quinta-feira, 31 de março de 2011

O cristão pode desfrutar da arte produzida neste mundo?

Por que estudar filosofia? Por que usufruir da arte? Por que apreciar música, teatro, cinema, literatura, orquestra etc.? Muitas vezes essas coisas são tidas como fúteis, e talvez realmente sejam, mas C. S. Lewis coloca sabiamente tais prazeres no patamar das amizades:

Amizade é desnecessária, assim como a filosofia e a arte ... Ela não tem valor de sobrevivência, sim, é uma daquelas coisas que dão valor à sobrevivência.

Valor à sobrevivência é a boa resposta de Lewis. Todos nós precisamos de arte, mas não para a sobrevivência, mas para o sabor da sobrevivência. Todos nós buscamos arte, seja através de uma simples música até mesmo em um museu contemporâneo. A arte, como tal, faz parte da nossa natureza. Lembra dos desenhos nas cavernas?

Nós, evangélicos, lidamos mal com a arte. Tida como toda profana na visão maniqueísta de muitos que desprezam tudo que não tem o nome de Deus; a arte é despreza e tida como pecado por outros tantos. Maniqueísmo não é Bíblia.

Graça Comum e a Imago Dei

Nós precisamos lembrar do conceito de “graça comum” defendida sabiamente pelos calvinistas. O homem é caído, mas ainda é a Imagem de Deus (Imago Dei). O homem é pecador, mas apesar disso produz boas coisas. O homem é feio (produz muitas feiuras) e é bonito (produz muita beleza). É o casamento de Gênesis 1.26 com Romanos 3.23.

Abrindo um parêntese: Não precisamos negar a doutrina do pecado original para enxergar beleza no homem. Negar o pecado original é o suícidio bobo de quem acha que é possível construir um “novo homem” através de utopias. A chamada Teologia Liberal e suas variantes (infeliz nome, já que liberalismo também é ligado ao iluminismo inglês) tentaram sustentar teorias que produzem essa falsa ideia da perfeição pelo sistema filosófico-político.

Portanto, cultura é também para nós.

terça-feira, 29 de março de 2011

Seja o Centro!

Letra bíblica, cristocêntrica, ritmo bonito, qualidade técnica, composição bem escrita... Sim, é esse tipo de música que precisamos ouvir nos nossos cultos. Chega dos “sabores de mel”, pelo amor de Deus, precisamos de música de qualidade! Quer um exemplo? Ouça Seja o Centro. Sim, tenho divergências com alguns conceitos “teológicos” de Ana Paula Valadão, mas é inegável que várias músicas dessa cantora são realmente muito boas. Enquanto que vejo no meio pentecostal a lotação de “hinos” triunfalistas, é bom ouvir boas composições.

Seja o Centro

Seja o centro, seja o tudo
Em meu coração, Senhor
Seja a vida em meu peito
Cada dia aqui e eternamente

Jesus, Jesus,
Jesus, Jesus,

Seja o sol que me aquece
Em meu coração, Senhor
Seja a força que me sustenta
Cada dia aqui e eternamente

Jesus, Jesus,
Jesus, Jesus,

Meu tesouro
Minha razão de viver
Meu anseio
É te conhecer

Pois não há outro igual a ti
A quem tenho eu além de ti
És minha vida, és a fonte, Jesus

Jesus, Jesus,
Jesus, Jesus,

Seja o centro, Seja o tudo
Em meu coração, Senhor
Seja a vida em meu peito
Cada dia aqui e eternamente

Jesus, Jesus,
Jesus, Jesus,

Veja e ouça a música no You Tube.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O anônimo!

O anônimo é um personagem interessante na blogosfera cristã. Quem ousa contestar as ideias de algum dos seus ídolos logo receberá uma linda mensagem anônima. Mas tenho algumas perguntas:

a) Por que todo anônimo escreve em CAIXA ALTA? Ora, caro anônimo, não precisa gritar para fazer apologia dos seus ídolos.

b) Por que todo anônimo assassina o português? Ora, caro anônimo, além de matar a exegese e a hermenêutica não é necessário acabar com a língua pátria.

c) Por que todo anônimo só conhece Mateus 7.1? Ora, caro anônimo, leia o texto com o seu contexto. Jesus condena o julgamento hipócrita, mas julgar (analisar) é um dever (I Jo 4.1).

d) Por que todo anônimo faz ameaças em nome de Deus? Ora, caro anônimo, Deus vai pesar a mão sim, mas sobre os falsos profetas e não sobre aqueles que despertam o seu povo.

e) Por que todo anônimo defende seu ídolo como se fosse Deus? Ora, caro anônimo, você está disposto a realmente apresentar uma apologia com mansidão, mas uma apologia da fé e não de homens?

f) Por que todo anônimo cita o texto “não toqueis nos meus ungidos”? Ora, caro anônimo, ungido somos todos nós (I Jo 2.20). E tocar, no sentido original, era maltratar fisicamente.

Portanto, caro anônimo, vai ler a Bíblia em lugar de emporcalhar os blogs com comentários nonsense.


PS: Há muito comentário anônimo que não está ligado com os comentários acima, pois alguns esquecem de assinar o nome no final da mensagem. Portanto, amigo leitor, peço que sempre escreva o seu nome para que possamos manter um contato. O espaço dos comentários é ótimo para conversas boas.

domingo, 27 de março de 2011

O legalismo casado com o “jeitinho brasileiro”

Hoje, no jornal Folha de S. Paulo, há uma matéria investigativa da competente repórter Elvira Lobato sobre concessões de rádio e TV adquiridos por “laranjas”, já que seus verdadeiros proprietários escondem alguma coisinha. Assim começa o texto:

Empresas abertas em nome de laranjas são usadas frequentemente para comprar concessões de rádio e TV nas licitações públicas realizadas pelo governo federal, aponta levantamento inédito feito pela Folha. Por trás dessas empresas, há especuladores, igrejas e políticos, que, por diferentes razões, ocultaram sua participação nos negócios. (...) Pessoas que admitiram ter emprestado seus nomes dizem que o fizeram por motivação religiosa ou para atender a amigos ou parentes. Donos, respectivamente, das Rádio 630 Ltda. e Rádio 541 Ltda., João Carlos Marcolino, de São Paulo, e Domázio Pires de Andrade, de Osasco, disseram ter autorizado a Igreja Deus é Amor a registrar empresas em seus nomes para ajudar a disseminar o Evangelho. (Assinantes podem ler a reportagem completa neste link).

Não sei por qual motivo a direção da Igreja Deus é Amor usou laranjas para comprar concessões de 200 mil reais. A direção da igreja recusou atender a reportagem para uma entrevista. Mas coisa boa não é. É ilegal. É o “jeitinho brasileiro” dos legalistas. Eles veem pecado em tudo, menos em burlar leis e agir de maneira duvidosa perante os órgãos públicos. São os fins que justificam os meios?

Um dos laranjas foi o senhor Domázio Pires de Andrade, 74, que vive da pensão de um salário mínimo e mora em terreno público invadido de Osasco (SP). Segundo a entrevista dele para a Folha, Domázio trabalhava na igreja Deus é Amor e foi demitido por causa da avançada idade. Após 24 anos como funcionário da igreja, ele recebeu apenas três mil reais como indenização ao acionar a Justiça do Trabalho. Antes da pensão, vivia da ajuda dos amigos, segundo relata a reportagem. Mas o nome dele consta na papelada das empresas radiofônicas como “dono”. Hoje, Domázio frequenta a igreja Clamor dos Fiéis .

Essa santidade aí anda longe da verdadeira “separação do mundo”.

sábado, 26 de março de 2011

Lição 13 - Paulo testifica de Cristo em Roma

Subsídio preparado pela equipe de educação da CPAD.

Texto Bíblico: Atos 27.18-25

INTRODUÇÃO
I.Viagem de Paulo a Roma (AT 27.1 – 28.10)
II. O evangelho é proclamado na capital do Império (28.16-31)
CONCLUSÃO

Caro professor, este é o fim de mais um trimestre de Lições Bíblicas. É um período importante para fazermos uma reflexão do nosso magistério em Escola Dominical. Analise os métodos que você utilizou, questione se é adequado. Pergunte a turma de alunos sobre a eficácia de suas ministrações. Lembre, que os alunos são o alvo de toda estrutura da Escola Dominical de sua igreja.

A lição desta semana vai abordar acerca da viagem missionária do Apóstolo Paulo a Roma.
Professor, quando o Apóstolo do gentios alcançou, finalmente, o destino de sua terceira viagem missionária, ele logo retornou a Jerusalém (At 21.15). Porém, não levou muito tempo para que Paulo e seus companheiros tivessem problemas. Alguns judeus alegaram que ele, através de seus ensinos, tinha arruinado a Lei de Moisés e profanado o Templo, trazendo os gentios (At 21.27,28).

Foi então, que iniciou-se uma revolta no pátio do Templo, e Paulo foi salvo de linchamento pela intervenção do tribuno militar romano (At 21.31,32). O apóstolo foi mantido prisioneiro por mais de dois anos, e sofreu uma série de julgamentos em Jerusalém e Cesareia perante o Sinédrio, o procurador romano Félix, seu sucessor Festo, e diante do rei Agripa e sua esposa. No entanto, o apóstolo exerceu seu direito como cidadão romano de apelar a César, e foi enviado para Roma a fim de ser julgado.

No decorrer de uma longa viagem à cidade de Roma houve um naufrágio na ilha de Malta, mas, em fim, Paulo chegou salvo a Roma. Os crentes romanos lhe deram as boas vindas, e os judeus ouviram o evangelho (At 28.30,31). O apóstolo usou os dois anos de prisão em Roma para escrever a várias igrejas. As chamadas “cartas da prisão” pertencem a este período, são elas: Efésios (uma carta circular dirigida às igrejas asiáticas da região), Colossenses, Filemon (carta pessoal instruindo Filemon a receber de volta, na qualidade de irmão em Cristo Jesus, o escravo fugitivo) e Filipenses.

Prezado professor, essas informações são importantes para contextualizar os alunos sobre a viagem paulina a Roma. E, também, conhecer as circunstâncias em que algumas Epístolas de Paulo foram escritas.

Tenha uma boa aula.

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Leia também um artigo do Esdras Costa Bentho sobre o mesmo assunto: http://teologiaegraca.blogspot.com/2011/03/viagem-de-paulo-roma.html

quinta-feira, 24 de março de 2011

Resenha: Nazismo e Religião


A relação de Hitler, o grande demônio, com o cristianismo é um assunto para muita análise. Hitler matou milhões de judeus e muitos cristãos, inclusive o teólogo Dietrich Bonhoeffer, que fez parte da resistência anti-nazista. Mas o nazismo namorou outros religiosos. Infelizmente, houve igrejas na Alemanha que trocaram a cruz pela suástica e alguns pastores nazistas queriam inclusive retirar o Antigo Testamento do canôn, pois era um “livro de judeus”.

Tudo isso e muito mais é trabalhado pelo teólogo e colega André Tadeu de Oliveira no seu primeiro livro Nazismo e Religião (Editora Reflexão), que trata sobre a relação conflituosa e amistosa da religião com o regime totalitário de Adolf Hitler. Oliveira, inclusive, vai mais além, pois descreve as influências de seitas pagãs no regime, sendo um assunto pouco comentado.

Abaixo segue o prefácio escrito pela doutora Suzana Bornholdt, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, e a resenha escrita pela blogueira secularista Rayssa Gon. O autor, André Tadeu, é membro da 1ª Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo (SP).


Prefácio do livro pela professora Suzana Ramos Coutinho Bornholdt


Sinto-me feliz e honrada em apresentar ao público brasileiro o livro “Nazismo e Religião, Entre a aliança e o conflito”, de André Tadeu de Oliveira. Ex-aluno do curso de bacharelado em Teologia da Escola Superior de Teologia (EST) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, André surpreendeu os professores da banca ao apresentar seu trabalho com brilhantismo, humildade e desenvoltura.


Este livro é resultado desta dedicação e sucesso. André inaugura aqui um passo importante para acadêmicos e estudiosos da religião. A abordagem histórica utilizada para refletir a respeito do nacional-socialismo alemão e suas relações com diferentes grupos religiosos surge no cenário das publicações brasileiras como um tema inovador.


As perguntas norteadoras deste trabalho mostram que o autor investiu em uma pesquisa de precisão não apenas teórica mas também metodológica, visando não a incorrer na prática comum das generalizações. Reconhecendo as particularidades de cada religião, André ousou ir além. Buscou demonstrar uma relação diferenciada de grupos religiosos específicos com o regime hitlerista, apontando possíveis relações com o movimento. Do mesmo modo, realizou cuidadosa abordagem a respeito do papel do cristianismo. Ao se referir à presença da igreja cristã, André realizou a necessária separação entre o papel do protestantismo e do catolicismo e suas respectivas relações com o regime.


A meu ver, a inovação deste livro recai nos apontamentos feitos pelo autor ao sugerir relativo grau de interação do movimento hitlerista não somente com o cristianismo mas também com religiões as quais a sociedade ocidental enxerga com menos destaque, como o paganismo de origem nórdica, o esoterismo, o hinduísmo, o budismo e o islamismo.


Ao se perguntar até que ponto tais crenças contribuíram com a implantação e a consolidação do poderio fascista em solo alemão e se houve resistência por parte dessas crenças, André estabelece um debate rico e provocador. Não somente por mostrar que crenças tão distintas foram utilizadas como sustentadoras do regime hitlerista, mas também serviram como resposta para o povo alemão, então diante da crise moral que se abateu sobre o país.


Este livro nos relembra os horrores de um período da história que sonhamos nunca mais ver. E ao mesmo tempo nos desperta para a responsabilidade de, como igreja cristã e como cidadãos comprometidos com a justiça, não sermos coniventes e omissos com o abuso do poder político sobre os direitos civis.


*Suzana Ramos Coutinho Bornholdt: Doutora pela Lancaster University, possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina. É professora da EST-Mackenzie.


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Resenha escrita por Rayssa Gon


A Religião do Terceiro Reich (Fonte: Bule Voador http://bulevoador.haaan.com/)


Enquanto eu lia o trabalho do André Tadeu – Influência das Religiões no Nascimento e Consolidação do Nazismo Alemão- vários adjetivos passaram pela minha cabeça para defini-lo. Acho que o que se encaixa melhor é ousadia. Sem duvida é um livro muito bem projetado e pesquisado, rigoroso e claro, mas a forma como André tratou um tema até hoje tão delicado sem perder o foco ou o espírito investigativo demonstra que ele possui a ousadia necessária a todos os bons pesquisadores.


Um dos pontos que acho mais importante de destacar da tese do André é a relação do Regime Nazista com as Igrejas Cristãs. Ao contrário do que se costuma pensar, o nazismo manteve relações muito mais estreitas com a Igreja Luterana (evangélica) do que com a Igreja Católica. A Reforma Protestante, por ter tido como um de seus pilares Martinho Lutero (nascido em Eisleben, região central da Alemanha), foi considerada fruto essencial de uma germanidade ideal. Muitos entusiastas do regime olharam a Reforma retrospectivamente como uma luta entre uma religião genuinamente ariana contra outra, estrangeira e invasora, no caso a Católica.


As reiteradas demonstrações de apoio dadas ao Nazismo por Roma (pelo Papa Pio XII especificamente) foram feitas a garantir que Igreja Católica não mediria forças com Estado Nazista. De forma geral, enquanto os papistas gradativamente se alinharam ao governo nacional-socialista, os luteranos alemães se aproximaram do chamado protestantismo liberal – movimento de grande influencia do seculo XIX. André Tadeu explica a natureza dessa aliança:


Para muitos protestantes liberais, a Alemanha havia sido predestinada por Deus para comandar a civilização do mundo moderno. [...] O conceito da realização do reino de Deus por meio da esfera exclusivamente política – aliado a uma clara identificação com a política nacional alemã – forneceu bases teóricas para consolidar a união entre protestantismo e nazismo.

Os cristãos, uma vez alinhados ao regime nacional socialista, revisaram muitos dos pressupostos e ensinamentos bíblicos com o objetivo de combinar a religião cristã com as bases ideológicas do nazismo. Nesse sentido, o congresso de cristãos alemães realizado em 13 de novembro de 1933 em Berlim é emblemático. Durante o evento Hermann Krauser, um dos expoentes do governo, defendeu que para ser vivido na realidade alemã o cristianismo deveria ser depurado: o Antigo Testamento excluído – “com sua ética de recompensa judaica, e de todas as historias de negociantes de gado e cafetões” – assim as contribuições do “rabino Paulo”. Nesse contexto, Jesus seria apropriado como um líder audacioso, beligerante e , principalmente, antissemita.


O grande mérito do livro do André é mostrar que o campo religioso é absolutamente necessário para entendermos o fenômeno do fascismo na Alemanha. A religião, então, nos ajuda a compreender não apenas o nazismo em si como também a organização da resistência organizada a esse movimento. É o caso da Igreja Confessante. Karl Barth é apenas um exemplo de grandes lideranças cristãs na luta contra o nazismo. Segundo ele, a comunhão entre os filhos de Deus deveria ser através do Espírito Santo e não de uma mesma e única raça. Medidas eugenistas como a esterilização em massa e eutanásia compulsória também formaram, juntamente com os argumentos teológicos, as bases da oposição cristã ao nazismo.


O nacional socialismo alemão também se fundamentou numa releitura de antigas crenças pagãs germânicas. Dietrich Eckart, um dos membros chaves do partido Nazi, defendia que as crenças pagãs eram, na verdade, um cristianismo velado. Muitos dos símbolos e mitos utilizados para estruturar o regime foram tomados de lendas e rituais nórdicos. As runas merecem destaque especial. O duplo raio usado como símbolo da SS (Schutzstaffel ) -organização paramilitar de grande poder e influência – é derivado do chamado alfabeto rúnico.


Um grupo dedicado ao culto e estudo dessas tradições se formou na Alemanha. Denominado “Comunidade de Fé Alemã”, contava com personalidades centrais do alto escalão nazista como integrantes e defendia o resgate completo dessas crenças. O trabalho de André nos mostra como alguns conflitos – pontuais, mas significativos – se deram entre os seguidores dessa dita religião germânica ancestral e o cristãos.


Por fim, o livro ainda conta com analises e explicações sobre os elementos do Hinduísmo, Budismo e até Astrológicos cooptados pelo regime nazista. Uma pesquisa completa, minuciosa e de fácil compreensão que tem tudo para se tornar uma obra referencial para todos aqueles interessados em História e Religião.


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Livro: Nazismo e Religião

Autor: André Tadeu de Oliveira
Páginas: 174
Formato: 14,0 x 21,0
Editora Reflexão: http://www.editorareflexao.com.br/Site.aspx/Produto/220-NAZ


quarta-feira, 23 de março de 2011

Tem Anjo Aqui!



Alguns jovens criativos e bem humorados fizeram uma paródia muito engraçada da música “Tem Anjo Aqui”. Além da interpretação, quero que você observe bem a letra da música- ainda muito cantada nas igrejas pentecostais. A letra é ruim, teologicamente questionável, de gosto duvidoso e com o velho viés triunfalista de um culto centrado no homem. É bom que alguém mostre o lado bizarro de tudo isso. Assista!

terça-feira, 22 de março de 2011

Pregar moral não é pregar o Evangelho!

Recentemente escrevi um post criticando os cristãos conservadores que confundem a militância moralista com Evangelho. Gastam tempo e esforço com esse tipo de militância e acham que são evangelistas por isso. Pois bem, acabei de ler um ótimo artigo do teólogo batista reformado R. Albert Mohler Jr. que faz exatamente a mesma crítica. Só que ele argumenta bem melhor do que eu [rsrsrs]. Incentivo que você leia todo o artigo neste link.

Na conferência do Mackenzie houve um momento de perguntas, onde qualquer um poderia levantar questões para o palestrante, então indaguei Wayne Grudem se adianta construir leis morais para corações não regenerados. Eu gostei da resposta. Grudem respondeu que sim. A lei garante uma ordem que é boa para todos. É uma dádiva divina que torna o mundo mais equilibrado e fora isso teríamos somente anarquia. Mas Grudem lembrou que não podemos nunca esquecer que essas leis morais não salvam.

As leis são realmente importantes. Recentemente a revista Veja entrevistou o professor norte-americano Walter Williams que destacou um ponto interessante sobre a realidade americana que não é diferente da nossa:

Quando uma adolescente pobre fica grávida, ela ganha direito a se inscrever em programas habitacionais para morar de graça, recebe vale-alimentação, vale-transporte e uma série de outros benefícios. Antes, uma menina grávida era uma vergonha para a família. Muitas eram mandadas para o Sul, para viver com parentes. Hoje, o estado de bem-estar social premia esse comportamento. O resultado é que nos anos da minha adolescência entre 13% e 15% das crianças negras eram filhas de mãe solteira. Agora, são 70%.

A questão moral serve de exemplo. Hoje, por exemplo, as escolas públicas são a antesala do inferno, mas nem sempre foi assim. O ensino público já teve qualidade do Brasil. Nas escolas de hoje sobra indisciplina e professores que têm até medo dos alunos. Por que? Há várias explicações, mas também é consequência da falta de autoridade na sala de aula. Não precisamos de escolas opressoras do imaginário de Foucault, mas esse modelo sem respeito do discente pelo docente mostra a sua falência. O respeito não existe pela falta do exemplo e da correção. A lei é importante inibidor do mal.

Agora, ser bom aluno, bom cidadão, moralista e cheio de bons costumes não garante salvação. Aliás, pode até afastar uma pessoa da graça. Salvação é somente pela graça de Deus, somente. Há muito moralista no inferno. Se a igreja mistura as bolas e passa a ser um militante do moralismo ela simplesmente nega o Evangelho. Igreja é pregadora das boas novas e não dos bons costumes. Tudo o resto é consequência, inclusive boas maneiras.

O cristão conservador destaca sempre o pecado individual (mentira, adultério, bebedice etc.) e o cristão progressista sempre destaca o pecado social (pobreza, opressão, injustiça etc.). Ambos, na sua militância, tentam acabar com esses pecados esquecendo de pregar o Evangelho que realmente transforma o homem e a sociedade. É um esforço que distorce.

Isso não quer dizer que não devamos incentivar as boas maneiras, a moral e a defesa da justiça, mas antes de tudo, como igreja, não esqueçamos de pregar o Evangelho. Quando a igreja segue o caminho distorcido os perdidos acham que salvação é deixar de beber pinga ou militar pela justiça social. Nem um nem outro. Salvação é graça. É fé em Cristo.

Michael Horton, outro respeitado teólogo reformado, diferenciou muito bem o moralismo do Evangelho. Veja o quadro:

Lei leveO Evangelho
Deus como treinador de vidaDeus como Juiz e Justificador
Bom conselho (fazendo)Boas-novas (feito)
Cristo como exemploCristo como Salvador
A Bíblia como manual de instruçãoA Bíblia como mistério de Cristo sendo revelado
Sacramentos como meios de compromissoSacramentos como meios da graça
A igreja como recurso de autoajuda (foco no nosso serviço/ministério)A igreja como embaixada da graça (foco no serviço/ ministério de Deus)
Nós subimos até DeusDeus desce até nós
Nós enviamos a nós mesmosDeus nos envia
(HORTON, Michael. Cristianismo sem Cristo: O Evangelho Alternativo da Igreja Atual. 1 ed. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2010. p. 158.)

É interessante observar que alguns cristãos conservadores e progressistas se aproximam no mesmo erro: a tentativa de transformar a realidade sem o milagre do Evangelho. Ambos lidam mal com a liberdade das democracias, mas esse é assunto para outro post.

Sovereign Grace Ministries - A Canção do Evangelho

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ufanistas assembleianos morrem doentes pensando que estavam bem de saúde!

As Assembleias de Deus vão completar o seu centenário neste ano. É uma data muito especial. Mas é preocupante como parte da liderança encara a história da denominação com ufanismo. O ufanista é aquele que se orgulha ou se regozija excessivamente de algo. Infelizmente, muitos pelo aniversário esqueceram do senso crítico, que é sempre saudável.

Ouvir a pregação de alguns pastores das Assembleias de Deus é ter a impressão que você congrega na melhor denominação do mundo. Uma igreja sem problemas. Mas como assembleiano não posso ser sincero e ao mesmo tempo falar que a denominação está bem. Não, a denominação está doente. E há inúmeros sinais dessa grave enfermidade. Só não enxerga quem não quer ver! Exemplos? Vamos lá:

1. Briga por poder. É o principal sintoma. A denominação há muito tempo está dividida pelas disputas de poder. Desde os primódios havia graves divergências entre missionários estrangeiros e pastores brasileiros. Mas é visível que a questão divisional estava ligada mais por questões de “ideologia” do que fome por poder. Hoje não, a questão é poder, poder, poder e mais poder.

2. Pregações superficiais. Hoje os assembleianos estudam mais, é fato. Mas ainda é raro encontrar um pastor com ensino e pregação profunda. Se você acompanha somente alguns pastores assembleianos de blogs terá uma boa impressão que não reflete a realidade nacional, infelizmente! Os pregadores que respeitam o texto bíblico, com boa interpretação, é exceção à regra.

3. O mito da piedade. Os “espirituais” dirão que os pastores assembleianos são pouco instruídos mas com vida devocional exemplar. É aquele velho papo do coitadismo que tenta justificar a preguiça intelectual. Conversa para boi dormir! Além disso, essa piedade mais elevada é um baita mito. As igrejas assembleianas hoje não oram mais do que as demais. Talvez até orem menos.

4. Herança pentecostal diluída. Na maioria das igrejas, o assembleiano só estuda Atos 2 ou I Co 12-14 nas escolas dominicais. Textos importantes para o entendimento da doutrina pentecostal são normalmente desprezados nos sermões dominicais. Aliás, os cultos de domingo estão completamente recheados com músicas e pregações daquela autoajuda mais boba. Resumindo: São igrejas pentecostais que não pregam suas doutrinas. E no outro extremo há o ridículo “reteté”. Quem aceita essas bizarrices precisa rasgar I Co 14 da Bíblia.

5. Política. Qual é a teologia pública dos assembleianos? Nenhuma. O candidato é apoiado para conseguir concessão de rádio e TV. Alguns dizem defender a moralidade, mas vivem sujos em escândalos e apoiam partidos e políticos de fichas nada limpas. Qual é o objetivo de um político senão promover a boa gestão pública para todos?

6. Legalismo. É evidente que o legalismo perdeu força nas Assembleias de Deus, mas em igrejas periféricas e interioranas o legalismo ainda mostra a sua força. Em algumas congregações ainda existem disciplinas por calça feminina, maquiagem, futebol e até televisão.

Conheci uma irmã de Mato Grosso que fazia mestrado em pedagogia e precisava assistir alguns vídeos. Ela então pediu autorização do pastor para colocar a “caixa do diabo” em casa. Sabe o mais irônico? O pai dessa irmã é pastor da Assembleia de Deus em Goiás e na igreja dele não há nenhuma restrição para mídias e adornos femininos.

Certo dia, a esposa desse pastor assembleiano foi tomar ceia no outro Estado mais legalista onde congregava sua enteada. Ela foi bem vestida com seus brincos e maquiagem leve, mas o diácono passou direto. O pastor chamou atenção daquele diácono e disse: “A minha esposa não pegou o pão”. O diácono respondeu: “Mas ela não está com trejeito de crente”. E saiu. O diácono serviu a filha com “trejeito santo”, o pai pastor de terno e gravata, mas deixou sem pão a madrasta “mundana”.

Essa história ainda não completou meia década!

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Esses são apenas alguns pontos. Podemos apontar vários outros. É claro que devemos comemorar os 100 anos da igreja que mais ajudou a evangelizar o Brasil. Mas não podemos achar que estamos no mar de rosas. A realidade é cruel.

sexta-feira, 18 de março de 2011

As Viagens Missionárias de Paulo, por Esdras Bentho

Mais um subsídio para complementar os assuntos da sua aula nesse próximo domingo. Leia o artigo do pastor Esdras Costa Bentho neste link.

Leia também: PACKER, James I. & TENNEY, Merril C. & WHITE Jr, Willian. O Mundo do Novo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 1988

Lição 12 - As viagens missionárias de Paulo

Subsídio escrito pela equipe de educação da CPAD

Texto Bíblico: Atos 13.1-5; 46-49

INTRODUÇÃO
I. A PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (AT 13 – 14)
II. A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA (AT 15.36 – 18.28)
III. TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (AT 18.23 – 28.31)
CONCLUSÃO

Na lição desta semana vamos estudar “as Viagens Missionárias do Apóstolo Paulo”. É fudamental providenciar os mapas das viagens missionárias de Paulo. Você deverá falar das cidades que o apóstolo passou e localiza-las no mapa para melhor clareza do aluno. O prezado professor vai perceber que:

Na primeira viagem missinária as igrejas na Galácia são estabelecidas (At 13 – 14). As cartas de Paulo aos Gálatas foram enviadas para estas igrejas.
Na segunda viagem, o evangelho foi levado até a Macedônia, e fundaram-se igrejas em Filipos e em Tessalônica (At 15.36 –18.22). Na Acaia, Paulo fundou a igreja em Corinto, e apresentou seus ensinos na mais alta instância filosófica do mundo ocidental: o Areópago em Atenas (At 17.19-34).
Na terceira viagem, Paulo permaneceu mais de dois anos em Éfeso, formando ali uma importante comunidade cristã (At 19). O evangelho se espalhou pela Ásia Menor, chegando a Colossos e a Laodiceia.

Quando lemos sobre as viagens missionárias do apóstolo Paulo nos capítulos 13,14,16–20 de Atos dos Apóstolos, verificamos a estratégia missionária de Paulo em torno do seguinte tripé: estabelecimento da igreja local; estabelecimento de obreiros; confirmação da Igreja.
De acordo com a pregação do apóstolo numa determinada cidade, as pessoas a aceitavam e como igreja local era estabelecida na dita cidade. Isto é patente na primeira viagem missionária do apóstolo (At 13.47-49).

Então, a necessidade de se estabelecer obreiros nativos faz com que o apóstolo oriente a igreja a eleger de “comum consentimento” os seus ministros (At 14.23).

Por fim, depois de estabelecer a igreja e os obreiros nativos, o apóstolo desenvolve uma ação fundamental nas igrejas constituídas: a confimação na fé. Na terceira viagem missionária não há estabelecimento de igrejas e nem de obreiros. Mas as visitas do apóstolo às comunidades formadas. Ele as confirma na fé. Por exemplo, na igreja de Éfeso ele fica dois anos. E os líderes desta igreja já estavam estabelecidos (At 20.17). A reunião que o apóstolo Paulo faz com os anciões da igreja dos Efésios confirma a natureza de sua viagem (At 20.17-37).

Prezado professor, conclua a lição falando da importância do ministério missionário do apóstolo Paulo para a propagação do evangelho no mundo. Diga, que o fato de conhecermos a salvação hoje, deve-se muito ao ministério que o Senhor outorgou a este apóstolo de Cristo.
Boa aula.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A política segundo o teólogo Wayne Grudem

Nesses últimos dois dias assisti a maior parte das palestras e plenárias do II Congresso Internacional de Religião, Teologia e Igreja da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Valeu a pena cada minuto. Entre os palestrantes estava o Dr. Wayne Grudem, Ph.D. pela Universidade de Cambridge. Grudem foi titular do Departamento de Teologia Bíblica e Sistemática na Trinity Evangelical Divinity School, uma das mais respeitadas escolas de teologia dos Estados Unidos. A Teologia Sistemática (Edições Vida Nova) dele já vendeu mais de 600 mil cópias, sendo um número impressionante para esse tipo de livro.

Na minha opinião, o maior legado de Grudem é o livro Dom de Profecia (Editora Vida). Como um importante teólogo reformado, ele trouxe para o mundo acadêmico protestante (e cessassionista) o debate sobre os dons espirituais. As posições no livro são bem “pentecostais”. Ele, inclusive, cita bastante o teólogo Donald Gee, um dos fundadores da Assembleia de Deus na Inglaterra. No momento do autógrafo eu elogiei essa obra e ele, muito simpático, ficou alegre em saber que o livro está traduzido para o português.

A luta contra a tirania

Critiquei recentemente declarações políticas do pastor John MacArthur Jr. (Veja aqui). Na ocasião, afirmei que era uma posição isolada de MacArthur e não representava os demais evangélicos. Graças ao bom Deus, o congresso não deixou eu mentir. Os palestrantes, incluindo Grudem, defenderam a ideia de que os cristãos podem e devem lutar contra tiranias, ao contrário do que MacArthur expressou na entrevista ao site The Christian Post.

Grudem lançou recentemente o livro Politics According to the Bible (Política segundo a Bíblia, em tradução livre). As palestras foram baseadas nessa obra de 664 páginas. Ficou claro como a relação do cristão deve ter com a liberdade política e religiosa. Inclusive, a liberdade é o tema da Carta de Princípios de 2011 da Universidade Mackenzie (Veja aqui). Grudem citou uma frase interessante de Benjamin Franklin: “Rebelar-se contra tiranos é obedecer a Deus”.

Os cristãos americanos não deveriam rebelar-se contra a Inglaterra e jamais poderiam promover a Revolução Americana, ou seja, nada de independência. Assim era como muitos cristãos pensavam, segundo Grudem. Enquanto outros cristãos viam, com Benjamin Franklin, que era dever cristão lutar contra o poder único (tirano) do rei inglês. Somente a Deus pertence todo o poder. Para o rei inglês George III, eram os clérigos calvinistas que instigavam a Revolução Americana, como lembrou o teólogo Franklim Ferreira na sua palestra.

Liberdade religiosa

No livro, somente em inglês, há um trecho citado por Justin Taylor bem interessante a respeito da liberdade religiosa e nossa obrigação de defendê-la. Não queremos teocracia, jamais! Logo porque toda teocracia é um clerocracia.

A visão de "influência significativa" diz que os cristãos devem procurar influenciar o governo civil de acordo com os padrões morais de Deus e seus propósitos para o governo, como revelado nas Escrituras (quando bem interpretada). Mas enquanto os cristãos exercem essa influência, devem simultâneamente insisterem na proteção da liberdade religiosa para todos os cidadãos. Além disso, a "influência cristã” não significa braveza, agressividade, intolerância e críticas com o rosto vermelho e cheio de ódio; mas antes conservas cativantes, amáveis, atenciosas e persuasivas de que amar é adequado a cada circunstância e que sempre protege o direito da outra pessoa discordar, mas que também é inflexível sobre a bondade e honestidade moral dos ensinamentos da Palavra de Deus. (p. 55).

Portanto, Grudem propõe o equilíbrio da tolerância com a firmeza dos valores universais. Sim, tal equilíbrio é possível. Acreditar em absolutos não faz naturalmente um absolutista, um intolerante. Quantos relativistas são o terror da liberdade? Quantos relativistas jamais aceitam opiniões contrárias? São muitos. Ironicamente, há um ótimo texto sobre esse assunto do pastor Ricardo Gondim, mas escrito em 1997: http://www.hermeneutica.com/mensagens/intolerancia.html

PS: Farei alguns posts sobre os diversos assuntos abordados no congresso.