quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Se eu tivesse visto um milagre...

O grande filósofo Blaise Pascal escreveu vários "pensamentos" que expressam bem a espiritualidade cristã. Nesse trecho dos Pensamentos Pascal escreve sobre aqueles incrédulos que supostamente se converteriam mediante um milagre. A conclusão é fantástica: 
Se eu tivesse visto um milagre, dizem eles, eu me converteria. Como garantem que fariam o que ignoram? Imaginam que essa conversão consiste numa adoração que se faz de Deus como um comércio e uma conversão tal como a representam para si. A conversão verdadeira consiste em aniquilar-se diante desse ser universal a quem se irritou tantas vezes e que pode legitimamente pôr-vos a perder a qualquer momento, em reconhecer que nada se pode sem ele e que nada se mereceu dele, afora estar em desgraça. Ela consiste em conhecer que existe uma oposição invencível entre Deus e nós, e que, sem um mediador, não pode haver comércio [1]. 
Infelizmente, hoje são os próprios cristãos que encaram Deus como um comerciante. Como escrevi recentemente, várias igrejas estão sendo inauguradas no meu bairro e numa delas, uma Assembleia de Deus, há um cartaz dizendo que a inauguração é um oferecimento do Zé..., um pré-candidato à Câmara dos Vereadores de São Paulo. Lamentável, mas virou um comércio.


[1] PASCAL, Blaise. Pensamentos. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005. p 143. 

Um comentário:

pretinha disse...

Como bem disse Pascal, eles dizem que se converteriam, mas não podem afirmar isso.

Mas, com base na história, devo supor que, provavelmente, a maioria não só não se converteria, mas ficaria ainda mais endurecida. Pois em todas as ocasiões em que o Todo-POderoso se manifestou de forma mais clara diante dos homens, com sinais e maravilhas vistos publicamente e continuamente por milhares ou milhões, a maioria se endureceu.

Foi assim na época de Adão, quando, por muitos séculos as pessoas podiam falar diretamente com o primeiro homem, ouvir seu testemunho. Mas os homens se endureceram.

Foi assim na época de Noé e seus filhos, quando por muitos séculos as pessoas podiam falar diretamente com aqueles que viram o mundo antigo, viram o castigo divino, mas a maioria não deu atenção ao seu testemunho e se desviaram.

Foi assim na época de Moisés, quando os homens que viram maravilhas e prodígios se tornaram incrédulos. Primeiro os egípcios, depois os próprios hebreus, a grande maioria deles se endureceu.

Foi assim na época de Elias e Eliseu. Não importava quantos milagres fizessem, o povo queria seguir o mal.

Foi assim na época de Yeshua. Dentre os que viram seus sinais, não foi a maioria que creu.

Foi assim na época dos apóstolos. Os milagres fizeram que muitos se endurecessem ainda mais.

Será assim no futuro, quando os homens, vendo o poder do Eterno, em vez de se arrependerem blasfemarão.

Sinais e maravilhas convertem os que se abrem para crer. E endurecem ainda mais os outros...