sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Lição 08 - O compromisso com a Palavra de Deus

Subsídio preparado pela equipe de Educação da CPAD

PREGAÇÃO EXPOSITIVA

Por George O. Wood

O que É Pregação Expositiva?

Pregação expositiva é tomar um trecho das Escrituras (um versículo, um parágrafo, um capítulo, um livro) e responder a duas perguntas: (1) O que disse? e: (2) O que diz? Ao responder a essas duas perguntas, o assunto, os pontos principais e o subpontos da mensagem são regidos pelo próprio texto. Na pregação temática, o pregador pode escolher seu esboço. Na pregação textual, os pontos principais são regidos pelo texto, e o pregador pode colocar entre os pontos o que quer se sinta levado a colocar. Entretanto, na pregação expositiva, o texto rege inteiramente o conteúdo da mensagem: não se tem liberdade de buscar ou escolher o que se quer enfatizar ou deixar passar. Vamos considerar as duas perguntas acima. Para pregar expositivamente, devo responder a ambas.

A primeira pergunta – “O que disse?” – envolve exegese e hermenêutica. Quero entender da melhor maneira possível o que cada palavra ou frase significativa para o escritor bíblico, para o povo de Deus a quem essa palavra foi primeiramente dirigida. Para isso, sirvo-me de dicionários, léxicos, concordâncias, comentários bíblicos, ou seja, qualquer coisa que me chegue às mãos para melhor entender o texto. Na grande maioria das vezes queremos passar por alto a difícil tarefa de realmente compreender a Escritura, a fim de imediatamente passarmos a aplicação. Essa é uma das razões por que certos trechos difíceis das Escrituras (como Levítico) são frequentemente deixados de lado.

Entretanto, nenhum sermão está completo se tivermos respondido apenas a primeira pergunta. Também devemos considerar: “O que diz?” Em outras palavras, tenho de passar da exegese para a aplicação. De que forma essa clássica Palavra viva se relaciona com as necessidades contemporâneas das pessoas a quem pregarei? Pregar sempre implica em se ter um pé plantado firmemente na exegese e o outro na aplicação. Os sermões serão secos como o deserto se forem somente exegéticos. A exegese apresenta o que a Escritura disse para as pessoas da época em que foi escrita; a aplicação mostra o que ela diz para as pessoas dos dias de hoje.

Não poucas vezes, uma congregação foi colocada para dormir por um sermão que nunca foi bem-sucedido em ressaltar o imediatismo das experiências cotidianas. O sermão torna-se em lição de história muito árida e tediosa. Entretanto, sermões que negligenciam a exegese em favor da aplicação eventualmente produzirão uma congregação biblicamente analfabeta, presa fácil dos falsos ventos de doutrina e dos vendavais da adversidade satânica. Em geral, se um sermão deixa de despertar interesse, inspiração ou desafio, é porque uma ou ambas as perguntas não foram devidamente respondidas pelo pregador. Philips Brooks, o grande pregador americano de outra geração, assim se expressou, com muita propriedade: “Nenhuma exortação para uma vida melhor, que não esteja fundamentada em alguma verdade tão profunda como a eternidade, pode atingir e prender a consciência [grifo nosso]”.

Paulo ordenou que Timóteo conservasse “o modelo das sãs palavras” (2Tm 1.13). Essencialmente, Paulo estava dizendo que seguia um sistema de ensino, que seus métodos de pregação e ensino não consistiam de porções de informações isoladas e exortações espirituais dispersas. Qualquer pessoa só tem de ler os escritos de Paulo para detectar o quanto são bem-ordenados. No estudo bíblico, o crente não mostrará sensatez se optar pelo método do “pula-pula”. Se, um dia, o crente lê um capítulo de Romanos, no outro, passa para um trecho de Apocalipse e, no seguinte, vai para o livro de Êxodo, permanecendo nesse procedimento aleatório por longos períodos de tempo, realmente não estará tirando nenhum proveito. Imagine estudar um manual de língua estrangeira, de história ou de ciência nesse padrão ametódico! O estudo da Bíblia não dispensa os mesmos princípios aplicados ao estudo de outros assuntos.

Se os comentários acima são verdadeiros no que tange ao estudo pessoal, também se aplicam à pregação. A minha pregação rege a exposição sistemática da verdade?

Estou produzindo um modelo das sãs palavras? O que aconteceria se um operário da construção civil tentasse construir uma casa assentando os tijolos em lugares desconexos, em vez de ajuntá-los adequadamente? Com muita frequência nossos sermões, semana após semana, são tijolos sem nenhuma relação uns com os outros. Não deveria haver uma relação entre os sermões da semana passada e os desta? Ou os do mês passado e os deste? Ou mesmo os dos últimos anos e os deste?

Alguns acham que seguir um plano de sermões, no qual o pregador leva semanas ou meses para sequencialmente levar o rebanho através de um livro da Bíblia, está na verdade inibindo o Espírito Santo. “Você não está descartando a direção do Espírito?” perguntam eles. Não, de forma alguma, a menos que sua visão do Espírito signifique que tudo o que Ele faz deva ser instantaneamente, espontâneo. Eu creio que o Espírito Santo pode me dar direção para uma série completa de estudos tão facilmente quanto para uma única mensagem. Mas nunca devo ser inflexível. Se, no meio de uma série de estudos, o Espírito Santo colocar em meu coração alguma palavra especial, não hesito em interromper a série (Obs: Continua no subsídio da próxima semana; com o subtópico: Como Fazer Sermões Expositivos).

Reflexão:
“Duas perguntas: O que disse? O que diz”.

Texto extraído do: “Manual Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais”, editado pela CPAD.

4 comentários:

Aprendiz disse...

Excelente artigo.

Todos os pastores deveriam estar atentos a isso. Mas quase nenhum está.

Aprendiz disse...

continuando...

A maioria dos pentecostais parece imaginar que a ação do Espírito Santo é sempre estranha e incompreensivel. Realmente, há ocasiões em que Ele age de forma surpreendente e que nos parece estranha.

Mas o Espirito Santo fez a natureza, e embora ela seja surpreendente, chocante e muitas vezes difícil de compreender, é ao mesmo tempo metódica, regular, lógica.

O Espírito também escreveu a Bíblia. E, por mais surpreendente que ela seja, também é inteligente, bem estruturada, metódica, lógica.

Portanto, não faz o menor sentido imaginar que ao dirigir o estudo das Escrituras, o Espirito levará o pastor ou mestre apenas pela senda do surpreendente ou estranho. Como a natureza e a Bíblia, supôe-se que o ensino e pregação terão também lógica, interconexão, regularidade, estrutura.

Anônimo disse...

Conheci muitos obreiros assembleianos, concluintes de cursos bíblicos em seminários que organizavam seus sermões nos moldes aprendidos,contudo,muitos deles eram sensurados e até mesmo desestimulados por seus pastores.Diziam que para pregar não era preciso escrever esbôços,o Espírito daria a mensagem na hora.

Pasmem!Ouví em uma reunião de obreiros um pastor dizer: "Cuidado com esses pregadores organizados e articulados".Pode?
Mas sabemos que não é a regra,é uma excessão.Ora, mas também sabemos que ainda há uma boa parcela de nossos irmãos assembleianos que são contra o estudar em seminários.Fracos na fé, ou quem sabe fruto de um discipulado equivocado.Não os condeno,um dia verão que estão errados.

Vosso em Cristo:JOSÉ NASCIMENTO RODRIGUES.

Anônimo disse...

EU NÃO ENTENDO VOCÊS, TODOS OS COMENTÁRIOS SÃO BASICAMENTE O MESMO, CADE O RACIOCÍNIO INDIVIDUAL, OU VOCÊS SE DÃO AO PRAZER DE REPETIR OS MESMOS COMENTÁRIOS, DESSE JEITO NEM VOCÊS SERVEM PARA SER PROFESSOR DA EBD.