segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Qual é a questão?

Caros leitores,

Caso queiram, por favor, façam perguntas para este blogueiro através desse link.


Não é necessário cadastro. O espaço é divertido e interativo.

Depois vou publicar as principais questões para o nosso debate aqui no blog.


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Rob Bell saiu do muro?

Eis que um grande debate surgiu no Twitter sobre o suposto universalismo de Rob Bell. No final próximo mês será lançado, nos Estados Unidos, o novo livro do líder emergente. A obra Love Wins: A Book About Heaven, Hell, and the Fate of Every Person Who Ever Lived (“O Amor Vence: Um livro sobre céu, inferno e o destino de cada pessoa que já viveu”, em tradução livre) promete polêmica. Mediante a leitura sabemos a posição de Rob Bell sobre um assunto importante para a fé cristã.

Como lembra Justin Taylor, ainda não é possível afirmar, sem a leitura do livro, se Rob Bell é universalista ou não. Vamos esperar este mês. Mas não será surpresa se ele assumir essa posição. Aliás, Taylor lembra que a posição mais transparente de Bell é melhor do que Brian McLaren que sempre fica em cima do muro quando questionado sobre uma posição mais firme nos assuntos evangélicos.

Existem dois tipos de igrejas emergentes:

Igrejas emergentes de tendências liberais- São igrejas com uma liderança sintonizada com o pós-modernismo e posições abertas em relação ao homossexualismo, por exemplo. É o velho liberalismo teológico e o progressismo social com roupagem teen. Rob Bell é o maior nome dos emergentes liberais.

Igrejas emergentes reformadas- O maior representante dessa tendência é Mark Driscoll. Eu já recomendei e recomendo vários livros e vídeos desse pastor. Sua teologia é reformada, mas sem o cessacionismo dos antigos calvinistas. Falam a língua pós-moderna mas com teologia antiga. Na minha opinião é a melhor expressão evangélica da atualidade.

Quantos líderes brasileiros são obscuros nas posições que acreditam? Quantas vezes já ouvi pregações antigas de famosos pastores e me perguntei: “Será que ele acredita nessa verdade hoje?”.

Que Rob Bell seja de fato transparente e que os seus defensores assumam no que realmente acreditam. Que saiam do muro!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Lição 09 - A conversão de Paulo

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD

Texto Bíblico: Atos 9.1-9

INTRODUÇÃO

I. A respeito da formação cultural de Paulo
II. Como se deu o encontro de Saulo com Jesus
III. Os propósitos da vocação de Paulo

CONCLUSÃO

JESUS CRISTO: O CENTRO DA MENSAGEM DE PAULO

Prezado professor,

A Paz do Senhor!

Na lição desta semana vamos estudar sobre a vida e o ministério de uma pessoa muito especial em o Novo Testamento: o Apóstolo Paulo. Instruído aos pés de Gamaliel, sendo fariseu, conhecedor profundo do Antigo Testamento e das tradições de seu povo; o apóstolo Paulo era considerado um dos homens mais versados na religião de Israel.

No caminho para Damasco o apóstolo, que era um perseguidor implacável da Igreja Primitiva, teve um encontro onde sua história mudaria por completo. Ele deparou-se com a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Uma célebre frase marca a importância desse encontro: “Saulo, Saulo, porque me persegues?”. A partir desse momento o Senhor faria de Paulo um evangelista usado por Deus na expansão mundial do evangelho. O apóstolo seria uma testemunha incansável de Cristo Jesus.

Ele iniciou o seu ministério entre os judeus, testemunhando Cristo como o cumprimento das Profecias, e em seguida partiu para pregar aos gentios, estabelecendo várias igrejas locais na Ásia Menor. O apóstolo Paulo ficaria conhecido como “o apóstolo dos gentios”.

Jesus Cristo: o tema frequente nas pregações de Paulo

A pessoa de Jesus Cristo era o assunto principal nos ensinos de Paulo: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2.2). Nas epístolas aos Colossenses, por exemplo, Cristo é apresentado como o Mediador e a Fonte de toda a vida; aquele que capacita homens e mulheres a viverem uma vida abundante. Ele é a “imagem do Deus invisível”; o que encarnou os atributos de Deus com autoridade divina, como aquele que participa da própria criação.

Ainda, sobre a centralidade de Jesus no ensino do Apóstolo Paulo, o teólogo americano Darrell L. Bock diz:
Ele, como “o primogênito de toda a criação” (prototokos pases ktiseos; cf. 89.27), é preeminente entre todos os governantes. Tudo no céu e na terra, visível e invisível, não importa o grau de autoridade foi criado por Ele e está sujeito a Ele. Ele é o sustentador da criação. Ele governa o Reino ao qual os santos pertencem. Jesus serve como o mediador soberano da criação, exercendo prerrogativa divina.
O Cristo ensinado pelo Apóstolo Paulo é suficiente às nossas vidas. Ele é quem deve ser pregado, ensinado, propagado e desejado por todos que anelam fazer o seu caminho aqui nesta terra. Jesus Cristo é suficiente para tudo, Ele tem a primazia sobre todas as coisas. Esse é o Cristo no ensino do Apóstolo Paulo.

Prezado professor, no final da aula, faça as seguintes perguntas aos alunos:

• Quem tem sido o centro de nossas mensagens?
• Quem tem sido a prioridade em nossos ensinos?
• Quem tem a primazia em nossas músicas?

Conclua a lição dizendo: se a nossa vida não representar exatamente o evangelho de Cristo, ou se pelo menos não houver uma disposição sincera para isso, estamos negligenciando aquele por quem vivemos, e morremos; Jesus Cristo, aquele que vive e reina para sempre.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Lá vem o John MacArthur de novo...

Leia essa notícia e depois veja o meu comentário.

http://ogalileo.com.br/cristianismo/materias/famoso-pastor-diz-que-protestos-contra-ditadores-vao-contra-biblia

Pois bem. Não há como concordar com os comentários do pastor John MacArthur. É de um conformismo absurdo. O discurso é lamentável.

a) É possível que as revoluções no mundo árabe acabem em novas ditaduras? Sim, é possível. O exemplo maior é o Irã da década de 1970. O Irã saiu de uma ditadura secular para uma ditadura religiosa ainda pior. Mas quem disse que o mundo muçulmano também não pode experimentar a democracia? Exemplo maior é a Indonésia e a Turquia. O próprio Irã vem enfrentando protestos por democracia. Só o futuro dirá como essa “Primavera Árabe” vai acabar. O maior exemplo que qualquer país pode ser democrático é o Brasil, como lembrou ironicamente Diogo Mainardi, no último programa Manhattan Connection.

b) Que história é essa que não podemos lutar contra ditadores? MacArthur, então, seria parte daqueles pastores alemães que apoiaram o regime nazista? Ou seria como Dietrich Bonhoeffer que lutou contra aquele tirano maluco que estava disposto a dominar a Europa? O conformismo com o Estado, se levado a sério, torna o Estado um deus. Mais importante é obedecer a Deus do que os homens, não era assim a pregação dos apóstolos?

c) João Batista então deveria ficar calado diante dos pecados de Herodes? Jesus deveria ter sido mais manso nas respostas diante de Pilatos? Pedro, quando pregava, não era uma desobediência civil? Os cristãos chineses, que ele mesmo citou como exemplo, não promovem desobediência civil ao promoverem cultos nos lares? O Estado ou Deus?

d) Falar que perseguição é melhor para a saúde da igreja do que “liberdade religiosa” é risível. Tudo bem que Tertuliano disse que o sangue dos mártires é a semente da Igreja, mas por causa da perseguição ferrenha muitas igrejas na história simplesmente morreram, como na Etiópia, por exemplo. Não tome a máxima de Tertuliano como verdade bíblica. A Coreia do Norte, hoje, quase não tem cristão. O cristianismo cresce na China, mas é bom lembrar que a perseguição na China de hoje é mais branda do que na China de Mao.

e) Os protestantes são os pais intelectuais da “liberdade religiosa”. É lamentável que John MacArthur não deseje essa liberdade para os demais. MacArthur vive em um país que nunca teve uma ditadura e cuja constituição garante a liberdade no primeiro artigo. É fácil falar para os outros se conformarem com ditaduras. Os “pais fundadores” dos Estados Unidos ficariam com vergonha desse comentário.

Portanto, não há como concordar com MacArthur. Ele promove um desserviço para os evangélicos, já que muita gente vai generalizar como se todos nós fôssemos conformados como ele. Já estou até vendo os comentários...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Terremotos e o Antigo Testamento

Por Gutierres Siqueira

Hoje a cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, foi atingida por um terremoto de forte impacto pela proximidade do epicentro do abalo sísmico. Infelizmente, até o momento, 65 pessoas morreram e centenas estão desaparecidas. A cidade da “Igreja Cristã” está destruída e o centro isolado pelas autoridades. A própria igreja central da cidade foi destruída.

Em 2010 o Chile foi atingido por um sismo que matou algumas centenas de pessoas. Já o terremoto no Haiti matou milhares. Hoje, praticamente nada foi reconstruído no Haiti. O Chile, o país mais próximo do mundo desenvolvido na América Latina, já está recuperado da tragédia. A diferença econômica entre esses países mostra que uma mesma tragédia mata mais pela incompetência do Estado de um pais do que pela intensidade.

Assim como no terremoto chileno, os “profetas da ira divina” não emitiram juízo sobre o terremoto na Nova Zelândia. No Haiti foram convictos: Era o juízo de Deus sobre aquele população pagã que praticava o vodu. Falaram com tanto convicção que pareciam ouvir uma voz audível do céu!

A interpretação do Antigo Testamento

É lamentável que muitos ainda leiam o Antigo Testamento com um judeu do Século I. A leitura hermenêutica do Antigo Testamento deve ser com os óculos do Novo Testamento. O Antigo Testamento é Palavra de Deus, mas a chave de interpretação dessa “Bíblia mais antiga” está no Novo Testamento. O Novo Testamento é como a igreja primitiva interpretava o Antigo Testamento sob os ensinamentos de Jesus. É também evidente que é impossível entender o Novo Testamento sem um bom conhecimento do Antigo Testamento. São complementares.

A maior prova que as Sagradas Escrituras do Antigo Testamento se complementam em o Novo Testamento é o fator Jesus Cristo. Os judeus e os cristãos reconhecem a autoridade de Isaías, mas a forma como cada grupo interpreta o capítulo 53 até parece que são dois livros completamente diferentes. É claro que alguém que conhecia esse capítulo e viu a morte de Jesus obteve outra leitura do texto.

Walter Kaiser, professor de Antigo Testamento do Seminário Teológico Gordon-Conwell, discorda:

Toda a abordagem é errônea, histórica, lógica e biblicamente. Como vimos, os primeiros crentes do Novo Testamento testaram o que tinham ouvido de Jesus, e dos seus discípulos, comparando com o que estava escrito no Antigo Testamento. Eles não tinham outro cânone nem outra fonte de ajuda. Como, então, seriam capazes de entender? Assim, a partir de um ponto de vista metodológico, ler a Bíblia na ordem inversa é algo incorreto, tanto historicamente como em termos do processo. E, além disso, a Igreja Primitiva sabia que o Antigo Testamento era verdadeiro; portanto, logicamente, eles não poderiam ter testado o que fora estabelecido (e era verdadeiro) por eles (possuindo somente o Antigo Testamento), de acordo com o que era recebido como algo novo (Novo Testamento). Isso seria uma inversão da ordem natural, histórica e lógica das coisas.[1]

A crítica de Kaiser é interessante, mas extremamente exagerada. Ninguém está invertendo as coisas. É evidente que para entender o Novo Testamento é necessário uma leitura do Antigo Testamento. A ideia do sacrifício de Cristo não faz sentido sem o Pentateuco. Como lembra F. F. Bruce: “Os autores do NT consideravam que o conteúdo da sua mensagem estava organicamente de acordo com a mensagem do AT, a ponto de o AT e o NT poderem ser considerados duas partes de uma mesma sentença, cada parte sendo essencial para a compreensão do todo” [2].

Então, é necessário ver a Bíblia como um todo complementar. Não é possível falar da Ira de Deus baseado somente nos textos veterotestamentários. Não porque o Antigo Testamento não seja Palavra de Deus, mas certamente a ideia sobre o assunto fica incompleta sem a leitura que o Novo Testamento faz dessa ira. Lembre sempre daquela regra hermenêutica: “É necessário consultar as passagens paralelas” [3] sobre o assunto em questão. A questão que nenhum dos Testamentos pode ser lido isoladamente.

E quando se depara com uma narrativa no Antigo Testamento, o interprete deve ter em mente: “Geralmente, uma narrativa do Antigo Testamento não ensina diretamente uma doutrina (…) Usualmente ilustra uma doutrina ou doutrinas ensinadas de modo proposicional noutros lugares” [4].

E concluindo com a sétima mensagem dos Trinta e Nove Artigos da Religião da Igreja Anglicana, que resume muito bem a autoridade das ambas as partes da Bíblia:

O Velho Testamento não é contrário ao Novo; porquanto em ambos, tanto Velho como Novo, se oferece a vida eterna ao gênero humano, por Cristo, que é o único mediador entre Deus e o homem sendo ele mesmo Deus e homem. Portanto não devem ser ouvidos os que pretendem que os antigos pais só esperaram promessas transitórias. Ainda que a Lei de Deus, dada por meio de Moisés, no que respeita a Cerimônia e Ritos, não obrigue os cristãos, nem devem ser recebidos necessariamente os seus preceitos civis em nenhuma comunidade; todavia, não há cristão algum que esteja isento, da obediência aos Mandamentos que se chamam Morais.

Referências Bibliográficas:
[1] KAISER, Walter C. Pregando e Ensinando a Partir do Antigo Testamento. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009. p 33- 34.
[2] BRUCE, F. F. (org.) Comentário Bíblico NVI. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2008. p 5.
[3] LUND, E. & NELSON, P. C. Hermenêutica: Princípios de Interpretação das Sagradas Escrituras. 2 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. p 68.

[4] FEE, Gordon D. & STUART, Douglas. Entendes o Que Lês? 2 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1997. p 69.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os evangélicos mudaram

Os evangélicos mudaram. Em muitos aspectos para pior. A pregação mercantilista e a liderança obcecada pelo poder são exemplos da queda qualitativa. Agora, em poucos pontos a melhora aconteceu. Hoje, a educação formal dos evangélicos é bem melhor. Os brasileiros, tão atrasados na educação comparados com europeus, chineses, sul-coreanos e norte-americanos, estão finalmente estudando mais.

O Estado brasileiro é o responsável pela educação da maioria dos brasileiros. A educação estatal é péssima, tanto em nível federal, estadual e municipal. A educação privada é melhor, mas nem se compara com as escolas de países desenvolvidos. Nenhuma universidade brasileira está entre as melhores do mundo, mesmo com as melhoras recentes nos indicadores.

Mas a baixa educação brasileira não é culpa somente da incompetência do Estado e seus sucessivos governos. É incrível, mas a educação não está no topo das preocupações dos brasileiros. Infelizmente, poucos são os pais que acompanham a educação dos filhos. Alguns pais acham que sua obrigação é conseguir a matrícula na escola pública mais próxima e comprar os materiais pedidos pelos professores. Não estão continuamente no processo educativo. A meritrocracia é um pecado no Brasil e a "progressão continuada" de Paulo Freire é reflexo disso. Se a população não se preocupa seriamente com a educação dos filhos, não é o lento Estado que vai se preocupar. Todo governo só funciona pela pressão da opinião pública.

Quantos brasileiros gastam absurdos com carros, por exemplo, e deixam de investir em educação?! Aliás, olham a educação como gasto e não como um investimento com retorno garantido no médio e longo prazo. O brasileiro lê pouco. Os preços altos dos livros, que realmente são altíssimos, não justifica a baixíssima taxa de leitura no país. É evidente que muita gente ainda não tem oportunidade de estudar, mas esses serão cada vez mais raros.

E os evangélicos? Como o protestantismo é a religião do livro, como dizia Max Weber, a educação entre os evangélicos está acima da média dos brasileiros em geral. É uma boa notícia. Perguntei o nível de escolaridade dos leitores deste blog. Os resultados foram:


Ensino Fundamental Completo

9,00%

Ensino Médio Completo

34,00%

Graduado

40,00%

Pós-Graduado

15,00%

Como houve 94 respostas o Blogger não calculou com uma base de 100%, mas sim de 98%. Mas os números são incríveis. 55% dos leitores já são graduados, ou seja, a maioria. Dos 34% que completaram o Ensino Médio certamente muitos são universitários. Somente 9% estão com Ensino Fundamental. Esses números refletem, não o universo evangélico, mas pelo menos o universo evangélico conectado na internet.

Mas aproveitar esse capital educacional, acima da média brasileira, para influenciar positivamente a sociedade?

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Keller e a pregação sobre o evolucionismo

Estava ouvindo a pregação de um pastor presbiteriano que gastou parte significativa do tempo dedicado ao sermão para combater “os males do darwinismo”. Imediatamente, lembrei de uma entrevista da revista Christianity Today com o pastor Timothy Keller. O reverendo Keller é líder de uma dinâmica igreja reformada no coração de Nova York. Na entrevista ele falou sobre pregação e evolucionismo. Keller apresenta um interessante equilíbrio.

Christianity Today pergunta: Por que você tem evitado usar argumentos do Intelligent Design em sua apologética?

Tim Keller responde: James Boice foi um grande pregador da Igreja Presbiteriana da Filadélfia anos atrás. Quando ele pregava sobre Gênesis 1, falava sobre o criacionismo, teoria da evolução e o criacionismo progressivo. Ele abordava as lacunas da teoria (que existiriam essencialmente duas criações em qualquer um dos lados da lacuna em Gênesis 1.2). Ele caminhou por todas as teorias compartilhadas por vários cristãos com uma visão apurada do Evangelho e mostrou as fraquezas e os pontos fortes da cada uma dessas teorias.

Ninguém mais faz isso. Ninguém fala que diferentes cristãos podem chegar a diferentes lugares e ao mesmo tempo ter uma visão apurada do Evangelho. Em vez disso, identificam sua conclusão como a mais sábia e dizem que os outros estão se submetendo, vendendo-se ou algo assim.
Na situação atual, identificar-se como favorável a alguma teoria da criação seria tão ruim quanto dizer: “Sou democrata” ou “Sou republicano”, porque as pessoas do outro grupo não irão ouvi-lo e dirão: “Seu Evangelho não é para os republicanos”, “Não é para os democratas”, ou “Não é para mim, pois creio no evolucionismo.”

Então não quero que as pessoas que não creiam no criacionismo sintam que agora não podem ouvir o resto do Evangelho.

Em vez disso, mostro que é positivo refletir antes de decidir se Jesus morreu e ressuscitou. Duas pessoas disseram no Fórum Veritas: “Não consigo crer no cristianismo porque já vi os fósseis.” E eu tentava dizer: “Acreditar no evolucionismo significa que você não acredita que Jesus Cristo ressuscitou da morte?” Um deles disse: “Não, isso não tem nada a ver com isso.” Se ele ressuscitou da morte, então você precisa levar as Escrituras a sério e administrar tudo isso. Se ele não ressuscitou da morte, quem se importa com Gênesis 1.11?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Lição 08 - Quando a igreja de Cristo é perseguida

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD

Texto Bíblico: Atos 8.1-8

INTRODUÇÃO

I. Os efeitos da morte de Estevão
II. Quando a igreja é perseguida
III. Como enfrentar a perseguição


A PERSEGUIÇÃO DA IGREJA DE CRISTO

Caro professor, A lição dessa semana está baseada em Atos 8.1-8. O tema da lição é: Quando a igreja de Cristo é perseguida.

Quando olhamos para o passado da Igreja Cristã, contemplamos o seu sofrimento, angustia e dor. Os dois primeiros séculos da Igreja Antiga foram dolorosos. Perseguições cruéis assolavam-na e os crentes, que depositavam sua fé em Cristo, eram constantemente desafiados a negá-lo.

A obra “Os Mártires do Coliseu”, editada pela CPAD, conta sobre alguns martírios de cristãos que não voltaram atrás em relação a sua fé: a morte a espada do jovem bispo Eleutério em 139; a decaptação da jovem Martina em 228; e muitos outros martírios, de cristãos, ao longo da história da Igreja.

Hoje, essa triste realidade não é diferente. Alguns cristãos continuam a sofrer perseguições severas por causa de sua fé em diversas regiões do mundo. Uma pesquisa divulgada recentemente, pelo site portas abertas, informa que de uma lista de 50 países, quatro são os países – a Coreia do Norte, o Irã, o Afeganistão e a Arábia Saudita – que mais perseguem cristãos no mundo. Ainda nações como a Índia, a China, e outros do Oriente Médio, continuam a atacarem cristãos. Como o prezado professor pode observar a perseguição ao cristianismo continua forte.

Aqui no Brasil, apesar de não sentirmos na pele, a perseguição está na esfera intelectual. Alguns tentam, a todo o custo, desarticular o discurso cristão a favor da vida. Os cristãos não podem emitir opiniões sobre aborto, homossexualidade, eutanásia, células troncos; porque para eles, temos uma opinião meramente religiosa. Não! O que temos são valores pautados numa cosmovisão cristã bíblica e cristocêntrica. E, também, temos o direito, garantido por lei, de propagar a cosmovisão cristã.

Professor, aproveite a lição dessa semana para refletir com os alunos acerca dos missionários, e vários outros irmãos em Cristo, espalhados em vários países. Eles sofrem perseguições e têm suas vidas completamente alteradas onde moram.

Conclua essa lição orando com a classe, pedindo a Deus pelos missionários e por todos os cristãos perseguidos em todo o mundo. Eles precisam de nossas orações!

Boa aula!

Hoje tem Encontro Apologético!

Clique na figura para aumentar.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Engolindo os camelos e coando os mosquitos!

Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo. [Jesus, em Mateus 23. 24 NVI]

É interessante observar como Jesus era implacável com os fariseus e saduceus, ou seja, a classe religiosa da época. Mas ao mesmo tempo, Jesus conversava bem com os cobradores de impostos, (que eram ladrões), as prostitutas, os endemoninhados e todo “mundo que não prestava”. Aliás, Jesus tinha péssimas companhias. Agora, quando Jesus se deparava com um fariseu a coisa ficava feia. O capítulo 23 de Mateus é enorme, com 39 versículos, mas é inteiramente um sermão de Cristo contra os fariseus.

Todo fariseu tinha o costume de coar a água potável com um pano “para ter certeza de não engolir um mosquitinho, considerado o menor ser vivo impuro” [1], enquanto isso engolia camelos, simbologicamente, com grandes pecados. Tanto a mosca como o camelo eram considerados animais imundos pelos judeus. O camelo era o maior dos animais ditos impuros. Com a força dessa analogia Jesus desmascara a hipocrisia. É interessante que a frase soa como trocadilho no original aramaico, que era a língua popular na Palestina: “Vós coais um qamla e engolis um gamla” [2].

Não só Jesus, mas os profetas no Velho Testamento condenavam a religiosidade ritualista que prezava tantos detalhes e esquecia do essencial. Malaquias é um exemplo desse combate. E é sempre assim: os que prezam detalhes acabam legalistas, como lembra H. L. Ellison:

Uma coisa é se sou muito rigoroso comigo mesmo por causa do testemunho do Espírito em mim. Se, por outro lado, eu decido que preciso observar tudo que encontro nas Escrituras, por menor que seja, a experiência mostra que eu me torno cada vez mais legalista nas minhas exigências para com os outros e cada vez mais cego para as verdadeiras exigências de Deus para comigo mesmo. [3]

Daí nasce toda sorte de hipocrisia e falso moralismo. Todos nós temos um tanto de hipocrisia. Falamos muito e praticamos pouco, quando deveríamos falar menos e agir mais. Jesus é intolerante com santidade fingida. É melhor ser um sincero pecador do que um falso moralista. É um dever agir corretamente não somente com o mosquito, mas também nunca ser profano com o camelo.

É possível obedecer uma regra e desobedecer sua essência. É possível ser fiel à lei e matar o espírito dela. É possível pagar o dízimo sobre tudo e desprezar o necessitado. É possível se vestir decentemente e ainda assim ser o pior dos maliciosos. É possível ser um fervoroso evangelista e ainda assim bater na mulher. É possível coar o mosquito e engolir o camelo. Evitar pequenos erros enquanto comentemos grandes encrencas de nada adiantará.

Os camelos denominacionais

Soube por uma irmã de Pernambuco que uma garota foi disciplinada na Assembleia de Deus de Recife por seis meses (!) porque usou calça para fazer ginástica na academia (!!!). É cada uma! Nessa mesma cidade existe uma divisão ministerial terrível que impede a comunhão dos irmãos da MESMA igreja. Os legalistas veem pecado na calça de ginástica e esquecem do mundanismo divisionista. Engolem camelos, elefantes, baleias e tentam coar um mosquitinho. Atitudes simplesmente ridículas.

O respeitado teólogo James Packer lembra do absurdo que é uma igreja querer legislar costumes. Packer chama isso de “tabus comunais”:

Esse ascetismo reacionário ainda sobrevive em alguns círculos na forma de tabus comunais sobre álcool, tabaco, teatro, dança, jogos, roupas elegantes, cosméticos e itens similares. Talvez tenha havido, e haja, boas razões para tais abstinências, em se tratando de decisão pessoal, mas tabus comunais tendem a entorpecer a consciência, em vez de avivá-la... O mundanismo foi definido em termos de quebras de tabus, e identificações de consequências mais amplas com os pecados da sociedade passaram despercebidas... O pietismo separa o mundo em vez de estudá-lo e procurar mudá-lo; é hostil ao prazer, em vez de agradecido por ele, temeroso de que o mundo adentre nossos corações montado nas costas do prazer. [4]

Você pode observar que essas igrejas que legislam costumes, os tabus comunais, são as que mais têm brigas por cargos, disputas de poder, fofocas, intrigas e divisões. Elas são altamente mundanas e ainda posam de santas. A santidade passa longe desse clima de divisão. Jesus não suporta isso!

Referências Bibliográficas:

[1] BARKER, Kenneth L. (org). Bíblia de Estudo NVI. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2003. p 1656.

[2] ARRINGTON, French L. & STRONSTAD, Roger. (ed.) Comentário Bíblico Pentecostal. 4 ed. Rio de Janeiro: 2006. p 128.

[3] BRUCE, F. F. (org.) Comentário Bíblico NVI. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2008. p 1588.

[4] PACKER, James Ian. Os Planos de Deus para Você. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005. p. 67.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Os tiranos “do bem”

De todas as tiranias, aquelas exercidas sinceramente para “o bem” de suas vítimas podem ser as mais opressivas. Seria melhor viver sob barões ladrões do que sob “onipotentes” metidos à moralidade. A crueldade do barão pode, por vezes, adormecer, e a sua cobiça pode em algum momento ser saciada; mas aqueles que atormentam-nos para “o nosso próprio bem” vão nos atormentar sem fim, pois fazem isso com a aprovação da própria consciência. [C. S. Lewis]


Toda ditadura nasce de boas intenções. Todo tirano quer “um novo mundo”, “um novo homem”. Todo governo totalitário é salvador, libertador e transformador. Desconfie sempre das “boas intenções” do Estado. Muito cuidado com todo político ou líder religioso que se coloca como um messias. Toda ideologia política com linguagem religiosa é fatal. Cuidado com o pastor que quer determinar até sobre quem você irá casar. Só existe um único Deus. Todo homem com complexo de salvador, seja político ou pastor, certamente será um pequeno ou grande opressor.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Vamos discutir o sexo dos anjos?

Eu lamento quando vejo os seguintes debates no meio evangélico. Mas como eles existem vou responder cada pergunta profundamente (ironia, é claro):

O criacionismo é de terra jovem ou terra antiga?

Não importa. Mas falar que a terra tem somente seis mil anos é muita apelação.

O esmalte vermelho é vaidade ou não?


Vou fazer como Jesus, respondendo com outra pergunta: a gravata de 150 reais do pastor-chefe da denominação legalista é vaidade ou não?

O crente pode ir ao cinema?

Desde que não sejam aqueles do centro de São Paulo.

Existem espíritos territoriais e o bairro de Interlagos é amaldiçoado pelo dois demônios das duas águas?

Espírito territorial é a maior prova daqueles que leem a Bíblia como eu lia o gibi da Turma da Mônica com oito anos.

A Rede Globo tem um centro de satanismo?

Respondo com outra pergunta: A Record tem?

Existe nação cristã?

Evidentemente que não. Mas no Maranhão tem um povoado chamado Varjão dos Crentes, uma antessala do céu.

Inveja pega?


Em lugar de pensar que inveja pega, você já lavou a mão para prevenir algum vírus de gripe que chegará no início do outono? O vírus pode pegá-lo, mas a inveja só prejudica o invejoso.

Em breve resolvo outros interessantíssimos debates.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A bobagem dualista: Evangelismo ou ação social?

Salvação da alma ou salvação econômica? Pão do céu para o pecador ou pão da terra para o faminto? Alguns acham que devemos escolher a pregação salvífica. Outros acham que devemos pregar “o evangelho social”. Agora vem mais uma pergunta: Quem disse que precisamos fazer essa escolha? Por acaso é impossível fazer as duas coisas ao mesmo tempo? Jamais. A pergunta que leva para uma escolha é falsa. Não há esse dualismo no evangelho. Não precisamos ser ultraconservadores e nem adeptos da ridícula Teologia da Libertação. Podemos pregar que Cristo é o salvador enquanto distribuímos o pão. Não há necessidade de avaliar uma das opções.

John Stott nos lembra:

Se formos pressionados, se alguém tiver de escolher, a salvação eterna é mais importante que o bem-estar temporal. Isso parece algo inquestionável para mim. Gostaria, contudo, de acrescentar imediatamente que, normalmente, ninguém de fazer essa escolha. Willian Temple afirma: “Se tivermos de escolher entre tornar os homens cristãos e tornar a ordem social mais cristã, devemos escolher o primeiro. Mas essa antítese é inexistente. [STOTT, John. Cristianismo Autêntico. 1 ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. p 434.]

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Lição 07 - Assistência Social, um importante negócio

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD

Texto Bíblico: Atos 5.1-11.

INTRODUÇÃO

I. As dores do crescimento
II. A instituição do diaconato
III. Assistência Social, um importante negócio

CONCLUSÃO

Prezado professor, o título da lição dessa semana é: Assistência Social, um importante negócio. Tendo por base o texto de Atos 6.1-7.

Após esta lição, professor, o seu aluno deverá:

•Compreender os incômodos e dores que acompanham o crescimento da Igreja.
•Explicar a instituição do diácono.
•Conscientizar-se de que a assistência social, também, é prioridade do evangelho.

No tópico III da presente lição, o professor pode desenvolver uma reflexão com o objetivo de fundamentar biblicamente a realização da Assistência Social como prioridade na igreja local. Refutando, portanto, a ideia de que a atividade social é secundária na Igreja. Explique a classe, que de acordo com os mandamentos do Senhor, a Assistência Social deve ser realizada na igreja local, embasada no maior mandamento que o Senhor Jesus nos deixou: Amai o teu próximo com a ti mesmo (Mc 12.31). Portanto, não pode haver uma prática dualista na Igreja de Cristo acerca desse mister. O teólogo e Pastor inglês John Stott, em sua obra “Cristianismo Equilibrado”, editado pela CPAD, explica bem essa questão da legitimidade de a Igreja pensar em sua atividade social a partir de uma perspectiva integral do Evangelho de Cristo:

O nosso próximo é uma pessoa, um ser humano, criado por Deus. E Deus não o criou como uma alma sem corpo (para que pudéssemos amar somente sua alma), nem como um corpo sem alma (para que pudéssemos preocupar-nos exclusivamente com seu bem-estar físico), nem tampouco um corpo-alma em isolamento (para que pudéssemos preocupar-nos com ele somente como um indivíduo, sem nos preocupar com a sociedade em que ele vive). Não! Deus fez o homem um ser espiritual, físico e social. Como ser humano, o nosso próximo pode ser definido como “um corpo-alma em sociedade”. Portanto, a obrigação de amar o nosso próximo nunca pode ser reduzida para somente uma parte dele. Se amamos o nosso próximo como Deus o criou (o que é mandamento para nós), então, inevitavelmente, estaremos preocupados com o seu bem-estar total, o bem-estar do seu corpo, da sua alma e da sua sociedade. [...] É verdade que o Senhor Jesus ressurreto deixou a Grande Comissão para a sua Igreja: pregar, evangelizar e fazer discípulo. E esta comissão é ainda a obrigação da Igreja. Mas a comissão não invalida o mandamento, como se “amarás o teu próximo” tivesse sido substituído por “pregarás o Evangelho”. Nem tampouco reinterpreta amor ao próximo em termos exclusivamente evangelísticos. Ao contrário, enriquece o mandamento amar o nosso próximo, ao adicionar uma dimensão nova e cristã, nomeadamente a responsabilidade de fazer Cristo conhecido para esse nosso próximo (STOTT. John R. W. Cristianismo Equilibrado. CPAD, p. 60,61.).

Prezado professor, aproveite o tema dessa semana para promover uma conscientização dos alunos em relação a nossa responsabilidade social com os menos favorecidos, tanto com os da igreja quanto com os de fora. Essa deve uma característica fundamental da Igreja de Jesus Cristo. Fazendo isso o Senhor acrescentará mais almas que hão de ser salvas. Boa aula e até a próxima!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

CD para jogar fora e CD para ouvir com alegria!

Há muito CD que eu jogo fora. Eles apresentam as seguintes características:

a) Música de vitória. São aquelas músicas enjoadas de autoajuda. As letras estão cheias de antropocentrismos. A letra tem mais “você” do que “Jesus”.

b) Música de piada. Você certamente já ouviu as músicas do “crente isso”, “crente aquilo” etc. Os compositores ouvem as velhas piadas de alguns pastores e transformam isso em música. Que o Senhor nos socorra! Já ouvi uma do “crente vaso de xaxim”. Alguém sabe o que é isso?

c) Música de exortação legalista. Você sabia que tem uma música que condena brincos e maquiagens. Pois é. Imagine o tempo do culto ao Senhor desperdiçado com essas bobagens.

d) Música de pseudocompositores. Sabe aquelas letras óbvias? Mesmo que você não tenho ouvido a música você consegue complementá-la. Esses são compositores assim como eu sou poeta.

e) Música judaizante. Eu amo Israel. Gosto muito do judaísmo. Agora, eu não sou judeu. Eu sou cristão. Tem música por aí que parece saída do hinário da sinagoga.

f) Música que usa e abusa de Cantares. Há uma polêmica entre os hermeneutas se o livro Cânticos dos Cânticos é uma mera analogia do amor de Cristo pela Igreja ou se é um conjunto de cânticos amorosos entre o rei e sua amada. Tendo a pensar que a segunda alternativa é a mais coerente com o livro. Mesmo que a primeira opção seja a correta, é bom lembrar que toda analogia tem limites.

Talvez você seja de uma igreja que não sofra com esses problemas no louvor. Parabéns para a sua congregação. Mas com exceção dos dois últimos tipos de música, todos os outros vejo constantemente.



Esse eu gosto!

Mas quero terminar esse texto positivamente. Recomendo um CD muito bom chamado “Reina Sobre Mim” da cantora Nívea Soares. Nesse CD, a cantora não apela para nenhum desses defeitos acima descritos. As letras são bíblicas, bem estruturadas e da pura adoração. Nívea é uma compositora de mão cheia, especialmente nesse CD. Não conheço profundamente o trabalho da cantora. Não sei se nos demais Cds ela manteve essa qualidade do primeiro, mas o “Reina Sobre Mim” vale a pena! Esse CD eu não jogo fora!


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pra quê votar em “evangélicos”?

Ontem fiz um podcast sobre o casal de deputados federais Silas Câmara e Antônio Lúcia. Ambos são líderes da Assembleia de Deus em Manuas e estão envolvidos em vários escândalos denunciados pelo Ministério Público. Leia reportagem da revista Época aqui.

Então me pergunto, pra que votar em evangélico?

Parte deles estavam envolvidos no mensalão petista.

Parte deles estavam envolvidos no escândalo dos Correios.

Parte deles estavam envolvidos no “escândalo das sanguessugas”

Teve um que orou ao receber dinheiro do mensalão do Arruda.

Tinha evangélico até envolvido no escândalo dos Anões do Orçamento. Lembram?

Ou seja: Em todos os escândalos de Brasília houve evangélicos envolvidos.

Como evangélico queria ser um avestruz! Preciso esconder a cabeça na terra!

Hoje vi a notícia de um deputado da Assembleia de Deus comemorando um trabalho feito na Câmara. Sabe qual? Uma homenagem no plenário do parlamento ao centenário da denominação. Conquista relevante, não é verdade? Certamente vai melhorar a vida dos brasileiros aquela cerimônia burocrática homenageando pastores-caciques da denominação. Valeu deputado!

Acima é a foto do casal encrenca. Que belo testemunho!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Os Câmara e o escândalo na Câmara


Nesse podcast comento uma matéria da revista Época sobre o casal Silas Câmara e Antônia Lúcia, que são líderes da Assembleia de Deus em Manaus e deputados federais por dois estados. Mais um escândalo para a nossa vergonha.

A mania de exclusividade e o retrato das emoções de Deus

Sempre acho brega quando um telejornal coloca a faixa “exclusivo” na tela mediante uma reportagem inédita. Muitas vezes um programa passa documentários produzidos por emissoras estrangeiras e ainda coloca tal fato como exclusividade. É breguice pura! Pois bem, muitos cristãos têm a mania de pensar que são “exclusivos”.

É a velha síndrome de Elias (cf. I Rs 19.14), que pensava ser o único que servia a Deus em todo o Israel. Mas Deus lembra o velho profeta: “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou” (I Rs 19.18 ARA). O Senhor mostrou para Elias que ele não deveria pensar que era o único, pois eles eram sete mil!

É necessário passar essa falsa ideia do “descobridor daquela verdade” que todos desprezavam por maldade e/ou ignorância. É soberba pura. Quando Lutero levantou suas teses é bom lembrar que antes dele havia um Jan Huss, que um século antes tentou reformar a corrompida igreja. Lutero não era um personagem isolado da história. E é bom lembrar que Huss também não surgiu do acaso. John Wycliffe, décadas antes, também tentou reformar a igreja.

Pois bem, hoje existe uma turma pós-evangelical que desdenha dos evangélicos de maneira geral, não somente dos erros e heresias já bem conhecidas e combatidas pelos próprios evangélicos, como a Confissão Positiva, por exemplo. Os pós-evangelicais sofrem da síndrome de Elias e pensam que estão salvando o Salvador e descobrindo aquilo que todos desprezavam.

O Deus de emoções

Exemplo? Os pós-evangelicais descobriram que Deus tem emoções. É uma verdadeira piada, mas eles acham que descobriram uma novidade que os outros não aceitavam. Ora, por acaso o cristianismo tradicional, de maneira geral, despreza o fato que Deus tem emoções? Só ser for na cabeça deles. É verdade que existem vários hipercalvinistas que desprezam essa verdade bíblica, mas de maneira geral os cristãos SEMPRE aceitaram essa verdade.

Alguém duvida que o teólogo canadense Donald A. Carson seja uma das principais vozes da teologia reformada? Pois bem, Carson condena fortemente a doutrina da impassibilidade de Deus. Os que acreditam na impassibilidade negam que Deus tenha emoções, mas Carson lembra o choque com as Escrituras: “Não serve como resposta adotar uma forma de impassibilidade que negue que Deus tenha uma vida emocional, insistindo que todas as evidências bíblicas ao contrário não sejam nada mais do que antropopatismo” [1].

Portanto, falar que todo calvinista é contra a ideia de um Deus com emoções é desonestidade intelectual.

Sustentação Bíblica

Um texto com Gênesis 6.6 mostra claramente Deus com sentimentos. Após o dilúvio e toda a sua destruição, Moisés registra: “pesou-lhe (de Deus) em seu coração”. Deus não agiu com frieza, com ausência de sentimentos em relação ao juízo das águas. Deus sofreu. O teólogo Derek Kidner comenta o texto: “A palavra pesou tem afinidade com as palavras aflição (‘dor’, RSV) e fadiga (AA: sofrimentos, dores, fadigas) de Gn 3.16-17. Agora Deus sofre por causa do homem”. [2] Ou seja, a mesma palavra que descreve o sofrimento do homem como resultado do seu pecado é o termo usado para descrever o sofrimento do Deus santo que sofre por suas criaturas. Mas como lembra o teólogo católico Raniero Cantalamessa: “Deus não se aflige por si mesmo, como se alguma coisa lhe viesse a faltar; aflige-se pelo homem que assim se perde” [3].

Evidentemente que Deus tem emoções, mas não é escravo delas. Não é um Deus com complexos psicológicos. As suas paixões estão casadas com sua infinita sabedoria. Como lembra Carson: “As ‘paixões’ de Deus, diferentemente das nossas, não se inflamam repentinamente nem ficam fora de controle” [4] e é possível completar com Cantalamessa: “Deus é ‘motor imóvel’, isto é, aquele que tudo move, mas permanece em si mesmo imóvel e impassível” [5].

Se Deus ama, e Ele já nos provou que ama, então ele sofre. (I Co 13.7). Não vejo o porquê que uma turma pós-evangelical ensine isso como novidade!

Referências Bibliográficas:

[1] CARSON, Donald A. A Difícil Doutrina do Amor de Deus. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007. p 61-62.

[2] KIDNER, Derek. Gênesis: Introdução e Comentário. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1979. p 80.

[3] CANTALAMESSA, Raniero. A Vida em Cristo. 1 ed. São Paulo: Edições Loyola, 1997. p 107.

[4] CARSON, Donald A. Idem. p 64.

[5] CANTALAMESSA, Raniero. Idem. p 108.

Leia Mais:

LEWIS, G. R. Emocionalmente, Deus Detesta o Mal, é Longânimo e Compassivo. Em: ELWELL, Walter A. (Ed). Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. 1 ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 2009. pp 435-436.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

PODCAST 1- Confissão de Pecados



Ouça esse podcast onde discuto a doutrina de confissão dos pecados e a influência do catolicismo popular na mentalidade evangélica brasileira.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Lição 06 - A Importância da disciplina na Igreja

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD

Texto Bíblico: Atos 5.1-11.

INTRODUÇÃO

I. A disciplina e sua necessidade
II. A oferta de Ananias e Safira
III. O extremo da disciplina

ENSINO: A ESSÊNCIA DA DISCIPLINA

Prezado professor, lição dessa semana desenvolverá um tema muito importante para a Igreja de Cristo: a disciplina. Após esta aula o seu aluno deverá:

• Reconhecer que a disciplina é uma prova do amor de Deus.
• Explicar a necessidade da disciplina.
• Saber que todo ato gera uma consequencia.

Desenvolva a lição 6 deste trimestre buscando alcançar os três objetivos propostos acima.

O tópico I da presente lição expõe o conceito de “disciplina” e sua necessidade na Igreja. Uma palavra que denota o alvo da disciplina é o ENSINO. Para obtê-lo é preciso desenvolver hábitos rigorosos com o objetivo de apreender o que está sendo ensinado. A este processo educativo, de criação de novos hábitos, denominamos DISCIPLINA.

Na obra “Disciplina do Homem Cristão”, editada pela CPAD, o autor Kentes Hughes descreve exemplos de disciplinas que fizeram de um homem um gênio da oratória. Ele narra:

Em nossa época, Winston Churchil foi proclamado, com justiça, o orador do século, e poucos dos que ouviram seus eloquentes discursos discordariam. Menos, ainda, suspeitariam que ele pudesse ser qualquer outra coisa, menos “natural”. A verdade é que Churchill tinha um defeito de dicção no ss que o tornava alvo de muitas anedotas e resultava em sua falta de habilidade para ser espontâneo, ao falar em público. Ainda assim, ele ficou famoso por seus discursos e observações oportunas de improviso.

Na realidade, Chuchill escrevia tudo e exercitava! Ele coreografava até as pausas [...]. As margens de seus manuscritos levavam anotações, antecipando os “aplausos”, “silêncio”, “aplausos prolongados” e até a “ovação de pé”. Feito isto, ele ensaiava infinitamente diante do espelho, moldando suas respostas mordazes e expressão facial. F.E.Smith dizia: “Winston passou os melhores anos de sua vida escrevendo improvisos”. Um orador natural? Talvez. Um homem com um duro trabalho naturalmente disciplinado!
[grifo nosso]

E assim acontece com qualquer área da vida.1

Prezado professor, conclua o tópico I dizendo que não surgem gênios sem disciplina. A disciplina levada a sério forja a genialidade. Diga aos alunos que o principal papel da disciplina é pedagógico. Ele tem o objetivo de educar, ou reeducar, a pessoa para alcançar o alvo almejado.

Se o contexto da disciplina envolver pecado, o objetivo não é outro, se não, auxiliar o pecador a ser reconduzido à comunhão dos santos a fim de que sua alma seja completamente sarada e ele volte a sentir a alegria da salvação. Assim, a pessoa firma um propósito de nunca mais pecar!

Tenha uma boa aula!

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1HUGHES, R. Kent. DISCIPLINAS DO HOMEM CRISTÃO. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 05.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Dicionário da Teologia Antibíblica (2)

Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça (II Tm 3.16)

Abaixo alguns conceitos sobre a bíblia, não a Palavra de Deus, mas sim as deturpações do evangelicalismo popular.

1- A bíblia pentecostal do reteté

O pregador fala que a bíblia é importante, mas ele mesmo não estuda nenhuma de suas páginas para o sermão noturno. Ele está cheio de revelamentos, visagens, profetadas e jamais respeitará o texto bíblico com uma pregação expositiva. Aliás, a bíblia no reteté serve como adereço da “roupa de crente”, sendo o paletó claro no escuro com a bíblia petra sem rascunhos. Você tem uma revelação aí?

2- A bíblia do teólogo moderno

É um conjunto de mitos. É um livro humano sem elementos divinos. Os modernos fazendo alguns cálculos chegaram no fantástico número que Jesus disse somente 25% ou 30% ou 35% daquelas palavras que estão registradas nos Evangelhos. Precisão igual somente vi naqueles dados que apontam os participantes da Marcha para Jesus. Com essa bíblia é melhor ler aquele historiador fantástico... ããã, como é mesmo o nome dele? Ah, o Dan Brown. Você já leu Rousseau hoje para pregar sobre a antropologia bíblica?

3- A bíblia neopentecostal

Uma espécie de tabuleiro. Você abre em qualquer página e depois lê o primeiro versículo que você enxerga e segue o “conselho do dia”. Simples e fácil. Nada de perder tempo mediando, pois basta pinçar alguns textos motivadores e que glorificam o seu “eu”. Só muito cuidado para não seguir o “conselho” de Mateus 27.5.

A Bíblia neopentecostal é também uma espécie de Augusto Cury da antiguidade, ou seja, uma autoajuda água com açúcar disfarçada de psicologia. Você ouviu a emocionante mensagem da Ana Maria Braga de hoje? Buá, buá! Eu sou o cara, repita comigo!

4- A bíblia ultraconservadora

O Alcorão cristão. Foi ditado diretamente do céu. Seus autores estavam psicografando assim com o Chico Xavier escrevia suas obviedades. Nada de estudar contexto histórico, gramática, estilo literário... Deus revelou a bíblia como Alá revelou o Corão. É um livro divino sem elementos humanos. Você não acredita nisso? Sua alma arderá nos mármores do inferno!

5- A bíblia do espiritual oco

O espiritual oco, aquele que não vai no cinema mas bate na mulher, tem sua própria bíblia. O fariseu do século XXI não liga para regras hermenêuticas. Cada versículo têm um significado espiritual que só ele mesmo sabe. É mistééééério! É a cabala gospel. Ele diz que o próprio Deus revela os significados dos textos. Ele tem até o “dom de revelar o Apocalipse”. Engraçado que o dom dele coincide com o filme Deixados Para Trás. Mera coincidência. Ele gosta também de numerologia dita bíblica e usa e abusa das tipologias. Você já entendeu o mistério?

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Essas bíblias em nada parecem com a verdadeira Palavra de Deus, conhecida como Bíblia Sagrada. A Bíblia é um livro humano, mas inspirado (respirado, no original) por Deus. Como qualquer texto a interpretação depende de contexto histórico, gramática, línguas originais, usos e costumes da época e, como livro divino, o auxílio do Espírito Santo para direcionar as suas verdades eternas para a aplicação diária.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O simples pregador milionário!

A revista Istoé desta semana traz uma reportagem sobre o “apóstolo” Valdemiro Santiago. O texto não apresenta nenhuma grande novidade sobre o assunto e é muita parecida com uma reportagem da revista Época de março do ano passado.

Leia reportagem da Istoé aqui.

Leia reportagem da Época aqui.

A reportagem errou feio quando informou que a Congregação Cristã do Brasil nasceu de imigrantes suecos no Pará. Não, a CCB nasceu de imigrantes italianos em São Paulo. O repórter acabou misturando a história das Assembleias de Deus com CCB. Mas tirando essa falha, a reportagem é interessante, pois assim como a Época mostra o milionário Santiago e o seu estilo de vida, que altera da simplicidade para o luxo dos mais ricos.

Agora, minha pergunta é: Como é possível que uma pessoa enriqueça a custas de uma igreja? Se a pessoa enriquece com venda de livros e DVDs, por exemplo, tudo bem, mas esse não é o caso de Valdemiro e muitos outros líderes evangélicos ricos. Eles recebem gordos salários de suas igrejas. Quem lê a Bíblia não pode aceitar. Paulo disse que o obreiro é digno do seu salário, mas ele mesmo abdicou desse direito (Leia I Co 9). E dignidade no salário não é salário milionário.

Acima é uma foto, tirada pela Época, do Valdemiro e sua esposa saindo de um helicóptero Agusta e entrando um helicóptero Bell. Há também o jatinho Citation de R$ 18,5 milhões. É, o estilo de vida desse “simples” pregador é de deixar muito empresário com inveja!