terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Como é ser um cristão em ambientes totalitários?

Por Gutierres Fernandes Siqueira

A pergunta acima é de difícil resposta! Como reagiríamos com a nossa fé em Jesus Cristo diante da ameaça vinda de um regime autoritário (como a China de hoje) ou totalitário (como a Alemanha de Hitler)? Só mesmo vivendo a dramática experiência da perseguição política/religiosa para percebermos o quão longe estamos dispostos a proclamar o nome de Jesus Cristo.

Mas dois livros nos ajudam a entender melhor esse mundo maluco da intolerância religiosa e a resistência movida pela fé em Jesus Cristo, o maior de todos os libertadores de qualquer opressão.

O primeiro é Bonhoeffer- pastor, mártir, profeta, espião (Editora Mundo Cristão) escrito por Eric Metaxas. O conhecido pastor e teólogo luterano Dietrich Bonhoeffer lutou (literalmente) contra o regime nazista e recusou fortemente a tendência das igrejas liberais da Alemanha no seu entusiamo pelas políticas do chanceler totalitário. Como teólogo, o alemão Bonhoeffer é responsável pelo conceito genial de “graça barata”, ou seja: "A graça barata é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina comunitária, é a Ceia do Senhor sem confissão de pecados, é a absolvição sem confissão pessoal. A graça barata é a graça sem discipulado, a graça sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado" [1].

Precisamos ouvir esse alerta de Bonhoeffer que fala cada vez mais alto!

Assim a editora apresenta a obra:

As tropas nazistas avançavam pela Europa, ameaçando estender seus domínios sobre todas as nações. Numa época em que se calar era a melhor forma de se expressar e se omitir era a mais acertada ação, um pastor, com reconhecido talento e prodigiosa capacidade intelectual, viveu seu chamado como forma de servir a seu país. [...] Em 1939, vivendo nos EUA, a salvo do regime nazista, sua paixão por seu povo o levou de volta à Alemanha. Sua capacidade política e carisma o tornaram uma ameaça a Hitler e lhe custaram o exílio em Berlim. Proibido de falar, escrever e publicar, Dietrich Bonhoeffer decide vestir a máscara de pastor patriota submisso ao Reich e passa a ser um agente duplo. Trabalhando na Abwehr, agência de inteligência do regime nazista e sabotando ordens e ações de guerra nazistas, ele salva milhares de vidas e impede os planos de Hitler, enquanto, junto a seus companheiros, trama a queda do Führer. Descoberto pela Gestapo, Bonhoeffer é preso e, num 9 de abril de 1945 - semanas antes da queda do Terceiro Reich - termina sua luta para salvar conterrâneos e judeus da cólera ariana, sendo enforcado por ordem direta de Adolf Hitler. [...] Bonhoeffer - pastor, mártir, profeta, espião, biografia escrita por Eric Metaxas, traça o perfil profundo e cuidadosamente detalhado de um dos teólogos alemães mais importantes desde Lutero e uma das figuras principais da resistência contra o regime nazista. [...] Inspirativo, desafiador e emocionante, Bonhoeffer é o relato instigante do que um homem pode fazer movido por amor ao próximo e contra a injustiça de um regime totalitário. Um livro para ser lido e discutido por todos que acreditam na liberdade e no dever de lutar para que essa liberdade alcance a todos. 

O autoritarismo vermelho

O segundo livro é do ativista chinês Liao Yiwu, atualmente asilado na Alemanha, que escreveu o título Deus é Vermelho (Editora Mundo Cristão). Yiwu não é cristão, mas escreveu esse livro ppor achar impressionante a história de fé e garra dos cristãos que se reúnem em casas subterrâneas ou cavernas para adorar o nome do Senhor. O autor também descreve a propaganda sutil do governo contra a obra missionária e mostra o entusiamo dos simples camponeses, que mesmo tão longes dessa China emergente (emerging market), adoram ao Senhor na simplicidade da vida camponesa. A editora assim descreve a obra: 


Na China comunista, sob o regime de Mao Tsé-tung, todas as práticas religiosas foram banidas. O comunismo tornou-se a religião nacional e Mao foi entronizado, deificado e adorado. Apenas a igreja oficial era permitida, mas em seus cultos, apenas palavras de honra e louvor ao regime e ao líder Mao. Mas debaixo de tanta opressão, a semente do cristianismo brotou e floresceu. [...]Deus é Vermelho percorre pequenos vilarejos e grandes cidades, trazendo narrativas emocionantes e assombrosas sobre dezenas de milhões de cristãos chineses que vivem a fé debaixo do duro regime socialista. [...] Indo de casa em casa, reunindo-se porões e sótãos, vivendo à margem da religião oficial do Estado, assim caminham os cristãos chineses. Correndo perigo de prisão, castigos e até morte, assim vivem os que desafiam o regime para manter e cultivar a fé em Jesus Cristo. [...] Conversas sussurradas, códigos cifrados, bíblias e material evangelístico contrabandeados, assim o evangelho é pregado cotidianamente. Deus é vermelho é o relato tocante e desafiador de uma Igreja viva que cresce e floresce no regime mais fechado do planeta. [...] Liao Yiwu traz nesta obra uma perspectiva nova sobre a força e a importância do Evangelho para pessoas simples e abnegadas, mas que morrerão sem negar o Autor de sua fé. [...] Escritor chinês censurado na China e exilado na Alemanha, onde vive desde que conseguiu fugir do regime, Liao Yiwu escreveu este livro para nos revelar uma China diferente, com uma Igreja cristã pujante e vigorosa. O autor do poema Massacre, que lhe custou anos de cadeia, nos conta a história secreta de como o cristianismo sobreviveu e floresceu na China comunista.

Ficam aí duas dicas para entendermos melhor esse mundo do autoritarismo e, assim, agradecermos a Deus por nossa liberdade [2]. Além disso, também é um alerta para lutarmos sempre pela democracia, liberdade religiosa e a liberdade de expressão. O vírus do autoritarismo está sempre querendo contaminar o mundo democrático.

Notas:

[1] BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. 10 ed. São Leopoldo: Sinodal, 2008. p 10

[2] Recomendo o texto do meu amigo Cristiano Silva que fala sobre essa alegria da liberdade religiosa. Leia neste link reparado. Leia também o Manifesto de Brasília sobre Liberdade de Expressão neste link

3 comentários:

Cristiano Silva disse...

Ai ai... estes meus irmãos em Cristo, sempre me levando a comprar livros interessantes! :-)

[]'s

Cícero Leandro Júnior disse...

Gutierres, a paz do Senhor.

Fácil é se dizer cristão num país como o nosso. Mas em situações como essas descritas nestas obras é que vemos quem realmente é cristão.

Mais dois pra minha estante.

Aprendiz disse...

Gutierres

Estranhei você chamar o regime Chinês de simplesmente "autoritário". É um regime totalitário, como todos os regimes comandados por partidos comunistas. O nome "totalitário" surgiu justamente para regimes baseados em doutrinas que se consideram capacitadas a refazer a sociedade e o próprio interior do ser humano, com toda violência que for necessária. O partido comunsta chinês, como todo partido comunista, tem uma doutrina totalitária. Eventuais "aberturas" são apenas recuos estratégicos.