quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O pós-pentecostalismo!

Por Gutierres Fernandes Siqueira

Hoje, nós pentecostais, vivemos a era do pós-pentecostalismo. Como assim? O pentecostalismo, o braço carismático do protestantismo, avança a cada dia para a irrelevância prática. Não falo da teoria, pois o pentecostalismo já possui os seus eruditos (poucos, mas já há alguns), mas falo da experiência pentecostal em si. Falo de experiência real, não de gritarias histéricas ou línguas monossilábicas que são frutos da repetição mecânica. Falo da experiência carismática bíblica. Onde está?

Vivemos dois extremos no pentecostalismo. Ambos provocam e aprofundam o "pós-pentecostalismo". Vejamos:

01) O primeiro grupo é o composto pelos histéricos. Os inventores do blasfemo e irreverente "reteté" banalizam o pentecostalismo com suas invencionices e espetáculos particulares sem o mínimo "senso do ridículo". É um circo de horrores! O culto pode ser confundido com a rebelião de alucinados que jamais vão glorificar a Deus com posturas que chamam a atenção para si. Os movimentos são repetitivos e trazem a falsa ideia de uma suposta “dinâmica” do Espírito. Não é preciso dizer que reina o estrelismo, a megalomania, a vaidade, a politicagem e a infantilidade. Estando Paulo vivo ele chamaria tal grupo, no mínimo, de insensatos.
O pós-pentecostalismo é na essência uma "crise de púlpito"

02) O segundo grupo é o "pentecostalismo de tradição". Não falo contra a tradição, mas sim contra a tradição como mera lembrança de um passado bonito e romântico. A tradição que esquece de viver o hoje, o presente. O pentecostalismo de tradição não vive o que prega. É um grupo que só revive a história do movimento. É um pentecostalismo com muita história (dos outros) e pouco experiência para contar. Dons espirituais? Uns objetos raríssimos! Oração por cura? Não, obrigado! Uma oração silenciosa em línguas com Deus? Quando foi a última vez?! É tudo teoria e pouca prática. O pentecostalismo de tradição não é histérico, ou seja, não peca pelo excesso, mas sim pela falta.

Sim, vivemos o pós-pentecostalismo quando constatamos que estamos entre dois extremos que sufocam o pentecostalismo real, ou seja, aquele que deve se inspirar nas práticas da primitiva igreja. O que sobra hoje é teoria ou histeria.

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PS: Leia um artigo de Joseph L. Castleberry, deão acadêmico do Seminário Teológico das Assembléias de Deus em Springfield, Missouri (EUA), sobre o mesmo tema. Link aqui.

5 comentários:

Juliana disse...

Pra estudar teologia e passar a pensar assim é melhor ficar só com a bíblia e com a ajuda do Espírito Santo. Vc critica e julga o " reteté" porque é frio o suficiente para não sentir a pesença e o poder de Deus e do Espírito Santo. Não julgue amado, Deus irá te cobrar. Quem é vc pra falar o que Paulo iria ou não pensar. Que Deus tenha misericórdia de ti. Só quem já veio dos terreiros, das feitiçarias sabe que existe a libertação através do nome de jesus e da manifestação do Espírito pra cortar os laços de satanás.

Luciano disse...

Não sou seu advogado de defesa, Gutierres, e acho que você não vai me dar procuração para tanto, mas tenho que dizer que a Juliana não entendeu absolutamente nada do que você escreveu, o que é de se estranhar já que pela forma de escrever ela aparenta ser uma pessoa de relativamente boa instrução, capaz de ler um texto e apreender seu significado.
Além disso, ela nunca deve ter lido qualquer outro post do seu blog, nem mesmo o que está imediatamente acima deste, para fazer julgá-lo - como ela te orienta a não fazer - da forma que fez.
Sim, minha cara Juliana, o reteté não dá mesmo. Se o calor do Espírito Santo tem que ser sentido com aquela repetição insana de "siri na lata" há alguma coisa muita errada com essa experiência pentecostal.
Ao que me lembre, a primeira vez que o Espírito veio sobre cristãos ostensivamente, lá naquela casa em Jerusalém, o resultado foi a proclamação da verdade de forma tão poderosa que dos ouvintes alguns milhares se converteram.
Hoje, com o reteté, ou o "siri na lata", como prefiro, os ouvintes em geral fogem do Senhor.
A libertação através do nome de Jesus e da manifestação do Espírito - que, tenho certeza, o Gutierres assume e defende com todo o vigor - não tem nada a ver com as sandices que se fazem por aí debaixo de um letreiro escrito pentecostal, envergonhando os verdadeiros pentecostais.
Quando você, Gutierres, com o seu texto, aludiu ao verdadeiro pentecostalismo, longe dos extremos que você apontou, que saudades me deu da vó Laudelina, mãe do meu sogro que o Senhor recolheu há poucos anos, com noventa e tantos anos de idade, assembleiana desde menina, e das experiências que ela vivia, não no passado, mas no dia anterior ao que conversava conosco, do canto celeste - que nos acordava de madrugada às vezes (rsrsrs), mas que entendíamos ser a legítima operação do Espírito Santo.
Também me lembrei do falar em línguas na Igreja Cristã Maranata - onde congregamos por alguns anos - com interpretação e edificação da congregação.
Orar em línguas sozinho com o Senhor... que maravilha! Mas isso não serve para quem quer mostrar que é mais santificado que os demais.
É, Juliana, você não conhece o Gutierres, não entendeu nada do que ele escreveu, e, correndo o risco de ser leviano como você foi no seu julgamento, não conheceu o pentecostalismo a que se aludiu no texto.
Gutierres, muito boa contribuição esse seu post.
Um abração!

Aprendiz disse...

Excelente artigo.

Eu bem que gostaria de encontrar uma congregaçãoonde realmente se praticassem os dons conforme são ensinados na Bíblia.

Mas por enquanto, parece um sonho inalcançável.

Anônimo disse...

Entre o "reteté" e a frieza mumificada há um centro,e é o que Paulo recomenda quando díz que tudo seja feito para edificação.Ora, ele é claro ao dizer: "Portanto,qual a atitude correta,então? Ora, quando vos reunís,cada um de vós tem um salmo,ou uma mensagem de ensino,uma revelação,outro lingua,e ainda outro interpretação.Seja tudo feito para edificação".(1 Co 14.26)
Pelo contexto,Paulo fala sobre a reunião da igreja,é o mesmo que dizer:que deveis fazer quando vos reunís como igreja?
Muito lindo e romântico,arrumadinho, e ao gosto dos do segundo grupo e dos não crentes.Entretanto,este centro entre o primeiro e o segundo grupo é difícil(do ponto de vista humano)por conta dos diversos níveis espirituais na igreja enquanto comunidade.Mas é o que deve ser buscado,e evitar o já conhecido mantra de "a falsa
idéia de uma suposta dinâmica do Espírito",tais como,levante as mãos,abrace seu irmão,dê três glórias,glorifique,abra a boca,levante a mão direita,agora a esquerda,profetize para o irmão ao seu lado,diga eu te amo meu irmão...
É uma aeróbica muito boa a um passo do "reteté".
Mas alto lá,irmãos!Pentecostal tradicional tal como pinguim de geladeira,sem nenhuma experiência própria,não!
É por isso que muitas igrejas "importam" muitos pregadores com testemunhos miraculosos para contar e os irmãos vibram ao ouvi-los,pois vivem de experiências alheias.
Que o nosso Norte seja a Escritura,que ela nos "vergaste",contanto que seja liberada em nós para a plenitude do Espírito.Pós-pentecostalismo,jamais!
Vosso em Cristo N'Ele que foi crucificado no "centro",entre dois malfeitores:Cristo Jesus o Senhor!

JOSÉ NASCIMENTO RODRIGUES.

Gutierres Siqueira disse...

A Juliana fala (e me ameaça em nome de Deus) que não devo julgar. Mas o que ela faz?