domingo, 30 de janeiro de 2011

Os burocratas do púlpito

Sou lido por pessoas que não estão familiarizadas com as Assembleias de Deus. Talvez este texto seja mais um daqueles que somente os assembleianos tenham vivência. A burocracia do púlpito é uma marca presente na cultura assembleiana. E como ela é uma “matriz pentecostal” que inspira outras menores é provável que isso se repita em outras igrejas. Ora, se sua igreja não tem burocratas do púlpito agradeça a Deus. Pois bem, quais são as atitudes burocratas do púlpito?

Todos se ponham em pé para receber o pregador”

Nada mais militar e burocrático do que isso. Receber os pregadores visitantes em pé é ridículo. É ceder honra excessiva. Igreja não é quartel. Honra não é reverência militar. Educação não é bajulação. Como lembra o amigo Geremias do Couto: “Quem hierarquiza a Igreja está muito distante dos valores do Reino de Deus”.

Eu quero agradecer ao estimável pastor desta igreja pelo convite honroso para pregar nesta maravilhosa e digníssima congregação”

Quanta vezes você já ouviu um pregador visitante bajulando o pastor e a igreja que o convidaram? Outra atitude patética e, desculpe pelo chavão, seria cômica se não fosse trágica. E se o pastor é presidente de um grande campo o sujeito que está pregando gasta uns 20 minutos só agradecendo a “grande honra” de pregar naquele lugar. Não é errado agradecer, é uma atitude de educação. Agora, não é necessário agradecer bajulando.

Eu aprendi muito com esse grande homem de Deus, varão valoroso, homem de um exemplo digno e fiel servo do Altíssimo”

Pois bem. Já ouvi gente no púlpito elogiando pastores veteranos com esse palavreado todo. Eu digo para vocês: Se fosse comigo ficaria muito constrangido, pois como homem que sou sei que ando muito longe de todas essas qualificações. Creio que Paulo não gostava desses elogios todos, pois ele mesmo disse: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus” (I Co 15.8) e “Esta afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior” (I Tm 1.15 NVI). Observe que o “eu sou” está no presente e não no passado de Paulo. E é bom lembrar os conselhos do rei Salomão: “O crisol é para a prata e o forno é para o ouro, mas o que prova o homem são os elogios que recebe”. (Pv 27.21 NVI) e “Assim como mel demais não faz bem, também não é bom andar procurando elogios” (Pv 25.27 NTLH).

E é bom encerrar com esse conselho paulino: “Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios; mas sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos” (Fp 2.3 NTLH).

Resumindo: Os burocratas são comprometidos com a bajulação humana e não com a glória de Deus. E bajular é lisonjear para obter vantagens, portanto, uma prática antibíblica.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Lição 05 - Sinais e Maravilhas na Igreja

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD

INTRODUÇÃO

I. Sinais e Maravilhas, a ação sobrenatural da Igreja
II. O milagre na Porta Formosa
III. O milagre abre a porta da Palavra


MILAGRE: UM SINAL ATUAL

Professor, o sobrenatural é um dos pilares da doutrina cristã. A vida ministerial de Jesus Cristo foi permeada pelos eventos sobrenaturais: o seu nascimento virginal; seu ministério com variedades de milagres; sua ressurreição física dentre os mortos; e sua ascensão corpórea ao céu. Estes são alguns dos numerosos eventos sobrenaturais do verdadeiro cristianismo bíblico.

O Cristianismo histórico, sem o elemento sobrenatural, não passaria de uma religião vã. Sobre esta questão o apóstolo Paulo assevera: E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. [...] E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos (1 Co 15.14,17,18).

A nossa denominação é considerada hoje a maior Igreja Evangélica do Brasil porque os seus pineiros creram no sobrenatural de Deus e, com autoridade, pregaram ousadamente a atualidade dos milagres divinos.

Por isso, prezado professor, desenvolva o conceito bíblico de MILAGRE na introdução da lição.

O que é Milagre

No Antigo e em o Novo Testamento, há três termos que descrevem um “milagre”. São eles: Sinal, Maravilha e Poder. Nessa oportunidade nos deteremos ao termo Sinal.

No Antigo Testamento, esse termo apresenta algo ordenado por Deus com uma significação especial, como por exemplo: a libertação de Israel através de Moisés (Ex 3.12). Deus prometeu que libertaria o povo israelita das mãos dos egípcios através de seu servo Moisés. Este O serviria no Monte Horebe.

Em o Novo Testamento o termo “sinal” se refere aos milagres de Jesus, tais como uma cura (Jo 6.2), a transformação da água em vinho (Jo 2.11) e especialmente o milagre mais significativo do Novo Testamento: a Ressurreição de Jesus Cristo.1

Estudando meticulosamente os termos que descrevem o evento do milagre, saberemos que cada um deles revela um aspecto do milagre. Ainda, veremos que o milagre é um evento incomum. Ele comunica a confirmação da mensagem divina, através, de uma habilidade poderosa concedida pelo Espírito Santo.

Portanto, professor, você pode definir milagre dizendo que se trata de “uma intervenção divina no curso regular do mundo, que produz um evento objetivo que não ocorreria de outra forma”, Ou seja, é a ação poderosa de Deus intervindo no mundo natural.

Para enriquecer as suas aulas você pode consultar a Teologia Sistemática Vol. 1 de Norman Geisler e a “Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal”; ambas editadas pela CPAD.

Desejamos uma aula edificante a você e aos seus alunos!

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1 GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Vol. 1. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, 42.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Dicionário da Teologia Antibíblica (1)

Um dicionário com conceitos evangélicos que são antibíblicos.

O deus

Não terás outros deuses diante de mim”. (Ex 20.3)

Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém”. (I Jo 5.21)

Abaixo alguns conceitos de deus, não o bíblico, mas um fabricado na mente do evangelicalismo popular.

  1. O deus neopentecostal

Uma espécie de Papai-Noel divino. Você se comporta bem, paga os seus dízimos e ele te recompensa com belos presentes. Não existe relacionamento, pois a relação é mercantilista. Você dá e recebe dele. Ele não é senhor, nem pai e nem irmão, mas um mero comerciante com quem você faz trocas. Ele é manipulável. Você já deu sua oferta hoje?

  1. O deus coronelista pentecostal

Uma espécie de Sarney celestial. Ele ilumina uns escolhidos que podem abusar sobre outros não ungidos. Os seus filhos arrogantes, quando contestados pelas posturas imorais, lembram sempre que possuem a unção e que não podem ser tocados. Esse deus é legitimador do poder desses filhos perversos. O poder não é para um testemunho de amor do Evangelho, mas sim um poder sobre os mais fracos hierarquicamente. Você sabe com quem está falando?

  1. O deus hipercalvinista

Ele confunde soberania com tirania. Mas parecido com o destino cego dos deuses gregos, esse ser é determinista. Ele brinca com os seres humanos como meras marionetes. Ele não é um ser que age na história simplesmente, mas sim, desenhou a história completamente como um destino. Ele criou o pecado para atingir os seus propósitos. Se alguém estupra, ele quem determinou. Você já leu seu destino nas estrelas?

  1. O deus aberto

Ele é um emo. Ele chora até pela morte da borboleta. Tudo é surpresa para ele. Ele não sabe de nada, até parece o Lula. O homem é equivalente a ele ou ele é equivalente ao homem? Ninguém sabe, nem ele mesmo. Ele não possui absolutos. Ele é niilista, pois ele não confia nem nele mesmo. Ele não conhece o futuro e nem pode exercer o controle sobre nada. É o extremo contrário do determinista. Ele é o desespero em pessoa. Nele há sombra e variação. Que o homem seja niilista é até compreensível, mas uma divindade? Sim, ele é assim. Você pode ajudá-lo?

  1. O deus progressista

Ele é um defensor das minorias. Um grande agente social. Mas não conte com ele para defender crianças no ventre que sofre o aborto. Não conte com ele na manutenção de bons princípios que norteiam a vida da sociedade. Ele é sintonizado, mesmo que justifique os assassinatos de alguns não-revolucionários pelo companheiro e grande líder tirano, mas que sempre é progressista. Ele acredita na bondade humana. Ele é politicamente correto. Ele tem um reino neste mundo. Você pode reconstruir a história com ele?

  1. O deus ultraconservador

Ele está preocupado excessivamente com a sexualidade dos seus filhos, mas nunca com outras atitudes igualmente imorais, como a violência doméstica, por exemplo. Ele quer criacionismo nas escolas, pois ensinar Gênesis como um livro científico é como evangelizar. Ele luta contra a flexibilização dos costumes, mas não liga muito para abusos de suas lideranças déspotas. Ele acha que bom comportamento é o mesmo que conversão. Você já vestiu sua túnica?

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Deus, o verdadeiro, fez o homem a sua imagem e semelhança. O homem faz os seus ídolos a sua imagem e semelhança. Todo ídolo é um homem idealizado, sendo, portanto, um ser asco e cheio de imperfeições. Idolatria é abraçar qualquer um desses deuses. Idolatria é adorar um deus que é igual à imagem do espelho.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O heliponto e a lógica ilógica da contribuição

Nas Assembleias de Deus em São Paulo está acontecendo um verdadeiro absurdo. Existe uma pequena congregação, que reúne um pouco mais de doze pessoas em um bairro periférico, fechando por falta de dinheiro do aluguel. Enquanto isso, avança a construção de um mega-templo sede das Assembleias de Deus no bairro do Belenzinho, com direito a estacionamento de shopping center e heliponto.

O absurdo não nasce do fato de existir igrejas nas periferias em salões alugados e grandes templos de sede. O absurdo nasce do fato que os dízimos e ofertas das igrejas periféricas sustentam a megalomania da igreja sede. Sim, igrejas pobres têm que mandar dinheiro para construções de luxo.

Imagine a seguinte conta da igreja no bairro pobre:

5000 reais de arrecadação com dízimos e ofertas.

Menos 1000 reais com despesas de aluguel, água e luz.

Menos 200 reais para uma pequena ajuda de custo para o dirigente local.

Menos 100 reais com compra de materiais de limpeza.

Menos 200 reais para uma pequena ajuda de custo para a irmã que faz a limpeza do salão.

Quanto sobra?

Sim, os 3500 que sobram vão para outras despesas? Não, vão para a sede. Nas Assembleias de Deus de São Paulo o caminho é inverso. Em lugar da igreja sede (rica, grande e poderosa) ajudar as periféricas (pequenas e pobres) o contrário acontece: a igreja periférica precisa gastar o menos possível para mandar toda a sobra à sede. E o que a sede faz? Mega-eventos, mega-templos e mega-vaidades, mega-egos e megalomania...

E se a igreja periférica quiser comprar novas cadeiras ou um bebedor? Precisa levantar uma oferta especial, ou seja, mais pedidos de dinheiro além do que as pessoas normalmente contribuem. E as pessoas estão ficando irritadas com essa situação. Um pai que viu o filho cair de uma cadeira quebrada na igreja disse: - Vou deixar de dar o dízimo na igreja e pegar esse dinheiro para comprar novas cadeiras. O dízimo não é para o “mantimento de minha casa”? Perguntou o pai indignado.

Não só para o mantimento do templo, como para ajudar os mais necessitados, conforme fica claro no Novo Testamento. Mas as igrejas não podem fazer caixa de assistência social com dinheiro do dízimos, pois a sobra precisa ir para a sede. Absurdo. Se quiserem mandar uma oferta para as vítimas das enchentes no Rio, por exemplo, são obrigados a fazer campanhas e mais campanhas.

Se a maior parte das contribuições não fossem para a sede certamente teria dinheiro de sobra para novas cadeiras e mais contribuição aconteceria pois as pessoas veriam resultado de suas ofertas. Enquanto isso, a igreja sede, com dinheiro das periferias, está construindo um mega-templo com heliponto. Pergunte para cada irmão do subúrbio se eles têm helicópteros.

Podemos nos orgulhar, pois não temos salas para escola dominical, mantemos poucos missionários no exterior, não temos salas de recreação para as crianças, não temos universidades e faculdades respeitáveis, não temos caixa de assistência social, não temos igrejas com estrutura mínima de acolhimentos aos visitantes não crentes, mas acima de tudo temos um heliponto na mega-sede com cara de shopping center. Legal, não é?

sábado, 22 de janeiro de 2011

Lição 04 - O Poder irresistível da comunhão da igreja

Subsídio escrito pela CPAD

Texto Bíblico: Atos 2.40-47

Introdução

I. A Comunhão dos Santos
II. A Comunhão Cristã Caracteriza-se Pela Unidade
III. Os Frutos da Comunhão Cristã


KOINONIA: A COMUNHÃO CRISTÃ NUMA DIMENSÃO TERRENA

Prezado professor, uma igreja local dividida não terá êxito em sua jornada terrena e jamais alcançará o objetivo de evangelização mundial. Você tem a oportunidade de desenvolver, nesse domingo, um assunto que foi determinante para o crescimento da Igreja Primitiva em Atos dos Apóstolos: A COMUNHÃO CRISTÃ.

A palavra Comunhão, de acordo com o texto bíblico no original, tem um sentido bem amplo. Proveniente do grego koinê, o termo remetente a essa palavra é KOINONIA. Este expressa os seguintes significados: “participação, quinhão; comunicação, auxílio, contribuição; sociedade, comunhão, intimidade, ‘cooperação’; (nos papiros, da relação conjugal)”1 . A ideia da palavra é expressar o vínculo perfeito de unidade fraternal dentro de uma comunidade específica cujas características essenciais são a cooperação e o relacionamento mútuo.

A Igreja de Cristo é a reunião de diversas pessoas (diferentes classes sociais, sexos e etnias). Estas formam numa determinada localidade ou espaço público - seja no bairro, no município, no Estado ou até mesmo no país - a “assembleia” visível [a comunidade do Altíssimo] e convocada por Deus para proclamar o Evangelho da salvação a toda criatura. Para atingir este alvo, a comunhão cristã tem um papel preponderante na divulgação das Boas Novas.
Através da koinonia, a Igreja Cristã denotará a relevância do Evangelho de Jesus Cristo a uma sociedade, cuja paz e a verdadeira dignidade humana são seu objeto de busca frequente.

A igreja local está estabelecida nessa sociedade. Aquela precisa ser relevante e autêntica no desenvolvimento de suas ações. Por isso a comunhão do Corpo de Cristo deve transparecer uma realidade visível de amor ao próximo entre os irmãos. Só assim que a sociedade sem Deus reconhecerá a graça acolhedora da igreja local e atentará para a proclamação do Evangelho de Cristo Jesus (At 2.46,47).

Proposta de Atividade Prática

Professor, por estarmos na estação do verão é comum nesse período ocorrerem pancadas de chuvas fortes ao final do dia. Por isso muitas regiões brasileiras são vítimas de enchentes e deslizamentos de terra.

Foi notícia nacional o sofrimento de moradores da região serrana do Estado do Rio de Janeiro (Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo). Entre eles estão vários de nossos irmãos que tiveram suas vidas ceifadas, e, outros que se encontram desabrigados por causa do grande fenômeno natural que lhes sobreveio às semanas passadas. Algumas cidades dos estados de São Paulo e Minas Gerais, e outras regiões, também sofreram com as enchentes e estão com seus moradores carentes de ajudas humanitárias.

Destarte, nossa proposta para essa semana é que você ore por todos familiares das vítimas desses recentes desastres naturais. Ore para que eles identifiquem os seus entes queridos ainda desaparecidos. Mas além de orar, propomos que você mobilize seus alunos com o objetivo de recolher donativos como roupas, materiais de higiene pessoal, alimentos não perecíveis e água potável. São os itens de maior urgência para a população vitimizada por esses desastres.

Procure informações sobre postos de doações em sua cidade. Universidades, Igrejas Locais, Associações, ONGs, etc., estão de plantão em diversas regiões do país recolhendo os donativos para amenizar o sofrimento do nosso próximo.

Para alcançar o objetivo desse trabalho é importante parceria, propósito unânime e comunhão no seu desenvolvimento e execução. Não poderia haver um momento mais natural para colocarmos em prática o que temos aprendido. Deus o abençoe e tenha uma boa aula!

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1TAYLOR, W. C. Dicionário do N T Grego. 10. ed.
Rio de Janeiro: Imprensa Batista Regular, 2001, p. 119.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Eles são teólogos ou militantes do PSTU?

Imagem de Jesus como um guerrilheiro marxista em Caracas, Venezuela [Foto: Agências]

Eles não falam em encarnação, ressurreição, justificação ou Trindade. Eles não debatem arminianismo e calvinismo. Eles não estão lendo os pais apostólicos ou mesmo os clássicos do protestantismo. Eles leem a Caros Amigos, revista de extrema-mega-ultra-esquerda. Eles debatem sobre a “opressão” do neoliberalismo e os males da cultura ocidental... Sim, eles são alunos de algumas faculdades de teologia.

Algumas faculdades de teologia estão formando militantes de esquerda, e não teólogos. Eu estudei jornalismo e sei que isso não é exclusividade da teologia. As ciências humanas em geral deixaram a função básica de aprofundamento da ciência para a militância adolescente. Na faculdade de jornalismo que estudei, mesmo sendo uma das melhores da cidade, pouco falamos de língua portuguesa e muito em “vila campesina” e a Revolução Russa.

Antes que os esquerdistas fiquem nervosos comigo e me demonizem com adjetivos feios como “retrógrado” e “direitista”, eu quero falar que a discussão desse post não é se a natureza do esquerdismo é boa ou não, mas sim que a qualidade da teologia cai quando uma faculdade torna os alunos de especialistas para militantes de um partido radical. É grave quando alunos em lugar de lerem os enormes compêndios de teologia estão nas ruas, em alguma manifestação com quinzes “gatos pintados”, gritando que contra burguês é necessário votar no 16!

O filósofo Luiz Felipe Pondé, no ótimo livro Contra um Mundo Melhor: Ensaios do Afeto [1 ed. São Paulo: Leya, 2010. p 178], escreve sobre a decadência da faculdade hodierna que, em lugar de ensinar, milita por uma “causa”:

Quando falamos em ciências humanas- ciências quase inúteis e de resultados dúbios-, o mérito então desaparece e, em seu lugar, resta mediocridade, corporativismo, repetições que mimetizam produtividade em termos numéricos e quantificáveis. Tudo a serviço de disputas miseráveis dos pequenos poderes institucionais.

A academia virou um lugar de aversão pela maturidade com corporativismo que demoniza aqueles que pensam diferente. A adjetivação é a morte da ciência, da busca pelo conhecimento. Quando os “progressistas” rejeitam os “conservadores” eles desprezam toda uma rica tradição filosófica que teve sua expressão maior no Iluminismo inglês, em nomes como David Hume, Edmund Burke, Russell Kirk e Michael Oakeshott. Nas faculdades de teologia que abraçam essa tendência dita progressista, a escola alemã predomina em detrimento de outros importantes teólogos do mundo anglo-saxão. Agora, se o alemão for Wolfhart Pannenberg esse também não é valorizado.

Portanto, é necessário resgatar a teologia das faculdades de teologia.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Algumas perguntas para os cristãos neste século (1)


Eu não tenho as respostas, mas somente algumas perguntas. Vamos ao debate?

1- Cristianismo na China

O cristianismo e a religião em geral terão liberdade na China? Aquele país poderá virar uma democracia pelo avanço da economia dinâmica e da prosperidade chinesa? Se a China virar uma megapotência sem liberdade religiosa como será a influência para os cristãos perseguidos no mundo todo? Se a China abrir as portas para a liberdade será o maior país em números de cristãos da história? Como são os desafios de ensinar os conceitos de graça numa cultura religiosa dada a extrema disciplina?

Essas são algumas perguntas sobre a nação que já é a segunda potência mundial, mas que não tem liberdades religiosas, políticas e (até mesmo) econômicas.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A difícil tarefa de definir Deus

Como definir Deus? É possível conceituá-lo? Como um ser finito (o homem) pode descrever um ser infinito (Deus)? Como um ser temporal pode definir aquele que é eterno? O fato é que qualquer definição de Deus é imperfeita. A linguagem humana é limitada para descrever a perfeição divina. As conceituações, mesmo com o status de dogma, devem tomar o cuidado de não ser injusto com o carácter de Deus.

Certamente falar de suas características e atributos é uma boa forma de entendê-lo. O bispo de Hipona, conhecido como Santo Agostinho (354 d. C. -430 d.C.) fez isso de maneira magistral. Leia esse trecho do livro clássico Confissões:

Ó Deus tão alto, tão excelente, tão poderoso, tão onipotente, tão misericordioso e tão justo, tão oculto e tão presente, tão formoso e tão forte, estável e incompreensível, imutável e tudo mudando, nunca novo e nunca antigo, inovando tudo e cavando a ruína dos soberbos, sem que eles o advirtam; sempre em ação e sempre em repouso; granjeando sem precisão, conduzindo, enchendo e protegendo, criando, nutrindo e aperfeiçoando, buscando, ainda que nada Vos falte. [1]

Vejam que Agostinho explora os atributos a partir de paradoxos. Os paradoxos são verdades diferentes, mas não excludentes, são aparentes conceitos sem nexo, mas que se complementam. A partir disso começamos a entender verdades difíceis, como o Deus soberano que dá liberdades aos homens. Deus não mistura soberania com tirania. Logo porque, como lembra novamente Agostinho, vontade controlada não é boa: “Todavia, contra vontade, ninguém procede bem, ainda que a ação em si mesma seja boa” [2].

Defini-lo e conhecê-lo

Um ser tão complexo como Deus só é possível de ser conhecido pela revelação. Essa revelação não é uma iluminação secreta ou mera intuição humana, mas sim a revelação que o próprio Deus apresenta na pessoa de Jesus Cristo, nas Sagradas Escrituras e na natureza. Nós conhecemos o que Ele nos revelou. Karl Barth lembra:

Mas Deus é Deus naquilo que podemos saber dEle, apenas com base na revelação dEle, não na nossa, mas apenas em oposição a nós mesmos, podemos crer nEle apenas por nos termos tornado um milagre para nós mesmos. Estes são os indicativos que explicam o imperativo do Primeiro Mandamento: não terás outros deuses diante de mim! A graça da revelação compele a desentronização dos outros deuses, em primeiro lugar, forçando-nos a nós mesmos para o pó. [3]

Barth lembra muito bem que o homem caído não consegue crer em Deus. O máximo que o homem conquista é a crença em deuses, mesmo que esses tenham uma aparência judaico-cristã. A crença em Deus só é possível por meio da graça advinda dEle. Barth continua:

Aquele que crê vive pela graça. Aquele que vive pela graça sabe que é proibido de se agarrar a uma divindade...“Eu creio em Deus” significa portanto: Eu creio naquela, no incompreensível, no único Deus. A unicidade de Deus não é um postulado religioso nem uma ideia filosófica, mas algo corresponde exatamente à unicidade da revelação de Deus [4].

Assim, fica claro que definições são difíceis, mas os homens podem conhecer Deus naquilo que ele se revela por meio da graça. E aqui cabe lembrar o poema paulino (Rm 11. 33-36):

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!

Referências Bibliográficas:

[1] AGOSTINHO, Aurélio. Confissões. 1 ed. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2010. p 24.

[2] Idem. p 30.

[3] BARTH, Karl. Credo: Comentários ao Credo Apostólico. 1 ed. São Paulo: Novo Século, 2005. p 33.

domingo, 16 de janeiro de 2011

A terrível tragédia na Região Serrana

Acabo que ver que as chuvas neste verão não estão fora da média na região Sudeste. Por que uma tragédia desse tamanho? A única resposta é a incompetência política. Em algumas cidades o poder público até construiu escolas e hospitais em áreas de risco. Um absurdo! Como as pessoas tomarão consciência que estão em uma área de risco se os próprios governantes constroem prédios públicos nesses lugares?

Crianças perderam os pais. Um senhor perdeu a mãe, os filhos e os irmãos. Uma senhora de 87 anos perdeu todos os filhos. São tragédias que lembram a vida de Jó. A dimensão da dor dessas pessoas é impossível de descrever. Diante dessas pessoas as melhoras palavras são as não-vozes, o silêncio.

Lembro de um deslizamento de anos atrás que uma mãe perdeu quatro filhos e o marido morreu meses depois vítima de uma doença. Essa mulher foi entrevistada e nada falou. Baixou a cabeça, esfregou as mãos e permaneceu em silêncio. Aquele silêncio era gritante. Um forte grito de dor. Infelizmente, agora na Região Serrana, várias pessoas passaram por uma história parecida.

O pior é saber que isso poderia ser evitado se neste país tivéssemos políticos de verdade. Dignos de honra eles não são. Na tragédia carioca do ano passou soube-se inclusive que um ministro tinha tirado verbas de prevenção do estado fluminense para o estado que ele se candidatou. Em um país decente esse homem estaria preso. Aqui era candidato.

As chuvas estão fora do normal na Austrália. Lá muitas vidas foram salvas porque os governantes alertaram a população dos perigos advindos pela tempestade. Lá existe governantes. Aqui existe incompetentes. Não é possível que os brasileiros se conformem com isso.

É evidente que ocorra mortes em grandes chuvas, mas centenas de mortes é erro político, é um crime contra a população. A questão aqui não é partido A ou B, mas sim uma cultura política no Brasil que não trabalha com prevenção. Quantas pessoas que você conheceu morreram em estradas federais? Eu conheci. Conheci um pastor que morreu junto com o filho de oito anos em um grave acidente. Nas estradas privadas, apesar dos grandes preços, os acidentes são raros, mas nas federais são ordinários. Ou seja, existe uma solução, falta é vontade política.

Não é possível que o brasileiro continue conformado com a incompetência dos governantes! Vamos acordar, brasileiros, não estamos em um país pobre. Estamos numa das maiores economias do mundo. Como seremos desenvolvidos assim?

Saiba como ajudar:

http://renatovargens.blogspot.com/2011/01/doacoes-para-os-desabrigados-da.html

Em cidades como São Paulo, mediante essas tragédias, algumas grandes redes de lojas mantêm um espaço para doações.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Lição 03 - O Derramento do Espírito Santo no Pentecostes

Subsídio escrito pela equipe de Educação da CPAD


Texto Bíblico: Atos 2.1-6,12

Introdução

I. O Batismo com o Espírito Santo
II. Fundamentos do Batismo com o Espírito Santo
III. O Batismo no Espírito Santo na História da Igreja
IV. Os objetivos do Batismo com o Espírito Santo

OS PROPÓSITOS DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

Prezado professor, a palavra-chave da lição desta semana é Batismo. Esta significa, de acordo com o original grego, mergulho ou submersão. O termo “batismo” está inserido na presente lição com o objetivo de compreender seu tema central: O Batismo com o Espírito Santo. A ideia aqui, é explicar a uma pessoa a importância de se mergulhar e encher-se no Espírito Santo de Deus.
O Batismo com o Santo Espírito é a promessa do Pai. Esta é assim chamada, porque Ele providenciou o derramamento prometido conforme o Senhor Jesus falou aos discípulos. A profecia de João Batista, registrada nos quatro Evangelhos, lembra este fato: “Jesus os batizaria com o Espírito Santo” 1 . Esta operação denota a ação da Santíssima Trindade. O Pai envia o Espírito Santo e o Filho participa dessa obra como o batizador 2.

O Batismo com o Espírito Santo possui uma relação tênue com a evangelização mundial. Em Atos 1.8 essa relação é patente. Por isso, é importante ressaltar que o Batismo com o Espírito Santo tem propósitos claros e definidos:

1.Ousadia para testemunhar Jesus Cristo (At 1.8,22);
2.Poder para realizar milagres (At 5.1-11);
3.Carisma para ministrar à Igreja (At 6.3,5);
4.Oração em língua para edificação espiritual (1 Co 14.2,4).
1. Testemunhando de Cristo

O Senhor Jesus disse aos discípulos: “... Ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até confins da terra” (At 1.8). Note o pensamento evolutivo do texto! Os discípulos teriam de testemunhar primeiramente numa região pequena (Jerusalém), depois nos distritos maiores (províncias - Judeia e Samaria) e, logo após, ao mundo todo (confins da terra). Em que consistia o testemunho dos discípulos? O teólogo pentecostal, Antony Palma, ajuda-nos a responder:

Quando Jesus disse aos seus discípulos que eles seriam suas “testemunhas”, o pensamento não é tanto que seriam seus representantes, embora isso seja verdade, mas sim que iriam atestar a sua ressurreição. A ideia do testemunho ocorre ao longo do livro de Atos; ela é aplicada geralmente aos discípulos (1.8,22; 2.32; 3.15; 5.32; 10.39,41; 13.31) e 3especificamente a Estevão (22.20) e a Paulo (22.15; 26.16).
Os discípulos proclamariam a ressurreição de Jesus Cristo! Porém, para evangelizar o mundo eles careciam do auxílio poderoso do Espírito Santo: poder para realizar milagres!

2. Poder para realizar milagres

Em Atos dos Apóstolos, o poder do Espírito Santo é aplicado aos discípulos com o objetivo de legitimar a mensagem do evangelho a pessoas carentes de salvação e esperança:

At 3.1-10 → A cura do homem coxo;
At 9.36-42 A → Ressurreição de mortos (Dorcas);
At 5.19; 12.7-10; 16.23-26 → As libertações milagrosas de Pedro e Paulo;
At 5.1-11; 12.23 → Ananias e Safira; Agripa I são fulminados.

Mas os discípulos, pelo poder do Espírito Santo, ministrariam também à Igreja.

3. Ministrando à Igreja de Cristo

Em seu início, a igreja de Jerusalém estava em contínua expansão. Porém, seus primeiros anos eram marcados por circunstâncias que exigiam discernimento e sabedoria oriundos do Espírito Santo. Os assuntos da Igreja – o engano de Ananias e Safira (At 5.3,7,8); o desentendimento das mulheres de fala aramaica e grega (At 6.1-7); o concílio de Jerusalém (15.28) – não dependiam, somente de sabedoria humana, mas indelevelmente da sabedoria do alto.

O poder do Espírito Santo concedido a Igreja serve, também, para ministrar aos santos individualmente. Por isso, o Santo Espírito disponibilizou um dom para a edificação espiritual do crente: a Glossolalia.

4. Glossolalia: dom de Deus

O termo “glossolalia” deriva do idioma grego glossa (língua) e lalia (falar). Logo, “glossolalia” é o falar em línguas desconhecidas. “É o dom sobrenatural concedido pelo Espírito Santo, que capacita o crente a fazer enunciados proféticos e de enaltecimentos a Deus em línguas que lhe são desconhecidas”4 .

De acordo com o teólogo pentecostal Anthony Palma, há pelo menos três razões para o fenômeno das línguas ser ordenado por Deus. A primeira é de cunho histórico. Os fenômenos meterorológicos e atmosféricos registrados em Atos marcam a inauguração da nova aliança de Deus com a humanidade.
A segunda é a ocorrência de glossolalia no dia de Pentecostes, uma festa onde judeus oriundos de várias nacionalidades estavam presentes em Jerusalém. Esse evento marcou o “imperativo missiológico” de Jesus Cristo aos discípulos.

A terceira razão, na perspectiva bíblica, consiste em edificação pessoal. O apóstolo Paulo afirma que a oração em “língua desconhecida” edifica o indivíduo. Segundo Palma, a glossolalia juntamente com o dom de interpretação, edifica a congregação. Porém, sem o dom de interpretação, a língua edifica apenas a pessoa que fala. Ela é um meio de autoedificação espiritual constituída numa oração individual auxiliada pelo Espírito Santo (Rm 8.26).

Prezado professor, finalize a lição dessa semana dizendo que o batismo com o Espírito Santo tem um propósito bem amplo. Muito além das quatro paredes do templo em que cultuamos a Deus. O Senhor Jesus quer mergulhar, submergir e encher os crentes com o Santo Espírito para exercerem, com sabedoria e discernimento, o ministério ordenado por Ele.

Ao desenvolver a presente lição, não esqueça de atentar para os seguintes objetivos:

•Definir o Batismo com o Espírito Santo.
•Fundamentar, bíblica e historicamente, o Batismo com o Espírito Santo.
•Explicar os objetivos do Batismo com o Espírito Santo.

Boa aula!

Notas:

1- HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo. 4. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.11.
2- Ibidem
3- PALMA, Anthony D. O Batismo no Espírito Santo e com Fogo: Os fundamentos Bíblicos e a Atualidade da Doutrina Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.86.
4- ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. 13. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 201.
5- Ibidem, p.89-92.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O caos de John MacArthur Jr.

Se você quer entender a teologia reformada logo terá que ler primeiramente João Calvino. Isso é um fato. O mesmo serve para outros grupos: Leia John Wesley para entender o metodismo. Leia Karl Barth para entender a neo-ortodoxia. Leia Tomás de Aquino para entender o catolicismo. Leia o(s) principal (is) teólogo (s) de um grupo para avaliá-lo. Assim deveria ser todo estudioso sério. Certo? Mas não para o teólogo fundamentalista John MacArthur Jr.

No livro O Caos Carismático [1] MacArthur apresenta o pentecostalismo como uma seita que nega a suficiência das Escrituras. Certamente é baseado em declarações de teólogos do movimento. Certo? Errado. Em nenhuma página do livro há um diálogo com o inglês Donald Gee, o pioneiro da teologia pentecostal. Outros teólogos importantes e formuladores do pensamento pentecostal como Myer Pearlman, Stanley M. Horton, Anthony D. Palma, Roger Stronstad, William H. Menzies sequer são mencionados em uma linha qualquer.

É bem verdade que O Caos Carismático é um livro mais amistoso do que a edição mais antiga traduzida simplesmente por Os Carismáticos [2]. No segundo livro, MacArthur já usa a expressão “carismáticos radicais” parecendo indicar que ele acredita em carismáticos moderados. É evidente que há muita bizarrice no meio pentecostal, mas é necessário muito cuidado na retratação do grupo, pois ao contrário do que afirma MacArthur, no pentecostalismo clássico as manifestações bizarras são a exceção e não a regra.

Cadê os teólogos pentecostais?

O único teólogo pentecostal mencionado no livro é Gordon D. Fee, importante hermeneuta que leciona no Canadá. Isso porque Fee faz uma importante autocrítica ao pentecostalismo na sua expressão popular, e não necessariamente na teologia. Fee também tem uma visão próxima de John Stott sobre o Batismo no Espírito Santo. Fee é o teólogo pentecostal não fechado com a confissão de fé assembleiana na questão do Batismo. Só por isso mereceu uma menção honrosa no livro.

Benny Hinn não é representante da teologia pentecostal. Kenneth Erwin Hagin colocado no mesmo barco de Donald Gee é um verdadeiro crime contra a lógica e a honestidade. Imagino Orlando Boyer, pioneiro do pentecostalismo norte-americano no Brasil, vendo o crescimento das megas-igrejas com pregação de autoajuda. Boyer ficaria espantado e jamais aceitaria uma associação a esse grupo! Assim como todos os pregadores sérios do meio pentecostal.

Na década de 1990, com o crescimento da Teologia da Prosperidade no Brasil, alguns livros apologéticos surgiram para combater o Movimento da Fé. Os livros Evangelho da Nova Era de Ricardo Gondim; SuperCrentes e Evangélicos em Crise de Paulo Romeiro demarcaram as críticas contra as heresias nascentes do neopentecostalismo. Ambos os autores são de tradição carismática. Outros nomes como Ricardo Bitun, Esequias Soares, Natanael Rinaldi também se destacaram pelo combate a esses modismos. Detalhe: todos são pentecostais! Não é exagero afirmar que o cerne do movimento apologético da década de 1990 estava entre os estudiosos pentecostais.

Todos iguais?

O mundo pentecostal não é homogêneo. Por exemplo, qual é a imagem que você pensa de um jovem assembleiano? Talvez a figura seja a caricatural, mas jamais passaria na sua cabeça o The Jonas Brothers. Mas a banda pop boy band é formada pelos irmãos Jonas que são filhos do pastor Paul Kevin Jonas, ordenado pelas Assembleias de Deus de Wyckoff, New Jersey. A uniformidade não existe no pentecostalismo, nem nos costumes, menos ainda na sua teologia.

Você teria coragem de comparar David Wilkerson, um homem que chora quando fala das heresias propagadas pela Confissão Positiva, com o bizarro e confuso Benny Hinn? Ambos saíram das Assembleias de Deus e continuam carismáticos, mas em caminhos totalmente diferentes. Na Times Square Church, fundada por Wilkerson, jamais você verá as manifestações da Bênção de Toronto, mas na igreja independente de Benny Hinn as bizarrices já são parte da liturgia.

Os pentecostais não creem na suficiência das Escrituras?

Graças ao bom Deus que a crença na contemporaneidade dos dons espirituais não é hoje exclusividade dos pentecostais. O neocalvinismo de Mark Driscoll, por exemplo, possui os dons como parte de suas doutrinas. Como cessacionista que é, MacArthur não acredita no exercício dos dons para os nossos dias e acusa os pentecostais de desprezarem a suficiência das Sagradas Escrituras.

Será? Ora, nenhuma profecia, revelação, sonho ou qualquer manifestação carismática pode ser colocada no mesmo patamar das Escrituras. As profecias são subordinadas à Palavra de Deus. Se uma profecia tenta substituir um princípio bíblico ou mesmo acrescentar uma nova “verdade”, logo deve ser desprezada! É assim que os pentecostais creem. É assim que aprendi lendo pentecostais. É assim que aprendi com Donald Stamps que comentando 1 Co 14.31 escreveu:

A profecia do tipo descrito nos capítulos 12 e 14, porém, não tem inerente em si a mesma autoridade ou infalibilidade que a inspirada Palavra de Deus. Embora provenha do impulso do Espírito Santo, esse tipo de profecia nunca poderá ser considerada inerrante. Sua mensagem sempre estará sujeita à mistura e erros humanos. Por isso a profecia da igreja nunca poderá ser equiparada com as Sagradas Escrituras. Além disso, a profecia em nossos dias não poderá ser aceita pela igreja local até que seus membros julguem o seu conteúdo, para averiguar a sua autenticidade. A base fundamental desse julgamento é a Palavra de Deus escrita: isto é, a profecia está de conformidade com a doutrina apostólica? Toda experiência e mensagem na igreja devem passar prelo crio da Palavra de Deus escrita.[3]

Por que descrever as bobagens pregadas por Benny Hinn e esquecer esse belo tratado da suficiência das Escrituras escrita por um estudioso pentecostal? O pioneiro da teologia pentecostal Donald Gee escreveu:

Existem graves problemas sendo levantados pelo hábito de dar e receber "mensagens" pessoais de orientação por meio dos dons do Espírito [...] A Bíblia dá lugar para tal direção vinda do Espírito Santo [...] Tudo isso, porém, deve ser mantido na devida proporção. O exame das Escrituras mostrará que, de fato, os primeiros cristãos não recebiam continuamente tais vozes do céu. Na maioria dos casos, eles tomavam suas decisões pelo uso do que normalmente chamamos "sendo comum santificado" e viviam normalmente. Muitos de nossos erros na área dos dons espirituais surgem quando queremos que o extraordinário e o excepcional sejam transformados no frequente e no habitual. Que todos os que desenvolvem desejo excessivo pelas "mensagens" possam aprender com os enormes desastres de gerações passadas e com nossos contemporâneos [...] As Sagradas Escrituras é que são a lâmpada nossos passos e a luz que clareia o nosso caminho. [4]

A suficiência das Escrituras [5] lembra que a Bíblia contém a revelação completa de Deus para a salvação do homem. Como lido acima esse é um ponto importante para os teólogos pentecostais. A Bíblia é suficiente, mas então por que os pentecostais acreditam em profecias e revelações? Ora, porque essas mensagens não são acréscimos das Escrituras e nem a sua contradição. É necessário entender a natureza da “revelação”.

Novas revelações? Os pentecostais acreditam em um cânon aberto? Creem em novas verdades?

Quanta injustiça com o pentecostalismo! Só porque alguns tele-evangelistas famosos falam bobagens nos meios de comunicação e assim todos os pentecostais pegam a fama. O teólogo assembleiano John R. Higgins escreveu sobre revelações no pensamento pentecostal:

É importante manter juntas a Palavra escrita de Deus e a iluminação do Espírito Santo. O que o Espírito ilumina é a verdade da Palavra de Deus, e não algum conteúdo místico oculto nessa revelação. A mente humana não é deixada de lado, mas vivificada à medida que o Espírito Santo elucida a verdade. ‘A revelação é derivada da Bíblia, e não da experiência, nem do Espírito Santo como uma segunda fonte de informação paralela à Escritura e independente desta’. Nem sequer os dons de expressão vocal, dados pelo Espírito Santo, têm a mínima igualdade com as Escrituras, pois eles também devem ser julgados pelas Escrituras (1 Co 12.10; 14.29; 1 Jo 4.1). O Espírito Santos nem altera nem aumenta a verdade da revelação divina dada nas Escrituras; Estas servem como padrão objetivo necessário e exclusivo através das quais a voz do Espírito Santo continua a ser ouvida.[6]

Portanto, não deve existir uma verdade nova que já não tenha sido revelada pelas Sagradas Escrituras. Os princípios são permanentes. O que mudará é a aplicação desses valores. Portanto, os pentecostais não acreditam em Cânon aberto, logo porque é um ultraje tal ideia. Mas isso não significa que os dons estejam inoperantes, como acima explicado.

Conclusão

O livro de John MacArthur Jr. merece mais algumas análises, mas que fique claro neste post: Todo aquele que estuda o Movimento Pentecostal e a sua teologia precisa evitar generalizações e dialogar com os seus teólogos. Portanto, por favor, desligue sua TV e leia livros escritos pelos pentecas! Só assim teremos uma discussão séria!


Referências Bibliográficas:

1 MACARTHUR, John. O Caos Carismático. 1 ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2011.

2 __________________Os Carismáticos. 1 ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2002.

3 STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002. p 1763.

4 GEE, Donald. Spiritual Gifts in The Work of Ministry Today. 1 ed. Springfield: Gospel Publishing House, 1963. p 51.

5 Para um estudo completo sobre a Suficiência das Escrituras recomendo: GRUDEM, Wayne. O Dom de Profecia: Do Novo Testamento aos Dias Atuais. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2004, p 335-351.

6 HORTON, Stanley M. (ed). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 10 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 119.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Alguns Conselhos (1)

1- Não entre numa igreja que tem a foto do fundador estampada na porta do templo. Nem visite igrejas que destacam o nome dos seus ícones nas placas da entrada. O personalismo é uma praga perversa.

2- Não congregue em igrejas que prometem o fim do sofrimento. Primeiro, é mentira. Segundo, esse ensinamento precisa excluir o amor.

3- Cuidado com os legalistas. Falam tanto em santidade que você deve desconfiar.

4- Não leve a sério aqueles que dizem: “saí da Igreja e encontrei Cristo”...

5- Não leve a sério aqueles pregadores (gritadores) que dizem: “compre o meu DVD para ajudar a obra missionária”.

Cristianismo sem Cristo

Eu já recomendei o livro, agora vejam o vídeo em que Michael Horton comenta sobre o cristianismo sem Cristo.

Cristianismo sem Cristo from iPródigo on Vimeo.

domingo, 9 de janeiro de 2011

A ideologia e o Estado Laico

Parabéns à presidente Dilma por retirar o crucifixo e a Bíblia de seu gabinete. Um gesto de respeito a todos. O Brasil é um Estado laico.

A frase acima é uma mensagem que li no Twitter de um jovem cristão. Esse tweet mostra como alguns cristãos cegos pela ideologia escrevem coisas sem sentido. Vamos por partes:

1- Dilma não retirou esses símbolos cristãos porque está exaltando a laicidade, mas simplesmente porque não é cristã. Apesar de alguns pastores venderem a imagem de uma Dilma beata durante a campanha eleitoral, todos que conhecem a biografia da presidente sabem que ela nunca foi católica praticante ou não praticante. Esse fato não faz de Dilma uma melhor ou pior presidente, mas simplesmente mostra a falsidade do figurino desenhado na campanha.

2- O Estado brasileiro é laico. Grande conquista civilizatória. Agora, alguns confundem laicidade com secularismo. O Estado secular retira a religião do espaço público. O Estado laico divide o espaço público com várias vozes, inclusive a religiosa. O Estado secular é semelhante ao religioso, ou seja, intolerante com ideias diferentes. Já o Estado laico respeita o espaço de cada grupo, seja religioso ou não. Não queremos um Estado religioso (com a voz de uma única denominação) e nem um Estado secular (sem vozes eclesiásticas). Não podemos seguir o caminho do autoritarismo. O melhor é o Estado laico (espaço para todos, crentes e não crentes).

3- Engraçado que os mesmos que defendem a retirada de crucifixos e Bíblias de recintos públicos são aqueles que defendem o uso do véu por parte dos muçulmanos. Na verdade estão numa campanha anticristã. É aquele velho sentimento antiocidental. O filósofo Michel Foucault foi exemplo máximo dessa política. O francês Foucault, que via opressão em todas as estruturas hierárquicas, apoiou a Revolução Islâmica no Irã que hoje oprime aquele país numa teocracia com ambições nucleares.

Portanto, vamos analisar melhor o discurso sem a contaminação da ideologia.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Lição 02 - A Ascenção de Cristo e a Promessa de Sua Vinda

Subsídio preparado pela Equipe de Educação da CPAD

Texto Bíblico: Atos 1.4-11

Introdução
I. A historicidade da Ascensão de Cristo
II. A teologicidade da Ascensão de Cristo
III. A Ascensão de Cristo em nossa devoção
Conclusão

OS PREPARATIVOS PARA A ASCENSÃO DE CRISTO E SUA INSTRUÇÃO ACERCA DO FUTURO

Por Myer Pearlman

Dando instruções

Jesus subiu “depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera”. Estas instruções são registradas em várias passagens, como em Lucas 24.44-49; Mateus 28.19,20; Marcos 16.15-18; João 21; e nos versículos 3-8 deste capítulo (At 1). Em que sentido as instruções foram dadas mediante o Espírito Santo? A unção que Jesus recebeu no rio Jordão era ilimitada e permanente. Mediante o Espírito, recebeu poder para seu ministério; forças para enfrentar a cruz (Hb 9.14); foi ressuscitado dentre os mortos (Rm 8.11); e, no Pentecoste, batizou a outros no Espírito. A unção ainda estava sobre ele após a ressurreição.

Mediante manifestações da vida ressurreta

“Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando do que respeita ao reino de Deus” (cf. 1 Co 15.5-8).

Se víssemos um farol que parecesse ficar em pé sobre as ondas, saberíamos que haveria, por baixo da construção, um fundamento de rocha. Durante 19 séculos a Igreja permanece em pé como luz para as nações. Qual o seu alicerce? A única resposta satisfatória é: a ressurreição de Cristo. A fé e a religião viva não podem surgir de um cadáver.

Durante 40 dias Jesus revelou-se aos seus discípulos, aparecendo e desaparecendo. Era como se quisesse levá-los gradualmente a perceber que Ele pode estar presente, no Espírito, embora ausente no corpo. Chegou um momento em que os discípulos sabiam que haviam cessado tais aparecimentos.

A partir de então teriam de pregar o Evangelho com plena confiança da presença espiritual de Cristo com eles, conforme Ele mesmo prometera: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”. Foi a ascensão que convenceu os discípulos da veracidade desta mudança.

Dando uma ordem específica


“E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, [Jo 14.16; Jl 2.28] que (disse ele) de mim ouvistes”. O batismo do Senhor Jesus, no Jordão, foi o sinal para Ele iniciar seu ministério. Assim, também, a Igreja precisava de um batismo que a preparasse a cumprir um ministério de alcance mundial. Não seria o ministério de criar uma nova ordem e, sim, de proclamar aquilo que Cristo já havia realizado. Mesmo assim, só no poder do Espírito Santo poderia tamanha obra ser levada a efeito.

Cristo dirigiu suas palavras a homens que possuíam íntimo relacionamento espiritual com Ele. Já tinham sido enviados a pregar, armados com poderes espirituais específicos (Mt 10.1). A eles fora dito: “Alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus” (Lc 10.20); sua condição moral já tinha sido definida com as palavras: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” (Jo 15.3). Seu relacionamento com Cristo foi ilustrado mediante a figura da videira e dos ramos (Jo 15.5). Eles já conheciam a presença do Espírito nas suas vidas (Jo 14.17); já tinham sentido o sopro do Cristo ressurreto quando ele lhes disse: “Recebei o Espírito Santo”.

Mesmo assim deviam esperar a promessa do Pai! Isto nos mostra a importância deste revestimento.

Sobre o futuro


“Aqueles pois que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” Os apóstolos, como seus compatriotas, tinham associado o ministério do Messias com o imediato e visível aparecimento do Reino de Deus, com um estrondo de força material em fulgor externo (Lc 19.11; 24.21). Conceitos do Reino, mais terrestres do que celestiais, afetavam suas condutas e os levaram às disputas ambiciosas. Cada qual visando à preeminência. Boa parte dos ensinos de Cristo visava limpar a mente deles de falsos conceitos acerca do Reino. No entanto, só o tremendo choque do Calvário conseguiu tirar-lhes as ilusões com respeito a um reino material. Agora, sendo instruídos pelo Cristo ressurreto, entendiam melhor o seu Reino. Contudo, seus corações judeus ainda impulsionam a perguntar: “Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?” Ainda pensavam em termos de uma só nação. O Senhor, em resposta, fez com que erguessem seus olhos para ver todas as nações. Esta resposta contém quatro lições:

1. A estreita limitação do conhecimento humano acerca do futuro. “Não vos pertence saber os tempos ou as estações...” Existem muitas coisas que nossas mentes querem perscrutar, mas pertencem exclusivamente a Deus (cf. Dt 29.29; Mc 13.33; 1 Co 13.9; 1 Jo 3.2).

2. As mãos seguras que dirigem o futuro. Os tempos e épocas estão nas mãos de Deus: “O Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (cf. Mc 13.32). Embora não saibamos o futuro com respeito aos eventos mundiais e às nossas vidas, não precisamos ficar ansiosos. O desconhecido fica muito bem nas mãos do Mestre.

3. Forças suficientes para enfrentar o futuro. “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós...” Poder para enfrentar o futuro – isto vale muito mais do que detalhados conhecimentos sobre o porvir.

4. O dever prático com respeito ao futuro. “E ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém com em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra”. Estas palavras definem o ministério primário de cada crente: ser testemunha da pessoa de Jesus, daquilo que Ele fez para os homens e para a própria testemunha. “Testemunhar” é um dos conceitos fundamentais do livro de Atos (ver 1.22; 10.39,41-44; 13.31; 4.33; 22.15; 26.16).

Texto extraído da obra: Atos- E a Igreja se Fez Missões. Rio de Janeiro: CPAD.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Papa: Deus é responsável pelo Big Bang

Leia a notícia (em azul) da Reuters e comento no final:

A mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang, e os cristãos devem rejeitar a ideia de que o universo tenha surgido por acaso, disse o papa Bento 16 na quinta-feira.

"O universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos", disse Bento 16 no dia em que os cristãos celebram a Epifania, o dia em que a Bíblia diz que os três reis magos, seguindo uma estrela, chegaram ao lugar onde Jesus nasceu.

"Contemplando (o universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do criador, a criatividade inesgotável de Deus", disse o papa em sermão para 10 mil fiéis na Basílica de São Pedro.

Nos casos anteriores em que o papa falou sobre a evolução, ele raramente voltou atrás no tempo para discutir conceitos específicos como o do Big Bang, que cientistas acreditam tenha levado à formação do universo, cerca de 13,7 bilhões de anos atrás.

Pesquisadores do CERN, centro de pesquisas nucleares em Genebra, vêm esmagando prótons juntos em velocidade quase igual à da luz para simular as condições que, acreditam, teriam dado origem ao universo primordial, do qual terminaram por emergir as estrelas, os planetas e a vida na Terra --e possivelmente em outros lugares também.

Alguns ateus afirmam que a ciência pode provar que Deus não existe, mas Bento disse que algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto ... e não conseguem explicar a realidade última...".

O papa declarou que as teorias científicas sobre a origem e o desenvolvimento do universo e dos humanos, embora não entrem em conflito com a fé, deixam muitas perguntas sem resposta.

"Na beleza do mundo, em seu mistério, sua grandeza e sua racionalidade ... só podemos nos deixar ser guiados em direção a Deus, criador do céu e da terra", disse ele.

Bento 16 e seu predecessor, João Paulo 2o, procuram despir a Igreja da imagem de ser contrária à ciência --rótulo que ela ganhou quando condenou Galileu por ensinar que a Terra gira em volta do Sol, contestando as palavras da Bíblia.

Galileu foi reabilitado, e hoje a Igreja também aceita a evolução como teoria científica e não vê razão pela qual Deus não possa ter empregado um processo evolutivo natural para formar a espécie humana.

A Igreja Católica deixou de ensinar o criacionismo --a ideia de que Deus teria criado o mundo em seis dias, conforme descrito na Bíblia-- e diz que o relato bíblico do livro do Gênesis é uma alegoria para explicar como Deus criou o mundo.

Mas a Igreja é contra o uso da evolução para respaldar uma filosofia ateia que nega a existência de Deus ou qualquer participação divina na criação. Ela também é contra o uso do livro do Gênesis como texto científico.

Comento:

O repórter erra ao afirma que o fato da terra redonda em Galileu ia contra as "palavras da Bíblia". Não, as verdades expostas por Galileu iam contra uma interpretação errada da Bíblia. Como vemos no profeta Isaías há trechos na Bíblia que aparentemente falam em uma terra redonda: "Ele (Deus) é o que está assentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; ele é o que estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para neles habitar" (Is 40.22). É claro que Isaías não tinha o conhecimento científico de Galileu, que viveu mais de mil anos depois dele, mas o trecho descrito por ele é muito interessante.

O repórter também erra ao afirmar que Gênesis ensina a criação em seis dias literais. Ora, essa é também uma interpretação, já que o termo hebraico para dia também pode ser traduzido como eras.

E quanto ao papa, ele está corretíssimo quando mostra que a Teoria da Evolução não é uma "prova" do ateísmo. A Teoria da Evolução é uma parte explicativa do desenvolvimento do universo, mas nada prova sobre a transcendência ou a sua falta.

E sobre o acaso, que Bento XVI comenta, termino com as palavras de C. S. Lewis (em itálico):

Se o sistema solar foi criado por uma colisão estelar acidental, então o aparecimento da vida orgânica neste planeta foi também um acidente, e toda a evolução do Homem foi um acidente também. Se é assim, então todos nossos pensamentos atuais são meros acidentes – o subproduto acidental de um movimento de átomos. E isso é verdade para os pensamentos dos materialistas e astrônomos, como para todos nós. Mas se os pensamentos deles – isto é, do Materialismo e da Astronomia – são meros subprodutos acidentais, por que devemos considerá-los verdadeiros? Não vejo razão para acreditarmos que um acidente deva ser capaz de me proporcionar o entendimento sobre todos os outros acidentes. É como esperar que a forma acidental tomada pelo leite esparramado pelo chão, quando você deixa cair a jarra, pudesse explicar como a jarra foi feita e porque ela caiu.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Debates sem frutos!

Eu estava zapeando pela TV neste final de noite e assisti os três últimos minutos daquele programa chamado SuperPop, da RedeTV. O tempo foi suficiente para perceber que havia um debate entre travestis e um pastor evangélico. Não assisti o debate, logo porque aquele programa é horrível, mas posso opinar que certamente o debate foi inútil.

Esses programas sensacionalistas, com temas de apelo popular e com abordagem vulgar não são espaços para um debate decente. É mero espetáculo do ridículo. E os pastores que aceitam participar desse circo devem estar cientes disso. Não vale a penar participar.

Eu sei que o contexto é outro, mas o princípio de Paulo a Tito permanece:

Evite, porém, controvérsias tolas, genealogias, discussões e contendas a respeito da lei, porque essas coisas são inúteis e sem valor. (Tt 3.9 NVI)

domingo, 2 de janeiro de 2011

A fome pelo poder nas Assembleias de Deus

Vergonha. Esse é o único sentimento cabível diante das ações acontecidas na Assembleia de Deus em São José dos Campos (SP). Leia mais aqui. Tudo isso pode ser resumido na palavra: poder. Sim, é a fome pelo poder. Não procure defender o lado A ou B, logo porque ambos estão contaminados por esse mal. Isso que é mundanismo. É um mundanismo esquecido na condenação dos legalistas.

Essas divisões por poder nas Assembleias de Deus não são de hoje. Infelizmente, a denominação está marcada por esse vício. “Madureira versus São Cristóvão, no Rio; e Belém versus Brás, em São Paulo, são apenas exemplos de algo que aconteceu em todo Brasil, a partir da década de 1950 como prolongamento desta disputa na reprodução dos trabalhos” [1], como nos lembra o sociólogo Gedeon Alencar.

Lembro que quando li a biografia do autointitulado bispo Edir Macedo fiquei surpreso pelo abuso de poder nas reuniões com os demais bispos daquela igreja. O pior é que Macedo achava que era o exercício natural de sua autoridade. O homem centralizador, autoritário e ambicioso. Certamente ele nunca leu os Evangelhos. Como Macedo sempre está errado nós podemos ignorar suas barbaridades. Depois ele escreveu um livro chamado “Plano de Poder”. Mas que esses planos não sejam cumpridos. É um exemplo de um homem obcecado pelo poder.

E a nossa Assembleia seguindo por esse maldito caminho. É inegável que a nossa Assembleia de Deus corrigiu muitos erros, como o forte anti-intelectualismo e o legalismo. Esses dois problemas ainda existem, mas em escala menor. Mas alguns vícios como o nepotismo, o caciquismo, a liderança centralizadora e a sede por poder continuam ou pioraram.

Como nos lembra Timothy Keller [2] aos que têm sede pelo poder é melhor reler a história de Nabucodonosor.

Referências Bibliográficas:

1- ALENCAR, Gedeon. Assembleias de Deus: Origem, Implantação e Militância. 1 ed. São Paulo: Arte Editorial, 2010. p 131.

2- KELLER, Timothy. Deuses Falsos. 1 ed. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2010. p 106.


sábado, 1 de janeiro de 2011

Atos- A Ação do Espírito Santo Através da Igreja



Amanhã iniciamos mais um trimestre na Escola Bíblica Dominical. Vamos estudar o livro de Atos dos Apóstolos. Algumas obras podem ajudar você no decorrer deste trimestre. Em especial quero recomendar duas obras.

Comentário Bíblico Pentecostal- Novo Testamento (CPAD)

Um ótimo comentário bíblico escrito por teólogos pentecostais dos Estados Unidos e Canadá. Como o livro de Atos é especial para a teologia pentecostal essa obra é importante nos debates sobre o Batismo no Espírito Santos e o exercício dos dons espirituais.

Atos- Introdução e Comentário

Escrito pelo teológo I . Howard Marshall é certamente um dos mais completos comentários sobre o livro de Atos. Aliás, toda a coleção “Série Cultura Bíblica” da editora Vida Nova é uma ótima fonte de pesquisa na área de comentários.