quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Banalização?

O bairro onde eu moro, assim como o bairro vizinho, vai ganhar nada menos do que cinco novas igrejas nos próximos dias. Não que falte igrejas no meu bairro, pois até então já tínhamos sete templos evangélicos e, contando com o bairro vizinho, podemos contabilizar mais seis igrejas. Somente em uma quadra há quatro igrejas evangélicas. Se existisse um índice de templo per capita certamente o meu bairro estaria em uma ótima posição no ranking.

O título já traz em si uma indagação que sempre faço: isso é bom ou ruim? Digamos que ambas as respostas são corretas.

É bom...

a) O maior números de templos evangélicos proporciona maiores chances dos moradores do bairro ouvirem uma pregação do Evangelho, mas desde que essas igrejas preguem o Evangelho de fato.

b) Mais igrejas são melhores do que mais bares, mais pontos de droga, mais bailes funks, mais etc e tal.

c) Mostra a natureza do “princípio protestante”, ou seja, as igrejas evangélicas não dependem de uma centralização pois são formadas em inúmeras denominações.

É ruim...

a) A motivação de abrir muitas igrejas não é a paixão pelo Evangelho, mas a paixão pelo poder. Mas que poder quando muitas dessas igrejas não passam de 80 pessoas? Ora, poder sobre uma pessoa é poder para quem tem fome.

b) A motivação também passa pela questão financeira, a raiz de todos os males. É o velho clichê: “Pequenas igrejas, grandes negócios”.

c) A fragmentação evangélica já chegou em um nível exageradamente perigoso. O que é ser evangélico? É ser presbiteriano? É ser assembleiano? É ser batista? É ser da igreja puleiro dos anjos? É ser da comunidade disso e daquilo? É ser do ministério Belém ou Madureira? Etc e tal.

d) A fragmentação é tão forte que a igreja evangélica não tem identidade. Como um não evangélico pode conceituar um evangélico se nem mesmo os evangélicos chegam em um consenso.

e) Cidades grandes já estão saturadas de igrejas evangélicas. Há povoados no Brasil (sim, no Brasil) que ainda não possuem um único “ponto de pregação”.

Não estou dizendo que não exista espaço para novas denominações protestantes, mas que o desejo de abrir uma comunidade com a “nossa cara” não seja mera manifestação de vaidade, mas que tal decisão seja sempre bem pensada e com um propósito bem definido.  

18 comentários:

Matias H. disse...

no meu bairro tem 7 igrejas na mesma avenida (sendo 3 Assembelias de Deus) em um trajeto de 1.5 km.... o que é difícil achar é uma que pregue o evangelho da cruz.
o pior é que uma das igrejas surgiu a partir de uma divisão da outra na mesma avenida....
eu mesmo frequento uma igreja que fica 25 km de casa!

João Emiliano Neto disse...

A rápida e copiosa proliferação de seitas soi disant pentecostais como a Assembléias ditas de Deus é a prova de que os auto-intitulados pentecostais não são rebanho de Cristo já que o rebanho do Mestre é reduzido (Lucas 12:32) como ocorre com nós, os calvinistas que com o nosso impopular determinismo, realmente, pregamos o Evangelho da Cruz.


Somente a Deus seja a glória!

DEFENDENDO A FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA AOS SANTOS!!! disse...

Pasmem,não é só em Sao Paulo que isso está ocorrendo não...

Uma das igrejas aqui da cidade se dividiu em seis por causa da briga da loderança...briga pelos dízimos e ofertas,e a igreja "oficial",de onde sairam essas,acabou se extinguindo em minha cidade.

Tudo é motivo para divisão de igrejas:doutrinas,usos e costumes,profecias,revelação em demasia,rebeldia,ganancia,amor ao dinheiro...

Na minha cidade,de 300 mil habitantes,surge praticamente uma por dia...

E a qualidade espiritual de tais igrejas é cada vez mais duvidosas...

Onde é que isso vai parar???

Anônimo disse...

É isso aí, gente, tá com dificuldade financeira? Não se apoquente! Faça como eu: funde uma igreja "evangélica" (?).

Valter Borges disse...

Você ainda não viu nada!
A concorrência entre as igrejas é fruto do mundanismo entrando na igreja. Que tipo de mundanismo? O mundo neoliberal!!!
E, pior, o testemunho cristão vai por água abaixo, pois os não crentes acompanham esta disputa e afastam-se por conta disso do Evangelho e de Cristo! Lamentável!!
Convido-lhe para conhecer a Vila São Pedro em SBCampo, que possui, num mesmo bairro, mais de 80... sim, eu disse 80 (oitenta) igrejas evangélicas.

Valter Borges disse...

Há muitas igrejas, e pouco Evangelho em essência!

Augusto Ribeiro disse...

Paz do Senhor irmão, por esses dias eu ia escrever um artigo similar em meu blog, sob o titulo "Obra de Deus ou Orgulho do homem?". Pois sabemos que a maioria das "novas" igrejas evangélicas são frutos de divisões de homens que deixaram de defender o evangelho de Jesus para defender suas paixões infames.

Augusto,
nELE, clamando por misericórdia!

Anônimo disse...

Isso está acontecendo em todo o Brasil,mormente nas áreas urbanas.Há igrejas de todos os tipos e para todos os gostos.Igreja dos que pulam,dançam,rodopiam,caem e roncam no "espírito",cantam forró(sem ofensa ao forró),funk e pagode.E pasmem,tem até igreja que todo ano põe na Avenida uma Escola de Samba(não é ironia)-não me lembro se há sambista e mestre-sala- com todos os rebolados.
É o vale-tudo para Jesus com o já conhecido jargão planetário:"Os fins justificam os meios".É o pão de Gideão circulando o arraial dos midianitas e derrubando a barraca central,dizem os triunfalistas "He Mens(é assim que se escreve?)evangélicos.E Jesus o que diria?
Abraço em graça e paz deste anônimo,não tanto anônimo assim.
Vosso em Cristo:José N.Rodrigues.

alvaro disse...

tens toda a verdade meu caro, e isso acontece em todo o lugar.

Aprendiz disse...

Gutierres

É evidente que uma das estratégias do Diabo é encher as igrejas de joio, para sufocar o trigo. Ele já fez isso antes e teve sucesso. Portanto continua usando essa estratégia. Estranho seria o Diabo não esforçar-se para lutar contra o Reino do Eterno.

Mas penso que nossa discussão deveria ser mais profunda do que, simplesmente, ficar lamentando o fato do Diabo ser diabólico.

Chamo, portanto, os irmãos para discutir como se chegou a essa situação, quais são as falhas da Igreja que facilitam isso, e quais devem ser os focos de nosso pensamento e ação a respeito disso.

A Paz do Senhor.

Aprendiz disse...

...continuando


Uma questão importante, ligada a esse fenômeno, é o grande número de pastores que não foi chamado pelo Eterno. Muitos nem são cristãos. Há que se fazer uma discussão profunda sobre os motivos que levam as igrejas cristãs a terem ministros que não são cristãos. É um assunto grave, mas que usualmente é tratado com extremo descaso ou falta de inteligência.

Aprendiz disse...

Outra questão importante é que mesmo os verdadeiros pastores, por serem muito pouco preparados para enfrentar o espírito do mundo, freqüentemente deixam-se envolver por “estrategistas” que prometem “lotar a igreja”. É claro que esses estrategistas cumprem o que prometem. Há métodos infalíveis para conseguir audiência, os empresários do ramo do entretenimento sabem disso há muito tempo.


A multiplicação de “igrejas” segue a mesma linha de pensamento da multiplicação de membros. O sucesso da empreitada atrai aventureiros que pensam “isso funciona, vou abrir uma igreja também, e conseguir minha independência financeira”. Mas note que essa mentalidade torpe nasceu na igrejas já institucionalizadas.

pretinha disse...

Estamos em época de apostasia da fé, e a fé não é mais tão trabalhada como se devia.
Penso que jesus foi bem claro quando disse que a porta é estreita e poucos passariam por ela. Poucos seriam os escolhodos.
Esses movimentos todos fazem muito barulho, mas eu nunca ví cena de atos dos apostolos isso sim é um sinal de avivamento, e para isso precisamos ser santos como o senhor nos pediu: sedes santos porque eu Deus sou santo, então diremos levanta pega tua cama e anda.

Eu Ivania estou em busca de Atos dos apostolos.

Aprendiz disse...

Essa mentalidade de “multiplicação” dos crentes baseia-se em doutrinas falsas, que tem sido plantada na Igreja há muito tempo. Em primeiro lugar, há a suposição de que nós temos o poder de “converter” as pessoas. A Bíblia é muito clara a respeito disso. Nós só podemos pregar e ensinar para que aqueles que o Eterno escolheu, em sua presciência, venham a se converter. Quem converte é o Espírito do Santo de Israel. Na época do Ungido e de seus enviados (apóstolos), muitos milhares creram, mas um número ainda maior não creu. Nós não somos maiores que os apóstolos. E somos infinitamente menores que Yeshua. Se a pregação deles não converteu a maioria, porque com nós seria diferente?

Aprendiz disse...

Outra doutrina errada, é aquela que confunde a fé com a sua suposta manifestação. Quando alguém “aceita Jesus” (que expressão ruim!), supostamente está manifestando fé. Ora, a confirmação da fé se dá depois, pela vida. “Convertidos”, no sentido moderno da palavra, não quer dizer cristãos. Portanto, esforçar-se simplesmente para ter o maior número de pessoas que “levantam a mão” é falta de sabedoria. Muito mais inteligente seria esforçar-se para pregar e ensinar com mais propriedade e clareza, para que as pessoas que venham a manifestar publicamente a sua fé, saibam o que estão fazendo.

Aprendiz disse...

Finalmente, a doutrina mais errada de todas é aquela que separa fé de arrependimento. Para que alguém possa crer que Yeshua é seu salvador, terá de reconhecer primeiro que é um pecador. É só a pecadores que ele salva. A Bíblia une arrependimento é fé, nessa ordem, pois reconhecimento do pecado vem, evidentemente, antes de reconhecimento do sacrifício pelo pecado. Aquele que, vendo o próprio pecado, o nega ou racionaliza, negando-se a arrepender-se, essa pessoa está rejeitando o convencimento do Espírito, está rejeitando a fé. Quem separa arrependimento de fé, dizendo que pode ter fé salvífica aquele que se propõe a não se arrepender, quem afirma isso trabalha contra a Palavra Santa.

Creio que são esses entendimentos errados que estão por trás do inchaço da igreja evangélica.

Alexandre disse...

Lendo os comentários percebi que há uma tendencia em não aceitar as diversas igrejas que nascem a cada dia. No meu bairro há...sei lá, perdi a conta. Mas convido vocês a pensarem se em 1911 os nossos irmãos que já estavam com igrejas instaladas no Brasil não pensaram o mesmo do movimento de implantação das Assembléia de Deus (podemos imaginar o mesmo para todas as igrejas que foram criadas e hoje estão consolidadas): dissidentes, pregam um evangelho estranho, não vão sobreviver um ano, etc...
É claro que há "absurdos" mas, e os que aceitam Jesus nestas "igrejas"? Eles ainda não tem entendimento suficiente para separar ensinos corretos de errados , isso só se consegue com a leitura e estudo da Palavra o que convenhamos leva um certo tempo. Outra questão, será que as igrejas tradicionais atingiriam estas pessoas? Ou essas igrejas são extremamente importantes na evangelização mesmo que em algum momento algumas criam distorções no meio protestante?
Não sei, mas acredito que não.
E para finalizar, em algum momento elas contribuíram para que igrejas tradicionais como as Assembleias revissem alguns conceitos errados que durante décadas eles ensinaram (dando razão aos que diziam lá no começo que eles interpretavam erroneamente as escrituras???). Já pensou se não houvesse possibilidade de eles surgirem, aprenderem com os erros e hoje ser o que é?
E por fim (de verdade) Deus está no controle de tudo, assim como dezenas surgem diariamente, dezenas desaparecem também....a lei da compensação.
Abraços
Visitem meu blog: criancadecristo.blogspot.com

JoãoRibeiro disse...

Caro Gutierrez:
Acredito que muitos são salvos através das ações do Espírito Santo. Quanto aos lideres, bom, deixa eles com Deus. Um dos problemas é justamente o descrédito da Igreja por ao se perceber as divisões, contendas, que causam mau testemunho
A respeito deste assunto gostaria de sugerir a leitura do post http://eclesianet.blogspot.com/2010/02/como-se-cria-uma-organizacao-religiosa.html no meu blog. Fica na paz. João Ribeiro.