noite e demandara muito tempo para adaptação. O ideal é o pastor ou presbitério local ter sabedoria para saber o que manter e como adaptar.

Os crentes mais antigos são mais "igrejeiros" enquanto os neo-conversos são mais relacionais para com a cultura (shopping, cinema, lazer, etc....e que tem o seu lugar, pois há o lazer como ídolatria mas também há o lazer como higiene mental e até mesmo cumprimento da missão - um passeio ou rolé com amigos não-cristãos é uma excelente oportunidade para encarnar e comunicar o Evangelho). Então uma comunidade antiga terá que saber lidar com o perfil de cada discípulo do Senhor Jesus.

Continue assim. Esse blog tem muita firmeza e ótimas percepções para o avanço do Reino de Deus.

Jesus te abençoe,
Juan

Gutierres Siqueira disse...

Juan, a paz!

Seu comentário é um ótimo complemento da ideia desse post.

Abraços

Felipe Huvos Ribas disse...

Muito bom o texto. Na parte de evangelização, acho que também seria bom um preparo, nas igrejas, para que as pessoas saibam abordar os não cristãos (inclusive aqueles que não pisariam numa igreja).