quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Minhas impressões sobre o Centenário das Assembleias de Deus em São Paulo

Por Gutierres Fernandes Siqueira
Eu estava lá debaixo de garoa!
Neste mês de novembro o Centenário das Assembleias de Deus teve o encerramento das comemorações na cidade de São Paulo. No dia 14 e 15 tive a oportunidade de participar do Congresso de Jovens e da concentração no estádio do Pacaembu. Neste post trago as minhas observações sobre os dois dias. Já resumo que em si o Centenário merecia uma festa melhor. Vejamos:

Organização

O pecado mais grave do evento no Pacaembu foi a organização. O som, por exemplo, simplesmente tinha "pontos cegos" por todo o estádio. E a programação? O tanto que o "apresentador" do evento conversava com outras pessoas parecia que tudo estava sendo decidido na hora. A pregação simplesmente não houve e eu esperava naquele dia ansiosamente pelas palavras do pastor norte-americano George O. Wood, que é presidente do Concílio Geral das Assembleias de Deus nos Estados Unidos. Wood falou por pouco tempo e infelizmente acabou não expondo a Palavra. Nos primeiros minutos do discurso de Wood ele dividia o mesmo microfone com o pastor que fazia a tradução simultânea. O Painel Humano nem apresentou a sua parte. A peça teatral simplesmente acabou sem um "fim" e outros detalhes mais mostraram a desordem. Se a falta de organização é uma marca da cultura assembleiana, então a festa do Centenário em São Paulo confirmou esse estereótipo.

Música

É sabido que no meio assembleiano, infelizmente, reina o triunfalismo musical. O pior é saber que a própria alta liderança incentiva tais programações onde o homem é o centro (antropocentrismo) e as necessidades humanas são o foco. Exemplo disso é que uma das cantoras convidadas foi a triunfalista-mor Lauriete. Além dela, pelo menos outras três cantoras do mesmo estilo proclamaram vitória pra cá, bênção pra lá e aquele clichê cansativo da "música pentecostal". A grata surpresa foi o cantor americano Don Moen, que dispensa apresentações, mas que acabou cantando apenas um hino no estádio.

Política

Sim, a bendita política estava lá. Sim, e tomou muito tempo precioso.Vários minutos foram perdidos com o representante da presidente Dilma Rousseff, o secretário-geral Gilberto Carvalho (PT-SP) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB- SP) e o prefeito Gilberto Kassab (PSD- SP). Cada um deles recebeu até uma placa de "lembrança" do Centenário. O filho do pastor José Wellington, o pastor e deputado federal Paulo Freire (PR- SP), foi apresentado como "o nosso representante no Congresso". Qual era a necessidade disso tudo? Certamente foi a parte mais cansativa.

Personalismo


As fotos do pastor José Wellington Bezerra da Costa e sua esposa Wanda Freire eram onipresentes. Seja em uma badeira, no palco ou em um folheto... lá estava o rosto do casal. O nome do pastor foi mais citado que de Jesus Cristo (não estou exagerando!) ou mesmo dos pioneiros Gunnar Vingren e Daniel Berg! Na noite anterior, parte do Congresso de Jovens foi dedicado para a entrega de uma placa que homenageava o líder assembleiano enviada pela Câmara Municipal de uma cidade cearense. Além disso, a programação foi quase familiar.

Reações do público

O mais interessante foi ouvir as manifestações de várias pessoas que estavam perto de mim. A grande maioria reclamava da demora com homenagens aos líderes e palavras de políticos. Isso é um bom sinal, talvez indique que no bicentenário (se o mundo ainda existir) tais pecados não se repitam.


PS: Leia o artigo do pastor Geremias do Couto que sem ufanismo levanta outras questões importantes. Aqui.

19 comentários:

João Augusto disse...

Meu caro, corroboro contigo várias coisas que citastes.
Inclusive não fui, reconheço. Pois já imaginava estas cenas que o irmão descreveu..
Chegando o pessoal da minha Igreja (os sinceros) cheguei a eles e me confirmaram que realmente "deixou a desejar"
Que isto nos sirva de lição.

Elizabeth Pacheco disse...

Com certeza, meu irmão. A marca das Assembleias de Deus sempre foi e sempre será falta de organização. Aliás, não só para um evento desse porte, como também para um simples culto. Onde a própria liturgia já berra isto. Cantoria sempre foi o forte da denominação. A exposição da Palavra já não ocupa mais o seu devido lugar.
Paz.

Matias H. disse...

Lamentável... antigamente pelo menos as datas comemorativas eram marcadas por um culto pentecostal. agora nem isto!
e esta necessidade patologica de mostrar o seu líder em fotos nos eventos, lembram as reuniões dos partidos totalitários em algumas partes do mundo... está igual a igreja da Unificação ("Rev" Moon)

Luciana disse...

Assiti pela net Não o tempo todo), mas deu pra ver sim a falta de organização.
Agora, eu particularmente não gosto de "cerimônias", nem de "festividades", nem de "congressos", por causa da falta da PALAVRA mesmo. São ocasiões em que o foco é outro.E é uma enrrolação..tem dó!!!
Além de tudo que vc disse. Será que na parte onde ficaram os organizadores e convidados, não poderia estar coberto???

Ermeson disse...

Abandonaram a simplicidade e pureza do Evangelho.
Só podemos rogar ao Senhor que gere em cada coração arrependimento.

Marcello de Oliveira disse...

Shalom!

Amado Gutierres, cabe aqui a máxima de John Trapp: "Onde a Bíblia não tem voz, não devemos ter ouvidos".

att, Pr Marcello

Joabe disse...

Eu participei do CIMAD ano passado no Rj e a realização deixou um pouco a desejar também. Até que os principais preletores (Ronaldo Lidorio e José Satirio) tiveram bastante tempo para pregar nos cultos a noite. Porem, havia muitos preletores para as plenárias de manhã e a tarde e muito pouco tempo. Os cultos a noites foram uma benção mas começaram tarde e terminaram mais tarde ainda, com isso na hora das “homenagens” muitos irmão já haviam saído.
Bem que o pessoal poderia caprichar mais em relação a isso. Espero que não seja um problema crônico.

Edinei Siqueira disse...

Tempo para a Palavra? O que é isso mesmo? Já há muito as ADs não valorizam a exposição das Santas Escrituras. Basta ver como os crentes assembleianos ficam inquietos quando o pregador passa dos vinte minutos expondo a Bíblia. Assembleiano não suporta ficar meia hora ouvindo um sermão, pois logo dá vontade de ir ao banheiro, lanchar na cantina (qual a necessidade de cantina mesmo hein?), ficam batendo papo no pátio, outros vão embora no meio da mensagem, até "pastores" e "obreiros" saem duas ou mais vezes durante a pregação, outros atendem celular e por aí vai. Depois querem que Deus opere, e quando não acontece nada (do que eles queriam) jogam a culpa no pregador. Confesso que os católicos estão dando um show nos crentes no quesito reverência. alguém discorda?

"Pentecostal que gosta da palavra está com defeito de fabricação."

Pb. Edinei, Th.B

Pastor Geremias Couto disse...

Caro Pb. Edinei:

Entendi a paródia, mas deixe-me escrevê-la de outro modo:

"Pentecostal que gosta da Palavra é de fabricação original".

João Augusto disse...

Apoiado Pastor Geremias...

Edinei Siqueira disse...

Caro Rev. Geremias,

Bem pensado! Pena que a fabrica está produzindo muito pouco e a pirataria tomou conta do mercado. kkkkkkkkkk

Pb. Edinei, Th.B

Diácono Valtair disse...

Infelizmente a "politicagem" na A.D no Brasil , fica o bom exemplo do pr. Samuel Camara que participou das 2 festa,tinha tudo para fechar o centenário com chave de ouro porém... o querido irmão já falou tudo!
Abraço

Eber Pedro disse...

Eu estava lá e como não consegui ouvir a Palavra, eu refleti. E o interessante é como tudo isso já era biblicamente esperado. Vocês não acham? E as vezes ou quase sempre nem se damos conta de que tudo isso está passando diante de nossos olhos e teremos que aguentar! Sim, A Cada dia que se aproxima da volta de Cristo a confusão fica mais evidente, a cada dia que passa a confusão e divisão ficam mais intensas dentro da ótica religiosa sobre a Igreja, de maneira que muitos se apostatarão da fé e ou ficaram impedidos por contas de suas próprias ilusões e vontades e desejos num caminho para uma cegueira de vários ângulos. E quem não quiser ficar Cego deverá olhar pra Jesus com toda espareça e fé, não para a AD e nem no Pr. José W e nem para o Centenário mais para Cristo Jesus suportando tudo na Graça dEle, mesmo em meio a espinhos venenosos que causam confusão e desunião, Quer Sejam causados por outros ou Quer seja causado por nós mesmos.

Eber Pedro disse...

Eu estava lá e como não consegui ouvir a Palavra, eu refleti. E o interessante é como tudo isso já era biblicamente esperado. Vocês não acham? E as vezes ou quase sempre nem se damos conta de que tudo isso está passando diante de nossos olhos e teremos que aguentar! Sim, A Cada dia que se aproxima da volta de Cristo a confusão fica mais evidente, a cada dia que passa a confusão e divisão ficam mais intensas dentro da ótica religiosa sobre a Igreja, de maneira que muitos se apostatarão da fé e ou ficaram impedidos por contas de suas próprias ilusões e vontades e desejos num caminho para uma cegueira de vários ângulos. E quem não quiser ficar Cego deverá olhar pra Jesus com toda espareça e fé, não para a AD e nem no Pr. José W e nem para o Centenário mais para Cristo Jesus suportando tudo na Graça dEle, mesmo em meio a espinhos venenosos que causam confusão e desunião, Quer Sejam causados por outros ou Quer seja causado por nós mesmos.

Aprendiz disse...

Não entendo porque o povo assembleiano brasileiro se organiza em instituições tão mal pensadas e se submete a líderes personalistas.

Essa é uma denominação que poderia ser bem melhor do que é.

Mas todas as denominações maiores estão em estado calamitoso aqui em Banânia. Os crentes realmente bíblicos, quase não tem para onde fugir nesse circo de horrores que se tornou a igreja evangélica brasileira.

DEFENDENDO A FÉ QUE UMA VEZ FOI DADA AOS SANTOS!!! disse...

Tudo isso é por causa da FALTA DE DOUTRINA,que os liberais chamam de USOS E COSTUMES!!!

Saudades da Assembléia antiga!!!

Aqueles crentes eram radicais mas eram todos santos,e não aceitavam essa macaquice que está aí!!!

Matias Borba disse...

Gutierres,
a Paz!

Já conversei com você sobre as bobagens da minha igreja, AD em Recife-PE, entre as quais o exclusivismo mundano reina. Mas sou honesto em dizer que os grandes eventos da igreja, sejam eles no Templo Central, nas grandes concentrações evangelísticas e em congressos em ginásios, a organização é quase impecável.

Como critico que sou, sei reconhecer a qualidade dos eventos, ou seja, ainda há esperança para que as AD's sejam mais organizadas quanto a suas festividades. Mas como toda AD, ela ainda precisa aprender muito em como organizar alguns eventos apesar de sobresair a muitas que já vi por aí.

Você disse tudo em sua análise, ela é a afirmação de muitas pessoas na AD em todo o Brasil. Muito triste. Este centenário foi marcado por guerras, brigas e políticagem: tenho certeza de que Deus não recebeu o sacrifício da maioria dos líderes que se deixaram levar por estes caminhos.

Deus recebeu sim, o agradecimento de mebros e pastores sinceros, que amam a Assembleia de Deus e trabalham para seu desenvolvimento quanto a divulgação do evangelho.Talvez eu e você desejamos de mais, talvez somos hereges em pensarmos da forma como você analisou essa coisa toda.

Vamos orar.Abraço!

Anônimo disse...

Um texto preciso. Apenas uma ressalva, algo deve estar muito errado quando um político homossexual assume a tribuna e recebe dos líderes uma placa. Certamente, algo deve estar muito errado.


Fica na paz do Senhor!

Anônimo disse...

Não sei realmente como foi em Pacembu, porém estava na festa do centenário da Igreja mãe em Belém, no Estadio Olípico Mangueirão, era o estádio no centro do povo, uma grande multidão louvando e adorando ao Senhor. Contou com a presença do Arcebispo de Belém e outras autoridades. Som, iluminação perfeitas, foi uma das melhores se não a melhor festa pentecostal que já participei nos meus mais de 50 anos de vida. pena houve pelo o que aconteceu sengundo os comentario. centenário só daqui a 200 anos. Mas a Palavra ficou no coração daqueles que a ouviram eu creio