sábado, 31 de dezembro de 2011

Os cristãos, os leões e a "The Economist"!


Por Gutierres Fernandes Siqueira

Sempre fiquei incomodado com o fato da imprensa internacional se calar diante da dura perseguição que os cristãos sofrem mundo a fora. Não que eu acredite numa “teoria da conspiração” que insinue ser a grande imprensa interessada em esconder propositalmente tais fatos, mas o esquecimento é fruto de uma convicção: a perseguição aos cristãos no Oriente parece ser irrelevante para as pautas.

Mas o esquecimento não é exclusividade da imprensa mundial. A agenda de direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), por exemplo, parece esquecer que a liberdade religiosa é uma coluna essencial de qualquer democracia decente. Quando se fala em democracia não estamos falando apenas no direito de votar, mas também na liberdade de pensamento e crença religiosa. Estamos falando no direito básico de alguém trocar uma mesquita por uma igreja sem sofrer retaliações.

Para a minha surpresa a imprensa divulgou com muito destaque os atentados que mataram dezenas de cristãos nigerianos no último Natal. Mas não é de hoje que a seita islâmica Boko Haram (“a educação ocidental ou não-islâmica é um pecado”, em tradução livre do árabe) vem perseguindo e matando cristãos no sul da Nigéria. Ser cristão no norte da Nigéria, dominada pelo islamismo, é quase impossível.

A perseguição aos cristãos é uma realidade cruel e constante. 
Felizmente um órgão da imprensa mundial lembrou que os cristãos são perseguidos pelo mundo e que a liberdade religiosa deve ser uma preocupação de todos, independente da crença ou não crença. A revista inglesa The Economist, o principal periódico econômico do mundo, trouxe nesta semana uma boa matéria sobre o assunto. O texto intitulado Christians and lions (Cristãos e leões, em tradução livre) analisa o óbvio: a liberdade religiosa é uma base de sustento da democracia: “E qualquer que seja a própria crença, os eleitores ocidentais têm outras razões para se preocuparem com o destino dos cristãos. Os regimes ou as sociedades que perseguem os cristãos tendem, também, a oprimir outras minorias. Os muçulmanos sunitas, que demonizam os xiitas, odeiam os cristãos”, afirmou a matéria.

No final, a revista concluiu com uma recomendação que pouco fazem no mundo secular, especialmente aqueles influenciados pelo “relativismo cultural”, que respeitam até mesmo o fundamentalismo como expressão legítima de fé: “Os líderes muçulmanos precisam aceitar que a mudança de credo é um direito legal. Quanto a este ponto o Ocidente não deve recuar. Caso contrário, os crentes, cristãos ou não, continuam em perigo”, conclui o periódico.

O mundo islâmico precisa aceitar que a mudança de credo é um direito de qualquer um. Isso não é aceito facilmente entre aqueles que veem na “apostasia” um mal a ser eliminado na força. Mesmo em países islâmicos supostamente democráticos, como a Turquia e a Indonésia, os muçulmanos que se convertem ao cristianismo são perseguidos até por suas famílias. Felizmente a The Economist falou aquilo que os cristãos já sabem há muito tempo: a liberdade para mudar de credo deve nascer no mundo islâmico como já é praticado no mundo cristão há anos.

Leia a matéria da The Economist (em inglês) aqui. O título do texto da revista lembra o símbolo da perseguição dos cristãos que remonta o Império Romano, ou seja, os cristãos sendo jogados aos leões no Coliseu Romano como parte de um espetáculo macabro. 

Um comentário:

Felipe Huvos Ribas disse...

Ótimo texto! Pensando no "espetáculo macabro" ocorrido em Roma, lembro que a humanidade já praticou coisas terríveis. O mais incrível é imaginar que ver pessoas sendo devoradas (e sem fazer nada a respeito) era uma espécie de lazer!