sábado, 10 de dezembro de 2011

Lição 11 - O dia de adoração e serviço ao Senhor

Por Ezequias Soares

O sabatismo e o adventismo
Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD
História

Tudo começou com Willian Miller. Nascido em 1782, Pittsfield, estado de Massachussets, EUA. Era de família batista. Em 1818, dizia que nos próximos 20 anos Cristo voltaria à Terra. Em 1831 Miller anunciou que esse evento ocorreria em 23 de março de 1843. Tentou justificar a sua “profecia” em Daniel 8.13,14, quando dizia que 2.300 tardes e manhãs correspondiam a 2.300 anos, e marcou como ponto de partida o retorno de Esdras a Jerusalém em 457 a.C.

Ele conseguiu muitos adeptos. Esses seguidores de Miller venderam propriedades e foram para as colinas esperar o retorno de Cristo. Em Boston, muitos se vestiram de branco, subiram os montes, e permaneceram em constante oração. Enquanto isso muitos, em outras partes dos EUA, entregaram-se publicamente à imoralidade e à prostituição. Nada de suas previsões, porém, se cumpriu. Miller disse que se enganou, e que errou nos cálculos, marcando nova data – 22 de outubro de 1844, que também fracassou.

Miller se arrependeu e procurou a igreja. Pediu perdão e foi servir a Deus, vindo a falecer em 1849. Com isso surgiram vários grupos. Hiram Edson, Joseph Bates e James White com sua esposa Ellen Gould White eram os principais proeminentes dos movimentos adventistas. Hiram Edson, de Port Gibson, disse que teve uma visão no dia seguinte ao fracasso de Miller, dizendo que viu Jesus em pé ao lado do altar. Assim reinterpretou a “profecia” de Miller dizendo que ele errou simplesmente quanto ao local, mas que havia acertado a data. Joseph Bates, de New Hampshire, Washington, instituiu a observância do sábado. O casal White, em Portland, Maine, destacou-se em suas “revelações e visões”.

Os três grupos juntos, em 1860, deram origem ao que hoje se chama Igreja Adventista do Sétimo Dia. A observância da lei, a guarda do sábado, o juízo investigativo, o bode emissário, o espírito de profecia e o sono da alma são os pontos principais que distinguem os Adventistas do Sétimo Dia dos evangélicos.

A questão do Sábado

Afirmam que a guarda do sábado está na lei e que por isso deve ser observado de geração em geração porque é um dos preceitos da lei de Deus, que segundo eles é a mesma lei moral. Assim classificam a lei de Lei Moral e Lei Cerimonial. Os Dez Mandamentos são a Lei Moral, chamada por eles da Lei de Moisés. Esse arranjo adventista não pode ser confirmado na Bíblia. Vamos aos fatos.

A Bíblia afirma que existe só uma lei. Os judeus interpretaram assim: um só Deus, um só legislador, portanto, uma só lei. O que existe, na verdade, são preceitos morais, preceitos cerimoniais e preceitos civis. É chamada de Lei de Deus, porque teve sua origem nEle. Lei de Moisés porque foi Moisés o legislador que Deus escolheu para promulgá-la no Sinai. Os preceitos, tanto do Decálogo como os fora dele, são chamados alternadamente de Lei de Deus ou do Senhor e Lei de Moisés: “E, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor (segundo o que está escrito na lei do Senhor...)” (Lc 2.22,23). Não são duas ou três leis, mas uma só lei apresentada por esses nomes. Veja ainda Neemias 1,2,8,18.

Há princípios que são imutáveis e universais. Não existe para ele a questão de transculturação. Onde quer que o evangelho for pregado, esses princípios estão presentes, que chamamos de preceitos morais ou éticos. Os dois maiores mandamentos são preceitos morais: amar a Deus acima de todas as coisas e “o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.29-31); entretanto, não constam do Decálogo, é uma combinação de Deuteronômio 6.4,5 com Levítico 19.18. Por outro lado, encontramos no Decálogo o quarto mandamento, que não é preceito moral. Jesus disse que o sacerdote podia violar o sábado e ficar sem culpa: “Ou não tendes lido na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa?” (Mt 12.5).

A questão não é o sábado em si, mas o fato de que não estamos debaixo do Antigo Concerto: “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas” (Hb 8.6). Leia os versículos seguintes até o 13. A Palavra profética previa a chegada do Novo Concerto: “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá...” (Jr 31.31-33). Esse “novo concerto” é mencionado pelo escritor aos Hebreus, 8.8-12.

O judeu convertido à fé cristã que quiser guardar o sábado por convicção religiosa pessoal não está desviado por isso, pois o apóstolo Paulo diz que uns fazem separação de dia, outros acham que podem comer de tudo. Veja Romanos 14.1-6. Convém lembrar que o apóstolo está falando aos judeus cristãos de Roma, por causa da sua cultura religiosa, e não aos gentios.

Ainda hoje muitos deles usam kipar e talit (solidéo e manto), observam o kash’rut (leis dietéticas prescritas por Moisés) e guardam o sábado. Isso o fazem meramente para não perderem sua identidade nacional, é uma questão cultural e não condição para salvação. Isso é diferente dos gentios convertidos a Cristo, pois o apóstolo deixou claro que tais práticas são um retrocesso espiritual: “Guardais dias, e meses e tempos, e anos. Receito de vós que haja trabalhado em vão para convosco” (Gl 4.10,11).

As festas judaicas eram anuais, mensais, ou lua nova (pois a lua nova aparece de 28 a 30 dias e com ela se principia o novo mês) e semanais. Você pode ver isso em 1 Crônicas 23.31; 2 Crônicas 2.4; 8.13; 31.3; Ezequiel 45.17. O apóstolo Paulo diz: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo” (Cl 2.16,17). O sábado cerimonial ou anual já está incluído na expressão “dias de festa”, que são as festas anuais, “lua nova”, mensais e “dos sábados”, festa semanal. O texto fala de um objeto projetando sombra, ou seja, a realidade espiritual na fé cristã é Cristo e não o sábado. Essas figuras das coisas futuras se cumpriram em Jesus. Por isso que Jesus afirmou ser Senhor do sábado (Mc 2.28). Esse texto de Colossenses é a melhor resposta bíblica para os sabatistas.

Dizem que o imperador romano, Constantino, mudou o sábado pelo domingo e por isso estamos comprometidos com um dia pagão. Essa versão deles não condiz com a verdade histórica. A palavra “domingo”, por si só, significa “Dia do Senhor”, pois, foi nesse dia que o Senhor Jesus ressuscitou. O primeiro culto cristão aconteceu num domingo: “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco!” (Jo 20.19). O segundo culto também, pois a Bíblia diz que isso aconteceu “oito dias depois” (Jo 20.26).

Os cristãos se reuniam no primeiro dia da semana: “No primeiro dia da semana, ajuntando dos discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte...” (At 20.7). O mesmo pode ser visto em Corinto, quando o apóstolo manda levantar coletas para os irmãos pobres de Jerusalém. O texto sagrado diz que essa reunião de adoração se fazia nos domingos: “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar...” (1 Co 16.2). Assim, essa prática foi se tornando comum, sem decreto e sem imposição. Foi algo espontâneo. Constantino apenas confirmou uma prática já antiga dos cristãos.

Os adventistas costumam perguntar com muita frequência: “Onde está escrito na Bíblia que devemos guardar o domingo?” Eles acham que com isso vão calar a boca de todo mundo. O Decálogo fala sábado e isso acontece também em muitos lugares do Velho Testamento, mas o domingo não. Mas na Nova Aliança não há mandamento algum de guardar dias. Dizem que o “domingo” e um dia pagão, porque em inglês Sunday significa “dia do Sol”. Nesse caso, todos os demais dias também seriam pagãos, porque os dias da semana, em inglês, são de origem célticos e homenageiam antigas divindades, inclusive o sábado, que é Saturday, “dia de Saturno”.


Um comentário:

Aprendiz disse...

Gutierres.

A respeito do primeiro dia da semana, tenho a seguinte opinião:

Muitas vezes a Bíblia chama de tarde ao período após as 6:00 horas da tarde. Mas na linguagem bíblica, às seis da tarde já é o dia seguinte. Se você perguntar a um judeu que dia é, às 18:00h de sábado, ele dirá que é domingo (ou o primeiro dia da semana). Logo concluo que uma reunião de judeus à tardinha, no primeiro dia da semana, nós goins diriamos que é uma reunião no sábado.

Sobre todas as ocasiões em que eles se reuniam no primeiro dia da semana (lembremos que todos os cristãos, inicialmente eram judeus, e por algum tempo eles foram o grupo étnico mais comum entre os cristãos), podemos nos fazer a seguinte pergunta: a que horas eles se reuniam? Poucas vezes seria no decorrer do dia, pois eles trabalhavam. Aqueles que eram judeus não trabalhavam no sábado (e muitos que eram gentios, mas haviam sido freqüentadores das sinagogas já tinham acertado sua agenda para ter algum tempo livre no sábado). Domingo de manhã seria possível, mas teria de ser bastante cedo. Sábado à tardinha (que os autores da Bíblia chamariam de primeiro dia da semana) parece que seria mais conveniente. Além disso, há descrições de reuniões "à tarde" ou à noite. Mas não há descrições de reuniões de manhã (a não ser no dia de pentecostes, que era dia de festa). Também é citado que os judeus cristãos se reunião no Templo diariamente, o que provavelmente se dava na hora do sacrifício da tarde, quando muitos deles já tinham o hábito de deixar por um tempo seus afazeres e comparecer rápidamente ao Templo.

Quando Paulo esteve em Jerusalém décadas depois da ressurreição de Yeshua, o testemunho dos apóstolos foi que os cristãos judeus eram fieis guardadores da Lei. Suponho que sendo pastores daquele rebanho à décadas, eles sabiam o que estavam falando. Sobre Tiago, os judeus não cristãos diziam ser “o justo”. Jamais um judeu que não fosse um zeloso guardador da Lei seria chamado assim pelos seguidores do judaísmo. Mas ninguém seria considerado um guardador da Lei (tanto Tiago como todos os judeus cristãos da Judéia) se não fosse guardador do sábado. Considere também que não é crível que eles deixassem de trabalhar dois dias na semana (nem há registro histórico disso). Então pense: quando seria mais conveniente para eles se reunirem, no sábado à tarde após às 6:00h (primeiro dia da semana, na contagem deles), podendo depois ir descansar, ou no dia “seguinte” de manhã, tendo que ir trabalhar depois?

Mais uma evidência: a ceia de Yeshua com seus discípulos foi à noite. Quando seria mais provavelmente comemorada? E quando as pessoas teriam tempo de comemora-la?