quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A bancada evangélica e o compromisso com a ética


Recentemente perguntei pelo Facebook a um deputado assembleiano se ele não sentia vergonha de estar em um partido totalmente envolvido na corrupção do Ministério dos Transportes; mas, evidentemente, ele ignorou minha pergunta. Talvez se fosse em época de eleição o nobre deputado (que é pastor de uma grande AD no interior de São Paulo) daria mais atenção.  

O que motivou minha pergunta foi o discurso moralista do deputado dizendo que é a "favor de uma investigação" e da "abertura de uma CPI". Será? Como alguém pode participar de um partido sem nenhum conteúdo programático, mas totalmente fisiológico (sempre é com o governo em troca de cargos), e ainda assim manifestar um aparente "senso ético". Soa como uma piada. Pedir uma investigação séria seria um ato de suicídio para o partido. 

Ah, mas não existe partido bom, diriam os céticos. É verdade. A bondade anda longe da política brasileira. Mas existem partidos piores do que outros. E alguns partidos no Brasil são caracterizados pela natureza parasitária, ou seja, sempre estão ao lado do poder, pois vendem os seus votos para que o governo do momento faça maioria no Congresso. O fisiologismo é a raiz de todos os males da política brasileira. É a troca de apoio por cargos e empregos estatais. É o atraso que o país vive o país e que, infelizmente, conta com a participação de deputados evangélicos.  

Basta de cinismo. Se o deputado fosse realmente a favor de uma investigação ele não estaria alimentando um partido que já tem a marca da "camaradagem de Brasília".

6 comentários:

Donizete disse...

Caro Gutierrez.
A derrocada da igreja evangélica no Brasil, e a queda acentuada de credibilidade da mesma, aconteceu coincidentemente com o ingresso de líderes na política. Sob o pretexto de defender os interesses da instituição fazem todas as manobras e gastam absurdos para conseguirem se eleger. Ora todos sabemos que os interesses são outros. Coloque um desafio: diminua o salário dos políticos para um valor razoável, elimine todos os privilégios e regalias, mantendo apenas os direitos e deveres que todo e qualquer cidadão possui, e vê se continua esta obsessão desenfreada para ocupar um cargo público? No caso os políticos evangélicos não são uma exceção a regra, são farinha de um mesmo saco. E para os políticos evangélicos tem ainda um agravante, que é o fato de fazerem uso do púlpito de uma igreja, e sob o pretexto de fazer a obra de Deus, se vestem de um messianismo utópico, prometem que irão fazer a política ideal, ser um exemplo para a moralização da política, e mais; fazem terrorismo psicológico dizendo que se não houver representante na câmara ou senado as leis contrárias aos princípios cristãos não serão combatidas como se eles tivessem autonomia para votar a revelia aos seus partidos. Ora, sabemos que os interesses partidários são mais importantes que os individuais, então que não venham com essa conversa fiada.
A história recente do Brasil nos mostra que a chegada de políticos evangélicos a cargos públicos não tem feito nenhuma diferença em termos de ética e de moral. E neste caso tem feito mais males do que bem para a igreja, pois a imagem manchada do político será inevitavelmente associada a igreja.
Um abraço.

Sidnei Moura disse...

É lamentável caro Gutierrez. Compartilho da mesma indignação.

Abraço!

Sidnei Moura
www.sidneiemoura.blogspot.com

Mario Sérgio disse...

Olha meu irmão, o pior é quando se sabe que esses pastores que ocupam cargos eletivos, estão nas suas igrejas pregando contra o pecado, a corrupção e a imoralidade, e vivem e praticam uma política da pior qualidade. É lastimável!

prjuarezlima.blogspot.com disse...

Caro Gutierrez,

Pelo que vi no Facebook do deputado que você questionou, (pastor Paulo Freire, que é pastor de uma das igrejas que você frequenta - Ele em Campinas e você em São Paulo). Ele não desdenhou de sua pergunta como você escreveu, ele respondeu, em um outro post e a resposta é a seguinte:

No Brasil todos Partidos sofrem acusações de irregularidades. Até o momento nada foi comprovado contra o PR, não existe nenhuma acusação formal, portanto não tenho porque me envergonhar.

17 de agosto às 21:59 via celular ·CurtirCurtir (desfazer)

· .Cleverson Sanches, Neide Matta, Claudinei Barreto e outras 23 pessoas curtiram isso..


Contra fatos não há argumentos

Gutierres Siqueira disse...

Caro Juarez,

1) Ele não me respondeu diretamente, mas deu uma resposta geral a todos que indagaram a respeito. O que é positivo.

2) Todos os partidos têm problemas com corrupção? É evidente que sim. E isso deixo claro no texto. A questão é fazer parte de um partido declaradamente fisiológico, que nunca será oposição, pois sempre está com o governo do momento.

3) O nobre deputado é realmente do mesmo ministério que faço parte. Isso eu já sabia, pois a campanha em nossas igrejas foi forte. Mas comigo não há esse negócio de corporativismo. Eu prefiro falar dos nossos, já que a trave precisa ser tirada primeira dos nossos olhos.

4) O deputado fala em CPI quando o cacique do seu partido é ninguém menos do que Valdemar Costa Neto, um dos principais nomes envolvidos no escândalo do mensalão. Neto é o mesmo que convidou Tiririca (aquele que não sabia o que faz um deputado) para levantar mais nomes do seu partido.

5) Qual é o programa do nobre deputado crente nesse partido cheio de corjas? Sugiro que comece com um projeto de lei proibindo o loteamento dos órgãos públicos.

Contra fatos não há argumentos? Realmente, não há.

pretinha disse...

Discutir corrupção no Brasil de hoje, parece-me semelhante a uma pessoa que, na década de 30, na Alemanha, discutisse a corrupção do partido nazista. É claro que os nazistas eram corruptos, Hitler acabou obtendo uma das maiores fortunas pessoais da Alemanha. Mas esse era o menor de seus defeitos.

Para quem acompanha as coisas mais profundamente, o futuro parece sombrio.